domingo, 30 de junho de 2013

TRICKY, Serra do Pilar, V.N.Gaia, 29 de Junho de 2013

A oportunidade de voltar a um concerto de Tricky ao fim de catorze anos era apetecível. Tal como em 28 de Junho de 1999 no Coliseu do Porto (no âmbito de um SBSR ), a noite era de muito calor e com pouca ou nenhuma luz em cima do palco, embora a alvura iluminada da igreja do Mosteiro da Serra do Pilar tenha permitido disfarçar parte da penumbra. Igual a si próprio e em tronco nu, Tricky enfrentou a larga plateia olhos nos olhos, mas a maioria dos temas eleitos tiveram origem no último "False Idols", um recente disco de originais ao fim de alguns anos de silêncio. Há, sem disfarce, uma tonalidade que nos conduz a um regresso às origens, ou seja, ao tal "trip-hop" mas hoje talvez fosse mais adequada a expressão "trip-rock". Que o digam os muitos que subiram ao palco aos primeiros acordes de "Ace of Spades", um must em qualquer dos seus espectáculos a que alguns fãs, certamente, já se habituaram tendo em conta que o artista tem passado por cá algumas noites calorentas - "Marés vivas" em 2008 ou na Casa da Música em 2010. A dose repetiu-se antes do encore e aí foi Tricky que, já com o palco repleto com praticamente os mesmos fãs, aproveitou para circular pela plateia ao jeito de volta de consagração, entre abraços e muitas fotografias, para regressar em apoteose ao pódio, perdão, ao palco. Faltou a coroa de louros, mas essa já Tricky conquistou por mérito próprio há muitas temporadas. Ontem foi só mais uma corrida sem falhas! 



quinta-feira, 27 de junho de 2013

JUST A TINY ONE...

Grande disco chamado "Woman" do duo canadiano Rhye e que agora, que o calor começa a apertar, anda em rodagem contínua cá por casa. Uma das maravilhas é este "One Of Those Summer Days", uma metáfora sonora para umas férias que nunca mais chegam!

STOCK OFF!

A Jo-Jo's de Cedofeita vai mudar, outra vez, de instalações apostando na zona da baixa (Rua Passos Manuel) ali mesmo em frente ao Coliseu. Há por isso uma campanha de descontos a decorrer e o melhor é mesmo ir lá confirmar as pechinchas!

OBSESSÕES!

O vinil, sempre o vinil... Vinyl Rules!

HAWTHORNE EM BOA COMPANHIA

Do muito aguardado disco "Where Does This Door Go" de Mayer Hawthorne que está prestes a sair, o single de avanço "Her Favorite Song" teve direito a tratamento videográfico de luxo. Vejam bem a grande banda e respectiva clientela deste nightclub

OS LIPS DÃO PRÉMIO

Os The Flaming Lips lançaram um concurso aberto para a realização de um video para o novo tema "Look... The Sun Is Rising". Foram recebidas mais de 120 propostas mas o vencedor dos 4.000 dólares do prémio foi um tal Micah Buzan com esta animação de mais de 2000 desenhos feitos à mão. Como não podia deixar de ser, o video é muito... flamejante! 


quarta-feira, 26 de junho de 2013

UAUU #109

MGMT, O TERCEIRO





















Em Abril passado, aquando do "Record Store Day", os MGMT decidiram revelar um bocadinho do misterioso terceiro disco através de uma k7 onde estava o novo tema "Alien Days". Sabe-se agora que o disco homónimo está agendado para Setembro, já tem capa escolhida (a de cima) e promete não desiludir, atendendo nomeadamente ao facto de David Fridman ter sido o escolhido para produzir as dez novas canções e onde se inclui uma cover de "Instrospection" da banda piscadélica Faine Jad. Preparado está também uma meio audio-visual para escutar o disco com acompanhamento iluminado de nome "The Optimizer" que será disponibilizado numa versão multimédia melhorada. Um alucínio! 


