terça-feira, 30 de setembro de 2014

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #7





















Sentados num sábado passado na concorrida esplanada da Leitaria da Quinta do Paço em plena movida portuense, recordamos os tempos em que acompanhados pela mãe ou a seu mando não havia uma ida à baixa que não passasse pela Padaria Ribeiro, situada uns metros mais à frente, para comprar biscoitos. Os "fidalgos", os "pirilampos" ou as estaladiças "delícias" eram depois devoradas em casa à hora do chã mas, logo passada a porta da padaria na saída, era impossível resistir a abrir os pacotes de papel... Do outro lado da praça (chamada Guilherme Gomes Fernandes, comandante dos bombeiros homenageado com um monumento no local pelos seus esforços aquando do incêndio do Teatro Baquet em 1888) havia uma discoteca cuja única memória, por inusitada, era um toldo de pano comprido de forte amarelo que protegia as capas dos discos do sol, a mesma cor do envelope natalício que acima se reproduz. Olhamos muitas vezes para essa montra da Bidisco a trincar um duro fidalgo mas nunca lá entramos! Hoje, dessa época, resta o número 22 naquele bonito esmaltado azul e branco por cima da porta, escondido atrás dum toldo plastificado que anuncia a Padaria Solar, mais uma, ou não fosse a praça também chamada Praça do Pão! Já agora e por coincidência, sabem qual é o número do eléctrico que (ainda) por lá passa? Pois, é o 22... amarelo!    

              Bidisco, Pç. Guilherme Gomes Fernandes, 22, Porto
Bidisco, Pç. Guilherme Gomes Fernandes, 22, Porto
             

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

SUMIE COM PETER BRODERICK!




















Agora que os dias ficam mais pequenos e o Outono se entranha ao de leve, esta é uma notícia de aconchego: a suspirada primeira parte de Sumie do concerto de Peter Broderick em Lisboa, dia 11 de Outubro, sofreu uma extensão, por antecipação, à cidade de Coimbra para a véspera, dia 10, numa organização da Lugar Comum. Imperdível!     



BOA, MEC!





















De vez em quando, infelizmente cada vez menos, o MEC lá acerta... na mouche!

terça-feira, 23 de setembro de 2014

UAUU #222

O DIA DA CASSETE?













"É um formato que já não tem futuro." Assim acabava a crónica "Disco Riscado" de Miguel Guedes no JN de 15 de Julho passado sobre o mercado discográfico, a Tubitek e o finar da cassete como suporte sonoro mas com válidas analogias sobre a sociedade ou a política. Certo é que o Cassette Store Day tem data marcada de comemoração, o próximo sábado, dia 27 de Setembro, um ano após a primeira e bem sucedida edição! Voltando à tal crónica, este parece ser um revival inconsistente, ao contrário do Record Store Day, já que a qualidade do suporte sempre deu mostras de fragilidades e constrangimentos (então quando a fita se enrolava no aparelho, tal como o VHS, não havia pachorra). Há um armário lá em casa a abarrotar de cassetes, a grande maioria gravadas com paciência de pedra e somente com um objectivo: poupar umas massas a comprar os vinis e, mais tarde, os cd's e alinhar canções para ouvir no carro ou no Walkman (lembram-se?). Sendo assim, estamos ainda para perceber o porquê deste aparente sucesso mas atendendo à lista de lojas e bandas/artistas aderentes a "coisa" tem que ter uma explicação...
                 


TWEEDY DE SECRETÁRIA

domingo, 21 de setembro de 2014

THE BLACK KEYS, É AGORA!
















Neste momento no canal Arte o concerto no Festival Eurockeénnes de Julho passado... Repete a 11 de Outubro à mesma hora!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

iPOD, O RECOBRO!




É certo que o nosso segundo iPod Classic comprado em 2006 não saiu grande pistola! Problemas desde praticamente a data da compra resolvidos com muita paciência permitiram, no entanto, atestá-lo no limite dos seus 80 gb até que em Março de 2012 decidimos pela sua substituição por um irmão mais capacitado e funcional. Desde aí, pousado na cabeceira da cama, ele serve de soporífero/arquivo sonoro perfeito, permitindo recordar, entre as suas 11445 canções, muitas bandas, álbuns e listas que a memória já atraiçoa... Há meses e porque a bateria nem chegava a cinco minutos de vida, só ligado constantemente à corrente via carregador o aparelho lá mantinha a sua função. Desligado da electricidade a "morte" passou a ser imediata. Haveria sempre a hipótese de substituição da bateria, mas só de pensar nas playlists que iríamos perder preferimos manter o "esquema". Até que, oh alvíssaras, por estes dias reparamos que o volume verde da bateria se manteve no máximo quando retiramos o conector do carregador e, a medo, lá fomos percorrendo os menus, clicando nas músicas, para trás para a frente, mais alto mais baixo sem que aquele irritante colapso se desse! E agora é assim que, reanimado e renascido, o velhinho companheiro com o número de série 9C6411FFV9P volta de um coma profundo para alegrar os nossos sonhos. Amigo, ainda estamos à espera de te conhecer... melhor!

