segunda-feira, 1 de maio de 2017

JENNY HVAL, GNRation, Braga, 29 de Abril de 2017

Fotografia Luzimentos/Nuno Mendes

Fotografia Luzimentos/Nuno Mendes

Fotografia Luzimentos/Nuno Mendes














O regresso de Jenny Hval para concertos em nome próprio depois da estreia no Mexefest lisboeta de 2015 tinha um cartão de visita impresso a dourado - o disco do ano passado "Blood Bitch". A multifacetada artista norueguesa jogou aí uma cartada decisiva no reconhecimento unânime da sua ousadia sonora, entrelaçando algum experimentalismo electrónico com uma arrojada lírica em torno do sangue e do corpo humano e em que a pesquisa temática a levou, como confessado, a regressar às origens pesadas em que esteve envolvida nas facetas do drone e do black metal. Ao vivo, o espectáculo alcançou alguma hibridez entre um simples concerto e uma perfomance artística, mas a plateia pareceu estar bastante atenta e atraída pelos temas escolhidos, um alinhamento que deu primazia a "Blood Bitch" mas onde se fizeram também ouvir canções mais antigas. Certamente a dividir opiniões e conjecturas, ficamos com a leve sensação que Hval é um daqueles casos em que muita da fragilidade e até intimidade dos seus temas resulta melhor com uns bons auscultadores de que numa sala de concertos... mesmo que seja escura!    






ALT-J DE SECRETÁRIA!

quarta-feira, 26 de abril de 2017

CAETANO VELOSO, Coliseu do Porto, 25 de Abril de 2017

















Como escrevemos há alguns anos "Ir a um concerto de Caetano Veloso, sozinho com o violão, sugere-nos sempre uma dupla aspiração: que haja surpresas e que o alinhamento contemple todas e mais algumas daquelas canções porque suspiramos. Parece incompatível (...)". O de ontem no Coliseu do Porto cumpriu esse desígnio mas a vertente da surpresa transbordou numa cintilante escolha de canções que nunca lhe tínhamos ouvido ao vivo, um "alinhamento desalinhado" e, como já alguém fez notar, de "restos de colecção". Mas que restos! Mantêm-se a plena forma de uma voz e guitarra enormes, aquela simpatia ternurenta que nos emociona e tolda os sentimentos quando do silêncio sepulcral da sala emanam canções-monumentos a que se presta veneração eterna enquanto se soletram baixinho as letras que sabemos de cor. Não faltaram, contudo, clássicos obrigatórios como "Leãozinho", "Menino do Rio", "Sozinho" ou "Luz de Tieta" e a Caetano devemos ainda a façanha de nos apresentar a voz de Teresa Cristina e a viola de Carlinhos Sete Cordas. Numa primeira parte, este duo homenageou da melhor forma o legado de Cartola mas quando, no final, se juntou a Veloso, a noite ganhou contornos de arrebatamento contido onde a limpidez da voz da até aí desconhecida e o jogo de guitarras fez imediato furor entre a plateia rendida. Há, como sempre, uma "Força Estranha" que continua a dar-nos a primazia e a felicidade de ter em Caetano um imparável artista que nos ajuda a gostar cada vez mais de música e a aspirar, simplesmente, a ter uma vida melhor. Um abraçaço... forte!          

UAUU #382

terça-feira, 25 de abril de 2017

SINGLES #43





















RAUL SOLNADO - (Ludgero Clodoaldo) Canta Badaladas
Portugal: Zip Zip, 10.002/E Movieplay, 45RPM, 1970
Nas viagens de infância de fim de semana em família ou mesmo depois em boleias para o liceu, um enorme Ford Cortina de um tio era sinónimo de diversão e, acima de tudo, a oportunidade de ver um leitor de cartuchos a funcionar! As histórias humorísticas de Raul Solnado eram obrigatórias como é o caso de "A História da Minha Vida" ou "A Guerra de 1908" e sabíamos de cor sketches registados ao vivo como "É do Inimigo" ou "Chamada para Washington". Nas investidas vinílicas dos últimos anos aproveitamos para recolher muitos destes registos em EP a que acrescentamos muitos outros editados aquando do programa "Zip, Zip", um êxito televisivo produzido pela RTP durante alguns meses de 1969, um marco da cultura portuguesa emitido em plena "Primavera Marcelista". Criado por Carlos Cruz, Fialho Gouveia e o próprio Solnado, por lá passaram pela primeira vez na televisão portuguesa muitos artistas e autores, sendo míticas as entrevistas a Almada Negreiros ou a Caetano Veloso e Gilberto Gil (Agosto de 1969) mas onde a principal atracção eram mesmo as rábulas do próprio Solnado (como é saboroso ainda vê-lo como adepto do FCP no "Homem do Emblema"). Muitas delas foram posteriormente editados em vinil pela editora Zip Zip então criada e destes pedaços de história destaca-se o EP que hoje aqui trazemos em Dia da Liberdade. Como Ludgero Clodoaldo, um baladeiro muito em voga na época e que nos é apresentado na contra-capa do disco de forma satírica, Solnado faz, nas barbas da PIDE, algumas críticas directas ao regime de então em pequenos temas como "A Linha Não Alinha", "O Mundo é Muito Mauzinho" e o frontal "Senhor Estou Farto" escrito pelo próprio. Todos receberam a composição do magistral Fernando Alvim, guitarrista e instrumentista português de prestigiada fama e constituem ainda hoje um grande momento de televisão e um exemplo notável de inquietação e resistência.

domingo, 23 de abril de 2017

EMMA RUTH RUNDLE, Understage, Teatro Rivoli, Porto, 21 de Abril de 2017

Serão precisas poucas palavras para descrever a estreia esgotada de Emma Ruth Rundle na cidade do Porto. Com diversas circunstâncias alinhadas de forma natural, sem artifícios ou truques, o resultado atingiu uma aura de perfeição que envolveu e aconchegou público e artista em momentos de intensidade única e mesmo emotiva. Longe de ser o palco ideal, o espaço subterrâneo do Rivoli revelou-se um filtro à medida das grandes canções que o segundo disco de originais contempla e donde Rundle retirou quase todo o curto mas notável alinhamento. E assim, para fazer história, bastaram quarenta minutos difíceis de apagar da memória e que projectam Rundle para um nível que se adivinha de consagração suprema. Sublime!

sexta-feira, 21 de abril de 2017

THE WAR ON DRUGS, REGRESSO SURPRESA!

