sexta-feira, 30 de maio de 2008

DUETOS IMPROVÁVEIS #49

WILLIE NELSON & SNOOP DOGG
Superman

Live at the Melkweg, Amsterdam, 21 Abril 2008

OLHAR PARA O CÉU...


E agora para algo completamente... agradável?


A Fundação de Serralves com a colaboração do NEC - Núcleo de Experimentação Coreográfica procura voluntários para participar na performance “Paris, 22 de Outubro 1797 - Parque Monceau / Porto, 7 de Junho 2008 - Parque Serralves”, de Lúcia Prancha e Renata Catambas.Este projecto integra o programa de actividades do Serralves em Festa (7 e 8 de Junho de 2008) e foi seleccionado no âmbito do concurso de Projectos Artísticos do Serralves em Festa.“Paris, 22 de Outubro 1797 - Parque Monceau / Porto, 7 de Junho 2008 - Parque Serralves” é um projecto desenhado especificamente para acontecer no contexto de Serralves em Festa. Irá basear-se num convite ao público da Festa a testemunhar uma reencenação de um acontecimento histórico sucedido em 1797, no Parque Monceau, em Paris. A realização desta performance implica integrar um grupo de 30 pessoas que irão durante 2h passear pelo Parque de Serralves e olhar regularmente para o céu. A performance terá lugar no Parque de Serralves, no dia 7 de Junho de 2008, às 16h. Não é necessária qualquer formação em artes de palco. A participação implica disponibilidade para os ensaios com as artistas apenas no dia anterior (6 Junho - período da tarde) e no próprio dia da performance (7 Junho - período da manhã e tarde).

Pode-se levar o IPod?

SCOUT NIBLETT, Mercado Negro, Aveiro, 29 de Maio de 2008


Na tradição que Scout Niblett parece manter, a sala lotada do Mercado Negro recebeu ontem um concerto verdadeiramente intímo. As paredes negras e a luz ténue do espaço, conduzem a uma proximidade e aconchego próprios de um pequeno auditório, que Niblett comparou a uma sala de aula. Na verdade, assumiu, desde logo, o seu papel de mestre de escola, desafiando várias vezes os presentes a fazerem perguntas (any questions?), e, apesar da timidez latente, houve quem, do escuro e para risota geral, lhe pedissse para ser a mãe dos seus filhos. Pareceu ”interessada”, mas a incompatibilidade dos signos astrológicos, deitou tudo por terra, embora a proposta (indecente?) tenha servido para encurtar “distâncias”! Grande momento! Mas é com as suas canções que Niblett nos agarra. O minimalismo de uma só guitarra eléctrica e a sua voz forte e “suja”, contam histórias reais ou sonhadas (brilhante em “Do you wanna be buried with my people”), de tradição “grunge” marcadamente melancólica. Acompanha-a um baterista, que apesar de não nos ter sido apresentado, é o seu cúmplice perfeito. Do mais recente disco “This fool can die” fez-se o sumário da “aula” mas houve revisões de “lições” passadas. Mesmo sem o “tempero” de Bonnie Prince Willie, o já incontornável “Kiss” resultou memoravelmente num intenso arrepio. As comparações podem ser muitas (de PJ Harvey, passando por Liz Phair até Cat Power), mas até na forma tão sexy como cerra os dentes quando canta e na simpatia que emana, desde o primeiro instante que ficamos seduzidos! Já agora, somos do mesmo signo e nascemos no mesmo dia...

quinta-feira, 29 de maio de 2008

TOUMANI DIABATÉ, Casa da Música, Porto, 28 de Maio de 2008


O instrumento da imagem acima chama-se kora. Tem 21 cordas e uma caixa de ressonância coberta de pele de vaca.Toca-se com os dois últimos dedos de cada mão, servindo um polegar para o baixo e o outro para a melodia. Os dois dedos indicadores fazem o resto, ou seja, improvisam. A explicação simples dada pelo próprio Toumani Diabaté esconde, contudo, o essencial – a magia e pureza do seu som. A viagem/concerto de ontem não teve rotas ou caminhos traçados, já que, como foi referido, esta música não tem pautas ou escritos. Somente proveniência e inspiração divina, que Diabaté, de olhos sempre fechados, vai dedilhando e espalhando maravilhosamente. O disco “The Mande Variations”, o seu novo álbum a solo ao fim de quase vinte anos, serve-nos de bíblia sonora à qual nos convertemos prontamente desde a primeira audição. Sobre a celebração de ontem, não há muito mais a dizer, a não ser que vamos continuar a fechar os olhos e a viajar nas nuvens. Por favor, não o percam amanhã em Lisboa (CCB) ou Sábado em Coimbra (TAGV). Seria pecado...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

ANIMAL COLLECTIVE + ATLAS SOUND Cinema Batalha, Porto, 27 de Maio de 2008


Mais um concerto super-patrocionado pela operadora móvel cor-de-laranja, o que em 2008 parece ser uma sina. Ainda bem, pois a casa estava quase cheia, pelo menos na plateia em pé. Na primeira parte esteve Bradford Cox, mentor e executante que dá pelo nome de Atlas Sound. Entrou para o palco sozinho, local onde construiu uma teia sonora constante, agradável e até surpreendente. Sentado no palco entre tanta parefernália, a sua presença foi sempre impreceptível, o que já não se pode dizer da música que foi apresentada. A teia sonora construida resulta e a “cama” preprada em loops pré-gravados é merecedora de audição atenta – o disco entretanto editado é a prova disso mesmo.
Depois de um intervalo demasiado longo, foi a vez dos Animal Collective, agora reduzidos a um trio, mas cuja potência continua brutal. Experimentalismo e algum psicadelismo em alta dose, demasiado alta no nosso entender (quem sofrem são os tímpanos...). Em relação ao concerto de 2005 na CDMúsica, parecerem-nos menos inspirados, mas mais maduros, o que aliás transparece do seu último disco “Strawberry Jams”. O público e ainda em relação à anterior passagem pelo Porto, surgiu mais recatado, numa atitude expectante, à espera, com toda a certeza, de ser espicaçado, o que não viria a acontecer. Sem direito a qualquer encore (a tal falta de inspiração?), a massa sonora continua a ser vanguardista e de difícil classificação, num concerto escorreito, competente, mas sem as euforias de outros tempos. Talvez seja melhor continuar a ouvi-los em disco!

