quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

JULIA HOLTER, SAGRADO CELEIRO!

O Festival Pickathon em Portland, Oregon, orgulha-se na primazia dada à ecologia e respeito pela natureza, reunindo em Agosto uma série de artistas incríveis para três dias de amor pela música e bem estar. O alinhamento para este ano é, desde logo e mais uma vez, notável! Há lugar para concertos em locais inusitados como bosques e celeiros de quinta, aproveitando a organização para realizar por ali uma série de sessões denominadas Lucky Barn Series. Foi o caso em 2016 da menina Julia Holter que, na oportunidade, apresentou a eterna versão "Hello Stranger" de Barbara Lewis só para desfazer as dúvidas... e corações. Sortudos!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

HAND HABITS, SEDUÇÃO GARANTIDA!





















Quem esteve nos recentes concertos de Kevin Morby não ficou certamente indiferente à qualidade da guitarrista que o acompanhava, uma menina de postura recatada mas subtilmente imprescindível para que as canções soassem perfeitas e enormes. O nome de Meg Duffy esconde-se atrás de um baptismo registado como Hand Habits que se apressa para fazer sair "Wildly Idle (Humble Before the Void)", álbum que a casa Woodsist edita no final da semana e que se segue a, pelo menos, três anteriores experiências sonoras disponíveis via Bandcamp. Gravado entre uma sala de estar de Nova Iorque e a nova casa de Los Angeles sempre que foi possível parar as digressões com Morby ou Weyes Blood, a audição do disco para já disponível e que abaixo se encaminha, denota, desde logo, uma dose de crescimento e talento a que vai ser muito difícil resistir. Exemplo vincado de self made woman que executou e registou a totalidade das canções com a ajuda de gente dos Avi Buffalo ou dos Quilt, esperemos que regresse em breve em nome próprio para nos seduzir. Estamos prontos.

streaming via Hypem

domingo, 5 de fevereiro de 2017

THE DIVINE COMEDY, Theatro Circo, Braga, 3 de Fevereiro de 2017














O sinal estava dado há meses. A antecedência com que a sala bracarense esgotou a sua capacidade para receber os The Divine Comedy confirmava, por um lado, a notória fidelidade de um público amarrado definitivamente ao talento de Neil Hanonn e, por outro, a expectativa de ouvir um dos seus grandes discos, mais um, editado o ano passado de nome "Foreverland". Não foi preciso esperar muito para perceber que a noite iria ser memorável. Bastou um inesperado "Sweden", majestoso, logo a abrir o serão para que a viagem inebriante não parasse durante duas horas de canções novas e velhas, todas especiais, todas impecáveis na execução e no esplendor com que encheram um dos mais bonitos teatros portugueses. Todos temos uma canção preferida e seja qual for o Neil que esteve em palco - o Napoleão de grande chapeirão, o very british de fato, guarda chuva e chapéu de coco ou simplesmente aquele que toca guitarra - há sempre muita experiência na interacção com o público onde o humor e sátira são pedra de toque vital para a boa disposição, seja a tocar um teclado de brincar comprado umas horas antes, seja a distribuir bebidas pelos parceiros de palco ou invadindo a plateia para se sentar ao colo de um "mutual friend" na primeira fila (foto) para depois simular na mouche o "fell unconcious" e o "find the bathroom" de uma das suas mais brilhantes canções. A satisfação, essa é duplamente notada na forma como a banda se empenhou e embrenhou no concerto e, particularmente, na onda como vimos o público por perto a bater palmas mesmo antes dos temas terminarem e a soletrar de fio a pavio temas antigos ou recentes, postura que ganhou contornos de maior festa quando a ordem foi a dada para abandonar as cadeiras (precisamente os trinta minutos em que conseguimos filmar alguma coisa...). Já estivemos com os The Divine Comedy uma mão cheia de vezes, a solo ou em pleno instrumental e a experiência de sexta-feira foi, sem dúvida, a que nos "atingiu" em cheio sem contemplações e que aumentou a vontade de regressar depressa a uma noite deste calibre. Ah, quanto a canções preferidas entre as vinte cinco (?) desfiladas, aqui fica o nosso top três: "To The Rescue", "Your Daddy's Car" e "Our Mutual Friend". Chapeau, Mr. Hannon!              


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

UAUU #367

TRÊS TRISTES TIGRES, ANOS 90 BEM MEDIDOS!
















Está prometido o regresso por uma noite dos Três Tristes Tigres aos concertos - no âmbito do Porto Best Of promovido pelo Teatro Rivoli, o grande auditório recebe a 16 de Março próximo a evocação dos vinte anos do álbum "Guia Espiritual" mas haverá lugar também para temas mais antigos do disco anterior "Partes Sensíveis". Ao lado de Ana Deus e Alexandre Soares estarão alguns músicos que na altura os acompanharam ao vivo como foi, quase de certeza, o caso de uma excelente noite no Pequeno Auditório do mesmo Teatro Rivoli. Entretanto, com o projecto Osso Vaidoso, a dupla continua a promoção do disco do ano passado "Miopia" onde musicam uma série de poemas de autores como Sá de Miranda, Jorge Luís Borges, Rainer Maria Rilke ou Natália Correia e, depois de terem passado pela redacção do jornal online "Observador" para uma sessão ao vivo, apresentam-se já amanhã, Sábado, no Café da Casa da Música (22h30) com entrada livre.





quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

FIONN REGAN, ANO NOVO VIDA NOVA!





