Aproveitando o Record Store Day de amanhã, celebra-se o regresso dos The War On Drugs aos discos com um 12" de vinil que será impresso 5500 vezes e que funciona como primeiro single de um álbum a gravar para a Atlantic Records. A rodela contempla o tema "Thinking Of A Place" nos dois lados já que ele se alonga magistralmente em 45 rotações ao longo de onze minutos escorregadios... És grande, Granduciel!


UAUU #381

quinta-feira, 20 de abril de 2017

ANO INTERNACIONAL DA SARA?

O nome Sara em canção é para nós sinónimo obrigatório de Fleetwood Mac ou Thin Lizzy, embora a grelha televisiva em lume forte dos anos oitenta nos tenha massacrado com uma outra versão. O Tiago Bettencourt fez bem melhor! Coincidência ou não, o corrente ano tem para já uma outra série de temas onde o mesmo nome é fonte de inspiração e que acreditamos nada tem a ver com um infantil e, ao que parece, bem sucedido "Mundo da Sara". Pode ser, claro, um sarcástico pedaço ao jeito de Mark Kozelek chamado "Sarah Lawrence College Song" ou uma tripla e saborosa receita como a de baixo. Benditas sejam!





RECORD STORE PRAY 2017!

É já este sábado, dia 22 de Abril, que acontece mais uma edição Record Store Day, evento hoje planetário e nitidamente fora de controle em relação ao suposto espírito original... Mesmo assim, são estas algumas das nossas "preces"!









   

sexta-feira, 14 de abril de 2017

RYLEY WALKER, GNRation, Braga, 13 de Abril de 2017

A passagem de Ryley Walker por Paredes de Coura o ano passado talvez possa servir de explicação para a casa cheia de ontem em Braga, confirmando que a música ao vivo é ainda melhor forma dos artistas fazerem vingar as suas canções e darem a conhecer o seu trabalho. No caso de Walker a tarefa está facilitada por duas e inseparáveis razões: simpatia e boa disposição em doses certas - de referir que Walker teve sempre boas respostas e desafios por parte da plateia - e uma enorme qualidade de um reportório já credenciado, testado e aclamado. A dádiva, em véspera de feriado religioso a fervilhar nas imediações, prolongou-se por mais de noventa minutos de canções, muitas delas esticadas de forma quase irreconhecível em versão instrumental e onde a bateria se destacou pelo arrojo de recursos e sonoridades. Mas foi a voz, aquela voz, que se fez sempre notar particularmente quando, de regresso ao palco, fez soar Tim Hardin e, mesmo que a pedido da plateia, o maravilhoso "The Great and Undecided", tema obrigatório do último de originais e que teria sido um sacrilégio não ter feito parte do cerimonial. Uma noite intensa, brilhante e a merecer um brinde colectivo com muita Super Bock... fresquinha!  



JEFF TWEEDY NA INTIMIDADE!





















Anuncia-se para Junho um álbum inteiro de canções de Jeff Tweedy à guitarra, a maioria delas do catálogo dos próprios Wilco e a que se poderão chamar clássicos. Há ainda algumas raridades dos tempos dos Loose Fur e Golden Smog, bandas onde Tweedy colaborou activamente. O tesouro tem o título de "Together At Last" e começa a destapar-se com este maravilhoso "Laminated Cat", tema dos Loose Fur de 2003.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

ROCKY RACOON #13





















Aproxima-se a passos largos a edição brutal que assinala os cinquenta anos do álbum "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" dos The Beatles, uma excepção autorizado pela própria Apple já que o mítico disco nunca foi alvo de qualquer versão luxuosa. Aproveitando a onda, a galeria londrina Snap tem já disponíveis para venda uma série de imagens da autoria do fotógrafo francês Jean-Marie Perier obtidas durante as sessões de gravação em Abbey Road. Inicialmente e com um limitado tempo disponível para o registo, Perier tentou que o momento se tornasse inolvidável para os próprios Fab Four e, sendo assim, distribuiu entre eles cigarros e isqueiros que mandou acender no tempo certo para um efeito inspirador de uma mítica fotografia posteriormente usada na capa do single "Strawberry Fields Forever/Penny Lane". O convite para outras sessões acabou naturalmente por acontecer e, montando um estúdio improvisado no local ao longo de uma semana, o francês lá foi fazendo história que agora pode ser obtida em número e tamanho limitado e assinado mas com preços só mesmo para coleccionadores insanos - aproximadamente 2500, 5000 e 12000 libras esterlinas dependendo do formato e da disponibilidade (entre 5 e 15 exemplares de cada uma)! Valha-nos o melhor, a música!



UAUU #380

COISAS DISPERSAS DO NICK DRAKE...

Não temos a certeza se esta é a primeira referência explícita a Nick Drake numa lírica de uma canção portuguesa mas que sabe bem, disso não temos dúvidas!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

AGNES OBEL, SESSÃO LONDRINA

Enquanto a decisão não está tomada, isto é, rumar ou não a Lisboa no dia 25 de Junho para um concerto ao que parece único de Agnes Obel por cá, aqui fica mais uma sessão ao vivo exclusiva a que a dinamarquesa nos foi habituando e que inclui uma notável versão de "You're Lost Little Girl" dos The Doors!

3X20 ABRIL













quinta-feira, 6 de abril de 2017

BLONDE REDHEAD, BELEZA IRRESISTÍVEL!













Já lá vão quase dez anos desde que vimos os Blonde Redhead a dar cartas na primeira parte de um concerto dos Interpol num lotado Coliseu dos Recreios. Fomos sempre acompanhando as movimentações do trio americano seduzidos pela voz e trejeitos da japonesa Kazu Makino, figura enigmática que se esconde entre os gémeos Amedeo e Simone Pacer, eles próprios uma dupla recatada. O ano passado ficou marcado pela apresentação ao vivo da totalidade do emblemático disco de 2004 "Misery Is a Butterfly" acompanhado em diversas ocasiões por um quarteto ou ensemble de cordas, opção que vincava o carácter cinemático de um registo marcado na altura pelo acidente de cavalo de Makino e que quase lhe tirava a vida. Talvez inspirados por essa quietude, a banda editou já este um ano um simples disco de quatro temas denominado "3 O'Clock EP" que é absolutamente irresistível e cujas canções não podem ser escutadas separadamente sob pena de ofensa penalizadora. Assim sendo, aqui fica a deslumbrante sequência... obrigatória!







BIG THIEF, OUTRA OBRA-PRIMA?





















