sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

HALF WAIF PARA LÁ DO MARÃO!















Não podíamos acabar o ano sem a notícia, por antecipação, de um concerto inédito por perto - dia 2 de Fevereiro próximo a cidade de Vila Real recebe a visita exclusiva do projecto de Brooklyn Half Waif no âmbito da digressão europeia e que só em Espanha tem seis datas anunciadas! A oportunidade servirá para a promoção do álbum "Probable Depths", o segundo e excelente longa duração editado no corrente ano, e também para a estreia de algumas canções novas que caberão num EP a sair por essa altura. Promete!





FAROL #124












O canal americano por cabo Adult Swim é, como sugerido, uma plataforma televisiva dirigida a um público adulto, desempoeirado e, acima de tudo, informado. A comédia, o drama, a paródia ou a música são conteúdos conexos usados de modo experimental e arrojado como convêm. A partir de Maio passado e repetindo o projecto de 2015, o canal passou a editar uma série de singles em formato digital que somou trinta e um convites a artistas de diversas tendências e sonoridades com adesões de gente diversa como Ryan Hemsworth, Jenny Hval, Protomartyr ou Run The Jewels, entre muitos outros. A valente compilação em que cada tema tem uma capa de design diferente, pode e deve ser destapada por um simples click...

OLHA QUE DOIS!














A afamada loja inglesa Rough Trade elegeu "Post Pop Depression" de Iggy Pop como o disco do ano e, como resposta, recebeu um convite do artista para uma descontraída visita à sua casa de Miami a que se juntou o amigo Thurston Moore para umas bebidas frescas (em copos dos Stooges!) e muita e saborosa conversa. Houve ainda tempo para uma jam só para desenferrujar... Imperdível!



UAAU #358

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

PERFUMES (CAROS) DE GÉNIO!

A tendência de convidar artistas ditos alternativos para sonorizar spots ou campanhas de marcas consagradas da gama luxuosa acentuou-se nos últimos tempos sendo o exemplo da Burberry inglesa um caso paradigmático - depois de Benjamin Clementine o convite recaiu recentemente sobre Keaton Henson que, trajando um imponente casaco, aderiu à série acústica da marca com uma solitária rendição do tema "No Witness", tendo o seu clássico "La Naissance" servido de base sonora para campanha da marca lançada em Setembro passado. Na altura, o desfile de apresentação numa casa antiga do Soho londrino contou com a execução ao vivo pela London Simphony Orchestra do magnífico EP "Reliquary" composto em exclusivo pelo inglês Illa Eshkeri e que foi devidamente lançado via iTunes! Quem pode, pode...    







Outro nome associado comercialmente a uma gama alta de produtos é o norte-americano Mike Hadreas que nos habituamos a admirar pelo nome de Perfume Genius. Primeiro foi a Prada a pagar os direitos e não só do clássico "Can't Help Falling In Love" de Elvis Presley de que Hadreas fez uma excelente cover para o spot, claro, do perfume "La Femme e L'Homme" e que continua ainda disponível para download gratuito! Agora é a japonesa Toyota a investir numa campanha de fim-de-ano para a qual utilizou um argumento a puxar ao "sentimento" e onde se faz ouvir "Normal Song", um dos pontos altos do seu segundo disco chamado "Put Your Back N 2 It". Só bom gosto...




segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

GEORGE MICHAEL (1963-2016)













Irónico. Um último Natal também para George Michael!
Que o ano maldito acabe depressa... Peace!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

