quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A PRAGA DOS CANCELAMENTOS!
















Somos dos que ficamos, já lá vão para aí uns 25 anos, com o bilhete na mão e de braços caídos à porta do Pavilhão das Antas com a notícia do cancelamento em cima da hora do concerto dos Waterboys. O trauma não foi fácil de ultrapassar e custou-nos mesmo muito pedir a devolução do dinheiro do ingresso... Isto de cancelar concertos é uma encruzilhada interminável, mas os últimos tempos têm sido particularmente incompreensíveis. Só nos últimos meses, para além dos Foxygen e do Sixto Rodriguez no Primavera Sound da Invicta, são já diversos os espectáculos anulados que tínhamos debaixo de olho: o Cass McCombs em Famalicão, as Warpaint no Hard Club, o Elvis Costello no Coliseu de Lisboa e agora o David Byrne com a St. Vincent no Coliseu do Porto previsto para a próxima semana, um dos grandes concertos agendados para Portugal no corrente ano! Contra doenças súbitas, acidentes, roubos de material, condições de segurança, etc., etc., nada haverá a fazer mas argumentar com "dificuldades económicas locais" como se lê no comunicado da promotora do espectáculo de Byrne e St-Vincent ultrapassa todo e qualquer limite da decência. Não será simplesmente ganância? 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

VOLCANO CHOIR, UMA MARAVILHA!





















O cinzento da praia dos últimos dias fez-nos cair em boas graças com o disco "Repave" dos Volcano Choir, peça única de audição contínua obrigatória e com uma imagem de capa enevoada mais que adequada. Este Justin Vernon é um génio, basta ouvir o novo single "Comrade"... 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

EITZEL POR CONFIRMAR













O regresso de Mark Eitzel à Europa contempla duas datas portuguesas, 18 e 19 de Outubro, sem haver para já referências aos locais. Alguém sabe mais pormenores?

UMA CURTA DE WILLIS EARL BEAL

Filme a preto e branco de um protagonista com princípios e com direito a banda sonora.

domingo, 18 de agosto de 2013

BLACK BOMBAIM + DUCKTAILS + PALMA VIOLETS + PHOSPHORESCENT + CALEXICO + BASS DRUM OF DEATH + BELLE AND SEBASTIAN + JUSTICE, Festival Paredes de Coura, 17 de Agosto de 2013
















Os Black Bombaim já mereciam um dia assim. Quase a jogar em casa, não se intimidaram pela grandeza do palco, pelo fim-de-tarde soalheiro e plateia atenta e ofereceram o que melhor sabem fazer: rock em catadupa, sem pausas para respirar que isto ainda agora está a começar e há que acordar os espíritos e fazer correr a cerveja.  

Dos Ducktails só esperávamos boas coisas. O álbum deste ano é um mimo e ao vivo as canções floriram em pouco tempo sem ser preciso quaisquer truques. O "Under Cover" deveria ser obrigatório em todas as esplanadas deste país! Quarenta cinco minutos de excelência. Ponto.  

Já ouvimos o disco dos Palma Violets uma meia dúzia de vezes e ainda não atinamos. O hype talvez seja merecido e esta era até uma boa oportunidade para o confirmar. Conclusão, muita parra e pouca uva, que os Clash não precisam de tributos tão forçados. Os miúdos, no entanto, adoraram!

Os festivais têm destas coisas, ou seja, surpresas. Os Phosphorescent de   Matthew Houck já cá andam há pelo menos dez anos mas nunca lhe pusemos os ouvidos em cima. Tenda cheia e muitos, como nós, sem arredar pé até ao fim para um notável momento de folk-rock americano de travo country. Gostamos mesmo muito. É bom dizer que sempre gostamos do Bob Seger!   

