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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
LOBO #16
A paixão de António Sérgio pela música dos Kinks era indisfarçável. Lembramos bem aquando de um disco a solo de Ray Davies em 1998 chamado "The Storyteller" a que ninguém ligou nenhuma, lá estava o mestre a rodar a novidade e, para os mais distraídos, a insistir no seu talento. Ainda hoje os Kinks parecem uns parentes pobres da clássica pop inglesa mas certa é a sua influência em tantos artistas e bandas o que levou a Sub-Pop de Seattle em 2001 a convidar ao recreio de temas mais obscuros por parte de um grupo de artistas mais ligados ao grunge destinados a uma compilação intitulada "Give The People Waht We Want (Songs of The Kinks)" e de que o mestre seleccionou e destacou Mark Lanegan ou os The Makers. Curioso que a mais recente revista Mojo de Março tem Ray Davies na capa e um artigo fascinante para ler, havendo a companhia de um CD em jeito de tributo onde novos e velhos rockeiros - Ty Segall (ouça-se abaixo o grande "Waterloo Sunset"), Nada Surf ou Mick Harvey - refazem de fio a pavio o álbum de "Something Else" de 1967. Certamente "Kinkologia", da boa, como lhe chamou António Sérgio a 2 de Novembro de 2001 no "Dependências" do jornal "O Independente"...
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
LOBO #15
As escolhas do mestre António Sérgio no suplemento "dependências" do jornal "O Independente" foram na maioria das vezes arriscadas e imprevisíveis. As de 7 de Setembro de 2001 recaíram sobre duas bandas de trajectos diferenciados - os South San Gabriel, magníficos e a que poucos deram atenção, tinham em Will Johnson um verdadeiro mago do lo-fi quase acústico, um refúgio mais melódico da verdadeira banda "modelo" de Johnson denominada Centro-Matic e que se extinguiu, aparentemente, em 2014. Lembramos bem algumas das suas canções que chegaram a ser tocadas ao vivo aquando do projecto Undertow Orchestra que o juntou a Mark Eitzel, David Bazan e Vic Chesnutt e que em Junho de 2006 se apresentou em pleno na sala grande da Casa da Música mas a que poucos, infelizmente, compareceram. Irrepetível, embora no ano seguinte tenha partilhado a solo um serão bracarense com Micah P. Hinson. Will Johnson continua muito activo entre a pintura, digressões a solo ou com os amigos e discos novos como o que se adivinha para Março próximo.
Sobre a outra escolha, curiosamente chamada Jackpot, a aposta, no nosso caso, passou totalmente ao lado. Elogiava-se a frescura das canções de um trio californiano em início de carreira mas de que nunca encontramos o rasto...
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
UIVO: 1, 2 e 3!
O excelente documentário "Uivo" sobre António Sérgio da autoria de Eduardo Morais teve estreia em livro/DVD em 2014 que foi acompanhada por uma seleccionada digressão por auditórios de todo país. Ontem, dia do sétimo aniversário da morte do mestre da rádio, passou finalmente em televisão via RTP2 e hoje passa a estar disponível no site da Antena3. Saudades...
sexta-feira, 24 de abril de 2015
LOBO #14
Quando António Sérgio fazia soar os Sparklehorse o tempo, lembramos bem, parecia parar. Quando chegou "It's A Wonderful Life", que o mestre fez questão de destacar n' O Independente de 31 de Agosto de 2001, a magia das canções, a sua corrosão sensorial e afectiva cedo as transformou em clássicos eternos. Bem nos enterramos na cadeira do António Lamoso na Feira em 2006, prestes a comover-nos sem saber que Linkous partiria poucos anos depois e ficamos à espera que ela, a canção, uma das tais que nos corre no sangue, aparecesse... Houve outras, lindas, mas esse tormento sonhado chamado "Sea of Teeth" não quis Linkous que aterrasse no escuro da sala para se evitarem as lágrimas. Afinal, a vida é bela!