SINGLES #42





















JOSÉ AFONSO - Natal dos Simples
Portugal: Orfeu, ATEP 6356, EP 45 RPM, 1969
A história desta canção de José Afonso foi já devidamente contada e recontada, um trilho que a revista Visão fez o favor de percorrer no primeiro mês de 2016, o tal onde se cantam as Janeiras. "Vamos Cantar As Janeiras"... este verso tantas vezes ensaiado em plena sala de aula da primária ficou-nos sempre na memória e a insistência na prática tinha um propósito: um coro colectivo de miúdos e miúdas de bata branca reunidos à volta de uma árvore de Natal no átrio frio da escola de soalho de madeira, muita timidez e, com sorte, um beijinho da professora e votos de "Bom Natal"! Longe do pensamento estavam preocupações sobre quem era o autor da canção, as suas conotações políticas ou outras subtilezas líricas já que, mesmo sem direito a qualquer presente ou sequer um docinho, o importante é que o período de férias estava à porta e as brincadeiras com os primos e amigos da rua já tardavam. O tema tornou-se um tradicional de época e logo em 1970 a própria Amália Rodrigues não resistiu a gravar uma versão mais ligeira e orquestrada que faria parte de um single e a que no lado B acrescentou "Balada do Sino", um outro original de Afonso incluído neste EP ao lado do tema título, de "O Cavaleiro e o Anjo" e "Saudadinha". Tirando este último, os temas estavam presentes no disco "Cantares de Andarilho" que marcou em 1968 a ligação a Arnaldo Trindade e à ORFEU e onde José Afonso, acompanhado simplesmente pela viola de Rui Pato, apostou na recuperação de formas mais tradicionais da música portuguesa. O single EP é hoje uma raridade ainda bem valorizada e é também conhecido como "José Afonso Óscar da Imprensa" já que na contracapa se faz alusão, bem impressa, a esse prémio que recebeu por parte da Casa da Imprensa em 1969 relativo ao melhor álbum com o referido "Cantares de Andarilho". A partir daqui o envolvimento político torna-se irreversível e à simplicidade de uma guitarra e voz passam a juntar-se outros instrumentos, outros cantores, uma maior sofisticação da composição e produção e uma cada vez mais fina malha de vigilância política. Para trás e para todo sempre a ecoar na nossa escola ficará o eterno
Pam-pararan-ri-ri
Pam-pararan-ri-ri
Pam, pam, pam, pam...

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

UAUU #357

AGNES OBEL, MAGIA AO VIVO!

A lindíssima Agnes Obel passou em Setembro por Paris para a apresentação do terceiro álbum "Citizen of Glass" e o momento foi devidamente registado pelo canal Arte no cenário imponente do Collège des Bernardins, um edifício do Século XIII pertinho do Sena e com uma programação cultural assinalável. Perfeita magia!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

3x20 ESPECIAL 2016











20 CANÇÕES X 20 ÁLBUNS X 20 CONCERTOS
+ 10 Low + 10 High 2016
Do nosso 2016 elegemos isto... e já não é pouco!

20 Canções:
1. THE DIVINE COMEDY - To the Rescue »
2. DRUGDEALER - Suddenly »
3. CASS McCOMBS - Opposite House »
4. KEVIN MORBY - Drunk and on a Star »
5. THE LAST SHADOW PUPPETS - Aviation »
6. JULIANNA BARWICK - Beached »
7. WHITNEY - No Woman »
8. RYLEY WALKER - The Roundabout »
9. BIG THIEF - Interstate »
10. LAURA GIBSON - Not Harmless »
11. ANGEL OLSEN - Those Were the Days » 
12. DAVID BOWIE - Dollar Days »
13. CAR SEAT HEADREST - Drunk/Killer Whales »
14. METRONOMY - Night Owl »
15. ANDY SHAUF - Eyes of Them All »
16. HOPE SANDOVAL & THE WARM INVENTIONS - Let Me Go There (feat. Kurt Vile) »
17. THE STROKES - Oblivious »
18. PETER BRODERICK - Sometimes »
19. BAT FOR LASHES - Sunday Love »
20. FOXYGEN - Follow the Leader »