SÓ PARA ALGUNS SORTUDOS



Vai ser, com todo a certeza, o maxi 12" mais disputado do ano: uma longa remix de "Get Lucky" pelos próprios Daft Punk que sai na Columbia Records a 16 de Julho.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

UAUU #108

VOLCANO CHOIR DE REGRESSO

Já lá vão quatro anos desde que Justin Vernon/Bon Iver se juntou em boa hora aos amigos Collonies of Bees para gravar um disco, o fabuloso "Unmap", sob o nome de Volcano Choir. A banda era um verdadeiro e enigmático caso de sedução sem projectos ou ambições desmedidas, mas apostada em transportar para palcos seleccionados alguma da sua paixão pela música, mantendo uma apertada amizade e gravando ao longo dos últimos anos novas canções destinadas a um segundo disco de originais. O dia 3 do mês de Setembro é, então, a data para que ele se revele sob o nome de "Repave" e prometida está também uma digressão por terras americanas. Ficamos, desde já, encantados com este "Byegone"!


TIRARAM-NOS A MANTA?


















Numa consulta da programação do Centro Cultural Vila Flor de Guimarães para o mês de Julho ficamos a saber do luxuoso cartaz de concertos previstos para a Plataforma da Música da cidade: Tom Zé, The Gift, Deolinda, Carminho... Boa. Quando procuramos pelo Festival Manta que habitualmente se realiza naquele espaço no final do mês, népia! Aparentemente, foi descontinuado. Ora, tendo em conta que o evento era já uma imagem de marca daquele centro cultural e por onde já passaram, nas suas sete edições, nomes como os The National, El Guincho, Phenomenal Handclap Band ou School Of Seven Bells é uma pena, senão uma incongruência pós-Capital Europeia da Cultura, que não haja um esforço para que ele se mantenha. Faz falta, para além de que nos fazem também muita falta os preguinhos e os finos de fim de noite na Cervejaria Martins!

... E MAIS ESTA!

terça-feira, 18 de junho de 2013

UAUU #107

NICK DRAKE, SEMPRE!





















Em dia de aniversário, seriam hoje 65 primaveras para Nick Drake, dá-se a conhecer a edição de mais um livro alusivo à sua vida e que estará nas livrarias em Setembro próximo na série Reverb da Reaktion Books. Da autoria de Nathan Wiseman-Trowse a obra "Dreaming England" é, aparentemente, uma nova abordagem ao culto pós-morte e à sua íntima ligação à cultura e identidade inglesa, às suas tradições ou paisagens e a que se associa a intraduzível palavra "Englishness". Professor em Música Popular na Universidade de Northmpton, espera-se do prestigiado autor uma contribuição inteligente, sem nostalgias, para uma ainda melhor compreensão da eternidade da música e carisma de Nick Drake. Estaremos, como sempre, à sua procura...





segunda-feira, 17 de junho de 2013

NICK DRAKE, 65 ANOS





















O mítico disco de estreia "Five Leaves Left" de Nick Drake, cujo título se inspirou no papelinho/aviso contido nos pacotes de papel para enrolar tabaco da marca Rizla, terá em breve uma caixa apelativa. Tal como as anteriores edições desta série intitulada ReDISCoverd, para além dos habituais posters ou réplicas de líricas, inclui um disco de vinil pesado de registo analógico realizado a partir das fitas originais por John Wood nos estúdios Abbey Road. Lá terá que ser... Este lançamento assinala os 65 anos sobre o nascimento que se comemora amanhã, dia em que o programa de Marc Radcliff da BBC será inteiramente dedicado a Nick Drake com uma entrevista a Joe Boyd, produtor e amigo do malogrado artista e, certamente, muita e boa música.

domingo, 16 de junho de 2013

VERSÃO MORTAL!

