sexta-feira, 9 de junho de 2017

SAMUEL ÚRIA+CIGARETTES AFTER SEX+MIGUEL+ARAB STRAP+RUN THE JEWELS+FLYING LOTUS+JUSTICE, Primavera Sound Porto, 8 de Junho de 2017
















O melhor festival do país, mesmo com um cartaz arriscado e desequilibrado, é sempre um must e um desafio. O primeiro dia, contrariando o habitual, teve enchente notada logo ao descer pela primeira vez a colina de um dos principais palcos. Samuel Úria, bem disposto, ia desfilando algumas das suas boas canções como "Carga de Ombro"ou "É Preciso Que Eu Diminua", hinos a merecer coro colectivo nacional para admiração de uma massa estrangeira sorridente e já de copo na mão. Tudo acabou como deve ser com o indispensável "Teimoso" cujas palavras mereciam uma tradução simultânea para provar a todos como se deve escrever uma lírica e uma melodia de uma grande canção pop... eu nunca fui do prog-rock, amen!



A prestação dos Cigarettes After Sex num fim de tarde ao ar livre teve clima a condizer. Nada de sol que demasiada luz pode incomodar a onda levemente negra com que repetem uma receita que primeiro se entranha mas que rapidamente se esvaiu entre a neblina. Mesmo que um novo álbum esteja aí à porta, aguentamos vinte cinco minutos, o tempo certo para que o efeito fosse ainda proveitoso e de alguma utilidade retemperadora... a primeira cerveja!



O esticar do festival a novas gerações e públicos talvez tenha no nome de Miguel o exemplo perfeito. O nosso homónimo apesar de jovem tem já muito tarimba e manha para que a plateia se distraia entre danças em grupo, bracinhos no ar e muitos yeahs que, isto sim, é cool! Quanto à musica, entretida talvez seja o melhor adjectivo que encontramos para a descrever enquanto, já longe do palco, vamos petiscando a primeira dose sortida de especialidades da Padaria Ribeiro. Bem mais saboroso!



Os Grandaddy não comparecem, obviamente, mas vieram em boa hora os escoceses Arab Strap e a oportunidade não devia ser desperdiçada, um sacrilégio que uma geração como a nossa não devia cometer. Pelos vistos, muitos pecaram. Grande concerto, grande banda mesmo que reformada o ano passado, mas ainda e sempre notável na atitude e na entrega e onde Aidan Moffat em plena carburação - contamos pelo menos cinco latas de lúpulo num esfregar de olhos - foi rei e senhor entre os muitos britânicos presentes, mesmo sendo dia de eleições. A nós resta-nos fazer uma simples vénia, a noite estava ganha.



O fenómeno Run The Jewels começou a fermentar já lá vão dois anos no palco mais pequeno do festival. Na altura reclamou-se um cenário maior. Pois bem, melhor não podia haver e a expectativa entre as primeiras filas por onde nos quedamos algum tempo era, como dizer, nervosa. Vimos muitos a soletrar as respostas hip-hop e restantes trejeitos de fio a pavio ao mesmo tempo que saltar se tornava obrigatório. O duo prometeu uma blockbuster night e a recepção foi barulhenta e certamente intensa mas estava na hora de um spot mais calmo e panorâmico do parque da invicta, a melhor cidade do mundo segundo eles, segundo nós e segundo todos os outros.



Aparentemente, deveria haver uns óculos 3D distribuídos a preceito para a sessão de Flying Lotus. A santinha da casa que patrocina o evento bem nos ofereceu um género de binóculos descartáveis ao final da tarde que mandamos para o fundo da mochila e de que ainda tentamos o efeito! Agora a sério, grandes beats e samples, enormes os efeitos e desenhos especiais e bestiais mas os álbuns do génio californiano Steve Ellison para nós bastam como prova sonora. Uma boa experiência, já não foi mau.
 


Os Justice sempre dividiram opiniões mesmo para os não que viram pelo menos uma vez o documentário "A Cross The Universe". Estão sempre a tempo de o fazer. Talvez a maioria dos que aguardavam ansiosamente pela dupla francesa não queira saber de filmes ou argumentos já que a celebração aqui é outra e remete para o refrão de um dos principais hits da banda - "do the dance", simplesmente. O baile começou light e disco com "Safe and Sound" em versão longa misturada a preceito com o tal "D.A.N.C.E" para depois endurecer o electro aos limites enquanto o jogo de luzes, sem deslumbrar, se fazia notar. Chegados aqui, ou seja, ao muito aguardado "We Are Your Friends" a multidão agradeceu a dádiva mesmo sem saber que raios de instrumentos ou quejandos é que a dupla toca em cima do palco. Mas isso não interessa aqui e agora para nada...


IRON & WINE, NOVO ÁLBUM!





















Não haverá melhor forma de começar o dia com o anúncio de um novo álbum de Iron & Wine lá para Agosto. Chama-se "Beast Epic", tem na capa uma fabulosa imagem de um Sam Beam de olhos vendados como não vendo o que se passa à sua volta, uma alegoria que transparece na composição dos onze novos temas inspirados, como confessado, numa "transição contínua" dos nosso dias. Haverá edição especial em vinil já em pré-encomenda, uma intensa digressão americana já a começar este mês e também um primeiro e excelente tema com direito a video oficial. Apetitoso!

quinta-feira, 8 de junho de 2017

LAS BISTECS+LINCE+JESSY LANZA+SHURA, Primavera Sound Porto (Warm Up), Hard Club, 7 de Junho 2017
















Arriscando uma nova fórmula de antecipação, o festival Primavera Sound do Porto teve ontem uma noite de aquecimento bem animada. Para trás parece ter ficado a tradição de um evento ao ar livre que já passou pelas Virtudes e Fontaínhas, jogando-de no acesso privilegiado a salas seleccionadas da cidade por parte dos detentores de passes gerais, com todas as desvantagens e vantagens inerentes... No Hard Club não houve enchente e a circulação entre as duas salas fez-se sem qualquer sobressalto o que ajudou a uma fruição descongestionada de um serão exclusivamente no feminino.

A partida coube às Las Bistecs, uma dupla endiabrada interessada em agitar as hostes sem contemplações à base de uma receita de electro-choque provocadora e despretensiosa e uma assumida incapacidade para cantar ou tocar qualquer instrumento... muito "século XXI", como foi sarcasticamente justificado. A resposta dos muitos espanhóis presentes foi imediata, contagiando a dança pela sala já bem composta o que fez "soltar a franga" e começar, como convêm, a esvaziar os barris de cerveja nas doses certas!



O nome de Sofia Ribeiro, lindíssima figura que já vimos, entre outros, nos We Trust, teve ontem uma verdadeira prova de fogo. A carreira a solo tem como Lince uma aventura arriscada mas atendendo à qualidade da voz e da composição, as palmas recebidas confirmam uma boa aprovação e recepção mesmo que algum do nervosismo aparente tenha, nalguns casos, comprometido a prestação. Um amadurecimento natural vai acabar, de certeza, por fortalecer da melhor forma um projecto com muitas pernas para andar e agradar.  



