quinta-feira, 15 de março de 2018

SONDRE LERCHE, FINALMENTE SOZINHO!





















Passaram já treze anos desde a passagem de Sondre Lerche a solo pelo já mítico Festival Para Gente Sentada de Santa Maria da Feira, uma segunda edição onde também se estrearam em Portugal nomes como Damien Jurado ou Patrick Wolf. O serão ficou-nos sempre na memória pela destreza e savoir faire com que o norueguês enfrentou simplesmente com a guitarra eléctrica a apresentação das canções do agora clássico disco "Two Way Monologue", usando e abusando do humor e sarcasmo para disfarçar algum cansaço mais que notório causado pelas sessões de gravação em que estava nessa altura envolvido e que dariam origem ao disco de jazz "Dupper Sessions" no ano seguinte. Nesse tom semi-acústico ou parecido nunca mais lhe pusemos as vistas os ouvidos em cima e depois de emigrar em 2005 para os E.U.A. onde se dedicou a registar discos pop ou bandas sonoras, atingiu um pico criativo o ano passado com um grande álbum pleno de grandes e luxuriantes canções que recebeu o simples nome de "Pleasure". Pois bem, no Dia dos Namorados do mês passado passou a estar disponível uma versão acústica de todas esses temas que são um regresso às origens saboroso e a fazer lembrar a noite longínqua do Cine-Teatro António Lamoso...



quarta-feira, 14 de março de 2018

JONATHAN WILSON EM GRANDE!

O que faz a Bedouine num clip retro do Jonathan Wilson? E as Lucius lá trás nos coros? Apesar de serem bons sinais, isso agora não interessa para nada atendendo ao calibre da canção, do disco e do artista. Grande!

(RE)VISTO #69





















BETTY DAVIS: LA REINE DU FUNK
de Phil Cox, França, Canal Arte, Março de 2018
A história da mítica Betty Davis é ainda hoje um enigma obscuro. O seu desaparecimento após gravar vários álbuns de puro funk plenos de raiva e revolta é o resultado aparente de uma vida de alvoroço e obstinação que ganhou contornos depressivos após a relação com Miles Davis com quem tinha casado em 1968. A sua influência na música do marido é bem notória durante o chamado período eléctrico (1968-1975) da carreira do trompetista, marcando alterações na sua personalidade e até da sua forma de vestir, uma relação curta e tempestuosa mas que incluiu a produção e colaboração em discos impressionantes. A fama, essa já ninguém a podia apagar mercê das arrojadas e provocadoras actuações ao vivo, das canções sedutoras e irresistíveis e uma atitude de confronto impagável que escondia um desespero diluído em muitos fantasmas e negritudes.
Realizar um documentário sobre este percurso na procura de respostas é, sem dúvida, uma tarefa arrojada que o canal Arte, sempre atento, suportou sem receios mas que deixa algum travo a desilusão. Como primeira abordagem com o aparente beneplácito da própria artista, o documento é, mesmo assim, curioso e interessante apesar de um lirismo a mais que não retira mérito ao esforço. Seja como for, recomendável. (disponível em streaming directo até dia 5 de Abril).

segunda-feira, 12 de março de 2018

3X20 MARÇO













LES FILLES DE ILLIGHADAD, Auditório de Espinho, 10 de Março de 2018

Há por vezes concertos que não precisam de muitas palavras. O simples acomodar-nos numa cadeira pode ser o princípio de uma viagem de que não custa nada levantar voo, planar e aterrar bem acordados. A "agência de viagens" com sede no Níger chama-se Les Filles de Illighadad e tem ao comando três primas que se apaixonaram pela música, pelas guitarras e decidiram partilhar o seu sonho com uns sortudos como todos os que compareceram em Espinho. Obrigado pela jornada e pela magnífica hipnoterapia!








