sexta-feira, 31 de julho de 2009

LEONARD COHEN, Pavilhão Atlântico, Lisboa, 30 de Julho de 2009


Apesar dos lugares sentados, foi um pavilhão de pé que aplaudiu Leonard Cohen mesmo antes dele começar a cantar. Homenagem explosiva e espontânea de uma geração a que podemos chamar do vinil… Perante tamanha recepção, Cohen tirou pela primeira vez o chapéu, gesto inúmeras vezes repetido ao longo da noite, e agradeceu amavelmente a gentileza. O espectáculo começou, então, em ritmo balançante com “Dance me to the End of Love” e “The Future” e logo se notou a magnitude dos músicos e das vozes (a cargo das inglesas Webb Sisters e da amiga Sharon Robinson), numa sonoridade perfeita e límpida, com Cohen, surpreendentemente, a ajoelhar-se algumas vezes para cantar e a dar conta da sua felicidade em actuar num país em paz! A voz continua inconfundível, planando e envolvendo o imenso recinto, numa primeira parte que nos pareceu uma falsa introdução e aquecimento para o verdadeiro e memorável segundo andamento. Depois de um intervalo, à moda antiga, o concerto entrou noutra dimensão! Reparem só no alinhamento: “Tower of Song”, “Suzanne”, “Sisters of Mercy”, “The Partisan”, “Boogie Street”, ”Hallelujah”, “I’m Your Man” e “Take This Waltz”, numa sequência magnífica e de cortar a respiração! O primeiro encore ainda acelerou mais as emoções, com “So Long Marianne” a uma só voz colectiva, “First We Take Manhattan” e um inesperado “Famous Blue Raincoat”! Duas horas e meia depois do início, se descontarmos o intervalo, ainda houve fôlego para “If It Be Your Will”, sublime momento cantado pelas manas Webb e “Closing Time”. Em jeito de despedida e de provocação, o recital terminaria com “I Tried To Leave You" onde as palavras (“Goodnight, my darling, I hope you’re satisfied, the bed is kind of narrow, but my arms are open wide. And here’s a man still working for your smile”) arrancaram um aplauso vigoroso e sentido da rendida e, não é exagero, emocionada plateia. God bless you, Mr. Cohen, melhor, deus o abençoe, L.Cohen!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

MEMORABILIA #9


Leonard Cohen passou pelo Coliseu dos Recreios de Lisboa a 6 de Abril de 1992 para um concerto de apresentação do álbum “The Future”. Não se tratava da primeira vez que o canadiano vinha a Portugal (já por cá andara em 1988), mas a oportunidade era, na altura, imperdível. Um amigo de longa data trabalhava então na delegação do Porto do semanário, de boa memória, “O Independente”. Quando nos apercebemos que o jornal patrocinava o evento, tudo fizemos para que a sorte nos bafejasse com um bilhete ou convite milagroso. Apesar da insistência, a oferta não apareceu e o concerto “perdeu-se”. Como compensação, recebemos esta t-shirt branca alusiva ao álbum e que nas costas reproduzia na totalidade a letra polémica (“Give me crack and anal sex”) do tema “The Future”. Em tamanho XL, poucas vezes a usamos. Contudo e por coincidência, aquando da estreia do filme “Natural Born Killers” de Oliver Stone em 1994 (5?), demos connosco envergando a t-shirt em plena sala de cinema do C.Comercial Stop na Rua do Heroísmo quando, no final da película, a voz surpreendente de Leonard Cohen ecoa “Give me back my broken night my mirrored room, my secret life”, terminando da melhor forma um filme marcante, um verdadeiro murro no estômago! Foi das poucas vezes que, no cinema, ficamos sentados até que o genérico derradeiro desaparecesse completamente. Amanhã, no Pavilhão Atântico, não vamos levar a velha t-shirt, mas vamos esperar que “The Future” apareça, sorrateiramente, no alinhamento de um concerto pelo qual há muito suspiramos.

JACK WHITE - O INCANSÁVEL!


Jack White, que se entretém actualmente com os Death Weather, está em todo o lado! A 18 de Setembro próximo, o Festival de Cinema de Toronto assistirá à estreia de um novo documentário sobre os White Stripes intitulado "Under Great White Northern Lights". O filme fará parte da categoria Vanguarda e documenta a digressão dos dois irmãos pelo Canadá em 2007, ano em que a banda se estreou por cá na primeira edição do OptimusAlive em Oeiras. Em pouco mais de noventa minutos são apresentadas imagens inéditas gravadas pelo amigo e realizador Emmett Malloy durante uma maratona de espectáculos no Canadá em que o duo se apresentou em locais pouco convencionais, como um autocarro ou um barco de pesca! Aqui fica um teaser



Na edição anterior do mesmo festival de cinema estreou um outro documentário onde Jack White tem um papel principal. Trata-se de “It Might Be Loud”, onde se aborda a trajectória de três guitarristas em fases diferentes do rock 'n' roll e como criaram um estilo próprio. Ao lado de White surgem só The Edge e Jimmy Page, que chegam a tocar juntos e trocam ideias e argumentos sobre a profissão. Realizado por David Guggenheim (“24 Horas”), teve première europeia no Festival de Berlin e a estreia americana acontecerá durante o próximo mês de Agosto.



Outra curiosidade é participação de Jack White num estranho filme de terror e comédia! Trata-se de “Mutant Swinger from Mars”, produção independente do director Michael Kallio filmado em 1998, mas que só foi acabado em 2009. Custou pouco mais de 22 mil dólares e na altura White, só com 23 anos, ainda usava o nome de baptismo, John Gillis. Teve estreia no passado fim-de-semana no Festival Comic-Con de São Diego e merecia uma atenção na próxima edição do Fantasporto…

terça-feira, 28 de julho de 2009

(RE)LIDO #17


LEONARD COHEN – O ETERNO REGRESSO
de Marc Hendrickx. Lisboa: Guerra & Paz, 2008

Em semana “Cohen”, começamos por este livro. Sem ser uma biografia pormenorizada ou exaustiva, o autor tenta através de uma visão muito intimista, algumas explicações para questões que Leonard Cohen sempre abordou nas letras das suas canções. É, acima de tudo, uma visão sobre a lírica que transpira das canções e a sua relação directa com as vivências do cantor. Temáticas como a felicidade, a fé ou amor são abordadas quase de forma filosófica, concentrando muitas explicações na estadia de Cohen num mosteiro zen e budista (o Mount Baldy Zen Center na Califórnia) durante os anos noventa. O confronto da sua ascendência judia com a influência marcante do mestre Roshi nesse retiro (ver video abaixo), permitiram a Cohen um regresso à escrita e à poesia, bem como aos discos, sem nunca, no entanto ter renunciado ao seu jadaísmo. No fundo, um livro pessoal, mas a mesmo tempo, particularmente despretensioso. São do autor estas palavras logo no início: “Aqui, nas páginas deste livro, o leitor não encontrará de certeza o “meu” Leonard Cohen. Encontrará, isso sim, o resíduo daquilo que a sua obra soube despertar em mim, em conjunto com inúmeros outros acontecimentos que marcam uma vida”.
Cada um de nós tem o seu Cohen…

RICKIE LEE JONES TEM NOVO ÁLBUM!