O curriculum de Jessy Lanza não engana - do clássico piano ao jazz passando pelo ensino, a menina canadiana criou um refugio assimilador numa electrónica encorpada a que é impossível resistir e cuja onda rapidamente tomou conta da sala maior do clube portuense. Atendendo a que o aquecimento estava já terminado, o muito balanço do público confirmava que a maioria está já pronta para o "jogo" de três dias que se adivinha de festa. Sem dúvida, o melhor concerto da "Ladies Night". A propósito, aquele era mesmo o Giorgio Moroder de copo na mão numa das projecções na tela?



O disco de estreia de Shura é um espelho da pop mais mainstream vinda do Reino Unido onde, sem pudor, se reflectem quase em simultâneo uma série de outras artistas como Madonna, Janet Jackson, Minogue ou até a excelente Jessie Ware. De volta ao norte do país depois da presença em Coura o ano passado, notou-se já algum público fiel com as letras na ponta da língua e de braços abertos para o concerto mas sentimos que a maioria dos presentes estava a ouvir as canções pela primeira vez. Com alguns altos e baixos, destacamos a por nós muito aguardada "What Happen To Us?" mas que ao vivo perdeu muita da aura 80's que lhe reconhecemos e adoramos e que a algazarra de muitos britânicos na frente do palco já em fase adiantada de estágio etílico acabou por deitar por terra - como referia um amigo "Porque é que estes gajos não vão para Albufeira?"... to be continued!



quarta-feira, 7 de junho de 2017

DUETOS IMPROVÁVEIS #200

ALDOUS HARDING & MARLON WILLIAMS
The Threes They Do Grow (Joan Baez)
Ao vivo no Kultur Parterre, Basileia, Suiça
4 de Junho de 2015

RYUCHI SAKAMOTO, PEDACINHOS DE CÉU!

O mestre Ryuchi Sakamoto gravou um novo álbum de estúdio, um milagre que já não acontecia há oito anos. A longa espera foi marcada pela luta contra uma doença maligna entretanto superada e que motivou uma inspiração profundamente íntima que pretendia responder à simples pergunta "que música é que eu quero ouvir?". O resultado chama-se "async", saiu na Milan Records em Abril e entre os treze pedacinhos de céu, ora tormentosos ora límpidos, para subirmos às nuvens está esta obra prima de quatro minutos baptizada de "ubi"...

sábado, 3 de junho de 2017

LULA PENA+VAIAPRAIA E AS RAINHAS DO BAILE+BEZBOG/VASCO DA GANZA/WELL+NIÑO DE ELCHE, Serralves em Festa, Porto, 2 de Junho de 2017

A edição deste ano do Serralves em Festa, em versão aumentada, teve ontem um início calmo e sem enchentes o que permitiu uma rápida mas desanimadora visita livre aos célebres Mirós antes da descida ao prado. Aí, já o concerto de Lula Pena ia em fase de cruzeiro, entretendo uma plateia sentada, reduzida e friorenta, mas incapaz de resistir a uma música que tem no fado, nas mornas e na bossa nova uma portugalidade intercontinental. Voz grave e quente que um saxofone e uma harpa adornam ainda mais numa aparente simplicidade só ao alcance de uma artista que interessa continuar a descobrir.



Subindo ao ténis, onde se o pó tinha já levantada à conta da correria que os Vaiapraia e as Rainhas do Baile incitaram, ora aqui está um caso de frontalidade sonora sem freio a que se vira costas imediatamente, como notamos, ou se assenta arraiais na festa. Intensidade apunkalhada incomum e que merecia outro horário, outro recinto e uma maior adesão espontânea e que talvez, num futuro próximo, acabe a desaguar numa madrugada do prado...



De visita ao Museu de Serralves, onde a biblioteca virou laboratório, um conjunto de cientistas sonoros foi, à vez e frente-a frente, fazendo a sua preparação que haveria de se tornar, ao fim de uma hora, numa emulsão experimental notável e sem dúvida surpreendente a que festa já nos habituou. Um alongamento de sensações que é merecedora de aplauso.



O flamenco já não é o que era e ainda bem! Nino de Elche aproveita a língua castelhana, a cultura e alguns dos ritmos e dá-lhe uma volta que só não é de 180º porque corre por ali uma pureza gitana. Serve-se da poesia, da repetição, dos samples e de uma guitarra gingona para fazer colidir o tal flamenco com uma série de géneros modernos como a electrónica e até alguma pureza rock numa receita quase inclassificável mas, sem dúvida, inovadora.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

RUFUS WAINWRIGHT, Theatro Circo, Braga, 31 de Maio de 2017

A única e milagrosa data ao vivo de Rufus Wainwright pelas redondezas tinha no Theatro Circo um cenário ideal para um regresso triunfante, mas desde o início se sentiu que o artista estava como de passagem... Nada, no entanto, que tenha diminuído a nossa contínua atenção no palco e nas canções escolhidas um pouco por todo um imenso e invejável repertório artístico mas que particularmente na versão à guitarra, instrumento em nítido deficit de prática, atingiu alguns momentos confrangedores. Mesmo bom foi a estreia e a história inspiradora para uma nova canção chamada, sem certezas, "Sword Of Damocles" e uma maravilhosa e inesperada versão de "I'm Going In" de Lhasa de Sela, talvez o grande destaque da noite. É e será sempre ao piano que Rufus continuará a arrebatar-nos de tensão e, sendo assim, o encore com "Going To a Town", "Hallelujah" e "Poses" tinha tudo para se tornar memorável mas, lá está, mais uma desconcentração na tonalidade e na lírica desta última canção acabou, por culpa própria, por retirar à sequência aquele mais que esperado instante apoteótico. Seja como for e mesmo ao fim de quase uma dúzia de recitais do canadiano onde já estivemos presentes, acabaremos sempre por voltar... e perdoar!              

UAUU #386

terça-feira, 30 de maio de 2017

GARETH DICKSON EM GAIA!





















O novo festival "Gaia Todo Um Mundo", que se realiza de 15 a 18 de Junho nas imediações do Convento Corpus Christi e restante centro histórico, apesar de repetir alguns nomes que recentemente passaram por perto - Nadine Khouri ou JFDR/Pascal Pinon por exemplo - trás muitos mais e entre os quais está o suspirado regresso do fabuloso Gareth DicksonEia... vai ser um mês de rebentar!


