segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

(RE)LIDO #70





















OS BEATLES POPULARES
Os Beatles na Imprensa Portuguesa
1963-1970: Os Jornais
de Abel Soares Rosa. Lisboa: Blogue Beatles Forever, 2015
A saga de Abel Rosa tem neste final do ano um novo capítulo, talvez o último: mais uma compilação de notícias em jornais onde os The Beatles como banda ou a solo tiveram destaque, principalmente numa trilogia de diários lisboetas constituída pelo "Diário de Lisboa", o "Diário de Notícias" e o "Diário Popular", tendo este último servido de inspiração para o cabeçalho da capa e título do livro. Pena que a diversidade não seja mais abrangente, talvez mesmo porque não existiu, mas atendendo a que só no Porto saíam neste período três jornais centenários que amiúde lá vão aparecendo reproduzidos (de "O Comércio do Porto" não há uma única referência!), significa que pela Invicta os Fab Four não seriam assim tão populares... ou então a linha editorial era de certeza mais conservadora. Tal como anteriormente, a primazia recai, obviamente, sobre o fait-divers, o superficial ou sensacional mas há excepções: por exemplo, a interessante entrevista de Joaquim Letria a Paul McCartney em Albufeira ("O Sansão era da Bíblia... a nossa força não reside nos cabelos" in "Diário de Lisboa", 30 de Maio de 1965) mas é bom constatar que a unanimidade da época sobre os ingleses era, mesmo entre os mais jovens, inexistente. Uma jovem loura portuguesa responde mesmo que os Beatles "não têm qualquer interesse. Não gosto deles. Não me satisfazem, nem como estilo de música nem como figuras. Prefiro, então, a Françoise Hardy ou a Sylvie Vartan" ("Diário de Lisboa", 31 de Maio de 1965). Ora toma! Um dos textos introdutórios da autoria de Afonso Cortez ("A popularidade dos Beatles Nunca Foi Grande Entre Nós", pág 2 e 3) ajuda talvez a perceber o fenómeno invertido, mas a conclusão a que já fomos aludindo aquando da leituras dos capítulos anteriores desta série é que, como fenómeno musical e social importantes, os The Beatles foram por cá simplesmente ignorados e desprezados, contrariando o vaticínio da época de Mahrashi Maresh, guru da meditação transcendental, sobre os seus pupilos: "Os Beatles são os maiores filósofos práticos deste século..." (in "Diário de Lisboa", 29 de Agosto de 1967). Helllo!

sábado, 19 de dezembro de 2015

IRMÃOS MARSHALL: O LIVRO + DISCO





















O nome artístico de King Krule esconde a história do miúdo inglês Archy Marshall, um caso sério de talento que tem na música a expressão mais visível e reveladora e que conhece agora uma outra dimensão. Ao lado do irmão Jack, o processo criativo abrange outras artes como a poesia ou a pintura na casa do Sul de Londres que se vê agora revelado através de um fabuloso livro projecto chamado "A New Place 2 Drown" e que se estica ainda a um envolvente disco de 12 pequenos temas já disponíveis digitalmente via Amazon inglesa. O pequeno filme da responsabilidade de Will Robson Scott aqui abaixo só serve para fazer crescer o apetite...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

3X20 ESPECIAL 2015










20 CANÇÕES X 20 ÁLBUNS X 20 CONCERTOS
+ 10 Low + 10 High 2015
Tempo de escolhas nada fáceis em ano difícil.

20 Canções:
1. TOBIAS JESSO JR. - Without You
2. TAME IMPALA - Let It Happen
3. BILL FAY - War Machine
4. LAURA MARLING - Gurdrieff's Daughter
5. NATALIE PRASS - Bird Of Prey
6. VETIVER - Time Flies By
7. FATHER JOHN MISTY - The Night John Tilmann Came...
8. BLUR - There Are Too Many Of Us
9. LOWER DENS - To Die In L.A. 
10. UNKNOWN MORTAL ORCHESTRA - Can't Keep Checking My Phone
11. BENJAMIN CLEMENTINE - London
12. RICKIE LEE JONES - Jimmy Choo
13. WILCO - Random Name Generator
14. ON AN ON - You Are So Scared
15. RICHARD HAWLEY - Nothing Like A Friend
16. MARK RONSON - Daffodils (feat. Kevin Parker)
17. MAC DEMARCO - Another One
18. FFS - JOHNNY DELUSIONAL
19. SUFJAN STEVENS - Should Have Known Better
20. THE AMAZING - Fryshusfunk  

