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domingo, 26 de janeiro de 2020

HAND HABITS + ANGEL OLSEN, Hard Club, Porto, 24 de Janeiro de 2020

A noite de música portuense estava esgotada e logo à entrada se percebia a enchente compacta. Na tentativa de estudar a melhor forma de chegar até à frente, subimos ao único piso superior do espaço enquanto a menina Meg Duffy aka Hand Habits tinha já iniciado o leve aquecimento. Na companhia de um baixista e um baterista, o trio teve tempo para meia dúzia de canções do último álbum "placeholder", uma desfiar de pérolas que mereciam melhor som e mais atenção o que no local panorâmico onde nos encontrávamos alcançou laivos de desrespeito em jeito de bar fumarento em fim de noite. Conversas de surdos, que podem confirmar nas imagens abaixo e que nos levam a suspirar por uma melhor oportunidade.



Vamos lá, toca a furar em zigue-zague entre uma plateia estacada há muito na expectativa de uma proximidade compensadora a uma artista "nacionalizada" de forma consistente nos últimos anos. Angel Olsen soube sempre testar, medir e acarinhar uma relação de primazia com o público português cimentada em estadias/concertos proporcionalmente crescentes à excelência artística e com um cume atingido em "All Mirrors", álbum que serve de base à corrente digressão europeia.

Como confessado pela própria mesmo antes do final da noite portuense, as restantes datas no velho continente serão sempre um decréscimo previsível de qualidade e partilha, um privilégio talvez exagerado mas logo notado na tensão e cumplicidade emitidas entre o palco e os fiéis atentos e expectantes. A ultra-dimensão da celebração teve sempre uma alcance imaculado por um septeto de músicos rodados na excelência dos instrumentos, das canções e dos seus andamentos, fosse a dupla de cordas a prolongar o prazer fosse o desafio das guitarras vibrantes a electrizar os corpos em jeito de descarga.

Da sublimação sonora de "Lark" até ao "é um hit que não é hit" "Shut Up Kiss Me", passando por esse dissolvente catártico chamado "Endgame", foram muitos os momentos de puro deleite que continua a ser ouvir esta voz e este jeito de encantar desencantando mas, caramba, aquele "Chance" no encore pelo qual tanto ansiávamos só veio culminar um serão apertado nos corações que batem mais forte no soletrar baixinho e involuntário das letras e no quase não respirar dos silêncios. E isso, não sendo magia negra, é feitiço daquele que brilha maravilhosamente nos nossos olhos...   

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

ASMÃA HAMZAOUI, ISSO MESMO...

























O bonito cartaz de cima que promove a próxima digressão por Espanha do colectivo marroquino Asmãa Hamzaoui and Bnat Timbouktou é mesmo para levar a sério - trata-se de uma oportunidade dourada para testar uma nova geração de jovens mulheres Gwana que apostam na música para romper com o patriarcado tradicional que as impedia de actuar em público ou sequer tocar instrumentos de som.

Ao comando está a jovem de 27 anos Asmãa Hamzaoui, filha do conhecido músico Rachid Hamzaoui, com quem aprendeu desde tenra idade a tocar o guembri, um género de viola de três cordas usada para acompanhar o pai em cerimónias e celebrações, uma presença feminina envolta em taboos e proibições. Corajosa, formou em 2012 os Bnat Timbouktou para a acompanhar e desde aí as audiências interessadas não deixaram de aumentar em digressões pela Europa e E.U.A. e um disco de estreia há muito reclamado - "Oulad Lghaba!" é por isso um milagre de libertação e uma festa espiritual que merecerá uma qualquer viagem rápida e intencional a Vigo (Radar Estudios, dia 21 de Fevereiro) só para a imersão purificadora!       




terça-feira, 21 de janeiro de 2020

BILL CALLAHAN, O DESEJADO!