HOLY MOLLY!


segunda-feira, 29 de maio de 2017

TYPHONIAN HIGHLIFE+JAMES FERRARO+DUCKTAILS, Passos Manuel, Porto, 26 de Maio de 2017

A dose tripla de concertos de sexta feira passada, uma aparente mistura de géneros e sonoridades, resultou em cheio... numa desilusão. Coube a Spencer Clark aka Typhonian Highlife, uma enorme figura de gabardine e trejeitos cómicos, começar a experimentação com recurso a um teclado a debitar uma linguagem encriptadamente complexa mas, mesmo assim, surpreendente. As colagens sonoras de tão desconcertantes e inesperadas não são de fácil descrição ou catalogação mas se o objectivo era confundir-nos na preparação de um suposto check in intergalático, ficamos sem dúvida alertados mas não convencidos.
   


Apresentado como "uma das mentes mais incompreendidas da música de vanguarda", James Ferraro conseguiu sem dificuldade com a sua curta apresentação reforçar ainda mais esse suposto estatuto. Encafuado na traseira do palco, um refúgio sombrio que mesmo assim implicou o uso de óculos escuros (!), ainda estamos na dúvida se efectivamente se fez música ou simplesmente se limitou a carregar numa qualquer base pré-gravada no computador. Enfim... vanguardismos.



Agora que Matt Mondanile assumiu a ruptura definitiva com os Real Estate e tem nos Ducktails o trilho único para as suas canções, uma noite a solo e "descarnada" até que vinha mesmo a calhar. Senhor de uma composição notável em que a guitarra ganha uma primazia pop lambareira, foi com alguma amargura que o vimos carregar num pré-registo orquestral para a totalidade dos temas novos e velhos que escolheu, uma artimanha que teve tanto de inesperado como de inconveniente. O artista é um bom artista e, como diria o censor brincalhão, não havia nexexidade, hum!



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sexta-feira, 26 de maio de 2017

MARK EITZEL, REGRESSO CONFIRMADO!














Dando razão a todos os rumores que circulavam, está confirmado o regresso de Mark Eitzel a Portugal para dois concertos - em Espinho no dia 28 de Outubro, sábado e em Lisboa no dia seguinte. Fica a dúvida se o serão será em versão solitária ou com banda. A ementa para os lados da Costa Verde começa a ganhar contornos gourmet já que está também agendada para o mesmo auditório a estreia de Benjamin Francis Leftwich (quinta, 9 de Novembro) e um outro regresso, o de Mark Kozelek (sexta, 24 de Novembro).


TIM DARCY DE SECRETÁRIA!

ROCKY RACOON #14





















Passam hoje precisamente cinquenta anos sobre a edição em Inglaterra do álbum "Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band" dos The Beatles. Ao oitavo disco de estúdio os de Liverpool faziam história eternamente sedutora e realmente inovadora, embora a nossa adesão e a este álbum tenha sido, no que ao amor pela sua música diz respeito, um tanto tardia... Desde a capa, à sequência dos temas, passando por alguns misticismos referentes a mensagens escondidas e de leitura difícil - bem tentamos várias vezes andar com o disco para trás sem grandes resultados - há muito para escolher quanto ao valor simbólico de um disco classificado como intemporal, mágico e, acima de tudo, imbatível e que conhece agora uma edição plena de extras, inéditos e coisa e tal. It's getting better all the time... sempre!



sexta-feira, 19 de maio de 2017

UAUU #385

THE MOUNTAIN GOATS, UM MUNDO GÓTICO!

Com lançamento oficial marcado para hoje pela Merge Records, o décimo sexto disco oficial dos The Mountain Goats tem o simples nome de "Goths" e é mais um desconcertante devaneio de John Danielle a mergulhar, ao mesmo tempo e com o habitual humor negro, na pop dos oitenta e em em líricas explícitas que citam Robert Smith, a Siouxie ou os rebuscados Red Lorry Yellow Lorry... Mantêm-se o bom gosto sonoro e muitas e intrigantes histórias para contar como esta dedicatória chamada "For The Portuguese Goth Metal Bands"! Haverá explicação para isto ou para o facto da banda nunca ter pisado solo nacional?

quarta-feira, 17 de maio de 2017

BEACH HOUSE, LIMPEZA DE SOTÃO!

Faltava aos Beach House uma limpeza no sotão lá de casa. Consequência, um álbum de raridades e lados-b estará cá fora no final de Junho com direito a justificação da própria banda e mesmo a tempo de Paredes de Coura. Apostamos que um best of já não deverá demorar muito mais tempo...

segunda-feira, 15 de maio de 2017

QUERCUS, REGRESSA O ENCANTAMENTO!





















Sem grandes alaridos ou foguetório, a mítica ECM fez sair no final do mês passado a segunda aventura do projecto Quercus, trio que nos encantou com uma estreia homónima em 2013 e onde a voz de June Tabor, o saxofone de Ian Ballamy e o envolvente piano de Huw Warren se misturam milagrosamente em temas tradicionais e alguns originais. O novo álbum "Nightfall" mantêm a receita, arriscando, entre outros tantos originais e tradicionais, versões de "Don't Think Twice" de Dylan ou "Somewhere" de Bernstein. O encantamento pode começar a fazer efeito através deste caminho...    

DOUGLAS DARE, Theatro Circo, Braga, 12 de Maio de 2017

A estreia nacional de Douglas Dare teve em Braga uma noite de boas surpresas... para ambos os lados. O artista, surpreendido com a beleza do espaço de plateia quase plena, mostrou-se bastante animado e entusiasmado para apresentar simplesmente ao piano as canções dos seus dois discos, temas que se confirmaram ao vivo um caso vibrante de composição que a acústica do espaço ajudou a engrandecer. O público, expectante e conhecedor, aproveitou para desfrutar o momento de forma rendida e até espantada com duas versões de alto calibre que aqui deixamos e que, como se fosse preciso, confirmam a qualidade do serão e a elevada fasquia de um talentoso músico.



segunda-feira, 8 de maio de 2017

MATT ELLIOTT, Auditório de Espinho, 6 de Maio de 2017

Apesar do Porto ser, desde sempre, um porto seguro para qualquer digressão de Matt Elliott, o fabuloso disco do ano passado "The Calm Before" não tinha ainda desaguado por perto. A oportunidade de ontem era, assim, o momento perfeito para um reencontro premente com alguma da melhor música folk vinda de terras britânicas e que se viria a concretizar, mais uma vez, num excelente concerto. Alinhando algumas das melhores canções desse álbum com outras pérolas mais antigas, Elliott confirmou uma segurança instrumental notável e uma voz firme e que, mesmo adoentada, espalhou envolvimento e sedução como na versão de "Bang Bang" com que terminou um serão de elevada tensão e categoria.



sexta-feira, 5 de maio de 2017

JAY-JAY JOHANSON, EXCELENTE PARANÓIA!





