Descida rápida para junto dos Calexico em full-power! Trompetes indispensáveis, guitarradas a preceito e o mestre Convertino a fazer as delícias pela bateria. A plateia, já rendida, não tinha outro remédio que não fosse dançar mariachis tão bons ou as versões da praxe como as de Joy Division ("Love Will Tear Us Apart") ou dos Love ("Alone Again Or"). Uma grande banda que os portugueses bem conhecem e de que já tínhamos tantas saudades. Saboroso! 
  
Mais uma surpresa. Chamam-se Bass Drum Of Death é um trio clássico de garage rock e soam demasiado a Nirvana sem lhes chegaram, contudo, aos calcanhares. A julgar pela quantidade de crowd surf por minuto, estão encontrados os vencedores deste campeonato que ontem em Coura parecia ter dia de final.     

Os Belle And Sebastian de ontem foram muito, mas mesmo muito, melhores dos que vimos em Lisboa já lá vão sete anos. Som perfeito, um trio de cordas e trompete portugueses a ajudar à festa e um alinhamento veraneante e fresco para delírio de toda uma geração que não deixou de marcar presença e cantar, berrar mesmo, as letras das canções. O mestre Murdoch esteve irrequieto, bem disposto e in the mood o que ajudou à celebração com direito a invasão do palco aquando do magnífico "The Boy With The Arab Strap". Super-Pop!   

Quanto aos Justice em versão dj-set não temos comparações a fazer porque nunca os vimos ao vivo como deve ser, embora haja para aí um dvd ("A Cross The Universe") que permite tirar conclusões... Contudo, a quantidade de pó que se levantava na frente do palco sempre que as electrónicas ou loops cresciam demonstram o gáudio vivido por alguma da multidão sedenta de exercício e em nítido êxtase inapropriado. O duo francês tem bons discos, grandes temas de dança mas o que gostamos mesmo foi uma segunda parte do set com alguns hits alheios sem data, de George Michael às Supremes, passando pela Joan Jett de "I Love Rock Roll" ou os Queen de "Don't Stop Me Now" com que apagaram as luzes. Fica também a certeza que esta foi a primeira (e última?) vez que vimos uns poucos a fazer crowd surf intenso ao som de Marvin Gaye...            





















+ videos no Canal Eléctrico.

sábado, 17 de agosto de 2013

(RE)LIDO #54





















THE CELESTIAL CAFÉ
de Stuart Murdoch. London; Pomona Books, 2011

"Funny things, songs. Have I talked to you before about how I considered them a bastard art? Nothing’s changed here. I still find them like an excuse: for a storyteller who can’t sustain his story past paragraph. For a filmmaker who gives up writing a musical after one number.
Still, there’s nothing like music for capturing an immediate emotion, or for translating an abstract surge of pleasure into something tangible. And what a thing! An everlasting tangible sensation." (p.304)

Escrever canções é para Stuart Murdoch, vocalista e mentor dos Belle & Sebastian, uma forma de vida não obsessiva ou metódica, mas uma tarefa ondulante que aporta prazer e, certamente, muita, muita emoção. A inspiração para essa “arte bastarda” não tem receita certa nem prazos de validade e, por isso, vale sobretudo a existência de um dia-dia diverso com base numa cidade, Glasgow, epicentro a partir do qual, sem aparentes tiques de estrela rock, Murdoch nos vai revelando ao jeito de diário descontínuo algumas histórias, pensamentos e confissões que surgiram entre 2002 e 2006 no blog da banda. O tal café celestial não tem nome ou morada precisa mas estende-se a muitos outras urbes europeias, americanas e até australianas para digressões com os B&S, para a gravação de discos, sessões ou entrevistas onde se revelam muitas das facetas de um músico pouco dado a exageros rock'n roll. Desportista praticante (corrida ou bicicleta), fervoroso adepto de futebol (muitas referências aos jogos informais que organiza principalmente em ambiente de festivais de verão) e do frisbee, surpreendeu-nos a sua religiosidade, a proximidade à igreja e a fé em Deus mas também a sua paixão pelo cinema, a rádio ou a música dos anos oitenta vertidas em algumas listas com os melhores filmes com Los Angeles como cenário ou de canções dadas a descobrir pela argúcia de John Peel. Funciona tudo sem fio condutor obrigatório o que nos proporciona uma leitura quase romântica e, lá está, cinematográfica de uma vida intensa e que, sem nos apercebermos, já conhecíamos pelas charmosas canções dos B&S. Esperamos que logo mais à noite o anfiteatro de Coura sirva para que Murdoch e companhia nos "projectem" sem contemplações uma película inesquecível há muito esperada. É que é em festivais como este, como se depreende do parágrafo abaixo, que a banda costuma fazer magia...  