Depois de três álbuns em anos seguidos - 2010, 2011 e 2012 - o irlandês Fionn Regan como que se eclipsou da face da terra mas mesmo a tempo de uma saudosa visita ao Porto aquando da digressão de Feist. Desde aí, as notícias passaram a ser escassas ou até inexistentes, um silêncio quebrado em Novembro passado quando um sampler da sua canção "Abacus" foi usado com satisfação por Bon Iver no novo tema "00000 Million...", talvez um sinal de que algo viria por aí. Sendo assim, ficou hoje a saber-se que um álbum inédito de nome "The Meetings of The Waters" sairá na Europa pela Abbey Records já a 14 de Abril a que se junta este majestoso e misterioso video para esse mesmo tema titulo. Welcome back!

CASS McCOMBS, Centro de Arte de Ovar, 1 de Fevereiro de 2017

Fotografia Nuno Mendes/Luzimentos

Fotografia Nuno Mendes/Luzimentos





























Na actual digressão de Cass McCombs a única data em terras portuguesas calhou ao auditório do Centro de Arte de Ovar que respondeu a preceito. Casa (quase) cheia e conhecedora, a expectativa centrava-se no disco do ano passado "Mangy Love", um verdadeiro manual de composição que começou a rodagem no Primavera Sound da Invicta e que, nesta altura, está mais que assimilado por ambas as partes - público e autor. A banda, praticamente a mesma que compareceu em Junho com uma dúvida no teclista, pareceu-nos algo desinspirada nos momentos de arranque onde temas como "Bum, Bum, Bum", "Medusa's Outhouse", "The Burning of The Temple", "Morning Star" e, principalmente, "Opposite House" soaram um pouco destoados e com uma escolha e nível das teclas uns furos "fora de tom", retirando muita da limpidez do registo original. Contudo, o concerto começou depois a levantar voo para uma "altitude" estável provando-se a magistral roda livre do colectivo mais que superada em "In a Chinese Alley", "Cry", "Run Sister Run" e no sempre indispensável clássico "County Line". Para o encore, marcando pontos entre a plateia já rendida, estavam guardados "Low Flyin Bird" e "I'm a Shoe", rematando, na dose certa, mais um vitorioso serão de McCombs a norte onde a "aterragem" tem sido sempre suavemente perfeita...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

GARETH DICKSON, LONGA SE TORNA A ESPERA...

Anunciada pelo próprio Gareth Dickson em Setembro passado, a digressão que incluía datas portuguesas ainda não se confirmou embora o músico tenha tocado já em França ou Alemanha para apresentar o magnífico "Orwell Court", disco saído na Discolexique em Novembro. É daí que salta agora uma enorme canção chamada "Red Road" e para a qual Daisuke Shimada registou no Japão um magnífico video onde as imagens encaixam em cinco minutos perfeitos de guitarra, piano e voz. Resta-nos esperar, calmamente!  

sábado, 28 de janeiro de 2017

UAUU #366

TOBIAS JESSO JR. ONDE ESTÁS?

























Foi um dos nosso álbuns fetiche de 2015 mas logo se transformou num verdadeiro clássico. "Goon", a estreia do miúdo Tobias Jesso Jr, é uma peça sonora sem idade nem tempo que arrasa más disposições e depressões sem sair do sítio, bastando para o efeito esperar até ao fim dos quarenta cinco minutos do álbum dividido em doze canções. Mas queremos mais, o que se afigura até hoje um enigma e um suspiro sem resposta já que o artista entrou em hibernação ou reclusão prolongada mesmo que o cartaz de cima que a editora fez questão de divulgar sarcasticamente há quase dois anos anuncie que é impossível passar-lhe ao lado - o jovem canadiano mede mais de 2 metros! O único "sinal de fumo" data de Setembro passado e é esta prometedora demo simplesmente chamada "Don't"...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

FESTAROLA DA MÚSICA!





















Para quem, como nós, vai vasculhando vinil com alguma frequência em diversos locais e ocasiões não é habitual tagarelar sobre quais são ou aonde são esses spots... afinal a procura, a descoberta e a surpresa continuam a ser os aditivos do vício que sabe ainda melhor de forma solitária e secreta! Mas a Festa da Música, que volta ao Centro Comercial Cedofeita amanhã sábado durante todo o dia e no Domingo da parte da tarde, é simplesmente um encontro de amigos e aficionados sem cura e onde, para além dos discos, há muito mais para ver e ouvir. Imperdível!

AGNES OBEL, UMA PEDRA!

Há na subtileza e requinte do álbum "Citizen of Glass" de Agnes Obel muito para descobrir. Exemplo perfeito dessa sedução é este "Stone" aqui recriado em sessão caseira, uma "pedrada" que gostaríamos de experimentar num qualquer bom silêncio de uma sala por perto...


