terça-feira, 2 de março de 2010

O RETROSOUND DOS MAVIS


Andamos perdidinhos por um tema dos Mavis, este “Gangs of Rome“ com a voz de Kurt Wagner (Lambchop). Mas há mais: Candi Staton, Ed Harcourt, Edwyn Collins, Cerys Matthews ou Sarah Cracknell dos Saint Etienne são outros dos convidados do disco imaginado e produzido por Ashley Beedle.

segunda-feira, 1 de março de 2010

EP AO VIVO


A sexta edição do Festival EP ao Vivo decorre já na próxima sexta e sábado no Auditório Nascente (Rua 16, nº 1200 ) em Espinho. Destaque para a presença de B Fachada e Noiserv no segundo dia. Entradas ao preço da feira… de Espinho (2€)!

DUETOS IMPROVÁVEIS #132

KINGS OF CONVENIENCE & FEIST
Know How (KOC)
Ao vivo, Le Bataclan, Paris, 11 de Novembro de 2009

(RE)VISTO #31


HEAVY METAL IN BAGHDAD
de Suroosh Alvi e Eddi Moretti, VBS Tv, DVD, 2008

A chamada música de peso não escolhe culturas ou nações. Para surpresa de todos, tivemos até o Festival da Canção de 2006 dominado por uns estranhos e brincalhões finlandeses de nome Lordi, embora o documento de aqui vamos falar agora tenha que ser levado um pouco mais a sério. Os Acrassicauda (“Escorpião Negro”) são uma banda de heavy metal nascida em 2003 em Bagdad, Iraque, cidade onde deram, com algumas restrições, apenas três concertos até o país iniciar a desintegração. Influenciados pelos Metallica, Slayer ou Slipknot, a sua simples existência era vista pelo regime de Sadam Hussein como uma “maldição” e um sacrilégio, remetendo-os quase à clandestinidade. Cabelos longos, obviamente, que não eram permitidos, apesar do enérgico handbaggin que as reportagem desses pouco espectáculos documentam e o acesso a melhores condições ou sistemas sonoros, um sonho longínquo. Com a invasão do país e o controle da cidade por forças ocidentais, uma ultra-segura equipa ocidental da empresa VBS TV, onde milita o criativo Spike Jonze, decidiu documentar as aventuras destes persistentes músicos, promovendo o último concerto por terras iraquianas, realizado num hotel posteriormente bombardeado e recolhendo, in loco, testemunhos das múltiplas contrariedades. A situação haveria de agravar-se ainda mais com a destruição do local de ensaios e a quase totalidade dos instrumentos, levando alguns dos elementos a refugiaram-se na vizinha Síria. É neste país que todos se acabam por reunir para reiniciar os ensaios e organizar um primeiro concerto no estrangeiro. O entusiasmo e carinho de alguns aficionados, leva a banda até um estúdio roufenho, onde gravam algumas demos de originais, mas as saudades da terra natal, apesar da destruição, continua a deixar marcas. O filme, que em 2008 abriu a segunda edição do extinto (?) ViMus, Festival Internacional de Vídeo Musical da Póvoa de Varzim, acaba em ambiente emocional com a projecção privada de parte do documentário realizado em Bagdad, num documento em que prevalece uma sensação de inacabado. Fomos investigar e, claro, confirmaram-se desenvolvimentos surpreendentes

A banda passaria a seguir pela Turquia, local onde o estatuto de refugiado lhe permitiu viajar para os Estados Unidos. Aí, um livro foi já lançado com o relato de toda a história e os agora cabeludos Acrassicauda obtiveram já a benção do senhor Hetfield dos idolatrados Metallica. O “sonho americano” está muito perto da concretização total: vários concertos, um EP gravado, sede em Brooklyn e é vê-los no myspace e por todo o Youtube! Bem-vindos à selva...

JILL TRACY, C.Cult. Vila Flor, Guimarães, 27 de Fevereiro de 2010


A estreia portuguesa da cantora americana Jill Tracy não podia ter acontecido em dia mais apropriado: noite ventosa e chuva intensa a que faltou somente a trovoada tenebrosa. Não que a sua música seja enfadonha ou assustadora, mas o seu mundo, povoado por paixões bizarras, dá primazia a temáticas que, notoriamente, um clima de tempestade sugere e condiciona. Em estilo cinematográfico, Tracy contou-nos histórias inspiradas em supostos fantasmas de quartos de hotéis, em amores arrebatados dos filmes a preto e branco ou perturbadoras vibrações resultantes pela passagem dum simples caixão... À sua voz vincada, a lembrar Kate Bush ou até, ò sacrilégio, Brian Molko (Placebo), juntou-se a preceito, para além do seu piano/teclado, o violinista Paul Mercer. Esta perfeita cumplicidade, resultante duma colaboração já antiga e que, ainda este ano, terá edição em disco, entretanto, já gravado, permitiu construir um ambiente intimista e obrigatoriamente negro. Faltou, talvez, um suporte visual de fundo, uma selecção de fotografias ou até filmes que a própria artista não teria qualquer dificuldade em seleccionar. A plateia, algo fria e apropriadamente a jogar à defesa (não é fácil escutar, logo à abrir, uma canção sobre tortura...), só com o final do adequado “Evil night together” e um cheirinho de Rolling Stones ("Paint it Black"), se mostrou mais efusiva e entusiasmada. A esta canção, eleita para diversas séries e filmes independentes americanos, juntou-se, preferencialmente, uma escolha criteriosa do último disco “Bittersweet Constrain”, um trabalho descrito como ainda mais pesado e misterioso que os três anteriores. Ficou-nos na memória um tema escrito propositadamente para um Baile de Vampiros da cidade de São Francisco ("I can't shake it"?), um exótico exercício de composição que faria, com toda a certeza, excelente figura num outro baile vampiresco que o Teatro Sá da Bandeira tem por hábito receber em tempos de cinema dito de fantástico. Já no encore, depois dum venenoso “Doomsday” e tal como prometido em entrevista prévia (jornal i de 23 de Fevereiro), o final far-se-ia com uma pequena dose de improvisação, inspirada e devidamente testada in loco ao longo da tarde chuvosa e que soube, notoriamente, a pouco. Um espectáculo denso e subtilmente apelativo que merecia um cenário mais intimista como um salão oitocentista do próprio palácio de Vila Flor ou uma masmorra do Castelo de Guimarães. Certamente que o netherworld da artista faria ainda, misteriosamente, mais sentido. (foto:jornal i)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

JÁ CÁ FALTAVA!

A já habitual visita anual de Rufus Wainwright a Portugal acontece já no próximo mês de Maio com concertos no Coliseu do Porto (6 de Maio) e Aula Magna (7 de Maio). Segundo o Blitz, os bilhetes aqui pela Invicta custam, a partir de sexta-feira, entre os 35 e 40€ (auchhhh!). O espectáculo, tal como em Famalicão em 2008, será certamente a solo (piano/guitarra) e servirá de apresentação do novo “All Days Are Nights: Songs For Lulu”, disco já por aqui anunciado e que foi devidamente explicado em entrevista ao jornal "The Guardian" de ontem. Aqui fica mais um shakesperiano inédito desse disco.