terça-feira, 27 de maio de 2008

COCOROSIE, TAGV, Coimbra, 26 de Maio de 2008


Quando ouvimos qualquer um dos magníficos discos das irmãs Casady, questionamos sempre como é que aquele desfilar de sons surpreendentes e multi-etiquetados podem resultar ao vivo. Ontem em Coimbra, a resposta foi subliminar e efectiva! Descritas, quase sempre, como fazedoras de música invulgar, as CocoRosie acrescentam, em cima do palco, a essa invulgaridade mais alguns condimentos certeiros que nos atingem em cheio. As vozes irreais (um misto de Johana Newson e Bjork) de Sierra e Bianca ora se complementam ou se destiguem naqueles timbres maravilhosos das canções de embalar e sonhar. Alías, esses “sonhos” - etiqueta “dream pop” - como que se tornam realidade visível no enorme ecrã de fundo, onde constantemente imagens, desenhos e rascunhos se alternam e misturam com a música, num conjunto a que se poderá chamar video/concerto! A suposta inocência dos seus temas – etiqueta “chinese pop”- é, no entanto, muito bem pensada e experimentada e que já alguns anos de palco ajudam a assentar. Para essa consistência, contam com um pianista, um indescritível “beat vox” humano chamado TEZ (que daria um verdadeiro show sonoro antes do encore) e ainda os dois músicos por detrás dos projectos Quinn Walker e Rio En Medio que asseguraram a primeira parte do concerto. Ao longo de uma hora e meia os presentes no esgotado TAGV fizeram parte de um mundo muito próprio, nos limites do privado, que nos acicata e estremece, quer através de ondas calmas e líricas quer em ritmos acelerados e dançáveis - etiqueta “drum and bass”. Ou seja, concerto sofisticado mas simples, doce mas amargo, indescritível mas vibrante - etiqueta “brillant pop”…

LINARIDADES #58


. o Optimus Alive está, para já, transformado no maior festival em terras lusas no ano de 2008. Para além de Neil Young, Dylan e Rage Against the Machine o evento apresenta uma diversidade de projectos e bandas bem escolhidas e atraentes. As últimas adições são disso exemplo – Midnight Juggernauts e Juan McLean!

. mas, infelizmente, ainda somos um país pouco atractivo para Tom Waits que teima em esquecer este jardim à beira mar, apesar das petições. Das datas anunciadas da digressão europeia não consta, como é habitual, nenhuma data portuguesa. O mais perto é San Sebastian a 12 de Julho. Os bilhetes são posto à venda segunda feira dia 2 de Junho...


. começou ontem em Coimbra uma semana intensa de concertos, um por dia!
Na medida do possível vamos tentar deixar por aqui alguns comentários quentinhos!


. entre amigos, durante o fim-de-semana, a discussão sobre blogs foi hilariante. Falou-se de dependência, responsabilidade e, no fundo, utilidade. A questão é sempre polémica, mas por aqui ainda vamos mantendo muito prazer na “alimentação” da criatura. Por isso...

sexta-feira, 23 de maio de 2008

CRISTAIS DEDILHADOS


Em Maio do ano passado, assistimos na Tertúlia Castelense a alguns momentos inesqueciveis que saltaram da guitarra de 12 cordas de James Blackshaw. O músico, que transforma a guitarra numa verdadeira sinfonia, editou em 2007 o disco “The Cloud of Unkowing” considerado pela crítica como (mais) uma pérola e que, infelizmente, não tivemos ainda oportunidade de ouvir.Entretanto, Blackshaw que teve concertos marcados, mas entretanto cancelados, para Portugal para este mês, fez uma digressão americana com José Gonzalez e já, em 2008, envolveu-se numa série de projectos, entre eles mais um novo disco! Chama-se "Litany of Echoes", sairá no próximo mês, onde dicidiu acrescentar alguns sons de piano, tal como faz nas suas mais recentes apresentações ao vivo. Pela amostra que o myspace disponibiliza (ouçam bem o tema "Infinite circle") estamos perante algo simplesmente lindo. Cá o esperamos, ansiosamente, numa qualquer noite de luar...

quarta-feira, 21 de maio de 2008

O FREAKSHOW!


O 53º Festival da Eurovisão, cuja final se realiza no sábado em Belgrado (Sérvia) ameça tornar-se, infelizmente, memorável! Num resumo noticioso que ontem tivemos oportunidade de ver no Euronews ficamos a saber que, para além da já anunciada e surpreendente participação de Sebastian Tellier a cantar em inglês e outras historietas, temos um perú cantor como representante da Irlanda (Dustin the Turkey!!), uma representação da Rússia com acompanhamento de um patinador de gelo sem patins (!), uma banda hevy-metal (?) finlandesa que, depois dos Lordi, voltam à carga e o cromo espanhol Rodolfo Chikilicuatre e o tema “Baila el chiki chiki”... Sem cometários, mas apostamos no perú!


terça-feira, 20 de maio de 2008

FAROL #54



A agora cantora Scarlett Johansson realizou a semana passada uma sessão ao vivo na AOL onde interpretou cinco temas do seu disco de versões de Tom Waits. Os videos ainda chegaram ao youtube mas rapidamente foram retirados! Prova-se que o projecto terá atuações ao vivo, com os mesmos músicos que produziram o disco e, apesar de tudo, a “coisa” começa a entranhar-se... Aqui ficam os mp3.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

LUNARIDADES #57



. a maior bizarrice podrida do ano aí está! O video de Doherty e Winehouse a brincarem com ratos recém nascidos é inacreditável. Até onde é que “isto” vai chegar? Brrrrrrrr... Triste!