LOBO #16

























A paixão de António Sérgio pela música dos Kinks era indisfarçável. Lembramos bem aquando de um disco a solo de Ray Davies em 1998 chamado "The Storyteller" a que ninguém ligou nenhuma, lá estava o mestre a rodar a novidade e, para os mais distraídos, a insistir no seu talento. Ainda hoje os Kinks parecem uns parentes pobres da clássica pop inglesa mas certa é a sua influência em tantos artistas e bandas o que levou a Sub-Pop de Seattle em 2001 a convidar ao recreio de temas mais obscuros por parte de um grupo de artistas mais ligados ao grunge destinados a uma compilação intitulada "Give The People Waht We Want (Songs of The Kinks)" e de que o mestre seleccionou e destacou Mark Lanegan ou os The Makers. Curioso que a mais recente revista Mojo de Março tem Ray Davies na capa e um artigo fascinante para ler, havendo a companhia de um CD em jeito de tributo onde novos e velhos rockeiros - Ty Segall (ouça-se abaixo o grande "Waterloo Sunset"), Nada Surf ou Mick Harvey - refazem de fio a pavio o álbum de "Something Else" de 1967. Certamente "Kinkologia", da boa, como lhe chamou António Sérgio a 2 de Novembro de 2001 no "Dependências" do jornal "O Independente"...





quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

UAUU #365

TIM DARCY, SOZINHO NUM SÁBADO À NOITE!





















Os canadianos Ought surgiram-nos caídos do céu num fim de noite do Parque da Cidade em 2015 e depois dessa aparição ficamos imediatamente rendidos. O álbum do ano passado confirmou toda a volúpia da sua música e onde a voz e trejeitos do vocalista Tim Darcy são marcas indeléveis de um registo muito próprio e inconfundível. Surge agora o seu primeiro disco a solo com selo da Jagjaguwar a editar em Fevereiro e os dez temas de "Saturday Night", assim se chama o álbum, apontam sem disfarce para uma viagem sonora indie rock que remete para os eternos VU ou os bons tempos dos The Strokes mas que se alarga a tendências mais ligeiras e descontraídas. Aqui ficam duas boas provas desse esforço.



RYLEY WALKER, É DESTA!












O fascínio pela música de Ryley Walker aqui na casa teve encontro imediato pré-marcada para o passado Festival Paredes de Coura, onde o músico chegou até a fazer um pequeno concerto secreto, mas falhamos o compromisso... Depois, a mais recente aproximação a terras galegas apesar de atraente foi ensombrada por um fim de tarde de tempestade assustadora que adiou, mais uma vez, a viagem da concórdia. Surge agora a confirmação que Walker estará no GNRation de Braga a 13 de Abril próximo depois de na véspera tocar na ZDB lisboeta e, sendo assim, à terceira é de vez. É desta!

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

FATHER JOHN MISTY, COMÉDIA A CAMINHO!

O novo álbum de Father John Misty que a Bella Union editará em Abril próximo chama-se "Pure Comedy", precisamente o título do primeiro avanço conhecido ontem e que tem tanto de sarcástico como, infelizmente, de verdadeiro! Hoje, ficou também disponível o filme que apresenta o making off da nova aventura escrita em 2015 e registada em Los Angeles em 2016 e onde participaram, entre outros, Nico Muhly e Thomas Barlett aka Doveman. A produção, para além do próprio Josh Tilmann, recaiu no habitual mago Jonathan Wilson, o que é, no mínimo, um sinal de bom gosto!



UAUU #364

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

CANÇÃO DO ANO 2016 TEM VIDEO!

A "nossa" canção do ano transacto sai agora como single e tem finalmente video oficial rodado durante a tour que chegará a Braga dia 3 de Fevereiro! Can't wait...

BAROQUE OBAMA!

Merecida e bonita homenagem de Chilly Gonzales e que serve de meditação para o que aí vêm, ou não, a partir de hoje...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

LAMBCHOP, Auditório de Espinho, 18 de Janeiro de 2017

O regresso rápido dos Lambchop ao norte do país, depois da semi-desilusão do ano transacto em Vila do Conde, teve ontem noite de lua cheia! Há um disco nada fácil para apresentar de nome "Flotus", uma inclassificável aventura sonora de que se vai aprendendo a gostar e que se entranha a sério a cada nova audição. O quarteto surgiu solto e animado - as tiradas de Tony Row continuam viperinas - mesmo que a reacção do público que esgotou a plateia nunca tenha sido eufórica ou desmedida, medindo cada tema com rigor na esperança de ouvir canções antigas. Exceptuando o velhinho "Poor Bastard", "Gone Tomorrow" e o sempre arrepiante "The New Cobweb Summer", o alinhamento não saiu do guião do novo registo onde se fez notar o gozo com que estes recentes temas são apresentados e nas quais a banda se vai maravilhosamente entretendo e reinventando em jeito coolness mesmo que bateria tenha interferido, por vezes, em demasia. Destaque para "The Hustle" que quase iniciou e terminou o serão e cujo o original de dezoito minutos de feição electrónica que deu vida a um pequeno filme-memória foi transformado num novo must, pleno de arranjos pop e onde as linhas de piano e de baixo jogam e de que maneira com um balanço perfeitamente clássico. Por isso mesmo, é obrigatória a aquisição de um 12" de vinil somente disponível nos concertos onde repousa uma versão desse tema sem a sofisticação do original e que serve para, em casa sentadinhos no sofá, pormos a rodela a girar as memórias de uma noite saborosamente perfeita!    



UAUU #363

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

LAURA MARLING, SEMPRE INQUIETANTE!





















