Já por aqui lamentamos que a actual digressão de Mark Eitzel na companhia do pianista Marc Capelle não tenha passado por cá. À distância, sentimos que o espectáculo inédito de ver e ouvir Eitzel somente concentrado na potente voz adornada por um simples piano, resultaria num momento único que terá uma edição oficial, ou não, mais tarde ou mais cedo. Pois bem, decidimos não esperar mais, procuramos afincadamente e encontramos disponível uma excelente gravação do concerto no Musik Café de Copenhagen no passado dia 31 de Outubro. Uma noite bem disposta, com Eitzel de língua mais que atrevida e em good mood e um público respeitador e conhecedor dos clássicos temas dos American Music Club, mas onde surgiram já algumas das novas canções. É aproveitar enquanto dura. No youtube há quase uma mão cheia de gravações decentes deste espectáculo e não resistimos a um desses momentos.
Aproveitando o cartaz do Festival Primavera Clubno país vizinho, teremos um início de mês de Dezembro cheio de bons concertos. Surge agora a confirmação da vinda ao Porto do guitarrista Kurt Vile que juntamente com os Violators, com quem gravou o brilhante “Constant Hitmaker", se apresentará nos Maus Hábitos no dia 8 de Dezembro. No dia seguinte será a vez do Frágil em Lisboa. O mais recente álbum a solo “Childish Prodigy”, que a prestigiada Matador editou em Setembro passado, foi composto e moldado em casa e o resultado sugere algum hipnotismo e intimidade e muita electricidade. O primeiro e grande single “Freak Train” é uma das provas.
O miúdo Alan Palomo aka Neon Indian que estará no Primavera Club de Barcelona e Madrid em Dezembro, virá antes ao Porto (dia 7, no PlanoB), numa estreia portuguesa em cima do acontecimento. O álbum "Psychic Chasms" editado em Outubro passado é de audição obrigatória cá na casa desde o verão passado e uma das canções foi, aliás, o principal hino em tempos de areia e mar. Chama-se adequadamente "Deadbeat Summer" e houve alguém que, de forma não oficial, já a tratou em video... Sintetizadores ao alto!
A digressão americana dos Pixies que agora arranca apresentará ao vivo a totalidade do álbum “Doolittle”, disco com a bonita idade de 20 anos! A banda oferece no seu site a descarga gratuita de quatro temas apresentados em Paris na tournée idêntica que deixou a Europa o mês passado, estando a totalidade dos concertos no velho continente disponíveis para download pago. Se tiveram quase 500€ para gastar é melhor reservar desde já a massiva edição denominada “Minotaur” que inclui os discos originais em diversos formatos e com infindáveis atractivos e que foi devidamente apresentada em Junho passado. Aqui fica uma banda um bocadinho mais pesada a precisar de algum acerto, como pode ser comprovado por este excerto do Tonight Show de sexta-feira passada.
A notícia que dá conta do abandono do palco por parte de Morrissey ao fim de alguns minutos no passado sábado em Liverpool, depois de levar com uma garrafa na cabeça, está a dar muito que falar. Para quem viu o artista em Paredes de Coura em 2006 a virar costas sem razão aparente e quando o concerto estava a aquecer (talvez amuado por ninguém lhe ter levado flores como nos tempos áureos dos Smiths), já nada será de estranhar. A história e video estão no Guardian de hoje e vale a pena ler só por causa de alguns dos comentários hilariantes.
