terça-feira, 30 de junho de 2015

IRON & WINE, FINALMENTE!















A vinda suspirada de Sam Beam aka Iron & Wine eternamente adiada tem agora datas confirmadas para estreia portuguesa - 1 de Novembro no Teatro Tivoli de Lisboa e no dia seguinte na Casa da Música portuense. Rápido à bilheteira!

UAUU #267

sexta-feira, 26 de junho de 2015

BEACH BABY, LOÇÃO REFRESCANTE!















E eis que, com o calor a apertar e muitas saudades dos Wild Nothing, batemos de frente contra uns tais Beach Baby que, apesar do nome, não estão habituados a temperaturas altas e areia a queimar os pés. São de Londres, juntaram-se no colégio Goldsmith (um tal James Blake também passou por lá) e ainda sem álbum tem já uma série de singles irresistíveis prontinhos a cumprir a permissa em que a música é fértil - nada de novo mas saboroso!    





MERCURY REV, UM MUNDO ENCANTADO!

Oito anos passaram sobre o último disco dos Mercury Rev! Deu mais que tempo para digressões intensas, incluindo a vinda ao Porto à ultima da hora em 2012 e, claro, para que a banda questionasse o que ainda anda cá a fazer ao fim de 35 anos! Atendendo ao anúncio do novo disco "The Light in You" prometido para Setembro com o selo da Bella Union e a este magnífico primeiro avanço chamado "The Queen of Swans", diremos que Grasshoper e Donahue e o mago David Friedman continuam a produzir encantamento. Já não é pouco!

quinta-feira, 25 de junho de 2015

"NÃO HÁ ACORDO"

"Não há acordo, não há conclusões. O Eurogrupo foi suspenso pela segunda vez, reuniu-se e terminou novamente. Ministros esperam uma nova proposta grega."

... e é isto, abre-se um qualquer site de notícias e a sensação de insegurança que paira sobre o velho continente aumenta a olhos vistos. A impotência europeia para resolver um problema com meses só nos faz lembrar a sentença certeira do senhor Bill Fay de que isto é simplesmente uma máquina de guerra em roda livre para a qual todos pagamos e vamos continuar a pagar. O epitáfio há muito que está escrito!
    

RICHARD HAWLEY, A NOTÍCIA QUE INTERESSA!

Está na Mojo deste mês: novo álbum de Richard Hawley tem o título de "Hollow Meadows" e sai em Agosto. Eia! 


sexta-feira, 19 de junho de 2015

quinta-feira, 18 de junho de 2015

REGRESSAM OS RADIO DEPT.!

Vale o que vale, mas é tão raro uma qualquer campainha a tocar à porta dos The Radio Dept. que aqui fica uma nova canção lançada esta semana em formato 12" de vinil na Labrador. O toque chama-se "Occupied".   

segunda-feira, 15 de junho de 2015

3X20 JUNHO













SINFÓNICA & GREGORY PORTER, Casa da Música, Porto, 13 de Junho de 2015

















Esta fotomontagem de promoção do concerto de Gregory Porter com a Orquestra Sinfónica da Casa da Música parecia ser premonitória. Usando uma fotografia captada na Sala Suggia onde Porter já tinha brilhado em outubro de 2013 na sua estreia pela cidade e local de ensaio prévio, a imagem remetia, por coincidência, para a Praça Guilhermina Suggia em Matosinhos para onde o concerto estava agendado com acesso gratuito. Mas a chuva decidiu aparecer ao longo do dia e o evento foi transferido umas horas antes para a Casa da Música perante uma atribuição de bilhetes condicionada e, obviamente, polémica atendendo à enchente esperada. No conforto do espaço, o inédito espectáculo encheu as medidas de mil sortudos mas será sempre especulável o que poderia ter acontecido ao ar livre numa noite de verão e com pleno usufruto sonoro. Sim, porque a sala principal da CdM continua a evidenciar as suas antigas e irresolúveis limitações acústicas que, continuamente, parece abafar uma simples bateria quanto mais uma sinfónica inteira e um quarteto de jazz! Juntar-se a uma orquestra é um hábito que Porter vai promovendo amiúde, um momento sempre especial e desafiador para um jovem artista multifacetado e "spirit free" que já o levou inclusivamente a cantar para os Disclosure, a emparceirar com Laura Mvula ou Julie London, a enfrentar sem mácula versões de Van Morrison, Debie Gray ou Sam Cooke ou até a agendar uma ida a Glastonbury no próximo fim-de-semana! O alinhamento das suas canções de toque groovy e gospel claro que sofre uma modificação momentânea que por vezes nos soou perfeita, noutros escassa - o conjunto de violinos pecou por sub-utilização - e até excessiva como aquele saxofone "oceano pacífico" demasiado exposto. Há, no entanto, uma voz forte e certeira que Porter soube sempre usar com mestria, envolvendo tudo e todos e merecedora dos rendidos aplausos da arrebatada plateia. Um concerto notável, seguro, divertido a que faltou "um bocadinho assim" para a grandiosidade.