SÉRGIO GODINHO, Casa da Música, Porto, 15 de Junho de 2013

E pronto, o círculo referente ao livro "Caríssimas 40 Canções" de Sérgio Godinho parece ter terminado em grande. Estivemos no seu lançamento na Feira do Livro do Porto faz agora um ano, já o lemos como deve ser, faltava "ouvi-lo" em versão seleccionada. Para o espectáculo único e, por isso, esgotadíssimo tal como aconteceu no CCB lisboeta, o músico fez-se acompanhar pelo núcleo duro dos Clã, Manuela de Azevedo e Hélder Gonçalves e ainda Nuno Rafael dos outrora Peste & Sida. Não se estranha, assim, que as versões apresentadas tivessem soado, por um lado, brilhantes, por outro, inesperadas. Arranjos eficazes, pop e rock quanto baste, o que pode ter desiludido alguns mas agradou certamente a uma grande maioria onde nos incluímos. Godinho esteve perfeitamente à vontade entre sotaques, línguas e líricas, lendo por vezes excertos dos seus próprios textos como introdução aos temas e até no meio deles! Beatles (grande cover de "I've Got to Hide Your Love Away" com cavaquinho/ukulele), Stones, Doors e Kinks não escaparam ao desafio, Buarque e Caetano também não, para além de interpretações de Brel, Gainsbourg e até o sempre difícil Dylan. O "Ora Vejam Lá" do Conjunto António Mafra fez acicatar as palmas, mas ficou-nos no ouvido a "volta" notável que sofreu "Vendaval" de Tony de Matos e, particularmente, a encantadora e marcante versão de "Vampiros" de José Afonso, tema, como notado, de uma actualidade exasperante e por isso a receber a maior ovação da noite. A meio houve homenagem a Sassetti com "Em Dias Consecutivos" e,  a começar e a acabar, algumas canções em nome próprio como "A Última Sessão" ou este "Acesso Bloqueado" que registamos à socapa... Grande noite de música e que, suspeitamos, terá futura edição em disco (ao vivo?). Afinal o círculo parece, lá está, ainda não ter acabado!   

quinta-feira, 13 de junho de 2013

MUSEU DO AMOR
















Enquanto se aguarda, mais tarde ou mais cedo, o regresso dos LCD Soundsystem, sim, porque isto de terem terminado nunca é definitivo na história da música popular, vários dos seus membros vão-se desdobrando em novos projectos. Parar é morrer e por isso Pat Mahoney, o carismático baterista da banda de James Murphy, juntou-se ao compincha de longa data Dennis McNany dos The Juan Maclean para criar os Museum Of Love. Ainda em fase de "instalação", prometido está um disco inteiro até ao fim do ano mas há já uma primeira peça da colecção chamada "Down South", tudo com a chancela de qualidade da DFA Records

quarta-feira, 12 de junho de 2013

3X20 JUNHO












. MOULLINEX - Summer Man (reprize)
. DAFT PUNK - Get Lucky
. ALICE RUSSELL - A to Z
. JAMIE LIDELL - Do Yourself A Faver
. FOALS - Bad Habit
. RAINBOW ARABIA - Lacking Risk
. JAMES YUILL -  The Rush
. DALE EARNHARDT JR. JR. - You Didn't See Me (Then You Weren't On The Dancefloor)
. THE CHILD OF LOVE - Give It To The People
. THE XX - Sunset
. JAMES BLAKE - Voyeur
. CHRYSTA BELL - Real Love
. PHOENIX - Trying To Be Cool
. TORO Y MOI - Rose Quartz
. DAVID BOWIE - The Stars (Are Out Tonight)
. QUEENS OF THE STONE AGE - I Sat By The Ocean
. IGGY POP AND THE STOOGES - Gun
. THESE NEW PURITANS - Fragment Two
. PHILLIP GLASS - Opening (& Cornelius)
. QUERCUS - A Tale from History (The Shooting)

. PORTICO QUARTET - Clipper (Live)
. DIRTY BEACHES - ELLI
. NICK CAVE & THE BAD SEEDS - We Real Cool
. ALABAMA SHAKES - I Found You
. YO LA TENGO - The Point of It
. FOXYGEN - No Destruction
. WILD NOTHING - Ride
. STILL CORNERS - The Trip
. ELEANOR FRIEDBERGER - My Own World
. DEERHUNTER - The Missing
. THE SEA AND CAKE - Harbor Bridges
. NEIL HALSTEAD - Chasing Rainbows (Live)
. GRANT-LEE PHILLIPS - Great Horned Owl
. THE LEISURE SOCIETY - A Softer Voice Takes Longer Hearing
. MELODY'S ECHO CHAMBER - Quand Vas Tu Rentrer?
. KISSES - Funny Heartbeat
. CAYUCAS - High School Lover
. HIGH HIGHS - Flowers Bloom
. GENERATIONALS -  Extra Free Year
. SNOWDEN - Keep Quiet