O regresso ao vivo suspirado, ansiado e desejado de sua excelência Bill Callahan está confirmado para o final de Maio. Assim, em nome próprio, sempre é melhor que no meio de um qualquer turbilhão indesejado marcado para o Parque da Cidade uma semana depois!




quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

SESSA, NOVO ANO EM GRANDE!















A apropriação da expressão "a música brasileira a gostar dela própria" talvez seja uma adequada sugestão para introduzir aos mais incautos a estreia do brasileiro Sessa nos grandes discos. Registado na cidade natal de São Paulo, há nesse trabalho uma exploração aparentemente simples da bossa nova ou da MPB mas onde vai pairando uma neblina psicadélica de textura muito própria que o passado embrenhado na banda Garotas Suecas certamente adensou e enraizou em letras arrojadas e surpreendentes. O disco, "Grandeza" de seu nome em homenagem ao seu país de variadas imensidões, saiu libertado no dia 25 de Abril do ano passado pelas casas Boiled (EUA) e Risco (Brasil) e foi logo devidamente apresentado ao vivo por terras brasileiras e americanas, mas o regresso ao norte do continente tem reforço agendado já em Fevereiro.

Chegará, depois, a vez da Europa. Em Portugal, a nobre Lovers & Lollypops fará o obséquio de o publicar em vinil já em Março seguindo-se em Abril a oportunidade de o ouvir testado e rodado nas datas ao vivo de 7 de Abril, terça, nos Maus Hábitos e dia 11 de Abril no MusicBox lisboeta. Para o Porto já há bilhetes. Grandeza!



terça-feira, 14 de janeiro de 2020

MATT ELLIOTT, REPETE-SE A DOSE!














Passaram três anos sobre "The Calm Before", o magnífico álbum de Matt Elliott merecedor de todos os elogios e que teve direito a várias apresentações ao vivo como a que presenciamos na altura em Espinho. Aproxima-se uma programação semelhante: um disco novo de nome "Farewell to All We Know" na casa francesa Ici D'Ailleurs a sair em Fevereiro (entretanto, a editora pôs cá fora em Novembro uma seleccionada compilação digital de oito temas) e uma digressão europeia já com pelo menos uma data portuguesa confirmada - sexta-feira, 3 de Abril, Centro Cultural Vila Flor em Guimarães. Uma dose que se repete com gosto!

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

AO PIANO ENTRE VILA REAL E O PORTO!




























Não, não é ainda uma nova edição do Piano Day que está, aliás, já marcada para o próximo dia 28 de Março mas pode ser um gostoso aquecimento. No âmbito do apreciável FAN - Festival de Ano Novo 2020 promovido pelo Teatro de Vila Real, evento que aposta, entre outras, na música dita erudita de andamento clássico ou contemporâneo, estão programados concertos de pianistas a que se deve dar atenção: dia 18 de Janeiro, o próximo sábado, a francesa Christine Ott subirá ao palco do pequeno auditório do referido teatro enquanto o jovem inglês Simeon Walker encerrará o festival no dia 1 de Fevereiro, também sábado, no espaço do Clube de Vila Real.

Outra boa notícia é que, na véspera das suas actuações em Trás-os-Montes, ambos passarão pela cidade do Porto para pequenos showcases de fim-de-tarde (18h00?) na FNAC Santa Catarina da baixa. Entrada gratuita!



sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

FEVEREIRO, PONHAM-SE À TABELA!


















Pode ser até o mês mais pequeno do ano mas o próximo Fevereiro adivinha-se em grande no que aos concertos por perto diz respeito. Mesmo incompleto, aqui fica o aviso em forma de tabela!

