domingo, 8 de junho de 2014

HEBRONIX+LEE RANALDO & THE DUST+YAMANTAKA // SONIC TITAN+NEUTRAL MILK HOTEL+JOHN GRANT+THE NATIONAL+CHARLES BRADLEY+ST.VINCENT+!!!+TY SEGALL, Primavera Sound, Porto, 7 de Junho de 2014
















Com as pernas a pesar e o sono a fazer mossa, só mesmo o alto nível e a qualidade dos concertos nos manteve irresistivelmente despertos até ao dealbar do sol. Memorável dia... e noite!


Hebronix, Palco ATP
      
















Encostados à grade, como alguns, a pergunta foi imediata - mas o que raio é isto? Chamam-se Hebronix, são em palco um duo de violino e guitarra, num aglomerado de alguma intimidade noise que funciona como experiência instrumental e alguma voz. O projecto pertence a Daniel Blumberg, líder dos recomendáveis Yuck, e foram muitos os que não arredaram pé para planar até ao fim. Surpresa quase irreal (o disco chama-se, lá está, "Unreal") que urge descobrir.

Lee Ranaldo & The Dust, Palco Super Bock
O caminho a solo dos membros dos Sonic Youth tem em Portugal um reduto privilegiado. Não que isso seja mau e nos últimos anos temos assistido amiúde a regressos quase semestrais ora de uns ora de outros. Por isso mesmo, as novidades de Lee Ranaldo foram poucas ou nenhumas, apesar da competência, da simpatia, do Steve Shelley e da qualidade do som. Visto e revisto.

Yamantaka // Sonic Titan, Palco ATP
O palco ATP é uma caixinha de surpresas. Este colectivo baptizado de Yamantaka // Sonic Titan, trajado e pintado a rigor, devia motivar um campeonato de classificações mas podemos começar pela oficial - banda psicadélica de ópera noh-wave! É bom? Irresistível é com certeza, uma mistura de metal progressivo (o quê?) e um orientalismo cénico que tem sede em Montreal mas podia ser em Berlim ou em Lima. De dimensão sónica apreciável, as memórias vivas do Primavera deste ano vão passar pela pergunta "Viste as japonesas?" Resposta aqui da casa: de princípio ao fim!

Claro que tamanha aventura teve danos talvez irreparáveis - dez foram os minutos para estacar ao longe e sorver os Neutral Milk Hotel. Pela quantidade de palmas, pela satisfação de Jeff Magnum e companhia teremos perdido, certamente, um bom concerto. Paciência... próximo! 

John Grant, Palco Super Bock
Por falar em memórias, ora aqui está um dos momentos altos de todo o festival. O senhor John Grant trouxe os amigos irlandeses para engrandecer as suas canções e o resultado foi brutal. Som límpido e tratado (finalmente!), público conhecedor e um alinhamento que abanou todo o anfiteatro ("Black Belt"), soltou a cantoria colectiva ("GMF" ou "Vietman") e accionou múltiplos tremores ("Where Dreams Go To Die" ou "Glacier"). Mas foi com "The Queen of Danmark", a fechar, que Grant nos fez soltar ainda mais a garganta e fechar os olhos. Grandioso é pouco!      

The National, Palco NOS
Curioso, num comentário do amigo habitual, como os The National chegaram a esta dimensão ao fim de tantos anos de luta. Mereceram a imensa plateia, embora o som do palco principal, mais uma vez, não estivesse grande coisa. Ainda ouvimos não muito bem colocados, entre outros, o "Mistaken For Stangers", o "Sorrow" em dueto com Annie Clark/St. Vincent ou o "Bloodbuzz Ohio", mas um "chamamento divino" fez-nos partir colina acima para uma cerimónia com data e hora marcada...

Charles Bradley, Palco ATP
Ladies & Gentleman Mr. Charles Bradley! Imponente no seu fato e capa vermelha o fenómeno da soul arrebatou tudo e todos com uma banda clássica com os metais a gingar, duas guitarras ao desafio e um Hammond a olear a máquina. Depois há ainda o baixo fatal e a voz rouca e potente de um homem que todos descobrimos há pouco tempo mas que, sem sabermos, conhecemos há muito na sua sinceridade e amor pela música. Pena que tudo tenha terminado num ápice e foi mesmo bom ver os sorrisos nas caras e o brilho nos olhos de todos os que se renderam ao seu charme. Memorável! 