20 Álbuns: 
1. KEVIN MORBY - Singing Saw
2. DAVID BOWIE - Blackstar
3. BIG THIEF - Masterpiece
4. RYLEY WALKER - Golden Sings That Have Been Sung
5. JULIANNA BARWICK - Will
6. ANGEL OLSEN - My Woman
7. CASS McCOMBS - Mangy Love
8. LAURA GIBSON - Empire Builder
9. RADIOHEAD - A Moon Shaped Pool
10. WHITNEY - Light Upon the Lake 
11. THE DIVINE COMEDY - Foreverland
12. ANDY SHAUF - The Party
13. JESU/SUN KILL MOON - Jesu/Sun Kill Moon
14. DRUGDEALER - The End of Comedy
15. BADBADNOTGOOD - IV
16. DEVENDRA BANHART - Ape In Pink Marble
17. CASE/LANG/VEIRS - Case/Lang/Veirs
18. ALEX CAMERON - Jumping the Shark
19. WEYES BLOOD - Front Row Seat To Earth
20. LEONARD COHEN - You Want It Darker

20 Concertos:
1. BRIAN WILSON, Primavera Sound, Porto, 10 de Junho »»
2. CAR SEAT HEADREST, Primavera Sound, Porto, 11 de Junho »»
3. KEVIN MORBY, Auditório de Espinho, 25 de Novembro »»
4. WILCO, Palácio de la Opera, A Coruña, 29 de Junho »»
5. PETER BRODERICK, Casa da Música, Porto, 3 de Novembro »»
6. SCOTT MATTHEWS, Casa da Criatividade, São João da Madeira, 28 de Outubro »»
7. ALEX CAMERON, Café Au Lait, Porto, 20 de Outubro »»
8. CATE LE BON, Primavera Sound, Porto, 11 de Junho »»
9. WEYES BLOOD, CCVila For, Guimarães, 3 de Dezembro »»
10. LAURA GIBSON, CAV, Coimbra, 16 de Setembro »»
11. PJ HARVEY, Primavera Sound, Porto, 10 de Junho »»
12. ORCHESTRA OF SPHERES, Teatro Rivoli, Porto, 3 de Junho »»
13. ALEX ZHANG HUNTAI, DAVID MARANHA, GABRIEL FERRANDINI, Serralves em Festa, Porto, 5 de Junho »»
14. JULIANNA BARWICK, GNRation, Braga, 28 de Novembro »»
15. HEATHER WOODS BRODERICK, Convento de São Francisco, Coimbra, 18 de Novembro »»
16. CASS McCOMBS, Primavera Sound, Porto, 10 de Junho »»
17. KRISTIN McCLEMENT, O Meu Mercedes..., Porto, 4 de Abril »»
18. WILD NOTHING, Primavera Sound, Porto, 9 de Junho »»
19. HANNA HEPPERSON, Maus Hábitos, Porto, 13 de Outubro »»
20. JACCO GARDNER, CCVila Flor, Guimarães, 23 de Janeiro »»

10 Low:
. a imprevisibilidade explosiva de uma Trumpalhada;
. a fatal arrogância tuga de um ministro da cultura ;
. a confusão brasileira a cheirar a golpe num país adiado;
. o cartaz fraquinho, fraquinho de Paredes de Coura;
. um incómodo Nobel literário;
. a lenta e tardia saída inglesa da UE;
. a confusão anárquica do trânsito na baixa do Porto;
. a degradante prisão de um fugitivo em directo televisivo;
. a quase extinção da crítica musical no "Ipsilon/Público";
. George Martin, Prince, Sharon, Cohen, Bowie... Peace!

10 High:
. o minuto 109, o chuto do Éder, o delírio colectivo, o melão francês;
. um presidente da república em modo pop eficaz;
. a conversa e os autógrafos com os seis Wilco, finalmente;
. o novo homem ONU, um português de consensos... esperemos;
. a polémica José Cid vs Bragança de que já ninguém se lembra;
. a menina Cate Le Bon no Parque da Cidade... uau!
. ter os famosos Miró depositados, mas à vista, na cidade;
. a boa onda colectiva embalada pelas canções de Brian Wilson;
. o regresso do bom vinil à radio pela mão de Joaquim Paulo/Antena3;
. a chegada serena dos 50 entre amigos e família!

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

PRIMAVERA SOUND PORTO: OS NOMES!