20 Álbuns: 
1. JULIA HOLTER - Have You In My Wilderness
2. LAURA MARLING - Short Movie
3. LUBOMYR MELNYK - Rivers And Streams
4. TOBIAS JESSO JR. - Goon
5. DESTROYER - Poison Season
6. JESSICA PRATT - On Your Own Love Again
7. BENJAMIN CLEMENTINE - At Least For Now
8. BOB DYLAN - Shadows In The Night
9. DANIEL KNOX - Daniel Knox
10. JOANNA NEWSON - Divers
11. NATALIE PRASS - Natalie Prass
12. THE WHITE BIRCH - The Weight Of Spring
13. FATHER JOHN MISTY - I Love You Honeybear
14. VETIVER - Complete Strangers
15. THE ACORN - Vieux Loup
16. SUFJAN STEVENS - Carrie And Lowell
17. ROBERT FORSTER - Songs To Play
18. HEATHER WOODS BRODERICK - Glider
19. CORRINA REPP - The Pattern Of Electricity
20. GHOSTFACE KILLAH & BADBADNOTGOOD - Sour Soul

20 Concertos:
1. PATTI SMITH, Primavera Sound, Porto, 5 de Junho »»»»
2. LUBOMYR MELNYK, Catedral de Viseu, 4 de Julho »»»»
3. IRON & WINE, Casa da Música, Porto, 2 de Novembro »»»»
4. THE WAR ON DRUGS, Festival Paredes de Coura, 21 de Agosto »»»»
5. BENJAMIN CLEMENTINE, Casa da Música, Porto, 25 de Novembro »»»»
6. VASHTI BUNYAN, Culturgest, Porto, 31 de Outubro »»»»
7. BEACH HOUSE, Teatro Sá da Bandeira, Porto, 24 de Novembro »»»»
8. DEVENDRA BANHART & ANDY CABIC, Auditório de Espinho, 27 de Maio »»»»
9. CHARLES BRADLEY, Festival Paredes de Coura, 21 de Agosto »»»»
10. JESSICA PRATT, GNRation, Braga, 26 de Outubro »»»»
11. FOXYGEN, Primavera Sound, Porto, 6 de Junho »»»»
12. TAME IMPALA, Festival Paredes de Coura, 20 de Agosto »»»»
13. LOWER DENS, GNRation, Braga, 22 de Novembro »»»»
14. DANIEL KNOX, Salão Brazil, Coimbra, 12 de Setembro »»»»
15. CORRINA REPP, Passos Manuel, Porto, 20 de Outubro »»»»
16. ANGEL OLSEN, Manta, CCVF, Guimarães, 5 de Setembro »»»»
17. FATHER JOHN MISTY, Festival Paredes de Coura, 20 de Agosto »»»»
18. YASMINE HAMDAN, Primavera Sound, Porto, 5 de Junho »»»»
19. MARK ERNESTUS' NDAGGA RHYTHM FORCE, Serralves em Festa, 31 de Maio »»»»
20. JOAN BAEZ, Coliseu do Porto, 31 de Março »»»»

10 Low:
. o fanatismo islâmico em modo descontrolado;
. a impotência bacoca de uma Europa perdida;
. a chico-espertice de António Costa;
. a visão estratégica e infalível de Cavaco e Silva;
. o definhar da Vodafone FM;
. os "fuminhos" a mais da intocável VW;
. a figurinha execrável de Daniel Trump;
. o inconsequente "peito-feito" grego;
. a xaropada dos Lambchop em Vila do Conde;
. a PDI, médicos, exames e afins intermináveis.

10 High:
. a dose dupla inesquecível de Patti Smith pela Invicta;
. a Antena3 finalmente uma alternativa pop;
. uma conversa telefónica com o Lubomyr Melnyk;
. a "chuva" de dólares sobre o Blatter;
. o Joshua Tilmann e uma bandeira portuguesa em Coura;
. o "River Man" em transe clementiniano;
. as "idas" de bike para o Primavera Sound;
. a baixa, a Rua da Conceição e tudo à volta;
. o entranhar melancólico de Miramar;
. apesar de tudo, a corrida... sempre!

PODEROSA!