domingo, 11 de março de 2018

DEAD SEA + SLOWDIVE, Hard Club, Porto, 9 de Março de 2018

E à terceira foi de vez! Depois de falharmos a primeira oportunidade em 2014 no Primavera portuense, depois de uma segunda investida à distância mas, mesmo assim, saborosa em Coura no ano seguinte, chegou o dia merecido para os Slowdive nos mostrarem o que ainda valem em nome próprio com um recinto e palco apropriados e, importante, a reunião sagrada de muitos fãs portuenses. Não será difícil concluir que a banda valeu ouro em cada uma das canções apresentadas, um alinhamento rodado, oleado e sem falhas que cresce e floresce entre clássicos e novos temas do grande disco de 2017 que encaixam na medida certa nos novos tempos de reinvenção e modernidade. Sem truques, sem floreados, os Slowdive seduzem pela insistência num estilo lendário de extremo bom gosto e beleza que alcançou um subliminar êxtase com a clássica a inimitável versão de "Golden Gair" de Syd Barrett mesmo antes do encore. Poderoso!

(+ videos no Canal Eléctrico)









Antes, apresentaram-se os franceses Dead Sea, um aquecimento que se mostrou do agrado da maioria já instalada e atenta num estilo apelidado de "turbo chillwave" eficaz na animação e agitação sempre difícil de concretizar para qualquer banda de abertura. A descobrir!   

quinta-feira, 8 de março de 2018

KING KRULE, GRANDE PASSO PARA A HUMANIDADE!

Um pequeno passo para o homem King Krule mas um grande passo para a humanidade dos discos ao vivo - o primeiro registado em solo lunar. Tá bem tá... Houston, temos um problema!

ROY AYRES DE SECRETÁRIA!

LUCY DACUS, UMA FORÇA DE MULHER!





















O Dia da Mulher que hoje se comemora talvez encontre na jovem norte-americana Lucy Dacus um bom exemplo de dedicação, persistência e talento a ter em atenção. O segundo trabalho "Historian" editado pela Matador esta semana é, sem dúvida, uma força da natureza equilibrada e consistente bem ao jeito de Sharon Van Etten ou até Cat Power e que vai, merecidamente, fazer furor e alguns knockouts em versão ao vivo. A história e entrevista que o New York Times publicou no mês passado foi, talvez, o disparar definitivo de um rastilho imparável que teve na canção "I Don't Wanna Be Funny" do primeiro álbum a faísca causadora de um fenómeno artístico pleno de potencialidades inatas e adquiridas.



quarta-feira, 7 de março de 2018

VON TEESE E TELLIER, A VIDA É UM JOGO!





















Juntar a glamorosa Dita Von Teese a Sébastian Tellier parece uma jogada perigosa e arriscada mas o irrequieto compositor francês sempre soube como "calcar o risco" artístico de forma a deixar marcas fortes. Elas são bem notórias no álbum que escreveu e compôs na totalidade para a artista americana, dez canções sedutoras e acetinadas bem ao seu jeito que a Record Makers editou recentemente e que recebeu o nome da pin-up, ele próprio um cartão de visita mais que sedutor! Só nos resta entrar no jogo...





UAAU #421

terça-feira, 6 de março de 2018

LISA HANNIGAN RUMA A NORTE!















Como noticiado a semana passada, a irlandesa Lisa Hannigan tem dois concertos marcados para o norte do país em dois locais a descobrir em Fafe (Teatro Cinema, sexta-feira, dia 4 de Maio) e Chaves (Auditório do Centro Cultural, sábado, dia 5 de Maio). É o regresso depois da passagem pelo Alive em 2012 e uma óptima oportunidade para testar a três dimensões as canções do magnífico disco de 2016 chamado "At Swim". Aqui fica uma excelente dose tripla...






PIANO DAY, E O PORTO?












Como já é tradição, o 88º dia do ano (tantos como as teclas do instrumento) serve como marca para a comemoração do Dia do Piano, uma ideia inspiradora do alemão Nils Frahm. A quarta edição decorre já no próximo dia 29 de Março, quinta-feira, e entre os muitos eventos agendados por essa Europa fora não há, por agora, nenhum no Porto ou arredores ao contrario de Coimbra que, muito bem, terá Tiago Sousa. Anyone, anywhere?

