terça-feira, 23 de janeiro de 2018

MERCURY REV, VINTE ANOS DE SONHO!












Caramba, vinte anos! Em 1998 os Mercury Rev com a ajuda do mago David Friedman editavam um dos discos da nossa vida chamado "Deserter's Songs" e, depois de falhada a presença na estreia na Zambujeira no ano seguinte, lá fomos a correr num sábado a Coimbra (4 de Maio de 2002) para uma quase madrugada de Queima das Fitas que, mesmo com uma série de contratempos, acabou por ser memorável. Claro que os Rev já cá voltaram diversas vezes nos últimos anos (p. ex., Braga em 2015 ou Porto em 2012) mas como se promete uma digressão acústica comemorativa com Grasshoper e Donahue a partir de Abril, cá ficamos uma vez mais a sonhar acordados mas eternamente embalados por esta maravilha...

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

UAUU #413

PORTICO QUARTET, ARTE MODERNA!

Andamos ao colo com os londrinos Portico Quartet aquando das visitas memoráveis ao norte do país já lá vão oito anos! Prometiam e cumpriam ao vivo muito do que podíamos ouvir no disco de então ("Isla"), uma notável abordagem ao jazz onde o hang de Nick Mulvey parecia uma serpente sonora de efeito inebriante. Com a sua saída no ano seguinte para uma carreira a solo a banda aba(na)nou-se e alguma indefinição do então trio estava bem patente no álbum homónimo de 2012 apesar do recrutamento de Keir Wine para substituir Mulvey no tal instrumento que funcionava como uma imagem de marca que importava não perder. Outra vez a três e sob o nome de Portico, a aventura começou então a ganhar desvios inexplicáveis como o disco gravado para a Ninja Tunes em 2014 onde colaborava Joe Newman dos Alt-J, um tiro nos pés de teor electrónico desenxabido que acabou por diluir o hipnotismo e a consistência do som original e levou ao compreensivo afastamento de muitos dos fãs exigentes. O ano passado, recuperados das mazelas e frustrações, deu-se o regresso às origens com a readmissão de Wine no hang e um trabalho brilhante de nome "Art In The Age Of Automation", alegoria bem vincada na imagem da capa e no conteúdo sonoro incluído que pode ser parcialmente desfrutado abaixo numa sessão para a Red Bull mas que merecia uma apresentação ao vivo por perto que se afigura urgente e obrigatória. Alguém se chega à frente?


sábado, 20 de janeiro de 2018

S. CAREY, UM TREMOR ANUNCIADO!

Temos andado bastante atentos ao que anda a fazer o rapaz S. Carey, conhecido por ser o baterista de Bon Iver mas já com uma notável carreira quer em nome próprio quer em inúmeras colaborações. Um bom exemplo é a canção "Brassy Sun" lançada em Agosto passado como um single que parecia adivinhar um novo disco, o quarto por sinal, intercalados por magníficos Ep's. Antes das novidades é melhor ouvir tamanha pepita...



Pois bem, agora que a JagJaguwar anuncia o tal álbum para o final de Fevereiro reparamos que o tema não faz parte do alinhamento de "Hundred Acres", um aparente sacrilégio que rapidamente esquecemos a partir do momento em que deitamos os ouvidos a duas das dez canções inéditas que Sean Carey registou, produziu e misturou no sossego de casa rodeado pela família e com a ajuda de muitos dos amigos de sempre na terra natal, Eau Claire no Wisconsin americano. Promete tremuras, das boas!



sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

GENTILMENTE, COURTNEY MARIE ANDREWS!

A música de Courtney Marie Andrews surgiu-nos, assim, de surpresa há um par de anos na primeira parte de um abençoado concerto de Damien Jurado por Vigo. Gentil, simpática, bonita, voz imaculada a lembrar tempos da folk original, Andrews já nessa altura não era novata nos arrepios que causava e nos discos que são já três sem contar com o que se aproxima. O excelente "Honest Life" de 2016 foi, entretanto, reeditado em Setembro passado através da Fat Possum e que na edição em vinil tem como bonus um single de vinil para o tema "Sea Town". No lado b da rodela há uma maravilha chamada "Near You", mais uma, peça que na Europa se encontra à venda em separado! Quanto a novas canções, aqui fica "May Your Kindness Remain" tema título de um álbum pronto que em Março verá a luz do dia e que servirá de suporte à digressão europeia que se aproxima, quem sabe, da nossa península.




quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

TRACEY THORN, VIDA POP!





















Insistindo no feminino, what else, demos conta hoje que Tracey Thorn dos saudosos Everything But The Girl tem um novo álbum já gravado e pronto a sair no início de Março via Merge Records. Depois de tratar de assuntos sérios como o divórcio ou o desamor no último de originais "Love and Its Opposite" de 2010, depois de nos contar a história da sua juventude artística numa autobiografia mais que recomendável, Tracey parece agora desligar-se de preconceitos e pudores e apresenta-se em versão pop electrónica ao longo de nove canções reunidas sob o simples título de "Record". Nesta nova fase libertadora, que nas suas próprias palavras poderá ser chamada "no fucks given' phase life", tem a ajuda habitual do produtor Ewan Pearson e também das vozes de Shura e Corinne Bailey Rae e ainda, espanto, de toda a secção rítmica das californianas Warpaint! Um disco despretensioso e que, segundo prescrição da própria, se quer ouvido de auscultadores, bem alto, na azáfama e movimento diurno, ou seja e como bem vaticinou o mestre Prince, pop life, everybody needs a thrill... 
   

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

ALELA DIANE, DIAS DE MÃE!





















Os tempos pela América ganham hoje cada vez maiores contornos de imprevisibilidade e incerteza e, por isso mesmo, a decisão de trazer um novo filho ao mundo acarreta uma série de questões de resposta nada fácil. Tal indecisão para Alela Diane foi uma oportunidade para se refugiar sozinha numa pequena casa de uma friorenta floresta de Caldera no Oregon em Janeiro de 2016 onde as canções do novo disco começaram a ganhar a forma apesar de uma queda na neve lhe ter provocado uma fractura de uma unha do polegar e a impossibilidade de compor à guitarra. Um piano esquecido na sala principal acabou, assim, por ser um novo desafio... Entretanto, a gravidez problemática do segundo filho e um parto complicado que a levou quase à morte, tornou o conjunto de temas que fazem parte de "Cusp", álbum a sair já dia 9 de Fevereiro, uma profunda reflexão sonora sobre o que é ser mãe e mulher e, acima tudo, um hino à vida e ao seu infinito dogma. Aqui ficam dois belos contributos para o adensar de tal mistério com a colaboração de amigos como Peter Broderick e a irmã Heather Woods ou músicos de bandas de Joanna Newsom, Neko Case ou Iron & Wine.   




