A partir de hoje há mais um single dos The Wedding Present para juntar à nossa colecção, mania antiga sempre compensadora. Trata-se de um goodie em vinil transparente com duas daquelas frenéticas canções a la David Gedge - "Jump In, The Water's Fine" e "Panama" que continuam a soar parecidas a muitas outras mas a que, vamos lá saber porquê, não conseguimos resistir. Há ainda versões limitadas em 10" e 12" para os mais aficionados.
Na capa está um desenho da Apollo 8 da responsabilidade de Darren Hayman, artista multifacetado conhecido pela sua banda Hefner mas que tem também dotes de pintor como se nota na recente exposição "12 Astronauts" dedicada à chegada à lua e que também inspirou um novo álbum a solo. O original em tela, um extra que não foi seleccionado para a mostra, foi já vendido online.
Os The Wedding Presente regressam ao Norte do país para um concerto em Vilar de Mouros no dia 22 de Agosto e, às tantas, não vamos resistir...
Ao ler o artigo da "Notícias Magazine" onde se dá conta do paradeiro incerto, para não dizer misterioso desaparecimento, das matrizes originais dos discos de José Afonso, agudiza-se não só um sentimento de tristeza mas de revolta contida mau grado todos os dignos esforços!
Caramba, se em vida os tormentos já foram muitos e inacreditáveis, basta ouvir o nosso Zeca neste premonitório "De Não Saber o Que Me Espera" para que a raiva aumente. Um desespero!
Treze anos à espera de um novo álbum de originais de Perry Blake parecia remeter o irlandês para o esquecimento mas eis que este mês surgiu, do nada, a edição de "Songs of Praise" pela Mouchin About / Pias. Trata-se de um regresso esforçado à composição de onze canções e uma versão registadas pelo próprio nos últimos dois anos aos solavancos, avanços e recuos, perfeccionismo que teve exageros (o tema "Miracle" foi gravado 78 vezes!) e, certamente, boas recompensas.
A receita, trabalhada de forma solitária na intimidade do seu estúdio de Dublin, emulsiona dois dos principais condimentos da sua música e que o notabilizaram logo ao primeiro álbum homónimo de 1998 - um certo e envolvente romantismo e uma paixão pela electrónica que reflecte, por exemplo, as colaborações com o projecto Electric Sensitive Behaviour de 2015 ou com Steve Jansen, o ex-Japan e actual Exit North a quem ajudou no disco a solo "Tender Extinction" no ano a seguir.
Para confirmar este reencontro com a boa forma, ouçam-se os notáveis "So Many Things", uma versão de um dos dois temas que escreveu para Françoise Hardy incluir no seu aplaudido disco "Tant de Belles Choses" (2004) e "Charlie Chaplin" com que se encerra o álbum de forma sublime.
O misterioso teaser de Angel Olsen lançado há dias pela rede tem mais vinte quatro horas de validade. Tudo indica que "All Mirrors" é o nome da canção a destapar amanhã com imagens a cargo de Ashlley Connor, realizadora de videos para outros temas da artista como "Hi Five" e "Tiniest Seed", mas a sua estreia efectiva decorreu já na digressão a solo do ano passado.
Lembramos bem a enérgica recomendação para o não registo desses inéditos apresentados nessa altura em Guimarães e onde se incluiu este tal "All Mirrors". Houve, aparentemente, alguém que não respeitou a proibição na soirée da Union Chappel londrina... Marcada está uma digressão de final do ano com pelos E.U.A. com as primeiras partes a cargo de Vagabon de Laetitia Tamko mas lá para Fevereiro adivinha-se a chegada à Europa.
Para descontrair, deixamos o tema escrito pela menina ao lado de Mark Ronson incluído no mais recente álbum do inglês "Late Night Feelings" a fazer lembrar um eterno quarteto pop sueco!
Ao longo dos últimos meses fomos dando alguns uauu's merecidos a canções do magnífico "Paper Castles", álbum auto-editado pela jovem sul-africana Alice Phoebe Lou em Março. Contrariando uma sensação obtida na apresentação do Festival Para Gente Sentada de Novembro último (a propósito, estranhamente ainda não há nomes anunciados para a edição deste ano... será que vamos ter festival?) que remetia para segundo plano os discos em detrimento dos concertos, a qualidade evidenciada pelo novo conjunto de originais é de uma surpreendente beleza e viciação.
