sexta-feira, 11 de setembro de 2015
NO RASTO DE ERIN MORAN
Onde estás, Eddy? Fizemos a pergunta há já cinco anos mas a resposta sobre o paradeiro da americana Erin Moran, autora em 2004 de um álbum mítico sob o nome de A Girl Called Eddy, é ainda nebulosa. Mais de dez anos depois, esse disco continua a ter uma legião de fãs dependentes na qual nos incluímos sem restrições e sempre na expectativa que, milagrosamente, algo de novo aconteça. Assim, voltamos à carga e retomamos, na medida do possível, o seu rasto através da rede. Isto foi o que encontramos.
O anunciado álbum de regresso agendado para 2009 que recebeu até o título de "You Get The Legs You're Given" era afinal só isso, um nome sem conteúdo para manter o interesse mediático. A confissão surge num primeiro grande trabalho de investigação, a que se junta uma entrevista, publicado em Abril de 2014 pelo site The Recoup, uma netzine eclética que aí apresenta, pela pena de Joseph Kyle, uma notável série de factos na primeira pessoa: a ligação musical a Richard Hawley, a assinatura tremida pela Anti-Records, as euforias, desilusões e frustrações próprias de quem se aventura no mundo da música, mas também confirma uma vida em pleno, gravando canções ou ocupando estúdios sem pressões contratuais.
Uma dessas revelações refere-se à sua inusitada participação no recente filme "Jingle Bell Rocks", que já por aqui demos nota, uma espécie de documentário sobre coleccionadores de discos natalícios. O seu realizador, Mitchell Kezin, apaixonado pelo tema de Nat King Cole "The Little Boy That Santa Claus Forgot" e sabendo que Erin o tinha magistralmente gravado para uma compilação da revista Mojo de Janeiro de 2004, convidou-a a realizar uma perninha na película onde, ao que parece, o interpreta ao vivo. A versão disponível refere-se, no entanto, a uma outra compilação mais tardia - "A Very Joma Christmas" (2009) - onde se misturava com alguns nomes quase desconhecidos do indie rock.
Ainda no capítulo das versões e respondendo novamente a um apelo da Mojo, não pode passar despercebida outra excelente cover, desta vez do tema "Julia" de Lennon incluído no "White Álbum" e que aquela publicação decidiu homenagear em 2008. Erin fechava, então, o primeiro disco com esta delícia...
Na referida história de vida percebe-se que a artista, contrariando a reclusão, tem participado em discos, canções ou projectos de diversos quadrantes. Foi assim fazendo backing vocals para o tema "Brandy Alexander" que Ron Sexsmith escreveu a meias com Feist e que ambos gravaram em discos separados, aparecendo creditada dessa forma em "Exit Strategy Of The Soul", disco do canadiano de 2008. Mais recentemente respondeu a, pelo menos, mais dois convites para fazer ouvir a sua inconfundível voz: no tema "Novemberlong" do colectivo nova-iorquino Gramercy Arms incluído no álbum "The Seasons of Love" de 2014 e da qual há uma versão ao vivo sem, contudo, a sua participação e em "Don't Ever Say", canção de 2015 de uns tais Liam McKahey and the Bodies, banda do vocalista dos saudosos Costeau com quem Erin já se tinha cruzado em 2001 numa das suas primeiras actuações ao vivo!
As lacunas documentais, em tempos de digitais, continuam, mesmo assim, confrangedoras. Não existem registos videos de actuações ao vivo ou sessões de rádio, apesar da circulação limitada e obscura da sua passagem pelo programa de Tom Robinson da BBC continuar a estar "enterrada" online. A única boa notícia é mesmo a reedição já deste ano do disco em versão de vinil que há muito sonhávamos e que as marcas da própria capa original tão bem sugeria. Para que A Girl Called Eddy não continue a ser na net um site duvidoso, só mesmo um outro disco de originais que, aparentemente, Erin não tem pressa nem vontade de gravar. No fundo, talvez seja melhor assim. Nada como recordar essas canções já decanas como estes maravilhosos lados B de singles que, em boa hora, fãs devotados continuam a "plantar" na rede à espera de frutos...
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
KEVIN MORBY E A INVICTA!
Em Junho passado, antes ou depois do fabuloso concerto do Primavera Sound Porto, Kevin Morby passeou pelas ruas de Gaia e do Porto para uma reportagem da própria Pitchfork explicando, por exemplo, como escreveu a (nova) canção "Bridge to Gaia" que está no lado B de um single de vinil entretanto editado a semana passada com "Moonshiner", outro tema inédito. Um "must have" obrigatório e um artista que, atendendo ao amor pelo Porto, tem regresso assegurado!
TAME IMPALA, DJ'S A MAIS?
Os Soulwax/2 Many Dj's dos irmãos Dewaele sempre gostaram de desafios difíceis e este era, nitidamente, um deles. Dir-se-ia que os oito minutos perfeitos de "Let It Happen" dos Tame Impala, uma das canções do ano, não precisava de mexidas, mas aqui fica o resultado do atrevimento...
MARTIN COURTNEY, PÃOSINHO QUENTE!