BANDA /ARTISTA
DIA
HORA
LOCAL
PREÇO
M. WARD
1, Sábado
21h30
CIAJG, Guimarães
7€50
JAMES RHODES
1, Sábado
21h30
Teatro Afundacíon, Vigo
25€
FAT WHITE FAMILY
4, Terça
21h00
Hard Club, Porto
23€
CHICO BERNARDES + CAROL
6, Quinta
22h00
Maus Hábitos, Porto
6€
MICAH P. HINSON
14, Sexta
23h00
Plano B, Porto
10€
BLANCK MASS
14, Sexta
22h30
Teatro Rivoli, Porto
7€
DEVENDRA BANHART + VETIVER
15, Sábado
21h00
Hard Club, Porto
30€
THE LAST INTERNATIONALE
15, Sábado
21h30
Theatro Circo, Braga
12€
BIG THIEF
18, Terça
21H00
Hard Club, Porto
21€
EMILY JANE WHITE
21, Sexta
?
TDB, Ponte de Lima
?
VLADISLAV DELAY QUINTET
21, Sexta
22h30
GNRation, Braga
7€
TINDERSTICKS
22, Sábado
21h30
Casa da Música, Porto
28/32€
MOMO
23, Domingo
16h00
Teatro VAlegre, Ílhavo
0€
PATRICK WATSON
24, Segunda
21h30
Casa da Música, Porto
28/33€
KELLY FINNIGAN
29, Sábado
21h30
Auditório de Espinho
8€

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

M. WARD, ÁLBUM E CONCERTO!












Já por aqui lamentamos o desprezo com que tratamos da vinda de M. Ward ao Porto em 2012 e, por isso, agora não haverá desculpas nem adiamentos. A data certa e imutável é o dia 1 de Fevereiro, Sábado e o local apropriado é a Black Box do Centro Internacional de Artes José Guimarães em, claro, Guimarães para uma apresentação que se adivinha em modo solitário. Há novo álbum para experimentar denominado "Migration Stories" onde cabem onze temas precisamente sobre a migração humana, as sua condicionantes e implicações em histórias repetidas através dos jornais ou televisão mas também escutadas e vasculhadas na própria família. O disco sairá na Anti-Records no início de Abril, um registo aprofundado e concluído nos estúdios de Montreal dos Arcade Fire. Deixamos um primeiro exemplar... 


quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

EMILY JANE WHITE, REGRESSO AO VIVO!












Como sugerido já em Setembro passado, a menina Emily Jane White tem regresso marcado a Portugal para uma dose dupla de concertos, a saber, no dia 20 de Fevereiro, quinta-feira, no Salão Brazil em Coimbra e no dia seguinte no Teatro Diogo Bernardes em Ponte de Lima. A digressão serve para a apresentação do excelente álbum "Immanent Fire" para o que terá a ajuda do guitarrista John Courage e do baterista Dan Ford.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

NO CAMINHO DE SÃO LEE FIELDS!
















Confessamos, desde já, alguma tristeza ao olhar para o recorte do mapa ibérico que anuncia a próxima digressão de Lee Fields & The Expressions para a vizinha Espanha sem contemplar qualquer sinal de aproximação ao nosso rectângulo invisível...

Sendo assim, a decisão está tomada - atendendo às oportunidades perdidas para ver um dos últimos senhores da soul é desta que faremos o caminho até Santiago de Compostela no dia 10 de Maio, Domingo, do próximo ano. Bom caminho!



KELLY FINNIGAN, NATAL DE PROXIMIDADE!





















Agora que estamos oficialmente a uma semana do dia Natal chegou a hora de receber prendinhas que, mesmo ainda imateriais, sabem sempre bem - é o caso de "Heartbreak for Christmas", canção do jovem fenómeno soul Kelly Finnigan registada num single verdinho de vinil prontinho a embelezar qualquer colecção. O antigo frontman da banda Monophonics lançou este ano em nome próprio o álbum de estreia "The Tales People Tell" do qual foram já retirados pelo menos duas canções passadas a rodelas pequenas, um hábito salutar que agradecemos e que a sua faceta de Dj não dispensa.