St. Vincent, Palco Super Bock
O mundo da pop não tem tido nos últimos anos muitos abanões. Uma das excepções chama-se Annie Clark escondida em discos atrás de St. Vincent, trabalhos consistentes e até arriscados. Ao vivo a depuração pode não ser tão notória mas o espectáculo de ontem teve tanto de vibrante como de carismático, com uma artista cativante na sua voz e inseparável guitarra, onde sem grandes arrebatamentos, é certo, não deixou ninguém indiferente. Clark concebeu um espectáculo sem mácula e onde a grandes canções ("Digital Witness", "Cruel" ou "Birth in Reverse") se aliam poses sedutoras e cenografias ensaiadas, numa receita visualmente sedutora e sonoridade requintada.     

!!! (Chk, Chk, Chk), Palco NOS
A festa dos !!! (Chk, Chk, Chk) não seria difícil de prever. Último concerto da noite, o último no palco principal e um Nic Offer, como sempre, sem rédea, resultou numa aclamada funkalhada de princípio ao fim. Incrível na sua dose energética, Offer partiu a loiça na frente, no fundo e nos lados do imenso palco e atirou-se para apertos e amassos entre o público para desespero da segurança e regozijo da trupe. A banda esteve uns dias no Porto a ensaiar novos temas em pleno Hard Club e, sendo assim, não precisou de muito tempo para carburar a todo o gás, desfilando temas em contínuo num alinhamento que privilegiou o último "Thr!!!er" e donde saíram pedradas como "Except Death", "One Girl /One Boy" e o mais que certeiro "Get That Rhythm Right". As pernas massacradas só pediam "pára, pára!" mas como resistir a tamanho balanço?
    
Ty Segall, Palco ATP
Mesmo de rastos, esta era uma oportunidade imperdível - Ty Segall, o puto do rock esgalhado e sem freio estava no palco ATP a acelerar e, por isso, bute... Irrequieto e explosivo, Segall comanda uma banda de bateria e outra guitarra e com um magnífico Mikal Cronin no baixo (!!!) que incendiou e atiçou a plateia sem grande esforço. O próprio não resistiu a elevar-se em intenso crowd surfing mesmo no final enquanto a banda o procurava lá bem no meio do público. Meia-hora de abanão para terminar uma maratona triunfante. Para o ano, está confirmado, há mais!

sábado, 7 de junho de 2014

MIDLAKE+WARPAINT+POND+COURTNEY BARNETT+PIXIES+DARKSIDE+SHELLAC, Primavera Sound, Porto, 6 de Junho de 2014



O segundo dia do Primavera Sound prometia um corre-corre entre palcos, nomeadamente o lindíssimo ATP-All Tomorrow Parties situado no alto da colina. O reforço energético fez-se com as saborosas sandes do Guedes, um dos sucessos da edição deste ano. Ala, que se faz tarde e sem chuva! 

Midlake, Palco Super Bock



Os fim de tarde parecem destinados aos Midlake e já em Coura, em 2012, aquando da sua estreia portuguesa foi a luz do dia que os recebeu. Ambiente, por isso, soalheiro, calmo e as canções, aquelas canções, a soarem perfeitas. Pena a pouca qualidade do som mas não há como não resistir a "Roscoe", "Antiphon" ou "Head Home" mesmo a acabar, uma das muitas pérolas sem tempo nem idade. Saboroso! 

Warpaint, Palco NOS


Parecendo que não, as Warpaint deram um dos grandes concertos do festival. Se o segundo disco homónimo levanta algumas interrogações, a actuação de ontem tirou todas as dúvidas subsistentes. Hipnótico, consistente, bem tocado, as de Los Angeles desfilaram um rock maduro onde o óbvio é o contrário do subtil. Não faltou o "Ashes To Ashes" de Bowie ou o "Undertow" soletrado por muitos como se fosse só seu. Muito bom.

Pond, Palco ATP

É bom sentir que há, como nós, muita gente precavida, avisada e com o "Hobo Rocket" a rodar no iPod. A multidão que se deslocou ao palco ATP para ver os Pond era um bom sinal e as expectativas confirmaram-se em pleno. Concerto enorme do colectivo australiano, pleno de vigor psicadélico com direito a intenso crowd-surfing e uma banda surpreendida pela adesão e reacção. Perfeito!   

Courtney Barnett, Palco Pitchfork
Em passo de corrida até à tenda do Pitchfork ainda a tempo de, pelo menos, confirmar os dotes de Courtney Barnett. Em modo power trio, percebemos instantaneamente a energia e raça de um rock talentoso e nomear "History Eraser" como uma das canções do ano. Que o regresso não demore.  