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PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #16





















Agora que a Rua de 31 de Janeiro parece voltar a estar "in" com a reabertura de mais alguns espaços comerciais, o nosso roteiro chega hoje à Discoteca Santo António, talvez a loja de discos com a fachada mais bonita da cidade! Situada logo no início da rua num prédio de colunas marmoreadas, era por isso a primeira visita da nossa deambulação por aquela artéria, nem que fosse só para ver os álbuns das montras pendurados por uns esticadores de aço, o que lhe conferia um aspecto primoroso e arejado. Temos ainda a dúvida, mas na versão original a loja de discos ocupava ainda o espaço que antecipava a actual entrada, hoje um pronto-a-vestir, como se depreende olhando para a geminação do edifício original. Como (quase) todas, fechou para dar lugar a um restaurante de cozinheiro/sorveteiro plastificado à porta, o que retira nobreza e beleza a um espaço que merecia mais cuidado e requinte, tendo o negócio antigo, em fase mais recente, passado para o 1º andar, letra F, como ainda se pode confirmar hoje na rede. Nada mais sabemos sobre o seu proprietário, data de encerramento ou qualquer outro pormenor, mas a história da Santo António não terá sido muito diferente de todas as outras discotecas da cidade - um lento definhar com o advento do Cd e do mp3 à espera de melhores dias que parecem ter, em boa hora, chegado à mítica Rua de 31 de Janeiro, antiga Rua de Santo António.

Disco. Santo António, Rua 31 de Janeiro, 231-235, Porto
Disco. Santo António, Rua 31 de Janeiro, 231-235, Porto
Disco. Santo António, Rua 31 de Janeiro, 231-235, Porto

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

MEMORABILIA #15


















Os britânicos The The de Matt Johnson são, sem dúvida, uma das bandas mais injustiçadas de sempre. É verdade que, instantaneamente, muitos reconhecem e vibram com o "Uncertain Smile" ou o "This Is The Day" que faziam parte obrigatória do alinhamento nocturno de muitos discotecas e bares dos anos oitenta, mas a obra e o legado que Johnson foi construíndo ao longo de mais de uma década e meia (1983-2000) merece uma maior atenção e envolvimento a que fomos dando toques aqui pela casa. Agora que o regresso está prometido para 2016 enquanto o génio de Johnson se vai espraiando a algumas bandas sonoras e auto-programas de rádio (a sua Radio Cineola teve, curiosamente, um contributo recente da portuense Rádio Manobras), desenterramos esta K7 do baú para contar uma historieta rock&roll: tínhamos, claro, marcado presença na vinda da banda ao Porto (Pavilhão das Antas, Julho de 1989) que marcou também a estreia do ex-The Smiths Johnny Marr por cá e mantivemos a atenção sobre qualquer disco novo. Foi o caso de "Dust" de 1993 que numa edição especial em CD que topamos na altura num hipermercado de Gaia (Carrefour?) tinha agarrada com fita-cola esta K7 bónus grátis com temas ao vivo em Nova Iorque (o "ao vivo" é o estúdio da Sony no dia 5 de Maio de 1993) e na qual se destacava um autocolante dando conta da digressão por lá com os Depeche Mode (estranho, mas sobre esta parceria não há na rede qualquer registo!). Como já tínhamos as canções desse álbum devidamente gravadas em K7 e adivinhando o pouco controle dessa grande superfície comercial, retiramos a cola e amarramos o bónus a um outro disco que há muito procurávamos - o "The First Day" do David Sylvian com o Robert Fripp - e passamos com o "conjunto" pela caixa sem qualquer incómodo ou chatice. "Yeah, It's a Bootleg" (Demonstration - Not For Sale) é o que nela se inscreve e, sendo assim, para quê pagar o que não está à venda... Já agora, esse álbum é um dos tais replecto de grandes canções, numa fase algo depressiva de Johnson pela morte do irmão (que homenageou na canção e no video de "Love Is Stronger Than Death"), mas onde a veia pop continuou a ser marcante. Ouça-se, por exemplo, este maravilhoso "Slow Emotion Replay" com video do amigo Tim Pope. 
                   


quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

UAUU #292

A BÍBLIA ILUMINADA DE DAVID SYLVIAN!
















Continua disponível para aquisição uma obra, a todos os títulos, de peso: Hypergraphia 1980-2014 reúne uma colectânea de poesia e lírica de David Sylvian em 635 páginas cuidadas pelo próprio com a ajuda do designer Chris Bigg e onde se incluem desenhos, fotografias e outros trabalhos de artistas como Atsushi Fukui, Katharina Grosse ou Anton Corbijn. Uma edição limitada devidamente assinada esgotou ao fim de poucos dias e os 3000 exemplares da tiragem terão certamente o mesmo fim apesar do preço... pesado!



terça-feira, 15 de dezembro de 2015

DAMIEN JURADO, VISÕES TERRENAS

Com o título de "Visions Of Us On The Land" aproxima-se a edição de um novo disco de Damien Jurado via Secretly Canadian (Março de 2016), mais um registado na companhia do mago Richard Swift. Um mês depois inicia-se uma digressão europeia com quatro datas no país vizinho e, mais uma vez, sem aparentes concertos por cá. Aqui fica a primeira e, desde já, irresistível amostra de um conjunto de dezasete novos temas sobre viagens na companhia de Silver Kathrine, já nome (ficcionado?) de canção... 