O álbum "Masterpiece" que marcou a estreia dos norte-americanos Big Thief foi uma das grandes surpresas de 2016 e uma excelente prova da reinvenção do rock moderno. Tamanha qualidade continua a fazer-nos companhia obrigatória por estes tempos mas aproxima-se um segundo trabalho de originais já em Junho. Mantendo a casa mãe - a Saddle Creek - anuncia-se "Capacity", disco registado durante o frio invernoso de Nova Iorque e onde Adrianne Lenker, vocalista e mentora do projecto, se espraia em onze novas canções ora escuras ora iluminadas de inspiração auto-biográfica. O primeiro e grande avanço "Mythological Beauty" terá edição em 7" de vinil no próximo Record Store Day e o video disponibilizado inclui um curto excerto da própria mãe de Lenker, figura que aparecia também na capa do disco anterior. Em Agosto a banda chega à Europa para uma digressão por diversos festivais e seria urgente que alguém lhes indicasse o caminho até ao nosso jardim à beira-mar...

quarta-feira, 5 de abril de 2017

RUFUS WAINWRIGHT, O REGRESSO AO MINHO!













Depois de Vilar de Mouros em 2003, da Casa das Artes de Famalicão em 2008, ora aqui está a cidade e data perfeitas para o regresso de Rufus Waiwright - o Theatro Circo em Braga no dia 31 de Maio, quarta feira. Já estávamos com saudades!

GRIZZLY!

Hummmm... novo Grizzly Bear?

terça-feira, 4 de abril de 2017

UAUU #378

WHITNEY E UM PAR DE VERSÕES!

Os norte-americanos Whitney gravaram duas grandes versões a ser incluídas num 12" de vinil (pena não ser um 7"...) a editar em Junho pela Secretly Canadian. As escolhas recaíram sobre "Gonna Hurry (As Slow As I Can)", uma suposta raridade de Dolly Parton e "You've Got A Woman" da banda holandesa Lion gravado em 1975 e cuja sonoridade assenta que nem uma luva aos próprios Whitney. Cá os esperamos dia 9 de Junho no Parque da Cidade...







sábado, 1 de abril de 2017

MAYER HAWTHORNE, THE DIGGER!

Por agora são somente quatro os pedacinhos disponíveis mas para quem colecciona vinil são momentos especialmente saborosos - Mayer Hawthorne, um digger encartado, mostra as suas últimas aquisições de forma apaixonada e despretensiosa. Grande ideia! Quanto à música, há álbum novo, o II, de Tuxedo em parceira com Jake Dutton, video fresquinho e concerto anunciado para Portugal marcado para dia 13 de Julho no SBSR lisboeta.







sexta-feira, 31 de março de 2017

WILLIS EARL BEAL VIROU NINGUÉM!





















Temos por Willis Earl Beal uma enorme admiração e fascínio. Alma inquieta e irrequieta, a sua música é uma dádiva genuína nem sempre compreendida e escutada e, por isso, os saltos em frente e as mudanças de vida constantes são o espelho de uma busca incessante por melhores dias. Para trás ficaram editoras como a Hot Charity/XL Recordings ou a Electric Soul/Tender Loving Empire e cidades como Nova Iorque ou Portland. Agora em Tucson no Arizona americano, a aposta é na edição própria de um novo disco chamado "Turn" através da plataforma CDBaby a partir de 21 de Abril e também no formato cassete pela The Minimal Beat mas onde se assume definitivamente como Nobody, epíteto que sempre o circundou e que vimos bem impresso na t-shirt que envergava na memorável passagem por Coura em 2012. O álbum é, outra vez, uma brilhante viagem por atmosferas meditativas e está já em escuta completa por esta via. O tema "Time " tem a contribuição vocal das amigas Bela e Symona Meer.



quinta-feira, 30 de março de 2017

UAUU #377

TREVOR SENSOR, FIXEM O NOME!
















O nome Trevor Sensor talvez seja ainda desconhecido para uma larga maioria de melómanos mas é, desde logo, impossível ficar-lhe indiferente. Pronta a dividir opiniões e paixões, a sua voz rugosa, timbrada e com uma "sujidade" a lembrar o grandalhão Tallestt Man On Earth, afeiçoa-se a melodias honestas que um miúdo de 22 anos crescido no Illinois foi compondo a ouvir Dylan e Tom Waits. Já com dois EP's editados em 2016 e irrequietas digressões na companhia recomendável de Foy Vance ou, por estes dias, de Patrick Watson, aproxima-se a estreia em disco grande ao lado dos amigos Foxygen e Whitney. O primeiro single chamado "The Money Gets Bigger" confirma, como seria esperado, todas as expectativas.  





CONTRA A TAGARELICE NOS CONCERTOS!





















Os nuestros hermanos chamam "charlatanes" a todos aqueles "charladores" que durante os concertos e em qualquer momento decidem falar alto e bom som sobre tudo e quase nada o que leva ao desespero dos que querem mesmo ouvir e, por vezes, dos que querem tocar e cantar como deve ser. Já todos, certamente, vivemos o incómodo destas situações a que se junta a praga dos telemóveis e quejandos. A polémica antiga está agora em discussão nos media espanhóis, já mereceu por cá reflexões semelhantes e mesmo sabendo da dificuldade em resolver a situação, assinaremos por baixo qualquer petição ou acção que promova um refrear da tagarelice... que o diga Jeff Tweedy!

domingo, 26 de março de 2017

IRON & WINE: EM ABRIL ANDA À RODA!

























O inevitável Record Store Day de 2017 aproxima-se e entre as centenas de discos exclusivos agendados para essa data está um limitado e apetitoso 12 polegadas de vinil azul de Iron & Wine denominado "Archives Series Vol.3" com duas canções antigas mas ainda inéditas datadas de 1999 e 2001: "Stranger Lay Beside Me" já há muito rodada ao vivo e "Miss Bottom of The Hill". O petisco em número limitado mas generoso (2 mil rodelas) tem um condimento atractivo - cinco dos vinis a editar pela própria editora do artista - a Black Cricket Recording Co. - incluirão um bilhete dourado que dará ao felizardo e um acompanhante a entrada gratuita em todos do concertos de Sam Beam durante toda a vida, leram bem! No próximo dia 22 de Abril começa a andar à roda... o vinil, esperamos, e a lotaria!

quinta-feira, 23 de março de 2017

ROOSEVELT, TOCA A MEXER!

Os Roosevelt foram um dos grandes animadores do Primavera Sound do ano passado à custa de um disco cheio de grandes canções. A escolha é difícil, mas "Moving On" é a mais irresistível das irresistíveis e merecia uma rodelinha pequena de vinil...