UAUU #412

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

RHYE, SANGUE NOVO!

Cinco anos depois da estreia com essa maravilha chamada "Woman", aproxima-se a edição de um novo disco do duo californiano Rhye intitulado simplesmente "Blood". Os temas inéditos surgiram naturalmente das inúmeros apresentações ao vivo entretanto realizadas e, contrariamente à "bedroom music"do disco de estreia, o destino das novas canções parece ser mesmo o palco e a pura perfomance. O início de Fevereiro marca, assim, o fim de uma longa espera e o sangue novo tem uma edição nada barata em press-test de vinil assinado através da Lomar Vista mas haverá, contudo, muito por escolher para bolsos menos recheados. Segue-se uma digressão que chega à Europa já em Março e com prolongamento até Junho.







Recorda-se que na primavera passada a banda editou um single digital com mais estas duas pérolas que não estarão incluídas no novo trabalho. Depois de duas investidas ao vivo pela capital, cá os esperamos (suspiro) num parque da cidade junto ao mar...



quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

THE UNTHANKS, UM TRANQUILIZANTE!





















Será certamente um sacrilégio só agora prestarmos a devida atenção a mais um maravilhoso disco das The Unthanks mas mais vale tarde... Incluído na série de "desvios" iniciada há alguns anos, o volume quarto de "Diversions" recaiu em 2017 de forma surpreendente nas proto-canções e poemas de Molly Drake, a mãe afortunada de Nick Drake e pela qual Rachel Unthank desde cedo - isto é, desde 2013, altura da revelação surpresa dos seus temas - confessou uma imediata bondade e paixão. A parceria com Gabrielle Drake, a irmã mais velha e tutora do legado do malogrado cantautor, permitiu até transformar simples lembranças de melodias e alguns poemas em verdadeiras canções que não couberam num só álbum, havendo um outro disco companheiro com extras que pode ser adquirido em conjunto directamente no site da banda. Por isso, "The Songs and Poems of Molly Drake" tem de princípio ao fim aquele toque de classe e sedução sem truques que nos habituamos a confirmar nos arranjos de Adrian McNally, opções que teriam certamente a aprovação da própria Molly Drake. No âmbito da passada digressão inglesa para apresentação do projecto foram, entretanto, divulgadas filmagens inéditas da família Drake de que podem espreitar um pouco no video abaixo, uma saborosa e tocante sequência que emociona e, repetidamente, tranquiliza!






quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

SIMONE WHITE, GENUINAMENTE!





















São já muitas as saudades de ver ao vivo a menina Simone White com uma simples guitarra a desfiar pérolas para tripeiros sortudos, um hábito que convinha retomar depois de passagens pelo burgo em 2009 ou 2013. Consciente do efeito e da mossa emocional, a artista decidiu gravar nesse formato algumas canções de álbuns antigos a que juntou três temas inéditos ("Rain" é um deles), tudo reunido num disco ironicamente chamado "Genuine Fake" e cuja edição em vinil está prestes a ser disponibilizada. Os concertos, esses fazem-se agora ao lado de algumas lendas vivas como Andrew Bird ou do impagável Mark Eitzel com quem partilha o palco já na próxima semana em Los Angeles, noite para a qual tem ensaiado bastante com um baterista e contrabaixista. Bastava a guitarra, dizemos nós, mas, seja como for, cá ficamos à espera de nova visita!





Confirmando dotes de irreverência artística sempre conveniente, White regressou recentemente à direcção fílmica de um video, desta vez para o tema "Shattered Moon" do trio californiano Derde Verde incluído no novo EP "Meander Belt" saído o mês passado. Para tomar muita atenção!


PAREDES DE COURA, IT'S TIME!

Rápido à bilheteira...





segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

BOWIE 71, LET'S DANCE!















Os setenta e um anos de David Bowie que se comemoram no dia de hoje têm como prenda oficial uma inédita e interessante versão do clássico "Let's Dance" gravada em 1982 com Nile Rodgers em Montreux. A chamada "demo" foi devidamente parafinada em Novembro passado a pedido do legado oficial do "Camaleão" e a história do tema já foi diversas vezes contada pelo próprio Rodgers que não se cansa de confirmar que a parceria lhe haveria de mudar a vida... e a conta bancária! 



Entretanto, está marcada para daqui a pouco a estreia em televisão, através do canal HBO americano, do documentário "David Bowie: The Last Five Years" dirigido por Francis Whately, uma sequência lógica da prévia biografia de 2013 "Five Years". Aqui fica o trailer.

JENS LEKMAN E ANIKKA NORLIN, CORRESPONDÊNCIA!















Para o sueco Jens Lekman o mês de Janeiro de cada ano é como começar de novo. Em 2016, por exemplo, abraçou o desafio de editar uma canção por semana num projecto cumprido e comprido a que chamou "Postcards", em 2017 escolheu esse mês para o lançamento do magnífico quarto álbum "Life Will See You Now" e em 2018, mantendo a tradição e ao lado da amiga Anikka Norlin, embarca em nova aventura baptizada de "Correspondence". Em tempos de imediatismos e instantâneos comunicacionais, a proposta é apresentar pontos de vista diversos e sem temas obrigatórios em forma de canção, uma por mês, em seis "envelopes" para cada um, o primeiro dos quais a cargo de Lekman já está no destinatário e leva o título de "Who Really Needs Who". Uma amizade crescente, regada da melhor maneira a cada "carta", ups, "canção"!

domingo, 7 de janeiro de 2018

JOSH ROUSE, É O AMOR NA IDADE MODERNA!

O regresso aos discos de Josh Rouse está prometido para este novo ano a que se seguirá uma intensa digressão mundial. Para já, a recolha de fundos e meios continua activa e tenaz, não estando nada fácil gravar e editar novas canções mas atendendo ao proposto a nossa curiosidade e expectativa só pode ser elevada - influenciado pelos escoceses Blue Nile, como confessado, Rouse esquece por agora as guitarras e aposta desta vez nos teclados e samplers, centrando a sua décima segunda investida num género a la Prefab Sprout que tem em "Love In the Modern Age", o single que dá nome ao álbum, um fabuloso exemplo de brilhantismo que só ele poderia fazer...   

sábado, 6 de janeiro de 2018

AVI BUFFALO, ELE ANDA POR AÍ... EXPERIMENTANDO!





