. RHYE - Open
. LOCAL NATIVES - You & I
. CAVEMAN - Shut You Down
. THE NATIONAL - Don't Swallow The Cap
. SHOUT OUT LOUDS - Where You Come In
. THE DODOS - Confidence
. THE FLAMING LIPS - Try To Explain
. JOHN MURRY - Southern Sky
. JOSH ROUSE - Start Up a Family
. IRON AND WINE - Dirty Dream
. LOW - Just Make It Stop
. DAUGHTER - Still
. LAURA MARLING - When Were You Happy?
. FIONN REGAN - Moving to Berlin
. RON SEXSMITH - Life After A Broken Heart
. SAM AMIDON - Bright Sunny South
. JIM JAMES -  God's Love to Deliver
. JOHN GRANT - Vietnam (session)
. PAUL BUCHANAN - Buy A Motorcar (Elegance Remix By Robert Bell)
. THOMAS FEINER - Bested Bones (feat. Ulf Jansson)

DUETOS IMPROVÁVEIS #181

ELVIS COSTELLO & MUMFORD & SONS
The Ghost of Tom Joad (Springsteen) + Do, Re, Mi (Guthrie)
The One Campaign, 2013

terça-feira, 11 de junho de 2013

LINDO!

Ao ver e rever o notável video abaixo que ilustra o novo tema de Lykke Li com David Lynch e num dia chuvoso como o de hoje, não resistimos a recordar esta inesquecível cena de "Brown Bunny", película de e com Vincent Galo que ficou famosa por outras razões... A canção é de Gordon Lightfoot e é linda.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

UAUU #106

SELVHENTER + MARIA & THE MIRRORS + DIRTY HONKERS, Serralves em Festa, 9 de Junho de 2013

Um saxofone, um violino, um trombone e duas baterias... Este alinhamento incomum totalmente executado no feminino pelas dinamarquesas Selvhenter é, por si só, notável. É jazz, é rock, é um receituário inclassificável e aglutinador que emerge para nos agarrar ao palco de um forma imediata, instrumentais crescentes em jeito de improvisações e multi-sedutores. Melhor concerto do festival? O mais justamente aplaudido, disso temos a certeza.        

No oposto, estarão uns tais Maria & The Mirrors, trio londrino reduzido a duo a brincar às electrónicas e samples que não faz mais que acelerar batidas entre gritaria estridente e que, ainda bem, se auto-destruíram em palco. Uma nódoa que o evento não merecia, numa experiência felizmente curta. Siga.

O prado já habituado a celebrações viveu ontem mais um fim de festa colectivo. O chamado electro-swing dos Dirty Honkers não demorou muito tempo a fazer efeito, agitando e de que maneira uma plateia ainda desconfiada mas que rapidamente se converteu ao movimento. Muita provocação e mestria do mestre de cerimónias, um robusto vocalista coadjuvado por dois saxofonistas em movimento, um duo de dançarinas e uns apetrechos ao jeito de joystick e a que não faltaram as constantes trocas de guarda-roupa ou a quase inexistência dele... Se ainda havia algumas garrafas reservadas para a ocasião não devem ter demorado muito para que ficassem vazias. Para o ano há mais, com ou sem troika. Será?
    










domingo, 9 de junho de 2013

LONG WAY TO ALASKA + WOODPECKER WOOLIAMS + BADER MOTOR + LOOSERS + SENSIBLE SOCCERS, Serralves em Festa, Porto, 8 de Junho de 2013

Não foi por falta de sol que a incontornável festa de Serralves deixou de brilhar. Apesar de não ter sido convidada, a chuvinha de primavera que teima em nos largar não estragou a comemoração da bonita idade de dez anos e, como sempre, a adesão foi imensa. Mesmo assim, os Long Way To Alaska mereciam um pouco mais de público e atenção à suas canções de pop simples temperadas de exotismo. Trinta minutos bem passados num dos recintos mais bonitos do parque - a clareira das Azinheiras.

O ténis, um clássico do evento, recebeu a menina Gemma Williams de braços abertos. Em ambiente tão natural, o projecto Woodpecker Wooliams parece ter espantado a chuva com a sua voz poderosa de bonito timbre a que se podem juntar uma harpa, uma base electrónica ou um pequeno cornetim. Canções dedicadas, misteriosamente inspiradas no mundo das aves e de uma beleza encantada que substituíram todos e quaisquer desejados raios de sol. Mágico!

No mesmo local e caídos sabe-se lá de onde os Bader Motor conquistaram com mérito todos os presentes. O trio europeu é dono de um inebriante rock espacial com uma dose de experimentalismo capaz de nos fixar e fazer levantar das cadeiras, dança a que alguns não resistiram fazendo a própria festa na frente do palco e contagiando, mais lá para trás, uma troupe de foliões. Uma boa surpresa. 