Stars will always hang, in summer's bleeding fangs
Seas forever boil, Trees return to soil
sexta-feira, 6 de março de 2015
LOBO #13
A música ao vivo sempre mereceu de António Sérgio uma atenção especial. O destaque que preencheu uma página inteira do semanário O Independente de 24 de Agosto de 2001 não foi, por isso, inocente - o Festival Serie B do País Basco era um bom exemplo de alinhamento que Portugal não conhecia e as bandas alternativas norte-americanas que, no fim desse verão, passariam por lá eram, nalguns casos, perfeitamente desconhecidas. Cedo se mostrariam, contudo, imparáveis numa era pós-grunge - veja-se os casos dos Death Cab For Cutie ou dos White Stripes - e para todos os efeitos o panorama dos festivais nacionais viria notoriamente a melhorar ao longo da década. Pensar, por exemplo, no menu do Primavera portuense logo imaginamos o mestre num buliço constante entre palcos sem perder pitada e de cerveja na mão...
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
LOBO #12
Como sempre, nas franjas do obscuro, António Sérgio dava conta n' O Independente de 17 de Agosto de 2001 de um novo disco a solo do líder dos Miracle Legion, banda habitual nos seus espaços no éter. Marc Mulcahy, assim se chama o músico com direito a destaque nessa altura, um "regresso de sonhador" que se comprova pelas canções abaixo. Mais uma maravilha escondida a precisar de escavação!
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
LOBO #11
Mais um verdadeiro achado com que António Sérgio e Ana Cristina nos brindaram a 10 de Agosto de 2001 n' O Independente: os The Baptist Generals tinham editado "Dog" em 1998, o primeiro álbum radicado em Denton, Texas, banhado a blues e grass sem subtilezas e de uma pureza que, como referido, era até um sacrilégio a sua gravação digital em CD e não em vinil. Uma banda estranha, que se resguarda ainda hoje num quase anonimato e que, mesmo assim, só em 2013 pôs cá fora um segundo disco na SubPop Records que merece toda a atenção.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
LOBO #10
Mais uma prova de mestre - o destaque a Johnny Dowd n' O Independente de 10 de Agosto de 2001, um solitário que no álbum "Temporary Shelter", dedicado aos pais que estão na capa do disco, arriscava uma sonoridade mais confiante na vida e na família, não perdendo o travo negro que motivou comparações a Tom Waits ou Nick Cave de boa cepa. Canções, que lembramos bem, não era fácil de ouvir no início da madrugada mas que, como sempre e no refúgio nocturno, faziam todo o sentido!
terça-feira, 18 de novembro de 2014
(RE)VISTO #58
O UIVO DA MATILHA
Tributo a António Sérgio e à Rock'N'Roll Radio
de Eduardo Morais. Lisboa; Edições El Pep, livro/dvd, 2014
Ponto de ordem prévio - António Sérgio merecia, como por aqui fomos sugerindo, todas e quaisquer homenagens e reconhecimentos em vida. Ponto! Uma comenda, uma medalha, uma festa ou, notoriamente, um registo em imagem pensado e estruturado para contar a história silenciosa do seu árduo e insistente amor pela música na sua pureza e limpidez, seriam todos mais que merecidos. Não, em Portugal o hábito é deixar para as calendas, para o acaso ou para alguns "excêntricos" a sorte de vermos documentada uma vida rara como a dele, toda ela voltada para os outros e para a sua felicidade. Foi-lhe dado, é certo, um Globo de Ouro ou uma hora na SIC ("O Senhor Que Se Segue", 1995) mas são poucas as entrevistas, reportagens ou testemunhos em nome próprio captados por uma simples câmara de televisão que, certamente, lhe teriam dado muito gozo em participar. Sendo assim, o "Uivo" realizado este ano em poucos meses e com poucos euros é, por tudo isto, um acontecimento! Como afiança o próprio realizador, a ideia era fazer um documento e não um documentário que servisse de testemunho do que deve ser e para que serve a música numa rádio. Confirmando este papel de mentor e mestre, o filme reúne para o efeito, para além dos filhos e da companheira e esposa Ana Cristina Ferrão, a maioria dos amigos de "luta" que nos fomos também habituando a ouvir no éter, em disco ou a ler nos jornais. Faltam alguns que teríamos gostado de ver também no alinhamento (Luis Montês, Rui Morrison ou Pedro Costa, por exemplo). Falta, mesmo assim, mais "António Sérgio", ou seja, sentir ainda mais o peso da sua voz, das suas opiniões e dos seus ouvintes anónimos e, consequentemente, falta, por defeito geracional, mais "Som da Frente", porra! Não resistimos a comprar o dvd/livro para, sozinhos no escuro da sala e noite dentro, deixarmos as imagens afiar a memória e esperar que, mais tarde ou mais cedo, a emoção nos tolhesse. E ela facilmente apareceu como muitas vezes acontecia quando ligávamos o rádio para o ouvir! António Sérgio era um "amigo de casa", de muitas casas por esse país fora, com quem falávamos baixinho e trocávamos sinais através de uma simples canção e, por isso, por muitos defeitos que este filme tenha ele acabará sempre por ser um multiplicador da saudade e da falta que António Sérgio ainda faz, o que transparece de forma nítida nos testemunhos filmados ou escritos no livro que acompanha a edição. Assim, vê-lo e revê-lo é uma obrigação e, acima de tudo, um prazer. Até amanhã, no Passos!