Sempre tivemos por Jay-Jay Johanson um enorme respeito e até admiração. Irrequieto e activo, com os naturais altos e baixos de um artista que nos anos 90 subiu talvez demasiado rápido ao estrelato, a sua música têm ainda em Portugal uma enorme base de apoio e lembramos bem que foi um concerto seu no antigo Campo Pequeno que em 1998 nos embalou de véspera para uma prova académica de sucesso na manhã seguinte... A visita é recorrente, como a do ano passado para apresentar o seu último álbum "Ópium" em imagens durante o Festival Curtas de Vila do Conde e o estímulo para novas canções é, nota-se, inato e permanente. Não é assim de estranhar que um novo e fabuloso EP tenha já saído em Março, sendo difícil a escolha do melhor entre os cinco temas. Atormentados pela sua subtileza e beleza, recomendamos mesmo assim "Fifteen Years" e o enorme "You'll Miss Me When I'm Gone"...



Entretanto e ainda a saborear convenientemente este registo, surge agora uma nova e grande canção de nome "Paranoid" que será incluída em "Bury the Hatched", novo disco de originais, o décimo primeiro, previsto para Setembro e que Johanson se preocupou em marcar com imagens de amor aos discos de vinil. Para o efeito, convidou a realizadora Laura Delicata para registar uma deambulação sua pela Recofan, mítica loja de Tóquio onde, para além de completar a sua colecção, fomenta uma sofisticada inspiração artística... para nossa sorte!

quarta-feira, 3 de maio de 2017

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #19





















Desde a infância sempre ouvimos falar da Casa Caçador na Areosa, uma espécie de "têm tudo" inclusivamente móveis musicais e, claro, discos. Ocupando o rés do chão de um prédio tipicamente "anos 60" revestido com aquele ladrilhado de época, a loja teria duas entradas e duas montras - e, como se comprova, duas linhas telefónicas - precisamente as que hoje são ocupadas pelo inevitável negócio asiático de nome "Chinês Prazeres" no número 338 e uma espécie de pronto a vestir soturno no número 326 da Rua D. Afonso Henriques. Este troço da longa artéria que começa no cruzamento da Areosa pertence ainda à freguesia de Paranhos e é a prova que nem tudo o que fica para lá da Circunvalação já não é Porto embora a rua atravesse ainda nas imediações as freguesias de Rio Tinto, Gondomar e Águas Antas, Maia! Quando compramos este envelope inédito o vendedor confirmou que a loja terá fechado já em plenos anos 90 mas o que é certo é que o enorme e vertical reclame luminoso está ainda por lá bem preso ao prédio, centrado entre duas montras e mesmo por cima da entrada para os apartamentos cimeiros. Outra boa razão para a sua aquisição foi precisamente o disco que estava lá dentro, nada mais nada menos que o enorme "Tin Soldier" dos Small Faces e que na edição portuguesa de 1968 não tinha capa oficial, servindo o envelope de aconchego perfeito a uma malha de enorme calibre... e com direito até com a uma curiosa coloração a lápis da palavra "DISCOS"!  

Casa Caçador, Rua D. Afonso Henriques, 326-338, Areosa-Porto

Casa Caçador, Rua D. Afonso Henriques, 326-338, Areosa-Porto




























terça-feira, 2 de maio de 2017

DEVENDRA BANHART, MUITO LÁ DE CASA!

Da excelente série My Place onde a plataforma Nowness entra casa dentro de criadores artistas ou músicos, chegou agora a vez de Devendra Banhart nos mostrar o seu refúgio inspirador e, neste caso, desanuviador. Excelente... gostamos muito da casa de banho, bem diferente daquela que ficou célebre num afamado video!

UAUU #383

segunda-feira, 1 de maio de 2017

JENNY HVAL, GNRation, Braga, 29 de Abril de 2017

Fotografia Luzimentos/Nuno Mendes

Fotografia Luzimentos/Nuno Mendes

Fotografia Luzimentos/Nuno Mendes














O regresso de Jenny Hval para concertos em nome próprio depois da estreia no Mexefest lisboeta de 2015 tinha um cartão de visita impresso a dourado - o disco do ano passado "Blood Bitch". A multifacetada artista norueguesa jogou aí uma cartada decisiva no reconhecimento unânime da sua ousadia sonora, entrelaçando algum experimentalismo electrónico com uma arrojada lírica em torno do sangue e do corpo humano e em que a pesquisa temática a levou, como confessado, a regressar às origens pesadas em que esteve envolvida nas facetas do drone e do black metal. Ao vivo, o espectáculo alcançou alguma hibridez entre um simples concerto e uma perfomance artística, mas a plateia pareceu estar bastante atenta e atraída pelos temas escolhidos, um alinhamento que deu primazia a "Blood Bitch" mas onde se fizeram também ouvir canções mais antigas. Certamente a dividir opiniões e conjecturas, ficamos com a leve sensação que Hval é um daqueles casos em que muita da fragilidade e até intimidade dos seus temas resulta melhor com uns bons auscultadores de que numa sala de concertos... mesmo que seja escura!    






ALT-J DE SECRETÁRIA!

quarta-feira, 26 de abril de 2017

CAETANO VELOSO, Coliseu do Porto, 25 de Abril de 2017

















Como escrevemos há alguns anos "Ir a um concerto de Caetano Veloso, sozinho com o violão, sugere-nos sempre uma dupla aspiração: que haja surpresas e que o alinhamento contemple todas e mais algumas daquelas canções porque suspiramos. Parece incompatível (...)". O de ontem no Coliseu do Porto cumpriu esse desígnio mas a vertente da surpresa transbordou numa cintilante escolha de canções que nunca lhe tínhamos ouvido ao vivo, um "alinhamento desalinhado" e, como já alguém fez notar, de "restos de colecção". Mas que restos! Mantêm-se a plena forma de uma voz e guitarra enormes, aquela simpatia ternurenta que nos emociona e tolda os sentimentos quando do silêncio sepulcral da sala emanam canções-monumentos a que se presta veneração eterna enquanto se soletram baixinho as letras que sabemos de cor. Não faltaram, contudo, clássicos obrigatórios como "Leãozinho", "Menino do Rio", "Sozinho" ou "Luz de Tieta" e a Caetano devemos ainda a façanha de nos apresentar a voz de Teresa Cristina e a viola de Carlinhos Sete Cordas. Numa primeira parte, este duo homenageou da melhor forma o legado de Cartola mas quando, no final, se juntou a Veloso, a noite ganhou contornos de arrebatamento contido onde a limpidez da voz da até aí desconhecida e o jogo de guitarras fez imediato furor entre a plateia rendida. Há, como sempre, uma "Força Estranha" que continua a dar-nos a primazia e a felicidade de ter em Caetano um imparável artista que nos ajuda a gostar cada vez mais de música e a aspirar, simplesmente, a ter uma vida melhor. Um abraçaço... forte!          