Quem já ouviu descreve-o como uma obra-prima! O novo de Rickie Lee Jones sairá a 20 de Outubro próximo com o nome de “Balm in Gilead”, o décimo segundo disco da carreira. Produzido por David Kalish, responsável por “The Evening Of My Best Day”, regresso aclamado em 2003, o novo trabalho inclui onze temas escritos nos últimos vinte e cinco anos e parece ser uma continuação da inspiração bíblica exposta no último “The Sermon On Exposition Boulevard”. O título do novo álbum tem uma óvia ligação ao Livro de Jeremias, mas há também um tema de nome “Rehab”, supostamente inspirado na peça de Lanford Wilson com o mesmo nome (“Balm In Gilead”) produzida em 1965 e que se desenrola num café nova-iorquino onde ladrões, toxicodependentes ou prostitutas tem os papéis principais.
Até ontem decorreu uma votação para a escolha da capa – das duas versões votamos na vermelha - mas os resultados ainda não são conhecidos. Conhecem-se, sim, dois dos novos temas: “Bonfires in Hell”, gravado em televisão em Buenos Aires aquando da recente digressão argentina e “Wild girl”, ao vivo no Lilac Festival de Rochester (Nova Iorque) em Maio passado, canção dedicada à sua filha Charlotte.



segunda-feira, 27 de julho de 2009

DONNY McCASLIN GROUP, Jazz no Parque, Serralves, 25 de Julho de 2009


O saxofonista Donny McCaslin, estrela em ascensão do universo jazz, esteve já no norte de Portugal algumas vezes, acompanhando Maria Schneider em Guimarães (2005), participando em seminários do JazzAoNorte (2007) ou aparecendo ao lado do baterista George Schuller em Braga (2008). Pela primeira vez (?) em nome próprio, o músico fez-se acompanhar no Porto de Ricky Rodriguez no contrabaixo e Johnathan Blake na bateria. Como cartão de visita, o grupo interpretou diversos temas do disco mais recente “Recommended Tools”, um irreverente e harmonioso conjunto rítmico que, no espaço aprazível de Serralves, rapidamente ganhou adeptos. Homenageando Bill Frissel ou interpretando um tema de nome “Madonna” (sim, essa!), assistiu-se a uma brilhante sessão de virtuosismo do saxofone tenor de McCaslin, cujo nível teve sempre uma resposta à altura dos restantes executantes. Refira-se, assim, as “lições” de contrabaixo em “Late Night Gospel” e de bateria, já no fim, em “Fast Brazil”. Um concerto de um verdadeiro mestre, cujas classes didácticas estão, aliás, disponíveis online! Na aula do passado sábado, a classificação só podia ser uma: bom com distinção!

MATÉRIA PRIMA RECICLÁVEL!


A já mítica loja Matéria Prima de Miguel Bombarda está de abalada para a baixa! Depois de 10 anos “bem passados” no edifício Artes em Partes, a mudança para a Rua da Picaria (nº 84) está já a ser preparada. Não há uma data marcada para a abertura do novo espaço, mas o que é certo é que durante esta semana, a última no r/c do nº 457 da rua das galerias, há saldos de livros, publicações, cd’s e vinis. Preços módicos só até sexta-feira, nem mais!
(foto: blog bombarte)

PAZ E AMOR



Quarenta anos passaram sobre o Festival Woodstock, tema que será, sem dúvida, ultra mediatizado nos próximos meses. Entre estreias de filmes (“Taking Woodstock” de Ang Lee em Agosto), rádios exclusivas, reedições e revistas especiais, gostamos particularmente da notícia que confirma que o casal que figura na capa mítica do álbum editado em 1970 ainda se encontra junto! A célebre fotografia captada por Burk Huzzle, fotógrafo que tem neste momento uma exposição alusiva numa galeria de Nova Iorque, mostra-os de pé entre um mar de gente deitada no chão, embrulhados numa manta protectora, num abraço de amor eterno… Nick e Bobbi Ercoline, agora com sessenta anos, descrevem assim a imagem ao “NY Daily News”: "It's peaceful, which is what the event was about", "And it's an honest representation of a generation. When we look at that photo I don't see Bobbi and me. I see our generation".
Peace!

DUETOS IMPROVÁVEIS #105

TIAGO GUILLUL & RUI REININHO
Dentes de Lobo + Alegria + ... (medley)
Praça de Espanha, Lisboa, 16 de Março de 2009

sexta-feira, 24 de julho de 2009

NASCIDO NA RUA


O grafitti é actualmente um fenómeno mundial, ligado à paisagem das nossas cidades. O Porto não é excepção, basta uma saída nocturna pela baixa ou uma simples viagem de metro para o confirmar! Uma vezes odiado e proibido, outras vezes fomentado, esta forma de expressão é hoje uma corrente situada na periferia da arte contemporânea, mas que tomou conta do design, da publicidade ou da música. Cada vez mais valorizado institucionalmente, as opiniões não são obviamente consensuais...
A Fundação Cartier em Paris inaugurou no início do mês uma exposição intitulada “Nascido na Rua”, uma homenagem ao graffiti e à street art, movimento criativo que não perdeu vitalidade desde o seu aparecimento nas ruas de Nova Iorque no início dos anos 70. O extenso programa de actividades passa pelo desenho das fachadas de vidro do local pelos artistas convidados, por viagens em meio urbano ou por competições e performances, contando-se entre elas a “Piecebook Art”, um desafio a 20 grafitters para desenharem em papel as suas propostas, que depois de escolhidas por um júri, serão ampliadas para uma escala maior. Destaque ainda para a projecção semanal do filme “Murs, Murs” rodado em Los Angeles em 1980 por Agnés Varda e para a estreia do documentário “Pixo” sobre grafiteiros de São Paulo, autores de uma forma única de grafitti chamada “Pixação” e que já se transformou em roteiro turístico. Paralelamente, a cidade francesa assiste a uma constante apropriação de locais, como é o caso deste desenho da autoria de Mygalo realizado há poucos dias no Boulevard Raspail.

FINALMENTE!