sábado, 13 de junho de 2015

PRIMAVERA SOUND PORTO 2015: UM BALANÇO













Os dez mais e os dez menos do já clássico festival portuense!

10 mais:

1. a Patti Smith x 2 , está tudo dito...

2. a Yasmine Hamdan, está tudo visto...

3. a chuva de "Ferrero Rocher", cortesia de Baxter Dury;

4. o controlo "anti-chichi nos arbustros" com direito a piscar de lanterna da segurança e avisos "oh amigo, aí não!"!  

5. a mudança da tenda/casa VIP para a lateral do parque permitindo que a colina principal se imponha e a circulação melhore;

6. a variedade gastronómica de comida e bebida com acréscimos de luxo como chá ou gelados naturais;

7. contra tudo e contra todos e sendo um risco assumido, a perfomance de Antony;

8. o senhor Jim White ou (mais) uma lição de bateria;

9. o furacão Sam France (Foxygen); 

10. a limpeza rápida e eficaz de todo o recinto, das casas de banhos ou do espaço de alimentação. Um mimo;         


10 menos:

1. os Interpol ou o que resta deles; 

2. a duração mínima do concerto dos Belle & Sebastian;

3. o irresolúvel problema do ruído entre palcos ATP e SuperBock que condiciona e irrita a fruição;

4. as filas para o café ou a nítida falta de mais oferta;

5. o setlist monótono de Roman Flugel, o dj a quem coube fechar a tenda do Festival. Pedia-se outra/mais animação;

6. sem hipótese face à concorrência de peso (Patti Smith), termos perdido o Mac DeMarco;
  
7. a dificuldade que foi arranjar o livro oficial do Festival que, mesmo sendo oferta, ninguém sabia onde o procurar ou obter. Ufa, foi mesmo à última!

8. uma sensação de que faltou ao palco Pitchfork uma programação mais cuidada; 

9. insistindo e repetindo no reparo, mas porque é que é que os nossos amigos espanhóis falam tão alto principalmente durante os concertos? 

10. pedimos sempre mais e, por isso, sentimos a falta de mais um ou outro grande concerto.     

. Balanço 2014
. Balanço 2013

NILS FRAHAM, MAIS UMA VITÓRIA!





















A dimensão cinematográfica da música de Nils Fraham está presente em todos os discos que o pianista alemão registou até hoje. Contudo, não havia até há data um projecto seu especificamente concebido para embalar um argumento de princípio ao fim o que aconteceu a pedido do realizador Sebastian Schipper para a película "Victoria". Estreado no último Festival de Berlin, o filme conta a história empolgante e atribulada de uma noite na vida da jovem espanhola Victoria que da simples diversão se transforma em algo muito sério como um assalto a um banco! A banda sonora pode ser na íntegra escutada por aqui


terça-feira, 9 de junho de 2015

LYKKE LI EM COURA!