BILL CALLAHAN, Festival Sinsal.Oito, Auditório Caixanova, Vigo, 19 de Fevereiro 2010


O álbum do ano passado de Bill Callahan talvez tenha passado despercebido a muita gente. Contudo, uma única audição de “Sometimes I Wish We Were An Eagle” é suficiente para perceber a grandeza da composição que uma subtil e irrepreensível dose de arranjos clássicos permitiu engrandecer. Depois há o humor e os metaforismos das letras. E depois há ainda, milagrosamente, aquela voz suave que, de imediato, nos envolve e nos desfaz os sentidos. No pequeno, mas belíssimo, anfiteatro galego, o ex-Smog apareceu simplesmente acompanhado do baterista Neal Morgan, uma dupla primorosa apostada em transformar a noite num serão vitorioso e memorável. Se em alguns casos, poucos, houve temas que perderam alguma eficiência (notoriamente “Jim Cain” ou “Rococo Zephir”), noutros, a maioria, bastou a conivência cruzada de uma guitarra e uma bateria para nos “agarrar” definitivamente. O último álbum foi o principal fio condutor (magníficos “Eid Ma Clack Shaw” ou “Too many birds”), embora com algumas falhas (“Faith/Void” não foi alinhado), mas Callahan distribuiu também pérolas mais antigas como ”Sycamore”, “In the pines”, “Let me see the colts” ou o velhinho “Bathysphere”, inebriante momento rock onde se destacou a destreza e talento dum baterista também ele cantautor. O já clássico “Rock bottom raiser”, no final do único encore, encerraria da melhor forma uma aveludada noite de música em ambiente acolhedor, numa cidade que urge redescobrir. Oportunidades não vão faltar!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A MEIA-IDADE DE TRACEY THORN


A primavera, que já tarda, marcará o regresso de Tracey Thorn aos discos. O segundo trabalho a solo depois dos Everything But The Girl tem o nome de “Love and Its Opposite” e será editado em Maio pela Merge Records nos E.U.A. e pela Strange Feeling na Europa, casa do seu parceiro Ben Watt. Ouvindo o primeiro tema, – “Oh, the Divorces!”, em oferta no site da cantora – percebe-se o regresso a uma base mais simples e de menor peso electrónico, com arranjos para piano e guitarra decorados por algumas orquestrações. O disco foi produzido pelo berlinense Ewan Pearson e conta com colaborações diversas, de Jens Lekman (dueto em “Come on Home to Me” de Lee Hazlewood) aos dinamarquese Figurines, de Al Doyle dos Hot Chip a Jona Ma dos Lost Valentinos, que surge em “Swimming”, a última das dez canções. A artista confessou que a vida real e os seus altos baixos foram a principal inspiração para as novas composições. Temas como o casamento (“Long White Dress”), o divórcio (o referido “Oh, the Divorces!”) ou a solidão (“Singles Bar”), são alguns dos diferentes problemas familares que a metafórica capa de John Gilsenan (I Want Design) bem espelham. Quanto a apresentações ao vivo, a sentença está bem expressa no site oficial e atesta uma estranha estratégia “século XXI”: “Tracey will not be playing live or touring with the new album but we will be filming and recording live performances to be shown on YouTube and other channels soon.”!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

FAROL #81



O clube 40 Watt situado em Athens, Georgia, recebe na próxima sexta e sábado dois concertos homenagem a Vic Chesnutt. Denominados “The Vic Shows: A Celebration of Vic Chesnutt's Life and Music” o evento contará, entre outros, com a presença dos Lambchop, Mark Linkus, Victoria Williams ou Will Johnson. O mesmo clube recebeu em Agosto de 2006 uma dose dupla de concertos do colectivo Undertow Orchestra, onde, para além de Mark Eitzel, David Bazan e o mesmo Will Johnson, se destacava o génio de Vic Chesnutt. Parte destes espectáculos podem ser agora descarregados, sem encargos, através deste link.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

UMA FAMÍLIA E PÊRAS


Em 2004, Devendra Banhart, Joanna Newson e os Vetiver, telentosos artistas sediados em São Francisco, partiram para uma afamada digressão conjunta pelos Estados Unidos. Partilharam palcos, problemas e alegrias, conheceram gente e heróis esquecidos em viagens atribuladas e paisagens inesquecíveis, momentos parcialmente contidos num belíssimo livro já editado. Na altura, o amigo comum Kevin Barker, que também participava como guitarrista, filmou a epopeia e criou um documentário a que chamou “The Family Jams”, curiosamente o mesmo nome dum álbum escrito por Charles Manson gravado em 1970. Nele aparecem ainda outros artistas como os Espers ou Antony em início de carreira. O filme estreou o ano transacto em alguns festivais (Montreal, Sarasota e Copenhaga) e chega a Nova Iorque no final do mês. A curiosidade sobre este documento é, para nós, imensa, tendo em conta que em Abril desse ano, Devendra Banhart esteve na companhia de alguns dos Vetiver por terras de St. Maria da Feira, na primeiro Festival Para Gente Sentada, no que constituiu, sem dúvida, um dos concertos (o concerto?) da década. Talvez uma próxima edição dum qualquer festival (o Indie Lisboa?) faça o obséquio de não esquecer este prometedor documento. Por enquanto, let’s look at the trailer…

The Family Jams - Trailer from kevin barker on Vimeo.

A NOSSA SHARONA


Lemos no DiárioDigital que o vocalista dos norte-americanos The Knack, Doug Fieger, faleceu ontem com 57 anos, vítima de cancro. Era o co-autor do indispensável “My Sharona” (1979), nome duma ex-namorada chamada Sharona Alperin e que acabou fotografada para a capa do disco. Foi o primeiro e único single de sucesso da banda. O tema era obrigatório em muitas festas de liceu desses tempos e escolha lógica de qualquer (bom) revivalismo dos anos oitenta. Versões são já muitas e nem os Pearl Jam ("My Verona"), Yo La Tengo, Veruca Salt ou Nirvana resistiram. Dos The Knack não conhecemos mais nada e o único single de vinil da nossa colecção é, claro, o referente à tal Sharona Alperin. E chega muito bem! Peace… Ooh you make my motor run, motor run.