. bizarrice Amy dois: com esta mania das grandezas começamos a perceber porque é que a cantora está na lista das mais ricas de Inglaterra. Imaginem se ela estivese “clean”... Às tantas não ganhava tanto dinheiro!

. noite de sábado no Museu Soares dos Reis com imensa gente, criançada, animação, interesse, exposições, música, dj’s e jardim aberto e alguns reencontros saborosos. Um êxito! Devia acontecer mais vezes;

. parece que o Porto tem uma praia com bandeira azul! O Homem do Leme recebeu esta classificação pela primeira vez e só falta chegar o calor para ser testada. E desta vez não é uma bandeira azul do glorioso (não se pode ganhar sempre...);


. já são dezenas as audições do novo dos Raconteurs. Começa a ser viciante. Um verdadeiro clássico, dos clássicos, sobre os clássicos num melting pot “LedZepplin/Queen/Who/Stripes” irresistível. Muita classe.

NEGATIVLAND
Auditório de Serralves, 18 de Maio de 2008

Da perfomance/emissão que os Negativland apresentaram ontem em Serralves não resultam conclusões ou respostas fáceis, mas sim muitas e diferentes questões. Aliás, o alerta foi logo dado na suposta explicação do evento que iria ocorrer – a venda para os olhos colorida destribuida a todos os presentes deveria servir para, de olhos tapados, nos concentrarmos somente na audição. No palco, um género de estúdio tecnológico/ radiofónico “On Air,” emitiria mensagens/frases/tags que funcionariam como loops propulsores reactivos. Poucos foram os que, efectivamente, puseram a venda, preferindo apreciar a contínua azáfama do trio em trabalho de “parto”. O cerne da emissão girou sempre à volta de um tema – DEUS. Numa primeira parte esse deus é “ocidental”. Se existe, se não existe, quem é e como se manifesta, porque é ou não importante, monotaismo ou o contrário, etc, etc. O “massacre” sonoro é impressionante, ruidoso, intenso, e, efectivamente, fechar os olhos permite uma diferente experiência sensorial, que a voz do narrador, Dr. Osland Norway, nos vai ocasionalmente situando/relembrando: “You’re listening to It’s All In Your Head FM”. Misturam-se scratchs, temas musicais lo-fi, easylistning ou county. As cabeças falantes (sim, os Talking Heads) relembram que o paraiso é um lugar onde nada acontece, mas aí o paraíso era nome de um bar... Hilariante ainda a história da macaca do zoo da Maia, depilada em directo na rádio como prova da nossa ancestral origem – “it could be my sun”. Um aparente ataque leva à suspensão da emissão. Intervalo. Na segunda parte, somos todos Muhammds, o deus é então “oriental”. A “dose” sonora mantém-se intensa – o Islão, Meca – embora, esta segunda parte tenha transparecida menos conseguida. No fundo e como foi anunciado, “putting fun on fundamentalism”! Fomos manipulados? Sim, ainda bem. Fomos convertidos? Não, porque tudo está na nossa cabeça... Em Serralves ou em casa a ouvir a emissão da rádio, bem-vindo à rede (igreja) universal dos media!

JOHN CALE & ACOUSTICMATIC BAND
Casa das Artes, VNFamalicão
16 de Maio de 2008
Assistir a um concerto de John Cale devia ser obrigatório no curriculo de qualquer melómano efectivo, sendo, por isso, uma surpresa o auditório da Casa das Artes se apresentar parcialmente vazio (é a crise...). As anteriores e esgotadas experiências a solo, em que tivemos a felicidade de marcar presença (Rivoli em 1988? e Serralves em 2000), foram ambas irrepreensíveis, com Cale intercalando a guitarra e o piano em ambiente frenético e intenso. Agora, com a ajuda de um banda, esta era uma oportunidade, aparentemente, diferente. Cale, já com 66 anos e uma discografia imensa e diversificada, começou o espectáculo com “Gravel Drive”, perfeito na sua dimensão ambiental. Contudo, um iritante feedback em crescente volume, levou os músicos a sair do palco até ser resolvido o problema. No regresso e das poucas vezes que utilizou o teclado, surgiu “Chinese envoy” para logo, já com a guitarra, se lançar no mítico “Ship of Fools”, um dos grandes momentos da noite. O quarteto em palco surgiu oleado, experiente, onde um simples olhar ou sinal permite, sem falhas, concluir ou prolongar os temas. Sobressai, no entanto, a postura e perfomance de Michael Jerome, num estilo de percussão (cajon) especialmente vibrante. Mais alguns clássicos surgiram no alinhamento e desta vez não houve lugar a tantas versões (como “Hallelujah) ou temas dos Velvet Underground, mas fizeram falta, por exemplo, “Do not go gentle...” ou “I’ll keep a close watch”. Antes do final, e numa mistura explosiva, tempo ainda para “Gun” e “Pablo Picasso” (uma versão dos Modern Lovers), em aparente improvisação, dose repetida já no encore com “Chorale”. Apesar das muitas palmas, o concerto acabaria por ali, em hora e meia repentina, mas memorável. Mais uma vez!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

DUETOS IMPROVÁVEIS #48
JOHN CALE & CATATONIA

I'll Keep A Close Watch (Cale)
John Cale's 2000 film "Camgymeriad Gwych (Beautiful Mistake)"