UAUU #221

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

NORBERTO LOBO, NOVO ÁLBUM!

Como se confirmou sábado passado no Ateneu Comercial do Porto, há novos temas de Norberto Lobo que, sabemos agora, irão fazer parte de "Fornalha", um disco que sai no início de Novembro com a etiqueta three:four Records de Lausanne, Suiça. O primeiro avanço "Fran" foi mesmo um dos momento altos da noite. O álbum, gravado e misturado por Cristiano Nunes com a ajuda de Eduardo Vinhais, foi posteriormente remasterizado no estúdio holandês Jetlag e tem na capa uma fotografia de António Júlio Duarte captada no Sri Lanka em 1994 a que se acrescentam desenhos do próprio artista. Haverá uma edição em vinil, o que no caso de Norberto Lobo acontecerá pela primeira vez! Um texto alusivo da autoria de Eric Chenaux, parceiro de digressão em Maio passado, pode ser lido aqui.  

JONH PEEL E A MONTANHA DOURADA















A colecção de discos (mais de 20 mil Lp's e 40 mil singles!) que John Peel deixou nas prateleiras da sua casa começa finalmente a ser devidamente explorada. Falecido em 2004, Peel era um explorador nato e um divulgador sem amarras e por isso as raridades e surpresas do seu legado são infindáveis. O arquivo oficial tem feito um excelente trabalho de divulgação e organização (vejam só esta maravilha referente à colecção de singles de David Bowie disponibilizada online) e nesse âmbito lançou o desafio a algumas figuras para seleccionarem a sua Record Box de eleição. O primeiro sortudo foi Joe Boyd, mítico produtor e já uma lenda viva, que escolheu 20 discos em que ele próprio trabalhou como os Pink Floyd, Fairport Convention ou Nick Drake mas a que acrescentou nomes como Bob Dylan, Brian Jones, Talking Heads, Moby Grape ou Geof Muldaur (na foto). Sobre a tarefa Boyd acabaria por confessar: "Once I started looking through the shelves I kept on stumbling upon things, "Oh my god he's got this", "Oh! I remember that... John's record collection has always been a golden mountain in the distance so it's a honour to finally be here."  



quarta-feira, 17 de setembro de 2014

DUETOS IMPROVÁVEIS #189

CONOR OBERST & FIRST AID KIT
Lua (Oberst)
Haldern Pop Festival, Alemanha, Agosto de 2014

MAC DeMARCO, É SÓ CROMOS!















A banda de Mac DeMarco recebeu Andy White, um novo guitarrista vindo dos Tontartssbandht e, vai daí, nada como uma deliciosa cover de "This Guy Is In Love With You" de Burt Bacharach e Hal David (1968) para apresentar o cromo numa voltinha por Nova Iorque! 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

UAUU #220

NICK DRAKE NO ESPANTA ESPÍRITOS

campainhaelectrica.blogspot.com




















Estávamos a 2 de Junho de 1997 e ouvir Nick Drake na rádio portuguesa era um milagre que só António Sérgio podia fazer acontecer. No seu "Grande Delta" da saudosa XFM a presença da esposa, Ana Cristina Ferrão, traduzia-se em várias colaborações, sendo a rubrica "Espanta Espíritos" a mais (re)conhecida pelos apelativos conteúdos e pelo inesquecível genérico onde vibrava "Ahr-skidar", tema dos Thin White Rope. Nessa data coube um destaque, talvez o primeiro numa rádio portuguesa, a Nick Drake. São quase trinta minutos de canções e o contar da sua história desgraçada naquela (também) inconfundível voz da Ana Cristina. O momento, raro, mereceu da nossa parte gravação obrigatória em k7 (foto) mesmo que tenha sido no programa da noite "Café Virtual" de Ricardo Saló que repetia a emissão original. A autora desta saborosa meia-hora no éter ficou, nota-se, eternamente apaixonada por Drake classificando os seus discos como os "três álbuns mais belos de sempre" (sic). Ainda não tínhamos reparado, mas a emissão pode e deve ser recordada no recomendável site da Lista Rebelde ou directamente neste Mixcloud. Que saudades!