Apanhamos os lisboetas Loosers já em pleno andamento e a fazer com que as cadeiras da plateia como que tivessem desaparecido. Soaram a quê? Boa pergunta, mas as analogias nem sempre são fáceis ou importantes, o que neste caso, pelo menos para os muitos que "curtiram", acaba por ser dispensável. Quanto a nós, ficamos a meio da ponte, ou seja, à espera de uma nova oportunidade...

Convencidos ficamos com os Sensible Soccers. Não que o projecto portuense seja sequer um exemplo perfeito de originalidade, mas o que apresentaram, no que foi a maior enchente do espaço do ténis, está bem esgalhado e concretizado. Instrumentais de atmosfera dançável, com inspiração mais dura nuns Emeralds e mais leve nuns Air de boa cepa, tudo suportado na maioria das vezes por um baixo vincado, penetrante e quase "disco" a que é difícil resistir. Que não se percam...              
















sexta-feira, 7 de junho de 2013

DAVID LYNCH: BLUES MODERNOS























No mês de Julho estará disponível um novo disco de David Lynch de nome "The Big Dream", o segundo álbum de estúdio com dez novas faixas e uma versão de "The Ballad Of Hollis Brown" de Bob Dylan. Nas palavras do próprio realizador, as canções são maioritariamente "modern blues" e de que há um belo exemplo com "I'm Waiting Here", uma colaboração feliz e "peakeana" com a sueca Lykke Li com edição em 7" de vinil oferecida na compra do disco. Tentador. 

 

terça-feira, 4 de junho de 2013

PRIMAVERA SOUND PORTO 2013: UM BALANÇO
















o mais:

1. nunca é demais repetir - o espaço magnífico do Parque da Cidade, o verde, a brisa, o cheiro a maresia (sábado), o ventinho norte, o sol;

2. o som dos concertos, mais apurado que na primeira edição embora alguns se tenham queixado do que foi praticado aquando dos... My Bloody Valentine!

3. a oferta gastronómica acrescida com "instituições" portuenses como a Casa Guedes, a Cufra, o Conga e, cereja em cima do(s) bolo(s), a Padaria Ribeiro. É que ter pastéis de Chaves, empadas, bolinhos de bacalhau e natas a estalar é um luxo;

4. a concentração de concertos num único local, funcional por sinal, deixando para trás a errada experiência do ano anterior de levantamento de bilhetes, por exemplo, para concertos na Casa da Música. Para quê "inventar"?

5. a limpeza rápida, a cargo de voluntários, de copos e outras sobras entre os concertos, embora a higiene seja sempre uma questão de atitude e aí há ainda muito para aprender;

6. notamos menos estrangeiros de fora da península, mas mais portugueses, do Minho ao Algarve e sempre, sempre, muitos e bons vizinhos de Espanha. Guay!

7. os baloiços e paletes-sofás dos jardins situados na transição dos grandes palcos para os mais pequenos. Pena estarem sempre ocupados...

8. dos que vimos, a qualidade dos concertos muito acima da média sem um único momento dispensável e, como convêm, dois ou três deles marcantes (Nick Cave, Savages ou a Melody's Echo Chamber). O Daniel Johnston;

9. como notado pelo nosso parceiro destas andanças, não assistimos a uma única escaramuça, a um desaguisado ou a qualquer desentendimento. Possivelmente até aconteceram, mas... peace & love

10. o silêncio sonoro entre concertos, sem massacres publicitários e com a notável assumpção "Optimus: patrocina o silêncio"!          


o menos: 

1. como muitos, gostamos de café, principalmente naquelas horas sagradas mesmo que sejam pós-refeições ambulantes e, por isso, três barraquinhas plenas de filas não chegam para satisfazer tanta dependência. A duplicar; 

2. compreendemos as mudanças de horários (Fucked Up), mas se no próprio local (Palco Pitchfork) elas não estão afixadas e sem acesso a outra informação virtual, não somos bruxos. Não custava nada a colagem de uns cartazes ou um suave e oportuno aviso sonoro;   

3. as operações policiais são necessárias, mas às 5h00 da manhã e nas redondezas de um evento como este cheira a oportunismo e "gasparice";

4. três dias de festival, três dias de trabalho e assim, num eventual termómetro de stress pré-concertos, rebentamos a escala!  