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
LOBO #9
Dos Pleasure Forever que António Sérgio elogiava n' O Independente de 27 de Julho de 2001 não restam muitas histórias para contar. Com sede em São Francisco, o primeiro e homónimo álbum na Sup-Pop era o resultado de uma sofisticação instrumental inusitada que se podia retirar de uma bateria, uma guitarra e... um piano! O trio editaria simplesmente mais um disco - "After" de 2003. Canções "preciosas", muito a la Nick Cave e com uma boa dose de provocação e mistério que ainda hoje se estranham mas rapidamente se entranham. Prazeres eternos, palavra do mestre!
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
LOBO #8
Jeff Buckley tinha morrido à quatro anos e o mito entranhara-se eternamente em muitos de nós. António Sérgio, rendido, dava conta a 20 de Julho de 2001 n' O Independente, duas semanas apenas depois do lançamento oficial, que havia um segundo disco póstumo de Buckley pronto a satisfazer a sede. Gravado ao vivo em Paris a 6 e 7 de Julho de 1995, "Live à L'Olympia" era e é Buckley vintage rodeado pela sua banda de sempre e com a sala repleta de um público francês que o músico adorava e de que guardou sempre forte carinho. Sem imagens, que a música vale por si, aqui ficam duas dessas recordações. Dream, brother!
terça-feira, 14 de outubro de 2014
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
O UIVO DO LOBO!
Está já disponível no site do jornal Público o trailer do documentário "Uivo" sobre o mestre António Sérgio. Realizado ao longo do último ano por Eduardo Morais após uma bem sucedida campanha de crwodfunding, o filme tem estreia marcada para o próximo dia 1 de Novembro no Palácio Foz (Restauradores, Lisboa), data que assinala cinco anos sobre a morte do radialista e mentor. Prometidas estão outras projecções no Porto, Aveiro, Faro ou Guimarães. Ficamos ansiosamente à espera!
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
LOBO #7
Em tempos de oferta de discos (U2), semi-pirataria (Thom Yorke) e confusão estratégica da indústria da música, aqui fica o contributo de António Sérgio para uma discussão, na altura, importante - o IVA sobre os discos. Marcando o seu desacordo, Sérgio publicou no Independente de 13 de Julho de 2001 um manifesto claro sobre o peso excessivo de 17% sobre os discos em comparação com os 5% dos livros, ilustrado a propósito com um desenho de Tó Trips. A posição fundamenta-se na sua participação num debate público então promovido pela cadeia FNAC. Embora a situação se tenha alterado um pouco (o IVA sobre os livros é agora de 6%) seria curioso e interessante perceber a opinião do mestre agora que a venda de discos é quase residual, o peso do imposto já vai em 23% e o mercado do vinil é uma tábua de salvação muito fina sempre prestes a partir... Quanto a taxar as pen's, os discos rígidos ou leitores de mp3, temos a certeza que António Sérgio assinaria de cruz qualquer petição contra (mais) este roubo e incongruência!
terça-feira, 16 de setembro de 2014
NICK DRAKE NO ESPANTA ESPÍRITOS
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| campainhaelectrica.blogspot.com |
Estávamos a 2 de Junho de 1997 e ouvir Nick Drake na rádio portuguesa era um milagre que só António Sérgio podia fazer acontecer. No seu "Grande Delta" da saudosa XFM a presença da esposa, Ana Cristina Ferrão, traduzia-se em várias colaborações, sendo a rubrica "Espanta Espíritos" a mais (re)conhecida pelos apelativos conteúdos e pelo inesquecível genérico onde vibrava "Ahr-skidar", tema dos Thin White Rope. Nessa data coube um destaque, talvez o primeiro numa rádio portuguesa, a Nick Drake. São quase trinta minutos de canções e o contar da sua história desgraçada naquela (também) inconfundível voz da Ana Cristina. O momento, raro, mereceu da nossa parte gravação obrigatória em k7 (foto) mesmo que tenha sido no programa da noite "Café Virtual" de Ricardo Saló que repetia a emissão original. A autora desta saborosa meia-hora no éter ficou, nota-se, eternamente apaixonada por Drake classificando os seus discos como os "três álbuns mais belos de sempre" (sic). Ainda não tínhamos reparado, mas a emissão pode e deve ser recordada no recomendável site da Lista Rebelde ou directamente neste Mixcloud. Que saudades!