UAUU #382

terça-feira, 25 de abril de 2017

SINGLES #43





















RAUL SOLNADO - (Ludgero Clodoaldo) Canta Badaladas
Portugal: Zip Zip, 10.002/E Movieplay, 45RPM, 1970
Nas viagens de infância de fim de semana em família ou mesmo depois em boleias para o liceu, um enorme Ford Cortina de um tio era sinónimo de diversão e, acima de tudo, a oportunidade de ver um leitor de cartuchos a funcionar! As histórias humorísticas de Raul Solnado eram obrigatórias como é o caso de "A História da Minha Vida" ou "A Guerra de 1908" e sabíamos de cor sketches registados ao vivo como "É do Inimigo" ou "Chamada para Washington". Nas investidas vinílicas dos últimos anos aproveitamos para recolher muitos destes registos em EP a que acrescentamos muitos outros editados aquando do programa "Zip, Zip", um êxito televisivo produzido pela RTP durante alguns meses de 1969, um marco da cultura portuguesa emitido em plena "Primavera Marcelista". Criado por Carlos Cruz, Fialho Gouveia e o próprio Solnado, por lá passaram pela primeira vez na televisão portuguesa muitos artistas e autores, sendo míticas as entrevistas a Almada Negreiros ou a Caetano Veloso e Gilberto Gil (Agosto de 1969) mas onde a principal atracção eram mesmo as rábulas do próprio Solnado (como é saboroso ainda vê-lo como adepto do FCP no "Homem do Emblema"). Muitas delas foram posteriormente editados em vinil pela editora Zip Zip então criada e destes pedaços de história destaca-se o EP que hoje aqui trazemos em Dia da Liberdade. Como Ludgero Clodoaldo, um baladeiro muito em voga na época e que nos é apresentado na contra-capa do disco de forma satírica, Solnado faz, nas barbas da PIDE, algumas críticas directas ao regime de então em pequenos temas como "A Linha Não Alinha", "O Mundo é Muito Mauzinho" e o frontal "Senhor Estou Farto" escrito pelo próprio. Todos receberam a composição do magistral Fernando Alvim, guitarrista e instrumentista português de prestigiada fama e constituem ainda hoje um grande momento de televisão e um exemplo notável de inquietação e resistência.

domingo, 23 de abril de 2017

EMMA RUTH RUNDLE, Understage, Teatro Rivoli, Porto, 21 de Abril de 2017

Serão precisas poucas palavras para descrever a estreia esgotada de Emma Ruth Rundle na cidade do Porto. Com diversas circunstâncias alinhadas de forma natural, sem artifícios ou truques, o resultado atingiu uma aura de perfeição que envolveu e aconchegou público e artista em momentos de intensidade única e mesmo emotiva. Longe de ser o palco ideal, o espaço subterrâneo do Rivoli revelou-se um filtro à medida das grandes canções que o segundo disco de originais contempla e donde Rundle retirou quase todo o curto mas notável alinhamento. E assim, para fazer história, bastaram quarenta minutos difíceis de apagar da memória e que projectam Rundle para um nível que se adivinha de consagração suprema. Sublime!

sexta-feira, 21 de abril de 2017

THE WAR ON DRUGS, REGRESSO SURPRESA!

Aproveitando o Record Store Day de amanhã, celebra-se o regresso dos The War On Drugs aos discos com um 12" de vinil que será impresso 5500 vezes e que funciona como primeiro single de um álbum a gravar para a Atlantic Records. A rodela contempla o tema "Thinking Of A Place" nos dois lados já que ele se alonga magistralmente em 45 rotações ao longo de onze minutos escorregadios... És grande, Granduciel!


UAUU #381

quinta-feira, 20 de abril de 2017

ANO INTERNACIONAL DA SARA?

O nome Sara em canção é para nós sinónimo obrigatório de Fleetwood Mac ou Thin Lizzy, embora a grelha televisiva em lume forte dos anos oitenta nos tenha massacrado com uma outra versão. O Tiago Bettencourt fez bem melhor! Coincidência ou não, o corrente ano tem para já uma outra série de temas onde o mesmo nome é fonte de inspiração e que acreditamos nada tem a ver com um infantil e, ao que parece, bem sucedido "Mundo da Sara". Pode ser, claro, um sarcástico pedaço ao jeito de Mark Kozelek chamado "Sarah Lawrence College Song" ou uma tripla e saborosa receita como a de baixo. Benditas sejam!





RECORD STORE PRAY 2017!

É já este sábado, dia 22 de Abril, que acontece mais uma edição Record Store Day, evento hoje planetário e nitidamente fora de controle em relação ao suposto espírito original... Mesmo assim, são estas algumas das nossas "preces"!









   

sexta-feira, 14 de abril de 2017

RYLEY WALKER, GNRation, Braga, 13 de Abril de 2017

A passagem de Ryley Walker por Paredes de Coura o ano passado talvez possa servir de explicação para a casa cheia de ontem em Braga, confirmando que a música ao vivo é ainda melhor forma dos artistas fazerem vingar as suas canções e darem a conhecer o seu trabalho. No caso de Walker a tarefa está facilitada por duas e inseparáveis razões: simpatia e boa disposição em doses certas - de referir que Walker teve sempre boas respostas e desafios por parte da plateia - e uma enorme qualidade de um reportório já credenciado, testado e aclamado. A dádiva, em véspera de feriado religioso a fervilhar nas imediações, prolongou-se por mais de noventa minutos de canções, muitas delas esticadas de forma quase irreconhecível em versão instrumental e onde a bateria se destacou pelo arrojo de recursos e sonoridades. Mas foi a voz, aquela voz, que se fez sempre notar particularmente quando, de regresso ao palco, fez soar Tim Hardin e, mesmo que a pedido da plateia, o maravilhoso "The Great and Undecided", tema obrigatório do último de originais e que teria sido um sacrilégio não ter feito parte do cerimonial. Uma noite intensa, brilhante e a merecer um brinde colectivo com muita Super Bock... fresquinha!  



JEFF TWEEDY NA INTIMIDADE!





















Anuncia-se para Junho um álbum inteiro de canções de Jeff Tweedy à guitarra, a maioria delas do catálogo dos próprios Wilco e a que se poderão chamar clássicos. Há ainda algumas raridades dos tempos dos Loose Fur e Golden Smog, bandas onde Tweedy colaborou activamente. O tesouro tem o título de "Together At Last" e começa a destapar-se com este maravilhoso "Laminated Cat", tema dos Loose Fur de 2003.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

ROCKY RACOON #13





















Aproxima-se a passos largos a edição brutal que assinala os cinquenta anos do álbum "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" dos The Beatles, uma excepção autorizado pela própria Apple já que o mítico disco nunca foi alvo de qualquer versão luxuosa. Aproveitando a onda, a galeria londrina Snap tem já disponíveis para venda uma série de imagens da autoria do fotógrafo francês Jean-Marie Perier obtidas durante as sessões de gravação em Abbey Road. Inicialmente e com um limitado tempo disponível para o registo, Perier tentou que o momento se tornasse inolvidável para os próprios Fab Four e, sendo assim, distribuiu entre eles cigarros e isqueiros que mandou acender no tempo certo para um efeito inspirador de uma mítica fotografia posteriormente usada na capa do single "Strawberry Fields Forever/Penny Lane". O convite para outras sessões acabou naturalmente por acontecer e, montando um estúdio improvisado no local ao longo de uma semana, o francês lá foi fazendo história que agora pode ser obtida em número e tamanho limitado e assinado mas com preços só mesmo para coleccionadores insanos - aproximadamente 2500, 5000 e 12000 libras esterlinas dependendo do formato e da disponibilidade (entre 5 e 15 exemplares de cada uma)! Valha-nos o melhor, a música!