Em Novembro de 2007, o Coliseu de Lisboa recebeu Rufus Wainwright para apresentar o seu mais recente álbum de originais “Release The Stars”. O momento foi intenso e memorável, um dos melhores concertos daquele ano. Pois bem, o músico prepara-se agora para editar uma gravação desta mesma tournée, um concerto gravado, dois meses antes da noite lisboeta, no Pabst Theatre de Milwaukee a 27 de Agosto – “Milwaukee at Last!!!” é um cd com onze temas desse show a que se junta um DVD com mais uma dúzia de diversas e variadas canções, testemunho ao vivo de um talentoso artista. Quem encomendar o embrulho até 1 de Agosto terá a prenda valorizada com o seu autógrafo…

TONY EITZEL!

Da actual e imprevisível tournée de Mark Eitzel com o seu amigo Marc Capelle, não podemos deixar passar em claro estas duas pérolas do espectáculo de segunda-feira passada no Maxwell’s de Hoboken (New Jersey), Estados Unidos. Ele bem tinha avisado: “Its kind of a Tony Bennet thing I guess”…



quinta-feira, 23 de julho de 2009

JOAN AS POLICE WOMAN NA CDM


A lindíssima Joan Wasser, que se disfarça quase sempre de mulher polícia, tem um novo projecto intitulado Interpretation Domination! Ao lado do multi-instrumentista Timo Ellis (Cibo Matto), o que já acontecia na digressão que a trouxe Guimarães em Novembro do ano passado, apresentam-se agora reinterpretações de diversos artistas e algum do material original da própria Joan. As versões foram já incluídas num álbum de nome “Cover” (temas de Sonic Youth, Public Enemy, T-Pain, David Bowie, Jimmi Hendrix ou Britney Spears…, p.ex.) e que só se encontrará disponível nos locais dos concertos entretanto agendados a partir de Setembro. Milagrosamente, há duas datas em Portugal: 15 de Outubro no Lux lisboeta e a 17 na Casa da Música! Para matar saudades, aqui fica este estonteante “Start of My Heart”, um vídeo-single lançado em Fevereiro passado só em versão digital.

A LISTA DE CASH


Em 1973 o lendário Johnny Cash resolveu oferecer à sua filha Rosanne uma lista de 100 músicas country consideradas essenciais, visando uma melhor contextualização e conhecimento daquele tipo de música. A cantora decidiu agora inspirar-se nessa selecção e, com a ajuda de vários amigos, gravou um álbum de versões a sair no início de Outubro a que chamou simplesmente "The List". Entre os temas escolhidos há alguns que o próprio pai Cash interpretou, num total de doze clássicos para todos os gostos, de Carter Family a Jimmi Rodgers, de Patsi Cline até Bob Dylan! Os duetos são quatro: “Silver Wings” com Rufus Wainwright, a balada “Long Black Veil” a meias com Jeff Tweedy (Wilco), “Heartches by Numbers” de Harlan Howard com a ajuda habitual de Elvis Costello e “Sea of Heartbreak”, numa colaboração inédita com Bruce Springsteen. No fundo, uma homenagem de peso ao legado e património do grande e saudoso Man in Black.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

EMBRIONÁRIO!


Os incontornáveis Flaming Lips têm já preparado um álbum duplo para lançamento em Setembro, o primeiro inteiramente produzido em estúdio ao fim de três anos. Gravado entre Nova Iorque e Oklaoma, o disco chama-se “Embryonic” e tem como conspirador o habitual David Fridmann. O novo projecto é classificado como ambicioso, mas nada comparável, com certeza, ao já mítico ”Zaireeka” de 1997, um álbum quádruplo que só resultava se ouvidos os discos todos ao mesmo tempo… A actual digressão de verão tem uma concepção arrojada e só está acessível por compra de bilhetes on-line, com direito a um "pacote de atracções" (foto) como raridades, alguns novos temas e acesso a um download digital do espectáculo referente ao bilhete adquirido. A banda foi cabeça de cartaz no Festival Pitchfork de Chicago no Domingo passado e cuja actuação está já quase toda no Youtube. Aqui fica um cheirinho e uma nova canção…

terça-feira, 21 de julho de 2009

TELEPATHE, Plano B, 19 de Julho de 2009



Meia hora de tensão transformou o concerto da dupla feminina de Brooklyn num momento admirável. Sem intervalos para palmas ou outras manifestações, a curta mas intensa viagem começou, tal como no disco de estreia, em “So Fine” para se estender, em sequência, pelo resto da estranha e sedutora amostra que é “Dance Mother”. As vozes de Busy Gangnes e Melissa Livaudais parecem ter inspiração num ritual étnico de ritmos primitivos, comparável, em certos momentos, a uns Hot Chip, Bat for Lashes ou Fever Ray. A culpa será, talvez, de um senhor que se chama David Sitek e os seus TV On The Radio, verdadeiro mago de um som tão variavelmente moderno que, logicamente, se faz notar no resultado final do referido álbum. Num espaço escuro e tão pequeno, esse som foi-se estranhando e entranhando em neons electrónicos não muito fáceis de diluir e cuja intensidade proporcionada muito dificilmente terá sido do agrado de todos. Quanto a nós, ao fim de trinta minutos, ficamos liminarmente seduzidos e iluminados por tão excitante descarga eléctrica que, agora sim, faz todo o sentido ouvir e entender tão precioso disco!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

FAZ SENTIDO!


Nuno Pacheco
in "Público/P2" 20 de Julho de 2009, pág.3

SEXTETO DE MÁRIO BARREIROS, Jazz no Parque, Serralves, 18 de Julho de 2008


O desafio era questionável, mas pertinente – recriar, entre outros, alguns temas míticos de álbuns de Miles Davis, Coleman, Coltrane ou Mingus, editados há cinquenta anos. Para uns, o resultado deixou muito a desejar, talvez incapazes de despir preconceitos puristas um pouco incompreensíveis. Para nós, tratou-se de um bom e fresco fim de tarde de jazz, cumprindo inteiramente os objectivos pretendidos. A maioria destes mestres já não pertencem ao mundo dos vivos, mas os seus discos, apesar de irrepetíveis, não são intocáveis. A forma como Mário Barreiros e o seu sexteto apresentaram o projecto “Kind of Steps” talvez pudesse ter sido, efectivamente, um pouco mais perfeita. Em fase de estúdio e por isso de ensaio, o colectivo denota ainda um entrosamento regular, ressalvando-se, contudo, uma selecção de temas acertada e, acima de tudo, abrangente. Um projecto meritório e em crescimento, que em Serralves lançou sementes vindouras de sucesso, tendo em conta a diversidade de gerações e públicos que fizeram questão de marcar presença.