Para quem tem nos Real Estate uma daquelas preciosidades infalíveis do indie rock americano, qualquer disco a solo ou paralelo dos dois principais mentores é sempre motivo de regozijo. É assim com Matt Mondanile e os seus apetitosos Ducktails, passará a ser assim, de olhos fechados, com o primeiro álbum a solo de Martin Courtney chamado "Many Moons" com selo da Domino Records. Basta ouvir estes dois "pãesinhos" gravados na companhia de gente dos Woods ao longo do último ano e meio para lhes "barrar manteiga" muitas vezes! E que regressem ao Porto sem demoras...
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
ROBERT FORSTER, SETE ANOS DEPOIS!
Fundador dos Go-Betweens, facto nada desprezível atendendo à grandeza da banda australiana, Robert Forster esteve sete anos sem gravar qualquer disco depois de "The Evangelist", álbum maior da sua carreira a solo. Certo é que nunca lhe faltou que fazer: crítica musical reunida, aliás, num livro a ler chamado "The Ten Rules of Rock and Roll: Collected Music Writings-2005-11", curadoria de "G Stands For Go Betweens Vol 1", enorme compilação da obra editada em caixa em 2011 e também a produção de grupos de Brisbane, cidade de infância e de inspiração artística. Foi precisamente por aí que, com a ajuda de uma dessas bandas amigas (os The John Steel Singers), continuou a escrever e a registar demos de canções, muitas, que agora tem magistral selecção concretizada em "Songs To Play", álbum a sair para semana na Tapete Records alemã. Prometida está uma digressão em solo europeu lá para o fim do ano e se não quiserem esperar, há já um primeiro single ali em baixo para testar ou então uma antecipada e saborosa audição das 10 peças de colecção no site do The Guardian.
terça-feira, 8 de setembro de 2015
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
HAWTHORNE, O FAZ TUDO!
Enquanto a validade do projecto Tuxedo que juntou Mayer Hawthorne a Jake One continua a fazer efeito por estes dias calorentos - o disco tem aquela irresistível e bem disposta vibe Earth, Wind & Fire - o irrequieto Hawthorne teve tempo para vasculhar nos arquivos e pôr cá fora um inédito de 2011 gravado aquando das sessões para o álbum "How Do You Do". Chama-se "Handy Man", tem edição exclusiva numa pen USB de 250 exemplares em forma de martelo e só esperamos que o verão seja longo...
DUETOS IMPROVÁVEIS #194
ANNA CALVI & PATRICK WOLF
A Kiss To Your Twin (Calvi)
Ao vivo na Igreja de St. John, Hackney, Londres
13 de Dezembro de 2014
A Kiss To Your Twin (Calvi)
Ao vivo na Igreja de St. John, Hackney, Londres
13 de Dezembro de 2014
domingo, 6 de setembro de 2015
ANGEL OLSEN, Festival Manta, CC Vila Flor, Guimarães, 5 de Setembro de 2015
Em nítida ascensão mediática, muito à custa da abençoada persistência em construir canções que nos agarram ao mundo, a vinda de Angel Olsen com a sua banda a Guimarães serviu para confirmar, pelo menos, duas coisas: a menina tem já um património sonoro de alto calibre que permite concertos e momentos intensos e, talvez mais importante, há por aqui uma imprevisível dose de talento que vai continuar a fazer estragos, dos bons. O muito público que compareceu em massa, atraído certamente por tamanha estrela cadente, deu-se à conquista de forma célere e emotiva, embora haja sempre nestes eventos gratuitos razões de queixa daqueles que, alheando-se do respeito por quem está em palco, aproveite para pôr a conversa em dia tal como se estivessem numa esplanada de praia... Nada que, sem grande esforço e alguma timidez, a profundidade sincera da artista facilmente fez esquecer. Bastava "aquele" fogo branco, sozinha em palco, para que o momento se tornasse já inesquecível.
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
VINIL: UM ESTUDO DE MERCADO
Um notável artigo na Stereogum sobre o mercado dos discos de vinil.
Exagero? Nada como uma olhadela...
ARNALDS FRAHM & Cª ILUMINADA!

A sociedade que juntou Ólafur Arnalds e Nils Frahm foi "fundada" oficialmente em 2012 com a edição de "Stare", um 10" de vinil para o Record Store Day desse ano. Uniram-se, assim, dois talentosos espíritos a partir de um clássico piano mas a que se acrescentam sonoridades obtidas com um Oberheim 4 Voice ou o indispensável Korg PS3100, bem presentes, aliás, em "Loon", o pedaço seguinte em jeito de EP gravado o ano passado no estúdio berlinense de Frahm. Contudo, a surpresa, como a classifica a brilhante editora Erased Tapes, é a saída de um 7" de vinil com dois temas/pérolas - "Live Story" e "Love And Glory" - já à venda em algumas das melhores lojas de discos inglesas e alemãs e que resultaram de mais uma noite de improvisações berlinenses datadas de Outubro de 2012, um serão longo antes de uma digressão que na altura marcava o 5º aniversário da editora comum. Esta cumplicidade, que tem agora site próprio, voltou a dar frutos suculentos - em Julho, no mesmo local e cidade, a dupla improvisadora passou mais de 8 horas seguidas em frente às teclas e restante parafernália e o resultado pode ser parcialmente admirado num documento filmado pelo amigo Alexander Schneider. Tudo uma verdadeira e iluminada maravilha!