NOVO DISCO DE RUFUS WAINWRIGHT


O sexto álbum de estúdio de Rufus Wainwright tem datas definidas. A 23 de Março sairá no Canadá, seguindo-se o Reino Unido (5 de Abril) e os Estados Unidos (20 de Abril). Nesse mês e depois do cancelamento da digressão australiana por motivos conhecidos, Rufus regressa aos palcos par uma intensa digressão a solo por terras inglesas, onde, na mesma altura, estreará no Sadler’s Wells Theatre (12 a 17 de Abril), a ópera “Prima Dona”. O novo trabalho “All Days Are Nights: Songs For Lulu”, o prometido disco de voz e piano, tem inspiração em Shakespeare, particularmente nalguns dos seus sonetos. Três deles, como consta da track-list já conhecida, foram musicados depois de experimentados por diversas vezes ao vivo. Outras canções apresentam títulos curiosos – “Martha” que talvez se refira à irmã Martha Wainwright, “Who Are You New York?” ou o conhecido “Zebulon” que encerra o disco, tema muitas vezes escolhido para espectáculos desde 2007 mas nunca gravado oficialmente. Aqui fica um dos referidos sonetos, o “Sonnet 43 (When most I wink)”, num concerto parisense do ano passado.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

EGOLOGICA MENTE


Sem egologia, em tempos de esplendor das redes sociais e da primazia da visibilidade sobre os conteúdos, um excelente artigo para ler na Inrockputibles.

3 X 20 FEVEREIRO


20 canções:
. YEASAYER – I remember
. OWEN PALLETT – The great elsewhere
. EFTERKLANG – Modern drift
. THE RADIO DEPT. – David
. WILD BEASTS – The fun powder plot
. FOUR TET – Plastic people
. HOT CHIP – Alley Cats
. ELIZABERH FRASER – Moses
. VAMPIRE WEEKEND – Taxi cab
. ADAM GREEN – Castles and tassels
. GRIZZLY BEAR – Ready, Able
. THESE NEW PURITANS – Hologram
. THE ANTLERS – Shiva
. MIDLAKE – Children of the grounds
. VOLCANO CHOIR – Still
. BROKEN BELLS – October
. LIARS – No barrier fun
. STORNOWAY – Zorbing
. LOS CAMPESINOS! – A heat rash in the shape of the show…
. WAVE MACHINES – The line

20 versões:
. YATCH – Holiday (Weezer)
. VAMPIRE WEEKEND – Ruby soho (Rancid)
. BECK feat. JLidell + Feist – Dixie Peach Promenade (Skip Spence)
. GROOVE ARMADA - Are friends electric (Gary Numan)
. FLORENCE & THE MACHINE – My Baby just cares for me (Nina Simone)
. CALEXICO – I send my love to you (Will Oldhan)
. THE MORNING BENDERS - Lovefool (The Cardigans)
. TWIST – Lost cause (Beck)
. HOT CHIP – Nothing compares to you (Prince)
. GRIZZLY BEAR – Boy from school (Hot Chip)
. LEISURE SOCIETY – Cars (Gary Numan)
. PETER GABRIEL – My body is a cage (Arcade Fire)
. WOODPIGEON - Lay your love on me (ABBA)
. THE RURAL ALBERTA ADVANTAGE – Eye of the tiger (Survivor)
. VANDAVEER - Hey, That's No Way to Say Goodbye (Leonard Cohen)
. GRADÁ - The queen and the soldier (Suzanne Vega)
. FEIST & BEN GIBBARD – Train Song (Vashti Bunyan)
. ST. VINCENT – Mistaken for strangers (The National – live)
. JOSH RITTER – The river (Springsteen)
. BILL JANOVITZ - Little mascara (Paul Westerberg)

20 remixes:
. THESE NEW PURITANS - We Want War (SBTRKT Remix)
. DIGITALISM - Taken Away (Gooseflesh Remix)
. TWO DOOR CINEMA CLUB – Undercover Martyn (Jupiter Remix)
. NOISETTES - Every Now and Then (Khan Edison Remix)
. MATT & KIM - Daylight (Troublemaker Remix feat. De La Soul)
. DELPHIC – Doubt (What Kind of Breeze Do You Blow Remix)
. LO-FI-FNK - City (The Teenagers Remix)
. PHOENIX – Fences (Delphic Remix)
. MIIKE SNOW – Silvia (Hugg and Pepp Remix)
. HOT CHIP - Touch Too Much (Fake Blood Remix)
. KASPER BJORKE – Alcatraz (Kenton Slash Demon Remix)
. MASSIVE ATTACK feat. Hope Sandoval- Paradise Circus (Gui Buratto Remix)
. THE XX – Islands (Delorean Remix)
. THE ANTLERS – Two (Buffet Libre Remix)
. WHO MADE WHO - I Lost My Voice (Moullinex Remix)
. FLORENCE AND THE MACHINE - Drumming Song (Boy 8-Bit Remix)
. CHARLOTTE GAINSBOURG - Heaven Can Wait (Grizzly Bear Remix)
. GRIZZLY BEAR - Don't Ask (Final Fantasy Remix)
. OWEN PALLETT - Keep the Dog Quiet (Simon Bookish Remix)
. THE RADIO DEPT. - David (The Rice Twins Remix)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O JARDIM DOS CLOGS


Enquanto esperamos pelo novo disco dos The National, aqui fica uma sugestão condicionada: chamam-se Clogs e da banda fazem parte Bryce Dessner, um dos gémeos dos referidos The National e Padma Newsome, o multi-instrumentista do mesmo grupo e que é ainda o responsável pela totalidade da composição. O quarteto editou já quatro álbuns, todos instrumentais, mas o próximo disco a sair em Março vai ser diferente. O novo trabalho recebeu a colaboração vocal de Sarah Worden (My Brightest Diamond) na maioria dos temas e ainda de Aaron Dessner, Mat Berninger e Sufjan Stevens, que aparece em dueto com Sarah Worden na canção final “We are here”. Intitulado “The Creatures in the Garden of Lady Walton”, o disco teve inspiração no exótico jardim de Lady Walton, viuva do compositor inglês William Walton, localizado na ilha italiana de Ischia (Nápoles), local por onde Padma Newsome passou em 2005. A capa, magnífica, é dos nossos conhecidos dinamarqueses Hvass & Hannibal (Efterklang p.ex.). Entretanto, foi recentemente disponibilizado, via iTunes, um novo EP digital de nome “Veil Waltz” que agrupa nove temas instrumentais, o que, juntando o próximo disco, é muita música para descobrir.

PETER GABRIEL COM COMICHÃO


Ao fim de oito anos, Peter Gabriel decidiu voltar ao estúdio para gravar um álbum inteiro de versões de artistas favoritos. Dos Arcade Fire aos Magnetic Fields, de Regina Spektor aos Radiohead, de Bowie aos Talking Heads, os doze originais sofreram uma descompressão orquestral assinalável, numa toada integralmente calma, como pode ser confirmado na totalidade a partir de hoje no site do jornal The Guardian. O disco tem o nome de “Scratch My Back”, havendo a promessa de um álbum-resposta intitulado “I'll Scratch Yours”, onde cada artista agora "coberto" fará uma versão dum tema de Gabriel. Há já um exemplo desta troca, com Stephen Merritt (Magnetic Fieds) a debruçar-se sobre "Not One of Us" (ver video abaixo), original incluído em "Peter Gabriel" (1980), terceiro disco do ex-Genesis onde repousava ainda o hit "Games Without Frontiers".
A partir de Março, algumas das principais cidades europeias receberão o músico para concertos seleccionados de apresentação do novo trabalho, onde se fará acompanhar por um orquestra “sem bateria”, como faz questão de assinalar. Entretanto, duas das covers encontram-se já a flutuar por aí, com particular destaque para a magnífica “Flume” de Bon Iver.



terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

TOM WAITS NO PORTO (meia-verdade)!