Pixies, Palco NOS
A enchente previsível para receber os Pixies sabia para o que vinha: um desfile de êxitos, aqueles que fizeram da banda um marco da história da música moderna. Não falhou quase nenhum, mas mesmo nesses ("Here Comes Your Man", "Monkey Gone To Heaven" ou "Where Is My Mind?" por exemplo) faltou chama, daquela que arrebatou, sem contemplações, plateias por esse mundo fora. O virtuosismo de Santiago está lá, a raça de Black também, a força de Lovering ainda se nota e até a nova recruta Lenchantin não deslustra, mas... e este "mas" talvez se explique ao ouvir o novo disco.

Darkside, Palco Pitchfork
Vai já longe uma noite da Casa da Música com uns Darkside ainda titubeantes mas, ainda assim, sedutores. Ontem a massa humana enchente da tenda logo cedeu a uma electrónica nocturna que Jaar sabe ritmar como poucos e onde a guitarra de Harrington serve como calafrio sonoro que agita e acelera, no momento certo, a dança. Misteriosamente elegante.    

Shellac, Palco ATP
A cátedra Shellac tem neste festival um lugar irremovível. De frequência obrigatória, o mais que galardoado trio está cada vez melhor e mesmo sendo madrugada alta não faltou público, humor-negro e energia rock para dar e vender ou não fosse Albini e companhia um estudo de caso fundamental. Honoris causa já!

sexta-feira, 6 de junho de 2014

RODRIGO AMARANTE+SKY FERREIRA+CAETANO VELOSO+HAIM+KENDRICK LAMAR+JAGWAR MA, Primavera Sound, Porto, 5 de Junho de 2014

















O Primavera Sound portuense vai-se refinando ano após ano. Não há filas na entrada, não há congestionamentos prévios e os sorrisos nas caras da maioria dos que deambulam ainda com sol pelo recinto são sinónimo de um regresso feliz a um local e a uma cidade que deixa saudades. Saudades temos nós da Tubitek, discoteca mítica da Praça D. João I que forneceu gerações de melómanos e que agora promete regressar muito em breve ao mesmo local repleta de vinil. Uma boa surpresa de acolhimento!   
  
Rodrigo Amarante, Palco Super Bock

As canções que repousam em "Cavalo", disco lindo de Rodrigo Amarante, tiveram apresentação em primeira mão aquando da vinda de Devendra Banhart ao Porto em Agosto do ano passado. Nessa noite já as canções sugeriam uma beleza que, quase um ano depois, se transformou em magia. Perfeito no fim de tarde, perfeito na simpatia, perfeito no alinhamento, só faltou, como suspirado, uma "perninha" com o Caetano... Belezura!        

Sky Ferreira, Palco Super Bock
















Já com estômago aconchegado (obrigado, Guedes!) e que nos desculpem os Spoon, acampamos ao longe para testar a menina Sky Ferreira. Conhecemos o nome e a sua suposta ascendência portuguesa mas nunca ouvimos o disco ou sequer espreitamos qualquer video. Reparamos na capa do álbum por razões óbvias e fomos notando algumas maledicências nas revistas linguarudas. Ou seja, estávamos prontos para tudo. Resultado: gostamos, mas não muito! Há imenso potencial, a voz cativa, as canções, algumas, até que não envergonham a pop ("Heavy Metal Heart") mas alguns tiques de desleixo ensaiados não lhe ficam nada bem. Vamos, contudo, ficar mais atentos.    

Caetano Veloso, Palco NOS
















Isto de ver o Caetano Veloso num festival algum dia tinha que acontecer. Que esse dia fosse no Porto e no melhor evento do género do país não foi, com toda a certeza, por acaso. O espectáculo com a banda Cê está mais que rodado e, por isso, nada havia a temer pois a variedade da ementa satisfaria, como se confirmou, a diversidade de exigências. Do funk, ao puro rock, passando pelo samba, o "abraçaço" rapidamente se espalhou sem exageros de vedeta ou venerações pindéricas porque é de um lenda luminosa com os pés bem assentes na terra de que estamos a falar. Caetano é de outro mundo, Caetano é um mundo, Caetano é de todos NOS (ups!) e todos somos Caetano. Valeu!
   
Haim, Palco Super Bock
Ter logo a abrir o "Falling " e o "If You Could Change Your Mind" até que foi cool. Duas das melhores canções das Haim rapidamente puseram a plateia 
em alvoroço por arrasto de um contagiante corropio das irmãs em cima do palco. O fôlego parecia até irresistível, parecia... porque o concerto entrou em "modo controlado" apesar de um suposto momento jam e algumas malhas rock. Os discursos estudados em gritaria, as "f words" e quejandos evidenciam uma juventude artística traçada a régua e esquadro por uma indústria ávida mas suicida e que em poucos anos lhes vai tirar o tapete. Vão ser grandes, não foram?