PS: Frahm escolheu 20 temas do seu ecléctico gosto que estão agora reunidos em mais um disco da série Late Night Tales. Certamente apetecível.
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
VASHTI BUNYAN, CONFIRMADO!
É só para confirmar que o concerto de Vashti Bunyan na companhia de Gareth Dickson no Porto está definitivamente marcado para o próximo dia 31 de Outubro, sábado, na Culturgest da Avenida dos Aliados. Bilhetes comprados!
DANIEL KNOX, LEMBRETE!
É só para lembrar que o americano Daniel Knox, um dos mestres da música contemporânea inspirado e rodeado de amigos e admiradores que vão de David Lynch, a Rufus Wainwright ou Jarvis Cocker, vai apresentar-se em concerto já no próximo dia 12 de Setembro, Sábado, no Salão Brazil de Coimbra. É só para lembrar... apesar da D'Bandada!
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
SCOTT MATTHEWS PARA LEVAR PARA CASA!
Temos pelo inglês Scott Matthews uma admirável paixão. Discos e canções invejáveis, uma postura calma, serena e paciente, fazem dele um daqueles tesouros que queremos ouvir a (en)cantar só para nós. Este ano Matthews gravou mais um grande disco, o quarto, chamou-lhe "Home Part1" e, como se depreende, registou-o no seu estúdio caseiro algures no countryside britânico. Entre os poucos concertos que o promoveram, um deles foi eleito para edição em Dvd - na igreja de St. George de Brighton em Fevereiro passado com a ajuda de três músicos registaram-se, então, algumas das canções desse e doutros discos que aguardam entretanto produção e acabamento para publicação via plataforma solidária Pledgemusic. Entre os teasers e promos entretanto surgidos e que aqui deixamos (vá lá, toca a ajudar!), há um "encantamento" bónus imperdível ali em baixo: Matthews sentado à porta do estúdio a cantar o "Let's Get You Home"... precisamente. Parece fácil!
terça-feira, 25 de agosto de 2015
BANDA DO MAR+NATALIE PRASS+WOODS+SYLVIAN ESSO+TEMPLES+LYKKE LI+RATATAT, Festival Paredes de Coura, 22 de Agosto de 2015
Presença obrigatória em todos os festivais do corrente ano, a Banda Do Mar acabava a digressão num final de tarde acinzentado mas, longe disso, bastante animado. Sem sol, um pouco de frio e até chuva, muitos decidiram encostar os barcos à margem do Tabuão e rumar logo cedo para o recinto. Resultado: filas para entrar e enchente antecipada para cantar em coro e na ponta da língua as canções que Marcelo Camelo e Mallu Magalhães escreveram a meias. Na meia hora que conseguimos ver a despedida foi beleza, cara!
A estreia de Natalie Prass nos discos - e que disco - não demorou muito para a trazer até nós o que é sempre uma benção. Surpreendida com o país, com o palco, com o público, foi uma Prass sorridente e brincalhona que, com a ajuda de um combo clássico de guitarra, baixo e bateria, apresentou parte das canções desse álbum. Entre um par de covers, escolheu as mais óbvias: "Your Fool", "Why Don't You Believe Me", "Never Over You" e um "Bird Of Prey" de riff gingão já que as magníficas orquestrações de estúdio de Mathew E. White são intransponíveis para este formato e, claro, fazem falta. Contudo, uma forte dose de boa disposição e já muita classe fez com que os 45 minutos do concerto tenham sabido a muito pouco... mas bom.
Os Woods são uns sortudos - tocaram para alguns, também sortudos, ao início da tarde no quartel dos bombeiros locais entre auto-tanques e ambulâncias antigas e agora tinham uma imensidão de gente à sua espera prontinha a recebê-los de braços abertos. Essa comunhão acabou por resultar na perfeição perante um público já nitidamente moído e, por isso, bem mais tolerante e relaxado. Como sempre em Coura, ao fim de quatro dias, sentadinhos na (pouca) relva sabe sempre bem ouvir qualquer coisa...
Confessamos desde já a ignorância - nunca ouvimos falar de Sylvan Esso, nunca lhes ouvimos uma canção, video ou o que seja. Por isso ver a tenda a abarrotar de gente, braços no ar e ancas a dar a dar, talvez valesse a pena ficar por lá. Valeu. Na base electrónica pré-gravada acama uma voz vincada e muito adulta apesar da juventude da vocalista Amelia Meath e o duo surpreendido com o festão arriscou ainda duas canções novas, jogando com a oportunidade de ouro para testar a receita. Há por aqui um cheirinho a fenómeno pronto a explodir e, tendo em conta, a histeria e os aplausos vincados e expontâneos, o epicentro está desde já encontrado!
Quanto aos Temples pouco haverá a dizer. São donos de um disco mediano, o único, de algumas boas canções ("Mesmerize" ou "Shelter Song") e, pelo concerto apresentado, são ao vivo pouco entusiasmantes. A voz resvala por vezes para o lado errado e isto parece-nos ainda pouco para a muita sobranceria do vocalista sósia - custava muito por o microfone no sítio, pá (vide video de "Shelter Song"). Tá visto, próximo(a)!