Aproxima-se mais um disco monumental de Laura Marling algo a que a cantautora inglesa nos tem habituado nos últimos anos e que receberá o nome de "Sempre Femina". O pedacinho que por aqui já deixamos não engana e a auto-realização do video para esse "Soothing" é só uma primeira "reflexão" interior pela condição do que é ser artista no feminino nos dias de hoje. A propósito, Marling viajou para os E.U.A. onde entrevistou lendas como Dolly Parton ou Emmylou Harris ou então parceiras como Karen Olsen e as Haim sem descurar conversas com novos talentos britânicos como Shura ou Marika Hackman. Os testemunhos devidamente reunidos no site Reversal of the Muse tentam desvendar a sua inquietação constante sobre a sexualidade, a música e a vida. Apesar de jovem - 26 anos! - as canções de Marling continuam a confirmar uma notável maturidade artística como o comprova o novo tema "Wild Fire" e outros tantos estreados muito recentemente numa sessão radiofónica. Só é pena que estreia portuguesa ao vivo tarde em acontecer e ouvindo e vendo, por exemplo, o concerto que realizou em Fevereiro passado em Bristol que está agora todinho online, rapidamente se pergunta como é que se pode passar ao lado de um talento deste calibre...      




UAUU #362

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

STEVE SMYTH NO MINHO!





















O australiano Steve Smyth tem dois concertos agendados para hoje e amanhã em Guimarães e Barcelos. Mais informações aqui. Quem puder, é ir...



quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

ROCKY RACOON #12

























Este anúncio do jornal "Público" de 23 de Dezembro passado era impossível passar-nos despercebido - página ímpar inteiramente a preto e branco, uma icónica fotografias dos The Beatles e uma marca de relógios prestigiada, aguçaram-nos a curiosidade para tentar saber mais e... sonhar. O produto, um clássico da casa suiça chamado maestro, recebeu os treze títulos dos álbuns da banda ao redor do mostrador substituindo os números e na posição das 4 horas a reprodução da célebre capa do disco "Help" editado em 1965 com logótipo oficial bem centrado no mostrador. Simples, clássico, eterno! A edição limitada pretendeu em 2016 comemorar os quarenta anos da Raymond Weill e dizem que foram somente produzidos três mil exemplares da peça anunciada por cá estrategicamente na ante-véspera de Natal! Pena o preço de tamanha tentação - andar no pulso com 1400€ não é para todos - e por isso, a paixão foi rápida e passageira ao contrário do que cantou John Lennon...

It's a love that last forever
It's a love that has no past

LOBO #15





















As escolhas do mestre António Sérgio no suplemento "dependências" do jornal "O Independente" foram na maioria das vezes arriscadas e imprevisíveis. As de 7 de Setembro de 2001 recaíram sobre duas bandas de trajectos diferenciados - os South San Gabriel, magníficos e a que poucos deram atenção, tinham em Will Johnson um verdadeiro mago do lo-fi quase acústico, um refúgio mais melódico da verdadeira banda "modelo" de Johnson denominada Centro-Matic e que se extinguiu, aparentemente, em 2014. Lembramos bem algumas das suas canções que chegaram a ser tocadas ao vivo aquando do projecto Undertow Orchestra que o juntou a Mark Eitzel, David Bazan e Vic Chesnutt e que em Junho de 2006 se apresentou em pleno na sala grande da Casa da Música mas a que poucos, infelizmente, compareceram. Irrepetível, embora no ano seguinte tenha partilhado a solo um serão bracarense com Micah P. Hinson. Will Johnson continua muito activo entre a pintura, digressões a solo ou com os amigos e discos novos como o que se adivinha para Março próximo.
Sobre a outra escolha, curiosamente chamada Jackpot, a aposta, no nosso caso, passou totalmente ao lado. Elogiava-se a frescura das canções de um trio californiano em início de carreira mas de que nunca encontramos o rasto...    



quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

ITASCA, SINÓNIMO DE BELEZA!
















Circular em redor do nome Itasca pode sugerir uma série de graçolas à portuguesa. Neste caso, o que interessa é o que ele realmente esconde - um disco enorme chamado "Open To Chance" saído em Setembro passado que foi todo ele escrito e composto por Kayla Cohen, nome de baptismo de uma jovem talentosa crescida em Nova Iorque mas que em boa hora se mudou para Los Angeles em 2011, cidade onde se lançou na descoberta de diversos enigmas mitológicos escondidos pelo deserto. Há já um álbum de estreia de 2014 ("Unmoored by the Wind") que urge também descobrir e onde, simplesmente à guitarra, evidenciava desde logo muita da magia que podemos agora saborear em pleno e onde, acompanhada por uma banda, nos embriaga de beleza. Saber que menina esteve em digressão com Ryley Walker no final de 2016 e que ambos passaram por Vigo, certamente para um serão monumental, causa-nos ainda mais arrepios pela falta de comparência!        



MERING & ROSENBERG, DUPLA ABENÇOADA!





