UAUU #380

COISAS DISPERSAS DO NICK DRAKE...

Não temos a certeza se esta é a primeira referência explícita a Nick Drake numa lírica de uma canção portuguesa mas que sabe bem, disso não temos dúvidas!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

AGNES OBEL, SESSÃO LONDRINA

Enquanto a decisão não está tomada, isto é, rumar ou não a Lisboa no dia 25 de Junho para um concerto ao que parece único de Agnes Obel por cá, aqui fica mais uma sessão ao vivo exclusiva a que a dinamarquesa nos foi habituando e que inclui uma notável versão de "You're Lost Little Girl" dos The Doors!

3X20 ABRIL













quinta-feira, 6 de abril de 2017

BLONDE REDHEAD, BELEZA IRRESISTÍVEL!













Já lá vão quase dez anos desde que vimos os Blonde Redhead a dar cartas na primeira parte de um concerto dos Interpol num lotado Coliseu dos Recreios. Fomos sempre acompanhando as movimentações do trio americano seduzidos pela voz e trejeitos da japonesa Kazu Makino, figura enigmática que se esconde entre os gémeos Amedeo e Simone Pacer, eles próprios uma dupla recatada. O ano passado ficou marcado pela apresentação ao vivo da totalidade do emblemático disco de 2004 "Misery Is a Butterfly" acompanhado em diversas ocasiões por um quarteto ou ensemble de cordas, opção que vincava o carácter cinemático de um registo marcado na altura pelo acidente de cavalo de Makino e que quase lhe tirava a vida. Talvez inspirados por essa quietude, a banda editou já este um ano um simples disco de quatro temas denominado "3 O'Clock EP" que é absolutamente irresistível e cujas canções não podem ser escutadas separadamente sob pena de ofensa penalizadora. Assim sendo, aqui fica a deslumbrante sequência... obrigatória!







BIG THIEF, OUTRA OBRA-PRIMA?





















O álbum "Masterpiece" que marcou a estreia dos norte-americanos Big Thief foi uma das grandes surpresas de 2016 e uma excelente prova da reinvenção do rock moderno. Tamanha qualidade continua a fazer-nos companhia obrigatória por estes tempos mas aproxima-se um segundo trabalho de originais já em Junho. Mantendo a casa mãe - a Saddle Creek - anuncia-se "Capacity", disco registado durante o frio invernoso de Nova Iorque e onde Adrianne Lenker, vocalista e mentora do projecto, se espraia em onze novas canções ora escuras ora iluminadas de inspiração auto-biográfica. O primeiro e grande avanço "Mythological Beauty" terá edição em 7" de vinil no próximo Record Store Day e o video disponibilizado inclui um curto excerto da própria mãe de Lenker, figura que aparecia também na capa do disco anterior. Em Agosto a banda chega à Europa para uma digressão por diversos festivais e seria urgente que alguém lhes indicasse o caminho até ao nosso jardim à beira-mar...

quarta-feira, 5 de abril de 2017

RUFUS WAINWRIGHT, O REGRESSO AO MINHO!













Depois de Vilar de Mouros em 2003, da Casa das Artes de Famalicão em 2008, ora aqui está a cidade e data perfeitas para o regresso de Rufus Waiwright - o Theatro Circo em Braga no dia 31 de Maio, quarta feira. Já estávamos com saudades!

GRIZZLY!

Hummmm... novo Grizzly Bear?

terça-feira, 4 de abril de 2017

UAUU #378

WHITNEY E UM PAR DE VERSÕES!

Os norte-americanos Whitney gravaram duas grandes versões a ser incluídas num 12" de vinil (pena não ser um 7"...) a editar em Junho pela Secretly Canadian. As escolhas recaíram sobre "Gonna Hurry (As Slow As I Can)", uma suposta raridade de Dolly Parton e "You've Got A Woman" da banda holandesa Lion gravado em 1975 e cuja sonoridade assenta que nem uma luva aos próprios Whitney. Cá os esperamos dia 9 de Junho no Parque da Cidade...







sábado, 1 de abril de 2017

MAYER HAWTHORNE, THE DIGGER!

Por agora são somente quatro os pedacinhos disponíveis mas para quem colecciona vinil são momentos especialmente saborosos - Mayer Hawthorne, um digger encartado, mostra as suas últimas aquisições de forma apaixonada e despretensiosa. Grande ideia! Quanto à música, há álbum novo, o II, de Tuxedo em parceira com Jake Dutton, video fresquinho e concerto anunciado para Portugal marcado para dia 13 de Julho no SBSR lisboeta.







sexta-feira, 31 de março de 2017

WILLIS EARL BEAL VIROU NINGUÉM!





















Temos por Willis Earl Beal uma enorme admiração e fascínio. Alma inquieta e irrequieta, a sua música é uma dádiva genuína nem sempre compreendida e escutada e, por isso, os saltos em frente e as mudanças de vida constantes são o espelho de uma busca incessante por melhores dias. Para trás ficaram editoras como a Hot Charity/XL Recordings ou a Electric Soul/Tender Loving Empire e cidades como Nova Iorque ou Portland. Agora em Tucson no Arizona americano, a aposta é na edição própria de um novo disco chamado "Turn" através da plataforma CDBaby a partir de 21 de Abril e também no formato cassete pela The Minimal Beat mas onde se assume definitivamente como Nobody, epíteto que sempre o circundou e que vimos bem impresso na t-shirt que envergava na memorável passagem por Coura em 2012. O álbum é, outra vez, uma brilhante viagem por atmosferas meditativas e está já em escuta completa por esta via. O tema "Time " tem a contribuição vocal das amigas Bela e Symona Meer.



quinta-feira, 30 de março de 2017

UAUU #377

TREVOR SENSOR, FIXEM O NOME!
