PERRY BLAKE, ESPERANDO!

Os contratempos na promoção e edição do seu último álbum, trabalho já com cinco anos, leva-nos a especular que o novo disco de Perry Blake, que devia estar por agora disponível, não têm ainda título ou data certa para aparecer. Aparentemente em fase de mistura, ficamos pelo single "Diamonds In The Sun" lançado em Outubro passado acompanhado por uma versão de Billy Idol, nem mais! Resta-nos esperar... 


segunda-feira, 5 de março de 2018

domingo, 4 de março de 2018

COURTNEY E VILE & Cª, MARAVILHA!

Uma cidade, um teatro, dois músicos, um grupo de persistentes habitantes, a amizade e... a música. Grande documento!

JONATHAN WILSON, UM LUXO!

Acabamos agora de ouvir o novo álbum de Jonathan Wilson, para aí a décima vez desde sexta-feira! Conhecíamos a poção de muitos dos seus encantamentos, já a testamos ao vivo com efeitos mágicos, mas este regresso ao fim de cinco anos com o disco "Rare Birds" é um ainda de um nível mais avassalador. Wilson fala num acto de amor e diz-se orgulhoso de cada canção, de cada palavra e de cada som e não é coisa para menos - há por aqui um traço cintilante de tradição pop que bebe do caldeirão dos Beatles, dos incontornáveis ELO de Jeff Lyne ou na subtileza dos Fleetwood Mac mas com uma intuição sonora que nos deixa rendidos e a pedir, sempre, a repetição. Um dos discos companheiros do ano já cá canta e, de certeza, um luxo sem idade para ouvir muitas vezes de princípio ao fim sem contemplações ou freio! 

quinta-feira, 1 de março de 2018

SIVU, SEMPRE CATIVANTE!


















Na senda de uma notável e merecida ascensão, o britânico James Page aka Sivu pôs cá fora "The Unfruitful Love", um EP com duas novas versões de "Sweet Sweet Silent", tema título do magnífico álbum do ano passado a que acrescentou o inédito de alto calibre "Four Leaf Clover Love" composto durante um período conturbado que ainda vive na gestão do síndrome de Ménière, um incómodo problema na audição nada fácil para quem vive da música. Aqui fica esse inédito toque de classe e a canção "Kin and Chrome" com direito a novo video a preceito.




quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

UAUU #420

ERLAND OYE, ACÚSTICO EM GUIMARÃES!

Enquanto continuam as dúvidas sobre se os King of Convenience vão ou não editar um novo disco - já lá vão dois anos de avanços e recuos - o melhor será comparecer ao concerto de Erland Oye no C. C. Vila Flor de Guimarães no próximo dia 19 de Maio, uma noite inédita que se adivinha bem disposta e memorável. Já há bilhetes. Grande, grande...


terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

HOUSE OF WOLVES, E O DICKSON?

Soube-se hoje que os House of Wolves, recomendável projecto do californiano Rey Villalobos, tem concerto marcado para os Maus Hábitos já no próximo dia 6 de Abril, sexta-feira. Atendendo a que ultimamente o palco tem sido partilhado nalgumas ocasiões com o mágico Gareth Dickson e atendendo ainda a que partilham a mesma editora, a francesa Discolexique, vamos ter um serão portuense de dose dupla?  



BJORK, UM PROBLEMA NORTENHO?















Bjork, Coliseu de Lisboa, 25 de Junho de 1996 = adiado para 2 de Julho de 1996 / 
Bjork, Hype Meco, Sesimbra, 5 de de Julho de 2003 = 
Bjork, Sudoeste, Zambujeira do Mar, 2008 = 
Bjork, Primavera Sound Porto, 9 de Junho de 2012 = cancelado / inflamação dos nódulos vocais
Bjork, Paredes de Coura, 18 de Agosto de 2018 = cancelado / razões logísticas

Será o frio utópico?