Não nos causava, à partida, incómodo ver Lykke Li alinhada para Paredes de Coura. Contudo essa impressão a uma distância de alguns dias acaba por, bem vistas as coisas, não ser tão linear. Prós: estatuto, qualidade dos músicos, património/reportório, voz, duração do espectáculo. Contras: presença em palco, banalização das canções, pontapés a mais na querida língua portuguesa. Agora mais a sério, o desfile de êxitos esperado não desfraldou certamente os fãs mas faltou "a little bit" de arrojo e surpresa. Tudo certinho e direitinho. Às tantas só podia ser assim. Tá visto, próximos!
Quem já ouviu os discos dos Ratatat sabia bem ao que vinha. O duo criou uma matriz, esticou-a para todos os lados possíveis e imaginários e, em palco, a reprodução dos moldes em jeito de canções é mesmo irrepreensível. Ao fundo, vão passando uns conjuntos gigantes de jogos visuais de excelente recorte o que ajuda e de que maneira a que a música percorra sem barreiras a distância entre as colunas e o balanço da plateia em fim de festa e, claro, mais que pronta a prolongar a dança. Ao fim de uma hora e meia haverá sempre quem - muitos, atendendo aos fortes "uuuuuuhs" ouvidos por não haver encore - ficasse por lá a madrugada inteira. Quanto a nós, quedamos de barriga cheia. Até pró ano!
(+ videos no Canal Eléctrico)
domingo, 23 de agosto de 2015
X-WIFE+ALLAH-LAS+WAXAHATCHEE+MARK LANEGAN BAND+CHARLES BRADLEY+THE WAR ON DRUGS, Festival Paredes de Coura, 21 de Agosto de 2015
Os X-Wife regressaram a Coura ao fim de doze anos. Pode ser bom sinal, pode ser também sintoma que há ainda um novo caminho para trilhar... Quarenta minutos de canções em jeito de compilação que a maioria conhecedora queria ouvir e que os da Invicta queriam muito tocar. Tá feito!
O álbum do ano passado dos Allah-Las chama-se "Worship the Sun" e essa veneração aos deus Sol cumpriu-se na perfeição entre canções, que sem disfarces, veneram também outro deus - o senhor Arthur Lee e os Love! Não há nenhum mal nisso, pelo contrário, e Coura agradeceu o embalo e a oportunidade de os conhecer um pouco melhor.
Waxahatchee não é só um nome de difícil pronúncia. É, seguramente, um projecto a despertar muita atenção desde que a menina Katie Crutchfield gravou "Cerulean Salt", um segundo mostruário diverso de pop simples e com alma que agarra à primeira audição. Ao vivo, ali no palco mais pequeno, as expectativas fundadas carimbam-se facilmente entre o publico que enche o espaço sem virar costas porque as canções, magníficas, a isso obrigam. Pode ser o fabuloso acapella "Blue pt. II", o mais recente "Blue" ou então "The Dirt", "Grey Hair" e até "La Loose", pedacinho sincopado a drum machine de irresistível balanço, que em todas elas há sinais de muito talento à escolha do freguês ouvinte e do momento certo. Resultado: uma excelente "Ivy Tripp"!
Com Mark Lanegan e a sua banda a "viagem" estava traçada à partida. Palco negro, vestes negras, luzes vermelhas para espantar fantasmas sem, contudo, os assustar que as canções, sem eles, não fazem sentido. Agarrado com as duas mãos ao microfone ao jeito de tábua de salvação, Lanegan e sua voz de malte desfilou histórias de negritude e tragédia que cabem em temas como "I'Am Wolf", "Death Trip to Tulsa", "Floor of the Ocean" ou "Gray Goes Black", a tal a que Iggy Pop chamaria um figo. Só não percebemos para que foi preciso "pegar" no "Atmosphere" dos Joy Divison... Seja como for, faz sempre falta um concerto assim - puro e duro.
E agora, senhoras e senhores, Charles Bradley com os seus extraordinários músicos, verdadeira máquina funk e soul com vínculo comprovado na escola Dap-Kings. Há dois anos, em pleno Parque da Cidade portuense viramos costas aos The National para nos juntarmos a muitos que decidiram em boa hora confirmar a lenda e receber a "vacina"! Não há, por isso mesmo, como resistir a este efeito emotivo que só um soul intemporal e imortal deste nível alcança bem dentro de nós logo aos primeiros ritmos da banda ou quando Bradley puxa por aquela voz descida à terra para nos atormentar. Os "I love you's" podem ser exagerados, os "baby's" ultra-melosos, as panaceias de um mundo melhor inconsequentes, mas, caramba, como o próprio insiste sempre, é do coração e isso, sem olhar a idades, credos ou raças, devia resolver tudo. Pelo menos ao longo daquela rápida hora, temos a certeza que Bradley o conseguiu sem remissão! Ao lado, o nosso amigo rendido arriscava um "vamos embora agora para não estragar". Mal ele sabia o que nos esperava!