A confirmação pode agora ser testada através de um registo videográfico promovido pelo canal londrino Mahogany Sessions onde são apresentadas quatro dessas maravilhas entre testemunhos na primeira pessoa, uma sofisticação titulada de "A Place Of My Own" com direito a edição virtual em forma de EP. A menina Alice toca a 14 de Agosto em Paredes de Coura
Passaram quase dois anos desde que Sam Beam akaIron & Wine se apresentou na Blue Room da Third Man Records em Nashville para, sem filtros ou retoques, fazer o habitual registo de temas directamente para vinil. Em jeito de retrospectiva, foram escolhidas dez de um reportório já longo e que, no caso, contemplou canções desde 2002 ("Southern Himn") até 2017 ("Song Stone"). Com a ajuda minimal da sua banda, o momento funciona quase como um seleccionado catálogo sonoro de refinação apurada culminado com o acurado "Naked as We Came"... eyes wide open!
Passaram três anos sobre a estreia dos Whitney com o álbum "Light Upon The Lake" no qual repousava eternamente o tema "No Woman", canção que virou clássico indie na estranha voz do jovem Julien Ehrlich, um timbre que ainda agora espanta desprevenidos mas acaba por cativar muitos outros.
Entre algumas dúvidas sobre o caminho a seguir, a dupla Kakacek e Ehrlich viu-se nessa altura embrenhada em intensas digressões que aportaram a Lisboa no Outono de 2017 para um concerto no Mexefest e uma abençoada semana de descanso, inspiração e, no fundo, trabalho. A cidade haveria de causar mossa e dependência imediata, um amor que o próprio Ehrlich não disfarçou no ano seguinte em pleno Primavera Sound ao, corajosamente, assumir a preferência pela capital perante a imensa plateia portuense. O rápido perdão tem agora remissão total.
É que o segundo esforço, o tal de base alfacinha, está quase aí, chama-se "Forever Turrned Around" e acabou registado no mesmo estúdio de Chicago onde a banda fez o primeiro disco, familiaridade e conforto de importância vital para uma eventual repetição do sucesso. A amizade, a moralidade e o romance são temáticas que as dez novas canções abraçam naturalmente mas é o amor, sempre o amor, que transborda para já em dois pedaços de irresistível sedução. Há digressão pela Europa já em Novembro próximo e será quase obrigatório o regresso ao ponto de partida...
Agora que as janelas do carro, de casa ou até do escritório são para estar abertas de par em par - ok, tirando os safados dias de nortada - a banda sonora tem que ser apropriadamente descontraída mas sem resvalar... A terceira investida da parceria de Mayer Hawthorne com o produtor Jake One akaTuxedo chega em boa hora para dar andamento e ritmo de sobra a qualquer tabuado ao ar livre numa receita escavadora de funk tardio dos setenta que de tão bem feita se torna impressiva e irresistivelmente groovy!
A colecção de canções do verão passado chamada "You Forever" a cargo de Sam Evian não têm passado de moda ou sequer murchado. Ao disco, sem prazo de validade, bastou ir refrescando as audições e para se manter vital e viçoso e de que sugerimos dois frutos maduros - "Next To You" com a ajuda de Kazu Makino (Blonde Redhead) e "Kathie's Rhodes", um aditivo nocturno que ajuda, ou não, a dormir... depende da companhia.
O jovem músico tem ao longo do corrente ano mantido uma actividade contínua, ora em digressões ao lado de Cass McCombs ora escrevendo novos temas ou versões. Em Março, a Saddle Creek publicou um sete polegadas de vinil com duas canções inéditas para acrescentar ao rol de maravilhas - "Cherry Tree" e "Roses" confirmam dotes encantatórios - e surge agora uma surpreendente versão para "Right Down the Line", uma canção de Gerry Rafferty que abalou o verão de 1978 e que nos últimos tempos tem atraído inúmeras vénias - de Ron Sexsmith a Vampire Weekend, passando pela princesa Aldous Harding como ouvimos no Parque da Cidade, não há quem resista...