IT’S ALL IN YOUR HEAD...
Os norte-americanos Negativland actuam pela primeira vez em Portugal durante este fim-de-semana. Depois de Lisboa, o colectivo experimental apresenta-se no Auditório de Serralves no Domingo com o espectáculo “Its All in Your Head FM" construído a partir de sessões de "Over the Edge", o programa de rádio semanal que o grupo mantém desde 1981 na rádio KPFA, de Berkeley, na Califórnia. Utilizando o sistema radiofónico como meio de manipulação criativa, o que lhes valeu a designação de "culture-jammers”, o grupo desenvolve uma linha de trabalho onde os sons e imagens ”sacadas” aos mass media são posteriormente editadas, rearranjadas e transformadas das mais variadas formas. Sempre polémicos (veja-se o caso que acabou no tribunal que opõem o grupo à editora Island/U2, sobre direitos de propriedade intelectual), esperam-se muitas surpresas. O concerto /perfomance será transmitida pela rádio através da RUM-Rádio Universitário do Minho, RUC-Rádio Universitária de Coimbra e a Rádio Zero de Lisboa. Em Dia Internacional de Museus (18 de Maio) e no mesmo local onde está patente a exposição VINIL - Capas de Artistas, este é um excelente programa dominical...


(RE)LIDO #10
BEATLES EM PORTUGAL
Luis Pinheiro de Almeida e Teresa Lage
Assírio & Alvim, 2002
O livro tem já uma meia dúzia de anos e foi até comprado logo que saiu, mas só agora, e sem explicação aparente, nos concentramos na sua leitura. Um dos autores, LPA para os amigos, é já nosso conhecido desde os tempos iniciais do Blitz e a quem carinhosamente associamos a figura de “Dona Rosa”, nome da rubrica semanal de perguntas e respostas do extinto semanário e para onde enviamos algumas questões (não havia internet...). O título do livro pode enganar, já que os Beatles nunca tocaram em Portugal, sendo esta edição uma espécie de colectânea de factos que ligam e ligaram os quatro músicos ao nosso país. O “apaixonado” LPA, que desde 1963 foi “infectado” pela banda, reune aqui entrevistas, testemunhos, recortes de imprensa, etc., diversificados e especializados que a sua profissão de jornalista permitiu concretizar. Todos aqueles fait-divers e pequenas notas de que sempre ouvimos falar, são por aqui meticulosamente esmiuçados, principalmente os referentes a Paul McCartney: a letra de “Yesterday” escrita no Alentejo, o tema “Penina” dado a uma banda portuguesa depois de uma noite de copos no Alvor, as “famosas” entrevistas de Joaquim Letria e Baptista Bastos, a compra abortada de uma quinta secular em Caminha, etc.. Sobre os outros Beatles há também algumas curiosidades. De George Harrison descreve-se a sua ligação a Domingos Piedade muito por culpa da paixão pela Formula1 ou o gosto por cavaquinhos, instrumento da sua eleição e do qual lhe foram oferecidos alguns exemplares portugueses. De Ringo ou Lennnon surgem menos notas, principalmente sobre o autor de “Imagine” sem qualquer ligação conhecida ao nosso país. Curiosa e por aqui desconhecida a história rebuscada dos calceteiros portugueses que fizeram a rosácea de homenagem a Lennon instalada no Central Park de Nova Iorque... Para terminar é reproduzida a totalidade das 27 capas de Ep’s e 13 singles editados em Portugal pela EMI-Valentim de Carvalho (motivo que, por si só, valida este livro-documento), colecção única e suigeneris, já que, segundo a explicação, “não se fabricavam em Portugal Lp’s ou álbuns (...), motivo por que esse formato era importado directamente da Grã-Bretanha Portugal, não havendo por isso discografia portuguesa específica”!!. Ou seja, um livro simples, único, que não engana ninguém, de fãs, para fãs que, como é anotado “não é, nem pretende ser, uma tese académica, mas ambiciona ser objecto de disputa enter os milhões de coleccionadores de Beatles em todo o Mundo”. Razão para a sua compra na semana em que saiu... Já agora, aqui fica uma redescoberta: a presença de George Martin em Portugal em 10 de Outubro de 1995 no Concerto Clássico dos Beatles pela Paz (Coliseus de Lisboa e Porto, onde estivemos) com a orquestra do Porto, organizado pela ONU, história que o livro também aborda e que o Youtube potencia...

quinta-feira, 15 de maio de 2008


O anterior e grande disco dos "velhinhos" alemães Notwist chamado “Neon Golden” foi editado há já seis anos e esteve durante algum tempo no nosso anterior e falecido Ipod. Confessamos que já nos tinhamos esquecido deles, até há poucos dias atrás! Vagueando pela rede descobrimos que o grupo tem um novo disco chamado “The Devil, You + Me” que, pelo que nos é dado a ouvir, não fica nada atrás do já clássico “Neon Golden”. O single “Good Lies” é uma valente canção, mas estamos é caidinhos por este “Gone Gone Gone” que encerra o novo álbum... Uma banda a redescobrir!

BOWIE EM 30 CANÇÕES
Mais uma para a coleccção! A revista “Uncut” de Maio faz uma selecção das 30 melhores canções de Bowie, numa eleição sempre subjectiva e arriscada. Traz também um cd chamado “Rebel Rebel” com versões de temas de Bowie por gente tão diferente como Nico, Mercury Rev ou... Sigue Sigue Sputnik! A must have!