Mas a esta prendinha deve juntar-se uma presença obrigatória no concerto único em território nacional que se anuncia para dia 29 de Fevereiro, Sábado, no Auditório de Espinho, onde contará com a ajuda do septeto The Atonements de São Francisco, uma festa de proximidade de sabor cem por cento soul como convêm...   


sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

EXIT NORTH NA CASA DA MÚSICA!

























É a maior notícia de 2019 sobre 2020: os Exit North de Thomas Feiner e Steve Jansen tocam na Casa da Música a 27 de Setembro do próximo ano, cumprindo um desígnio suspirado há anos... Eia, eia!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

DISTANCE, LIGHT & SKY A CURTA DISTÂNCIA!










O projecto Distance, Light & Sky que junta Chantal Acda e Eric Thielemans a Chris Eckman dos Walkabouts iniciado em 2014 terá estreia ao vivo portuguesa já em Janeiro com, pelo menos, um concerto no Theatro Circo de Braga no dia 10, sexta-feira. Na bagagem há dois álbuns plenos de melancolia aquecedora para fazer subir a temperatura...



sábado, 7 de dezembro de 2019

LAURE BRIARD, Maus Hábitos, Porto, 5 de Dezembro de 2019

A jovem francesa Laure Briard marcou dez datas pelo país para dar a conhecer um pouco melhor as suas canções depois de uma primeira investida em 2018 ao lado de Michelle Blades. Há hora marcada a sala portuense estava, no entanto, deserta e nas redondezas não se notava sequer qualquer sinal de agitação ou movimento apesar da bilheteira estar aberta e as luzes acesas. O que fazer?

À boa maneira tuga, prolongou-se a espera mais quarenta e cinco minutos na expectativa que alguém aparecesse por milagre de nossa senhora mas certo é que o prodígio haveria de gerar somente uma quinzena de corajosos reunidos na frente do palco para que o trio pudesse finalmente actuar. O que esperar?

Apesar de tudo, uma boa dose de avant-pop bem feita onde a influência dos Stereolab ou mesmo dos Belle & Sebastian se fez facilmente notar a que se juntou uma sedução pela bossa nova e o tropicalismo em forma de canção a venerar Jorge Ben Jor ("Jorge") ou no encosto psicadélico aos amigos Boogarins ("Coração Louco" ou "Cravado"). O soletrar trôpego das letras em português claro que acrescentou algum exotismo sorridente mas Briard não se importou ou desculpou com minudências alternando outras cantigas em francês ou inglês para o que foi empunhando com afinco as baquetas de dois tambores, a pandeireta ou uma maraca a jogarem na perfeição com o teclado e a virtuosa guitarra. Pena que tamanho repasto musical só tenha sido saboreado por tão reduzida plateia. O que dizer?

Talvez algo muito francês à Jacques de La Palice: "Se não há concertos é porque sim, se há concertos é porque não"... ou o contrário!

terça-feira, 26 de novembro de 2019

KIWANUKA É DE CRISTAL!













Pode ser a nossa estreia no Pavilhão Palácio Rosa Mota Super Bock de Cristal - Michael Kiwanuka chega ao vivo e a cores ao renovado espaço da Invicta no dia 9 de Maio de 2020, sábado, passando na véspera pelo Campo Pequeno da capital. Parece, assim, que mais uma aspiração antiga se vai cumprir e logo agora que há um álbum homónimo de excelência para apresentar! 

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

THE MOUNTAIN GOATS, Café & Pop Torgal, Ourense, 23 de Novembro de 2019













Se a montanha não vai a Maomé, vai Maomé à montanha...
Como a súplica desesperada não se concretizou, não havia como não cumprir irremediavelmente o ditado e, lá está, por entre montanhas e vales, dar um pulo a Ourense para não perder John Darnielle e os seus, lá está outra vez, The Mountain Goats de eleição. Pareceu não termos sido os únicos portugueses a fazê-lo atendendo a algum do linguajar que pairava no simpático bar galego mas cuja dimensão se afigurou de presumível tacanhez para o almejado e pleno desfrutar das canções.