PIKELET + JENS LEKMAN, Salão Brazil, Coimbra, 17 de Julho de 2009


Foi uma casa cheia que recebeu a estreia portuguesa de Pikelet e Jens Lekman. Para a artista australiana Evelyn Morris aka Pikelet, a apresentação não foi auspiciosa, muito por culpa dos inúmeros problemas técnicos associados à diversidade de instrumentos e recursos utilizados. Alguns feedbacks irritantes levaram-na a cancelar alguns temas, mas, mesmo assim, fez-se sentir uma voz doce decorada com minimalismos por camadas, que recebeu a ajuda, em parte do concerto, de um amigo de longo data na percussão e ukelele. Um projecto curioso para confirmar melhor numa próxima oportunidade.
Sobre o sueco Jens Lekman pairava uma enorme expectativa e curiosidade, principalmente em testar como é que a pop brilhante dos seus discos soaria ao vivo. O resultado foi assombroso. Com a ajuda de Viktor Sjöberg nos samplers e demais orquestrações, Lekman apresentou-se bem disposto, gozando, obviamente, com a (sua) contracção recente de Gripe A e com a suposta noite de infestação colectiva, chegando a citar, salvo o erro, Fernando Pessoa ("Quando lhe atirarem uma pedra, faça dela um degrau e suba"), como resposta à má língua que a sua situação temporária suscitou. Desfilaram canções reconhecidas por muitos de presentes, uma massa surpreendentemente conhecedora e efusiva que a ajudou à festa. Cintilaram os grandes temas do último “Night Falls Over Kortedala”, uma banda sonora perfeita de noites tropicais, com destaque para o coro em uníssono de “Kanske är jag kär i dig”, a história satírica, com direito a tradução simultânea, de “A Postcard to Nina” e a dança frenética de “Sipping on the sweet nectar”, mesmo antes dos encores, que deitou literalmente tudo abaixo… Tempo ainda para o “jogo da pena” durante ”Shirin”, um desafio difícil à plateia em suster no ar uma pequena pena branca e algumas recordações obrigatórias como o hit “You are the light” já quase a terminar. Esquecendo as recomendações de saúde pública, fica para a história mais uma grande noite de afectos e confraternização com direito a beijos e abraços, um requisito já tradicional, mas imprescindível, para estes concertos conimbricenses. A festa, segundo rezam as crónicas portuenses, haveria de se repetir no dia seguinte…

DECLARAÇÃO DE DEPENDÊNCIA!


Finalmente! O novo disco dos Kings Of Convenience já tem data de edição definida - 2 de Outubro próximo, a que se segue uma seleccionada digressão europeia. O primeiro single, "Mr. Cold", já pode ser ouvido por aqui e o nome do álbum será, ao que parece, "Declaration Of Dependence". Tendo em conta a longa espera e enorme expectativa, este só pode ser um título em jeito de provocação saído da mente do "postal" Erland... São treze novos temas, sendo um deles curiosamente chamado "Riot on an Empty Street", nome do segundo e já longínquo trabalho. Já existem pormenores e mais fotografias. Por falar em postais, os KOC escreverem-nos dos Açores;-) onde confirmaram a dedicação dos fãs e a beleza do território. Até logo!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

DUETOS IMPROVÁVEIS #104

WILCO & FEIST
You and I (Wilco)
Late Show with David Letterman, 14 de Julho de 2009

BISHOP ALLEN, Festival Manta, CCVila Flor, Guimarães, 16 de Julho de 2009


A dupla Justin Rice e Christian Rudder conheceu-se em Harvard em tempos de estudo, mas a música falou mais alto. Foi como Bishop Allen, nome do local onde viviam nesses tempos, que desde 2003 passaram a assinar as suas canções. Três albuns e um punhado de Ep’s depois, aterraram ontem, pela primeira vez, por estes lados, no reino de Portugal e do Algarve, como fizeram questão de anunciar. Na companhia de mais três compinchas, visitaram o castelo onde tudo começou, elogiaram a cidade e o local (pudera!) do concerto e, ala que se faz tarde, arrancaram para um pouco mais de uma hora de pop. Sem rodeios, ou lenga-lenga de circusnstância, apresentaram-se seguros e animados, perante um jardim composto, mas longe de ser conhecedor ou particularmente efusivo. O último disco "Grrr..." de 2009, tem algumas canções ("Dimmer" ou "The Lion & The Teacup") exemplares, mas a toada deixa no seu conjunto um sabor a desilusão. Ao vivo, contudo, a prestação liderada por Justin Rice, vocalista principal, conseguiu uma boa resposta da plateia, embora se tenham notado algumas desistências. Apesar do fantástico cenário e de estarmos no Verão, o calor não foi muito, culpa da brisa fria que se fazia sentir, mas também, duma chama lenta sonora que nunca pegou, verdadeiramente, fogo.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O SUPERPRODUTOR!


As façanhas de Gonzalez não páram! Depois do concerto mais longo de sempre (27 horas) para o Guiness Book, cujas gravações sairão em disco (200 temas!), depois das rábulas video referentes à assinatura de um novo contrato com a Mercury Records (disponíveis no myspace), o músico é agora o Superprodutor! Trata-se de uma paródia à la Manuel Vieira sobre a indústria da música, em que personagens improváveis são transformados em estrelas, muito à custa da esperteza deste produtor egocêntrico e sem escrúpulos que, assim, salvará da morte a indústria musical! Para o efeito, Gonzalez inspirou-se em Ryan Leslie, produtor americano com inúmeros videos no Youtube desenrolados no seu estúdio. Um acordo com o site daylimotion permite a cada quinta-feira um novo espisódio, estando já disponíveis três partes desta sátira. Aqui fica o primeiro, o nosso contributo de apoio a um "dysfunctional musical genius"…

quarta-feira, 15 de julho de 2009

UM MUST!


Não é nenhuma romaria popular de verão, mas a tradição impõe já algum respeito! Uma boa oportunidade para comer um gelado, beber uma cerveja, apanhar sol ou uma brisa fresca ao som de bom jazz... O 18º Jazz no Parque de Serralves tem a primeira sessão marcada para o próximo sábado à tarde e a ementa é irresistível: o sexteto de Mário Barreiros estreia o projecto original “Kind Steps – o legado de 1959”, evocando a série fabulosa de gravações realizadas nesse ano - “Kind of Blue” (Miles Davis), “Mingus Ah Hum” (Charles Mingus), “Giant Steps” (John Coltrane) e “The Shape of Jazz to Come” (Ornette Coleman). A 25 de Julho será a vez do trio do saxofonista Donny McCaslin e na tarde de 1 de Agosto assiste-se ao regresso do saxofonista Bennie Wallace com o seu quarteto, para a apresentação de "Bennie Wallace Plays Monk” de 1981. Sempre às 18h00.