Muitos de nós esperam há anos a vinda de Tom Waits a Portugal. Não somos, no entanto, os únicos a desesperar. Na ilha de Maiorca há até um evento denominado “The Waiting For Waits Festival”, em que cada artista contratado tem que, obrigatoriamente, interpretar um original de Waits, já para não falar no tema tributo que músico de jazz Richie Cole decidiu gravar em 1979 com o nome de “Waiting for Waits” ou no adorável “Tom Waits” de António Pinho Vargas…
Certamente cansados de esperar, os elementos do TUP-Teatro Universitário do Porto puseram mãos à obra e escreveram o argumento da próxima apresentação com base nas músicas, palavras e personagens do próprio artista: "Alimentados pelo génio inconfundível de Waits, vertemos as nossas próprias histórias na construção de um trabalho que, não sendo um tributo ao músico, é uma visão dos seus fantasmas, dos locais que habitam e das suas emoções.”
A peça chama-se “ALAN” (Thomas Alan Waits é o nome de baptismo do génio) e pode ser vista a partir de 17 de Fevereiro na Fundação José Rodrigues, no Porto. Break a leg!

SEM PALAVRA(S)


O genial caricaturista André Carrilho é o autor do desenho de capa da mais recente edição da revista inglesa “Word” com uma caricatura de Bob Dylan. A partir de uma sugestão do editor chefe da publicação, Mark Ellen, a proposta de Carrilho surpreendeu os responsáveis da revista que não tiveram dúvidas em apostar no desenho do português. Já em 2004, o autor tinha assinado uma outra caricatura de Dylan para a mesma publicação e que pode ser devidamente apreciado no seu site oficial. Em 2008, alguns originais estiveram patentes na excelente exposição "Frente e Verso" que decorreu na Galeria do Jornal de Notícias aqui no Porto.

Já agora, ao visitarem o site da “Word” aproveitem e ouçam o novo podcast com o coleccionador Phil Smee. Histórias à volta de vinis, discos raros, músicos e viagens, bem como uma surpreendente versão regaee do tema “Mayfair” de Nick Drake editado pela Trojan Records com a voz de Millie!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

DUETOS IMPROVÁVEIS #130

THE LAST SHADOW PUPPETS &
ALISON MOSSAHART (The Kills)
Paris Summer (Lee Hazlewood)
Canal +, França, Agosto de 2008

OWEN PALETT E LISA GERMANO A NORTE


Depois dos concertos agendados para o Teatro Maria Matos em Lisboa, Owen Pallett (foto) ainda terá tempo para subir até ao Centro Cultural e de Congressos de Aveiro e realizar por ali o único concerto no Norte do país da actual digressão. Será no próximo dia 12 de Março, sexta-feira e espera-se com ansiedade um grande espectáculo de apresentação do magnífico "Heartland".
Outra importante novidade é o regresso de Lisa Germano que, segundo o blog Juramento Sem Bandeira, estará na Casa da Música no próximo dia 7 de Abril sem se conhecerem, no entanto, mais pormenores. Boa!
ACTUALIZAÇÃO: Lisa Germano fará a primeira parte do concerto de Phil Selway, baterista dos Radiohead que assim se estreia a solo. Pormenores por aqui.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

VAI UM BAIXO DO JORGE ROMÃO?


O baixista dos GNR, Jorge Romão, decidiu ajudar a corporação de bombeiros de Vila Praia de Âncora, local onde habita, leiloando dois dos seus baixos exclusivos. Podem ler a notícia no JN de hoje e podem, acima de tudo, divulgar a iniciativa ou, quem sabe, licitar um dos instrumentos. Uma causa simples para tentar resolver problemas difíceis que, infelizmente, ainda subsistem em muitas localidades portuguesas.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

ARCTIC MONKEYS + MYSTERY JETS, Coliseu do Porto, 02 de Fevereiro de 2010


Já passaram quase oito anos sobre a inocência que explodia em temas como “Fake Tales of San Francisco”, “Cigarette Smoke”, “Dancing Shoes”, “From Ritz to the Rubble” ou “Mardy Brun”. Por razões óbvias, nenhuma destas canções foi escolhida pelos Arctic Monkeys para o concerto de ontem no Porto, num alinhamento muito semelhante ao previamente anunciado e que se deve repetir hoje na capital. Os miúdos de então cresceram a todos os níveis, assentaram ideias, deitaram para trás das costas muita dessa verdura e algum cabelo e ao terceiro disco, avançaram, entre brumas negras, para algo mais estruturado e profundo. A primeira parte do espectáculo foi o espelho desta nova faceta, uma potente entrada envolta em luzes vermelhas, num ambiente anunciado pelo DVD “At the Apollo” (2009). Com “Brainstrom” o Coliseu deu um salto instantâneo, respondendo a um baixo que agora se faz notar de forma mais acentuada, marcando passo para o que se seguiria. A excelente versão de “Red Right Hand” do inspirador Nick Cave, uma escolha nada inocente, pôs travão na euforia e “My Propeller” e ”Crying Lightning” culminaram, da melhor maneira, a sequência mais bem conseguida da noite. Surgiu então, atirada da plateia, uma camisola do FCP com o nome da banda estampado nas costas, oferta que Alex Turner calmamente inspecionou e agradeceu, colocando-a em cima da bateria para gáudio da maioria do público. Apesar da goleada que se adivinhava no Dragão, a partir daqui o concerto perdeu, quanto a nós, alguma consistência. Doseando novos temas com alguns clássicos obrigatórios (“The View From The Afternoon” ou “I Bet You Look Good On The Dancefloor”), o equilibrio foi-se desfazendo e só o entusiasmo constante dum Coliseu frenético e jovial manteve a tarimba, de que é exemplo o delirante “When The Sun Goes Down” cantado a um só fôlego. Momentos depois, uma explosão de pequenos rectângulos dourados espalhar-se-ia no recinto durante “Secret Door”, sinal que a festa se aproximava do fim. No único encore, “Fluroscent Adolescent” ainda retomou a dança, mas as luzes do Coliseu, apesar da gritaria, rapidamente se acenderam. Um concerto robusto, duma banda que, passada a fase de crescimento, se encontra, a olhos vistos, a “botar corpo” musculado.