5. as casa de banho nunca são as suficientes e haverá sempre que esperar, mas as bonitas e cuidadas plantas e vegetação não podem ser vítimas de tantos "aflitos". Já para não falar no cheiro...

7. o catálogo "clean" oficial gentilmente oferecido mas repleto de gralhas e nada actualizado, sem referências a novos discos de artistas e bandas conhecidos há meses. A rever;   

8. os chatos de uns "artistas" mais acesos no público debitando continuamente as cornetas do "Ring Of Fire" do Johnny Cash durante os intervalos das canções aquando dos My Bloody Valentine. Tem piada uma vez, vá lá duas, mas depois torna-se insuportável;   

9. a mistura de sons dos palcos principais com o do ATP, o que já aconteceu o ano passado e, bem sabemos, de difícil resolução. Mas deve haver uma qualquer solução;

10. foi pena os Foxygen e o Sixto Rodriguez não terem vindo. O palco ATP estava mesmo a pedi-los! 
    
     

NOTA: 
a quem de direito e atendendo a eventuais alterações do governo autárquico,   
NÃO         NOS         TIREM         O        "PRIMAVERA"         DO          PORTO!


Balanço de 2012.

domingo, 2 de junho de 2013

DINOSAUR JR. + THE SEA AND CAKE + DAUGHN GIBSON + WHITE FENCE + SAVAGES + MY BLOODY VALENTINE + FUCKED UP, Primavera Sound, Porto, 1 de Junho de 2013

Em dia de consagração da guitarra (propositado?) os Dinosaur Jr. foram uma escolha certa, ou seja, segura. Padrinhos do chamado indie, a extensa melena branca de J Mascis só prova que a banda já cá anda a espalhar sabedoria há muito e a plateia, ainda na ressaca da véspera, cedo cedeu ao encantamento. Com Lou Barlow de volta, a máquina mostrou-se parafinada e cativante, particularmente para todos os nuestros hermanos presentes que, já em delírio, não pararam de mostrar o seu agrado. Palmas!      

Quase com a mesma idade, não há como não gostar também dos The Sea And Cake, uma banda que merecia uma medalha de bons serviços prestados ao pop rock e que tem em Sam Prekop um genial mentor. Como sempre, sem grandes alaridos, pela calada e no palco certo, um lote reduzido de canções bastou para nos rendermos, o que julgamos ter servido para abrir os ouvidos a muitos outros que ainda não "chegaram lá".  

Do regresso de Daughn Gibson à Invicta, por onde já tinha vadiado aquando do Primavera Club vimaranense, fica uma leve sensação de desilusão. Na companhia de um baterista e, lá está, um guitarrista, a oportunidade valia para mostrar novas canções, o que fez, e recordar algumas de boa cepa do álbum de estreia, o que também concretizou. Quando tudo parecia encaixar-se para a conquista, Gibson abandonou de repente o palco ao fim de meia-hora, atitude surpreendente até para os parceiros. Só mais tarde perceberíamos parte do porquê...

Com os White Fence voltamos às guitarras psicadélicas o que no caso são três ao desafio. A banda consegue, mesmo assim, sob a batuta do "maestro" Tim Presley uma cintilante receita retro que nos fez lembrar tantas referências, dos Love aos Floyd, dos Kinks aos Animals, mas sem piscar demasiado os olhos a qualquer uma delas. Uma das boas surpresas do festival.    

Quem não viu as Savages no Primavera? Pois é, não se deviam ter perdido com umas "explosões no céu" porque a explosão certa estava para acontecer no palco e recinto coberto mais pequeno a rebentar pelas costuras. O som é de hoje, é parecido com o de ontem mesmo que sejam "petardos" com trinta anos largados por terras britânicas, mas o que é certo é que resulta e de que maneira! Estéticas à-parte, a potência e consistência deste colectivo feminino com pouco mais de um ano é deveras surpreendente e, melhor, completamente irresistível. Há em "Silence Yourself", o álbum de estreia, potentes canções com rastilho de hit como "She Will" ou "Husbands" mas o momento final com o alongamento até à exaustão de "Fuckers" comprova que há ainda muito para dar e vender. Um concerto assinalável e, claro, bombástico!        
    