Kendrick Lamar, Palco NOS
















Kendrick Lamar é um fenómeno? A pergunta teve resposta contundente na imensa plateia que ondulava, braços no ar, sob comando do artista com pinta de rapper. Uma sedutora base instrumental tocada ao vivo (baixo, bateria, guitarra e teclas!) e sem samples exagerados, conduziu o concerto a excelentes momentos, nomeadamente os mais calmos de travo r&b de fino recorte e a captar adeptos como nós. Curto, mas incisivo, Lamar prometeu voltar e público não lhe irá, seguramente, faltar.     

Jagwar Ma, Palco Super Bock

Luz, muita luz de frente que são já duas da matina e a festa não pode ser às escuras. Jagwar Ma, disfarçado num dos lados do palco, tem atrás de si um baixista e alguém a comandar uma parafernália de aparelhos que quando se juntam não deixam ninguém indiferente. Balanço obrigatório e mais umas cervejas a rodar com insistência, pois muitos tem em "Howlin", álbum de 2013, um agitador de músculos e até mentes. Como se não chegasse, houve ainda espaço para Stella Mozgawa, baterista das Warpaint, acrescentar força em quase metade do concerto a uma sonoridade que não disfarça influências de Manchester e arredores mas que, mesmo assim, cumpre a função - proporcionar a dança nem que seja a da chuva que acabou mesmo por começar a cair. Será um sinal?

quinta-feira, 5 de junho de 2014

CLÃ TWEEDY!















O ano de pousio do colectivo Wilco já resultou num novo disco dos Autumn Defense de John Stirratt e Pat Sansone ("Fifth"), num outro do guitarrista Nels Cline ("Macroscope") e até mais um do baterista Glenn Kotche ("Adventureland"). Faltava Jeff Tweedy! Pois a demora é só até Setembro quando "Sukierae" sair pela dBpm Records, casa do próprio Jeff, que incluirá 20 novas canções gravadas na companhia do filho Spencer que aparece atrás da bateria e que recebeu o singelo mas lógico nome de Tweedy. A experiência já passou por algumas datas ao vivo e continuará numa intensa digressão que se inicia este mês e onde se juntarão Jim Elkington na guitarra e Liam Cunningham nos teclados. Ou seja e nas palavras do pai Jeff, trata-se de um álbum a solo tocado por um duo! Aqui fica uma primeira amostra.  


JULIANNA BARWICK, NOVO EP DE MALTE!





















Música e cerveja! A casa Dogfish Head Brewing com sede em Rehoboth Beach no Delaware americano conhece bem a perfeição desta ligação, apostando na criação de diferentes cervejas com base em escolhas de músicos ou dos seus fãs, como foram já os casos de Grateful Dead, Dan the Automator, Pearl Jam, Robert Johnson ou até Miles Davis que teve direito a uma série especial obviamente chamada "Bitches Brew"... Surpreendentemente, chegou agora a vez de Julianna Barwick que se traduz numa nova e, certamente, refinada bejeca - a Rosabi! Mil packs de garrafas de 750 ml terão como bónus um 10" de vinil com quatro canções de títulos sugestivos - "Pure", "Meet You At Midnight", "Two Moons" e "Blood Brothers" - e onde são usados sons da própria destilaria, local onde a artista se apresentou ao vivo em final do ano passado. Já começamos a salivar... 

quarta-feira, 4 de junho de 2014

SCOTT MATTHEWS CASEIRINHO!





















Como prometido no final do ano passado, está já disponível para aquisição e escuta na íntegra o novo disco de Scott Matthews. Ambiente caseiro e canções de arrepiar, seja o tema de abertura "Virgínia" ou o inebriante "86 Floors from Heaven", a fazer crescer a vontade  de "recolher as redes", fechar a porta e partir para um retiro espiritual... O melhor é que o disco chama-se "Home - Part 1" o que vaticina uma sedução prolongada. Para descobrir aqui.

terça-feira, 3 de junho de 2014

AVÉ AVI BUFFALO!