Na primeira parte tocaram, de forma competente, os Mistery Jets. Alguns fãs na plateia conseguiram entusiasmar o restante público e o concerto ganhou até momentos surpreendentes. Um powerpop de tradição inglesa, bem enraizado e trabalhado, a merecer mais atenção, de que é exemplo o single "Flakes" com que termiraram a curta, mas sóbria, aparição.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

FEVEREIRO POP-ROCK


Em início de mês aqui ficam duas sugestões fresquinhas.
A primeira diz respeito ao novo álbum dos suecos Sambassadeur, o terceiro desde 2003. Tem o nome de “European” e só pela capa já vale a pena o destaque. Chamam-lhe “Twee Pop” (?) e, na tradição nórdica da última década, confirmam-se grandes canções e brilhantes arranjos, como o prova o single “Days” já disponível no site oficial. Uma banda para (re) descobrir.


A segunda sugestão vem de Londres e recai sobre o muito aguardado disco dos Tunng, os tais que fizeram de “Pioneers” dos Bloc Party um bom-bom ainda mais apetecível. O quarto álbum “…And Then We Saw Land”, com outra lindíssima capa, sai dia 1 de Março e arrisca menos na electrónica, dando primazia ao folk-rock de tradição inglesa. Uma banda surpreendentemente atraente e que ao vivo, como testemunhado no Natal de 2007, não deixa ninguém indiferente. Já há borlas para os mais apressados.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

SONIC YOUTH NO COLISEU


O novo ano marca, sem dúvida, o regresso do Coliseu da cidade aos grandes concertos. Amanhã são os Arctic Monkeys, em Maio os Grizzly Bear e, sabe-se agora, os Sonic Youth em Abril (a 23, sexta-feira)! É a primeira vez que a mítica banda de Nova Iorque visita a Invicta e também a estreia, salvo erro, num espaço fechado (experiências ao ar livre no velho Campo Pequeno em 1993, no Sudoeste em 1998 e Paredes de Coura em 2007). Só faltam os Pixies…
Entretanto, inaugura depois da amanhã em Madrid a exposição SONIC YOUTH etc. : SENSATIONAL FIX, que apresenta em reprospectiva as multidisciplinares actividades da banda desde 1981 e a sua ligação a diversos e artistas da cidade como Dan Graham, Vito Acconci, Tony Oursler, Cindy Sherman, John Miller, Christian Marclay, Jutta Koether, Isa Genzken, Tony Conrad, Reena Spaulings, Maya Miller ou Rita Ackermann. Comissariada pelo holandês Roland Groenenboom em colaboração estreita com os próprios músicos, a mostra foi anteriormente apresentada na sala LiFE de St. Nazaire (França), no Museion de Bolzano (Itália), no Kunsthalle/KIT de Düsseldorf (Alemanha, ver video) e no Konsthall de Malmö (Suécia). Ficava mesmo bem no melhor museu do país, ou seja, em Serralves.

DUETOS IMPROVÁVEIS #129

ALBIN DE LA SIMONE & YAEL NAIM
What a wonderful world (Armstrong)
Programa “Die Na­cht”, Canal Arte, 2007

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

UMA PALETE DE EMOÇÕES


Quando lemos no Ipsilon/Público as histórias por detrás do disco de Owen Pallett (ex:Final Fantasy) e os elogios rasgados a “Heartland”, ficamos a pensar como seria possível ainda fazer melhor que nos dois trabalhos anteriores. Ontem, quando pela primeira vez o ouvimos de fio a pavio, não ficaram dúvidas quanto à sua grandiosidade e brilhantismo. Trata-se dum trabalho onde Pallett atinge o auge da composição e orquestração, talento que os Arcade Fire ou os Last Shadow Puppets, por exemplo, souberam capitalizar da melhor forma. Cada tema é uma história ficcionada à volta de um personagem chamado Lewis, envolto em orquestrações mirabolantes de teor clássico a fazer lembrar, para melhor, Simon Bookish ou até Neil Hammond/Divine Comedy. São doze canções que não podem ser ouvidas separadamente e que atingem a perfeição pop em “The Great Elsewhere”, precisamente a meio do disco. Uma imensidão emocional e sonora que ao vivo será, supostamente, impossível de alcançar, havendo por isso uma outra versão do disco preparada para as salas (ver video). Somos, no entanto, testemunhas das capacidades e habilidades de Pallett que, na companhia do multi-instrumentista Thomas Gil, se apresentará, para tirar todas as dúvidas, em dois concertos, já em Março, no Teatro Maria Matos de Lisboa. Se o ano passado, logo em Janeiro, estava encontrado um dos discos do ano (“Merriweather Post Pavilion” dos Animal Collective), em 2010 não será difícil perceber que, com este “Heartland”, a história se repete.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

FAROL #80



A semana passada demos conta que Joanna Newson editaria em breve o álbum “Have One On Me”. Sabemos agora que o disco é triplo, está cá fora em final de Fevereiro e que o novo material está já a ser devidamente apresentado na corrente digressão australiana onde surgem temas até agora inéditos como “Jack Rabitts”, “In Califórnia”, “Autmn” ou “Ribbon Bows”. Um desses concertos, realizado na majestosa Sydney Opera House, foi registado para a posteridade por um site auto-denominado Fan Made Recordings e servido, sem restrições, a todos os interessados…

CARIBOU A METER ÁGUA


Três anos depois do inesquecível “Andorra” e de passagens por Lisboa e Paredes de Coura (2008), o projecto Caribou do multi-facetado Daniel Snaith tem um novo disco agendado para 20 de Abril na editora Merge Records nos EUA e City Slang na Europa. O site oficial disponibiliza o inédito “Odessa” para descarga, cinco minutos bem ritmados que parecem caracterizar o álbum “Swim” e que o próprio descreve desta forma: “got excited by the idea of making dance music that’s liquid in the way it flows back and forth, the sounds slosh around in pitch, timbre, pan… Dance music that sounds like it’s made out of water…”.
Para matar saudades, aqui fica o magnífico “She’s The One” cantado pelo amigo Jeremy Greenspan dos Junior Boys.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

NOVO ESQUEMA DOS RADIO DEPT.


Ao fim de quatro longos anos de espera, eis um novo álbum para os suecos Radio Dept. Deste terceiro trabalho conhecíamos, desde o verão passado, um fantástico primeiro single intitulado “David” mas, entretanto, o longa-duração foi estranhamente adiado. Surge agora a confirmação que o disco está pronto e que em Março chegará às lojas via a editora Labrador Records com o nome de “Clinging To A Scheme”. O tema “This Time Around” foi já escolhido para segundo single, mas no site oficial da banda há uma outra canção nova –“ Heaven's On Fire” - para ouvir. Aproveitem e descarreguem gratuitamente, entre EP’s, bootlegs e covers (a de “Bachelor Kisses” dos eternos Go-Betweens, p.ex.), material mais antigo tal como o inesquecível “The Worst Taste in Music” em versão ao vivo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

DUETOS IMPROVÁVEIS #128

GARY NUMAN & LITTLE BOOTS
Are 'Friends' Electric? (Numan)
BBC Radio 6 Music, Dezembro de 2009