Quase impensável mas real - a maravilhosa Lykke Li junta-se ao grande alinhamento do próximo Festival Paredes de Coura, actuando no dia 22 de Agosto. Eia!



segunda-feira, 8 de junho de 2015

XYLORIS WHITE+BAXTER DURY+FOXYGEN+KEVIN MORBY+DEATH CAB FOR CUTIE+SHELLAC+DAN DEACON+UNDERWORLD+OUGHT, Primavera Sound, Porto, 6 de Junho de 2015
















Na tarde mais calorenta do festival, nada como começar pela certa - o génio da bateria Jim White juntava-se ao tocador de lute de creta George Xylouris e a parceria só podia dar em benção. Xyloris White no palco ATP serviu para retemperar forças, respirar fundo e sorver uma sonoridade musical de uma dimensão especial e de difícil, mas dispensável, definição. Doutro mundo!     





O regresso de Baxter Dury ao festival portuense fê-lo subir de posto. Palco grande, fim de tarde solarengo ao contrário da chuvinha de há dois anos e uma presença um pouco mais sóbria... Mantêm-se aquela pose desafiadora, os tiques inesperados e muita dose de boa música pop cativante que agarrou o público desde o início até ao fim. Contamos duas caixas de Ferrero Rocher atiradas aos poucos para a plateia animada e desejosa - "apetecia-me algo..." - e o concerto manteve-se sempre apelativo e um bom aquecimento para a paródia que se haveria de seguir. Volta sempre!       







Há muito esperados, há muito desejados, os Foxygen não fizeram a coisa por menos e partiram a loiça toda! A perfomance ao jeito de pantomina é uma surpreendente amálgama indefinida de estilos musicais que o último álbum "... And Star Power" bem espelha mas que em palco sofre um upgrade visual e teatral completamente inesperado. Coros e danças indecorosas, correrias e quedas, abandonos de palco, birras, jogos de cartas ou crowd surf controlado, são só algumas das façanhas comandadas pelo irrequieto mestre Sam France que, sem pausas desnecessárias, transformaram o concerto num espectáculo ofegante. Depois, e não menos importante, há ainda a música e as canções que o outro mestre encoberto chamado Jonathan Rado supervisiona de cima do seu trono de teclados e que pode um ser um psico-rock azeiteiro, um soul clássico de falsetes ou até uma suspirada balada como "San Francisco" que sai da amplificação enquanto abandonam o palco para mudar de roupa! Uma abanão forte de uma banda que, não esquecer, intitulou um dos seus discos de "We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic". Na mouche!





Para quem assistiu ao concerto de Kevin Morby no palco/tenda do recinto a memória só poderá ser uma - brilhante! Fala-se em Dylan, argumenta-se com Neil Young, mas o que é certo é que Morby tem um estilo e uma composição que, não disfarçando tais influências do passado, é muito própria e irresistível e que nos agarrou desde logo sem contemplações. Muita classe é o que é!    





Perdoada que está a falta de comparência de 2013 por motivos nunca muito bem explicados, os Death Cab For Cutie tinham agora uma oportunidade para finalmente se redimirem. Em parte conseguiram-no com canções fortes do último disco, mas foi mesmo o velhinho "The New Year" que nos encheu as medidas. A voz de Ben Gibbard continua sedutora, o balanço indie ainda fervilha e quanto ao resultado final só poderá ser mesmo um empate com sabor a competência. Foi pena o baú não se ter "aberto" um pouco mais...      





A sede e fome apertavam e por isso depois de uma passagem gulosa pela Padaria Ribeiro e uma cerveja preta saborosa, fizemos de tudo para escapar no bom sentido aos Ride. Café, gelado da Santini (!), visitas rápidas a outros palcos para picar os The KVB ou os obrigatórios Shellac e até uma incursão pelo início dos The New Pornographers para confirmar se o Dan Bejar andava por lá. Negativo, e por isso estava na hora da ginástica.   







A lenda nerd que dá pelo nome de Dan Decon é um sabichão! De cima do palco controla o ambiente, provoca desafios, anima querelas, separa as tropas e depois, carregando forte no play com ajuda de uma bateria, lança as bombas. Começa então a agitação colectiva quase sempre em doses de pelo menos cinco minutos que a malta tem é que suar. O resultado é francamente estimulante e libertador e devia ser obrigatório que durante o seu concerto houvesse happy hour nas barraquinhas da cerveja!  