KEVIN MORBY E A INVICTA 2!





















"I wrote the b-side, "Bridge To Gaia", while on vacation in Porto, Portugal. I ended up there after a tour and it quickly became my favorite city in all of Europe. The apartment I was renting was at the foot of a bridge that would take you to the town across the river, Gaia. It, like everything about Porto, is immensely beautiful and inspiring. It's a different beauty than I had ever experienced. There was almost something sinister to it. The clouds moved fast, there was always a bell tolling and all the school kids were caps. This song came out of all that."

Estas são palavras de Kevin Morby sobre o Porto que ele fez o favor de maravilhosamente homenagear com o tema "Bridge To Gaia" no lado B do single "Moonshiner" lançado em Setembro passado. Acresce que a edição física do 7" em vinil tem na contra-capa uma fotografia do "local do crime", como se comprova acima, um sítio inspirador e uma imagem impressa prontinha a receber o autógrafo da praxe. Cá o esperamos na leal e sempre invicta em 2016!

AMÁLIA NA BROADWAY, FINALMENTE!





















É um daqueles discos fetiche a que já demos por aqui destaque em 2009: Amália Rodrigues gravou em 1965 uma série de canções standar em inglês sob direcção de Norrie Paramor mas o conjunto só foi publicado em vinil em 1984 com o título de "Amália na Broadway" e onde repousava um apelativo texto de Miguel Esteves Cardoso. Finalmente, sexta-feira passada, a EMI-Valentim de Carvalho fez sair uma versão melhorada do registo a que chamou "Someday" e que inclui, para além do alinhamento original (ou seja, pela primeira vez o álbum tem edição oficial em CD!!), um inédito ("The Man I Love" de Gershwin) e uma série de versões alternativas entre as quais takes em português das canções "Ai Mouraria", "Solidão", "Lisboa Antiga" e "Coimbra" registadas nas mesmas sessões, as primeiras em estéreo realizadas pela fadista. A belíssima fotografia da capa é da autoria de Eduardo Gageiro e o disco conta com um texto de Vitor Pavão dos Santos, tudo numa coordenação do documentalista Frederico Santiago.     



sábado, 12 de dezembro de 2015

SINATRA ETERNO!



















Seriam 100 anos hoje mas como este homem não tem idade o melhor é dar-lhe os parabéns eternamente continuando a ouvi-lo de todas as formas e feitios como nestes maravilhosos trinta e poucos minutos!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

CHARLES BRADLEY, MUDANÇAS!













O primeiro avanço do terceiro álbum de Charles Bradley retoma uma versão do tema "Changes" originalmente editado pelos Black Sabath em 1972 e que o artista tinha já publicado em 7" na Black Friday de 2013 com a ajuda do colectivo The Budos Band. O disco com selo Dunham/Daptone Records estará cá fora em Abril de 2016 e promete, como sempre, excepcionalidade... 

UAUU #291

TINY RUINS, NOVO EP!

O regresso muito esperado aqui pela casa de Hollie Fullbrook/Tiny Ruins aos discos acontece neste final de ano e conta com a ajuda de Hamish Kilgour, percursionista da banda neozelandeza The Clean. São sete canções que cabem num EP chamado "Hurtling Through" saído na Bella Union no final do mês passado e que resultam de diversas colaborações registadas em Nova Iorque, cidade onde se conheceram em 2013. Entre elas estão dois poemas de W.B. Yeats ("Tread Softly" e "Wandering Aengus") em forma de canção e um curioso registo sonoro de um passeio nocturno por Brooklyn chamado "Public Menace" onde Kilgour se diverte a atirar uma colher às lâmpadas de iluminação pública entre outras tropelias... Esta e outras histórias podem ser comprovadas aqui

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

MERCADO 48 EM FESTA!

























O primeiro aniversário da melhor loja vintage do Porto - o Mercado 48, na Rua da Conceição - tem festa marcada para amanhã com um concerto de Diathoms e a inauguração de uma exposição de ilustração da amiga Cristina Costa. Estaremos por lá a tirar o pó às rodelas pequenas de vinil. Apareçam! 

FONIX! É NATAL...





