A terceira edição do festival Marfa Myths que se realiza no deserto texano em Março reunirá durante quatro dias uma série de novos artistas cuja inspiração psicadélica e transcendental se misturam na perfeição - Jenny Hval, Julia Holter, Connan Mockasin ou Cate le Bon juntam-se a verdadeiras lendas como Roky Erickson ou Pharaoh Sanders, estando agendada uma inédita parceria ao vivo e em residência artística entre Weyes Blood e Perfume Genius. Antes e como resultado do segundo evento há um disco a editar no final do mês titulado Myths 002 (do inicial, em 2014, resultou também um 12" colaborativo de Connan Mockasin e Dev Haines/Blood Orange) onde harmoniosamente a menina Natalie Mering aka Weyes Blood e Ariel Rosenberg aka Ariel Pink colaboraram em quatro temas (dois deles versões) e no qual receberam a benção e a ajuda de Connan Mockasin e Andrew VanWyngraden dos MGMT. O esforço e o festival são uma concepção e promoção da Mexican Summer com sede em Brooklyn e da galeria de arte e animação cultural Ballroom Marfa.

3X20 JANEIRO















terça-feira, 10 de janeiro de 2017

MARK EITZEL, A RESPOSTA!

A segunda canção escolhida para ser destapada do novo álbum de Mark Eitzel a editar ainda este mês é precisamente "An Answer", confirmando a nossa dúvida de Outubro passado! O tema foi originalmente apresentado em versão acústica aquando da sua passagem por Guimarães em 2014 com o nome de "No Answer" mas o que podemos agora ouvir é ainda mais fabuloso. Prometido está um video apropriado como resultado de um desafio sobre dançar na cozinha...





segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

SAUDADES!

Bowie faria ontem 70 anos!
Bruni fará em Dezembro 50 anos!
Saudades dos dois!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

HALF WAIF PARA LÁ DO MARÃO!















Não podíamos acabar o ano sem a notícia, por antecipação, de um concerto inédito por perto - dia 2 de Fevereiro próximo a cidade de Vila Real recebe a visita exclusiva do projecto de Brooklyn Half Waif no âmbito da digressão europeia e que só em Espanha tem seis datas anunciadas! A oportunidade servirá para a promoção do álbum "Probable Depths", o segundo e excelente longa duração editado no corrente ano, e também para a estreia de algumas canções novas que caberão num EP a sair por essa altura. Promete!





FAROL #124












O canal americano por cabo Adult Swim é, como sugerido, uma plataforma televisiva dirigida a um público adulto, desempoeirado e, acima de tudo, informado. A comédia, o drama, a paródia ou a música são conteúdos conexos usados de modo experimental e arrojado como convêm. A partir de Maio passado e repetindo o projecto de 2015, o canal passou a editar uma série de singles em formato digital que somou trinta e um convites a artistas de diversas tendências e sonoridades com adesões de gente diversa como Ryan Hemsworth, Jenny Hval, Protomartyr ou Run The Jewels, entre muitos outros. A valente compilação em que cada tema tem uma capa de design diferente, pode e deve ser destapada por um simples click...

OLHA QUE DOIS!














A afamada loja inglesa Rough Trade elegeu "Post Pop Depression" de Iggy Pop como o disco do ano e, como resposta, recebeu um convite do artista para uma descontraída visita à sua casa de Miami a que se juntou o amigo Thurston Moore para umas bebidas frescas (em copos dos Stooges!) e muita e saborosa conversa. Houve ainda tempo para uma jam só para desenferrujar... Imperdível!



UAAU #358

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

PERFUMES (CAROS) DE GÉNIO!

A tendência de convidar artistas ditos alternativos para sonorizar spots ou campanhas de marcas consagradas da gama luxuosa acentuou-se nos últimos tempos sendo o exemplo da Burberry inglesa um caso paradigmático - depois de Benjamin Clementine o convite recaiu recentemente sobre Keaton Henson que, trajando um imponente casaco, aderiu à série acústica da marca com uma solitária rendição do tema "No Witness", tendo o seu clássico "La Naissance" servido de base sonora para campanha da marca lançada em Setembro passado. Na altura, o desfile de apresentação numa casa antiga do Soho londrino contou com a execução ao vivo pela London Simphony Orchestra do magnífico EP "Reliquary" composto em exclusivo pelo inglês Illa Eshkeri e que foi devidamente lançado via iTunes! Quem pode, pode...    







Outro nome associado comercialmente a uma gama alta de produtos é o norte-americano Mike Hadreas que nos habituamos a admirar pelo nome de Perfume Genius. Primeiro foi a Prada a pagar os direitos e não só do clássico "Can't Help Falling In Love" de Elvis Presley de que Hadreas fez uma excelente cover para o spot, claro, do perfume "La Femme e L'Homme" e que continua ainda disponível para download gratuito! Agora é a japonesa Toyota a investir numa campanha de fim-de-ano para a qual utilizou um argumento a puxar ao "sentimento" e onde se faz ouvir "Normal Song", um dos pontos altos do seu segundo disco chamado "Put Your Back N 2 It". Só bom gosto...




segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

GEORGE MICHAEL (1963-2016)













Irónico. Um último Natal também para George Michael!
Que o ano maldito acabe depressa... Peace!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