3 X 20 JULHO


20 canções:
. GOSSIP – Love long distance
. WOLF PARADE – The grey estatates
. BISHOP ALLEN – Dimmer
. DISCOVERY – Slang tang
. FOREING BORN – Can’t keep time
. WHEAT – Hott
. MAGIC MAGIC – Sleepy lion
. GOD HELP THE GIRL – God help the girl
. THEORETICAL GIRL – I should have loved you more
. THE BIRD AND THE BEE – My love
. COCOROSIE – Happy eyez
. REGINA SPEKTOR – Eet
. CAETANO VELOSO – Sem cais
. NORBERTO LOBO – Ayrton Senna
. THE PHENOMENAL HAND CLAP BAND – I been born again
. NO KIDS – Bluster in the air
. SCOTT MATTHEWS – Underlying lies
. THE LEISURE SOCIETY – The last of the melting snow
. ELVIS COSTELLO – She handed me a mirror
. IGGY POP – How insensitive

20 versões:
. DISCOVERY – I want you back (Jackson5)
. DAN THE AUTOMATOR - Rappers delight (Sugar Hill Gang)
. LOS CREEPERS – Baby’s on fire (Brian Eno)
. THE KILLERS – Why Don’t You Find Out For Yourself (Morrissey)

. PAOLO NUTINI - It Must Be Love (Madness)
. SONIC YOUTH – Pay no mind (Beck)
. CAMERA OBSCURA – Tougher than the rest (Bruce Springsteen)
. KIRSTY MacCOLL – Days (The Kinks)
. RANDY NEWMAN – Remember (Harry Nilsson)
. BECK - Femme Fatale (The Velvet Underground)
. CALEXICO - Fourth Time Around (Bob Dylan)
. WILCO - True Love Will Find You In The End (Daniel Johnston)
. EDDI REEDER – Who knows where the time goes (Sandy Denny)
. REGINA SPEKTOR – Real love (John Lennon)
. FLAMING LIPS - Just Like Starting Over (John Lennon)
. MICHAEL JACKSON – Come together (The Beatles)
. SHE & HIM – Please, Please, Please, Let Me Get... (The Smiths)
. KAREN DALTON – In a Station (The Band)
. TORI AMOS – Famous blue raincoat (Leonard Cohen)
. JENS LEKMAN – Your beat kicks back like death (Scout Niblett)

20 remixes:
. KATE BUSH – Running Up That Hill (Ashley Beedle Edit)
. AU REVOIR SIMONE - Young Turks (The Disco Pusher Mix)
. BLACK MOTH SUPER RAINBOW – Twin of Myself (Go! Team Remix)
. PHONIQUE feat ERLAND OYE - Casualities (Morgan Geist Remix)
. YEAH YEAH YEAHS – Heads Will Roll (Weird Tapes version)
. OLIVE – You’re not alone (TLGB Remix)
. THIEVES LIKE US - Your Heart Feels (Designer Drugs Remix)
. FRANZ FERDINAND - Can't Stop Feeling (Who Made Who Remix)
. MANDO DIAO - Dance With Somebody (Rodion Remix)
. DATAROCK – Give it up (Kissy Sellout Remix)
. THE KILLS – Last day of magic (James Rutledge Remix)
. VITALIC - Terminateur Benelux (John Lord Remix)
. HOLY GHOST! - I will come back (Classixx Acapulco Nights version)
. SOUL VIGILANTES - Background Noise (Pilooski Remix)
. HEARTBREAK – We’re Back (Vitalic Remix)
. MAGIC WANDS - Black Magic (Crystal Fighters Remix)
. WHITE LIES – To Lose My Life (Filthy Dukes Remix)
. FLAIRS - Whamma Gonna Do (Be Noisy Remix)
. THE SOUNDS - No One Sleeps When Im Awake (VIKING Remix)

. BASEMENT JAXX - Raindrops (Doorly Dubstep Remix)

terça-feira, 14 de julho de 2009

PURPLISH RAIN!


O álbum “Purple Rain” de Prince faz agora 25 anos e a revista Spin preparou uma edição comemorativa que inclui um tributo com versões dos nove originais em formato digital a que deu o nome de “Purplish Rain”. Para conseguir o link para o download há algumas questões para responder, mas o esforço deverá valer a pena. É que algumas das covers são de gente como os Twilight Singers, Of Montreal ou Sharon Jones & Dap Kings. Aos pouco, contudo, a disponibilidade vai aumentando

AIRQUEOLOGIA!


Os Air, de quem já tínhamos saudades, estão de regresso! No site oficial, já se pode ouvir o novo tema “Do The Joy” que fará parte de "Love 2", álbum disponível a partir de 6 de Outubro. Se quiserem podem ainda obter o mp3 da canção de forma legal, bastando seguir as instruções para o efeito. Há um single oficial – “Sing, Sang, Sung” – previsto para Agosto e pela amostra, os franceses não esqueceram os sintetizadores e as vozes robotizadas tão ao jeito do inesquecível monumento pop que foi (é) “Moon Safari”.

BON IVER + COLONIES OF BEES = VOLCANO CHOIR


Sábado à noite, entre copos de cerveja um pouco quente, veio à baila o nome de Bon Iver. Que sim, ele tinha um novo disco, jurava a amiga Cris, que não, teimávamos nós e mais alguém…. Pois bem, temos ambos razão, embora a insistência e convicção feminina ganhe aos pontos! Há de facto um novo álbum onde participa Justin Vernon previsto para Setembro, sob o nome, não de Bon Iver, mas sim de Volcano Choir. Trata-se de um colectivo de seis músicos da cidade de Wisconsin, velhos amigos com diferentes experiências musicais (Collections of Colonies of Bees p.ex.) e que, antes da ascensão apoteótica de Justin Vernon, tinham já iniciado estas gravações no verão de 2005. O disco chama-se “Unmap” e fala-se de doses inspiradas de rudeza e experiência, longe da harmonia do disco “For Emma”. Vozes distorcidas, loops, alguma electrónica e influências diversas, de Steve Reich a David Sylvian, de Tv On The Rádio a Tom Waits. Vamos gostar de ser surpreendidos!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

KAKI KING, Theatro Circo, Braga, 11 de Julho de 2009


A menina Kaki King desde muito cedo que se apaixonou pela música. Com cinco anos começou a ter aulas de guitarra, mas rapidamente estendeu a curiosidade a outros sons, principalmente a bateria. Em Braga, foram precisamente estes instrumentos que sobressaíram em doses convincentes, num duelo ferrenho entre o baterista Matt Hankle e a(s) guitarra(s) não convencional(ais) de King. O espectáculo teve como fio condutor o mais recente EP “Mexican Teenagers”, cinco temas instrumentais que ao vivo constituíram a melhor parte do espectáculo. Referência obrigatória à já famosa destreza técnica (finger tapping) que alguém descreveu desta forma: “She is to the acoustic what Hendrix was to the electric”. Tal capacidade foi particularmente vibrante com o recurso a uma guitarra semi-acústica, num inverossímil e arrebatador dedilhar/bater de alguns minutos! Tempo ainda para alguns temas mais calmos, cantados na frente do palco e com as luzes do teatro acesas, mas onde se notou ainda algum desconforto na voz. O encore fez-se com duas versões: um irreconhecível “Please, Please, Please” dos Smiths e uma canção dos The Ballet, banda amiga de Nova Iorque. Sem ser um concerto memorável, a noite permitiu, no entanto, a confirmação de um talento notável e prodigioso.
(videos HugTheDj)