NICK DRAKE, GRANDES VERSÕES!

Como foi já por aqui anunciado, o número de Março da revista Mojo dedicado a Nick Drake é acompanhado de um cd com versões do mestre, umas melhores, outras menores e ainda algumas que são verdadeiras maravilhas. Escolhemos três perfeitas para a chuvinha do dia de hoje... 







Já agora e no mesmo âmbito, aqui deixamos mais duas rendições antigas mas verdadeiramente sublimes. 



domingo, 25 de fevereiro de 2018

TWIN SHADOW, BENEFÍCIO DA DÚVIDA!

O lamentável eclipse artístico de Twin Shadow com o álbum de 2015 parece, aparentemente, ultrapassado ao ouvir duas das novas canções de um regresso anunciado para o final de Abril. O novo disco baptizado de "Caer" emerge, segundo o próprio, em tempos de séria desumanização da sociedade e, sendo assim, pretende-se marcar uma nova fase de ruptura que conta até com a ajuda das irmãs Haim. A parceria surge em "Saturdays" e, apesar de pouco notada, é uma cortesia de retribuição já que Shadow tinha já escrito três canções para as manas californianas mas, mesmo assim, os novos temas não são nada surpreendentes. Pode ser que seja só um feeling, às tantas o eclipse vai voltar...



sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

ELEANOR FRIEDBERGER, DISCO E CONCERTO!

O regresso de Eleanor Friedberger aos discos acontece já em Maio com "Rebound", uma sonoridade cosy nas palavras do The Guardian, classificação que o primeiro single parece confirmar e que teve inspiração na temporada que a artista passou na Grécia em 2016 bem visível na capa, sendo o nome do novo trabalho o mesmo de uma discoteca ateniense dedicada aos góticos anos 80... hummm acho que já lá estivemos! Antes, a 7 de Abril, sábado, a menina dos The Fiery Furnaces passa a solo pelo Auditório de Espinho. Cool, já estávamos com saudades!

UAUU #419

CHILLY GONZALES, CADERNETA COMPLETA!





















A corrente edição do Festival de Cinema de Berlim foi a oportunidade perfeita para a estreia mundial de um documento biográfico sobre as muitas vidas de Chilly Gonzales, o verdadeiro artista! Intitulado "Shut Up And Play The Piano", nome de um tema quase auto-biográfico do seu disco "The Unspeakable Chilly Gonzales" de 2011, o filme tem aparições amistosas de longa data como as de Leslie Feist, Jarvis Cocker ou Peaches que testemunham as virtudes multifacetadas deste virtuoso pianista mas também comediante, produtor, cantor, wathever. Aproveitando muitas das imagens que o próprio guardou em arquivo, o argumento percorre uma intensa jornada em carrocel dos últimos quinze anos, suficientes para preencher uma caderneta completa e variada de cromos que vai do rap às grandes orquestras a que se acrescentam uma série de episódios fictícios imaginados por Gonzales e concretizados pelo realizador Philipp Jedicke. Prometedor e, para já, merecedor de todos os elogios - uma pequena apresentação pode ser vista no site do festival. Aqui deixamos outro festival...
 

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

THE DIVINE COMEDY PARA MATAR SAUDADES!





















Ao fim de dois anos de digressão para promover esse já clássico chamado "Foreverland", Neil Hannon / The Divine Comedy oferece agora aos que se encantaram, como nós, com a sua majestosa actuação, bem como a todos os muitos fãs, um álbum ao vivo que resume o alinhamento então apresentado, um misto de humor e classe que só ele sabe fazer. Captado em diversos locais da Europa, ao ouvir "Loose Canon" é impossível não sermos imediatamente transportados para as memórias do serão notável de Fevereiro do ano passado e esperar que ele se repita seja como for. Ah, uma das grandes surpresas é a versão de "At The Indie Disco" que quando chega ao verso "as the start of Blue Monday" avança efectivamente para uma versão poderosa do clássico beat dos New Order, assim...