Para quem colecciona singles de Natal, ora aqui está mais uma inesperada peça: os Phoenix com a ajuda, entre outros, de Bill Murray numa cover de um tema inédito dos Beach Boys datado de 1979! A canção integra um especial natalício dirigido só por acaso pela esposa do vocalista da banda, Sofia Copolla, e chama-se "A Very Murray Christmas"! Ao comprar a rodela é a UNICEF e todos nós que lucramos.  

DUETOS IMPROVÁVEIS #197

JEHNNY BETH & JULIAN CASABLANCAS 
Boy/Girl (Sort Sol)
Single 7", Dezembro de 2015

FAROL #121











Agora que se aproxima o fim do ano, liga-se o farol para um dos melhores discos portugueses dos últimos tempos - é o homónimo dos Bassett Hounds que continua livre via NOS Discos... 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

KELLEY STOLTZ, É LOGO!
















Dá vontade de cometer uma loucura: zarpar, petiscar umas tapas em Vigo e cumprir um desejo antigo... ver Kelley Stoltz ao vivo

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

WILD NOTHING, ACABOU O POUSIO!





















Ao fim de três anos de pousio, o génio de Jack Tatum que comanda os Wild Nothing tem data marcada de término com a edição de Fevereiro de "Life of Pause" via Bella Union. Gravada entre Estocolmo e Los Angeles com o produtor Tom Monahan, com referências no curriculum como Devendra Banhart ou Vetiver, são já conhecidos dois singles simultâneos que provam uma reinvenção que, a pedido de várias famílias, não se pretende drástica. Aqui ficam, então, as primeiras provas.      

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

BENJAMIN CLEMENTINE, Casa da Música, Porto, 25 de Novembro de 2015































O fenómeno meteórico chamado Benjamin Clementine pode ter diversas e intrincadas explicações em que o mundo da música é felizmente fértil e a que habitualmente se associam uma série de faits-divers inconsequentes. Pode (não) ser a cor da pele, o corte do cabelo, o banco alto onde senta em frente ao piano, a fatiota simples sobre a pele, uma tal Nina Simone no masculino, os pés descalços ou uma história do desgraçadinho de rua que agora é capa de revista e merecidamente premiado e reconhecido. Tudo isto, meus amigos, se desvanece quando a essência principal actua sobre uma sala imponente e esgotada como certamente aconteceu já nos espectáculos também lotados de Braga ou Aveiro e vai tornar a acontecer em Lisboa e Faro. Essa essência tem um nome: autenticidade... da timidez da fala, da calma na postura mas, principalmente, da voz e das líricas que o piano vai rodeando sem contemplações e que nos encolhe na cadeira e na alma enquanto nos vamos questionando "como é possível?". Num desses momentos de aperto, quando um tom de piano introduz a frase "Betty came on her way" e uma das maiores canções da história da música popular chamada "River Man" que Nick Drake escreveu em Cambridge há mais de 45 anos se vai de surpresa entranhando, a noite no nosso caso podia acabar logo ali! Se as queixas no alinhamento recaem no "esquecimento" de "London", a verdade é que, com a ajuda de Alexis Brossard na bateria, o arrebatamento unânime do concerto de ontem é simplesmente o resultado de uma persistência em acreditar na vida, na dele e, já agora, na de todos nós, quando, alto e bom som, insiste em lembrar-nos "I dream, I smile, I walk, I cry" durante "I Won't Complain". Acreditem, apesar de tudo, a vida é mesmo bela. Obrigado pela lembrança Benjamin!      

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

BEACH HOUSE, Teatro Sá da Bandeira, Porto, 24 de Novembro de 2015















Um concerto ao vivo dos Beach House é e sempre será um momento especial. No nosso caso, já experimentamos uma primeira fila do Vila Flor vimaranense (2010), a frente de palco do Hard Club (2013) e escapamos propositadamente à enchente impraticável da tenda do Primavera Sound portuense (2012) por sentirmos que, lá está, o espaço inadequado tolheria de forma irremediável a tal especialidade da sua música. Ontem, na procura do melhor lugar, entrando e saindo dos camarotes e balcões do velhinho Sá da Bandeira, acabamos por não resistir à tentação de, desta vez, nos sentarmos de forma privilegiada sobre a beleza de uma plateia esgotada de um teatro centenário que assentava, previsivelmente, como o melhor dos palcos para as canções da banda. A opção acabou por ser mais que acertada. À bruma e à espessura rugosa das canções, novas e velhas, juntou-se um jogo de luz imparável que alia uma soturnidade e um brilhantismo aparentemente incompatíveis mas que os Beach House sempre souberam usar a seu grande favor. Se lhe adicionarmos um alinhamento quase sem mácula (ok, faltou o "Astronaut"), um som enorme e uma rouquidão de Victoria Legrand que todos seduz (mais aquele abanar do cabelo...), facilmente se percebe que o término da digressão culminou de forma apoteótica no coração do Porto, cidade que desde 2008 sempre recebeu de braços abertos o duo de Baltimore, facto que Legrand fez questão de frisar antes do inquietante "Irene" com que finaram o serão com a ajuda do guitarrista Daniel Wong. Esse carinho nitidamente correspondido poderá não ter já muito espaço para crescer mas, como se provou ontem, será eternamente especial... e aconchegante!
                         

