"The summer will be good because the festivals are more like guerrilla affairs, where you turn up ready for anything. You could be playing in front of 40,0000 people who are really into it, or 1500 who don’t know who you are. There’s more time to dream to be social, more time to dream. Gigs are terrific when you’ve got something, anything else happening in your day, your life. If they are absolutely everything you have, then it’s going to drag you down eventually". (p.308) 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

UAUU #124

(RE)LIDO #53





















100 POSTERS 134 SQUIRRELS
A Decade of Hot Dogs, Large Mammals, and Independent Rock: The Posters of Jay Ryan
New York; Akashic Books, 2010
Temos pelos posters de concertos uma atracção fatal. Roemos ainda mais as unhas enquanto não deitamos a mão a um qualquer afixado numa parede de um bar ou de uma sala de espectáculos, nervos que aumentam se o artista estiver por perto e na disposição de lhe escrever em cima uma pequena dedicatória ou rabiscar uns desenhos. Já alcançamos algumas "vitórias" saborosas, uma tradição longínqua iniciada num concerto dos Go Betweens no Porto há largos anos. Claro que nem sempre o cartaz ou a imagem que anuncia o concerto é do nosso agrado, mas vale quase sempre a intenção, ou seja, o cuidado posto pelo promotor, banda ou artista no anúncio do evento. Para o efeito convidou-se geralmente um amigo cúmplice que gosta também de música e que, ouvindo as canções, trata de se inspirar adequadamente. Criam-se, assim, laços afectivos surpreendentes o que no caso do americano Jay Ryan implicou responder a desafios lançados pelos Shellac, Interpol, Queens of The Stone Age, Low, Stereolab ou Andrew Bird, só para citar alguns nomes agora mais conhecidos pelo velho continente. Como qualquer banda em início de carreira, esta colaboração com um criador ele próprio um músico com banda (Dianogah) permitia atingir um público-alvo restrito mas desde logo atraído pelo inusitado e sempre atractivo cartaz. Acresce o gosto de Ryan por animais, presença quase obrigatória em muitas das suas produções, principalmente os esquilos que se transformaram numa imagem de marca muito própria. Das paredes de clubes locais ou esquinas das ruas de Chicago para as galerias de arte demorou pouco tempo para que a sua inconfundível arte se transformasse numa referência internacional e o seu pequeno mas já famoso estúdio “Bird Machine” um caso de sucesso que junta a tipografia tradicional, as artes gráficas, o design e a música independente. Uma receita condenada a vencer e, em tempos virtuais, a sobreviver com arrojo! 




segunda-feira, 12 de agosto de 2013

3X20 AGOSTO












. DISCLOSURE - Help Me Lose My Mind
. DAFT PUNK - Lose Yourself To Dance 
. MAYER HAWTHORNE - Corsican Rosé
. LIARS - Brats
. JAMES BLAKE - Life Round Here
. AMOK - Amok 
. DAUGHN GIBSON - Franco
. THESE NEW PURITANS - Organ Eternal
. SUUNS - Sunspot
. JUNIP - Walking Lightly
. RHYE - Hunger
. KISSES - Adjust Glasses
. IRON AND WINE - The Desert Babbler
. STILL CORNERS - All I Know
. PREFAB SPROUT - Devil Came A-Calling
. ERLAND OYE - La Prima Estate
. GENERATIONALS - Durga II
. DEVOTCHKA - All The Sand In The Sea
. THE NATIONAL - Sea Of Love
. MAC DEMARCO - Freaking Out The Neighborhood