3 X 20 MAIO

20 Canções:
. GONZALES – Slow down
. JAMIE LIDELL – Green light
. SEBASTIAN TELLIER – Un heure
. BEACH HOUSE – Astronaut
. ANIMAL COLLECTIVE – People
. NOTWIST – Good lies
. DEUS – Eternal woman
. DENGUE FEVER – Sober driver
. WOLF PARADE – The grey estates
. DOWN WITH THE BUTERFLY – Security control
. BLACK LIPS – O Katrina!
. LAST SHADOW PUPPETS – Separate and ever deadly
. SANTAGOLD – Say yah
. POP LEVI - Wannamama
. THESE NEW PURITANS - Elvis
. MIDNIGHT JUGGERNAUTS – Into the galaxy
. THE GLIMMERS – Wanna make out (part one)
. DEATH CAB FOR CUTIE – Long divison
. ELVIS COSTELLO & THE IMPOSTERS – No hidding place
. THE RACONTEURS – Consolers of the lonely

20 Versões:
. HOT CHIP - Wearing My Rolex (Wiley)
. LEIF - Little Bit (Lykke Li)
. MUSIQ SOULCHILD feat. ESTELLE - People Everyday (Arrested Development)
. GLIMMERS – Physical (Olivia Newton John)
. JOSH ROUSE - Chloe Dancer (Mother Love Bone)
. NOEL AKCHOTEL – I Should Be So Lucky (Kylie Minogue)
. DEAD COMBO – Like a drug (QOTSA)
. DAWN LANDS - Young Folks (Peter Bjorn & John)
. THE NATIONAL - Mansion On The Hill (Bruce Springsteen - live)
. MARTHA WAINWRIGHT - See Emily Play (Pink Floyd)
. PANIC AT THE DISCO! - Valerie (The Zutons)
. ROGUE WAVE - All You Need Is Love (Beatles)
. THE RAVEONETTES - She's Lost Control (Joy Division)
. THE DRESDEN DOLLS - Pretty In Pink (Psychedelic Furs)
. RED HOT CHILLI PEPEPRS - Smoke on the Water (Deep Purple)
. THE FRATELLIS – All Along the Watchtower (Bob Dylan)
. CHROMATICS – Animal Nitrate (Suede)
. NO AGE - It's Oh So Quiet (Bjork)
. TONY ALLEN - Where The Streets Have No Name (U2)
. LAURA CANTRELL – Love Vigilantes (New Order)

20 Remixes:
. VETIVER - You May Be Blue (Neighbors Remix)
. JOSE GONZALEZ - Killing for love (Beatfanatic Remix)
. LYKKE LI - I'm Good, I'm Gone (Fred Falke Vocal)
. SPOON - Don't You Evah (Ted Leo's I Want It Hotter Remix)
. TOKYO POLICE CLUB - Tessellate (Field Music Remix)
. GONZALEZ - Working Together (Boys Noize Vox Mix)
. THE LONG BLONDES - Guilt (Pantha Du Prince Remix)
. BLACK FRANCIS - The Seus (Infadels Remix Master 220108)
. MISTERY JETS - Hideaway (Switch Remix)
. THE GALVATRONS – When We Were Kids (Bag Raiders Remix)
. CASSETES WON’T LISTEN - Paper Float (Aaron LaCrate Gutter Remix)
. BLACK KIDS - I'm Not Gonna Teach Your Boyfriend… (The Twelves Remix)
. JUSTICE - Genesis (Chewy Chocolate Cookies Remix)
. MEN WITHOUT HEADS - Where Do The Boys Go? (Mr. Miyagi Remix)
. THE PRESETS - Are You The One (Lifelike Remix)
. CUTCOPY – Hearts on fire (Midnight Juggernauts Remix)
. LADYHAWKE - Paris Is Burning (Alex Gopher Remix)
. M83 - Graveyard Girl (Yuksek Remix)
. JAMIE LIDELL - Little Bit Of Feel Good (Mr. Oizo Remix.)
. ARCHITECTURE IN HELSINKI - Like It Or Not (El Guincho Remix)

quarta-feira, 14 de maio de 2008


PORQUÊ SINATRA?
Porque é o maior artista pop de todos os tempos, porque é bom com sol ou chuva, na praia ou antes de dormir, porque descontrai e relaxa, porque nos faz sorrir. Porque, sem querer, é o nome que maior número de álbuns e canções tem nosso Ipod. Porque faz hoje dez anos que... “VOZ” há só uma, para sempre!

terça-feira, 13 de maio de 2008


UM VIDEO DOS AMERICAN MUSIC CLUB!
Não devia ser notícia, mas o simples facto dos American Music Club terem um novo video para o tema “All the Lost Souls Welcome to San Francisco” é, por si só, uma boa novidade! A banda, alheia a estas produções por razões quase sempre financeiras, conta neste clip com a participação de Grace Zabriskie, conhecida pela sua participação na série Twins Peaks como mãe de Laura Palmer! A realização esteve cargo de uma tal John Ramos (hum, deve ser luso-descendente...). Entretanto, Mark Eitzel continua a dar entrevistas de promoção do mais recente disco dos AMC, oportunidades quase sempre aproveitadas para algum e já habitual humor negro:
I want to work on a suicide hotline," he says with characteristic black humor. "You can make a lot of money that way. And I'm good at answering phones."


American Music Club - All the Lost Souls...

segunda-feira, 12 de maio de 2008


LUNARIDADES #56

. no site do NME decorre uma votação para as piores capas de discos! Entre as eleitas e sujeitas a votação, está já a capa do novo disco de Madonna, “Hard Candy”!! É de ir às lágrimas... nós já votamos!

. a noticia de um programado dueto entre Peter Doherty e Amy Winehouse a ser editado este verão merecia, desde já, a realização de um documentário tipo “Behind the Music”. Devia ser fabuloso!