MARK EITZEL, À ESPERA!

Enquanto não chega a nossa vez, aqui fica um pouco de poesia sonora... da boa!

terça-feira, 21 de março de 2017

UAUU #375

MARK KOZELEK, SEMPRE A BOMBAR!





















Ainda agora começamos a descobrir a sério o último álbum dos Sun Kill Moon, o tal onde Mark Kozelek se declara abertamente conquistado pela cidade do Porto na canção "I Love Portugal", quando se anunciam uma série de outros registos do músico do Ohio na sua editora Caldo Verde Records. O primeiro em nome próprio, cá fora dia 1 de Abril via iTunes ou em oferta em qualquer encomenda, é o Ep "Night Falls" que inclui, entre os cinco temas, uma cover de "Famous Blue Raincoat" de Leonard Cohen e um versão acústica do referido "I Love Portugal". Para o início de Maio está prometida a segunda aventura da parceria Jesu/Sun Kill Moon que junta Kozelek ao inglês Justin Broadrick. Do disco intitulado "30 Seconds To The Decline of Planet Erath" são já conhecidas três faixas - "He's Bad", onde se confirma a aversão a Michael Jackson; "The Greatest Conversation Ever in the History of Universe", tema composto antes da eleição de Trump mas que foi posteriormente aproveitado para a campanha "30 Days 30 Songs" que preconiza uma América livre do fardo presidencial e "Needles Disney" que pode ser escutado no site oficial.  O disco, que foi registado em Novembro passado aquando da digressão do projecto por terras inglesas e norte-americanas, tem na imagem de capa, a de cima, uma paisagem que talvez sugira um passeio por uma qualquer praia portuguesa...





Entretanto, Kozelek integra um notável grupo de músicos apostados na reabilitação merecida de Kath Bloom, artista norte-americana que tem pronto o seu décimo nono álbum chamado "This Dream Of Life" e que saiu já no dia 10 de Março com o selo da Caldo Verde. O registo é o resultado de longas inspirações espalhadas pelos cinco últimos Invernos em Los Angeles, tendo Bloom dormido no estúdio aquando da gravação final e onde recebeu a ajuda de Avi Buffalo, Imaad Wasif e do próprio Mark Kozelek. O corrente ano marca também o regresso aos palcos, digressão que talvez alcance o velho continente.


segunda-feira, 20 de março de 2017

É O PORTO, CARAGO!






















Quem esteve com atenção no Festival de Paredes de Coura de 2015 reparou com certeza na parceria vocal e instrumental das irmãs Crutchfield durante o concerto de Waxahatchee, um projecto comandado pela mana Katie e que, mesmo com inúmeros problemas técnicos, recebeu forte aplauso do público. Entretanto, a mana Allison Crutchfield lançou no início deste ano o primeiro álbum a solo chamado "Tourist in This Town" e é curioso que uma das melhores canções do registo tenha a seguinte passagem lírica:

I was in Porto this time last week
Drinking champagne sangria on the rocky beach
And I was angry with you but I still wondered if you miss me

O motivo do desabafo talvez se chame "Charlie", nome do tema, mas a inspiração imagina-se que tenha acontecido nesse verão de 2015 antes ou depois do concerto de Coura com algumas sangrias de final de tarde ali para os lados da Foz ou do Castelo do Queijo...

domingo, 19 de março de 2017

UAUU #374

CHUCK BERRY (1926-2017)

















Serão precisas poucas palavras para demonstrar a importância de Chuck Berry para a história da música. Hoje, Dia do Pai, marca a partida do verdadeiro gerador do rock e tudo à volta... Peace!

segunda-feira, 13 de março de 2017

BOB DYLAN: 1 2 3, DIGA LÁ OUTRA VEZ!





















O inesperado laureado Bob Dylan está de volta ao que melhor sabe fazer, isto é, cantar canções! O novo trabalho "Triplicate" sai pela Columbia no final do mês e é, mais uma vez, um concentrado notável de versões de clássicos e standards americanos registados nos estúdios da Capitol em Hollywood ao lado da banda que o acompanha ao vivo. Escolherem-se trinta temas devidamente alinhados tematicamente em três diferentes sequências aos quais se deram títulos alusivos - "Til The Sun Goes Down", "Devil Dolls" e "Comin' Home Late". O trabalho triplo constitui-se como o trigésimo oitavo registo de estúdio do artista, foi produzido por Jack Frost, ou seja, pelo próprio Dylan e está já disponível em pré-encomenda numa caixa especial de vinil. Aqui fica, como convêm, uma tripla dose de classe...






domingo, 12 de março de 2017

PASCAL PINON, Auditório de Espinho, 10 de Março de 2017

Mesmo distantes, sempre sentimos que a natureza e a paisagem islandesa tem na música uma extensão sensorial que múltiplas bandas e artistas nativos conseguiram espalhar magistralmente por todo o lado. As irmãs Akadóttir, duas jovens que adoptaram o nome de Pascal Pinon numa alusão a um artista circense de suposta dupla cabeça num só corpo, são só mais um perfeito exemplo dessa capacidade inconfundível de nos pôr a viajar de olhos fechados a partir da música mesmo que sejam canções ouvidas pela primeira vez. Ao leme da jornada de ontem esteve Jófridour, regressada ao norte do país por onde andou o ano passado, tendo sido a irmã Ásthildur substituída por uma discreta parceira de palco que, inexplicavelmente, não chegou a ser sequer apresentada... O cruzamento de temas antigos, canções do disco a solo e mesmo alguns inéditos por editar, permitiu à plateia a partilha de uma notável série de delicadas vibrações que alcançaram um patamar subliminar quando ao duo se juntou um quarteto de cordas constituído por jovens alunos da academia espinhense. Essa simples e esforçada contribuição deu ao concerto um tónico ainda mais precioso e entusiasmante, principalmente numa inesquecível "peça" intitulada provisoriamente de "My Work" e que deveria merecer uma apropriada edição oficial. Irrepetível e, por isso, único!    



sexta-feira, 10 de março de 2017

MANUELA É NOME DE BANDA!





















Enquanto se aguardam novidades quanto a um novo trabalho dos Franz Ferdinand, o seu guitarrista Nick McCarthy juntou-se literalmente à esposa Manuela Gernedel para gravar uma série de canções simples e descomprometidas sob o nome de Manuela. O álbum homónimo a sair pela Lost Map no final do mês tem já dois adiantamentos sonoros que ajudam a perceber o género diferenciado que McCarthy pretendeu alcançar, ele próprio um verdadeiro explorador sonoro e multi-instrumentista encartado mas que não dispensou a ajuda de velhos compinchas dos Django Django (Jim Dixon), Mystery Jets (William Reese), Veronica Falls (Roxanne clifford) e Paul Thomson, parceiro baterista nos Ferdinand! O resultado final é, como confessado, um "outro género de música"...




quinta-feira, 9 de março de 2017

DIA DO PIANO, ESTÁ AÍ ALGUÉM?