SINGLES #42





















JOSÉ AFONSO - Natal dos Simples
Portugal: Orfeu, ATEP 6356, EP 45 RPM, 1969
A história desta canção de José Afonso foi já devidamente contada e recontada, um trilho que a revista Visão fez o favor de percorrer no primeiro mês de 2016, o tal onde se cantam as Janeiras. "Vamos Cantar As Janeiras"... este verso tantas vezes ensaiado em plena sala de aula da primária ficou-nos sempre na memória e a insistência na prática tinha um propósito: um coro colectivo de miúdos e miúdas de bata branca reunidos à volta de uma árvore de Natal no átrio frio da escola de soalho de madeira, muita timidez e, com sorte, um beijinho da professora e votos de "Bom Natal"! Longe do pensamento estavam preocupações sobre quem era o autor da canção, as suas conotações políticas ou outras subtilezas líricas já que, mesmo sem direito a qualquer presente ou sequer um docinho, o importante é que o período de férias estava à porta e as brincadeiras com os primos e amigos da rua já tardavam. O tema tornou-se um tradicional de época e logo em 1970 a própria Amália Rodrigues não resistiu a gravar uma versão mais ligeira e orquestrada que faria parte de um single e a que no lado B acrescentou "Balada do Sino", um outro original de Afonso incluído neste EP ao lado do tema título, de "O Cavaleiro e o Anjo" e "Saudadinha". Tirando este último, os temas estavam presentes no disco "Cantares de Andarilho" que marcou em 1968 a ligação a Arnaldo Trindade e à ORFEU e onde José Afonso, acompanhado simplesmente pela viola de Rui Pato, apostou na recuperação de formas mais tradicionais da música portuguesa. O single EP é hoje uma raridade ainda bem valorizada e é também conhecido como "José Afonso Óscar da Imprensa" já que na contracapa se faz alusão, bem impressa, a esse prémio que recebeu por parte da Casa da Imprensa em 1969 relativo ao melhor álbum com o referido "Cantares de Andarilho". A partir daqui o envolvimento político torna-se irreversível e à simplicidade de uma guitarra e voz passam a juntar-se outros instrumentos, outros cantores, uma maior sofisticação da composição e produção e uma cada vez mais fina malha de vigilância política. Para trás e para todo sempre a ecoar na nossa escola ficará o eterno
Pam-pararan-ri-ri
Pam-pararan-ri-ri
Pam, pam, pam, pam...

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

UAUU #357

AGNES OBEL, MAGIA AO VIVO!

A lindíssima Agnes Obel passou em Setembro por Paris para a apresentação do terceiro álbum "Citizen of Glass" e o momento foi devidamente registado pelo canal Arte no cenário imponente do Collège des Bernardins, um edifício do Século XIII pertinho do Sena e com uma programação cultural assinalável. Perfeita magia!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

3x20 ESPECIAL 2016











20 CANÇÕES X 20 ÁLBUNS X 20 CONCERTOS
+ 10 Low + 10 High 2016
Do nosso 2016 elegemos isto... e já não é pouco!

20 Canções:
1. THE DIVINE COMEDY - To the Rescue »
2. DRUGDEALER - Suddenly »
3. CASS McCOMBS - Opposite House »
4. KEVIN MORBY - Drunk and on a Star »
5. THE LAST SHADOW PUPPETS - Aviation »
6. JULIANNA BARWICK - Beached »
7. WHITNEY - No Woman »
8. RYLEY WALKER - The Roundabout »
9. BIG THIEF - Interstate »
10. LAURA GIBSON - Not Harmless »
11. ANGEL OLSEN - Those Were the Days » 
12. DAVID BOWIE - Dollar Days »
13. CAR SEAT HEADREST - Drunk/Killer Whales »
14. METRONOMY - Night Owl »
15. ANDY SHAUF - Eyes of Them All »
16. HOPE SANDOVAL & THE WARM INVENTIONS - Let Me Go There (feat. Kurt Vile) »
17. THE STROKES - Oblivious »
18. PETER BRODERICK - Sometimes »
19. BAT FOR LASHES - Sunday Love »
20. FOXYGEN - Follow the Leader »

20 Álbuns: 
1. KEVIN MORBY - Singing Saw
2. DAVID BOWIE - Blackstar
3. BIG THIEF - Masterpiece
4. RYLEY WALKER - Golden Sings That Have Been Sung
5. JULIANNA BARWICK - Will
6. ANGEL OLSEN - My Woman
7. CASS McCOMBS - Mangy Love
8. LAURA GIBSON - Empire Builder
9. RADIOHEAD - A Moon Shaped Pool
10. WHITNEY - Light Upon the Lake 
11. THE DIVINE COMEDY - Foreverland
12. ANDY SHAUF - The Party
13. JESU/SUN KILL MOON - Jesu/Sun Kill Moon
14. DRUGDEALER - The End of Comedy
15. BADBADNOTGOOD - IV
16. DEVENDRA BANHART - Ape In Pink Marble
17. CASE/LANG/VEIRS - Case/Lang/Veirs
18. ALEX CAMERON - Jumping the Shark
19. WEYES BLOOD - Front Row Seat To Earth
20. LEONARD COHEN - You Want It Darker