Em 1995, a suar por todos os poros, estivemos no Rock's de VNGaia para nos rendermos aos Underwold. Na altura a sua sonoridade abria uma dimensão inexplorada da chamada música electrónica ou de dança que se concretizou no mítico disco "Dubnobasswithmyheadman". Passaram mais de vinte anos e era esse título em letras gordas que estava agora bem visível no palco principal do festival à espera do comando inicial. Tema a tema, tal como um qualquer DVD caseiro, o agora duo lá foi sem falhas fazendo avançar o disco mas o desafio rapidamente se tornou maçador. Bem aconselhados, decidimos abandonar o relvado principal com a promessa de lá voltarmos se houvesse hipótese, o que viria acontecer como o provam os registos abaixo...             





São canadianos, tem um álbum excelente na editora dos GSYBE e, para os mais distraídos como nós, quase que nos escapavam. Na hora certa, uma dica certeira levou-nos até aos Ought que fechavam o palco ATP e o momento bem emoldurado de gente valeu bem a pena. Rock com algo de experimental sem fugir a uma tradição melódica que alguns já conheciam em canções como "The Weather Song", "Pleasent Heart" e o maravilhoso "Habit". Grand finale!  


sábado, 6 de junho de 2015

BANDA DO MAR+YASMINE HAMDAN+GIANT SAND+PATTI SMITH+TWERPS+THE REPLACEMENTS+BELLE & SEBASTIAN+ANTONY AND JOHNSONS+JUNGLE, Primavera Sound, Porto, 5 de Junho de 2015













A comichão de cabeça começava cedo! Enquanto a Banda do Mar alegrava a plateia junto ao mar, um formato descontraído que assenta na perfeição às canções do disco de estreia deste projecto luso-brasileiro de êxito comprovado por este país fora nos últimos tempos, não foi fácil virar-lhes costas para subir a colina até ao palco ATP. Mas havia um perfume oriental que não podíamos deixar de experimentar... 



Esse inebriante apelo tem o nome de Yasmine Hamdan, sedutora actriz e compositora libanesa já com larga experiência na música mas com um disco recente de estreia a solo. No paradisíaco cenário natural do parque, a voz e presença de Yasmine fizeram efeito instantâneo a que não foi também alheio um guitarrista de eleição com pinta de Phil Lynott e um baterista a condizer. Grandes momentos, um concerto notável e obrigatório num suposto top five do festival.        







Já lá vão trinta anos de vida dos Giant Sand, uma montanha russa de colaborações, músicos ou influências que Howie Gelb sempre soube comandar e renovar como ninguém. Para o comprovar basta ouvir o último "Heartbrak Pass", mais um disco marcante de rock e folk genuinamente americano e que ali, a partir do palco, conseguiu sem esforço de maior captar a atenção e, acima de tudo, deixar rendida a imensa moldura humana que antes da celebração principal teve aqui um primeiro acto de purificação.   





Para descontrair, uma voltinha rápida pelo recinto ainda a tempo da última canção dos apelativos Viet Cong mas era já nela que, outra vez, a nossa mente se concentrava...



Não valerá de muito estar por aqui a discorrer sobre Patti Smith, sobre "Horses" ou sobre o momento ao vivo que vivemos ao final de sexta-feira na nossa cidade. Sentimos o tremor da emoção desde o início com "Gloria" até ao final fantástico com a dupla "Land" e "Elegie", contivemos mesmo as lágrimas em alguns momentos, mas quando, como bónus, a extraordinária artista fez o favor de repetir o "Because de Night" e o "People Have The Power" que também cantou na véspera, demos connosco a saltar de braços no ar e a trautear as letras num impulso colectivo irresistível. Dois concertos em dois dias para quem nunca a tinha visto foi uma dádiva maravilhosa, imensa e memorável. Obrigado Patti Smith, obrigado Primavera Sound!







Mais um giro entre palcos, uma cerveja saborosa para retemperar, uma olhadela curta aos Younghusband e decidimos assentar praça na tenda para apreciar os Twerps. Australianos, como muitas bandas nesta edição, há por aqui uma diversão pop de assinalável dimensão ainda a "alargar corpo" mas com forte margem de progressão. Vamos estar atentos.     