LED ZEPPELIN – Whole Lotta of Love Atlantic, N-28-82, Portugal, 1970 Faz amanhã 40 anos que este single mítico dos Led Zeppelin foi lançado. Ao contrário dos Estados Unidos, na maioria dos países europeus a edição não se concretizou por vontade da banda, sendo Portugal uma excepção. A capa que acima se reproduz é, por isso, única e faz deste 45 rpm uma preciosidade que nos apareceu à frente, ao preço da chuva, em sábado sortudo na Vandoma. A canção sempre nos impressionou por várias razões: uma construção incomum, onde ressalta uma componente instrumental arrojada (um theramin, ou melhor, a secção "orgasmo" muita vezes suprimida ou alongada ao vivo, mas que surge no original decorrido um minuto e meio), um riff/malha monumental, um solo de guitarra memorável e uma força que ainda hoje faz mossa. O tema soava, há mais de trinta anos, durante uma semana inteira nas jukeboxes das festas de São Bento das Pêras em Rio Tinto (Julho), entre matraquilhos e farturas. Ficavamos a ver o disco a levantar e a recolher na máquina, ao mesmo tempo que diversos cromos locais em estilo airguitar entravam, para nosso gáudio, em delírio. Os Zeppelin utilizavam o tema no período áureo em pleno encore, surgindo logo antes de outro clássico, “Rock And Roll”, tradição que se cumpriu no concerto de regresso no O2 Arena londrino em Dezembro de 2007. Uma versão instrumental da canção iniciava e culminava as emissões do mítico programa Top Of The Pops da BBC entre 1972 e 1981 o que também aconteceu na última série do programa no ar de 1998 a 2003. Por todas as razões ainda hoje é, sem dúvida, a melhor canção e a mais sexy que abre um ábum rockroll, neste caso o disco Led Zeppelin II lançado no final de 1969, sendo a última música tocada pelo lineup original da banda. Como canta Robert Plant “Shake for me, girl. I wanna be your backdoor man. Keep it coolin', baby.” Oh, yeah…
A Antena3 promove na próxima segunda-feira, dia 9, a partir das 20h00 uma emissão homenagem a António Sérgio. Aquando da suspensão do programa “Hora do Lobo” da Rádio Comercial em Setembro de 2007 o jornal Público fez um artigo de fundo sobre o assunto e recolheu o seguinte testemunho de João David Nunes, responsável na altura pela rádio pública: “Já que há RDP espero que em breve o António Sérgio continue a dar som da fente e a lançar chamas, nas horas da Antena3 (...)”. Claro que nada se concretizou e o António Sérgio só ao fim de dois meses viria a integrar a Radar. Como a Radar se ouve só em Lisboa, o problema estava resolvido. Para o efeito, o resto do país não contava! Hipocritamente, é agora a Antena3 que promove homenagens e verte lágrimas. O malfadado serviço público, que neste caso seria levar a todo o país um simples programa de autor com tradição e audiência, não soube ou não quis a Antena3 concretizar. Para remediar, organiza agora seis horas de emissão em jeito de compensação sobre um mestre que sempre manteve afastado e que merecia, mais que todos, uma estação pública. Bahhh!
O novo disco de Rickie Lee Jones já apresentado por estas bandas em Julho passado, começa agora a entranhar-se. Confirma-se que todos os temas de “Balm in Gilead” são antigos, de que é exemplo “Wildgirl”, dedicado à sua filha e escrito em 1989 ou “The Moon is Made of Gold”, canção da autoria do seu pai nunca gravada oficialmente, mas interpretada ao vivo há já longos anos (vide video abaixo de 1992). Há, no entanto, um clip inédito deste tema registado no âmbito do novo disco. Entre as diversas colaborações contam-se Allison Krauss, Victoria Williams, Bill Frisell, Vic Chestnut e Ben Harper que canta em dueto o tema "Old Enough". A votação promovida no verão para a eleição da capa do disco foi, aparentemente, esquecida já que a imagem oficialmente escolhida não corresponde a nenhuma das anteriormente sugeridas. Curiosa ainda a dificuldade expressa na edição do disco, como o prova, por exemplo, a hipótese aberta a todos de doação de 100 dólares para a sua produção, ficando o nome do doador inscrito nas notas impressas do próprio cd! A artista inicia para a semana uma tournée europeia que se prolonga durante todo o mês de Novembro e que visitará Inglaterra, França, Bélgica, Holanda e Espanha, onde estão agendados quatro concertos…
Depois de “What’s a guy to do?”, um primeiro e esgotado EP de vinil de 10”, está previsto para dia 16 de Novembro a edição de “Hapiness”, um segundo trabalho no mesmo formato de Jonathan Jeremiah. A rodela incluirá duas grandes misturas do tema principal a cargo de Morgan Geist e dos Quiet Village e tem ainda mais um inédito de nome “Come and get it”. No myspace oficial poderão tirar todas as dúvidas sobre a excelência deste jovem artista, com qualidades e sonoridades, surpreendentemente, clássicas. Para nossa, e esperamos que vossa, alegria, aqui fica o video oficial.