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
LOBO #6
Em dias de calor, precisamente a 6 de Julho de 2001, António Sérgio trazia ao jornal "Independente" duas revelações ditas nocturnas que tiveram posteriormente sortes diferentes. Dos Fuck perdeu-se o rasto mediático, embora ainda hoje gravem discos e saltem para cima de palcos americanos com alguma frequência. Quanto aos The Shins, a sorte seria um pouco diferente a que se deve a veia afinada de James Mercer que o mestre imediatamente pressentiu e também alguma sorte, como foi o facto da inclusão, em 2004, do tema "New Slang" na banda sonora do filme "Garden State" com Natalie Portman o que permitiria ao grupo levantar voo para outras altitudes.
terça-feira, 1 de julho de 2014
LOBO #5
O figurão David Thomas teve merecida atenção do mestre a 29 de Junho de 2001 nas páginas de "O Independente". Nas pausas dos Pere Ubu surgia em trio com mais Two Pale Boys continuando a saga da provocação e improvisação traduzida num disco chamado "Surf's Up" e onde o tema título era, nem mais nem menos, um versão do velhinho original dos Beach Boys saído do génio de Brian Wilson. Vale a pena ouvir e reler!
terça-feira, 20 de maio de 2014
LOBO #4
Unwound? White Hotel? Sim, são mesmo dois nomes de bandas "sem fama nem proveito" que António Sérgio arriscava lançar para o caldeirão sonoro do seu programa radiofónico e das quais nunca ouvimos uma única canção, o que pode ser aplicado a uma imensa maioria. Talvez por isso mesmo, o mestre deu-lhes um destaque em jeito de surpresa numa das suas crónicas de "O Independente" (22 de Junho) de 2001, juntando-as sem conexão aparente a não ser o tal "som alternativo" cuja extrema validade se pode confirmar abaixo. A este propósito não deixem de ler o último parágrafo destas "Notas Alternativas", uma constatação já com uma dúzia de anos mas, ainda assim, perfeitamente aplicável aos nossos dias... infelizmente!
sábado, 29 de março de 2014
LOBO #3
Em Abril de 2001 o álbum "Old Ramon" via finalmente a luz do dia. Era o último assinado em nome de Red House Painters, colectivo refúgio de uma vincada persistência de Mark Kozelek que a partir daqui mudou o rótulo para Sun Kil Moon, mantendo, ainda bem, toda a pertinência. O merecido destaque que António Sérgio revelou no suplemento "Dependências" do semanário "O Independente" de 15 de Junho desse ano refere-se a uma feliz promoção de um passatempo onde os ouvintes eram convidados a realizar e conceber uma capa alternativa para o disco e que, como se pode atestar, obteve resultados magníficos. Temos verdadeiras saudades desses tempos em que respondíamos a muitos os desafios que o mestre lançava no ar e ainda hoje guardamos religiosamente muitos dos prémios de consolação que, por cortesia, ele acabava por nos enviar... Quanto aos Red House Painters, ou seja, os Sun Kil Moon, subirão logo à noite ao palco maior da Casa da Música com a ajuda de Steve Shelley dos Sonic Youth e também uma surpresa lusa na guitarra e, esperemos, que toquem bem alto este magnífico e felino "Woop-a-Din-Din" que abria o tal "Old Ramon"...
quarta-feira, 19 de março de 2014
LOBO #2
A estreia em álbum dos I Am Kloot mereceu destaque de António Sérgio nas páginas do semanário "O Independente" de 8 de Junho de 2001. A banda teria por terras britânicas um êxito moderado mas o que é certo é que lhe perderíamos, sem razão aparente, o rasto. Fica a recordação de algumas grandes canções, principalmente este "Sunlights Hits The Snow" que o mestre tinha por hábito rodar no éter...
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