PROTOMARTYR EM COURA, UMA DEDUÇÃO?

A irresistibilidade dos norte-americanos Protomartyr é, por aqui, imediata. Com concerto marcado para Lisboa no próximo dia 12 de Abril e sem data no Porto, apesar da folga da agenda, às tantas o destino a norte será mesmo Paredes de Coura. Por essa altura (15 a 18 de Agosto) a banda está na Europa (a 16 tocam na Holanda) e seria muito bom fortalecer ainda mais o cartaz. Right?



 

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #21





















Ao assistir ao video psicadélico que acompanha o novo single dos Beach House a dúvida foi instantânea. Aonde é que já vimos este grafismo? Depois de alguma procura, lá encontramos mais um dos pequenos envelopes de papel à moda antiga com um dos lados com o tal quadriculado a preto-e-branco semelhante ao que o video evidencia e que no verso apresenta a marca da Casa Ricardo Lemos da Rua Formosa, muito perto do cruzamento com Santa Catarina, hoje um negócio de pronto-a-vestir e acessórios. Vendia, aparentemente, só discos em pleno início dos anos 70 atendendo a que o número de telefone impresso não apresenta o indicativo geográfico (22) introduzido no final dessa década. O pequeno disco que estava no interior confirma a época - uma edição brasileira do hino oficial "Prá Frente Brasil" e a glorificação sonhada do país como potencia futebolística em 1970 que se viria a confirmar com a conquista do tri-campeonato na Cidade no México a que se acrescenta outro tema, no lado b, sobre a primeira vitória datada de 1958 e uma equipa mítica de Garrincha, Vavá, Mazolla e... Pelé!

Casa Ricardo Lemos, Rua Formosa, 265, Porto
Casa Ricardo Lemos, Rua Formosa, 265, Porto

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

UAUU #417

CID, HAJA CORAÇÕES!

























Isto sim é uma capa potente para embrulhar o novo álbum "Clube dos Corações Solitários" do tio Cid. Bora lá identificar! Cada um de nós pode fazer parte do cenário no espaço em branco... genial, mas, oh lá, falta o Salvador Sobral! Um dos novos temas chama-se "The Fab 4" e é uma versão moderna de "Ode To The Beatles", magistral original do Quarteto 1111 de 1971. Para a semana há apresentação ao vivo e a cores. Haja corações...

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

FONOTECA DE VINIL, HELLO?















Para além desta ou esta notícia com mais de meio ano, alguém sabe mais alguma coisa da esperada Fonoteca Municipal de Vinil?


BEACH HOUSE, AMOR DE LIMÃO!

Certamente a pensar no carinho de muitos dos aficionados, foi preciso esperar pelo Dia dos Namorados para que os Beach House nos preparassem uma surpresa amorosa - nova canção, novo disco!

domingo, 11 de fevereiro de 2018

NADINE KHOURI + ADRIAN CROWLEY, Passos Manuel, Porto, 9 de Fevereiro de 2018

Aquando da estreia de Nadine Khouri há precisamente um ano em formato trio no outro lado da rua portuense acabamos surpreendidos com a intensidade e maturidade do conjunto de temas do disco "The Salted Air", cartão de visita primordial desse serão. O regresso a solo na sexta-feira acabou por manter a fasquia de qualidade então notada mas, seja pela penumbra seja pela acústica assinalável da sala, a curta apresentação da simpática libanesa acabou por carimbar com fascínio a nossa paixão por uma artista que faz da ternura sonora um gostoso sismo emocional!