O talento de Avi Zahner-Isenberg que promoveu a aventura pop Avi Buffalo em dois magníficos álbuns deu por auto-terminada a sua aventura em Janeiro de 2015. Notava-se ao longe uma dose imensa de desilusão e tensão com o mundo da música, melhor, com o negócio da música mas Avi prometeu, mesmo assim, não desistir e os concertos e a composição nunca foram totalmente postos de lado. Como manifestado num longo preâmbulo no facebook, a edição de um disco gravado o ano passado e por isso de nome "2017" tem uma imensidão de verdades e consequências, análises e sínteses, adições e subtracções que uma viagem a Nova Iorque em Novembro passado parece ter aclarado. Uma série de sonoridades em regime laboratorial que podem ir experimentando como as que aqui deixamos de nome, preparam-se"A Man On The Plane Who Did Analytics For Hormel Foods And Told Me To Try More Of Their Products To Which I Reminded Myself That He Is Brainwashed"...

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

UAUU #410

NILS FRAHM, A REINVENÇÃO!





















O talentoso Nils Frahm é um insatisfeito. A procura incessante da perfeição logística para captar a sua música levou-o a um edifício histórico dos anos cinquenta junto do rio Spree em Berlim, passando então o local a funcionar como um albergue funcional de nova tecnologia e tradição que incluiu a construção de um orgão de tubos e uma nova mesa de gravação, tudo com a ajuda de alguns amigos. Foi por lá que se registaram os doze temas de um álbum a sair pela magnífica ErasedTapes já no final do mês que recebeu o título de "All Melody" e onde se misturam inéditas sonoridades provenientes de um jogo arriscado de distorções e no qual, sem restrições, os instrumentos foram magistralmente reinventados. Há novas batidas, vozes e orquestrações como nunca ouvimos e que vão muito para além da descoberta, elas são puro deleite... Basta ouvir duas das novas peças registadas numa residência artística londrina de há três anos atrás!



domingo, 31 de dezembro de 2017

sábado, 30 de dezembro de 2017

PRIMAVERA SOUND 2018, UAUU?

Há, pelo menos, dez almas boquiabertas que já sabem o alinhamento do Primavera Sound Barcelona de 2018... Seria bom que o do Porto também fosse de cair o queixo!

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

SUFJAN STEVENS, O GUARDADOR DE PÉROLAS!

A veia de mestre da composição de Sufjan Stevens há muito que palpita de forma salutar a cada disco editado. Se último devaneio, a tal canção homenagem à patinadora Tonya Harding, já nos parecia imbatível por este ano, eis senão quando deparamos em boa hora com dois pedacinhos do mesmo nível que fazem parte da banda sonora original do filme "Call Me By Your Name" (estreia em Portugal a 18 de Janeiro) a que se acrescenta uma versão ao piano de "Futile Devices" do álbum "The Age od Adz" numa mistura singular de Thomas Bartlett aka Doveman. São pérolas...





SHANNON LAY NOS MAUS HÁBITOS!





















Uma das revelações do ano que agora termina é o segundo disco da menina de cabelo laranja Shannon Lay chamado "Living Water", uma pérola que tem apresentação ao vivo já marcada por perto - 23 de Março nos Maus Hábitos como consta do cartaz oficial!

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

LAURA MARLING, CHUVA FORTE!

A britânica maravilha Laura Marling, uma das perdições aqui da casa, gravou uma versão de "A Hard Rain's A Gonna Fall" de Bob Dylan para o episódio final da última (4ª?) série de "Peaky Blinders", a excelente novela que passa na BBC Two de extremo bom gosto musical e não só. Antes, tinha aproveitado a ocasião para registar uma cover de "Red Right Hand" de Nick Cave destinada à cena inicial de um outro episódio, tendo o seu original "What He Wrote" sido usado anteriormente para o mesmo fim. Ficamos ansiosamente à espera do respectivo single de vinil e, já agora e exceptuando o Netfix, de um canal português que atine na programação... 




UNKNOWN MORTAL ORCHESTRA, SB-05!

Como é habitual em época natalícia, os Unknown Mortal Orchestra oferecem à comunidade uma mistura instrumental completamente inédita de cerca de trinta minutos de devaneios e experiências sonoras e que recebeu o título de "SB-05". Trata-se de uma série iniciada à cinco anos atrás e que serve para desgastar as calorias ganhas nos últimos dias... 

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

SINGLES #44









































PULLOVER - Holiday/Last Christmas 
Inglaterra: Fierce Panda, NING20A, 45RPM, 1996
As versões de clássicos de Natal são, por esta altura, obrigatórias! Na fila do hipermercado, no rádio do carro ao lado em plena fila de trânsito, a registar o totoloto ou simplesmente a atravessar uma passadeira, só mesmo tapando os ouvidos ou pondo os auscultadores é que as habituais melodias a falar de neve branca e muitos "santas" nos podem passar ao lado. Há, contudo, dois originais de época que, sem razão aparente, não resultam em massacre - no nosso caso, o "All I Want For Christmas Is You" da Mariah Carey e o "Last Christmas" dos Wham fazem-nos sempre cantarolar a letra mais que sabida e esboçar um sorriso, talvez porque sabemos bem que só os ouviremos em catadupa no próximo ano e porque são, sem dúvida, grandes canções pop muito difíceis de bater. Quando em 1996 os Pullover, uma banda de Manchester, colocaram no lado B do seu terceiro e último single "Holiday" uma versão do tal "Last Christmas" em toada eighties com muita piada, o futuro parecia risonho mas a realidade acabou por ser bastante traiçoeira. Já com dois grandes singles no ano anterior pela Fierce Panda inglesa, grandes capas e design e brilhantes actuações ao vivo, o grupo liderado por Carol Isherwood arriscou uma nova versão desse "Holiday" sem o clássico dos Wham para assinar por uma nova editora - a Starfish Records - com o contrato melhorado e a gravação de um álbum há muito esperado. As promessas, goradas, haveriam de desfazer todas as esperanças e dos Pullover não reza a história (não confundir com bandas brasileiras, polacas ou norte-americanas com o mesmo nome), tendo a sua líder aprendido bem a lição encetando, então, uma carreira de advogada de sucesso especializada em fazer respeitar os direitos autorais e aspirações dos músicos e artistas. Now, I Know what a fool I've been...