O mês de Agosto de 2017 foi para Shannon Lay o momento de assumir a música como forma de vida, arriscando o despedimento do emprego diário de maneira a concentrar a atenção na composição e registo das suas canções. Aperfeiçoando o estilo, seleccionando as partilhas e experiências com os amigos de ofício, o risco valeu o magnífico álbum "Living Water", um cartão de visita seguro e distinto com que se apresentou a solo em muitos palcos americanos e europeus como ficou provado na passagem pelos Maus Hábitos no inverno do ano passado ao lado da violinista Laena Geronimo.
Chegou, entretanto, a altura de continuar a insistir no talento. Ao longo da referida digressão Lay teve o tempo e a argúcia para compor novos temas que se agrupam no terceiro álbum de originais a sair em Agosto e que se chama... "August", uma homenagem propositada ao tal mês da libertação. O disco conta com a ajuda do amigo Ty Segall na cedência e manobra do seu estúdio pessoal e também de Mikal Cronin que, a propósito, tem um papel efectivo de saxofonista no tema e no novo video para "Death Up Close". Tudo muito a gosto!
Dica: não deixem de ouvir a versão surpresa que e menina fez de um tema de Karen Dalton para comemorar a sua entrada na editora Sub-Pop. Está aqui.
A inquietude da belíssima Joan Shelley é, nos tempos que correm, uma dádiva impagável... Confessada a admiração pelo disco sueco de Lee Hazlewood ("Cowboy in Sweden", 1970), pelos mistérios do mar Atlântico ou até pela vontade de experimentar novas receitas etílicas (!), um anúncio de voos baratos para o Islândia conduziu-a, a medo, a esse país desconhecido de paisagens estranhas mas magníficas para registar um álbum de inéditos longe do conforto do lar.
Ao longo de cinco dias num estúdio de Reiquiavique reuniram-se esforços das habituais parceiras Maiden Radio, de Bonnie "Prince" Billy, do guitarrista Nathan Salsburg, das cordas das manas Jónsdóttir e do produtor James Elkington, que brotaram em doze canções de semente diversa, do conterrâneo country do Kentucky, passando pelo tradicional folk irlandês ou até a música africana.
O resultado, titulado de "Like the River Loves the Sea" a partir de um tema do mestre Si Kahn e que foi posteriormente retocado pro Daniel Martin Moore e Kavin Ratterman, pretende lembrar-nos que todos precisamos de um lugar de conforto e reflexão, seja ele físico ou não, estímulo que com esta banda sonora é obrigatoriamente mais compensador. Atendendo ao efeito da paisagem desenhada na capa, esperamos, em paz e em suspenso, uma visita tridimensional... sem muitas demoras!
Em tempos de incerteza, cansaço e até resignação, os Wilco apostam em onze canções novas para um álbum, o décimo primeiro, chamado "Ode to Joy" a sair em Outubro em casa própria, a dBpm Records. Haverá, como sempre, digressão intensa pelos E.U.A. e Europa para promover a alegria e, já agora, a liberdade de a conseguir. Aqui fica o subliminar "Love is Everywhere (Beware)" para que comece a demanda...
Bastam uns poucos acordes do nova canção de Fionn Regan para fazer crescer água na boca e nos pôr a sonhar. Chama-se "Collar of Fur", tem aquele timbre acústico maravilhoso que parece ser timbre, lá está, do novo álbum "Cala" a sair no início de Agosto e que foi inteiramente registado na sua casa litoral perto de Dublin. Há, pois, muito cherinho a maresia salgada e refinada saudade... Alvíssaras!
Praticamente estreado em Portugal nos concertos divertidos de Junho passado, o disco "Yawny Yawn" será uma versão despida das canções editadas por Bill Ryder-Jones no álbum "Yawn" saído em final de 2018, isto é, voz e piano inspirados nos Beach Boys e na necessidade de esvaziar alguma da energia dos originais com banda. A aventura estará cá fora na próxima semana através da Domino Records, tem já um bonita tiragem em vinil assinada imediatamente esgotada e segue-se em Setembro uma digressão britânica a solo que se afigura imperdível... Yamn!