Vejam o filme rodado na Invicta e descubram os nomes para o próximo Primavera Sound Porto! Algumas boas surpresas e, como sempre, algumas desilusões. Check!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

JULIA HOLTER, PRIMEIRA SESSÃO!





















A reputada casa inglesa Domino Records tem para o novo ano uma grande aposta - uma série de discos reunidos sob o nome de "Documents" onde alguns artistas do seu catálogo são registados em actuações ao vivo de grande qualidade e fidelidade mas sem a presença de público. A inspiração provem das clássicas BBC Sessions e os takes são resultado de um ou dois dias num estúdio londrino tal como acontece com o primeiro volume a editar no final de Março. A escolhida foi Julia Holter que em Agosto passado juntou a banda no lindíssimo Rak Studios para uma colecção de, pelo menos, dez canções sob o título de "In The Same Room", nome de um original saído no álbum "Ekstasis" de 2012. Aqui fica um primeiro e inebriante avanço...

MERCADO 48, DOIS ANINHOS!

























O Mercado 48 na Rua da Conceição está a comemorar o segundo aniversário e depois do Chico Ferrão no passado sábado, chegou a nossa vez de tirar o pó aos discos entre compras únicas e lindas e um copito para aquecer. Haverá ainda a oportunidade de apreciar as novas ilustrações da amiga Cristina Costa, o que é sem dúvida um privilégio. Apareçam, é já amanhã!

JOSH ROUSE SEM PROBLEMAS!

O regresso já por aqui anunciado de Josh Rouse aos EP's inclui a fabulosa versão de "Trouble", original de Lindsey Buckingham dos Fletwood Mac editado em 1981, que Rouse tinha somente incluído num single de vinil saído a meias com os The Autumn Defense em 2014. Um clássico nada problemático de um verdadeiro clássico!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

RE(LIDO) #84





















LÍRICAS COME ON & ANAS
de Rui Reininho. Lisboa; Editora Palavra, 2006
Agora que os GNR perfazem a bonita idade de 35 anos já comemorados ao longo dos últimos meses com concertos seleccionados, agora que está prometida mais uma incursão apoteótica para o Coliseu do Porto marcada para Fevereiro, agora que até já regressamos em Março passado a um dos seus concertos de apresentação do mítico álbum "Psicopátria", agora que há já uma biografia oficial a que ainda não deitamos o olho, estava na hora de tirar da prateleira este livrinho! Comprado ao desbarato numa daquelas tendas livreiras instaladas junto ao metro ou comboio, a edição reúne as líricas que Rui Reininho foi inventando para as canções dos GNR desde o "Independança" de 1982 até "O Lado dos Cisnes" de 2002, uma colectânea notável de ironia, sarcasmo, humor e amor de um "poeta da canção" sem igual no que à pop portuguesa diz respeito. Impressas em papel couché que imita os antigos cadernos antigos de 30 linhas, foi ainda com surpresa e muito prazer que relemos as letras de muitas das canções que fomos durante largos anos trauteando em dezenas de espectáculos do grupo e que, instantaneamente, cantarolamos baixinho enquanto mudamos de página. Descobrimos, entretanto, muitas outras líricas de cançonetas mais recentes e que, por termos "desligado" dos discos desde "Valsa dos Detectives" em 1989, acabamos por só agora dar mais atenção - gostamos particularmente de um "Digital Gaia" em que quase nos reconhecemos... A veia poética e literária de Reininho é, por isso, uma torrente assinalável de modernidade e que, para o bem e para o mal, marcou uma certa "portugalidade" pop-rock que deixou marcas em várias gerações, principalmente aquela como a nossa que viu a banda passar dos pequenos palcos (o da noite na discoteca "Dacasca" ali para os lados de Esmoriz ficou-nos sempre na memória) para os estádios esgotados. Um percurso de proximidade, da Rua do Heroísmo até à Granja ou Leça, que esta obra ajuda a recordar de forma agradável e a que se junta uma segunda parte chamada "Retrato incompleto da vida do poeta enquanto estrela pop, a partir de recortes escolhidos mais ou menos ao acaso" em que se dá conta de uma série de fotografias, recortes de imprensa ou entrevistas de um artista ainda e sempre imprevisível e incontornável. Um verdadeiro camone...        