Quem já esteve num concerto dos Kings of Convenience sabe, à partida, qual é a fórmula mágica que determina o seu grau de eficácia: excelentes músicas, algum intimismo, enorme respeito mútuo e muita, muita festa. O espectáculo de ontem em Braga, num palco lindíssimo traçado à medida dos noruegueses, não fugiu à regra. Uma primeira parte contida, mais calma, feita a dois, onde se destacaram muitas das novas canções e que ao vivo soaram ainda mais eficazes. Pelo meio, obviamente, algumas recordações obrigatórias como “Know what I can save you from” do já longínquo primeiro disco (2001) ou a inebriante “Know how” onde à ausência da canadiana Feist se sobrepôs um suave mas arrepiante coro coletivo a capella. Depois, já com a habitual ajuda de um contrabaixista e de um violinista, companheiros de longa data nestas andanças, o concerto entrou numa fase mais animada e em “Stay Out of Trouble” ninguém ficou indiferente ao excelente pizzicato e solo do violino de Tobias Hett. O momento pelo qual grande parte da plateia suspirava aproximava-se e, depois da ordem dada por Erland Oye, a frente de palco rapidamente foi ocupada e as cadeiras de todo o teatro abandonadas. Surpreendente a resposta a “Mr. Cold” e “Boat Behind”, os dois primeiros singles do novo “Declaration of Dependence”, álbum, alías, praticamente tocado na integra. Pedia-se “Misred” ou “I'd rather dance...” que não tardaram, esta última já no encore final. Antes, já Erik Boe se esforçava sozinho em “Corcovado”, mas o habitual trompete vocal haveria de soar na sala por um Erland Oye transportado a la imperador e com classe num carrinho de carga! O convívio, esse continuaria na rua, numa já tradicional troca de elogios, entre autógrafos e fotografias e, claro, muito e bom humor.
Na curta primeira parte esteve Javiera Mena, jovem pianista chilena, que apesar do nervosismo e de alguma inexperiência, demonstrou qualidades vocais e composições com enorme potencialidade. A cantar em castelhano, as canções frágeis e as letras simples são, desde já, o lamiré para um novo talento a descobrir.