O nome Trevor Sensor talvez seja ainda desconhecido para uma larga maioria de melómanos mas é, desde logo, impossível ficar-lhe indiferente. Pronta a dividir opiniões e paixões, a sua voz rugosa, timbrada e com uma "sujidade" a lembrar o grandalhão Tallestt Man On Earth, afeiçoa-se a melodias honestas que um miúdo de 22 anos crescido no Illinois foi compondo a ouvir Dylan e Tom Waits. Já com dois EP's editados em 2016 e irrequietas digressões na companhia recomendável de Foy Vance ou, por estes dias, de Patrick Watson, aproxima-se a estreia em disco grande ao lado dos amigos Foxygen e Whitney. O primeiro single chamado "The Money Gets Bigger" confirma, como seria esperado, todas as expectativas.  





CONTRA A TAGARELICE NOS CONCERTOS!





















Os nuestros hermanos chamam "charlatanes" a todos aqueles "charladores" que durante os concertos e em qualquer momento decidem falar alto e bom som sobre tudo e quase nada o que leva ao desespero dos que querem mesmo ouvir e, por vezes, dos que querem tocar e cantar como deve ser. Já todos, certamente, vivemos o incómodo destas situações a que se junta a praga dos telemóveis e quejandos. A polémica antiga está agora em discussão nos media espanhóis, já mereceu por cá reflexões semelhantes e mesmo sabendo da dificuldade em resolver a situação, assinaremos por baixo qualquer petição ou acção que promova um refrear da tagarelice... que o diga Jeff Tweedy!

domingo, 26 de março de 2017

IRON & WINE: EM ABRIL ANDA À RODA!

























O inevitável Record Store Day de 2017 aproxima-se e entre as centenas de discos exclusivos agendados para essa data está um limitado e apetitoso 12 polegadas de vinil azul de Iron & Wine denominado "Archives Series Vol.3" com duas canções antigas mas ainda inéditas datadas de 1999 e 2001: "Stranger Lay Beside Me" já há muito rodada ao vivo e "Miss Bottom of The Hill". O petisco em número limitado mas generoso (2 mil rodelas) tem um condimento atractivo - cinco dos vinis a editar pela própria editora do artista - a Black Cricket Recording Co. - incluirão um bilhete dourado que dará ao felizardo e um acompanhante a entrada gratuita em todos do concertos de Sam Beam durante toda a vida, leram bem! No próximo dia 22 de Abril começa a andar à roda... o vinil, esperamos, e a lotaria!

quinta-feira, 23 de março de 2017

ROOSEVELT, TOCA A MEXER!

Os Roosevelt foram um dos grandes animadores do Primavera Sound do ano passado à custa de um disco cheio de grandes canções. A escolha é difícil, mas "Moving On" é a mais irresistível das irresistíveis e merecia uma rodelinha pequena de vinil...

MARK EITZEL, À ESPERA!

Enquanto não chega a nossa vez, aqui fica um pouco de poesia sonora... da boa!

terça-feira, 21 de março de 2017

UAUU #375

MARK KOZELEK, SEMPRE A BOMBAR!





















Ainda agora começamos a descobrir a sério o último álbum dos Sun Kill Moon, o tal onde Mark Kozelek se declara abertamente conquistado pela cidade do Porto na canção "I Love Portugal", quando se anunciam uma série de outros registos do músico do Ohio na sua editora Caldo Verde Records. O primeiro em nome próprio, cá fora dia 1 de Abril via iTunes ou em oferta em qualquer encomenda, é o Ep "Night Falls" que inclui, entre os cinco temas, uma cover de "Famous Blue Raincoat" de Leonard Cohen e um versão acústica do referido "I Love Portugal". Para o início de Maio está prometida a segunda aventura da parceria Jesu/Sun Kill Moon que junta Kozelek ao inglês Justin Broadrick. Do disco intitulado "30 Seconds To The Decline of Planet Erath" são já conhecidas três faixas - "He's Bad", onde se confirma a aversão a Michael Jackson; "The Greatest Conversation Ever in the History of Universe", tema composto antes da eleição de Trump mas que foi posteriormente aproveitado para a campanha "30 Days 30 Songs" que preconiza uma América livre do fardo presidencial e "Needles Disney" que pode ser escutado no site oficial.  O disco, que foi registado em Novembro passado aquando da digressão do projecto por terras inglesas e norte-americanas, tem na imagem de capa, a de cima, uma paisagem que talvez sugira um passeio por uma qualquer praia portuguesa...





Entretanto, Kozelek integra um notável grupo de músicos apostados na reabilitação merecida de Kath Bloom, artista norte-americana que tem pronto o seu décimo nono álbum chamado "This Dream Of Life" e que saiu já no dia 10 de Março com o selo da Caldo Verde. O registo é o resultado de longas inspirações espalhadas pelos cinco últimos Invernos em Los Angeles, tendo Bloom dormido no estúdio aquando da gravação final e onde recebeu a ajuda de Avi Buffalo, Imaad Wasif e do próprio Mark Kozelek. O corrente ano marca também o regresso aos palcos, digressão que talvez alcance o velho continente.


segunda-feira, 20 de março de 2017

É O PORTO, CARAGO!






















Quem esteve com atenção no Festival de Paredes de Coura de 2015 reparou com certeza na parceria vocal e instrumental das irmãs Crutchfield durante o concerto de Waxahatchee, um projecto comandado pela mana Katie e que, mesmo com inúmeros problemas técnicos, recebeu forte aplauso do público. Entretanto, a mana Allison Crutchfield lançou no início deste ano o primeiro álbum a solo chamado "Tourist in This Town" e é curioso que uma das melhores canções do registo tenha a seguinte passagem lírica:

I was in Porto this time last week
Drinking champagne sangria on the rocky beach
And I was angry with you but I still wondered if you miss me

O motivo do desabafo talvez se chame "Charlie", nome do tema, mas a inspiração imagina-se que tenha acontecido nesse verão de 2015 antes ou depois do concerto de Coura com algumas sangrias de final de tarde ali para os lados da Foz ou do Castelo do Queijo...

domingo, 19 de março de 2017

UAUU #374

CHUCK BERRY (1926-2017)

















Serão precisas poucas palavras para demonstrar a importância de Chuck Berry para a história da música. Hoje, Dia do Pai, marca a partida do verdadeiro gerador do rock e tudo à volta... Peace!

segunda-feira, 13 de março de 2017

BOB DYLAN: 1 2 3, DIGA LÁ OUTRA VEZ!





