(13/02/2018 - videos removidos a pedido da artista)





O irlandês Adrian Crowley andou anos no nosso primeiro iPod aquando do álbum "Long System Swimmer" mas depois, como muitos outros, passou a engrossar o rol do esquecimento perante a velocidade do tempo... O magnífico disco do ano passado "Dark Eyed Messenger" que recebeu o toque de classe de Thomas Bartlett /Doveman permitiu a redescoberta que, felizmente, tantas vezes acontece a que se juntou um coincidente regresso a Portugal para a sua apresentação. Em boa hora! Concerto de tensão macia que uma voz a la Bill Callahan rapidamente conquistou os presentes e de que são bons exemplos de inspiração a versão de "Ocean" dos Velvet Underground, o trepidante poema de Yeats acappella ou muito coheniano "And So Goes The Night", grande tema do disco do ano passado. Tempo ainda para um dueto esperado com Khouri e a enorme canção/história "Unhappy Seamstress" que coube no único encore e aquele som da máquina de costura que uma pequena caixa de realejo ajudou a perdurar na escuridão. Anuncia-se um regresso, como convêm!   







sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

LIIMA, DOSE TRIPLA AO VIVO















O projecto Liima, aventura paralela dos dinamarqueses Efterklang ao lado do baterista Tatu Ronkko iniciado há dois anos, editou em 2017 o magnífico segundo disco "1982". Agora que Casper Clausen é (quase) nosso conterrâneo e depois da visita não presenciada a Viseu no Festival Jardins Efémeros de 2016, anuncia-se uma dose tripla de concertos para Março: quarta, 21, em Lisboa (ZDBois), quinta, 22, em Guimarães (CCVFlor) e sábado, 24, nos Açores no âmbito do Festival Tremor. Seja onde for, imperdível, nem que seja só para ouvir uma única maravilha: "My Mind Is Yours"!




quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

PRIMAVERA SOUND PORTO: AMANHÃ ANDA À RODA!














Amanhã, dia 8 de Fevereiro, anda à roda o euromilhões dos concertos do próximo Primavera Sound portuense. Para além dos Shellac que são banda residente e exceptuando o Nick Cave e as Breeders que parecem já confirmados, a nossa aposta simples é esta:
5 números: The War On Drugs, Grizzly Bear, Panda Bear, Ariel Pink, Thundercat;
2 estrelas: Rhye, Public Service Broadcasting.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

UAUU #415

SUSANNA, REGRESSO ÀS VERSÕES!





















A voz mágica da norueguesa Susanna Wallmurod chegou-nos há mais de onze anos disfarçada num disco chamado "Melody Mountain" na companhia de uma tal Magical Orchestra, um conjunto de dez notáveis versões e que chegou a ter a devida apresentação ao vivo num serão memorável! Entre discos de originais, a artista não tem resistido a pegar em clássicos para lhes conferir o seu toque de classe como se nota na parceria de 2011 com a harpista Giovanna Pessi ou no EP de 2015 com mais cinco bons exemplos. Chega agora outra dose de respeito - o álbum "Go Dig My Grave" que sai na sexta-feira contempla uma dezena de covers com acento, desta vez, numa série mais obscura de tradicionais e da folk, havendo, no entanto, clássicos de Lou Reed ("Perfect Day"), Joy Divison ("Wilderness") e James Shelton ("Lilac Wine") e até um poema de Baudelaire ("Invitation to the Voyage") musicado pela própria. A ajudar Susanna na rendição está a referida Giovanna Pessi, a acordeonista Ida Hidle e a violinista Tuva Syvertsen, um quarteto que seria bom comprovar ao vivo num qualquer palco pelas redondezas...







sábado, 3 de fevereiro de 2018

SEREIAS + WAND, Hard Club, Porto, 2 de Fevereiro de 2018

O primeiro concerto do ano aqui para a casa teve ontem dose dupla saborosa. De entrada, a surpresa quase surreal dos Sereias, um colectivo que exerce uma sonoridade densa, a roçar a anarquia instrumental de faceta punk e laivos free-jazz que vai dando (dis)forma às palavras do poeta António Pedro Ribeiro. "Primeiro Ministro", "Rua", "Loucura" ou "Putas da TV" são alguns dos exemplos de agitação poética de choque que não podem deixar ninguém indiferente e que não permite meio-termos. Ou se ouve de bom grado e se dá atenção, o que foi o caso, ou o melhor é mesmo virar costas a este "Poeta Negro" como ficou bem vincado nas palavras ditas no final da perfomance. Um sobressalto!