Andamos há quase quatro longos anos para comprovar como é que Adam Granduciel e os seus The War On Drugs se safam ao vivo. Aqui o "safam" diz respeito a dois esteios da guitarra dita escorregadia ou gordurosa de tradição americana que Springsteen expandiu e cultivou com a sua E Street Band e que, para muitos, hoje já não faz sentido. Ora bem, para além desses tais álbuns continuarem a rodar com frequência em qualquer altura do ano, faça chuva ou faça sol, o certo é que a sua validade parece ter-se multiplicado e entranhado a um nível muito maior que esperávamos atendendo à resposta magnífica que a plateia imensa de Coura lhes rendeu. Quando "Baby Missiles", "Burning" ou o indescritível "Under The Pressure" ecoaram alto e bom som colina acima e as cabeças abanaram e os olhos se cerraram, foi numa estrada americana que aquele arrepio frio e bom nos fez a nós, e certamente a muitos, respirar bem fundo e esperar que o momento não tivesse fim. Ainda não sabemos como é que Granduciel o consegue fazer, não estamos interessados em saber e cá estaremos à espera, ansiosos, que inspiração deste calibre nunca lhe falte para que a nossa "viagem" continue a perder-se maravilhosamente num sonho. Monumental!
(+ videos no Canal Eléctrico)
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
HINDS+POND+STEVE GUNN+FATHER JOHN MISTY+THE LEGENDARY TIGER MAN+TAME IMPALA, Festival Paredes de Coura, 20 de Agosto de 2015
Nesta altura é já redundante falar sobre a enchente em Coura. Gente a mais ou gente a menos, o certo é que o espaço natural não aumenta e por isso, citando um banqueiro da praça, "ai aguenta, aguenta"... Era ver a pré-enchente eufórica logo às 6 da tarde para ver as Hinds, fresquinhas rockeiras a fazer a festa quase imberbe com o seu quê de cool que assenta sempre bem num dia de calor. Guay!
Os Pond alinhados no palco pequeno só podia dar nisto: mar de gente a ultrapassar quase os limites de todo e qualquer espaço em volta e algazarra previsível a roçar a arruaça na frente do palco. Público contente, banda mais que risonha e, é verdade, música de colheita antípoda mais que saboreada e degustada pela maioria. Ainda faltava muito para os Tame Impala mas o aquecimento estava mais que feito...
Sem que estejam em causa os méritos e atributos de Steve Gunn, o palco principal pareceu-nos uma escolha desajustada para a fineza da sua música. Nessa mesma tarde Gunn tinha passada pelo Museu Regional de Coura para, a solo, tocar canções para alguns sortudos mas agora em pleno cenário e envolvente o seu concerto serviu mais de fundo sonoro para conversas de circunstância entre um público maioritariamente alheado em vez de uma acolhimento à medida. Foi pena.
Ao contrário, a perfomance de Father John Misty tinha recepção eufórica garantida. Há no jeito e vivência de J. Tilmann um lado gozão e sarcástico sobre as agruras da vida e do amor que se estende às suas irresistíveis canções em jeito de crónicas sonoras. Gingão, teatral, acutilante, sabe jogar como poucos na surpresa e com a imprevisibilidade e, por isso, vê-lo subir ao palco com a bandeira portuguesa ao pescoço depois de um "mergulho" entre o público no final do seu "maior êxito" ("Bored in the USA") e entregá-la ao seu rodie ao jeito de medalha beijando-lhe a testa (2 vezes!) é um daqueles momentos obrigatórios para a memória colectiva do festival. Grande concerto!
Temos por Paulo Furtado e os seus Legendary Tiger Man um enorme respeito. Ponto. O mérito de ocuparem o horário nobre de um dos principais festivais
nacionais é fruto de uma temerária e longínqua aventura nos limites do rock e dos blues que não deixa margem para dúvidas quanto às suas virtudes. Concerto oleado, excelente saxofone a la Morphine, uma rock vintage que naturalmente se espalhou pelo anfiteatro cheio. O problema, no entanto, foi só um: chamou-se Tame Impala e cada novo tema de Tiger Man assemelhava-se a um jogador que simula a lesão, para passar tempo, já depois da hora para desespero dos adeptos... O apito final, no entanto, ficou bem vincado e gritado ao fim do tempo de desconto de dez minutos "XXIst Century Rock´n Roll": rock'n roll, precisamente!
Os Tame Impala estão, nitidamente, num limbo: criarem um "monstro" de nome "Currents" que vai crescendo todos os dias e atendendo aos 25 mil que responderam à chamada, a "criatura" benigna tenderá a transformar-se exponencialmente numa salutar pandemia (pandemónio?). Antevendo o descontrolo, a banda entrou em palco de fininho e sem euforias desmedidas, despachando, no bom sentido, o "Let it Happen" logo ao segundo tema do alinhamento, o causador inicial de tamanho fenómeno. À máquina sonora evidenciada juntou-se um fundo de efeitos visuais a preceito e a ementa tanto pode ser um receituário mais antigo - "Why Won't You Make Up Your Mind?", "Feels Like We Only Go Backwards" ou o incontornável "Elephant" - ou de prova mais recente - "The Less I Know The Better", "The Moment" ou o açucarado "Cause I'm A Man", minha! A plateia já eufórica perante tamanha dádiva não resistiu a gritar em pleno fôlego o nome da banda antes do encore para que não restassem dúvidas quanto à qualidade do serão. Tudo cinco estrelas... Michelin!
(+ videos no Canal Eléctrico)
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
GALA DROP+BLOOD RED SHOES+SLOWDIVE+TV ON THE RADIO, Festival Paredes de Coura, 19 de Agosto de 2015
A apetecível edição 2015 de Paredes de Coura teve um início auspicioso. Anfiteatro preenchido desde cedo, bom tempo e aquela inconfundível brisa minhota que vai arrefecendo quando a noite cresce.