AGNES OBEL, PRENDINHA!

Para compensar a falta a vermelho à aula de bom gosto que Agnes Obel certamente proferiu no Tivoli lisboeta em Junho passado, aqui fica uma prendinha de Natal cortesia do canal francês CultureBox.


quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

3X20 ESPECIAL 2017













20 CANÇÕES X 20 ÁLBUNS X 20 CONCERTOS
+ 10 Low + 10 High 2017
É este o nosso deve e haver anual!

20 Canções:
1. PERFUME GENIUS - Valley »»
2. MANUEL FÚRIA E OS NÁUFRAGOS - Canção Infinita »»
3. RANDY NEWMAN - Lost Without You »»
4. WILL JOHNSON - Filled With A Falcon's Dreams »»
5. SUFJAN STEVENS - Tonya Harding  »»
6. TENNIS - Baby Don't Believe »»
7. JOAN SHELLEY - Where I'll Find You »»
8. WILL STRATTON - Some Ride »»
9. ARCADE FIRE - Everything Now »»
10. SLOW DANCER - Bitter »»
11. PARCELS - Overnight »»
12. THE WAR ON DRUGS - Thinking of a Place »»
13. TOPS - Petals »»
14. LAMBCHOP - The Hustle Unlimited »»
15. MARK EITZEL - The Last Ten Years »»
16. SUN KILL MOON - I Love Portugal »»
17. MY BRIGHTEST DIAMOND - Wish For The Moon »»
18. POND - Paint Me Silver »»
19. RYUICHI SAKAMOTO - ubi »»
20. REAL ESTATE - Darling »»

20 Álbuns:
1. LAURA MARLING - Sempre Femina
2. ALDOUS HARDING - Party
3. PROTOMARTYR - Relatives In Descent
4. JOAN SHELLEY - Joan Shelley
5. WILL STRATTON - Rosewood Almanac
6. BIG THIEF - Capacity
7. KAMASI WASHINGTON - Harmony of Difference
8. RANDY NEWMAN - Dark Matter
9. JEFF TWEEDY - Together At Last
10. SLOW DANCER - In a Mood
11. PERFUME GENIUS - No Shape
12. KING KRULE - The Ooz
13. MARK EITZEL - Hey Mr Ferryman
14. RYUCHI SAKAMOTO - async
15. DIRTY PROJECTORS - Dirty Projectors
16. FLEET FOXES - Crack-Up
17. HAND HABBITS - Wildly Idle (Humble Before The Void)
18. FIONN REGAN - The Meetings Of The Waters
19. REAL ESTATE - In Mind
20. KOMMODE - Analog Dance Music

20 Concertos:
1. BON IVER, Primavera Sound Porto, 9 de Junho »»
2. THE DIVINE COMEDY, Theatro Circo, Braga, 3 de Fevereiro »» 
3. EMMA RUTH RUNDLE, Teatro Rivoli, Porto, 21 de Abril »»
4. PERFUME GENIUS, Theatro Circo, Braga, 17 de Novembro »»
5. RYLEY WALKER, GNRation, Braga, 13 de Abril »»
6. TOPS, Maus Hábitos, Porto, 3 de Novembro »»
7. GARETH DICKSON, Armazém 22, Gaia Todo Um Mundo, 16 de Junho »»
8. MARK EITZEL, Auditório de Espinho, 28 de Outubro »»
9. YUSSEF DAYES, Milhões de Festa, Barcelos, 22 de Julho »»
10. ARAB STRAP, Primavera Sound Porto, 8 de Junho »»
11. CAETANO VELOSO, Coliseu do Porto, 25 de Abril »»
12. JOHN MAUS, Maus Hábitos, Porto, 31 de Outubro »»
13. LAMBCHOP, Auditório de Espinho, 18 de Janeiro »»
14. KING GIZZARD & THE LIZARD WIZARD, Primavera Sound Porto, 9 de Junho »»
15. NADINE KHOURI, Maus Hábitos, Porto, 16 de Fevereiro »»
16. NELS CLINE, Festival Jazz de Guimarães, CCVila Flor, 8 de Novembro »»
17. MATT ELLIOTT, Auditório de Espinho, 6 de Maio »»
18. DOUGLAS DARE, Theatro Circo, Braga, 12 de Maio »»
19. SONGHOY BLUES, Primavera Sound Porto, 12 de Junho »»
20. CASS McCOMBS, Centro de Arte de Ovar, 1 de Fevereiro »»

10 Low:
. um ano inteiro sem pôr os pés na Casa da Música;
. os incêndios e os capotes com muita água para sacudir;
. uma Catalunha utópica num país perigoso;
. os assédios destapados e a novela Matt Mondanile;
. o Rufus a meter "pregos" à guitarra... e ao piano;
. o "onde/quando é que isto vai parar" da Invicta;
. o "estou-me cagandismo" nos outros de Trump e King Jon-un;
. mais um ano sem A Girl Called Edddy, Tobias Jesso. Jr e These New Puritans;
. a corrupção e a roubalheira em modo epidémico e calamitoso;
. a imprevisibilidade crescente do planeta Terra ainda e sempre a saque.

10 High:
. o Salvador Sobral na "dele" como se tivesse ganho um concurso de escola;
. a promessa, quase cumprida, de cinco discos num ano dos King Gizzard;
. o aparente declínio da tirania angolana, a confirmar;
. a notável resiliência do nosso interior, das suas gentes e instituições;
. as festas do TUP-Teatro Universitário do Porto;
. o regresso do Portal Pimba em jeito de serviço público;
. o encontro, al last, com o simpático Neil Hannon;
. a baterista dos Metronomy a iluminar o Parque da Cidade;
. o "Sexta às 9" na RTP, uma semente que parece começar a reproduzir-se;
. o sumiço de Marine Le Pen.

SUFJAN STEVENS, NOTA DEZ!





