Aquando da visita dos Wand à Invicta durante o Primavera passado, ficamos com um pequeno amargo de boca com os míseros quinze minutos finais, ou nem isso, do concerto dos californianos em pleno palco arborizado. Agora que o regresso se fazia em nome próprio não havia desculpa para que falta não fosse colmatada e em boa hora (mesmo em cima do joelho...) acabamos na sala mais pequena do clube portuense bem composto e expectante para a apresentação do novo disco "Plum". Confirmou-se a variedade cromática das canções novas, um pouco mais pop que o habitual, mas já bem conhecidas da maioria a que se juntaram algumas peças mais antigas obrigatórias como "Bee Karma", já um clássico psico-rock, "Floating Head" ou "Fire On The Mountain" tocado já quase de luzes acesas num encore estranho já depois de desligados os amplificadores! Confirmou-se ainda a fluidez e entrosamento do conjunto, a faceta front-man impagável de Cory Hanson e a estranheza linda de uma banda que pode e deve ser rotulada de puro indie rock sem contaminações. Recomendável, muito!







sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

FIELD MUSIC, GÉNIO À SOLTA!

Seja qual for a data, cada dia que os Field Music editam um álbum de originais é sempre um momento de celebração. Esse dia é hoje! Chama-se "Open Here" mais uma dose de inquietude sonora onde parece valer tudo, ou seja, um art-rock ora pomposo ora naif sem preocupações estéticas de fachada, sim, porque aqui não há subtilezas ou armadilhas mas sim um génio sem rédea cada vez mais raro nos dias de hoje. Os manos Peter e David Brewis demoram sempre o seu tempo a experimentar a táctica com o mundo pós-Brexit a ser, desta vez, motivo de reflexão e inspiração, mas o resultado continua brilhante e sedutor mesmo que para alguns cépticos a "coisa" soe estranha e desconfiante. A prescrição passa, obviamente, por muitas audições atentas que vão ajudar a dispersar o desconforto e, já agora, um qualquer palco nocturno que os receba condigna e superiormente como merecem para que a conversão se concretize sem mais demoras. Haja fé... na música criativa!




quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

CORNELIUS, BOA ONDA!

O japonês Keigo Oyamada aka Cornelius já foi comparado a Beck ou aos Beach Boys em versão asiática mas, tirando os exageros, o músico, produtor e compositor tem talento confirmado e uma série de virtudes pop que facilmente se notam em qualquer das suas talentosas canções. Depois de uma ausência de onze anos, Cornelius editou no Verão passado o álbum "Mellow Waves", um conjunto de temas cantados em japonês que viciam a cada audição e que ganham ainda um maior lustre sempre que um novo video emerge da selva digital. Espreitem só estes espantosos pedacinhos boa onda!







WILCO, UM MUNDO NA RÁDIO!





















Amanhã os Wilco inventam uma rádio só para eles com a transmissão de dez horas de emissão exclusivamente sobre o seu mundo o que é invariavelmente sinónimo de fascínio: entrevistas, versões, conversas, confissões e muitas canções e actuações ao vivo, tudo a propósito da reedição dos dois primeiros álbuns "A.M" (1995) e "Being There" (1996). A partir das 4 da tarde a sintonia com repetição em loop até Domingo faz-se obrigatoriamente aqui!

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

THE INNOCENCE MISSION, BENDITO INVERNO!




















A voz cintilante de Karen Peris que brilha no tema "The Places We've Been" dos Lost Horizons deu-nos esperança que os The Innocence Mission preparavam o regresso... Confirmado e prometido, assim, está um novo álbum para a Primavera que foi recentemente antecipado por um EP de tonalidades de Inverno com quatro canções, uma delas a incluir no futuro disco. Os restantes são exclusivos como uma regravação de "Snow" e este "The Snow On Pi Day", maravilha que dá nome ao regresso abençoado. 