Já lá vão quatro longos anos desde que um ovni sonoro aterrou por estas bandas. Tratava-se do disco de estreia dos Avi Buffalo, monumento pop saído da mente de Avi-Zahner-Isenberg que mereceu a nossa imediata redenção, o melhor álbum de 2010 na humilde eleição aqui da casa. O miúdo Avi, na altura com 18 anos, juntou então os amigos da escola e partiu em digressão um pouco por toda a parte, inclusive Lisboa por onde passaram no Optimus Alive de 2011. O eclipse que se seguiu chegou a assustar, mas eis que hoje demos de frente com "So What", canção (e que canção...) que abrirá um segundo disco a editar pela Sub-Pop em Setembro e que receberá o nome de "At Best Cuckold". Avé, Avi!      





sábado, 31 de maio de 2014

MARK EITZEL, Café Concerto, CCVila Flor, Guimarães, 30 de Maio de 2014

Esta vida de artista não é fácil. Tocar à meia-noite, viagem de avião às 6h00 da matina para Barcelona para daqui a pouco subir outra vez ao palco. Resultado? Um Mark Eitzel acelerado e mais nervoso, sem contemplações ou histórias para contar e a trazer atrás de si o trio de músicos na rotação máxima. O alinhamento semelhante ao da noite anterior em Espinho, trouxe, no entanto, algumas novidades - tocou-se o "Patriot´s Heart", o "Bad Liquor" mesmo a acabar, estreou-se (mundialmente?) uma versão de "I'm Your Man" de Leonard Cohen e até uma surpreendente canção antiga e, talvez, ainda inédita dos American Music Club chamada "I Have Spent the Last Ten Years Trying to Waste Half An Hour". Tudo para conferir abaixo pela lente do amigo HugtheDj. E pronto, duas noites para "encher a barriga" e confortar a alma! 

sexta-feira, 30 de maio de 2014

MARK EITZEL, Auditório de Espinho, 29 de Maio de 2014

Foto de Duarte Silva


Foto de Duarte Silva


























São já mais de trinta os anos de canções. São já muitos os altos e os baixos de uma carreira nem sempre reconhecida, mas onde a persistência tem servido continuamente de combustível inspirador. É certo que Mark Eitzel faz dela uma bandeira de resistência admirável que se reflecte nos discos que continua a editar, mas é em cima do palco que ela é desfraldada e agitada a todo o pano para gáudio de alguns fãs, nem sempre muitos, mas reconhecidamente fieis. Ontem, mais uma vez, confirmou-se a história. Em nítida fase positiva, longe de tempos de auto-comiseração e flagelo, deu gosto ver Eitzel sorridente, contente até, ao lado de um trio-banda que o envolve e respeita perante uma plateia de auditório quase completa e onde, notoriamente, muitos se estreavam para o ouvir. A voz, aquela voz, continua forte, sedutora e a não precisar de qualquer amplificação para contar, em canções, histórias de vida e de vidas. O mote de embalo foi dado com "What the World Holds Together", tema enorme que inicia as "The Konk Sessions", o disco europeu editado recentemente e onde o artista recria alguns clássicos e novos temas de forma quase jazzy. Mão no bolso do casaco, microfone ora perto ora longe da boca, seguem-se "Mission Rock" e "Apology For An Accident", assim, de enfiada, para nos atirar para canto sem demoras. Não faltaram, como sempre, comentários introdutórios, ora sarcásticos, ora confessionais, que podem ir do feitio dos sapatos, ao que esconde o título "I Love You But You're Dead", às desgraças que inspiraram "Why I'm Bullshit" ou o elogio traiçoeiro da cidade de Espinho traduzido no remoque "I love this city, is so depressing"! Quando ao trio de baixo, bateria e piano se juntou a guitarra do próprio, a leveza das canções saiu nitidamente prejudicada em alguns momentos mas Eitzel não quer e não quis saber. Há que perseguir o arrebatamento. Antes dos encores, "We All Have to Find Our Own Way Out" como que adiava uma despedida e enfiava a carapuça a alguns dos presentes a quem Eitzel prometeu retribuir o dinheiro da entrada por notório fastio. Nada disso, que faltavam, ora bem, dois incontornáveis clássicos cantados como se não houvesse amanhã: "Firefly" e "Western Sky" a tal canção que nos "lê a mente" e nos manda soletrar "Time for me to go away/I'll get a new name, I'll get a new face/Time for me to go away/No I don't belong in this place...". A luta continua mais logo em Guimarães.

Fotografias de Duarte Silva.
Full concert cortesia HugtheDJ.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

MARK EITZEL, IMPERDÍVEL... MESMO!