CINTILANTE!

Palavras para quê...

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

3X20 SETEMBRO












REAL COMBO LISBONENSE+WALTER BENJAMIN+NORBERTO LOBO+FACHADA, Em D'Bandada, Porto, 13 de Setembro de 2014

Real Combo Lisbonense, Praça dos Poveiros
Walter Benjamin, Ateneu Comercial do Porto

Walter Benjamin + Fachada, Ateneu Comercial do Porto

Walter Benjamin + Fachada, Ateneu Comercial do Porto
Norberto Lobo, Ateneu Comercial do Porto

































































Fachada, Ateneu Comercial do Porto


























A D'Bandada pegou de estaca! O Porto parece já não passar sem (mais) uma tarde e noite de festa com data marcada a que só faltam os martelinhos e o fogo de artifício... Porque gente, tal São João, é aos magotes e de muitos países - sim, que a Invicta está mais cosmopolita do que nunca - e há até cheiro a pimentos e frango assado e muita, muita música para todas as idades. Nos Poveiros, famílias inteiras juntaram-se a uma curiosa mistura de juventude e terceira idade para se divertirem à grande com os Real Combo Lisbonense. Canções retro do yeah-yeah português, passando por Carmen Miranda, pelo cha-chá-chá, o "Timpanas" ou o irresistível "Les Cournichons", uma saborosa e concorrida matinée com direito a comboínho e muita dança que chegou às varandas das redondezas. Perfeito!

Atendendo à enchente previsível, a estratégia passava por antecipar a chegada aos locais eleitos e, sendo assim, o Ateneu Comercial do Porto parecia ter um alinhamento de luxo que valia o sacrifício de aguardar numa fila. Espaço majestoso que, depois de abertas as portas, se encheu num ápice para para três concertos de proximidade. 

Começaram os Walter Benjamin como seu rock mutifacetado cantado em inglês mas notoriamente enraizado lá pela América, comprovado em "Airports And Broken Hearts" ou na versão de "True Love Will Find You In The End" de Daniel Johnston que suou a despedida anunciada do projecto para breve. Será? Como bónus, houve Fachada em parte do concerto, cigarrinho no canto da boca, ajudando numa canção do tempo de faculdade ou dando forte num bombo da bateria. Uma desbundada!

De Norberto Lobo nunca se sabe o que esperar. Experimentando, arriscando, a genialidade comprova-se a cada concerto e o de sábado passado não fugiu à regra. Usando uma multiplicidade de pedais, a guitarra estica-se agora para novos sons quase eléctricos para entretanto regressar a um clássico emaranhado de tonalidades acústicas, lindas e que pareceram inéditas. Os fortes aplausos, merecidos, só podem ser um sinal que cada vez mais gente lhe reconhece o valor e só temos é que nos considerar uns sortudos por tê-lo por cá. Uma benção. 

Quem quer fumar com o B Fachada? Aparentemente a maioria, conhecedora e ruidosamente rendida a este one-man-show que, mesmo sem a guitarra doutros tempos, solta a cada canção ritmos agitadores de plateias. O calor da sala e a fumarada do "puxa passa" colectivo sem controlo aceleram o evento para uma festa suada e divertida ou não fossem canções como "Tó-Zé", "Dá Uma Música à Bófia" ou "Só Te Falta Ser Mulher" verdadeiros hinos de uma geração inconformada que tem em Bernardo Fachada um dos seus, melhor, um amigo de abraço!            

(videos cortesia HugTheDj)







sexta-feira, 12 de setembro de 2014

JAMES BLACKSHAW, Passos Manuel, 11 de Setembro de 2014
















Passa da meia noite e James Blackshaw está sorridente de braços cruzados sobre a guitarra e garrafa de cerveja pousada no chão à espera que o público desça para as cadeiras. Não parece haver pressa para que os luzes se apaguem e aos poucos a sala lá se acomoda para o que se adivinha um encontro descontraidamente íntimo. Logo que o dedilhar das doze cordas se cruza com a penumbra, o efeito sonoro torna-se inconfundível e a complexidade técnica que ressalta à vista desarmada não evita a magia do momento. Porque um só instrumento e um talento desmedido bastam para que o coração se aperte e a imaginação se espraie em tantas e tão boas direcções. Música deste calibre não tem preço nem idade e se foram só seis temas, um único só bastava para valer o esforço de não ter falhado à chamada. Se de uma próxima vez houver, por milagre, a companhia de um tal Lubomyr Melnyk prometemos acampar à porta... na véspera!      

(video cortesia HugtheDj)