Para que precisa o mundo de um Dia do Piano? A resposta do seu criador, o alemão Nils Frahm, é simples - não magoa ninguém, do pianista ao construtor ou afinador mas, principalmente, o ouvinte! Para o próximo dia 29 de Março está marcada a terceira edição recaindo a data no octogésimo oitavo dia do ano, precisamente o número de teclas do famoso instrumento. O desafio será haver pelas redondezas um ou mais eventos comemorativos que se juntem ao extenso programa já definido por esse mundo fora. O concerto de amanhã de Lubomyr Melnyk em Coimbra poderá ser, sem dúvida, uma grande inspiração...

UAUU #373

quarta-feira, 8 de março de 2017

LAETITIA SADIER, JUNTOS SOMOS MAIS FORTES!




















A subtileza das canções que Laetitia Sadier habitualmente canta, plenas de uma melancolia em dose certa, parecem perfeitas para o lindo dia de hoje. Dos três temas conhecidos do novo álbum "Find Me Finding You" que a Drag City edita no dia 24 de Março emana uma sonoridade refrescante a que não é alheia a colaboração com outros músicos como Emmanuel Mario, Xavi Munoz, David Thayer ou Mason le Long. Assumido, então, está o nome da banda como Laetitia Sadier Source Ensemble que recebe ainda a ajuda de Alexis Taylor dos Hot Chip no tema "Love Captive". Para o efeito, há já video realizado pela própria com a ajuda do velho amigo David Tahyer. A intensa digressão já marcada, mas ainda sem datas por perto, será por isso a oportunidade certa para fazer alargar ainda mais a magia e harmonia das canções e, certamente, a contínua e forte luta contra as injustiças deste mundo. O Dia da Mulher que hoje se evoca tem aqui um exemplo perfeito de convicção e acção!





terça-feira, 7 de março de 2017

FLEET FOXES, YES!





















Temos ainda muitas dúvidas de como é que os Fleet Foxes vão conseguir fazer melhor música que em qualquer dos dois álbuns anteriores. O primeiro, já lá vão quase dez anos, era uma obra prima sem rodeios nem idade; o segundo, de 2011 chamado "Helplessness Blues", foi em crescendo um daqueles discos intocáveis e sempre surpreendente que talvez tenha desgastado a banda mas que aguçou ainda mais o apetite. O louvado regresso que se anuncia para Junho tem onze novos temas reunidos sob o título de "Crack-Up" e que tem no single de avanço um sério aviso quanto ao calibre que se pretende atingir. Uma canção estrondosa! E há digressão marcada...      

ZIGGY STARDUST, APARIÇÃO ÚNICA!





















Promovida pela revista "Mojo", decorre hoje um pouco por toda a Europa a projecção única do filme "Ziggy Stardust And The Spiders From Mars" dirigido por D.A. Pennebaker e que documenta o concerto de David Bowie no Hammersith Odeon de Londres no dia 3 de Julho de 1973. O registo, dito amaldiçoado pelo anúncio do próprio artista como "o último concerto que vamos fazer", marcou o "enterro" de Ziggy Stardust, personagem mítica criada um ano antes para o conceptual álbum homónimo sobre uma mensageira estrela rock extraterrestre. O serão de hoje terá ainda a estreia de um novo documentário produzido pelo magazine inglês onde o editor Phil Alexander conversa com Woody Woodmansey, baterista da banda The Spiders From Mars e autor do livro "My Life With David Bowie: Spider From Mars" agora publicado pela Sidgwick & Jackson. O evento acontece em exclusivo na sala 11 dos Cinemas UCI do Arrábida Shopping pelas 21h30.



segunda-feira, 6 de março de 2017

PREFAB SPROUT E A AMÉRICA!

Tal como nos últimos anos, o regresso do barbudo avozinho Paddy McAllon aos originais surgiu de mansinho e sem aviso através de um video postado na conta de um tal Keith Armstrong, talvez o fundador da editora inglesa Kitchenware que lançou os Prefab Sprout em 1983. O tema "America" parecer ter sido registado por um telemóvel tal como sugere o The Gurdian, jornal que aproveita para documentar a relação da banda e do seu mentor com aquele país agora tão badalado não pelas melhores razões. Ficamos, ansiosamente, à espera de mais surpresas de uma das nossa bandas de eleição...

UAUU #372

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

QUARTO DUPLO PARA COCKER & GONZALEZ




















A parceria que agora se anuncia entre Jarvis Cocker e Chilly Gonzalez parece, numa primeira impressão, estranha. Certo é que a dupla há muito que projecta a edição de um trabalho em conjunto, ideias certamente trocadas e assentes entre muitas gargalhadas e piadas ou não fossem os dois eminentemente sarcásticos. Publicamente e para além de algumas aparições em concertos ao vivo, pegaram na canção "I'm Still Here" de Stephen Sondheim e adaptaram-na em 2012 para a comédia musical "Follies", talvez o primeiro grande sinal de que algo de sério poderia acontecer. O próximo dia 29 de Maio marca, então, a concretização dessa aspiração - um álbum conceptual de nome "Room 29" com selo da clássica Deutch Gramaphon que reflecte a estadia de Cocker no quarto 29 do hotel Château Marmont de Sunset Boulevard em Los Angeles. Por ali passaram um conjunto diverso de personagens (supostamente e por exemplo, Clara, filha de Mark Twain ou a actriz Jean Harlow) que serviram de inspiração para um conjunto de metáforas plenas de fantasia e assombração traduzidas em trechos clássicos, excertos de filmes e teatralidades inéditas ou de compositores como Gato Barbieri, Ryuichi Sakamoto ou Jason Beck. Para o efeito foi utilizado o mítico estúdio parisiense Ferber sob produção de Renaud Letang, colaborador assíduo de Gonzalez e onde participam a flautista Nathalie Hauptman, a cantora Maud Techa, o trompista Hasko Kroeger e o Kaiser Quartett de Hamburgo. Curiosa ainda a colaboração de David Thomson, icónico historiador de cinema que foi entrevistado por Cocker no próprio hotel em 2014 e cujos excertos da conversa são esporadicamente usados ao longo do disco, data que serviu também para o registo de um poético video para o lindíssimo tema título e que agora se disponibiliza. O projecto tem já diversas apresentações ao vivo em Março agendadas para a Alemanha e Reino Unido.






quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

ANNA CALVI, UMA BELEZA!





