domingo, 4 de dezembro de 2016

WEYES BLOOD, CC Vila Flor, Guimarães, 03 de Dezembro de 2016

















Demorou algum tempo a encontrar o caminho certo para um concerto de Weyes Blood! As anteriores visitas a Braga e Vila Real escorregaram-nos "entre os dedos" e desta vez não podíamos falhar a oportunidade dourada de uma data em nome próprio logo agora que há um magnífico disco para apresentar - "Front Row Seat to Earth" de 2016 - em suporte banda. A jovem Natalie Mering reúne todos os condimentos para um estrelato justo e merecido - grandes canções, líricas imagéticas e atraentes, uma voz cristalina e doce, uma sóbria e sábia presença em palco, todo um conjunto que arrasta uma dose certa de mistério e magia. Tudo isto foi rapidamente confirmado no pequeno auditório do espaço nobre de Guimarães, uma noite de final de tournée intensa e cansativa e, coindidência, de audiência sentada mais que pronta para o recital. O reportório desfiado quase seguiu o alinhamento do mais recente álbum, havendo ainda tempo para a recordação de alguns (já) clássicos como "Hang On" ou "Bad Magic", ficando para os encores em registo a solo e de guitarra em punho mais dois monumentos obrigatórios: "In the Beginning" e o arrepiante "Cardamom" a que se juntou uma extraordinária versão de "A Certain Kind", canção que Robert Wyatt escreveu para a estreia dos Soft Machine em 1968. Uma fascinante viagem sonora que prova o talento de uma artista sedutora que urge descobrir e divulgar sem rodeios. Cá a esperamos na primeira fila, possivelmente sentada e relvada, do principal festival da Invicta na Primavera...

Fotografias: Nuno Mendes / Luzimentos

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

UAUU #356

(RE)VISTO #66





















GIMME DANGER
de Jim Jarmusch. EUA, 2016. 
porto/post/doc, Teatro Rivoli, 30 de Novembro de 2016
A admiração de Jim Jarmusch por Iggy Pop e pela sua figura revolucionária do pré-punk americano conduziu-o na aventura de realizar um filme sobre o assunto. Já o tinha feito com Neil Young em 1997 com "The Year of The Horse" sem grandes deslumbramento mas com enorme competência e, por isso, mais valia não arriscar demasiado. Concentrando a narrativa no período mais febril da banda iniciado em 1969 com o primeiro disco homónimo e o derradeiro "Raw Power" de 1973 e com esse monumento chamado "Fun House" de 1970 pelo meio, Jarmusch põe literalmente Iggy Pop a falar em nome próprio sobre os altos e baixos de um trajecto intenso, rápido, demasiado rápido, dos The Stooges, uns estarolas sem freio, sem medo e no fio da navalha do rock. Um perigo instalado numa época de "paz & amor" a precisar de rompimento, agressividade e assalto a um mundo da música demasiado comodista - banda nova, bons concertos, contrato imediato, vender muitos discos e... lucro! Iggy Pop, personagem que sempre nos sugeriu inexplicavelmente alguma antipatia, cedo tentou não se amarrar a este status quo dito capitalista e a ousadia teve obviamente consequências que são relatadas naturalmente e até de forma humorística em testemunhos diversos dos próprios músicos. Contudo, o documento mesmo socorrendo-se de variadas imagens de filmes antigos, banda desenhada e punch-lines que nos fazem sorrir, acaba por no final soprar uma baforada de tristeza em que o mundo do rock é pródigo e que alia o exagero à droga e, consequentemente, à morte. Mesmo que o resultado seja, mais uma vez, de uma enorme competência, só o facto de termos o privilégio, nos tempos que correm, de assistir à projecção de tamanha aventura numa sala de cinema composta, interessada e atenta é a melhor homenagem que se pode fazer a uma banda essencial que adubou sem fertilizantes (ok, houveram alguns...) muitas das boas raízes da música moderna.