segunda-feira, 23 de novembro de 2015

LOWER DENS, GNRation, Braga, 22 de Novembro de 2015













No fim de tarde de ontem, para aqueles que andaram pelas matinées de Domingo pelo Porto em plenos anos 80 entre o Lá Lá Lá e o Griffons, certamente que não foi difícil avivar as memórias desses tempos em plena sala bracarense. Ambiente escuro, geração crescida na sua maioria e uma sala quase cheia perfeitamente ciente do que ia ouvir - um pop negro sem rodeios a la Siouxie ou The Sound, precisamente exemplos de grandes bandas que faziam do tal roteiro portuense um caso sério de devoção. O "efeito" dos Lower Dens rapidamente foi visível no indispensável abanar cabeças e fecho dos olhos de muitos a que era impossível resistir, por exemplo, numa sequência do calibre de "To Die In L.A.", "Your Heart Still Beating" e "Electric Current"! Mesmo sem o principal guitarrista, ausente da digressão por razões familiares, o trio manteve sempre um nível alto mas foi o hipnotismo e a voz imensa de Jana Hunter que se revelou irresistível mesmo na "velhinha" e magnificamente gingona "Batman", canção que saltou fora do primeiro álbum para uma rodela pequena de vinil. Em fim de digressão e sem encores banais, porque o avião não espera, houve tempo para uma surpreendente versão de "Maneater, um daqueles momentos saborosos a culminar muitas horas de estrada. Prometeram voltar na Primavera... talvez aquela junto ao mar portuense. 

(concerto na íntegra em HugTheDj)







sexta-feira, 20 de novembro de 2015

RICHARD HAWLEY, IMPRESCINDÍVEL!





















O hábito de acumular todos e quaisquer sete polegadas de vinil que o mestre Richard Hawley insiste em editar, tem para a semana mais um exemplar prometido de aquisição imprescindível e obrigatória. Still want them... 

CAETANO GIL... TAXIIIIIIII!

Nunca um taxi negro londrino ficou tão bonito!

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

BOWIE, A ESTRELA NEGRA!





















O novo disco de David Bowie chama-se, como sabido, "Blackstar", sai dia 8 de Janeiro e tem o Tony Visconti na mesa de mistura. Soa e vê-se assim... a negro!

terça-feira, 17 de novembro de 2015

JENS LEKMAN, O MÃOS-LARGAS!






















O corrente ano começou para Jens Lekman com um desafio difícil - compor e gravar uma canção por semana, projecto a que chamou "Postcards" que vai cumprindo rigorosamente. Em setembro passado com a ajuda da GIBCA-Bienal de Arte Contemporânea de Gotemburgo e não contente com a aventura, juntou-lhe uma extensão provocatória em que convidada todos, fãs incluídos, a enviar uma história sobre amor, medo ou segredos que ele, depois de devidamente escolhida a partir de entrevistas com os autores, converteria em canções sob o título de "Ghost Writing". As submissões decorreram até ao dia 28 de Outubro e, incrível, após um dia inteiro recolhido no estúdio com a ajuda de músicos amigos, já há resultados! O melhor disto tudo é que, quer os tais postais (já são 43!) e uma meia dúzia destas novas canções, estão disponíveis na totalidade para download gratuito no soundcloud do verdadeiro artista!      

FAROL #120











A digressão de quatro datas e cidades que as manas Pega Monstro e o B Fachada têm agendada para o final desta semana foram conveniente antecipadas e fortalecidas com a gravação de um EP de quatro versões ao desafio registadas num só dia de estúdio. Está tudo à mão de um preçário, que pode ser inexistente, e de uma caixa de correio. Carrega

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

JEFF BUCKLEY, A HISTÓRIA INTERMINÁVEL!

