A estreia portuguesa em nome próprio de Emiliana Torrini, teve em Guimarães uma surpreendente moldura humana com mais de metade da enorme plateia preenchida. A demora nesta apresentação, entre cancelamentos (Vila de Feira em 2007) e a fama alcançada pela islandesa com a “Gollum’s Song” no final do filme “Senhor dos Anéis”, resultou num concerto de estupendo bom gosto, entrega e consistência. Num alinhamento que incluiu temas de quase todos os discos já editados (numa setlist muito parecida com a do concerto em Gateshead, Inglaterra, de Setembro passado e que podem conferir e ouvir online), o início deu-se com “Fireheads”, canção que abre o último álbum “Me and Armini”, mas logo foram recordadas fabulosos temas de discos anteriores como “Heartstopper” ou “Today it’s been okay”. Com os seu sotaque nórdico analasado, a fazer lembrar a timidez controlada de Bjork, foi uma Torrini bem disposta e simpática que, contando histórias sobre as canções ou brincando com os músicos em palco, cedo alcançou a atenção e a rendição do público. O destaque recaiu no último trabalho, com “Ah ah” a ser dedicado ao (à) maior dos seus ídolos a que se seguiram dois dos melhores pedacinhos desse disco - “Beggar's Prayer” e “Birds”. Pena que o docinho de nome “Bleeder” que o encerra não tivesse sido escolhido… Referência obrigatória para a excelência dos quatro músicos que, em palco, trataram de adornar sem falhas e com brilhantismo todas as canções, com particular enfâse no tremendo final sónico de “Gun” ou no frenético “Jungle Drum”. No encore, mais que obrigatório, um mashup acústico de “Fields of Joy” de Lenny Kravitz e “Dear Prudence” dos Beatles, com Torrini à guitarra e o público e restantes músicos nos coros, deram ao refreão “won't you come out to play” e a todo o espectáculo uma dimensão memorável.
A rádio é tramada. Quase sempre as más notícias abrem os noticiários, mas a viagem continua. Hoje, pelo contrário, o anúncio seco da morte de António Sérgio fez-nos encostar o carro à berma e suster a respiração. Múltiplas recordações e memórias toldaram-nos o pensamento, num misto de surpresa e orfandade. Uma geração inteira tinha em António Sérgio uma referência educacional marcante, que nos ensinou a gostar de música, da boa música, tal e qual um bom professor que nunca vamos esquecer. No fundo, um ídolo silencioso que os mais novos nunca irão perceber e que hoje não existe. Ponto. Neste simples blog, temos dado conta desta lacuna nunca preenchida e por aqui lamentamos a suspensão do seu programa na Comercial em 2007, da sua força e constante luta solitária e chegamos, sem ironias, a propor que lhe fosse dada uma medalha. Agora é tarde. Nem um simples programa de rádio de âmbito nacional conseguimos que lhe fosse atribuído e foi com surpresa e satisfação que o vimos em Agosto passado, num momento raro de televisão, a contar histórias e algumas lamentações com aquela voz inesquecível que anunciava as canções e as bandas. Recordamos hoje o Festival Sudoeste de 2004, quando saímos mais cedo da praia só para ir ver o Arthur Lee e os Love e dar de caras com o António Sérgio nas primeiras filas à espera do concerto. O Arthur Lee afinal não veio e o concerto traduziu-se num equívoco confrangedor. Na altura, não tivemos coragem de abordar o nosso ídolo, de lhe dizer o quanto o adimaravamos, de lhe dar um abraço sentido de reconhecimento e de junto a ele tirar uma fotografia. Pois bem, o abraço aqui vai e quanto à fotografia, ela estará para sempre bem impressa, com todas as cores, na nossa vida. Obrigada por tudo, Antonio Sérgio. Peace!
Tal como prometido, já se encontra disponível um novo disco de Mark Eitzel, o segundo no espaço de um mês. Com o nome de “Brannan St.”, inclui alguns originais e novas versões de temas entretanto publicados em “Klamath”, o outro álbum recentemente editado. São principalmente demos acústicas com Eitzel à guitarra captadas em São Francisco, num local emprestado por amigos e que o próprio fez questão de divulgar. Os dois discos estão à venda no local dos concertos e por mail order e a edição é, ao que parece, bastante limitada. Entretanto, e contrariando a promessa feita, Mark Eitzel tem apresentado ao vivo algumas das canções novas, como esta “The Blood on My Hands” interpretada recentemente na cidade de Bruxelas.