. já algumas vezes referimos o esvaziamento que a cidade do Porto sofreu nos últimos anos no que diz respeito a concertos pop-rock. Sem explicação, ou não, a avalanche parece ter voltado! Basta ver a programação para o resto do mês e Junho próximo. Ufa! Entretanto, Braga perde vigor...

. a propóstito, shhhhhhhh! Não digam a ninguém mas o Brad Melhdau Trio toca no Auditório de Espinho no dia 22 de Julho no âmbito do FIME – Festival Internacional de Música de Espinho!!! Shhhhhhhhhhh!

Damn... é no mesmo dia dos Kings Of Convenience! E o Rufus é no mesmo dia do Amadou & Miriam na CDM! Damn...duas vezes.

. abriu em Lisboa mais um grande museu! No Museu do Oriente foram investidos 30 milhões de euros e a manutenção mensal está avaliada em 4 milhões de euros! Entretanto os museus do resto do país, com excepção de Serralves, é como se não existissem. Já agora, com tanto dinheiro, porque é que o novo museu ainda não tem site na net? Desorientações?

VETIVER, VOU TE VER?
O rapaz HugtheDj deu-nos a boa nova de um recente disco de versões dos Vetiver, banda do talentoso Andi Cabic. Trata-se, no fundo, de uma homenagem a artistas que inspiraram a própria banda, muitos deles perfeitamente desconhecidos (Hawkwind, Garland Jeffreys, p.ex.). Os temas escolhidos para o álbum, logicamente chamado "Thing of the Past", estão datados entre 1967 e 1973, re-interpretações que que contam com alguns convidados como Vashti Bunyan. Acresce que esta nova aventura será apresentada no Porto no Cinema Passos Manuel no dia 13 de Junho. Atendendo à qualidade da música e à imensa procura que o anterior concerto na CDMúsica provocou em 2006 (esgotou!), espera-se enchente... da bilheteira!

THE NATIONAL
Aula Magna, Lisboa, 11 de Maio de 2008

Não deve ser fácil para uma banda dar início a um concerto esgotado num amplo e magnífico anfiteatro a rebentar de expectativa. Logo a abrir, sentiu- se este constrangimento, com o vocalista Matt Berninger a brincar com o facto de parecer estar nas Nações Unidas a impor sanções, tipo Colin Powell como foi referido, perante uma plateia sentada e expectante! Contudo, as únicas e eventuais penas, nunca foram obviamente sentidas. Pelo contrário, os argumentos apresentados transformaram o momento numa assembleia participada, sentida e consensual - os National são já um caso sério de popularidade merecida e reconhecimento international. Baseado em “Boxer”, disco imenso e talvez insuperável, o concerto de ontem, o primeiro em nome próprio numa sala portuguesa, provou a força e vitalidade de praticamente todos os temas que a maioria sabe (já) de cor. Com excepção do esquecido “Guest Room”, as canções de “Boxer” apresentadas, surgem ao vivo ainda mais consistentes, provocando reacções imediatas e incontornáveis. Perante um fulgurante começo onde soaram “Brainy”, “Mistaken for Strangers” ou “Squalor Victoria”, nas cadeiras e cadeirões da Aula Magna já não havia praticamente ninguém sentado pois o ritmo impunha balanço e dança. Em “Fake Impire” (faltou tal conjunto de metais prometido..), que “Apartment Story” (lindo!) tinha momentos antes ensaiado, uma espécie de coro colectivo preencheu o local, aproximando ainda mais público e músicos. A tensão positiva crescente era cada vez mais notória e talvez por isso, em “Mr. November” Berninger não resistiu, saltou para a plateia e por cima das cadeiras das primeiras filas, agarrado por uma massa humana em delírio mas respeitadora, gritou repetidamente “I'm Mr. November, I won't fuck us over”... Referência ainda para os muitos momentos arrepiadamente calmos como “Green Gloves” ou “Start A War”, pérolas de absorção instantânea inevitável. Ou seja e sem deslumbramentos balofos, mais um grande concerto na Aula Magna, o que é já usual, experiência que queremos ver repetida e se possível melhorada, em Julho próximo em Guimarães. Para aí, berço da Nationalidade e em cenário arrebatador, a fasquia está bem alta!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

DUETOS IMPROVÁVEIS #47
CHICO BUARQUE & DANIELA MERCURY

Mil Perdões (Buarque)

Programa Terça Nobre, Rede Globo TV, 1993

A SELF MADE MAN
Emissão a não perder de um concerto de David Byrne na londrina Union Chapel, uma antiga igreja transformada em espaço rock. Gravado em 2003 (ou 2002?) e já com edição em DVD, são quase 90 minutos de revisão de uma carreira intensa e glorioso com material dos Talking Heads ou álbuns a solo. Passa hoje na RTP2, lá para a 1h30 da madrugada. No fundo, são já muitas as saudades de um concerto do mestre Byrne...

“CAPAS DE DISCOS CHEGAM AOS MUSEUS”
O título é do Público de hoje e espelha a importância do objecto e culto do ponto de vista artístico e patrimonial. Num cruzamento entre som e imagem e dando a conhecer os artistas por detrás das capas de muitos discos, inaugura hoje em Serralves a mostra, já por aqui referenciada, “Vinil - Gravações e Capas de Discos de Artista”. Situada principalmente no mundo rock e pop, a exposição proporciona uma viagem visual mas também sonora, pela diversidade de movimentos artísticos da segunda metade do século XX, entre os quais se contam Andy Warhol ou Jean Dubuffet. Para ver até dia 13 de Julho, a mostra tem catálogo produzido e dia 13 de Maio, pelas 18h30 haverá uma visita guiada da responsabilidade de João Paulo Feliciano. Imperdível.