Ainda atordoados, descemos a colina para tentar não perder os My Bloody Valentine, o que conseguimos, embora o momento tenha tido o seu quê de desapontamento. Como experiência sonora para a qual, à partida, estávamos preparados, podemos dizer que valeu a pena. Só isso. Mau som? Mas o que será bom som para esta banda que faz do emaranhado ruidoso um modo de vida? Mesmo assim e contando não repetir a dose, se há adjectivo perfeito será qualquer coisa como... incomparável!

Conselho de amigo conhecedor deu-nos entusiasmado aquela dica "não percas Fucked Up". Bom, perdemos quase tudo. Quando chegamos ao local na hora marcada no programa (3h00) a banda tocava já a última música! Questionamos uns poucos mas sem resposta coerente e só depois percebemos que o concerto tinha sido antecipado porque o vocalista tinha que viajar mais cedo! Não havendo anulação de bandas, cada uma delas tocou, só pode, menos tempo - daí, talvez, a tal brusquidão do Daughn Gibson... Os dez minutos que presenciamos, um misto de anarquia entre o público e o simpático e gordo vocalista, deixou-nos, obviamente, a suspirar por uma nova oportunidade. Talvez no próximo Primavera, esperemos.             



















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sábado, 1 de junho de 2013

DANIEL JOHNSTON + MELODY'S ECHO CHAMBER + GRIZZLY BEAR + METZ + BLUR + GLASS CANDY + FUCK BUTTONS, Primavera Sound, Porto, 31 de Maio de 2013

Seria previsível que Daniel Johnston captasse a atenção dos mais atentos mas, sinceramente, gostamos muito que a adesão tenha sido tão grande, um momento de homenagem que teve tanto de merecido como de expontâneo. O amor verdadeiro, como cantado em "True Love Will Find You In The End", não é para desistentes e Johnston é para, todos os efeitos, o maior dos resistentes. Inesquecível!  

Os muitos que estiverem no concerto de Melody's Echo Chamber, a maior plateia de sempre para que actuou segunda a própria Prochet, assistiram a um dos momentos altos do festival. Grandes canções que Kevin Pearcer dos Tame Impala ajudou a construir e isso nota-se em grande parte do psicadelismo que preenche as suas brilhantes melodias. O travo francês dá-lhe ainda mais exotismo e a máquina instrumental da banda que o suporta foi verdadeiramente soberba. Então o baixo... Muito bom! 

Tempo para trinta minutos de Grizzly Bear num dos palcos principais, mas tivemos a nítida sensação de que a banda nestes exercícios ao ar livre perde alguma da intensidade. Nada, contudo, que moleste a qualidade dos temas cantados por uma dedicada massa de aficionados. Exageros e elogios a Portugal à-parte, certamente um concerto competente mas onde se começa a notar algum desgaste. Esperemos que não.

Dos Metz reza uma recente história de muita agitação. Rock puro a que se coloca a etiqueta de punk e que o aglomerado concentrado no palco coberto (Pitchfork) respondeu com euforia. Muito suor e calor humano que chegou até à invasão do palco por parte de dois fãs mais afoitos, um feito para contar aos netos atendendo ao nível de segurança presente no local. Tiro e queda!

Não sabemos quantos é que ontem se concentraram no Parque da Cidade mas os Blur serão os culpados pela maior enchente de sempre. Em versão "Greatest Hits", não podia ser outra, a festa mostrou-se mais que muita, mas abrir com "Girls & Boys" atira qualquer um para canto. Depois não foi fácil "voltar ao jogo" com um alinhamento, por isso, discutível, com alguns altos e baixos, mas, who cares, os Blur estiveram no Porto e partiram a loiça. Muitos ainda agora devem estar a apanhar os cacos!

Para descomprimir nada como uma volta pelos palcos mais pequenos. 
Primeiro com Glass Candy já rodeada de muitos foliões em fim-de-noite e, como tal, a receita electro-disco qualquer coisa mostrou-se mais que adequada. Provocadora qb a tenda estava montada, isto é, "queremos é dançar na descontra". Simples e eficaz.    

Um pouco diferente mas de fazer abanar as hostes, os Fuck Buttons reuniram no palco mais bonito do recinto muitos curiosos, como nós, para ver o que valiam. Valem muito, com uma sonoridade intensa, consistente e a que é impossível resistir em qualquer madrugada já alta. Logo há mais. 




















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