. FOXYGEN - Oh Yeah
. DESTROYER - Watercoulrs Into The Ocean
. THE SHOUNTING MATCHES - Gallup, Nm
. RILO KILEY - Well, You Left
. KURT VILE - Was All Talk
. JOHN VARDERSLICE - Song For Dana Lok
. THE DUCKWORTH LEWIS METHOD - Out In The Middle
. THE AMAZING - The Fog
. HIGH HIGHS - Milan
. AMOR DE DIAS - Voice In The Rose
. ELEANOR FRIEDBERGER - Echo Or Encore
. JAMES YUILL - Second-hand Steinway
. THE XX - Try
. NICK CAVE & THE BAD SEEDS - Mermaids
. CAMERA OBSCURA - Fifth In Line To The Throne
. THE HOUSE OF LOVE - PKR
. LOU DOILLON - Devil Or Angel
. CARLA BRUNI - Prière
. LULU GAINSBOURG - Je Suis Venu Te Dire...
. ELVIS COSTELLO & THE IMPOSTERS - All Grown Up

. JOHN MURRY - Thorn Tree In The Garden
. THE BAD PLUS - For My Eyes Only
. PATRICK WOLF - House 
. CHEEK MOUNTAIN THIEF - Darkness
. THE BREEDERS - Drivin' On 9
. CAETANO VELOSO - Vinco
. CAT POWER - Nothin But Time
. LEE HAZLEWOOD - My Autumns Done Come
. WAVE MACHINES - Pollen
. JOSH ROUSE - The Ocean
. SAM AMIDON - I Wish I Wish
. BRODERICK & BRODERICK - Let Me Love You For Free
. BETH ORTON - Sate Of Grace
. COLLEEN - The WeighOf The Heart
. ALELA DIANE - About Farewell
. BAT FOR LASHES - Lilies 
. DAVID LYNCH - I'm Waiting Here (feat. Lykke Li)
. WILLIAM TYLER - Last Residents of Westfall
. JAMES BLACKSHAW - A Momentary Taste Of Being
. TORRES - Come To Terms

domingo, 11 de agosto de 2013

(RE)VISTO #56





















IT MIGHT BE LOUD
de David Guggenheim. EU: Universal Pictures, DVD, 2010
A guitarra tem na história da música moderna uma importância incomensurável. Acústicas, eléctricas, de dois braços e de número variado de cordas, caberá ao guitarrista assumir o papel de explorador de novos sons e recursos, aprendendo e inspirando-se obrigatoriamente com os melhores do passado. Algumas malhas dos Led Zepplin, dos U2 ou dos White Stripes servem hoje de iniciação a muitos dos que querem aprender como tocar uma guitarra, momentos de inspiração dos respectivos compositores para sempre eternizados por gerações contínuas de admiradores. Juntar num filme os magos Jimmy Page, The Edge e Jack White, contando a história da sua vocação precoce, dos seus primeiros instrumentos, as estreias em palco e em televisão e, principalmente, revelando alguns do seus segredos e truques, confere a este filme um estatuto de obrigatório para qualquer melómano. Aliás, é esse amor pela música que percorre todo o documentário de forma tão sedutora, seja na maioria das conversas entre os músicos, na escolha dos discos em vinil que sempre os inspiraram e que eles próprios põem a rodar ou nas velhinhas cassetes ou fitas com gravações por polir aqui escutadas pela primeira vez. Depois, quando frente-a-frente desfilam "malhas" ou acordes em jeito de jam nas suas guitarras, o trio parece conhecer-se desde sempre e o brilho nos olhos torna-se ainda mais notório. Então quando Page se lança ao riff do "Whole Lotta Love", os dois mais novos quase que levitam para outra dimensão o que, certamente, aconteceria a qualquer um de nós perante tamanho monumento... Prova-se, assim, que no rock não há lugar para gerações, modas ou limites de idade, sendo o respeito mútuo e a inquietude condições vitais para que a música se reinvente e nos continue a surpreender no recato do lar ou no meio de uma multidão aos saltos. Ainda bem!    