NANÁ VASCONCELOS + NORBERTO LOBO (filme/concerto), Festival Curtas, Vila do Conde, 10 de Julho de 2009


Aquando da fantástica incursão de Norberto Lobo e companhia pelo filme “Tabu” de Mornau, realizado no mesmo local na abertura do Festival, pedimos mais. Surpreendentemente, nem passada uma semana, o desejo concretizou-se! Impedido por motivos de saúde de se apresentar em Vila do Conde, Vinicius de Cantuária foi substituído, em cima da hora, por uma dupla improvável, mas desconcertante. Sem grande tempo para ensaios, a perfomance de ambos na sexta-feira já quase madrugada, ficará na memória de todos e será, certamente, um momento marcante desta edição do evento.
Num primeiro andamento, musicando o filme “Manhatta” de 1929, destacou-se a percussão sábia de Naná Vasconcelos, variando recursos e instrumentos, do berimbau ao pequeno tambor, do prato à voz em loop, tendo Norberto Lobo respondido com a tambura (viola de origem indiana) em doses acertadas e harmoniosas.
Seguiram-se momentos sem filme, mas nem por isso, menos imagéticos. Já sozinho, Vasconcelos destacou-se no berimbau e na orquestração da plateia, um verdadeiro rio Amazonas em dia de chuva! Um aglomerado de sons, entre palmas e zumbidos em ritmos alternados, foram a banda sonora colectiva de um curto filme não projectado, mas que todos imaginamos. Norberto Lobo teve também direito a brilhar a solo, interpretando à guitarra um dos temas do seu fabuloso reportório. Contudo, o momento da noite ainda estava por acontecer…
O filme “Ny Ny” (1957) de Francis Thompson é, por si só, uma obra-prima. Um colorido jogo de espelhos e prismas permitiram ao (também) pintor um conjunto de fantásticas manipulações de imagens da cidade de Nova Iorque, dos edifícios, das pessoas, das ruas ou automóveis. Este projecto solitário, mas de resultados estonteantes, teve durante a projecção um acompanhamento à altura. Recorrendo à guitarra eléctrica, Norberto Lobo esteve simplesmente soberbo, cobrindo as telas que nos apareciam à frente com um superior e excelente conjunto ambiental de riffs e sons, um misto de improviso e efeito noise. A percussão de Vasconcelos moldou-se a preceito, com investidas mais furiosas e rápidas, numa sequência, a todos os níveis, inesquecível.
O também actor Norberto Lobo foi, assim, o grande vencedor do Curtas deste ano, acrescentando aos seus grandes contributos musicais, o prémio de melhor Curta Metragem Nacional com “Canção de Amor e Saúde” de João Nicolau, onde interpreta o papel principal. Um festival, este Norberto…
(videos HugTheDj)

DUETOS IMPROVÁVEIS #103

BECK & JANE BIRKIN
L’Anamour (Gainsbourg)
Televisão francesa, 1 de Abril de 2000 (?)

BECK TO CLASSICS!


O prolífico Beck tem um novo projecto arrojado! Chama-se Record Club e a ideia é convidar músicos e artistas para o estúdio com a finalidade de gravar, num só dia e sem muitos ensaios, um álbum de reinterpretações/versões na totalidade. O primeiro escolhido foi, nada mais nada menos, que o disco “Velvet Underground & Nico” (1967) no qual participaram, entre outros, Nigel Godrich, produtor dos Radiohead, Chris Holmes (W.A.S.P.), Joey Waronker e o teclista Brian Lebarton. Há rumores de futuros convites a Devendra Banhart, MGMT ou Jamie Lidell… O resultado vai sendo conhecido à razão de um tema/vídeo por semana, estando já disponíveis versões de “Femme Fatale”, “Venus in Furs”, Waiting for my man “ e esta deliciosa “Sunday Morning“!

Record Club: Velvet Underground & Nico 'Sunday Morning' from Beck Hansen on Vimeo.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

CLIENTELA PRECISA-SE!


Os ingleses The Clientele, banda que aprendemos a gostar e a respeitar pela subtileza melódica e enorme potencialidade pop, tem agendado para Outubro o lançamento de um novo álbum. Produzido por Brian O'Shaughnessy (My Bloody Valentine ou Primal Scream), o disco “Bonfires On The Heath” anuncia-se como uma derradeira tentativa de sucesso alargado. Quem já ouviu, destaca o excelente conjunto de canções gravadas, sendo o primeiro avanço, chamado ironicamente “I Wonder Who We Are", um magnífico tema de veraneio de influência ibérica. Nos próximos dias a banda estará presente na comemoração dos 20 anos da Merge Records americana, que decorrerá em quarto noites de concertos na cidade de Carrboro (Carolina do Norte) ao lado, entre outros, dos American Music Club, Lambchop ou M Ward.
Segundo o mentor Alasdair MacLean em declarações à Pitchfork, este poderá ser o último disco do grupo, o fechar de um capítulo já longo de actividade nem sempre reconhecida. Na mesma entrevista, destaque para algumas confissões, como a de um problema quase fatídico com o consumo de LSD em Espanha e o anúncio de um projecto paralelo chamado Amor de Dias
God Save the Clientele!

UM INVESTIMENTO SEGURO


Do alto dos seus sessenta e sete anos, Mr. Brian Wilson continua a surpreender. A semana passada apresentou-se no bar/clube londrino One Alfred Place para um íntimo concerto acústico de forma a comemorar o lançamento de um livro em co-autoria com Sir Peter Blake (autor, p. ex., da capa de "Sgt. Pepper..." dos Beatles). Na obra, baseada no álbum do ano passado “That Lucky Old Sun”, surgem desenhos e colagens deste artista, bem como reproduções de algumas pautas de música manuais, para além de incluir, obviamente, a assinatura de tão distintos amigos. Serão publicados mil exemplares em todo o mundo e estão à venda pela módica quantia de 900 libras inglesas…
Depois do concerto gorado de Vilar de Mouros em 2007, ano a partir do qual o Festival não mais se realizou, haverá por aí alguém iluminado que o traga até cá, de preferência em dia de calor e pertinho da praia?

quinta-feira, 9 de julho de 2009

DEUS A AJUDE!