Sempre que havia um disco novo a solo de Paul Westerberg no escaparate das diversas Valentins de Carvalho da Invicta era certo que o tínhamos que o trazer para casa. Já lá vão muitos anos e o hábito foi-se perdendo por culpa própria mas agora que cordão umbilical podia ser ligado não perdemos a oportunidade. Aos míticos The Replacements comandados por Westerberg foi-lhes dado o palco maior do festival e celebração começou cedo. Rock sem freio, canções que alguns conheciam e muitos nunca tinham ouvido não impediram a paródia e a felicidade notória de voltar a tocar juntos, com direito a falta de memória para algumas letras e brincadeiras rock & roll como o atirar perigoso de uma guitarra para o rodie que foi parar ao chão e, por isso, logo ali partida entre os joelhos! Festa da grossa como se esperava. 







Festa certa era também esperada com os Belle & Sebastian ainda por cima com um último álbum a puxar à dança e ao balanço. Divertidos, alinharam novas canções e clássicos obrigatórios de efeito imediato e rápido que resultaram na perfeição com tentativas de interacção em português por parte de um esforçado Stuart Murdoch. Tal como em Coura em 2013, houve quarteto de cordas e um trompete portugueses (?) a ajudar e muito bem a que as canções brilhassem ainda mais. Alguns sortudos tiveram direito a divertimento extra convidados que foram a participar em palco na dança colectiva que, como sempre, acabou em anarquia positiva. Uma celebração curta mas bastante intensa.











Uma orquestra de músicos da cidade e um maestro, todos trajando de branco, um filme clássico japonês em projecção contínua, um silêncio obrigatório de todos os outros palcos do recinto e uma plateia imensa expectante. Tudo parecia previamente delineados para que o espectáculo de Antony fosse um projecto de não muito fácil execução. Pedia-se respeito, atenção e até concentração e, pelo menos do local de onde ao longe assistimos ao concerto, a perfomance valeu bem a pena. Voz sem mácula para canções já clássicas e entre as quais se destacou, pela surpresa, uma versão de "Blind" despida de batidas a merecer uma edição em disco. Uma prova de maturidade do festival, do seu público e programadores, no limite imprevisível do risco. Desafiante, como convêm...        





O disco homónimo dos Jungle, já o sabíamos, está replecto de canções de travo quase neo-funk e algum psicadelismo que ao vivo são uma receita infalível. Não foi por isso uma surpresa o êxito obtido junto do público com uma orgânica instrumental irrepreensível e uma alinhamento em crescendo que culminou em êxtase. Grande momento e uma das grandes confirmações do festival. Vão voltar, isso é certo!   









Ainda pernas para algum movimento e, por isso, levamos com uns tais Movement que, surpreendidos, quase não acreditavam que tinham vindo da Austrália para tocar para tamanha moldura humana na tenda Pitchfork! Para fim de noite até que não foi mau...

sexta-feira, 5 de junho de 2015

BRUNO PERNADAS+CINERAMA+MIKAL CRONIN+PATTI SMITH+FKA TWIGS+INTERPOL+THE JUAN MACLEAN+CARIBOU, Primavera Sound Porto, 4 de Junho de 2015














Aí está mais uma vez o Primavera Sound Porto, o melhor festival do país e talvez de muitos países. Ao fim de quatro edições cumprimos a promessa e fomos de bicicleta do Freixo até ao Parque da Cidade, gozando a beleza da paisagem, o sol e o vento e o bulício ribeirinho e marítimo de uma cidade única que, compreendemos bem, é surpreendente até para os nativos quanto mais para os estrangeiros! 

E eles já lá estavam, copo de vinho ou cerveja na mão, desfrutando desde o início e aproveitando ao máximo os três dias do evento. Soube bem, por isso, o jazz espacial de Bruno Pernadas ajudado por gente diversa de alguns projectos portugueses, jogando na descontracção sem perder a competência e com resultados de agrado notório de um plateia ainda a acomodar-se mas atenta. Tivemos até direito à estreia de um novo tema ("Galaxy") que confirma o talento de um multi-instrumentista português com nível suficiente para continuar a surpreender. 