sábado, 10 de agosto de 2013

A MANTA ESTICA-SE PARA A DIVINA COMÉDIA















É a notícia, por antecipação, da rentrée! O Festival Manta de Guimarães terá no seu segundo dia, 7 de Setembro, uma apresentação a solo do senhor Neil Hannon, isto é, The Divine Comedy! O verdadeiro artista volta assim à cidade berço onde esteve, mas no São Mamede, em Novembro de 2010. O acesso ao concerto é gratuito. Prevê-se, assim, uma enchente... de fim-de-semana! 

REGRESSA O SAN SIMÓN





















Depois do adiamento forçado devido à tragédia ferroviária, o Festival San Simón tem já novas datas - dias 31 de Agosto e 1 de Setembro próximos na ilha do mesmo nome situada ao largo de Vigo repetem-se os concertos em dias seguidos sem, no entanto e como é habitual, se conhecer previamente o cartaz... Um desafio! 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

SYLVIAN EM 10 POLEGADAS






















O inesquecível tema inédito "Where's Your Gravity" que encerrava a compilação "A Victim Of Stars" editada em 2012 para assinalar os 30 anos de carreira de David Sylvian vai ter uma merecida edição em vinil. Trata-se de um exclusivo 10" com saída em Setembro já em pré-venda na editora Samadhi Sound e com direito a autógrafo do músico! O lado B receberá uma canção nova chamada "Do You Know Me Now?" que resulta de uma colaboração com o artista plástico Phil Collins a propósito de uma exposição no Museu Ludwig de Colónia.     

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

CALLAHAN ON DUB!

















O novo álbum "Dream River" de Bill Callahan será antecedido por um estranho e desafiante single de 12" com versões dub de duas canções - "Javelin Unlanding" e "Winter Road" - disponíveis a partir de dia 16 de Setembro via Drag City. Ouça-se!

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

MIDLAKE, NOVO ÁLBUM!











Está quase a fazer um ano que os Midalke passaram por Paredes de Coura para apresentar canções do que seria um novo álbum. Entretanto, o vocalista Tim Smith saiu da banda em Novembro para uma aventura a solo chamada Harp e, por isso, houve que carregar baterias, mudar estratégias e voltar ao estúdio para um disco que chega em Novembro. Chama-se "Antiphon" e o tema título soa assim... magnífico! 

O QUE É YO LA TENGO?

Duas brilhantes canções dos Yo La Tengo do álbum "Fade" receberam videos que não podem ser vistos separadamente, sendo o último "Is That Enough" uma verdadeira equação de fórmula rebuscada e de difícil solução...



terça-feira, 6 de agosto de 2013

UAUU #123

FRUTA DA ÉPOCA!





















Se ainda andam à procura daquele disco para o resto das férias que sabe bem a qualquer hora e em qualquer lugar, façam uma procura simples por "Paracosm" dos Washed Out e divirtam-se. Mesmo!  