É tão bonito o tema inédito que Sufjan Stevens editou recentemente como homenagem à patinadora norte-americana Tonya Harding que até arrepia! A vida atribulada da desportista inspirou já um filme estreado nos Estados Unidos e Stevens, um apaixonado confesso, andava já há trinta anos para concretizar a canção tributo. Decidiu que para tal haveria duas versões - uma em "Ré Maior", a que se reproduz abaixo e uma outra, em "Mi Bemol", mais despida e ainda assim brilhante! Aqui fica um punhado de "Axels triplos" e uma das canções do ano... nota dez!

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

GONZALES, FALTAVA UM CONSERVATÓRIO!















O irrequieto Chilly Gonzales lançou mais um desafio a todos os potenciais talentos do universo! Chamou-lhe "Gonzervatory" e da totalidade de concorrentes de composições, canções, instrumentais originais ou qualquer outra, seis terão direito a viagens pagas para Paris onde, durante uma semana, o próprio estará ao comando de uma inédita residência artística. O programa incluirá intensos ensaios e práticas numa experiência que culminará com um concerto público no dia 26 de Abril no Le Trianon parisiense sob a sua direcção e que será certamente uma festarola transmitida em streaming e quejandos. O júri, como se pode comprovar, já reuniu para escolher os seus estudantes ao jeito do The Voice e os professores e amigos Peaches, Jarvis Cocker, Socalled e Liza Kainde Diaz das recomendáveis Ibey terão que anunciar os finalistas já no próximo dia 10 de Janeiro depois de uma primeira triagem entre as centenas de candidaturas recebidas. A brincar, a brincar, a coisa é séria!





UAUU #408

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

CÍCERO É COM ALBATROZ

O quarto disco do brasileiro Cícero saiu no final do mês passado e tem desta vez uma co-autoria assumida e justa no próprio título - "Cícero & Albatroz" junta-o, assim, aos Albatroz, banda que o acompanhou no álbum "A Praia" e respectiva digressão que passou o ano passado por Portugal. Os sons sugerem mais risco e rugosidade e uma forte presença dos metais mas a onda continua segura e perfeitamente consistente só que, desta vez, o ambiente respira cidade, cimento e ruas. Há já um video realizado por Artur Miranda para o tema "A Cidade" mas os trinta minutos do trabalho podem ser já escutados na totalidade...

RANDY NEWMAN, APERTA!

Isto de andar à procura das canções que mais gostamos em 2017 começa e acaba sempre que este senhor nos faz este apertão...



quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

KING KRULE DE SECRETÁRIA!

SAKAMOTO, IMAGENS E MISTURAS

O regresso este ano aos discos a solo de Ryuchi Sakamoto com "async" sendo um privilégio sonoro é também, como sempre, um fervilhar de desafios em crescendo. A partir dele foram já lançados dois projectos paralelos que se multiplicaram rapidamente, sinal do respeito e veneração que o artista mantêm intactos e robustos. Assim, o próprio organizou um concurso internacional de curtas-metragens a partir dos temas do disco que recebeu centenas de participações e cujos resultados serão divulgados na próxima sexta-feira. Entre elas escolhemos dois exemplares cintilantes - as propostas do brasileiro Eduardo Ávila para "solari" e do galês Siôn Marshall-Waters para o inesquecível "ubi".
Tomando partido das inúmeras colaborações que tem realizado ao longo da sua carreira artística, Sakamoto convidou ainda uma série de amigos para promoverem remodulações para os temas de "async". Através da Milan Records, há, por agora, dez reinterpretações disponíveis contando uma, a primeira, da responsabilidade de Oneohtrix Point Never para "andata" e outra, a última, de Andy Stott para "Life, life". Pelo meio, não falta a ajuda de Alva Noto, parceiro de seis álbuns desde 2002, estando já prometido um novo disco do duo para Março chamado "Glass".





UAUU #407

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

NADINE KHOURI, É COM OU SEM?

A sedutora Nadine Khouri vai regressar ao Porto para um concerto no dia 9 de Fevereiro, sexta-feira, no Passos Manuel. Atendendo que a menina vai realizar na véspera a primeira parte de Adrian Crowley marcada para o MusicBox lisboeta, o que acontece durante todo o primeiro mês do ano e início do segundo, isto quererá dizer que Adrian Crowley também toca na Invicta naquela data? Seria bom que sim...



sábado, 9 de dezembro de 2017

THOMAS FEINER, ÉS GRANDE!

O regresso de Matt Johnson/The The às canções, discos e concertos já por aqui foi saudado mas, como na altura realçamos, há uma colaboração com Thomas Feiner que queríamos muito ouvir na totalidade. Ela aqui está, finalmente, a cover de "This Is The Day" do principio até ao fim... do mundo! 

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

É TEMPO DE NATAL!





















Na sequência de um primeiro volume lançado em 2012, emerge agora o regresso da compilação "Christmas Rules" na Europa ou "Holidays Rule" nos E.U.A. através da Capitol RecordsRepetem a adesão os The Decemberists e Sir Paul McCartney que surge, entre outros, ao lado dos The Roots e Scarlett Johansson numa curta versão a capella de "Wonderful Christmastime", original escrito em 1979 e aqui registado há um ano no incontornável programa de Jimmy Fallon, mania que vem já de 2015 e uma parceria que mereceu até uma rábula mais antiga! Mesmo não sabendo qual vai ser a surpresa deste ano, o certo é que o tema saiu já em single de vinil encarnado que já cá canta e tem ainda no lado B uma outra pérola de Horace Silver chamada "Peace" na voz de Norah Jones.



UAUU #406

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

YES, NOVO DISCO DE JONATHAN WILSON!





















Não foram poucas as vezes que por aqui tecemos loas ao mago Jonathan Wilson. Em cima do palco, nos discos em nome próprio ou como produtor de inúmeros outros artistas, Wilson espalha competência e sabedoria em todos eles, resguardando-se o suficiente de alaridos para só aparecer na hora certa. Pois bem, esse tempo está agora a chegar com um álbum novo de nome "Rare Birds" e cuja edição está marcada para Março pela Bella Union mas já com encomendas disponíveis. Como convidados há, entre outros, Lana Del Rey, Lucius e John Tillman aka Father John Misty, rendidos certamente ao talento do produtor e parceiro de estúdio e que nesta investida recorreu pela primeira vez a sintetizadores e drum machines, muito por culpa da influência de Roger Waters a quem ajudou no último "Is This The Life We Really Want", álbum entretanto nomeado para um Grammy. Aqui fica "Over the Midnight", o primeiro avanço onde são notórias as "novas" máquinas... 