No regresso de David Gedge ao Porto, coube desta vez aos Cinerama animar as hostes. O projecto paralelo aos The Wedding Present sempre foi mais açucarado e pop e, atendendo ao cenário e ao horário diurno, parecia ser até uma boa ideia mas o concerto deslizou sem efeitos de maior entre o enorme relvado e o palco talvez grande demais para a pretensão. Agradável.    





Rodando com o amigo Ty Segall ou em bandas paralelas, o californiano Mikal Cronin aparenta estar sempre em forma. O concerto de ontem foi a prova da sua enorme garra em quarenta e cinco minutos cativantes, arrojados e de uma consistência admiravelmente luminosa. Sem surpresas, um grande concerto!   





E chegava a hora da primeira de muitas opções. Mac DeMarco foi, desta vez e a muito custo, o preterido mas não havia como perder a senhora Patti Smith na tenda do palco Pithcfork, uma oportunidade quase irreal. Na companhia, entre outros, do guitarrista Lenny Kaye, o concerto de teor acústico cedo fez uma série de arrepios emotivos só ao alcance de uma lenda viva deste calibre. Quando, logo a abrir, se ouviram os acordes de "Dancing Barefoot" o público que enchia o recinto não resistiu a levantar-se - sim, houve até o cuidado de instalar uma gigante plateia de cadeiras - para nunca mais se sentar! Notável a simpatia e a presença de uma artista de causas, de longínqua luta e rigidez que ali, à frente de todos, confirmava a vitalidade da sua música e da sua eterna força. Brincou com a cidade na introdução de "My Blakean Year", orgulhou-se da sua condição de avó em "Beautiful Boy" de Lennon e fez-nos sem esforço levantar o punho e soltar a garganta em hinos como "Because the Night" e, principalmente, no eterno e sempre actual "People Have the Power". Enorme!       
     








Da britânica FKA Twigs não faltavam elogios ao disco de estreia mas estava por confirmar como tamanha façanha resultaria ao vivo. Poder-se-ia adivinhar que a subtileza desse registo se iria esvaziar mas mesmo sem muito deslumbramento as canções não perderam vitalidade e, surpresa, ganharam até uma camada fina de brilho muito à custa de uma sensual presença em palco e uma voz sem falhas. A menina promete.         







O que é feito dos Interpol? Sim, onde pára um dos principais grupos impulsionadores do rock quando se dizia que ele estava a morrer? Atendendo à qualidade do concerto de ontem, a resposta só pode remeter para parte incerta. Sensaborões, desinspirados e demasiado desafinados, Paul Banks estava mesmo a precisar de um cházinho para a garganta e Daniel Kessler de um retiro inspirativo. Atendendo à qualidade do último "El Pintor", pedia-se mais, pedia-se melhor, mas o mais engraçado é que tamanha desmotivação até pareceu propositada. Uma desilusão!     







A versão banda de The Juan Maclean tem o mesmo propósito de uma das suas sessões dj assentes numa tradição DFA que não engana - dançar! Quanto a esse desígnio, o objectivo de fim de noite foi plenamente alcançado sem grande esforço já que malhas como "Happy House" não deixaram parar a plateia já com muito "combustível" acumulado e energia ainda para gastar. Mesmo assim, faltou arriscar um pouco mais num concerto previsivelmente agitador.        





Bem melhor foi o espectáculo dos Caribou no palco maior. A enchente de público não saiu de maneira nenhuma desfraldada com o que ouviu, com um alinhamento que assentou principalmente no excelente "Our Love" mas onde não foram esquecidos "êxitos" mais antigos a que Daniel Snaith nos habituou desde os tempos de "Andorra". Nitidamente, um dos vencedores do dia!       






terça-feira, 2 de junho de 2015

MEDEIROS/LUCAS + MARK ERNESTUS' NDAGGA RHYTHM FORCE + ORA COGAN, Serralves em Festa, Porto, 31 de Maio de 2015

      Mark Ernestus' Ndagga Rhythm Force, prado de Serralves













O disco "Mar Aberto" do duo Medeiros/Lucas é um daqueles "objectos tocadores não identificados" que parece ter aterrado algures entre os Açores e o continente. Esse pouso programado e sem pressas permitiu iniciar diversas viagens sem rumo certo mas com muitas histórias de final desconhecido que cabem em melodias simples e profundas e onde uma só guitarra, alguns samples e a voz do sr. Medeiros acabam em surpresa e descoberta. Parece não ser deste tempo tamanha aventura, uma onda inqualificável mas sedutora de uma "portugalidade" (seja lá o que isso fôr) macia e penetrante que a plateia, primeiro, estranhou e, logo depois, se fez entranhar até ao final... feliz!      