Semana da moda londrina que se preze tem no desfile da Burberry um dos eventos mais aguardados. Nos últimos anos a apresentação da colecção tem contado com música ao vivo de elevado calibre (Benjamin Clementine p.ex.) e na passada segunda feira em pleno Soho a primazia coube a Anna Calvi que juntamente com a Heritage Orchestra & Choir interpretou ao vivo cinco temas, dois deles inéditos - uma cover de "iT" da banda Christine and the Queens e a canção nova "Whip the Night" composta para a peça de teatro "The Sandman" dirigida por Robert Wilson. O alinhamento faz já parte de um EP editado via iTunes e que é o resultado imediato da transmissão ao vivo realizada na ocasião. O desfile/concerto está agora também disponível para visualização e encantamento. Beleza!

UAUU #371

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

I LOVE PORTUGAL!





















É certo que Mark Kozelek baptizou há muito a sua editora como Caldo Verde Records, escolheu uma foto da Invicta para capa do disco de versões do ano passado "Mark Kozelek Sings Favorites" (imagem acima) e sempre manifestou a sua admiração pelo nosso cantinho à beira-mar-plantado. Tal declaração de amor nunca tinha, contudo, atingido este patamar - uma canção inteirinha chamada "I Love Portugal" incluída no novo "Common As Light And Love Are Red Valleys of Blood" dos Sun Kill Moon a editar na próxima sexta-feira. Fala-se de "fado", "bacalao", e, claro, "caldo verde" mas também do Miguel, do Vasco, da Nádia, da Mónica ou do Bonfim e também da casa que vai comprar por cima do Rio Douro. Só não percebemos muito bem um tal de gazpacho! É melhor ouvir outra vez.

Yeah, we love Port(o)gal, 
"And it doesn't have a goddamned thing to do with football"! 

I BROKE UP IN AMARANTE!

O regresso dos galeses Los Campesinos! após quase três anos de retiro concretiza-se num álbum de inéditos chamado "Sick Scenes" prontinho a sair via Wichita Recordings e que foi inteiramente registado em Fridão no verão do ano passado. O engraçado single de avanço lançado há dois meses recebeu o curioso título de "I Broke Up In Amarante" e começa assim:

I found a home away from home
As I broke up in Amarante
In the Campo do Carvalhal
Centre circle every day

Atendendo ao denunciado pelo próprio líder Gareth Campesino, a canção tem a seguinte inspiração:

"The song's about battling with bad mental health, trying to confort and reason with youself over something you can't control. Specifically it's about how my main coping mechanism was to keep myself constantly drunk in the blistering heat of Amarante while failed by a largely terrible international football tournament".

Ora, é o que dá vir para a toca do inimigo esperançado que o país de Gales tinha alguma hipótese de ganhar a Portugal naquele dia 6 de Julho de 2016 no Stade de France... o que vale os galeses são os melhores adeptos do Mundo. Fica para a próxima e cá te esperamos para um outro festival, não de bola, mas de música! Um Mimo?

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

MARK EITZEL, ERA UM EXPRESSO POR FAVOR!















Deambular sobre a tristeza emanada pela música de Mark Eitzel pode não ser novidade nem inédito. Aqui na casa gasta-se dessa melancolia há mais de vinte cinco anos e nem sempre foi bonito ver a sua música desprezada e esquecida por um mainstream titubeante e, na maior parte das vezes, injusto. Tanta incompreensão parece agora começar a levantar do nevoeiro e deparar com um artigo bem feito e quase exaustivo nas páginas do Expresso online sobre o novo disco "Hey, Mr. Ferryman" é talvez o sinal que as suas canções tesouro estão finalmente a chegar bom porto e a fazer "efeito". Aqui fica uma "sad version" de uma dessas pérolas.    


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

NADINE KHOURI, Maus Hábitos, 16 de Fevereiro de 2017

Na azáfama moderna em torno de novos artistas e os seus discos nem sempre tivemos a felicidade de ver concertos quase íntimos no momento certo. O nome de Jeff Buckley talvez seja paradigmático, com várias digressões europeias que passaram ao lado da Península Ibérica, mas há felizmente casos de que a Invicta se pode orgulhar como por exemplo os de Antony ou Beach House no Passos Manuel ou até Kurt Vile na mesma sala onde ontem Nadine Khouri se estreou em Portugal. Ao longo do serão, canção atrás de canção, as saudades, que muitas vezes só uns tempos depois acabam a moer a memória, surgiram quase instantaneamente e a fazer crescer a vontade de parar o tempo e, como se fosse possível, fazê-lo andar para trás! Sobre o sucesso do trio feminino em cima do palco e do enorme resultado sonoro que um violino uma guitarra e uma percussão minimalista conseguiram alcançar, a explicação talvez não seja fácil de definir mas teremos sempre a justificação, verdadeira, de que o disco "The Salted Air" que autora libanesa tem como cartão de visita é uma obra assinalável de composição mais que pronta a fazer mossa ao longo deste e de muitos outros anos. Se lhe juntarmos a simpatia do trio que se juntava em digressão pela primeira vez e até uma sedutora timidez que percorreu quase todo o concerto, está garantido que serão muitas as vezes que vamos acabar a carregar no play do registo quase negro de uma noite iluminada...        

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

HÁ VIDA EM LIV?












Atendendo ao silêncio entretanto instalado e por temos esperado demasiado tempo para fazer este post, pode ser que, finalmente, a sua publicação coincida com algum desenvolvimento à história até aqui destapada: Lykke Li juntou-se em 2016 aos parceiros Andrew Wyatt e Pontus Winnberg (a dupla Mike Snow), a Bjorn Yttling (dos Peter Bjorn & John) e ao produtor e marido Jeff Bhasker para um supergrupo chamado simplesmente Liv, o que em sueco quer dizer "vida". A estreia fez-se numa festa de arromba privada em Hollywood algures o ano passado (há relatos e um cheirinho da actuação ao vivo disponíveis) mas sobre um eventual disco do colectivo sueco que partilha a mesma editora - a Ingrd - o mistério continua denso atendendo ainda ao facto da própria Li ter classificado o projecto como um amor infantil por Abba e Fleetwood Mac! Deixamos os primeiros vestígios oficiais - "Wings of Love" com video "free" alusivo da sua autoria e o mais recente single "Dream Awake" saído um pouco antes do final do ano. 



terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

AGNES OBEL, TÃO LONGE E TÃO PERTO!