quarta-feira, 7 de maio de 2008


SEM CLIENTELA?
A editora espanhola Acuerela Discos anunciou, segundo o Blitz, a vinda dos Clientele ao Porto no dia 30 de Maio para um concerto no Passos Manuel. Se atendermos a que nesse mesmo dia se realiza o tal Clubbling na Casa da Música com, entre outros, os Young Marble Giants e os Vampire Weekend, torna-se “impraticável” estar nos dois lados. Depois de uma passagem pelo bar Mercedes e por Vigo (onde estivemos) em 2006, tinhamos até alguma curiosidade em rever os autores de “Strange Geometry” e de “God Save The Clientele”, agora que acrescentaram ao seu line-up a violinista Mel Draisey, tornando o seu som ainda mais aveludado e apetecível! Esta última semana de Maio no Porto é de loucos, basta consultar o quadro eléctrico mesmo aqui ao lado... A culpa é um de um tal Primavera Sound de Barcelona que parece ter sido descoberto pelos promotores da Invicta e arredores. Ainda bem! Agora, haverá clientela para tanta oferta?

INDIELISBOA NO CINEMA TRINDADE
Já existe programação definida para a prometida extensão do IndieLisboa no Porto. A retrospectiva começa amanhã, dia 08, e logo com um dos documentários musicais mais esperados: Scott Walker – 30 Century Man, sobre o génio e um dos grandes enigmas da música. O programa pode ser devidamente consultado no site do Plano B.

CLÁSSICOS DE ALCOVA
Gravado em quatro dias no Sul de Espanha na companhia do produtor e amigo Paco Loco, aí está o volume terceiro da série Bedroom Classics de Josh Rouse. A novidade apresenta cinco temas, sendo um deles uma versão supreendente de Mother Love Bone! Foi também lançado um disco com a gravação de um concerto no Shephards Bush Empire de Londres em Dezembro de 2007. As edições físicas dos discos são, obviamente, limitadas.

terça-feira, 6 de maio de 2008


MEMORABILIA #6
Em Maio (?) de 1989 os Go Betweens visitaram o Porto e deram um concerto no velhinho Teatro Vale Formoso. Na altura, a banda australiana era uma das principais revelações e confirmações da pop mundial, estatuto a que soube sempre associar uma aura indie intocável. Desde 1979, a dupla Grant Mclennan e Robert Forster fabricou melodias pop brilhantes que o eterno radialista António Sérgio deu a conhecer através do mítico “Bachelor Kisses”. O concerto do Porto era, então, uma oportunidade única e, na altura, rara de sentir e ouvir algumas maravilhas como “Spring Rain” ou “Streets of Your Town”. Contudo, o espectáculo na Invicta foi algo sui generis. Do que recordamos, a banda apresentou-se sem um dos seus elementos femininos, a baterista Lindy Morrison (a figura feminina do cartaz), que na véspera num concerto lisboeta (Estufa Fria?) tinha aparentemente sofrido um acidente (?). Em surdina, comentava-se que a sua falta se devia a alguns desentendimentos surgidos com a principal dupla do grupo, tendo por isso abandonado o barco e viajado para longe. O que é certo é que os Go-Betweens não durariam muito mais e terminariam no final de 1989, com seis grandes álbuns gravados e um lugar na história da música popular. No concerto no Porto, apesar de desfalcados, os Go-Betweens deram o máximo, com alguma rotatividade forçada pelos instrumentos, nomeadamente pela pequena bateria então instalada. Mas verdadeiramente inesquecível foi a prestação da violinista e multi-instrumentista Amanda Brown, figura lindíssima e radiante que ofuscou tudo e todos, principalmente a rapaziada que enchia o teatro. No final, depois de muita espera e paciência lá conseguimos que alguém lhe fizesse chegar o bilhete do concerto para um desejado autógrafo. Não contente, o grupo comandado pela metade masculina da dupla HugtheDj e ainda pelo extasiado amigo Tiralinhas, decidiu seguir a banda até ao Hotel Dom Henrique, local de merecido descanso. Durante o trajecto, o carro foi sempre colado à carrinha onde viajava banda e da qual surgia amiúde a espreitar a tal Amanda, nitidamente assustada com tamanha perseguição! Assim, e depois de algumas trocas de impressões amigáveis, lá estivemos à conversa com todos no átrio do hotel e a única coisa que nos lembramos para marcar o momento foi ir a uma das ruas circundantes arrancar de uma parede um resto do cartaz promocional do concerto. É este “bocado” de história “Rock&Roll” que aqui se reproduz e onde Amanda Brown simpaticamente anotaria um “to Miguel lovely name”. Saudades, I keep you right here. Após algumas reformulações a partir de 2000 e mais dois magníficos discos, a banda acabaria, infelizmente, em 2006, precisamente neste dia 6 de Maio, com a morte de Grant McLennan. PEACE!

The Go-Betweens - Right Here (live @ ABC's Blah Blah Blah, 1988)

segunda-feira, 5 de maio de 2008


LUNARIDADES #55

. a baixa do Porto mexe-se:
- terminou aparentemente bem a novela do encerramento da Brasileira, café e local histórico da cidade, que, incompreensivelmente, ameçava encerrar;
- ao fim de oito anos, o Cinema Trindade vai reabrir para a anunciada extensão do IndieLisboa, esperando-se a sua definitiva reabilitação.
Tudo bons sinais!

. ainda na Baixa, ficamos a saber pelo suplemento Fugas do jornal Público, da abertura de um novo espaço nocturno (bar/discoteca) ali ao lado da Estação de São Bento (Rua da Madeira). Chama-se Gare Clube, pois claro, e por lá já passou Gui Boratto na véspera do 25 de Abril. As enchentes ao fim de semana são constantes, num sinal claro que a reutilização do centro da cidade é um processo irreversível! Para o bem e para o mal, que o diga a “roubada” dupla HugTheDj...