FINALMENTE


O projecto é já muito antigo, mas só agora vê a luz do dia. A “Enciclopédia da Música em Portugal no século XX” foi apresentada recentemente no Teatro S. Carlos em Lisboa, resultado final dum trabalho de pesquisa com mais de dez anos. Sob a direcção da etnomusicóloga Salwa Castelo-Branco da Universidade Nova, recolheram-se bandas, etiquetas, instrumentos, estilos, intérpretes, músicos e compositores que vão da “da kizomba ao jazz, do fado à pop, do popular ao erudito“. Quatro volumes inéditos com mais de 1250 entradas que constituem, sem dúvida, uma iniciativa arrojada em tempos de consultas digitais, respostas instantâneas ou dúvidas rebuscadas.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

UM CHEIRINHO DE MIDLAKE


Aproxima-se a data de edição do novo “The Courage of Others” dos Midlake. No nosso iPod, contudo, o disco já ferve em lume brando desde final do ano passado e o que podemos dizer é que a labareda aumenta a cada audição. Ambientes cinzentos, toada calma e pastoral, num disco corajoso que vai dividir opiniões. Datas ao vivo são já muitas, mas até agora a Península Ibérica ainda não foi contemplada. Desde ontem, há um pequeno teaser oficial que anuncia o novo trabalho e que soa perfeito num dia tristonho como o de hoje.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

DAVID THOMAS BROUGHTON EM AVEIRO


Para os mais desatentos, recomenda-se o concerto de David Thomas Broughton no Teatro Aveirense previsto para amanhã. Trata-se dum espectáculo exclusivo para Portugal e constitui, sem dúvida, a oportunidade certa para descobrir um talento em bruto que atormenta já algumas mentes desde o lançamento, em 2005, do disco “The Complete Guide To Insufficiency”. Ao vivo, conta quem viu, a vibração é arrasadora e inquietante, num misto irrequieto de improvisação e folk electrónica. Prometem-se ainda algumas versões lisas (a de “Rock Botton Raiser” dos Smog é brilhante) e outras quase irreconhecíveis

BILL CALLAHAN EM DISCO AO VIVO


Um inédito disco ao vivo do senhor Bill Callahan está prometido para Março. O site da editora Drag City anuncia para essa altura o lançamento de “Rough Travel For a Rare Thing” sem, no entanto, adiantar mais pormenores. O alinhamento dá primazia, quase na totalidade, a canções antigas dos Smog e onde se incluem clássicos como “Cold-Blooded Old Times”, “Rock Bottom Riser” ou “Bathysphere”. Há ainda “Diamond Dancer”, a única canção em nome próprio escolhida e que fez parte de “Whoke on a whaleheart” de 2007. Tal como os seus concertos, o novo registo não vai, certamente, desiludir ninguém e serve para matar saudades de inesquecíveis noites em Braga (Theatro Circo, 2008) e Porto (Mercedes, Junho de 2003).

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

KATE McGARRIGLE (1946-2010)



A morte de Kate McGarrigle, mãe de Rufus Wainwright, é obviamente uma notícia triste. Quando em Novembro de 2007, num Coliseu de Lisboa apinhado, Rufus a convidou a subir ao palco para dois duetos ao piano inesquecíveis (“My Funny Valentine” e um raríssimo ”Barcelona”), logo percebemos a longínqua cumplicidade duma família de artistas mais que habituada ao estrelato. Nos últimos anos foram frequentes as iniciativas de solidariedade na égide do Kate McGarrigle Fund, instituição dedicada à pesquisa e prevenção do cancro. Em diversos palcos, a família juntou-se para fazer cantar e encantar, tal como aconteceu em Dezembro passado no Royal Albert Halll no âmbito de mais um espectáculo da série “A Not So Silent Night”. Com uma enorme experiência de palco, Kate formou com a sua irmã Anne, as McGarrigle Sisters que, desde final dos anos 60, chegaram a gravar mais de dez álbuns. Aqui fica um exemplo desse talento datado de 1991. Imaginem quem canta no coro… Peace!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O ARTISTA-TURISTA EM BARCELONA


Em dia de nostalgia veraneante nada como uma receita infalível: Barcelona e Josh Rouse. Os amigos da Blogothéque assentaram arraiais na cidade no verão passado e na companhia do, agora, artista hispano-americano, filmaram o mar, ruas, prédios, pessoas, mercados e aquela luz inesquecível registada na medida certa por Vincent Moon. A tudo se juntam algumas confissões e um conjunto notável de temas acústicos, alguns já conhecidos e outros que serão incluídos no novo “El Turista”, do qual circula já o single “I Will Live on Islands”. Um “Take Away Show” em quatro partes de cortar a respiração e que nos trás tantas saudades de inesquecíveis dias e, principalmente, noites de borga catalã...

NUNCA MAIS CHEGA O VERÃO


O muito esperado terceiro disco dos Ruby Suns está aí a rebentar. Chama-se “Fight Softly” e a electrónica parece ter ganho alguma primazia. Repetem-se, no entanto, as habituais multi-influências geográficas que vão da cumbia colombiana ao kuduro angolano, passando pela indispensável bossa nova. A ordem é para dançar, como o prova o primeiro single “Cranberry” (disponível desde já para download gratuito) a fazer lembrar saudosas noites quentes ou areias macias. O disco teve por base as estradas e paisagens da tournée do ano passado que as cidades do Porto e Coimbra tiveram a felicidade de testemunhar. No caso desta última, a brisa do Mondego serviu até de inspiração para uma nova canção devidamente apresentado num Salão Brazil solarengo e que, quem sabe, talvez tenha sido uma das novas eleitas. Era bom vê-los de volta com o crescer dos dias.

INJUSTIÇAS!


O site Artvinyl decidiu escolher as melhores capas de discos do ano de 2009. Gostos não se discutem e o prémio principal foi atribuído ao último álbum dos Muse “The Resistance”… Na resposta, a revista inglesa Mojo promoveu uma eleição das piores capas do mesmo ano e inclui, no sexto lugar, a mesma capa dos Muse! Explicações e comentários por aqui. Certo é que ambas as votações se esqueceram, para o bem e para o mal, do clássico mau gosto do artista conhecido por Prince e cujo grande álbum triplo de 2009 “Lotusflow3r” apareceu envolto nesta trista figura que acima se reproduz. Como o disco só foi editado (salvo o erro) em formato digital, está explicado o esquecimento (ufa!). O que vale o talento musical de reverendíssima alteza mantem-se em níveis assinaláveis, cujo reconhecimento público por estas bandas terá até uma noite-tributo já no próximo sábado no ultra-fumarento Passos Manuel.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

DUETOS IMPROVÁVEIS #127

RICKIE LEE JONES & BEN HARPER
Old Enough (Jones)
The Ellen Show, NBC, 4 Janeiro de 2010

Y(e)S, JOANNA NEWSON TEM NOVO ÁLBUM


Bastou um link para este misterioso desenho numa recente notícia intitulada “@!?*(%$#!!” da editora Drag City, para lançar uma catadupa de dúvidas. Trata-se, no entanto, dum curioso estratagema que anuncia o novo disco de Joanna Newson para o final de Fevereiro e que se chamará “Have One On Me”. Lançaram-se diversas hipóteses quanto ao significado quer do desenho quer do título do álbum, chegando a “má língua” a ironizar que a artista estaria grávida ("new son") ou em vésperas de casamento com Andy Sanberg, comediante da equipa do ”Saturday Night Life”… O que é certo é que o disco foi finalmente confirmado por terras da Austrália, local onde se inicou já uma intensa digressão. Depois do fantástico “Ys” de 2006, a fasquia está bem alta!