Começaram ainda ao sol os Gala Drop, uma óptima escolha de boas vindas para testar a dimensão adequada do colectivo luso para espaços arejados, mesmo que que a plateia tenha feito o balanço maioritariamente sentada na relva. Sem que fosse necessário, mais uma oportunidade para confirmar a grandeza e validade da sua música.
Os Blood Red Shoes não demoraram muito tempo a aquecer. A bateria e guitarra do dueto tinha muitos fãs à espera e isso fez-se notar na primeira grande agitação na frente do palco, mesmo que a receita sonora se aproxime demasiado dos White Stripes de boa memória. Sem contemplações ou rodeios desnecessários, um concerto certeiro.
Dos Slowdive não se esperavam surpresas. A sua música tinha um prazo de validade que parecia ter terminado mas, como sempre e ainda bem, chegou o tempo de o alargar a novos e, já agora, velhos públicos. Consistente e hipnótico até, a banda de Reading tem nas vozes de Neil Halstead e Rachel Goswell um travo sedutor que se destaca na densidão de guitarras venerada pelo shoegaze. Há quem não goste, há quem adore. Nós adoramos!
O concerto dos Tv On The Radio podia ter sido mítico. A banda está em plena forma, pronta a partir a loiça e o publico agarrado respondeu à altura. Mas exagerou... O crowdsurf na frente tornou-se caótico, acenderam-se very lights perigosos e, notou-se, David Sitek e Cª meteram travão e reduziram a "velocidade" depois do aviso de Kyp Malone. Mesmo assim, um espectáculo imenso de uma banda muito difícil de igualar na intensidade e brilhantismo das canções.
(+ videos no Canal Eléctrico)
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
WILCO, É SÓ INVEJA!
Os Wilco tem um disco novo excelente, ainda por cima gratuito, e andam em digressão americana a comemorar 20 anos de vida. O salutar hábito de promover os espectáculos através de cartazes personalizados ao longo do tempo resultou agora num apetitoso livro chamado precisamente "Behind the Fleeting Moment: Wilco Concert Posters 2004-2014" e temos inveja de tudo - dos concertos, do livro e também da maior parte dos mais recentes posters que promovem a corrente tour. Lindos!


quarta-feira, 12 de agosto de 2015
CORRINA REPP, HMMMM!
![]() |
| Adicionar legenda |
Entra-se em "The Paterns of Electricty" de Corrina Repp e torna-se difícil encontrar a porta de saída. É que o novo disco a solo da menina dos ex-Tu Fawning é um emaranhado brilhante de canções que Peter Broderick ajudou a gravar no final do ano passado e onde o melhor é mesmo "puxar o cobertor" e aproveitar todos os bocadinhos bons de aconchego... hmmm! Melhor ainda é que há já concerto marcado para o escurinho do Passos Manuel no próximo dia 20 de Outubro!
domingo, 2 de agosto de 2015
VASHTI BUNYAN TAMBÉM NO PORTO?
Ao anunciado regresso da musa do folk a Portugal para um concerto no Teatro Maria Matos de Lisboa no dia 30 de Outubro junta-se um suposto segundo concerto quatro dias depois na Culturgest Porto que apesar de divulgado não tem confirmação oficial. Seria bom, divinal, fantástico que o Gareth Dickson também viesse!
sábado, 1 de agosto de 2015
quarta-feira, 29 de julho de 2015
SONHANDO, SENTADINHOS EM BRAGA!
O Festival Para Gente Sentada mudou as cadeiras de Santa Maria da Feira para Braga e parece ter ganho asas: Mercury Rev, Giant Sand e, suspiro, a bela Yasmine Hamdan são só parte dos concertos previstos para os dias 18 e 19 de Setembro próximos. Repetem-se, assim, alguns dos encantamentos que já passaram pelo Parque da Cidade e dá-se a descobrir, por exemplo, a maravilhosa Lydia Ainsworth.
terça-feira, 28 de julho de 2015
segunda-feira, 27 de julho de 2015
sexta-feira, 24 de julho de 2015
terça-feira, 21 de julho de 2015
BEIJOS QUENTES!

O dueto "Your Kisses Burn" de Mark Almond e Nico lançado em 1988 ficou famoso, entre outras razões, porque a canção foi a última que a alemã haveria de gravar em vida - faleceu em Ibiza a 18 de Julho desse ano. Surge agora uma nova reinterpretação do tema pelas vozes de Mark Lanegan e Beth Orton num single de vinil a editar pela Heavenly Records de Londres no âmbito da comemoração dos 25 anos desta editora. Por acaso, ou não, a versão original até que nos parece imbatível... testem em baixo. Relembra-se que Mark Lanegan estará com a sua banda no próximo dia 21 de Agosto em Paredes de Coura e só é pena que a Beth Orton também não venha!
segunda-feira, 20 de julho de 2015
UNKNOWN MORTAL ORCHESTRA, EM QUE MÊS?
| UMO, Casa da Música, 30 Novembro 2013 |
Unknown Mortal Orchestra, 14 de Novembro, Sábado, no Hard Club! Mais um concerto para juntar ao leque de ofertas de um mês verdadeiramente infernal. Quem se seguirá?