Aleluia! A muito aguardada estreia portuguesa da maravilhosa Agnes Obel tem finalmente data marcada para 25 de Junho próximo no Teatro Tivoli em Lisboa. Já há bilhetes. Pena não existir, pelo menos para já, um outro espectáculo mais a norte... Para compensar, aqui fica a rendição recente de "Hallelujah" na cerimónia dos prémios franceses "Les Victoires de La Musique 2017".  

O AMOR É TUDO... E ESTÁ NO AR!
















Se há boas razões para que no dia de hoje se espalhem vénias a São Valentim, uma delas poderá ser a hipótese de um bom serão em frente à televisão - a RTP2 exibe o documentário "Love Is All" da cineasta Kim Longinotto que trilha uma viagem em torno do namoro e do amor com imagens pertencentes a dois arquivos britânicos (o British Film Institute e o Yorkshire Film Archive). A banda sonora, como alertado na altura, esteve a cargo de Richard Hawley o que por si só constitui um atractivo açucarado certamente feito à medida da ocasião. Open up your door!




sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

UAUU #369

AUTUMN CHORUS... O ADEUS!





















O ano de 2016, todos sabemos, foi terrífico para a música. A morte surpresa de vários artistas famosos e influentes escondeu e ofuscou silenciosamente a partida de outros também eles talentosos e mágicos. Está neste caso Robbie Lloyd-Wilson (1981-2016), líder dos ingleses Autumn Chorus, que não resistiu a uma luta contra o cancro e faleceu no passado dia 14 de Dezembro. Ao brilhante álbum de estreia "The Village to the Valley" estava destinada uma sequência já com um primeiro single adiantado mas que, infelizmente, ficou sem efeito... A banda era um grupo de amigos agora desfeito em que se incluía o sueco Thomas Feiner, colaborador assíduo nas canções que Wilson escreveu e até no desenho artístico do referido avanço chamado "Snake In The Grass". Numa homenagem sentida, Feiner não deu o trabalho por terminado e desenvolveu e dirigiu um notável video para o tema que agora se disponibiliza como prova da sua amizade e respeito, ajudando ainda na divulgação de uma campanha de solidariedade onde se pode e deve descarregar uma versão demo do inédito "Long Goodbye". Peace!


UNKLE, VINTE CINCO ANOS DE ENIGMAS!

















Em 1998 o álbum "Psyence Fiction" marcava a estreia dos UNKLE na editora Mo'Wax, casa mítica de uma sonoridade muito própria comandada por James Lavelle, artista multifacetado e atento. O disco, desfrutado na altura até à exaustão, tinha a parceria marcante de DJ Shadow e convidados de luxo como Ian Brown, Thom Yorke, Bradly Drawn Boy ou Richard Ashcroft e uma aura enigmática e sedutora que se realçava ainda mais no design das capas, das embalagens e dos videos. Seguiram-se várias reincarnações tendo a última, já de 2010, resultado no quinto disco de originais titulado "Where Did the Night Fall". Uma nova fase, notoriamente mais consistente, vai por estes dias acontecendo. Aproveitando a comemoração dos vinte cinco anos do colectivo, Lavelle reergueu a editora Mo'Wax, promovendo paralelamente uma exposição retrospectiva numa galeria londrina (com adereços e goodies com venda online) e preparando o regresso aos discos inéditos com "The Road". Há já bons sinais do caminho trilhado: o primeiro, "Cowboys or Indians", saído digitalmente em 2016, aproveita novas colaborações de parceiros da própria Mo'Wax e terá em breve o respectivo 12" de vinil através da Vinyl Factory; o segundo, "Sick Lullaby", já com video alusivo e formato físico na mesma casa, tem a ajuda de Keaton Henson, um envolvimento saboroso que se segue a um outro enigmático auxílio que recaiu numa versão do clássico "The First Time Ever I Saw Your Face" editado em 7" de vinil e hoje uma verdadeira peça de colecção. Precious!





quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

ED HARCOURT, MAIS QUE SIMPLES AMOR!

O álbum "Furnaces" de Ed Harcourt editado em 2016 esconde uma série de canções nem sempre imediatas mas onde a notabilidade da composição se vai apurando e brilhando a cada audição. Um exemplo dessa excelência é o tema "You Give More Than Love" que, em boa hora, recebeu a primazia de um video de Christian Stephan, amigo do próprio Harcourt, jornalista freelancer e realizador habituado a conflitos e perigos como os que enfrentou no norte do Iraque e que transformam os seus seis minutos de duração num documento que, nas suas palavras, pretende comunicar o incomunicável e, acrescentamos nós, o inexplicável...

UAUU #368

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

JULIA HOLTER, SAGRADO CELEIRO!

O Festival Pickathon em Portland, Oregon, orgulha-se na primazia dada à ecologia e respeito pela natureza, reunindo em Agosto uma série de artistas incríveis para três dias de amor pela música e bem estar. O alinhamento para este ano é, desde logo e mais uma vez, notável! Há lugar para concertos em locais inusitados como bosques e celeiros de quinta, aproveitando a organização para realizar por ali uma série de sessões denominadas Lucky Barn Series. Foi o caso em 2016 da menina Julia Holter que, na oportunidade, apresentou a eterna versão "Hello Stranger" de Barbara Lewis só para desfazer as dúvidas... e corações. Sortudos!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

HAND HABITS, SEDUÇÃO GARANTIDA!





















Quem esteve nos recentes concertos de Kevin Morby não ficou certamente indiferente à qualidade da guitarrista que o acompanhava, uma menina de postura recatada mas subtilmente imprescindível para que as canções soassem perfeitas e enormes. O nome de Meg Duffy esconde-se atrás de um baptismo registado como Hand Habits que se apressa para fazer sair "Wildly Idle (Humble Before the Void)", álbum que a casa Woodsist edita no final da semana e que se segue a, pelo menos, três anteriores experiências sonoras disponíveis via Bandcamp. Gravado entre uma sala de estar de Nova Iorque e a nova casa de Los Angeles sempre que foi possível parar as digressões com Morby ou Weyes Blood, a audição do disco para já disponível e que abaixo se encaminha, denota, desde logo, uma dose de crescimento e talento a que vai ser muito difícil resistir. Exemplo vincado de self made woman que executou e registou a totalidade das canções com a ajuda de gente dos Avi Buffalo ou dos Quilt, esperemos que regresse em breve em nome próprio para nos seduzir. Estamos prontos.