. por falar em assaltos, a “gostosa” notícia do roubo da jóia que 50 Cent trazia ao pescoço em plena actuação num concerto em Luanda, já pode ser vista em câmara lenta no Youtube. O ladrão já se entregou, mas a tal jóia no valor (dizem) de 600 mil euros... evaporou-se!

. esta mania dos duetos açucarados, cantados em português, azeda cada vez mais. Depois do Reininho e os Mesa, do Tiago Bettencourt e Sara Tavares, do Paulo Gonzo e da Luisa Moniz, entre outros, temos agora o Paulo Praça e a Ana Deus! Dois nomes que pensavamos ser imunes a estes “fretes”. Para ouvir, mais cedo ou mais tarde, numa telenovela perto de si... E nós que até gostamos muito de duetos!


HEAVY TRASH
FNAC Norte Shopping + Mercedes…

4 de Maio de 2008
Visita gloriosa ao Porto da dupla John Spencer e Matt Verta-Ray! Depois de termos deparado com um Plano B esgotado no Sábado, apostamos numa ida à FNAC no Domingo à tarde para compensar a perca. Aí, num espaço bem composto, Jonh Spencer sempre bem disposto e activo, brindou às mães presentes na plateia e anunciou um concerto de última hora marcado para essa noite no bar Mercedes! Na FNAC, a dupla foi acompanhada por um brilhante trio de músicos dinamarqueses, colectivo poderoso que não deu tréguas a ninguém. Apesar da informalidade da apresentação, notou-se inspiração, profissionalismo e muito suor de John Spencer, em 45 minutos de puro rock!. O mote estava dado e a actuação nocturna tornava-se, assim, imperdível.
No Mercedes, com casa cheia, o tal trio escandinavo, de nome Power Solo, abriu as hostilidades com um poderoso set de “donkey punk”, “punk-a-billy” ou seja lá o que for. Certa é a consistência e irreverência de todo o acto, comandado por um indiscritível vocalista e guitarrista, de feições desafiadoras e que simplesmente “partiu a loiça”. Caretas, poses acrobáticas, vocalizações exageradas, passeios marados pelo meio do público, tudo valeu para agitar o corpo e fazer do “rock&roll” uma festa. Um cromo com pinta! Logo de seguida, ao trio juntar-se-iam os Heavy Trash, a dupla consagrada. Apesar de alguns problemas técnicos causados certamente pela elevada concentração de fios, instrumentos e afins no espaço do bar, a sequência iniciada pelos Power Solo teve o seu (merecido) auge. A mistura explosiva de rock, rock-a-billy, blues e algum punk, regada a brilhantina e alcool, resulta numa densidade sonora imparável, que nos faz recuar no tempo e voltar aos tempos de alguns heróis míticos do rock. Claro que os tiques e atitudes de John Spencer são resultado de muitos anos de palco, em poses e discursos vintage, mas que fazem dele um dos grandes vocalistas rock. O passeio pelo balcão do bar por onde todos desfilaram (com exclusão óbvia do baterista) de instrumentos nas mãos, num gran finale apoteótico, foi só o culminar de um concerto enérgico, suado e que prova que o rock está vivo e para durar. Viva o Rock & Roll!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

DUETOS IMPROVÁVEIS #46
DEBBIE HARRY + IGGY POP

Well Did You Evah? (Cole Porter)
Red Hot + Blue Album, 1990


O TOMBO
É este o video para o single de apresentação do disco de Scarlett Joahansson com versões de Tom Waits... A canção “Falling Down” é até uma coerente escolha pois parece-nos que a actriz se espalha ao comprido quer na interpretação quer até na qualidade do próprio video. Se conseguirem notar, no coro/backing vocals está David Bowie! Someone's falling down, falling down, falling down…

quinta-feira, 1 de maio de 2008


JOSÉ GONZÁLEZ
Teatro Sá da Bandeira, 30 de Abril de 2008

Surpreendente a lotação quase esgotada do velhinho Sá da Bandeira! Razões diversas estarão na base do “fenómeno” e que o patrocínio de uma operadora de telemóvel certamente ajuda a explicar. Desde o início, o fanatismo de alguns dos presentes pareceu-nos exagerado mas que o próprio concerto e a postura talentosa de Gonzalez haveriam de deitar por terra. A música fala por si e ainda bem. Não há bajulações balofas ao público ou discursos de circunstância, mas um simples descorrer de canções. Sozinho ou com a ajuda de um percurssionista e de uma subtil voz feminina, os temas surgem seguros, perfeitos. Em quase uma hora e meia, experimentamos ao vivo alguns dos arrepios induzidos pelos brilhantes arranjos, pela forma de tocar guitarra a fazer lembrar o intocável Drake e a voz cristalina que José Gonzalez emprega nos seus discos. O tríptico ”Down the Line”, “Heartbeats” e “Crosses”, tocado de uma assentada, foi particularmente memorável e continua por explicar a porque é que a cover de “Heartbeats” nos provoca sempre uma agradável paralesia emocional! Simplesmente lindo! Versões ainda de “Teardrop” dos Massive Attack e de “Small Town Boy” dos Bronski Beat, já no final! Faltaram os Joy Divison e a Kylie Minogue. Em “Cycling Trivalities”, momento supremo de composição e beleza, carimba-se definitivamente a distinção de um concerto marcante e de merecida consagração de um músico já “familiar” e insubstituível para muitas almas. Prova-o o contacto imediato com alguns fãs em plena Rua Passos Manuel, onde afavelmente se desfez em simpatia e autógrafos. Ao fundo, o neon de um musical inconsequente brilhava na fachada do Rivoli, resumindo uma noite ganhadora e vibrante – música no coração...