3 X 20 JANEIRO


20 canções:
. AIR – Tropical disease
. DOVEMAN – Hurricane
. ALEC OUNSWORTH – Obscene Queen Bee #2
. REAL ESTATE – Beach Comber
. COTTON JONES – Some strange rain
. ANIMAL COLLECTIVE – What would I Want? Sky
. YEASAYER – Madder red
. LINDSTROM & CHRISTABELLE – Baby can’t stop
. MAYER HAWTHORNE – Maybe so, maybe no
. JOSH ROUSE – Easy street
. BEACH HOUSE – Real love
. B FACHADA – Kit de prestidigitação
. LAURA VEIRS – Sleeper in the valley
. ASOBI SEKSU – Famliar light
. THE FIERY FURNACES – Keep me in the dark (Matthew Friedberger)
. DEVENDRA BANHART – Meet me at lookout point
. ALEXI MURDOCH – Some day soon
. MIDLAKE – Fortune
. RICKIE LEE JONES – The moon is made of gold
. TOM WAITS – I’ll shoot the moon (live)

20 versões:
. CHROMEO – I can tell you why? (Eagles)
. LITTLE BOOTS & GARY NUMAN – Venus in Furs (Velvet Underground)
. FLORENCE & THE MACHINE – Addicted to love (Robert Palmer)
. IMOGEN HEAP – Thriller (Michael Jackson)
. SOLANGE KNOWLES - Stillness Is the Move (Dirty Projectors)
. KATE RUSBY & KATHRYN ROBERTS – The queen and the soldier (Suzanne Vega)
. ELIZABETH & THE CATAPULT - Everybody knows (Leonard Cohen)
. LAURA CANTRELL - Cowboy in the moon (Lambchop)
. THE PLUTO TAPES – Wolf like me (Tv on the Radio)
. BEN LEE – Kids (MGMT)
. SONDRE LERCHE – Bluish (Animal Collective)
. JOHN FRUSCIANTE – Song to the siren (Tim Buckley)
. AIMEE MIRIELLO – Disarm (Smashing Pumpkins)
. DAVID THOMAS BROUGHTON - Rock bottom raiser (Smog)
. JOSHUA JAMES – Loosing my religion (R.E.M.)
. KATHERINE DONOVAN – Naked as we came (Iron & Wine)
. JAY RETARD – Gamma ray (Beck)
. SHARON JONES & THE DAP KINGS - Take Me with U (Prince Cover)
. THE LEMONHEADS – Hey, that’s not the way to say goodbye (Cohen)
. ATLAS SOUND – Walk a thin line (Fleetwood Mac)

20 remixes:
. HOT CHIP – One Life Stand (Carl Craig PCP Remix)
. DELPHIC - Doubt (Riton Re-Rub Remix)
. JUAN MCLEAN - Happy House (Cut Copy Remix)
. CHROMEO - Night By Night (Bubblegum Sci Fi Remix)
. PASSION PIT - To Kingdom Come (Artwork Remix)
. FLAIRS –Truckers delight (Alex Gopher Remix)
. LINDSTROM & CHRISTABELLE - Baby Can't Stop (Aeroplane Remix)
. COLD WAR KIDS - Something Is Not Right with Me (Richard Swift Instruments of Science and Technology Remix)
. SHARON JONES & THE DAP KINGS – Keep on looking (Kenny Dope remix)
. TERRY POISON - Comme Ci Comme Ca (The Twelves Remix)
. PATRICK WOLF - Hard Times (James Yuill Remix)
. FEVER RAY - Now's the Only Time I Know (J-Wow Mix)
. SEBASTIAN TELLIER - Fingers of Steel (Hypnolove Remix)
. SALVADOR SANTANA - Keyboard City (Dan Deacon Remix, ft. GZA)
. GRIZZLY BEAR - Cheerleader (Neon Indian Studio 6669 Remix)
. YEASAYER - Ambling Alp (Memory Tapes remix)
. JAMES YUILL - This Sweet Love (Prins Thomas Sneaky Re-Edit)
. NOTWIST - Boneless (Grizzly Bear Remix)
. GOLD FRAPP - Little Bird (Animal Collective Remix)
. BON IVER - Re-Stacks (Tomas Barfod Remix)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

BORLAS DOS DIRTY PROJECTORS








Os Dirty Projectors estão a promover o download gratuito de dois temas inéditos que ficaram de fora do álbum “Bitte Orca”, mas que, no seu entender, não entroncavam na atmosfera “soul squeeze on blood sugar sex magic” que dele transpirava! As canções “Ascending Melody” e “Emblem of the World” terão uma edição em vinil de 7” que poderá ser vosso se a sorte vos acompanhar. É só preciso indicar o email...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

DUETOS IMPROVÁVEIS #126

LHASA DE SELA & PATRICK WATSON
Between the Bars (Elliott Smith)
Fiume Nights, Montreal, Canadá, Abril de 2009

CHAMEM AS TAXI, TAXI!


Não, não chamem os Taxi tripeiros, nem os Taxi Taxi de Broklyn que não vale a pena. Chamem sim as Taxi Taxi! (com o distinto ponto de exclamação), irmãs gémeas baptizadas de Miriam e Johanna Berhan em Estocolmo, Suécia, que, apesar dos seus dezanove aninhos, lançaram em 2009 o seu primeiro longa duração a que chamaram “Still Standing at Your Back” e onde tocam a totalidade dos instrumentos. Com o patrocínio de Bjorn Ytlling dos Peter, Bjorn & John e o acolhimento da editora Fiercepanda, o disco tem recebido largos elogios e menções, causando forte impressão a simplicidade e consistência das composições, algo a que, no entanto, a juventude musical nórdica nos tem habituado nos últimos anos. A 9 de Abril próximo, se chamarem um táxi, o destino é o Cineteatro de Estarreja que as receberá, no aconchego do seu café-concerto, para momentos, certamente, reconfortantes. A “bandeirada” é anti-crise (2€)...

Taxi Taxi! perform Ripest Fruit in the Århus Musikhuset from gogoyoko on Vimeo.

CALLAHAN x THE XX = MILAGRE!