Já destacado por aqui, o projecto God Help The Girl saído da inspiração de Stuart Murdoch dos Belle & Sebastian, revela-se uma surpresa cada vez maior. Pensado como um trabalho de comédia cine-musical, o próprio Stuart promoveu a filmagem a preto e branco desta nova aventura. Entre as diversas vozes recrutadas, destaque para a da lindíssima Catherine Ireton, modelo que tinha aparecido na capa do single «The White Collar Boy» dos B&S e que agora surpreende tudo e todos pela sua segurança e maleabilidade. Como já alguém adiantou, estes videos são uma boa estreia de Stuart Murdoch no cinema...






VIAGEM FENOMENAL


No passado fim-de-semana deram-nos a conhecer mais um fenómeno! A Phenomenal Handclap Band é um colectivo de oito músicos de Nova Iorque que acaba de lançar o primeiro disco homónimo na Europa, trabalho já previamente disponível, desde o mês passado, nos E.U.A. O nosso informador-mor logo nos fez notar a faixa de abertura do disco, um instrumental épico de nome “The Journey To Serra da Estrela”! Estranho título para uma banda que, aparentemente, nunca esteve em Portugal nem tem músicos originários destas bandas. Obviamente, decidimos investigar, mas a pesquisa ainda tornou o mistério mais denso! Entre as manifestas influências assumidas no myspace, está um José Lopes Moreira, artista/músico/outro do qual nunca ouvimos falar! O disco tem inúmeras colaborações, desde o baterista dos Tv On The Rádio até Aurélio Valle, mentor da banda Calla, que, apesar do nome, não tem luso-ligações conhecidas…. Aceitam-se pistas esclarecedoras!
Quanto ao álbum, trata-se de um trabalho multicolorido, que vai do funk à soul, do rock progressivo ao psicadelismo dos anos setenta e cujo resultado é, francamente, notável. O fenómeno estará sábado ao vivo em Bilbao no BBK 2009.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

VITÁLICO!


O francês Pascal Arbez, que todos conhecemos pelo nome de Vitalic, tem disco novo na calha. Depois do sucesso do magnífico “Ok Cowboy” de 2005 e dos já clássicos temas “La Rock 01” ou “My Friend Dario” a fasquia está muito alta. No dia 20 de Julho será lançado um EP de pré-avanço do álbum pela Web-Records, casa onde já estão Tiga, Crystal Castles ou Mstrkrft, que terá o nome “Disco Terminator” e que inclui duas faixas inéditas – “Terminator Benelux” e “"Your Disco Song". Este tem já direito a vídeo...

terça-feira, 7 de julho de 2009

FAROL # 71



Os franceses Phoenix, que finalmente tem o reconhecimento merecido ao fim de quatro álbuns, estiveram em Los Angeles no passado dia 28 de Junho para um concerto no Teatro Wiltern. No dia seguinte passaram pelos indispensáveis estúdios da KCRW Rádio e o resultado já está disponível por aqui

LEKMAN PROMETEDOR


O sueco Jens Lekman continua de bom humor! O susto já passou e o músico lançou um desafio aos seus fãs sob o tópico “Yes, that was the best night of my life”, aludindo, certamente, aos concertos portugueses agendados para a próxima semana. Basta ler o que está escrito na sua suposta mão… A expectativa está, assim, bem alta!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

KONONO Nº 1, Festival Mestiço, Casa da Música, 5 de Julho de 2009


Esqueçam qualquer vedeta pop-rock ocidental e as suas manias, esqueçam livros de recordes ou números de vendas de discos, esqueçam canais de música e os seus vídeos milionários. Os Konono Nº1 não pertencem a este mundo nem querem pertencer! O seu mundo é um mundo à parte, em que a sinceridade e humildade são genuínas e a música a forma de expressão pura das suas raízes. Quem foi ontem à Casa da Música foi transportado, durante perto de uma hora rmeia, para uma outra dimensão, a dimensão Konono! O ritmo hipnótico e a cadência brutal fizeram disparar a dança e a alegria em toda a sala, num frenesim muito poucas vezes (nunca?) visto naquele espaço. O vírus espalhou-se e entranhou-se rapidamente em doses suficientes para abanar de forma avassaladora todo e qualquer músculo humano e a epidemia podia ainda ter sido maior se não fosse o incompreensível e desrespeitoso adiantado da hora a que os Konono Nº 1 começaram a tocar! A fama já vinha de longe e a imprensa bem tinha avisado – memorável serão de música e de emoções, num transe congotrónico em que não são precisos computadores, beats ou supostos dj’s e em que a essência está à vista de todos. Os Konono Nº 1 são, assim, as verdadeiras vedetas sem país, a quem todos deviam prestar homenagem por serviços prestados. Na realidade, esta é a única e imbatível música do mundo que um velho altifalante podia anunciar como sendo a Nº1!
(+ tarde ou + cedo vídeos HugTheDj)

TABU / TIGRALA (filme-concerto), Festival Curtas, Vila do Conde, 4 de Julho de 2009


Foi com enorme expectativa que o acolhedor Cine-Teatro Neiva encheu (esgotou?) para dar início formal ao Festival Curtas–Metragens de Vila do Conde, agora em merecida casa renovada e ampliada. Coube a Norberto Lobo, Guilherme Canhão e Ian Carlo Mendoza, sob o nome de Tigrala, dar música a “Tabu” de Murnau, película rodada em 1931 no Thaiti. O denominado filme-concerto, evento habitual no festival de Vila do Conde e que é já uma das suas marcas mais conhecidas, é um verdadeiro desafio para os músicos, mas também para os espectadores. Murnau filmou uma história de amor proibido em cenários naturais e ao ar livre, que nos atrai quer pelas magníficas paisagens e enquadramentos, quer pelo brilhante e glorioso preto e branco. O sedutor enredo prende-nos ao ecrã, a fazer lembrar um livro lido há alguns anos da autoria de Steinbeck chamado “A Pérola” e que apresenta muitas semelhanças narrativas com o argumento de Murnau. Quanto à música dos Tigrala, em toada acústica, cumpriu magnificamente os objectivos, isto é, sem nunca se sobrepor ao filme, moldou-o de uma forma simples mas iluminada. Sem cair na tentação de associar ritmos às sequências que passavam no ecrã, Norberto Lobo e companhia souberem, à sua maneira, interpretar de forma equilibrada a diversidade de paisagens e emoções que nos entraram pelos olhos dentro. Um resultado compensador só ao alcance da sensibilidade e talento de Norberto Lobo, um caso sério de genialidade da actual música portuguesa. Queremos mais!
(video HugTheDj)

JO-J0'S 30 ANOS, Porto, 4 de Julho de 2009


A Jo-Jo’s em Cedofeita comemorou no Sábado passado 30 anos de vida! A mais antiga loja de discos do Porto e que foi pioneira de vendas on-line em Portugal, apresenta-se agora em dois pisos, com um novo auditório, sala de raridades em vinil e mais espaço para livros e outros formatos, mas sempre com mesma a simpatia. Para assinalar a data e os melhoramentos, muitos amigos e conhecidos reuniram-se para ouvir, entre outros, o Francisco Silva/Old Jerusalem e o Manuel Cruz/Foge Foge Bandido, também eles clientes da loja. O espaço encheu até não caber mais gente, muito por culpa do efeito largado pelo Bandido, um verdadeiro fenómeno de massas! O espaço dedicado ao vinil é uma irresistível tentação, tornando a acolhedora sala num pedacinho de amor à música, mas acima de tudo, num amor de perdição… para a carteira! Parabéns e bem hajam.