Hoje em Espinho, amanhã em Guimarães, não há desculpa - Mark Eitzel em dois concertos obrigatórios, a preços em desuso e onde certamente nos vamos divertir, surpreender e emocionar. Antes, nada como ler sobre as suas taras e manias confessadas ao jornal i e pôr as canções a rodar sem freio...  

quarta-feira, 28 de maio de 2014

MESMO A TEMPO!





















Está desde ontem disponível uma sessão exclusiva de Caetano Veloso gravada para o iTunes em Outubro passado no Rio de Janeiro. São oito canções renovadas por uma banda que junta os habituais Márcio Victor e Pedro Sá ao Baixista Danilo Tenebaum e ao baterista Nilton César. O registo, o primeiro de um artista brasileiro na série promovida pela mais famosa loja digital de música, funciona como um breve sumário de uma carreira já longa com canções de 1967 ("De Manhã") até 2009 ("Por Quem?"), passando por temas menos conhecidos ("Samba da Cabeça") ou a versão de "Cu-cu-ru-cu-cu Paloma" popularizada no filme "Habla Con Ella" de Pedro Almodóvar. Há ainda uma dedicatória especial a Devendra Banhart em "Lost In Paradise", tema incluído no "álbum branco" do artista registado em 1969 antes do exílio londrino. E é assim, com este magnífico aperitivo, que esperamos ansiosos a noite do próximo dia 5 de Junho no jardim primaveril do Parque da Cidade onde, certamente, o galo (en)cantará...          

DUETOS IMPROVÁVEIS #187

ANNA CALVI & DAVID BYRNE
Strange Weather (Keren Ann)
EP "Strange Weather", Domino Records, Julho 2014

segunda-feira, 26 de maio de 2014

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #5





















De volta à Rua 31 de Janeiro para tentar perceber a história da Casa Figueiredo. Não temos nenhuma recordação desta loja naquela rua e por isso decidimos investigar um pouco mais. O resultado foi, no mínimo, saboroso. Num magnífico artigo intitulado "Elementos para a história da rádio no Porto. Os 60 anos dos Emissores do Norte Reunidos" de Rogério Santos datado de 2013 e disponível online, encontramos estas duas referências que transcrevemos:  

"Ainda em 1939, a 15 de novembro, o Portuense Rádio Clube passou a estação centralizadora dos emissores particulares do Porto, justificação da sua importância na época. Rogério Russo adquirira os primeiros 200 discos do Portuense Rádio Clube, no valor de 500 escudos, na Casa Figueiredo, na rua de Santo António, atual 31 de Janeiro (Porto). Mais 200 discos, também no valor de 500 escudos e na mesma loja, foram pagos a prestações"(...).

"A relação com os produtores e vendedores de discos era uma actividade essencial de um locutor-programador de rádio, como diz Carlos Silva: “Eu tinha muito gosto naquilo e comecei a interessar muita gente: o Arnaldo Trindade, a Rádio Triunfo, que eram produtores de discos. O Arnaldo Trindade tinha a representação em Portugal dos discos da Vogue. [...] o Figueiredo aqui da rua Santo António, que era malas, carteiras de senhora, também tinha uma secção de discos. [...] A partir dessa altura, todos os dias fazia a minha ronda pelas capelinhas. Ia ao Arnaldo Trindade, ia ao Figueiredo: «então, o que é que há de novo»? E eles emprestavam-me os discos para eu tocar e eu tocava as novidades todas. Claro, tocava e devolvia, tudo muito limpinho”. (...)


Ou seja, a Casa Figueiredo parece ter sido das primeiras lojas de vendas de discos da cidade e misturava o negócio com malas, carteiras e luvas, produtos aliás característicos desta artéria comercial, fornecendo novidades discográficas a algumas rádios da Invicta! Por volta de 1979 o negócio foi integrado numa nova empresa chamada Edisco que se viria a destacar na produção de cassetes como se pode ler aqui. O envelope de cima, certamente de uma época pós-25 Abril de 1974, altura em que a rua foi rebaptizada de 31 de Janeiro, não apresenta nomes de editoras ou dos seus representantes mas há no espólio da Biblioteca Nacional um catálogo de discos datado de 1955 da Casa Figueiredo referente à marca alemã Telefunken (vide aqui). Hoje, como muitas, o nº 74 é ocupado por uma loja de vestuário e mantêm-se a dúvida sobre a ligação desta Casa Figueiredo a uma outra do mesmo nome situada na Rua Passos Manuel e que vendia (vende?) papéis pintados. Será que também vendia discos?       