20 Concertos:
1. BRIAN WILSON, Primavera Sound, Porto, 10 de Junho »»
2. CAR SEAT HEADREST, Primavera Sound, Porto, 11 de Junho »»
3. KEVIN MORBY, Auditório de Espinho, 25 de Novembro »»
4. WILCO, Palácio de la Opera, A Coruña, 29 de Junho »»
5. PETER BRODERICK, Casa da Música, Porto, 3 de Novembro »»
6. SCOTT MATTHEWS, Casa da Criatividade, São João da Madeira, 28 de Outubro »»
7. ALEX CAMERON, Café Au Lait, Porto, 20 de Outubro »»
8. CATE LE BON, Primavera Sound, Porto, 11 de Junho »»
9. WEYES BLOOD, CCVila For, Guimarães, 3 de Dezembro »»
10. LAURA GIBSON, CAV, Coimbra, 16 de Setembro »»
11. PJ HARVEY, Primavera Sound, Porto, 10 de Junho »»
12. ORCHESTRA OF SPHERES, Teatro Rivoli, Porto, 3 de Junho »»
13. ALEX ZHANG HUNTAI, DAVID MARANHA, GABRIEL FERRANDINI, Serralves em Festa, Porto, 5 de Junho »»
14. JULIANNA BARWICK, GNRation, Braga, 28 de Novembro »»
15. HEATHER WOODS BRODERICK, Convento de São Francisco, Coimbra, 18 de Novembro »»
16. CASS McCOMBS, Primavera Sound, Porto, 10 de Junho »»
17. KRISTIN McCLEMENT, O Meu Mercedes..., Porto, 4 de Abril »»
18. WILD NOTHING, Primavera Sound, Porto, 9 de Junho »»
19. HANNA HEPPERSON, Maus Hábitos, Porto, 13 de Outubro »»
20. JACCO GARDNER, CCVila Flor, Guimarães, 23 de Janeiro »»

10 Low:
. a imprevisibilidade explosiva de uma Trumpalhada;
. a fatal arrogância tuga de um ministro da cultura ;
. a confusão brasileira a cheirar a golpe num país adiado;
. o cartaz fraquinho, fraquinho de Paredes de Coura;
. um incómodo Nobel literário;
. a lenta e tardia saída inglesa da UE;
. a confusão anárquica do trânsito na baixa do Porto;
. a degradante prisão de um fugitivo em directo televisivo;
. a quase extinção da crítica musical no "Ipsilon/Público";
. George Martin, Prince, Sharon, Cohen, Bowie... Peace!

10 High:
. o minuto 109, o chuto do Éder, o delírio colectivo, o melão francês;
. um presidente da república em modo pop eficaz;
. a conversa e os autógrafos com os seis Wilco, finalmente;
. o novo homem ONU, um português de consensos... esperemos;
. a polémica José Cid vs Bragança de que já ninguém se lembra;
. a menina Cate Le Bon no Parque da Cidade... uau!
. ter os famosos Miró depositados, mas à vista, na cidade;
. a boa onda colectiva embalada pelas canções de Brian Wilson;
. o regresso do bom vinil à radio pela mão de Joaquim Paulo/Antena3;
. a chegada serena dos 50 entre amigos e família!

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

PRIMAVERA SOUND PORTO: OS NOMES!

Vejam o filme rodado na Invicta e descubram os nomes para o próximo Primavera Sound Porto! Algumas boas surpresas e, como sempre, algumas desilusões. Check!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

JULIA HOLTER, PRIMEIRA SESSÃO!





















A reputada casa inglesa Domino Records tem para o novo ano uma grande aposta - uma série de discos reunidos sob o nome de "Documents" onde alguns artistas do seu catálogo são registados em actuações ao vivo de grande qualidade e fidelidade mas sem a presença de público. A inspiração provem das clássicas BBC Sessions e os takes são resultado de um ou dois dias num estúdio londrino tal como acontece com o primeiro volume a editar no final de Março. A escolhida foi Julia Holter que em Agosto passado juntou a banda no lindíssimo Rak Studios para uma colecção de, pelo menos, dez canções sob o título de "In The Same Room", nome de um original saído no álbum "Ekstasis" de 2012. Aqui fica um primeiro e inebriante avanço...

MERCADO 48, DOIS ANINHOS!

























O Mercado 48 na Rua da Conceição está a comemorar o segundo aniversário e depois do Chico Ferrão no passado sábado, chegou a nossa vez de tirar o pó aos discos entre compras únicas e lindas e um copito para aquecer. Haverá ainda a oportunidade de apreciar as novas ilustrações da amiga Cristina Costa, o que é sem dúvida um privilégio. Apareçam, é já amanhã!

JOSH ROUSE SEM PROBLEMAS!

O regresso já por aqui anunciado de Josh Rouse aos EP's inclui a fabulosa versão de "Trouble", original de Lindsey Buckingham dos Fletwood Mac editado em 1981, que Rouse tinha somente incluído num single de vinil saído a meias com os The Autumn Defense em 2014. Um clássico nada problemático de um verdadeiro clássico!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