SHARON VAN ETTEN, CANÇÃO NOVA!
A comediante norte-americana Tig Notaro não tem tido uma vida fácil mas a doença tem sido assumida de forma frontal e bastante mediática, o que deu origem a um disco registado ao vivo e também a um documentário estreado a semana passada. Para esse filme, Sharon Van Etten compôs especialmente uma nova canção de nome "Words", mais um notável exemplo do seu talento e de reconhecimento pela atitude da amiga Notaro. Atenção, pode viciar...
sexta-feira, 17 de julho de 2015
WILCO, DISCO SURPRESA À BORLA!
quarta-feira, 15 de julho de 2015
DUETOS IMPROVÁVEIS #193
RYAN ADAMS & NATALIE PRASS
Give Me Something Good (Adams)
The Saturday Night Show
RTE, Rádio Televisão Irlandesa, Março de 2015
Give Me Something Good (Adams)
The Saturday Night Show
RTE, Rádio Televisão Irlandesa, Março de 2015
terça-feira, 14 de julho de 2015
segunda-feira, 13 de julho de 2015
LAMBCHOP, Festival Curtas, Vila do Conde, 12 de Julho de 2015
E se, por acaso, os Lambchop fossem uma desilusão? E se, também por acaso, uma sala perfeita e um público conhecedor não chegassem para satisfazer as (altas) expectativas? Os acasos da noite de ontem em Vila do Conde são, à distância de umas horas, difíceis de perceber mas, como na vida, incluindo a música, tudo terá uma ou várias explicações.
O espectáculo até começou acertado com a execução de uma inédita banda sonora para "The Dockworkers Dream" do amigo Bill Morrison, uma "escavação" arqueológica de imagens em movimento do início do século XX nacional resgatadas à Cinemateca Portuguesa, que, notou-se, foi muitas vezes ensaiada e recebeu forte empenhamento e prazer do colectivo. O resultado saiu merecidamente aplaudido pela plateia já que a simbiose de quarenta minutos aliou uma composição moderna e respeitadora do peso simbólico do legado a uma execução sem aparentes falhas, embora o risco assumido tivesse sido mínimo e até calculista.
Quanto à segunda parte, aquela onde a banda prometia recordar muitas das suas grandes canções editadas ao longo dos últimos 25 anos, o momento pareceu-nos desanimador. Exceptuando algumas tiradas sarcásticas do pianista Tony Crow que cortaram parte da madorra instalada, os temas eleitos não sofrem contestação (ok, faltou o "Soaky in the Popper" e o "It's a Woman"...), mas como foi possível que, por exemplo, "The Old Gold Shoe" e até os pré-iluminados "Grumpus", "The Book I Haven't Read", "What Else Could It Be" ou "The New Cobweb Summe" soassem tão maçadores e arrastados por uma onda demasiado relaxada e cansada? Numa entrevista saída no próprio dia no "Diário de Notícias" a propósito desta vinda a Vila do Conde, Kurt Wagner mostrava-se entusiasmado com o retorno de William Tyler, guitarrista e compositor de eleição que reintegra (?) a corrente banda mas que, sem explicações, não compareceu no concerto. A sua falta talvez explique que a guitarra eléctrica que Wagner sustenta nas fotografias de cima, apesar de dedilhada, não chegou a ser ouvida na sala entre várias chamadas de atenção de parte do público parcialmente desiludido. Claro que houve o "Up With People" e uma versão, já no encore, de "Young Americans" de Bowie, recebidas de braços abertos mas que não disfarçaram um travo insosso engolido em seco...
sexta-feira, 10 de julho de 2015
quinta-feira, 9 de julho de 2015
JULIA HOLTER: PAIXÃO, PAIXÃO!
Apresenta-se como um regresso em tom baladeiro, o que atendendo ao disco anterior ("Loud City Song") só pode ser sinónimo de fascínio. A magnífica Julia Holter está prestes a editar "Have You In My Wilderness", disco de intimidade anunciada de recorte multifacetado entre o eterno acústico e a desafiante electrónica. Basta ouvir e ver este "Feel You" para nos apaixonarmos... outra vez!
NOVEMBRO É MÊS ABENÇOADO!
Beach House (Porto, 24), The Cinematic Orchestra (Porto, 9), Iron & Wine (Porto, 2), Lower Dens (Braga, 22). Juntem ainda Patrick Watson que estará na Casa da Música no dia 29 de Novembro para apresentar o excelente disco deste ano chamado "Love Songs From Robots". Haja tempo e... carteira!
DESTROYER, NOVA CANÇÃO, NOVO VIDEO
Aproxima-se a grande velocidade o novo álbum "Poison Season" de Dan Bejar aka Destroyer que terá edição pela Dead Oceans no final de Agosto. Na tradição de grandes videos como o inesquecível "Kaputt" ou "Savage Night At the Opera" há agora uma história para contar a partir do inédito tema "Girl in a Sling" que recebeu a direcção artística de David Galloway. Promete!
quarta-feira, 8 de julho de 2015
terça-feira, 7 de julho de 2015
MEIO MINUTO DE JOHN GRANT
.. um pouquinho do tema título do novo álbum de John Grant que sai em Outubro pela Bella Union.
segunda-feira, 6 de julho de 2015
RICKE LEE JONES VINTAGE
Já anunciado por aqui, o disco novo de Rickie Lee Jones já anda a marinar no nosso iPod há pelo menos duas semanas e, da frente para trás ou vice-versa, não há que enganar - é obra! E depois há este magnífico "Jimmy Choos"
sobre uma mulher em apuros, algo que Jones bem conhece e que tem direito agora video oficial só para reforçar a grandeza... e a eternidade!