O inesperado laureado Bob Dylan está de volta ao que melhor sabe fazer, isto é, cantar canções! O novo trabalho "Triplicate" sai pela Columbia no final do mês e é, mais uma vez, um concentrado notável de versões de clássicos e standards americanos registados nos estúdios da Capitol em Hollywood ao lado da banda que o acompanha ao vivo. Escolherem-se trinta temas devidamente alinhados tematicamente em três diferentes sequências aos quais se deram títulos alusivos - "Til The Sun Goes Down", "Devil Dolls" e "Comin' Home Late". O trabalho triplo constitui-se como o trigésimo oitavo registo de estúdio do artista, foi produzido por Jack Frost, ou seja, pelo próprio Dylan e está já disponível em pré-encomenda numa caixa especial de vinil. Aqui fica, como convêm, uma tripla dose de classe...






domingo, 12 de março de 2017

PASCAL PINON, Auditório de Espinho, 10 de Março de 2017

Mesmo distantes, sempre sentimos que a natureza e a paisagem islandesa tem na música uma extensão sensorial que múltiplas bandas e artistas nativos conseguiram espalhar magistralmente por todo o lado. As irmãs Akadóttir, duas jovens que adoptaram o nome de Pascal Pinon numa alusão a um artista circense de suposta dupla cabeça num só corpo, são só mais um perfeito exemplo dessa capacidade inconfundível de nos pôr a viajar de olhos fechados a partir da música mesmo que sejam canções ouvidas pela primeira vez. Ao leme da jornada de ontem esteve Jófridour, regressada ao norte do país por onde andou o ano passado, tendo sido a irmã Ásthildur substituída por uma discreta parceira de palco que, inexplicavelmente, não chegou a ser sequer apresentada... O cruzamento de temas antigos, canções do disco a solo e mesmo alguns inéditos por editar, permitiu à plateia a partilha de uma notável série de delicadas vibrações que alcançaram um patamar subliminar quando ao duo se juntou um quarteto de cordas constituído por jovens alunos da academia espinhense. Essa simples e esforçada contribuição deu ao concerto um tónico ainda mais precioso e entusiasmante, principalmente numa inesquecível "peça" intitulada provisoriamente de "My Work" e que deveria merecer uma apropriada edição oficial. Irrepetível e, por isso, único!    



sexta-feira, 10 de março de 2017

MANUELA É NOME DE BANDA!





















Enquanto se aguardam novidades quanto a um novo trabalho dos Franz Ferdinand, o seu guitarrista Nick McCarthy juntou-se literalmente à esposa Manuela Gernedel para gravar uma série de canções simples e descomprometidas sob o nome de Manuela. O álbum homónimo a sair pela Lost Map no final do mês tem já dois adiantamentos sonoros que ajudam a perceber o género diferenciado que McCarthy pretendeu alcançar, ele próprio um verdadeiro explorador sonoro e multi-instrumentista encartado mas que não dispensou a ajuda de velhos compinchas dos Django Django (Jim Dixon), Mystery Jets (William Reese), Veronica Falls (Roxanne clifford) e Paul Thomson, parceiro baterista nos Ferdinand! O resultado final é, como confessado, um "outro género de música"...




quinta-feira, 9 de março de 2017

DIA DO PIANO, ESTÁ AÍ ALGUÉM?












Para que precisa o mundo de um Dia do Piano? A resposta do seu criador, o alemão Nils Frahm, é simples - não magoa ninguém, do pianista ao construtor ou afinador mas, principalmente, o ouvinte! Para o próximo dia 29 de Março está marcada a terceira edição recaindo a data no octogésimo oitavo dia do ano, precisamente o número de teclas do famoso instrumento. O desafio será haver pelas redondezas um ou mais eventos comemorativos que se juntem ao extenso programa já definido por esse mundo fora. O concerto de amanhã de Lubomyr Melnyk em Coimbra poderá ser, sem dúvida, uma grande inspiração...

UAUU #373

quarta-feira, 8 de março de 2017

LAETITIA SADIER, JUNTOS SOMOS MAIS FORTES!




















A subtileza das canções que Laetitia Sadier habitualmente canta, plenas de uma melancolia em dose certa, parecem perfeitas para o lindo dia de hoje. Dos três temas conhecidos do novo álbum "Find Me Finding You" que a Drag City edita no dia 24 de Março emana uma sonoridade refrescante a que não é alheia a colaboração com outros músicos como Emmanuel Mario, Xavi Munoz, David Thayer ou Mason le Long. Assumido, então, está o nome da banda como Laetitia Sadier Source Ensemble que recebe ainda a ajuda de Alexis Taylor dos Hot Chip no tema "Love Captive". Para o efeito, há já video realizado pela própria com a ajuda do velho amigo David Tahyer. A intensa digressão já marcada, mas ainda sem datas por perto, será por isso a oportunidade certa para fazer alargar ainda mais a magia e harmonia das canções e, certamente, a contínua e forte luta contra as injustiças deste mundo. O Dia da Mulher que hoje se evoca tem aqui um exemplo perfeito de convicção e acção!





terça-feira, 7 de março de 2017

FLEET FOXES, YES!





















Temos ainda muitas dúvidas de como é que os Fleet Foxes vão conseguir fazer melhor música que em qualquer dos dois álbuns anteriores. O primeiro, já lá vão quase dez anos, era uma obra prima sem rodeios nem idade; o segundo, de 2011 chamado "Helplessness Blues", foi em crescendo um daqueles discos intocáveis e sempre surpreendente que talvez tenha desgastado a banda mas que aguçou ainda mais o apetite. O louvado regresso que se anuncia para Junho tem onze novos temas reunidos sob o título de "Crack-Up" e que tem no single de avanço um sério aviso quanto ao calibre que se pretende atingir. Uma canção estrondosa! E há digressão marcada...      

ZIGGY STARDUST, APARIÇÃO ÚNICA!





















Promovida pela revista "Mojo", decorre hoje um pouco por toda a Europa a projecção única do filme "Ziggy Stardust And The Spiders From Mars" dirigido por D.A. Pennebaker e que documenta o concerto de David Bowie no Hammersith Odeon de Londres no dia 3 de Julho de 1973. O registo, dito amaldiçoado pelo anúncio do próprio artista como "o último concerto que vamos fazer", marcou o "enterro" de Ziggy Stardust, personagem mítica criada um ano antes para o conceptual álbum homónimo sobre uma mensageira estrela rock extraterrestre. O serão de hoje terá ainda a estreia de um novo documentário produzido pelo magazine inglês onde o editor Phil Alexander conversa com Woody Woodmansey, baterista da banda The Spiders From Mars e autor do livro "My Life With David Bowie: Spider From Mars" agora publicado pela Sidgwick & Jackson. O evento acontece em exclusivo na sala 11 dos Cinemas UCI do Arrábida Shopping pelas 21h30.



segunda-feira, 6 de março de 2017

PREFAB SPROUT E A AMÉRICA!

Tal como nos últimos anos, o regresso do barbudo avozinho Paddy McAllon aos originais surgiu de mansinho e sem aviso através de um video postado na conta de um tal Keith Armstrong, talvez o fundador da editora inglesa Kitchenware que lançou os Prefab Sprout em 1983. O tema "America" parecer ter sido registado por um telemóvel tal como sugere o The Gurdian, jornal que aproveita para documentar a relação da banda e do seu mentor com aquele país agora tão badalado não pelas melhores razões. Ficamos, ansiosamente, à espera de mais surpresas de uma das nossa bandas de eleição...

UAUU #372