O fabuloso cartaz do próximo festival SuperBock em Stockque decorrerá na Av. da Liberdade lisboeta entre 4 e 5 de Dezembro, tem já um prolongamento na Invicta. O canadiano Patrcik Watson, que em 2008 nos brindou com excelente concerto na Aula Magna, é um dos nomes agendados para esse evento que tem também concerto marcado para o Porto no âmbito de um festival denominado Pop Deluxe. Assim, a 4 de Dezembro, sexta-feira, o Teatro Sá da Bandeira recebe para além de Watson, os ingleses Piano Magic e os The Invisible. Curioso que no mesmo dia decorre a edição mensal do Clubbing da Casa da Música para a qual, apesar da falta de confirmação, se fala em nomes como Hercules & Love Affair. Começa a ser preocupante esta auto-fagia de agendas, tal como aconteceu no corrente mês com a coincidente data do Festival Se Esta Rua Fosse Minha e, precisamente, o Clubbing da CDM onde actuaram as Aurevoir Simone.
Está já nas lojas uma fantástica compilação de homenagem a John Peel. Chama-se “Kats Karavan – The History of John Peel on the Radio” e abarca cinco décadas de música em forma de quatro cd's, incluindo sessões inéditas, singles obscuros e até algumas anedotas. De fora ficaram, desta vez, os habituais protegidos Undertones, Joy Divison ou Chameleons mas entre os seleccionados há bandas tão diversas como Small Faces, Thin Lizzy, Aswad, The Damned, Medicine Head, The Jam, The Slits, Funboy Five, The Cure, Linton Kwesi Johnson, That Petrol Emotion, Extreme Noise Terror, Ivor Cutler, Mercury Rev, Milo ou Bloc Party. Como curiosidade surge a inédita participação do próprio Peel nos coros do tema “Song Sung Blue” de Neil Diamond, versão da responsabilidade dos Altered Images. Um livro de 60 páginas com fotografias, testemunhos ou entrevistas da passagem pelo mítico programa da rádio completa esta atraente edição. Cinco anos após a sua morte (27/10/2004), o mito continua bem vivo.
Os Kings of Convenience gravaram uma sessão para a revista Spin que terminou, convenientemente, com uma versão de “It’s My Party” de Lesley Gore. Não vale a pena chorar, só se for de riso com o indescritível solo de trompete a la Erland Oye. Na próxima segunda-feira a festa continua…
No final do inverno passado, um disco de um grupo até aí desconhecido fez furor no nosso Ipod. Tratava-se de “Hospice” dos novaiorquinos The Antlers, um conjunto de temas inseparáveis sobre desamores e paixão. O sucesso foi tal que as primeiras edições do disco, da responsabilidade da própria banda, esgotaram rapidamente. A editora Frechkiss Records, tratou então de os receber e promover como o provam o lindíssimo vídeo entretanto realizado para o tema “Two”. Os Antlers estarão bem perto no início de Dezembro (Madrid e Barcelona) e é pena que Portugal os fique a ver passar ao largo.
Sentado a um canto da sala, o duo francês aguardava serenamente a ordem para subir ao palco. Inexplicavelmente, o concerto não tinha hora marcada e a demora, na tentativa de reunir mais público, prolongou-se quase até à 1h00 da manhã. Finalmente e perante cerca de trinta pessoas que ocuparam os bancos disponíveis em frente do pequeno palco, os Domingo começaram tímidos e a medir o pulso à situação. Após o primeiro tema, a viola de Ana ficou sem bateria (!) e a interrupção permitiu quebrar algum do gelo, mas a única história que a vocalista contou foi a uma errada constatação de que em Coimbra, por onde tinham passado dois dias antes, para estudar na universidade era preciso vestir uma capa… Seguiram-se quarenta minutos de toada calma, acústica, de harmonia vocal quase sussurada e que foi algumas vezes quebrada pela utilização de um bombo nem sempre funcional, mas onde foi notório algum desconforto da banda. Destaque para uma versão de “Califórnia Girl” dos Beach Boys quase no final, num concerto curto e sem encore que, sabiamente, não foi pedido pelo público. Fica para a próxima, de preferência um pouco mais cedo, ou seja, a um Sábado.