Parecia que estávamos a adivinhar! Quando anunciamos a presença de Bill Callahan em Vigo, sugerimos a sua presença no próximo Festival Para Gente Sentada. Surge agora a confirmação dum concerto do ex-Smog no primeiro dia do Festival, previsto para 26 de Fevereiro, Sexta-Feira, encerrando uma digressão ibérica. Curiosamente, no mesmo dia, anuncia-se que os The XX estarão na Casa da Música, também num dia 26, mas de Maio. Dois dos autores de dois dos melhores discos de 2009 estarão, assim, bem perto. Só pode ser milagre!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

FIERY FURNACES vs FIERY FURNACES


No “local do crime” do costume surgiu a pergunta “Queres o novo dos Fiery Furnaces?”. Surpreendidos, respondemos “O quê? Já há um novo disco?”. À cautela, os mp3 lá foram parar ao iPod. Ainda bem. Trata-se de uma deliciosa e exclusiva edição digital de nome “Take Me Round Again: The Friedbergers cover the Friedbergers” onde os irmãos de Oak Park rearranjam os originais incluídos no disco do ano passado “I’m Going Away”. Retomando uma prática antiga, cada um pegou em seis canções (com algumas repetições) e, separadamente, deu-lhes nova vida mantendo, no entanto, as líricas. A inspiração teve por base um repto lançado aos fãs para descreverem “I’m Going Away” mesmo antes da sua edição e que a banda, ironicamente, apelidou “Deaf Descriptions”. Estas novas interpretações são usadas regularmente nos espectacúlos ao vivo, o que poderá ser o caso do imperdível concerto previsto para 26 de Fevereiro no Santiago Alquimista.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

UMA ELECTRO ÓPERA DOS THE KNIFE


Já por aqui demos conta da ópera que o duo The Knife preparou em 2009 para assinalar os 150 anos sobre a publicação do livro “A Origem das Espécies” de Charles Darwin. Intitulada “Tomorrow, in a year”, já estreou em Copenhaga em Setembro passado e tem já novas datas agendadas noutras cidades europeias ao logo do novo ano. Para este projecto arrojado Karin Andersson e Olof Dreijer decidiram convidar os músicos berlinenses Mt. Sims e Planningtorock e preparam-se agora para lançar um CD duplo de 16 temas com a totalidade da versão de estúdio. Uma primeira “ária” chamada “Colouring of Pigeons” está já disponível para download, mediante inscrição, no site da banda, mas podem aceder a ele duma forma mais rápida. Onze minutos surpreendentes onde a voz de Karen se mistura com a habitual percussão dos The Knife e algumas vozes operáticas. Nada mal para quem, como confessado, nunca assitiu a uma ópera e não sabia o que era um libretto

TIME OUT PORTO


A notícia está no Público de hoje. A revista Time Out terá uma edição mensal “Porto” já a partir de Abril, num projecto autónomo ao existente na capital. Segundo as declarações de João Cepeda, director da Time Out Lisboa, o novo projecto será "feito por pessoas do Porto e para as pessoas do Porto, e não uma revista para turistas" e terá sede na Rua Miguel Bombarda. O imenso fervilhar socio-cultural da cidade nos últimos anos é apontado como razão principal desta nova aposta que será liderada pelo experiente Jorge Manuel Lopes. Ficava bem, já agora, um “Time Out Porto Festival”!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

NOVOS TRIBUTOS A NICK DRAKE


Uma série de concertos/homenagem a Nick Drake está agendada para este novo ano, dois deles já este mês. Organizados pelo produtor Joe Boyd, o primeiro evento terá lugar no Royal Concert Hall de Glasgow no dia 20 de Janeiro e contará com a presença Danny Thompson, baixista original de Drake e também Green Gartside (Scritti Politti), Vashti Bunyan, Teddy Thompson, Lisa Hannigan, Robyn Hitchcock e Stuart Murdoch (Belle & Sebastian). O espectáculo repete, dois dias depois, no Barbican de Londres. Esta homenagem acontece após a morte de Robert Kirby, amigo e principal orquestrador dos dois primeiros discos do músico e que esteve também envolvido, em Maio passado, num elogiado concerto. Nessa altura foi a cidade de Birmingham a escolhida e entre os artistas convidados destacaram-se Beth Orton, Martha Wainwright ou o ex-Blur Graham Coxon que se aventurou, corajosamente, neste “Place to Be”.

O LADO MAIS BRILHANTE DA LUA


A salutar loucura dos Flaming Lips continua imparável. A prometida versão total do disco “Dark Side of The Moon” dos Pink Floyd já está no iTunes desde o final de Dezembro, projecto que contou com ajuda dos Stardeath and the White Dwarfs, banda de um sobrinho do próprio Wayne Coyne. O tema “On the Run” conta com a participação de Henry Rollins e foi, ao que parece, transformado numa canção disco. Por seu turno, o mítico “Money” surge agora em versão robotizada. O senhor Roger Waters deve andar arrepiado! Os Flaming Lips marcaram, entetanto, para a passagem de ano a sua habitual festa “Freak Out”, evento que decorreu em Oklahoma, terra natal da banda. O (des) concerto serviu para apresentar ao vivo esta nova aventura e incluiu a "maior bola de espelhos e a maior largada de balões do mundo". A “coisa” resultou desta maneira…

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

REALMENTE BOM


Os Real Estate já foram aposta do site Stereogum para 2009 e uma das “Band To Watch 2010” para a incontornável Pitchfork. Tanto buzz passou-nos um pouco ao lado até há poucos dias. Na última recarga de 2009 do iPod “cairam” o primeiro Ep e álbum dos Real Estate e agora percebemos os elogios. Chamam-lhe “surf pop psicadélico” mas a nós faz-nos lembrar os primeiros discos dos Go-Betweens, dos Pavement e até o saudoso disco de estreia dos Del Amitri. Ao vivo há quem diga que ainda é melhor, o que poderá ser proximamente comprovado nos três concertos portugueses de Fevereiro (dia 16 no Plano B).

Real Estate // Beach Comber from Ray Concepcioñ on Vimeo.


LHASA DE SELA (1972-2010)


No dia de Natal morreu Vic Vhesnutt. No dia de Ano Novo faleceu Lhasa de Sela. Datas festivas e, supostamente, de alegria. A morte, contudo, não escolhe a hora, mesmo que haja a sensação de que, nesses dias, o mundo pára. Ficamos ainda hoje sem muitos adjectivos para classificar o magnífico disco de estreia de Lhasa “La Llorona” de 1998. Como nós, ficaram muitos críticos e jornalistas perante uma música cantada em espanhol onde passeiam, em círculos, o country, o blues ou a música cigana. A mesma dificuldade, encontramos o ano passado com o terceiro disco “Lhasa”, que demorou a entranhar-se mas que, caramba, é magnífico. Lhasa de Cela, que esteve em Famalicão em 2004 para um concerto intenso, mas que, por razões (agora) menores, acabamos por não assistir, foi uma lutadora. Tal como Chesnutt, só mesmo a doença a fez parar. A música, essa, é certamente eterna. Peace!