Desde a sua prematura morte em 1997 o legado de Jeff Buckley tem sido revolto das mais diversas formas e feitios, somando-se compilações ditas especiais e outras jogadas de cerco a supostas gravações e canções inéditas com o beneplácito da mãe e tutora patrimonial Mary Gilbert... Desta vez, contudo, o embrulho até que é bastante primoroso: na busca de material para a comemoração dos vinte anos do álbum "Grace" evocado em 2014, apareceram (?) nos arquivos da Sony Music uns registos de 1993 há muito dados como perdidos conhecidos como "Addabbo sessions" em referência, supostamente, ao produtor Steve Addabbo que ajudou Buckley a crescer artisticamente, seja lá o que isso quer dizer! Assim, para Março está prometida a edição, via Columbia/Legacy, de "You And I", um disco de gravações a solo de uma intimidade classificada como de "singular sensibilidade" e onde se destacam dois temas originais ("Grace" no seu primeiro take e "Dream Of you And I", supostamente inédita) e oito versões de lendas como Bob Dylan, Led Zepplin, The Smiths ou Sly & The Familly Stone. Wait and see... the never ending story!

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

CASS McCOMBS ANTOLÓGICO





















Na última década, para além de ter editado oficialmente sete discos compridos, Cass McCombs largou uma série de canções em singles de vinil, colectâneas diversas ou rebuscados ficheiros online que a Domino decidiu agora compilar seriamente - A Folk Set Aparat - Rarities, B-Sides & Space Junk, Etc. tem data de saída marcada para 11 de Dezembro e das 19 canções incluídas, cinco são completamente inéditas. Aqui fica a deliciosa "Evangeline", tema de um split-single com os Meat Puppets lançado em Outubro de 2014. 

    

DUETOS IMPROVÁVEIS #196

TINDERSTICKS & LHASA DE SELA
Hey Lucinda (Tindersticks)
Gravado em 2009 e a incluir no álbum "The Waiting Room" (Janeiro de 2016)
Video realizado por Joe King & Rosie Pedlow, 2015

terça-feira, 10 de novembro de 2015

DANIEL JOHNSTON, FICÇÃO E REALIDADE





















No passado sábado Los Angeles assistiu à estreia de "Hi, How Are You Daniel Johnston?", uma psicadélica curta metragem dirigida por Gabriel Sunday que joga entre a ficção e a realidade do mundo maravilhoso de Daniel Jonhston, principalmente o que inspirou o mítico disco "Hi, How Are You" de 1983. Para o efeito conta com a participação do próprio Jonhston e também da cantora Soko no papel de Laurie, um amor antigo mas perdido... A banda sonora recorre à orquestração das canções originais do artista e ainda a uma inédita versão de "Some Things Last A Long Time" na voz de Lana Del Rey. Um projecto tentador só possível como resultado feliz de uma campanha de recolha de fundos no valor de 57.000 dólares para a qual contribuíram mais de 600 apoiantes e que, como tal, terão a oportunidade de ver a curta-metragem por antecipação já amanhã. Certamente um documento inspirador e inseparável do filme "Daniel Johnston, A Loucura de um Génio" de 2006.   





sexta-feira, 6 de novembro de 2015

NICK GARRIE, NOVA PÉROLA!

Vai fazer um ano que Nick Garrie aterrou no Porto ao lado dos Beautify Junkyards para um concerto entre amigos. Prometeu continuar a escrever novas canções e, enquanto puder, a apresentá-las a novos e velhos públicos a solo ou com uma banda amiga. Temos então e desde aí pelo menos dois novos temas: "Lone Ranger In The Sky" lançado digitalmente em Julho passado e agora uma nova pérola de nome "Got You In My Mind", ambas a servir, quem sabe, de rampa de lançamento para um novo álbum. Não falhando a tal promessa, Garrie integra o fabuloso cartaz do Festival Le Guess Who? que se realiza ainda este mês em Utrecht na Holanda no segmento "Cabinet Of Curosities", uma curadoria fantástica de Jacco Gardner. Invejável... 

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

UAUU #286

(RE)VISTO #63













VASHTI BUNYAN - FROM HERE TO BEFORE
de Kieran Evans, CC Films, 2008
Aproveitando o facto do filme estar disponível desde Maio no Youtube e seguindo a sugestão do amigo Hugthedj, não havia como perder a oportunidade de confirmar a lenda. Para quem esteve no memorável concerto de sábado passado certamente ouviu a história de uma viagem da cidade para as montanhas numa caravana, ao lado do namorado, de um cão e um cavalo, à procura... O resto, mesmo parecendo fantasia, cabe tudo neste magnífico documento de amor pelo mundo onde vivemos e onde a música é só uma ínfima parte de uma grandiosidade sempre difícil de perceber. Depois de visto, só temos é que dar graças por termos tido a sorte de ouvir de viva voz parte substancial desta jornada em forma de canções. A procura de Vashti Bunyan, essa ainda não acabou! Sacrilégio não ver.  