O sinal de aviso vermelho foi dado por Laura Cortese, artista já em plena actuação de aquecimento quando descíamos a curta escada, ao informar, entre risadas, que tinha dispensado e despachado para Lisboa os seus The Dance Cards - supostamente, um baixista e uma violoncelista - por não caberem no palco, melhor, no estrado do recinto. Nada, contudo, que tivesse assustado Darnielle e o parceiro Matt Douglas uns momentos depois a contornar o balcão e o público de copo na mão até chegar ao recanto iluminado. Atacaram "Estate Sale Sign" como não houvesse amanhã e, mesmo sem vislumbrarmos os instrumentos, lá fomos reparando na boa disposição e entrega da dupla apostada em cumprir um alinhamento de proximidade e auto-satisfação. Talvez a recordar velhos tempos de apresentações semelhantes na pacatez de um club, à forma animada e informal da postura Darnielle foi sobrepondo introduções das canções num castelhano aceitável como resultado de muitas horas em frente à televisão, um mundo muito próprio que saltou de história em história em temas como "No More Tears" e o seu "drifting like a Portuguese man o' war/pretty hardcore" ou em "Younger" pleno de subtileza pelo saxofone flutuante de Douglas.

Já a solo e sem escolhas pré-definidas, aceitaram-se sugestões a que respondemos com um tímido "Get Lonely" mas alguém gritou mais alto "Damn These Vampires" a que se juntou "Baboon", mais um pedido vindo do público. O regresso do companheiro haveria de elevar a perfomance a um patamar de festa que ficou mais rija e participada com a ajuda do violino de Laura Cortese sentada numa lateral do balcão para três das melhores canções - a saber, "Cadaver Sniffing Dog", "Doc Gooden" e "Sicilian Crest" a que só faltou "An Antidote for Strychnine" - do último álbum "In League With Dragons", o décimo sétimo em quase trinta anos de carreira.

O efeito inesperado e exótico dessas cordas friccionadas haveria de prolongar-se no encore de imediato requisitado onde às canções foi acrescentado um calorento coro colectivo, muitas palmas e até uma piada do próprio quanto ao que seria fazer uma semana inteira de apresentações seguidas no local... Talvez fosse melhor não dar ideias!

domingo, 24 de novembro de 2019

ROBERT FORSTER, Passos Manuel, Porto, 22 de Novembro de 2019













Passaram mais de trinta anos sobre a estreia dos The Go-Betweens na cidade. No palco do Vale Formoso um trio ainda ferido na asa haveria de conseguir o êxito pleno, transformando a noite primaveril de 1989 num momento lendário da história da música ao vivo da Invicta. Não admira, assim, que a concentração de cinquentões no bar do Passos Manuel, daqueles como nós que já não conseguem ler mensagens do telemóvel sem óculos do chinês, tenha nessa memorável data o motivo principal da conversa prévia e, já agora, de uma reunião informal e quase comemorativa através do regresso festejado de um dos seus principais protagonistas - Robert Forster que ao lado de Grant McLennan escreveu e cantou canções de eleição, mania salutar que, para sorte nossa, continua ainda a praticar em estúdio e ao vivo.

Foi já a tocar a sua guitarra acústica que o australiano subiu a rampa e os degraus até ao palco para uma imparável sequência de memórias e novos temas. Afastada a luz que lhe cegava os olhos e depois de uns goles de águas-das-pedras, começaram então mais de noventa minutos de partilha de vinte e uma peças de uma colecção sem preço, onze das quais sacadas da "sala principal The Go-Betweens" para prazer da plateia saudosa. A força de muitas delas, como por exemplo "Here Comes a City" ou "Spring Rain", continua viril, sedutora e irresistível, uma limpidez eterna que a acústica da sala engrandeceu de forma viçosa perante um Forster bem disposto e surpreendido pela recepção calorosa e preparado para, mesmo sozinho, impressionar a antiga sala de cinema portuense. 