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

ABBA, É UM MONOPÓLIO!



































A procura de presentes inesperados e diferentes levou-nos a isto - o célebre jogo do "Monoploy" em versão ABBA em que as ruas e as propriedades foram substituídas por canções/singles da banda sueca e onde não se pode construir casas mas sim estúdios! Os seis "mequinhos" são todos diferentes e, obviamente, relacionados com a banda, a saber, um chapéu de Napoleão, um disco de vinil, um telefone, um saco de dinheiro, uma guitarra e uma bota de tacão largo. Qual será a "propriedade/single" mais valioso? O "Dancing Queen" ou o "Money, Money, Money"? Must be funny...


FAROL #126











A lindíssima Joan Shelley, que tem no disco homónimo deste ano um exemplar raro de bom gosto e claridade parafinado por Jeff Tweedy, gravou duas versões à guitarra para as já célebres "Lagniappe Sessions" do mais que recomendável Aquarium Drunkard. A primeira, "I Would Be In Love (Anyway)", faz parte originalmente de um dos grandes discos esquecidos de Frank Sinatra chamado "Watertown" gravado em 1970; a segunda, "Night Comes On", funciona como homenagem a Leonard Cohen e tem a ajuda de Will Oldham. É por aqui...

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

VAN MORRISON, INTEMPORAL!

Agora que chegou o mês do Natal, do stress das compras e do tempo frio, nada como um disco inteiro para pôr a rodar sem freio e preocupação - trata-se do trigésimo oitavo álbum de estúdio da carreira de Van Morrison chamado "Versatile" e nele podem ouvir-se dezasseis daquelas melodias "swingantes" que ficam sempre bem nesta época ou em qualquer outra e que vão de canções que adoramos na voz de Sinatra, Nat King Cole, Tony Bennett ou do aveludado Chet Baker a que se juntam quatro novos temas ("I Forgot That Love Existed", " Start All Over Again", "Only a Dream" e o clássico instantâneo "Broken Record"). Três meses depois de um outro grande disco, este de blues intitulado "Roll With Punches", não há enganar quanto ao efeito e perfume de tanta classe!





domingo, 3 de dezembro de 2017

(RE)VISTO #68





















GRACE JONES: BLOODLIGHT AND BAMI
de Sophie Fiennes, BBC Films, 2017
Festival Porto/Post/Doc, Teatro Rivoli, 2 de Dezembro de 2017
A mania dos documentários sobre figuras icónicas do mundo da pop tem no recente exemplo de Grace Jones um assinalável contraditório. Preparado ao longo de cinco anos, a entrevista e a narração habituais foram totalmente dispensados pela realizadora, apostando-se em contar uma história de vida simplesmente pelas imagens e diálogos. Entre concertos, caóticas sessões de estúdio, ou estadias luxuosas em suites de hotéis, é a viagem que Jones faz à Jamaica para conviver e recordar a sua infância em família junto da mãe que nos agarra pelo inesperado das situações, das paisagens e de algumas confissões polémicas de insegurança, abuso e medo. Mas Jones, em cima do palco, sempre foi uma performer incomparável quer na intensidade teatral quer nas coreografias e figurinos que usa e abusa de forma vistosa e atraente e que, ao vivo, se afigura um espectáculo intenso a todos os níveis - impossível não notar na segurança e brilhantismo da banda que suporta as suas canções. Tal como muitos artistas, atrás desta aparente fortaleza surge uma mulher vulnerável e sentimental que sempre seguiu, para o mal e para o bem, as suas ideias e vontades no mundo difícil e frágil da moda, dos filmes e da música e que uma versão disco de "La Vie En Rose" (a gravação do tema para um programa televisivo francês é no filme uma parte hilariante...) haveria de catapultar para a fama. Talvez o rosa, como confessado, tenha algumas vezes sido substituído pelo negro, uma mutação natural tendo em conta as sete vidas sem fôlego de Grace Jones que o filme, bem feito, aborda sem preconceitos ou tabus e que deverá ser um contributo decisivo para a reposição da justiça quanto à grandeza de uma artista tantas vezes desprezada.   



quinta-feira, 30 de novembro de 2017

ZÉ PEDRO (1956-2017)















Desde que "O Cerco" começou a fervilhar, fomos um dos muitos que ganhámos asas num qualquer concerto dos Xutos & Pontapés. Depois, como já por aqui explicamos, recolhemos o lanço e mantivemos a distância. O Zé Pedro foi sempre o espelho da nossa satisfação ou delírio no sorriso quase contínuo com que, em cima do palco, recebia tamanha vibração, fosse num pequeno espaço de uma discoteca fosse em pleno Rock & Rio lisboeta, a última e quase involuntária vez que vimos os Xutos e onde acabamos a cantarolar a maioria das canções. Zé Pedro é, por cá, sinónimo de Rock & Roll e a sua paixão pela música - notória nos set's de Dj que presenciamos ou na procura incessante de mais uma palheta de um qualquer guitarrista para a colecção - deverá merecer de todos um imenso e eterno respeito. Paz!   



UAUU #405

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

MEMORABILIA #19
































Há mais de dez anos (!) quando começamos uma rubrica neste blog sobre memórias físicas da nossa paixão musical escolhemos, como tiro de partida, uma capa de argolas decorada com algumas das nossas bandas ou discos de eleição dos tempos de estudante pelo Liceu Rainha Santa Isabel em plenos anos oitenta. Tínhamos a certeza que a essa se juntava uma outra de recortes mais pequenos e muito mais variados e que só no passado fim-de-semana reencontramos em perfeito estado de conservação entre discos de vinil que tiramos de um armário. As explicações são as mesmas dadas nesse primeiro post sobre a dita Memorabilia... maluqueiras! Para que conste, aqui ficam duas das nossas predileções dessa época. 



ANNA ST. LOUIS, MISTÉRIO!






















A estreia da jovem Anna St. Louis está rodeada de uma série de mistérios de que é exemplo a existência de um canal de youtube mas sem videos! Vinda de Kansas City, onde se juntou a diversas bandas punk mas a viver em Los Angeles desde 2014, foi a beleza das suas canções registadas para um EP de demos em 2015 que chamou a atenção da recente editora de Kevin Morby, a Mare Records, uma subsidiária da Woodsist (Little Wings, Hands Habits, Woods). A delicadeza dos temas à guitarra foi agora registada para uma cassette (o único suporte físico disponível) de nome "First Songs", um conjunto magnífico de simplicidade folk ao jeito clássico que impressiona à primeira audição. Entrevistas, digressões ou páginas de facebook, isso são pormenores... 