"French Vanilla! Grande moca de álbum!".
A recomendação chegou via mensagem escrita para o telemóvel, provinha de fonte segura e infalível e, por isso, foi só uma questão de procurar, ouvir, ouvir e ouvir... O jovem quarteto de Los Angeles acelera num ritmo a roçar o punk-arty onde pontua quase sempre um saxofone infectuoso e caótico que transforma as canções em pedacinhos de saudoso new-wave ou não fosse a voz da vocalista Sally Spitz um género de Kate Pierson reinventada. Fresco mas rude, despretensioso mas pegadiço, ora aqui está um "take it or leave it" progressivo e que causa maior dependência em dias de sol quente, de finos gelados ao pôr-do-sol ou de madrugadas dançantes e calorentas. Perigoso!
Lá para o fim do mês sai um novo álbum de Lloyd Cole chamado "Guesswork" que assinala um reencontro ao fim de trinta anos - a presença de Neil Clarck e Blair Cowan, guitarrista e teclista dos Commotions com quem partilhou aventuras nos anos oitenta, a última das quais concretizada no disco "Mainstream" de 1987!
Mas não se pense que a parceria se traduzirá numa repetição da pop engalanada de então porque o que se anuncia é uma tendência electrónica que não receia efeitos secundários e que têm vindo a ser aprofundada nos últimos anos em projectos experimentais mais obscuros. O primeiro single "Violins" serve, para já, de rastilho e desafio para quem não tem nada a perder. O retrato da capa é da autoria do amigo Steven Linsay, artista escocês que comandou os The Big Dish, banda de que há alguns álbuns esquecidos lá para casa mas de que mantemos, pelo menos, um guilty pleasure...
Anunciada está, ainda, uma digressão britânica a partir de Outubro rotulada de "From Rattlesnakes to Guesswork" o que indicia concertos em jeito de retrospectiva e que seria bem-vinda numa noite por perto... só para matar saudades!
A jovem cantora Courtney Marie Andrews, uma das perdições aqui da casa, dicidiu passar uma semana em Lisboa num género de retiro inspirador para novas canções. O período escolhido coincidiu com as festas de Santo António do passado mês de Junho num bairro alfacinha que parece ser a Estrela, merecendo um conjunto de memórias fotográficas como a de cima onde não falta a bela da sardinha no pão!
Quanto ao efectivo resultado da residência artística/turística, pode ser que alguns dos aspirados novos temas surjam já na estreia a solo marcada para Portugal em Setembro (dia 15 no Auditório COOP no Porto e dia 17 no MusicBox em Lisboa) onde se adivinha um alinhamento acústico de muitas das canções do álbum do ano passado "May Your Kindness Remain" e que tiverem em Março uma selecção inédita registada num apetecível e bonito 12" de vinil na editora Fat Possum. O despojo, magnífico, soa assim...
O regresso dos Belle And Sebastian aos discos acontece já em Setembro com o lançamento de onze novos temas da banda sonora do filme "Days of the Bagnold Summer" que, contudo, só será estreado em 2020. Realizado por Simon Bird, a película é uma adaptação de um livro cómico de banda desenhada da autoria de Joff Winterhart de 2012, a estreia de um autor agora consagrado e que contava a história de um jovem metaleiro a preparar as férias de verão longe da mãe, um plano abortado por variadas razões...
Mesmo confessando desconhecer a novela gráfica, Stuart Murdoch aceitou de imediato o desafio atraído pela atmosfera e estilo confirmados numa leitura rápida de fim-de-semana. Entre as canções, há novas versões de clássicos como "Get Me Away From Here I'm Dying" de 1996 e "I Know Where The Summer Goes" de 1998, a confirmação de um retorno a uma sonoridade mais antiga e que o tema "Sister Budha" hoje apresentado, com video do próprio Murdoch, é exemplar. A banda têm concerto agendado para a Aula Magna, em Lisboa, no dia 6 de Novembro.