domingo, 4 de agosto de 2013

KEATON HENSON DE SECRETÁRIA

(RE)VISTO #55





















WHITE STRIPES
UNDER GREAT WHITE NORTHERN LIGHTS
de Emmett Malloy. EU; XLRecordings/Warner Bros, DVD, 2009
Estamos muito a norte do continente americano, paisagens áridas e até inóspitas de céus quase sempre carregados. Parece fazer sempre frio e as cidades ou pequenos aglomerados respiram uma calmaria lynchiana que o preto e branco da fotografia acentua. Este país é o Canadá, por acaso uma nação de bandeira apropriadamente branca e rubra, o escolhido para uma digressão incomum dos White Stripes em 2007. Os cenários nitidamente pensados e testados para esta operação documental são os de cidades de nomes quase desconhecidos para onde a banda agendou concertos em salas de pequena e média dimensão aquando do álbum “Icky Thump”. Desta vez, contudo, Jack e Meg apostaram em brindar o público com uma antecipação das actuações nocturnas fazendo pequenas aparições à luz do dia convocadas em cima da hora para uma diversidade de espaços de acesso livre. Salas de bilhar ou de bowling, jardins e até barcos em andamento, serviram para um toca e foge de versões ou tradicionais americanos em jeito acústico para gáudio de gerações sortudas dos oito aos oitenta. Quando entram por um lar de idosos de tez índia ou esquimó e se sentam entre eles para uma conversa com direito a canção recebem em troca muitas palmas e uma resposta adequada – uma pequena concertina tocada por uma das presentes e uma pronta dança num dos momentos mais tocantes do filme (vídeo abaixo). Impossível não reparar nos cuidados que já tínhamos comprovado em Algés precisamente em 2007: o tal branco e vermelho dos fios dos microfones, dos teclados e restantes instrumentos, das avionetas num aeroporto ou das malas de viagem, cores que a película assume de forma vistosa nas sequências nocturnas ao vivo e em alguns pormenores quase pintados quando capta a banda em viagem. As entrevistas, poucas, têm Jack como protagonista, sendo mesmo incómodo o silêncio de Meg, timidez quebrada a muito custo com algumas frases soltas e em surdina, uma alma nitidamente agitada e emotiva que solta lágrimas ao lado do ex-marido sentados ao piano na última cena do filme. O grupo fazia dez anos e, depois da festa comemorativa, esse momento confirma os White Stripes como uma banda de dois corpos e de alma única que, sejam quais forem as razões, se feriu de morte em “combate”… Não lhes peçam, por isso, regressos forçados e vejam sem falta este excelente retrato.                               
  



sábado, 3 de agosto de 2013

RODRIGO AMARANTE + DEVENDRA BANHART, Casa da Música, 2 de Agosto de 2013

Num artigo do "Público" de ontem, Mário Lopes concluía que este era o momento certo para o reencontro com Devendra Banhart. Por lá discorria, no fundo, sobre as duas facetas do músico em cima do palco - a versão free escolhida para festivais e plateias agitadas em que participamos na tenda da Zambujeira (2005) e em Vigo (2010 e que, seguramente, se repetiu no Alive uns dias depois) ou uma versão mais contida e formal para recintos clássicos como comprovado por nós na Aula Magna (também em 2005). Ora bem, a mítica estreia portuguesa de Santa Maria da Feira de 2004 contraria, no entanto, esta lógica, num marcante e aceso espectáculo em roda livre para um plateia sentada e surpreendida. Sendo assim, sobre o inquestionável momento certo pendiam algumas dúvidas quanto ao que nos esperava, embora pelos alinhamentos anteriores, posturas mais recentes e o peso do anfiteatro, não fosse difícil adivinhar qual seria a opção. Noite planante com um Devendra concentrado e até nervoso, uma banda sem mácula e canções quase todas escolhidas do último e magnífico "Mala" (aquele "Daniel" não tem preço!!) a que se foram acrescentando posteriormente pérolas mais antigas (tocou o "Baby"?). Pena, como sempre, que o som de sala seja sofrível, principalmente quando se aceleraram baterias e juntaram guitarras mas que rapidamente esquecemos quando, bem perto do fim, sozinho em palco com uma guitarra, nos recostamos ainda mais na cadeira para, entre outros, um "Little Yellow Spider" de excelência (ora aqui está um faceta que adoraríamos presenciar mais vezes). O encore da praxe fez-se com o inevitável "Carmensita" já com a sala em polvorosa, mas apesar dos insistentes aplausos mesmo com as luzes acesas, não houve lugar para mais. Momentos irresistíveis que nos fazem suspirar já por um novo e sempre certeiro reencontro.  