RE(LIDO) #84





















LÍRICAS COME ON & ANAS
de Rui Reininho. Lisboa; Editora Palavra, 2006
Agora que os GNR perfazem a bonita idade de 35 anos já comemorados ao longo dos últimos meses com concertos seleccionados, agora que está prometida mais uma incursão apoteótica para o Coliseu do Porto marcada para Fevereiro, agora que até já regressamos em Março passado a um dos seus concertos de apresentação do mítico álbum "Psicopátria", agora que há já uma biografia oficial a que ainda não deitamos o olho, estava na hora de tirar da prateleira este livrinho! Comprado ao desbarato numa daquelas tendas livreiras instaladas junto ao metro ou comboio, a edição reúne as líricas que Rui Reininho foi inventando para as canções dos GNR desde o "Independança" de 1982 até "O Lado dos Cisnes" de 2002, uma colectânea notável de ironia, sarcasmo, humor e amor de um "poeta da canção" sem igual no que à pop portuguesa diz respeito. Impressas em papel couché que imita os antigos cadernos antigos de 30 linhas, foi ainda com surpresa e muito prazer que relemos as letras de muitas das canções que fomos durante largos anos trauteando em dezenas de espectáculos do grupo e que, instantaneamente, cantarolamos baixinho enquanto mudamos de página. Descobrimos, entretanto, muitas outras líricas de cançonetas mais recentes e que, por termos "desligado" dos discos desde "Valsa dos Detectives" em 1989, acabamos por só agora dar mais atenção - gostamos particularmente de um "Digital Gaia" em que quase nos reconhecemos... A veia poética e literária de Reininho é, por isso, uma torrente assinalável de modernidade e que, para o bem e para o mal, marcou uma certa "portugalidade" pop-rock que deixou marcas em várias gerações, principalmente aquela como a nossa que viu a banda passar dos pequenos palcos (o da noite na discoteca "Dacasca" ali para os lados de Esmoriz ficou-nos sempre na memória) para os estádios esgotados. Um percurso de proximidade, da Rua do Heroísmo até à Granja ou Leça, que esta obra ajuda a recordar de forma agradável e a que se junta uma segunda parte chamada "Retrato incompleto da vida do poeta enquanto estrela pop, a partir de recortes escolhidos mais ou menos ao acaso" em que se dá conta de uma série de fotografias, recortes de imprensa ou entrevistas de um artista ainda e sempre imprevisível e incontornável. Um verdadeiro camone...        





domingo, 4 de dezembro de 2016

WEYES BLOOD, CC Vila Flor, Guimarães, 03 de Dezembro de 2016

















Demorou algum tempo a encontrar o caminho certo para um concerto de Weyes Blood! As anteriores visitas a Braga e Vila Real escorregaram-nos "entre os dedos" e desta vez não podíamos falhar a oportunidade dourada de uma data em nome próprio logo agora que há um magnífico disco para apresentar - "Front Row Seat to Earth" de 2016 - em suporte banda. A jovem Natalie Mering reúne todos os condimentos para um estrelato justo e merecido - grandes canções, líricas imagéticas e atraentes, uma voz cristalina e doce, uma sóbria e sábia presença em palco, todo um conjunto que arrasta uma dose certa de mistério e magia. Tudo isto foi rapidamente confirmado no pequeno auditório do espaço nobre de Guimarães, uma noite de final de tournée intensa e cansativa e, coindidência, de audiência sentada mais que pronta para o recital. O reportório desfiado quase seguiu o alinhamento do mais recente álbum, havendo ainda tempo para a recordação de alguns (já) clássicos como "Hang On" ou "Bad Magic", ficando para os encores em registo a solo e de guitarra em punho mais dois monumentos obrigatórios: "In the Beginning" e o arrepiante "Cardamom" a que se juntou uma extraordinária versão de "A Certain Kind", canção que Robert Wyatt escreveu para a estreia dos Soft Machine em 1968. Uma fascinante viagem sonora que prova o talento de uma artista sedutora que urge descobrir e divulgar sem rodeios. Cá a esperamos na primeira fila, possivelmente sentada e relvada, do principal festival da Invicta na Primavera...

Fotografias: Nuno Mendes / Luzimentos

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

UAUU #356

(RE)VISTO #66





















GIMME DANGER
de Jim Jarmusch. EUA, 2016. 
porto/post/doc, Teatro Rivoli, 30 de Novembro de 2016
A admiração de Jim Jarmusch por Iggy Pop e pela sua figura revolucionária do pré-punk americano conduziu-o na aventura de realizar um filme sobre o assunto. Já o tinha feito com Neil Young em 1997 com "The Year of The Horse" sem grandes deslumbramento mas com enorme competência e, por isso, mais valia não arriscar demasiado. Concentrando a narrativa no período mais febril da banda iniciado em 1969 com o primeiro disco homónimo e o derradeiro "Raw Power" de 1973 e com esse monumento chamado "Fun House" de 1970 pelo meio, Jarmusch põe literalmente Iggy Pop a falar em nome próprio sobre os altos e baixos de um trajecto intenso, rápido, demasiado rápido, dos The Stooges, uns estarolas sem freio, sem medo e no fio da navalha do rock. Um perigo instalado numa época de "paz & amor" a precisar de rompimento, agressividade e assalto a um mundo da música demasiado comodista - banda nova, bons concertos, contrato imediato, vender muitos discos e... lucro! Iggy Pop, personagem que sempre nos sugeriu inexplicavelmente alguma antipatia, cedo tentou não se amarrar a este status quo dito capitalista e a ousadia teve obviamente consequências que são relatadas naturalmente e até de forma humorística em testemunhos diversos dos próprios músicos. Contudo, o documento mesmo socorrendo-se de variadas imagens de filmes antigos, banda desenhada e punch-lines que nos fazem sorrir, acaba por no final soprar uma baforada de tristeza em que o mundo do rock é pródigo e que alia o exagero à droga e, consequentemente, à morte. Mesmo que o resultado seja, mais uma vez, de uma enorme competência, só o facto de termos o privilégio, nos tempos que correm, de assistir à projecção de tamanha aventura numa sala de cinema composta, interessada e atenta é a melhor homenagem que se pode fazer a uma banda essencial que adubou sem fertilizantes (ok, houveram alguns...) muitas das boas raízes da música moderna.