É que a prevista participação de Karen Baeumier, esposa e amiga que ajudaria no violino e vozes não se concretizou por doença do pai alemão, aproveitando a escusa para apresentar "German Farmhouse", mais uma história de vida inspiradora de cantigas que se juntou a tantas outras que insistiu em contar de forma quase nonsense para uma cortês risota geral. A vincada nota dada a um tal guitar solo na magnífica e recente "Life Has Turned the Page" foi esse nível imbatível, confirmando, no entanto, as suas capacidades inatas em manejar uma guitarra de forma imaculada.

Atendendo à logística das instalações, o encore habitual foi acertado de comum acordo com a manutenção em palco onde "Surfing Magazines", cantado parcialmente a capella, haveria de ter o condão de acender as luzes da plateia para que, olhos nos olhos, se pudessem confirmar os sorrisos e as vibrações dos dois lados da contenda nocturna. Afinal, a forte ovação em pé a este velho amigo rock 'n' roll que não víamos há décadas foi só uma forma espontânea de lhe agradecer a presença e, acima de tudo, a persistência. Return, yeah! 


segunda-feira, 18 de novembro de 2019

O TERNO + JOHN GRANT, Festival Para Gente Sentada, Theatro Circo, Braga, 16 de Novembro de 2019

fotografia: facebook do FPGS














Atendendo ao passado recente de concertos e ao futuro anunciado de regressos, diremos que Tim Bernardes e os restantes parceiros Peixe e Biel, que perfazem o trio paulista O Terno, são já visita da casa. Essa proximidade foi notória desde a entrada em palco, repetindo-se uma disposição sentada - ora nem mais - e informal que presenciamos em Junho passado no ar livre do Parque da Cidade e o já típico trajar cândido. Aproveitando, desta vez, a presença de um grande piano a pensar, certamente, no artista seguinte, surgiram excelentes variações a partir das teclas que então não foi possível ouvir e uma luminância de excepção a fazer realçar os instrumentos, as palavras ou simplesmente a voz mas será de apontar que nem sempre o botão do volume do som é para subir... é que ele também desce, o que em alguns dos trechos fez alguma falta.

O alinhamento não demorou a despertar aplausos e coros ténues em canções como "Pegando Leve" ou "Volta e Meia", exemplares agora mais conhecidos do último "atrás/além" e de onde se retiraram a maioria dos temas. Pena que ao fim de oito canções e quando o concerto parecia estar a ganhar espessura e sabor e, precisamente, depois de dois gostosos pedacinhos mais antigos como "Culpa" e "Volta", se tenha desligado o "forno" com a desculpa rigorosa de "ser um festival" e, como tal, não haver tempo para mais (quarenta e cinco minutos) por entre assobios e aplausos de uma plateia desconsolada. E que tal começar meia hora antes?         

fotografia: facebook do FPGS














Já passaram oito distantes anos desde a estreia de John Grant no Auditório de Espinho em versão na altura quase solitária e, salvo o erro, atenuada pela presença do teclista Chris Pemberton. O regresso, apesar de não previamente divulgado em que formato iria acontecer, repetiu-se na mesma fórmula e parceria. A sala de visitas bracarense sugeria ser, assim, o espaço ideal para um novo expurgo maioritariamente ao piano de uma colecção já notável de canções mesmo que a execução original de muitas delas que Grant trouxe depois ao Porto em 2014 ao lado de uma verdadeira banda tenha o condão de ter deixado um imenso lastro de boas memórias vincadas por orquestrações grandiosas e animada perfomance.