Na primeira parte Rodrigo Amarante, um dos elementos da banda que acompanha Banhart, apresentou à guitarra algumas canções calmas de um disco prometido para breve, comprovadamente uma obra que deverá merecer audição atenta e que ontem, apesar da estreia a frio, foi recebido com indisfarçável agrado e prazer.



(video HugtheDj)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

(RE)LIDO #52





















FELL IN LOVE WITH A BAND

THE STORY OF THE WHITE STRIPES
de Chris Handyside. Nova Iorque; St. Martin's Griffin, 2004
Vai para mais de dez que descobrimos os White Stripes. Antes, até que reparávamos nos discos pousados nos escaparates mas nunca lhes ligamos muita importância, desconfiando que a insistência no branco e vermelho das capas e respectivas vestimentas cheirava a pretensiosismo bacoco e fora de moda. Com a explosão de "Seven Nation Army" (35 milhões de visualizações no youtube desde 2008!) do álbum "Elephant" e com a multiplicidade de benções de John Peel e da MTV não resistimos a dar-lhes uma oportunidade de escuta mais séria. Resultado, ficamos siderados e, tal e qual o título do livro, apaixonados! Uma bateria e uma guitarra ao desafio, quase em desuso, soavam mais consistentes e frescas que muitas das tradicionais bandas rock e, claro, começamos desde logo a puxar o fio à meada tentando recuperar o tempo perdido. Amiúde, lá surgiam as mesmas dúvidas e enigmáticos mistérios sobre tão badalada parelha de irmãos, ou seria marido e mulher?
Esta primeira biografia da banda, escrita pouco tempo depois da explosão mediática, traça a narrativa sonora da dupla de Detroit com incursões ténues nas respectivas genealogias apostando, e bem, em tentar dar a perceber os meandros do panorama musical da cidade de final dos anos noventa, principalmente os relativos a Jack White, os seus múltiplos projectos, influências, interesses, gostos (o eterno vinil) e aspirações. Pena que autor o faça de forma tão descuidada, num inglês que nos pareceu demasiado informal o que, mesmo assim, não retira mérito ao esforço. Permite entender de forma definitiva que a genialidade da banda não era um acaso, mas resultado de uma tomada de decisões e passos em frente de maturação ponderada, defendendo direitos de autor (a criação da Third Man Records), quais as más e boas companhias promocionais (os videos do Michael Gondry ou a empatia com Conan O'Brian), tournées desnecessárias ou duetos certeiros (com o herói Dylan p.ex.). Destapam-se, por outro lado, alguns improváveis desacertos de caminho, como a sempre negada participação de Jack em "Danger! High Voltage", hit de uns tais Electric Six, os murros certeiros no vocalista dos Von Bondies (lembram-se?) ou o pré-divórcio com Meg White mesmo antes do primeiro disco (sim, eles não são mesmo irmãos). Mesmo assim, a cumplicidade da dupla nunca foi sequer beliscada como testemunhado em 2007 em Algés na única e abençoada aparição por terras lusas. Ficará por saber, no concreto, porque raio acabaram os Stripes! Uma birra passageira de Meg? Isso será assunto, certamente, para novo livro...              


DUETOS IMPROVÁVEIS #182

MANIC STREET PREACHERS & RICHARD HAWLEY
Rewind the film (Bradfield)
Álbum "Rewind The Film", Setembro de 2013


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

CARO AMIGO JONATHAN WILSON!





















Ficamos à toa com este primeiro naco do próximo disco "Fanfarre" que chega em Outubro através da Bella Union e por isso só esperamos, sinceramente, ter a oportunidade de te dar um abraço de parabéns num qualquer backstage nas redondezas. És o maior!