LUBOMYR MELNYK, Catedral de Viseu, 4 de Julho de 2015
A cinco minutos da hora marcada e ainda com os portões fechados da catedral, o nervoso miudinho do público que ali se juntava era perfeitamente justificado. A limitação do espaço, a procura do melhor lugar, mas, acima de tudo, a estreia de uma lenda do calibre de Lubomyr Melnyk em Portugal, motivava preocupações acrescidas e conversas de circunstância para descontrair. Já com a nave e as colaterais rapidamente ocupadas, foram muitas as palmas para um Melnyk tímido e notoriamente bem disposto que deram as boas vindas ao recital. Em quatro peças ("?", "Buterfly", "I Love You" e "Windmils") todas elas com direito a prévio e afectivo comentário, a magia sonora que a inclassificável e quase irreal mestria de Melnyk fez vibrar pela catedral cedo se entranhou no silêncio do público respeitoso, absorto e nitidamente surpreendido. A rapidez com que as suas mãos percorrem o teclado num "sobe e desce" metafórico e sensorial atinge em "Windmils" um cume memorável que nos deixou sem fôlego, apertou os corações e motivou a exultação mais que rendida da plateia que, quase sem respirar, implodiu de júbilo ao fim de quarenta minutos. Uma noite intensa, um artista único, um reportório inigualável que terá outra "cerimónia" marcada para o Passos Manuel na próxima quinta-feira. Lá estaremos sem falta para uma segunda redenção!
sábado, 4 de julho de 2015
sexta-feira, 3 de julho de 2015
PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #14

A venda de discos misturada com electrodomésticos ou mobiliário tinha na Electro-Visão um verdadeiro clássico comercial espalhado pelo Porto. Temos algumas memórias da pequena discoteca de St. Catarina, mas o negócio estava já implantado desde finais dos anos 60 por outras artérias da cidade e até de Vila Nova de Gaia como o prova o anúncio de imprensa disponibilizado pelo blog Musica a Preto e Branco. Interessante a referência a uma loja na Rua do Bonfim, zona por onde "vagueamos" parte da nossa juventude mas da qual não temos qualquer memória. Depois, como atesta a embalagem de cima, a sede assentou na Praça do Marquês onde hoje está uma dependência da Caixa Geral de Depósitos, a loja da rua de St. Catarina transformou-se inevitavelmente num pronto-a-vestir e o local do estabelecimento da Rua de St. Ildefonso encontra-se encerrado à espera de melhor sorte, ou seja, de melhor... visão!
| Electro-Visão, Praça do Marquês, 58, Porto |
| Electro-Visão, Rua St. Catarina, 62, Porto |
| Electro-Visão, Rua St. Ildefonso, 51, Porto |
PLANANDO COM HEATHER WOODS BRODERICK!
Para quem acompanha o mundo vibrante da musica popular na vertente dita alternativa, o apelido Broderick é, na última década, sinónimo imediato de magia e beleza, características que emergem das canções que os irrequietos irmãos Peter e Heather nos habituaram a amar. Entre colaborações, digressões, parcerias e experiências, chegou agora a vez da mana Heather Woods Broderick soltar um tão esperado segundo disco de originais pela Western Vinyl americana. Foi por lá, em Portland, que registou "Glider", um álbum que é a confluência das infindáveis viagens e aventuras ao vivo com os Efterklang, Laura Gibson, Alela Diane ou a fabulosa Sharon Van Etten, mas também a oportunidade de redimensionar algumas das coisas boas que uma vida mais calma permitem assentar. Basta ouvir o magnífico "Wyoming" e recordar uma noite num átrio de um museu bracarense ao lado do amigo Nils Frahm para que, já com arrepios, estejamos mais que prontos para planar...
quinta-feira, 2 de julho de 2015
SAUN & STARR, WE ARE FAMILLY!
A máquina ao vivo que Sharon Jones & Dap-Kings tem evidenciado há mais de uma década tem mantido, a custo, um funcionamento perfeito a que não é certamente alheio um espírito de camaradagem que tivemos já a felicidade de comprovar em diversas ocasiões. Essa cumplicidade tem em Saundra Williams e Star Duncan, ou seja, Saun & Starr, uma dupla imprescindível que já há cinco anos resguarda com as suas magníficas vozes a "rainha-mãe" Sharon mas que em boa hora decidiu gravar um disco em nome próprio com o selo da Daptone Records e no qual receberam a decisiva participação dos outros The Dap-Kings sob o comando do mestre e mentor Gabriel Roth. O resultado saído em Maio é "Look Closer" mais uma viciante dose de soul e funk da sempre empolgante família Daptone!
BEACH HOUSE A DAR FAÍSCA!
Primeiro single para o novo álbum "Depression Cherry" que sai no final de Agosto...
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Subscrever:
Mensagens (Atom)




