DUETOS IMPROVÁVEIS #102

DR. JOHN & RICKIE LEE JONES
Makin’ Whoopee (Donalson/Kahan)
The Tonight Show with Johnny Carson, 19 de Abril de 1989

sexta-feira, 3 de julho de 2009

COMERCIAL SUMARENTO!


Tem dado que falar um novo spot publicitário para uma companhia japonesa de telemóveis em que são protagonistas Brad Pitt e o lutador de sumo Musashimaru! O pequeno filme foi gravado em Manhattan, Nova Iorque, em Abril passado e tem a realização do prestigiado Spike Jonze. Apesar de estar disponível durante alguns dias no Youtube, foi depois removido por ordem da marca. O argumento é engraçado, mas a escolha musical é ainda mais acertada – trata-se de “In Ear Park” tema título do álbum dos fabulosos Department of Eagles, que vão, assim, amealhando fãs e dinheiro! Podem matar a curiosidade por aqui

MEC BRILHO


Confessamos uma certa desatenção ao que Miguel Esteves Cardoso vai escrevendo todos os dias no jornal “Público”. No que vamos lendo e apesar de alguma inconsistência, notamos aquela acutilância e piada que sempre admiramos no MEC, um personagem brilhante no nosso tempo, isto é, nos anos oitenta! Há quinze dias atrás esta “A nossa música” é um exemplo de regresso a esse brilhantismo...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

JOSE GONZALEZ FORA DO BERÇO


Infelizmente, já não vai haver concerto de José Gonzalez em Guimarães no próximo dia 11! O cantor cancelou o espectáculo por motivos de saúde, adiando, assim, a imensa expectativa de ouvir a sua música em tão maravilhoso cenário. O músico tinha já cancelado uma série de concertos em território americano e canadiano previstos para a última semana de Junho. Para compensar, a organização decidiu realizar os dois outros concertos do Festival Manta – Bishop Allen e Young Gods – de forma gratuita! Eia…

(RE)LIDO #16


WHAT’S GOING ON?
Marvin Gaye And The Last Days Of The Motown Sound
de Ben Edmonds. London: Mojo Books, 2001
O que sempre nos atraiu em Marvin Gaye foi, desde logo, uma coisa – como pode alguém escrever, musicar, construir ou imaginar um disco tão perfeito como “What’s Going On?”? Como é que, em pouco mais de trinta e cinco minutos de magia e nove canções que não podem ser ouvidas separadamente, se pode falar, de uma forma tão emocionante, de racismo, amor, ecologia, amizade, injustiça, religião, etc., sem cair no ridículo ou na lamechice? Lançado em 1971, em tempos conturbados na América e no mundo, este álbum é, talvez, um dos discos que mais vezes ouvimos. Tal como nós, muitos são aqueles que procuram na sua audição, um pequeno refúgio temporário que permite esquecer problemas, agruras ou tristezas e encarar o dia da amanhã de uma forma mais positiva (não é uma trivialidade…). A leitura deste documento teve, então, por finalidade entender o contexto e circunstâncias da produção de um disco tão intemporal. O resultado é francamente compensador. Ouvindo músicos, produtores, amigos e inimigos do músico, Ben Edmonds consegue, sem dificuldade, cativar-nos para a história e que história! Incompatibilizado com Barry Gordon, dono da Motown, Marvin logo percebeu que o projecto do disco não seria do gosto de Gordon. O livro traça as estratégias de afronta que aguçaram essa rivalidade e que chegaram ao ponto de ameaçar a própria edição do disco. Sempre na procura da perfeição, Marvin Gaye gravou e regravou sequências, inverteu e experimentou sonoridades, despediu músicos para os contratar cinco minutos depois, abusou das drogas e do álcool… Ouvindo o disco percebe-se, ainda hoje, o cuidado das orquestrações, as linhas de baixo perfeitas (vejam, ouçam só esta maravilha!), em momentos sem igual e que em muito contribuíram para mudar a forma de fazer música na altura.

O mito de Marvin Gaye, as circunstâncias da sua morte, as polémicas e teimosias do seu ego ou a auto-destruição da sua vida, são demasiado atractivos para que a indústria do cinema o vote ao esquecimento. Previstos estão, pelo menos, dois filmes biográficos, embora os adiamentos sejam constantes, talvez porque seja, certamente, difícil acertar o rumo sobre um personagem tão importante, mas acima de tudo, tão brilhante. Quando se comemoram os 50 anos da Motown, este livro permite perceber o que se comemora e a importância de um momento único que ainda hoje nos arrebata. Aqui ficam, em vídeo, dois deliciosos bocadinhos dessa história, embora o segundo seja uma irresistível brincadeira!



quarta-feira, 1 de julho de 2009

NOVO DISCO DE SONDRE LERCHE


No site Stereogum já pode ser ouvido o tema “Heartbeat Radio” de Sondre Lerche, título também do novo disco a editar em Setembro. Gravado entre Bergen na Noruega e Brooklyn, Nova Iorque, onde Lerche assentou vida nos últimos tempos, o álbum tem a colaboração nas orquestrações de Sean O’Hagan dos brilhantes High Llamas! O resultado é uma pop a lembrar "Fleetwood Mac, Beach Boys, Prefab Sprout, XTC e Milton Nascimento" e que será devidamente apresentada ao vivo na Europa já a partir de Outubro. Esperamos pela visita...

JENS LEKMAH1N1


O sueco Jens Lekman contraiu Gripe A numa viagem ao Chile e, apesar do bom humor com que encarou a doença, trata-se, obviamente, de uma situação melindrosa. Os concertos previstos para este mês em Coimbra e no Porto ainda não foram anulados, apesar de algumas dúvidas pairarem no ar, tendo também em conta o surto da doença na Península Ibérica… Os votos são de melhoras rápidas, que o Verão português bem merece tão distinta presença!