Sorridente, quando já sentado aproximou o microfone para dar sequência ao acorde inicial e se ouviu "your beauty is unstoppable" de "Where Dreams Go to Die" naquela voz inconfundível, estava dado o mote para uma longa e imensa lição pop quanto à composição moderna diz respeito em dezassete andamentos de uma carreira consistente e, assumidamente, arriscada. A duração, exagerada para alguns mas de um efeito narcótico para a maioria, deu oportunidade a pedidos de temas preferidos como foi o dessa maravilha do tempo dos The Czars chamada "Drug" que alguém reclamou alto e bom som a partir da plateia o que se repetiu com "Caramel" ou "GMF" a encerrar o serão antes do encore. De volta, faltava culminar o alinhamento com os suspirados "Sigourney Weaver" e esse clássico íntimo que custa ouvir sem incómodo saboroso que encerra o álbum com mesmo nome mas que não impediu o público de o soletrar alto e bom, sim,  Q u e e n  o f  D a n m a r k , mesmo antes de rebentarem as merecidas palmas!

domingo, 17 de novembro de 2019

SENSIBLE SOCCERS + KAMAAL WILLIAMS, Festival Para Gente Sentada, Theatro Circo, Braga, 15 de Novembro de 2019

fotografia: facebook do FPGS














A comemorar quinze anos, o conceito original do Festival Para Gente Sentada sempre nos pareceu atractivo e certeiro - convidar cantautores consagrados ou em fase de afirmação para no escuro de uma sala fazerem ressoar o produto da sua inspiração, ou seja, as canções. Foi por isso que o FPGS ganhou asas, tradição e reconhecimento mas nos últimos anos as referências foram enviesadas sem retorno com alinhamentos arriscados e estranhos em que programar para o evento sugere ser uma tarefa sem critério estreito e onde, para o mal e para o bem, cabe tudo...

A primeira noite da edição deste ano foi só a confirmação deste desalinho - sala meia vazia, camarotes despidos e uma banda plena de potencialidades como os Sensible Soccers a jogar em terreno alheio e friorento apesar do esforço e da entrega. A fusão de sonoridades instrumentais insistiu na repetição de um trecho melodioso onde as percussões crescem a olhos vistos, tudo bem feito, tudo emoldurado num colorido bem pensado mas as cadeiras e a grandeza do espaço arrefeceram, obviamente, a partilha e o afecto que nem mesmo um violino surpreendente saído de um dos camarotes ajudou a disfarçar. Demasiado "à frente", como ouvimos no corredor de saída, demasiado cedo ou, melhor, simplesmente demasiado.       

fotografia. facebook do FPGS














Substituir, por força maior, a acústica solitária de Jonathan Wilson pela modernidade jazzistica de Kamaal Williams não é claramente coisa fácil. Mesmo assim, aproveitando a presença do músico e produtor britânico, confirmou-se, sem contemplações, a diversidade e capacidade de um quarteto rítmico assinalável onde a enorme e emaranhada bateria aliada ao electrizante baixo se fizeram notar de fio a pavio. Ao comando a partir do Rhodes, o encapuçado Williams foi dando o mote sem grandes devaneios parecendo querer que fossem os outros a brilhar, nomeadamente a artéria cativante do saxofone. Entre elogios ao país e à sua "onda", não faltou o convite, logo ao segundo tema, para a dança e ao abandono das cadeiras mas a resposta foi categórica - ninguém se levantou nem nesse momento nem até ao final o que atendendo ao divertido e contagiante instrumental só pode ter sido um sacrifício colectivo! E pensar que, no mesmo teatro ou num edifício bem perto, duas salas pequenas e escurecidas estavam aquela hora vazias e, às tantas, disponíveis e adequadas para a festa e animação que se impunha...

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

FAT WHITE FAMILY, VISITA DE CORTESIA!





















Os excelentes Fat White Familly, donos de um discos do ano ("Serfs Up"), estreiam-se em Portugal em Fevereiro com concertos agendados para o Porto (Hard Club, terça-feira, dia 4) e Lisboa (Lisboa Ao Vivo, quarta-feira, dia 5). Prometida está muita animação, alguma pândega e rios de suor!