Ainda na mesma editora, aproveitamos para chamar a atenção para o disco "Living Water" de Shannon Lay, álbum que marcou a estreia da tal Mare Records e uma paixão do próprio Morby contada na primeira pessoa. Lay, que é também guitarrista na banda Feels, não engana ninguém e é obrigatório ouvi-la de fio a pavio neste seu segundo trabalho!



terça-feira, 28 de novembro de 2017

PORTO/POST/DOC, JÁ ESTÁ A DAR!















A edição deste ano do festival Porto/Post/Doc teve início ontem e decorre até ao próximo Domingo pela baixa da Invicta, vagueando entre o Rivoli, os Maus Hábitos, o Passos Manuel e a FBAUP. Mantendo uma programação abrangente mas contida, da selecção destacamos a variante "Transmission" onde a música assume a atenção devida e que contempla, entre filmes, dj sets e concertos, uma inédita visão sobre o Festival Paredes de Coura chamada "Long Way From Home (How Did We Get Here?)" ou o recente documentário sobre Grace Jones. É ir!


sábado, 18 de novembro de 2017

NOISERV + PERFUME GENIUS, Festival Para Gente Sentada, Theatro Circo, Braga, 17 de Novembro de 2017

A primeira noite do festival minhoto teve ontem um final arrebatador. Começou light em versão descontraída com o projecto Noiserv de David Santos, um miúdo agora graúdo que vimos florescer num tarde soalheira de Serralves e cujo crescimento se faz notar na sofisticação dos instrumentos e recursos. Pena que tamanha parafernália, que uma câmara cimeira fez o favor de registar na plenitude no ecrã traseiro, tenha servido para tão pouco pois, apesar da boa-disposição, destreza e domínio demonstrados, as canções parecerem-nos algo desgarradas e, sem ofensas, distractivas ou não tivesse a tal transmissão instantânea contribuído para isso mesmo, entreter!
Bem mais intensa foi a perfomance de Mike Hadreas, o pequeno grande artista que encarna os Perfume Genius. Aguardávamos há muito a oportunidade perfeita para confirmar ao vivo a sua aura de genialidade e o centenário recinto bracarense serviu como uma luva de veludo para a cerimónia de apresentação do seu conjunto notável e sofisticado de canções. A primazia teve óbvia escolha em "No Shape", o último de originais que, desde o início, conduziu Hadreas para a frente de palco, o espaço ideal para um género de patinagem e coreografia onde o corpo flexionável e torcido jogou com o microfone numa dança contemporânea inventiva e muito própria. Destacamos "Just Like Love" e, principalmente, "Valley" um daqueles pedacinhos de pop eternos que, embrulhado de qualquer maneira, só alguns conseguem fazer cintliar mas outras canções como "Wreath" foram interpretadas pela banda de forma surpreendente e vibrante. À fragilidade de "Normal Song" ou "Die 4 You", inesquecíveis, juntou-se por exemplo a tenebrosidade mágica de "All Waters" e o epílogo lógico em "Slip Away" fez do teatro uma verdadeira catedral em cerimónia apoteótica. A canção, aliás, mereceria a primazia de um single de vinil a condizer de forma a que o serão de ontem acabasse entre a nossa colecção devidamente benzida/assinada... No encore mais que esperado e ao piano, à boa surpresa da versão de "Kangaroo" dos Big Star que os These Mortal Coil eternizaram juntou-se uma intimidante "Learning" a quatro mãos com a ajuda do parceiro Alan Wyffels e, já com a banda em pleno, seria "Queen" a finar um grande concerto para gente de pé e feliz!

UAUU #403

FAROL #125












Era só para lembrar que os King Gizzard & The Lizard Wizard pedem a todos para descarregar de borla o seu novo álbum "Polygondwanaland", o quarto com data de 2017! A dádiva está, por isso, pronta para ser gravada e registada devidamente em vários formatos à escolha, inclusive vinil! Oupa... 

terça-feira, 14 de novembro de 2017

SHARON VAN ETTEN, REGRESSO AO FUTURO!

Não, não é um álbum novo de Sharon Van Etten mas é quase como se fosse... Sexta-feira próxima estará cá fora, outra vez, o disco "(It Was) Because I Was In Love" em versão melhorada, uma prenda pré-natalícia que serve, entre muita coisa, para confirmar que as suas canções desse álbum de 2009 são maravilhosamente eternas e poderiam, sem desgaste, ter sido escritas hoje, para o ano ou em qualquer tempo futuro. Para além da via digital, a reedição terá formato físico somente em vinil e é, desde logo, uma peça de colecção que inclui um exclusivo sete polegadas! O disco pode ser na totalidade escutado por esta via, mas aqui deixamos duas das tentações.




sábado, 11 de novembro de 2017

CASPER CLAUSEN, Café Au Lait, Porto, 10 de Novembro de 2017

A atracção pela capital portuguesa para desfrutar da vida e do infindável sol não é só para grandes celebridades. Não que o dinamarquês Casper Clausen seja um desconhecido pois a fama longínqua dos Efterklang ou a mais recente experiência Liima têm na sua inconfundível voz um toque de muita classe, mas a sua estadia em Olho de Boi, Almada, nos últimos tempos tem servido para se distender a solo na composição de novas canções e sonoridades sob a capa de um tal Captain Casablanca. A ideia de trazer gratuitamente até ao Porto os primeiros resultados de tamanha aventura teve estreia num Café Au Lait cheio e pronto a sorver a partilha, um serão bem disposto e informal e onde Clausen confirmou a sua larga experiência no contacto próximo com o público e no meio do qual, microfone na mão, foi apresentando as boas novidades de teor essencialmente electrónico, tudo culminado numa agitada pista de dança. Prometedor! A tal partilha repete-se amanhã pela baixa...





quinta-feira, 9 de novembro de 2017

UAUU #402

UAUU #401

NELS CLINE com ORQUESTRA DE GUIMARÃES, Centro Cultural Vila Flor, 8 de Novembro de 2017