Casa Figueiredo, Rua 31 de Janeiro, 74, Porto





sexta-feira, 23 de maio de 2014

BRINC DANCE DE VAYORKEN

Para esquecer agruras e contratempos, esta é mesmo uma canção-borboleta eficaz. A gente diverte-se imenso...  

terça-feira, 20 de maio de 2014

LOBO #4

























Unwound? White Hotel? Sim, são mesmo dois nomes de bandas "sem fama nem proveito" que António Sérgio arriscava lançar para o caldeirão sonoro do seu programa radiofónico e das quais nunca ouvimos uma única canção, o que pode ser aplicado a uma imensa maioria. Talvez por isso mesmo, o mestre deu-lhes um destaque em jeito de surpresa numa das suas crónicas de "O Independente" (22 de Junho) de 2001, juntando-as sem conexão aparente a não ser o tal "som alternativo" cuja extrema validade se pode confirmar abaixo. A este propósito não deixem de ler o último parágrafo destas "Notas Alternativas", uma constatação já com uma dúzia de anos mas, ainda assim, perfeitamente aplicável aos nossos dias... infelizmente! 



sexta-feira, 16 de maio de 2014

A JOGAR EM CASA!


















Habituados a "vasculhar" vinil sabe-se lá onde, amanhã teremos o privilégio de o fazer numa casa que muito bem conhecemos. No âmbito do Dia Internacional dos Museus que se celebra no Domingo, dia 18, o Flea Market joga pela antecipação, ocupando o exterior do edifício do Museu da Imprensa no Freixo já amanhã, sábado 17 a partir das 15h00, e para onde estão programadas uma série infindável de actividades paralelas. Apareçam!

quinta-feira, 15 de maio de 2014

FUTURE ISLANDS NO PORTO















Quando no mês de Março demos por aqui conta do novo álbum dos Future Islands estávamos longe de imaginar o seu rápido e viral sucesso. À conta da passagem pelo programa de Letterman e das bizarrias do vocalista Samuel Herring, a banda é hoje mais que requisitada para espectáculos e, nessa onda, surge agora a notícia da sua estreia na Invicta a 24 de Outubro próximo no palco do Hard Club. Queremos acreditar que a música e as canções falarão mais alto...

ANNA CALVI, VERSÕES CINCO ESTRELAS




















Fazer versões de encantamento está no sangue de Anna Calvi. Ao vivo ou nos lados B dos singles a inglesa não se acanha e, de Springsteen a Elvis passando por Cohen, a façanha ganha quase sempre contornos de perfeição. O EP "Strange Weather" apontado para Julho é o espelho desse respeito pelo passado mas também o reconhecimento que, nos dias hoje, há artistas a merecer a sua admiração. Senão vejamos: o disco, produzido na companhia de Thomas Bartlett em Nova Iorque, terá covers de Connan Mockassin ("I'm the Man That Will Find You") onde conta com a ajuda de David Byrne, Suicide ("Ghost Rider") com Matt Johnson na bateria, Keren Ann ("Strange Weather") também com David Byrne, David Bowie ("Lady Grinning Soul") e FKA twigs ("Papi Pacify") com arranjos de Nico Muhly. Tudo, certamente, cinco estrelas! 

3X20 MAIO












terça-feira, 13 de maio de 2014

UAUU #198

GIL SCOTT-HERON, O MAIOR













A história está devidamente contada no site oficial por Richard Russell (ali na foto ao lado da lenda). Podemos atirar argumentos sobre o aproveitamento comercial, o timing da edição ou a pertinência do registo. Não restam é dúvidas quanto à grandeza de "Nothing New", um álbum póstumo de Gil Scott -Heron saído no Record Store Day na XL Recordings com um apanhado de canções de todo o seu reportório interpretadas ao piano e onde, entre comentários e conselhos, se eleva uma voz de arrepiar a alma. Soul, brother! 

YOUNG E WHITE, FAZEDORES DE HISTÓRIA!















Ontem, no programa de Jimmy Fallon, juntaram-se Jack White e Neil Young para contar as peripécias de um disco de versões - "A Letter Home" - gravado num antigo estúdio/caixa de 1940 chamado "Voiceograph". O aparelho foi deslocado para o palco para ser usado na interpretação de "Since I Met You Baby" de Joe Hunter e no registo de uma versão de "Crazy", original de Willie Nelson, que acabou prensada em vinil na hora e chegou mesmo a ser tocado no final do programa. História ao vivo!




segunda-feira, 12 de maio de 2014

GARETH DICKSON, LUSO CONEXÕES

Sobre Gareth Dickson e as suas qualidades artísticas não restam muitas dúvidas. As recriações que o escocês executa de Nick Drake são hoje em dia imbatíveis mas as composições em nome próprio não lhes ficam nada atrás, um verdadeiro tesouro sonoro ainda a descobrir por muita gente mas já incluído em diversos filmes, séries ou spots publicitários. Uma dessas pequenas pérolas chamada "Cara" que repousa em "Collected Recordings" de 2009, disco entretanto reeditado em edição limitada o ano passado, tem a partir de hoje um simples mas notável video da autoria do português André Marques e onde participa a também actriz portuguesa Joana de Verona, o que atendendo ao título luso da canção acaba por ser uma parceria perfeita!      