Se há concerto para a história da festa de Serralves, o furacão trazido pelos senegaleses Mark Enestus' Ndagga Rhythn Force terá, de certeza, menção honrosa e capítulo de destaque. O ritmo e frenesim do irrequieto colectivo começou atrasado, é certo, mas não mais parou entre acelerações, guitarradas e muito balanço saído de um sabar, de uma bateria forte e outras percursões que parecem in(de)termináveis. Depois há ainda o espectáculo chamado Wore Mboup, uma bailarina esguia e acrobática que aguça a dança e o balanço a que foi impossível resistir, transformando o prado de Serralves numa extensa sessão de step... qualquer coisa! Uma "aula" para todas as idades com crianças em palco e até uma voz feminina de ocasião que não se saiu nada mal. Confirmem abaixo o fenómeno ao longo de trinta minutos que colam partes da memorável festarola! Wha wha's merecidos para todos eles!            



Para fazer baixar o ritmo cardíaco e recuperar calorias, o concerto de Ora Cogan surgiu na melhor hora. Início tímido, público ainda escasso mas rapidamente o espaço se aconchegou para ouvir canções de travo folk que a canadiana há muito vem espalhando. Há disco novo na forja e, com a ajuda de um baterista, Cogan foi ganhando segurança, acertou o timbre e não foi difícil perceber a sua satisfação pela adesão, pelo espaço e pela cada vez mais elogiada cidade do Porto. E sim, estamos e continuamos abertos a adopções de qualidade e, por isso, volta sempre!        






segunda-feira, 1 de junho de 2015

OS PRÍNCIPES + THE PYRAMIDS & GUESTS + PEGA MONSTRO, Serralves em Festa, Porto, 30 de Maio de 2015

                                      Os Príncipes, ténis de Serralves

















Em ano de verdadeira coroação, Os Príncipes aproveitaram bem a tarde soalheira e a excelente presença de público para desfilarem algumas das criações sonoras da sua cumplicidade musical multifacetada e até arriscada. Percebe-se bem a versão dos Repórter Estrábico, também eles uns inovadores irreverentes da cidade que mereciam mais vénias deste calibre. A jogar em casa, trouxeram os seus amigos mais pequenos para uma experiência final que só não foi mais certeira porque, coitados, as vozes dos miúdos pouco se ouviram... Ficou a boa intenção!     







Há uma tradição salutar das tardes da festa de Serralves que incide há já alguns anos em propostas colectivas quase sempre em volta do jazz, da sua irreverência e, acima de tudo, da sua actualidade penetrante. Os The Pyramids, para não fugir à regra, cumpriram na perfeição este desígnio em sessenta minutos de contínua roda livre de nítida influência africana, um tal free jazz de difícil definição e, ainda bem, limite. Juntaram-se desta vez ao desafio cinco jovens músicos portugueses que, sem medos, ajudaram a que o concerto resultasse numa empolgante e inédita experiência rapidamente recebida de braços abertos pela larga plateia do prado de Serralves. Destaque para a harpa de Angélica Salvi, um contributo inusitado e, talvez por isso, devidamente elogiado e apresentado como "heaven must be missing an angel"! 



A fama dos duos rock vem de longe no tempo, mas o que irmãs Reis trazem da capital só agora começa a fazer mossa mais alargada. São rápidas canções toca-e-foge que tornam as Pega Monstro um caso sério de sedução, apesar do som pelo pelo espaço do ténis não lhes ter sido nada favorável. Há por aqui aquele travo rude de rock e uma aura só ao alcance dos predestinados e, por isso, não será difícil prever voos mais altos e longínquos. O monstro pegou, definitivamente...