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

GET WELL SOON, É SÓ AMOR!





















Está anunciado para final de Janeiro de 2016 o quarto disco do projecto alemão Get Well Soon, uma luxuriante aventura sonora da responsabilidade única do multi-instrumentista e compositor Konstantin Gropper. Chama-se simplesmente "Love", conta com onze novas canções super-pop mas haverá uma versão luxuosa do disco a que se acrescentam mais cinco temas. O primeiro avanço de nome "It's Love" confirma a veia sempre inspirada de Gropper e tem já video apelativo com a participação do mítico actor germânico Udo Kier, presença habitual em inúmeras películas vampirescas e não só, de "Blood for Dracula" de Andy Warhol até "Blade" passando por "Nymphomanic" de Lars Von Trier e até ao lado de Madonna... 

terça-feira, 3 de novembro de 2015

IRON & WINE, Casa da Música, 2 de Novembro de 2015
























Uma espera de treze anos pela estreia de Sam Beam em salas portuguesas é um pecado inexplicável. O nome artístico de Iron & Wine há muito que merecia uma noite como a de ontem numa sala imponente e plena de público conhecedor e ávido das suas canções. Copo de vinho na mão, barba e cabelo em fase de (mais) crescimento, Sam cedo mostrou boa disposição, lançando desde logo um "o que querem ouvir?" num português risível mas desafiador. Seguiram-se quase vinte pérolas em forma de canção, intercalando duas guitarra de afinação diferenciada (supostamente, uma para temas alegres a outra para coisas mais tristes, ou seja, quase todos...) a que emprestou a sua confortante e segura voz bem distinta no silêncio da sala em transe emocional. Admirou-se com este respeito e bom comportamento "shhhhhh" - confessou a satisfação inimaginável de atravessar todo o Atlântico para tocar para pessoas que não conhece em lugares grandiosos -  e, quase sempre, cumpriu  os pedidos do público sequioso. Da lista em construção aleatória e apesar de sugeridas, falharam algumas "perdições sonoras" como o "Godless Brother in Love", o "Sunset Soon Forgotten", o "Lovesong of The Buzzard" ou a magistral e imbatível versão de "Love Vigilantes" dos saudosos New Order. Tamanhos "pecados" ficam por isso a aguardar um regresso que se impõe naturalmente, mas o serão permitiu comprovar Sam Beam como uma brilhante alma encarnada em forma de músico - bastava o inesquecível "Flightless Bird, American Mouth" quase acapella que encerrou o concerto para o confirmar. Admirável! 

(grande video cortesia Hugthedj)


DIANE COFEE DE SECRETÁRIA!

UAUU #285

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

JUST PLAY IT, SAM!





















Atendendo à imensidão de canções que gostaríamos que Sam Beam aka Iron & Wine tocasse logo mais à noite na Casa da Música, qualquer setlist se afigura atraente embora seja bom que o "Tree By The River" não seja esquecido... e já agora que haja algures hipótese de comprar o sete polegadas com versões de Neil Young e dos Four Tops que fazem parte do segundo volume de arquivos a editar em breve. Era só!   

domingo, 1 de novembro de 2015

VASHTI BUNYAN, Culturgest Porto, 31 de Outubro de 2015
















O cartaz que anunciava sala esgotada era, sem dúvida, um bom prenúncio. Como nós, muitos esperaram demasiado tempo por Vashti Bunyan e esta era uma oportunidade dourada para finalmente lhe prestar ao vivo uma merecida vénia. Tudo aquilo que queríamos, no fundo, aconteceu: uma selecção requintada de canções sem data de validade, um som magnífico e até uma intimidade desejada e informal que o aconchego da sala, apesar dos mármores, acabou por favorecer. Sem focos ou luzes dirigidas, a penumbra permitiu fechar os olhos mais facilmente tal como o cúmplice Gareth Dickson o fez em todas as canções, realçando a beleza dos temas, a sinceridade de muitas das histórias introdutórias, a suavidade da voz ou os acordes simples e geniais de uma artista preciosa e que, mesmo involuntariamente, carrega aos ombros um encantamento mítico de amor pela música e pela vida. "Just another love to give and a diamond day" (en)cantou ela e nós, fechando mais uma vez os olhos, nunca vamos esquecer este dia de diamante... puro e lapidar!