Gareth Dickson - Cara from André Marques on Vimeo.

MAC DeMARCO, UM RETRATO !

TAME IMPALA DE COPO CHEIO!





















Sabem qual foi o disco mais vendido no último Record Store Day no conjunto das lojas independentes? Pois é, foi este fabuloso "Live Versions" dos Tame Impala onde se dão a conhecer nove versões ao vivo de temas antigos e novos da banda australiana gravados em Outubro do ano passado em Chicago. Potente e irresistível, o álbum aguça ainda mais a vontade de os ver em concerto, sabendo ainda por cima que a banda voltará pela terceira vez a Portugal a 17 de Julho para o SBSR do Meco! Celebremos, então...

sábado, 10 de maio de 2014

THE NOTWIST, É AGORA!















Deixem-se desse zapping inconsequente e sintonizem agora, sim, agora mesmo, o canal Arte que neste momento transmite um concerto inteirinho dos fabulosos The Notwist gravado em Janeiro passado em Paris. Rápido! (Repete dia 18 de Maio...) 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

UAUU #197

JEHNNY BETH, UM ANO COM AS SAVAGES





















Passou quase um ano desde que as Savages se estrearam no Primavera Sound portuense, uma noite memorável de música do lado de cá e do lado de lá do palco. Jenhnny Beth conta agora, na primeira pessoa, esta e outras histórias num texto sincero e confessional devidamente acompanhado por excelentes fotografias. Para ler e ver, obrigatoriamente

JACK WHITE, O PROF. PARDAL DO VINIL #2















Já por aqui destacamos as invenções de Jack White no que diz respeito aos discos de vinil, às suas potencialidades e encantos. Surgem agora novas descobertas que conduziram ao baptizado ULTRA LP, uma saudável doidice aplicada ao novo álbum "Lazaretto" e que se "desdobra" assim...      

UAUU #196

sábado, 3 de maio de 2014

SHARON VAN ETTEN, A SEDUTORA





















Ou nos enganamos muito ou o novo álbum "Are We There" de Sharon Van Etten é um forte candidato a disco do ano. Basta uma única e simples audição para a sedução ser imediata! Aqui fica um delicioso aperitivo...


FRAMED BEATLES!





















Iniciado e pronto há meses, o quebra cabeças dos The Beatles só hoje foi colocado na moldura e na parede. Venha o próximo!

sexta-feira, 2 de maio de 2014

WILLIAM TYLER, NOVO EP





















O disco "Impossible Truth" de William Tyler que o ano passado nos deu base sonora de eleição para algumas viagens, tem desde esta semana uma pequena sequela. O EP "Lost Colony" apresenta uma nova canção chamada "Whole New Dude" onde o guitarrista se junta a uma banda completa, confirmando o seu enorme talento e aproveitando a ainda para reinterpretar "We Can't Go Home Again", tema originalmente incluído no tal "Impossible Truth". Há ainda, para surpreender, uma versão de "Karussell", tema escrito por Michael Rother dos Neu! em 1977.



quinta-feira, 1 de maio de 2014

UAUU #195

TRACEY THORN, SÃO PÉROLAS!

A surpreendente e tardia revelação das canções de Molly Drake continua a fazer efeito. Quando em 2013 o radialista Pete Paphides preparava uma emissão especial para a BBC Radio4 sobre a mãe de Nick Drake, convidou alguns artistas a reinterpretar algumas das canções originais de Molly. Entre eles contava-se uma rendida Tracey Thorn que escolheu os temas "How Wild The Wind Blows" e "Night Is My Friend" para se fazer acompanhar do parceiro Benn Watt ao piano e guitarra (que tem, a propósito, em "Hendra" um raro álbum a solo para ouvir e saborear) em duas simples e cruas versões. Aproveitando a onda do Record Store Day surgiu a oportunidade de editar tais pérolas num limitado single de vinil com capa cintilante de John Gilsenan, habituado que está a brilhar na sua iWant Design. Mais uma peça para a colecção drakeana!