A abertura da 26ª edição do Guimarães Jazz contou este ano com um espectáculo inédito entre nós. O magistral guitarrista Nels Cline trouxe parte do seu quinteto a que se juntou o guitarrista português Eurico Costa e a Orquestra de Guimarães para a reprodução parcial e ao vivo do álbum "Lovers". Ao comando esteve o maestro, mas também trompetista, Michael Leonhart e o serão foi uma lição calma e quase hipnotizante de variação musical sem data nem validade, um efeito que o referido disco contempla e que, a partir da apresentação de ontem, faz ainda mais sentido e explica a atenção, por exemplo, da ecléctica "Blue Note". Não houve, obviamente, deambulações rockeiras nem sucessivas trocas de guitarras como nos habituamos a ver nos concertos dos Wilco mas Cline, mesmo sentado e espartilhado pelas pautas, demonstrou toda a sua mestria e destreza. Bons exemplos, entre outros, foram "Snare Girl" dos Sonic Youth ou o inebriante "Lady Gabor" do húngaro Gabor Szabo, peças que parecem aleatórias na escolha mas que confirmam um free-spirit talentoso só ao alcance de alguns predestinados. Um excelente concerto, que nos obriga, como se deseja, a matutar sobre o que é isso do jazz, do rock ou da improvisação e que foi o ponto de partida certeiro de quase quinze dias que se adivinham de grandes transversalidades sonoras no ano em que se comemoram cem anos sobre a gravação do primeiro registo dito jazzistico!         

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

BADBADNOTGOOD & SAM HERRING, E VÃO TRÊS!














A parceria entre os miúdos BADBADNOTGOOD com Sam Herring dos Future Islands parece ser um filão infindável. Há agora uma nova "pepita" de nome "I Don't Know" com uma orquestração tão old-school que tem tanto de clássico como de glamoroso e que nos faz suspirar por um álbum inteirinho que, no fundo, prolongue o efeito. Aqui ficam as colaborações conhecidas... para já!   





KAMASI WASHINGTON, GRANDE!















Embora não parecendo, os trinta e seis anos do saxofonista norte-americano Kamasi Washington são desde 2015, com o primeiro álbum "Epic", uma garantia de maturidade e arrojo. O jazz bem lhe pode agradecer pelo retorno carimbado do chamado "cool jazz" que atinge no novo EP "Harmony of Difference", editado pela The Young Turks em Setembro passado, um destaque e uma dependência que, nosso caso, se tornou viciante - o disco, que em vinil já virou raridade, é um portento de géneros que vai da bossa nova ao funk orquestral ou quase kitch, sempre, mas mesmo sempre, sedutor e apaixonante. As seis peças foram pensadas e compostas como uma instalação multimédia destinada à bienal do Museu Whitney de Nova Iorque, tendo a parte principal de nome "Truth" recebido a colaboração fílmica do catalão A. G. Rojas. Um hino à tal harmonia da diferença mas, acima de tudo, à paz. Grande!


sábado, 4 de novembro de 2017

TOPS, Maus Hábitos, Porto, 3 de Novembro de 2017

O tão esperado serão super-pop a cargo dos TOPS teve ontem confirmação efusiva. Em pouco mais de uma hora de grandes canções, a banda mais que rodada e bem disposta conduziu o plateia numa viagem por temas dos três álbuns até agora lançados, um compêndio assinalável de perfeição sonora que atinge no último "Sugar At the Gate" um nível sublime. O alinhamento deu-lhe primazia óbvia mas faltou, no entanto, uma das nossas perdições chamada "Seconds Erased", lacuna que talvez se possa explicar por ser dos poucos temas que não tem na guitarra a trave mestra da sua composição. Essa prioridade exagerada foi, aliás, dos poucos reparos que podemos apontar ao concerto, não deixando respirar melhor quer o baixo quer mesmo os teclados, o que não belisca, de todo, o assinalável resultado final. A simpatia dos canadianos espelhados na voz e beleza da vocalista Jane Penny ficará, por muito tempo, bem gravado na memória de todos e teve na grande versão de "Brass in Pocket" dos Pretenders a cereja em cima, ou seja, no top do bolo delicioso!







Antes, houve ainda tempo para cerca de quinze minutos de aquecimento onde Jackson MacIntosh, o baixista da banda, estreou quatro temas do álbum a solo que chegará em Janeiro e que contou em palco com a ajuda de alguns dos parceiros. Há por aqui talento de sobra que podem desde já começar a descobrir, basta só experimentar este pedacinho... 

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

UAUU #400

BOWIE, UM MUNDO MODERNO!

































Estas maravilhosas fotografias foram obtidas por Denis O'Regan em 1983, ano em que David Bowie realizou a sua mais bem sucedida digressão mundial, a "Serious Moonlight Tour". Ao longo de nove meses realizaram-se noventa e nove concertos em sessenta cidades diferentes de quinze países e foram vendidos mais de dois milhões e seiscentos mil bilhetes. Em Maio de 2018 será publicado um livro de edição limitada com uma selecção destas icónicas imagens aprovadas oficialmente e que receberá o nome de "Ricochet": David Bowie 1983". Com a chancela da Penguin Random House, casa que recentemente lançou uma biografia do artista a cargo de Dylan Jones, haverá uma edição exclusiva de grande formato com o preço insano de três mil libras esterlinas! Neste nosso mundo moderno, quem se chega à frente?

JAPANESE BREAKFAST DE SECRETÁRIA!

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

JOHN MAUS, Maus Hábitos, Porto, 31 de Outubro de 2017

A aparente estreia de John Maus no Porto (ok, fica a dúvida de anteriores passagens como músico do amigo Ariel Pink ou até com os Panda Bear) teve, como seria previsível, lotação esgotada. Sem conversas ou pausas, a catadupa de canções rapidamente pôs a plateia a mexer e o suor a correr, muito por culpa do forte baixo a cargo do mano Joe Maus, de um teclado gingão, da bateria certeira e da voz singular de John Maus, braços no ar incentivando ao motim. A resposta não foi das mais agitadas, mas notou-se o agrado do público perante o momento e pela proximidade proporcionada, talvez uma última oportunidade de ver o artista tão de perto antes de voos maiores que se adivinham e que, a confirmarem-se, serão inteiramente merecidos. Um concerto na hora Maus e no sítio Maus certos e onde, entre novas e velhas canções, se confirmou a força e futurismo de uma receita que contêm as doses adequadas de tradição pop e ambição sonora. Valeu!