streaming via Hypem

domingo, 5 de fevereiro de 2017

THE DIVINE COMEDY, Theatro Circo, Braga, 3 de Fevereiro de 2017














O sinal estava dado há meses. A antecedência com que a sala bracarense esgotou a sua capacidade para receber os The Divine Comedy confirmava, por um lado, a notória fidelidade de um público amarrado definitivamente ao talento de Neil Hanonn e, por outro, a expectativa de ouvir um dos seus grandes discos, mais um, editado o ano passado de nome "Foreverland". Não foi preciso esperar muito para perceber que a noite iria ser memorável. Bastou um inesperado "Sweden", majestoso, logo a abrir o serão para que a viagem inebriante não parasse durante duas horas de canções novas e velhas, todas especiais, todas impecáveis na execução e no esplendor com que encheram um dos mais bonitos teatros portugueses. Todos temos uma canção preferida e seja qual for o Neil que esteve em palco - o Napoleão de grande chapeirão, o very british de fato, guarda chuva e chapéu de coco ou simplesmente aquele que toca guitarra - há sempre muita experiência na interacção com o público onde o humor e sátira são pedra de toque vital para a boa disposição, seja a tocar um teclado de brincar comprado umas horas antes, seja a distribuir bebidas pelos parceiros de palco ou invadindo a plateia para se sentar ao colo de um "mutual friend" na primeira fila (foto) para depois simular na mouche o "fell unconcious" e o "find the bathroom" de uma das suas mais brilhantes canções. A satisfação, essa é duplamente notada na forma como a banda se empenhou e embrenhou no concerto e, particularmente, na onda como vimos o público por perto a bater palmas mesmo antes dos temas terminarem e a soletrar de fio a pavio temas antigos ou recentes, postura que ganhou contornos de maior festa quando a ordem foi a dada para abandonar as cadeiras (precisamente os trinta minutos em que conseguimos filmar alguma coisa...). Já estivemos com os The Divine Comedy uma mão cheia de vezes, a solo ou em pleno instrumental e a experiência de sexta-feira foi, sem dúvida, a que nos "atingiu" em cheio sem contemplações e que aumentou a vontade de regressar depressa a uma noite deste calibre. Ah, quanto a canções preferidas entre as vinte cinco (?) desfiladas, aqui fica o nosso top três: "To The Rescue", "Your Daddy's Car" e "Our Mutual Friend". Chapeau, Mr. Hannon!              


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

UAUU #367

TRÊS TRISTES TIGRES, ANOS 90 BEM MEDIDOS!
















Está prometido o regresso por uma noite dos Três Tristes Tigres aos concertos - no âmbito do Porto Best Of promovido pelo Teatro Rivoli, o grande auditório recebe a 16 de Março próximo a evocação dos vinte anos do álbum "Guia Espiritual" mas haverá lugar também para temas mais antigos do disco anterior "Partes Sensíveis". Ao lado de Ana Deus e Alexandre Soares estarão alguns músicos que na altura os acompanharam ao vivo como foi, quase de certeza, o caso de uma excelente noite no Pequeno Auditório do mesmo Teatro Rivoli. Entretanto, com o projecto Osso Vaidoso, a dupla continua a promoção do disco do ano passado "Miopia" onde musicam uma série de poemas de autores como Sá de Miranda, Jorge Luís Borges, Rainer Maria Rilke ou Natália Correia e, depois de terem passado pela redacção do jornal online "Observador" para uma sessão ao vivo, apresentam-se já amanhã, Sábado, no Café da Casa da Música (22h30) com entrada livre.





quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

FIONN REGAN, ANO NOVO VIDA NOVA!





















Depois de três álbuns em anos seguidos - 2010, 2011 e 2012 - o irlandês Fionn Regan como que se eclipsou da face da terra mas mesmo a tempo de uma saudosa visita ao Porto aquando da digressão de Feist. Desde aí, as notícias passaram a ser escassas ou até inexistentes, um silêncio quebrado em Novembro passado quando um sampler da sua canção "Abacus" foi usado com satisfação por Bon Iver no novo tema "00000 Million...", talvez um sinal de que algo viria por aí. Sendo assim, ficou hoje a saber-se que um álbum inédito de nome "The Meetings of The Waters" sairá na Europa pela Abbey Records já a 14 de Abril a que se junta este majestoso e misterioso video para esse mesmo tema titulo. Welcome back!

CASS McCOMBS, Centro de Arte de Ovar, 1 de Fevereiro de 2017

Fotografia Nuno Mendes/Luzimentos

Fotografia Nuno Mendes/Luzimentos





























Na actual digressão de Cass McCombs a única data em terras portuguesas calhou ao auditório do Centro de Arte de Ovar que respondeu a preceito. Casa (quase) cheia e conhecedora, a expectativa centrava-se no disco do ano passado "Mangy Love", um verdadeiro manual de composição que começou a rodagem no Primavera Sound da Invicta e que, nesta altura, está mais que assimilado por ambas as partes - público e autor. A banda, praticamente a mesma que compareceu em Junho com uma dúvida no teclista, pareceu-nos algo desinspirada nos momentos de arranque onde temas como "Bum, Bum, Bum", "Medusa's Outhouse", "The Burning of The Temple", "Morning Star" e, principalmente, "Opposite House" soaram um pouco destoados e com uma escolha e nível das teclas uns furos "fora de tom", retirando muita da limpidez do registo original. Contudo, o concerto começou depois a levantar voo para uma "altitude" estável provando-se a magistral roda livre do colectivo mais que superada em "In a Chinese Alley", "Cry", "Run Sister Run" e no sempre indispensável clássico "County Line". Para o encore, marcando pontos entre a plateia já rendida, estavam guardados "Low Flyin Bird" e "I'm a Shoe", rematando, na dose certa, mais um vitorioso serão de McCombs a norte onde a "aterragem" tem sido sempre suavemente perfeita...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

GARETH DICKSON, LONGA SE TORNA A ESPERA...

Anunciada pelo próprio Gareth Dickson em Setembro passado, a digressão que incluía datas portuguesas ainda não se confirmou embora o músico tenha tocado já em França ou Alemanha para apresentar o magnífico "Orwell Court", disco saído na Discolexique em Novembro. É daí que salta agora uma enorme canção chamada "Red Road" e para a qual Daisuke Shimada registou no Japão um magnífico video onde as imagens encaixam em cinco minutos perfeitos de guitarra, piano e voz. Resta-nos esperar, calmamente!