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

UAUU #414

FAMÍLIA VELOSO, UMA DÁDIVA!















Já chegado aos setenta e cinco anos e depois de cantar para os três filhos diversas melodias de embalar ao longo dos tempos, faltava, certamente, a Caetano Veloso reunir Moreno, Tom e Zeca para escrever canções e gravar um disco a editar este ano com o nome de "Ofertório". Aproveitando o embalo, em Outubro passado começou pelo Brasil uma tournée que teve na noite do Theatro Net de São Paulo a oportunidade para o registo de um DVD que acompanhará o álbum. Hoje foi oficialmente lançado o primeiro single do registo chamado "Todo o Homem", uma canção escrita por Zeca que se estreia, assim, na composição e que na versão ao vivo conta já com mais de um milhão de escutas num mês e meio. Grande surpresa este caçula! Vamos ficar à espera de muitas outras...

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

NICK DRAKE 70!





















No ano em que faria 70 primaveras, a revista Mojo antecipa o aniversário (19 de Junho) e dedica o número de Março a Nick Drake e à magia das suas canções, prometendo desvendar alguns segredos (ainda?) escondidos através de testemunhos de músicos e amigos. Há também um cd chamado "Green Leaves" com catorze versões, umas novas como as cargo de Vashti Bunyan ao lado de Gareth Dickson, Bridget St. John, Joan Shelley, Bill Ryder Jones ou Field Music, outras já conhecidas como esta de Lisa Hannigan com os amigos Luluc. Compra e leitura obrigatórias!

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

DOIS GRANDES DISCOS = DOIS GRANDES CONCERTOS

Sem manias das grandezas e com grandes discos editados em 2017, as norte-americanas Haley Fohr aka Circuit Des Yeux e a lindíssima Julie Byrne apresentam-se ao vivo em recintos ideais e adequados como o Auditório de Espinho (Circuit des Yeux, 28 de Abril) e o GNRation de Braga (Julie Byrne, 16 de Junho). Já há bilhetes... baratos!



quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

CARLA BRUNI, DOENÇA DA SALA VAZIA?















O cancelamento dos três espectáculos de Carla Bruni agendados para os próximos dias por motivos de doença, para além das dúvidas pairantes - com preços de bilhetes todos acima dos 40€ não há milagres - confirma que alguns promotores ainda medem o mercado dos concertos ao jeito de um mau merceeiro. Que tal espaços mais pequenos (pode ser a nossa sala de estar) e com canções em franciú?


MARK E. SMITH (1957-2018)













A triste notícia do falecimento no dia de hoje de Mark E. Smith, líder dos The Fall, teve um sinal de aviso sério com o cancelamento por motivos de saúde do concerto da banda inglesa no Porto em Novembro passado, então o único em território nacional. Figura carismática de várias facetas sonoras ao longo de quarenta anos, Smith era o membro original do grupo e esteve na origem de um culto continuo de trinta discos sem grandes hits mas com uma legião de fãs verdadeiramente fervorosos como testemunhamos num grande concerto pela Casa da Música em 2009. Peace!

THE LEMON TWIGS DE SECRETÁRIA!

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

IRON & WINE, SAUDADES!

Só para matar saudades... muitas!

MERCURY REV, VINTE ANOS DE SONHO!












Caramba, vinte anos! Em 1998 os Mercury Rev com a ajuda do mago David Friedman editavam um dos discos da nossa vida chamado "Deserter's Songs" e, depois de falhada a presença na estreia na Zambujeira no ano seguinte, lá fomos a correr num sábado a Coimbra (4 de Maio de 2002) para uma quase madrugada de Queima das Fitas que, mesmo com uma série de contratempos, acabou por ser memorável. Claro que os Rev já cá voltaram diversas vezes nos últimos anos (p. ex., Braga em 2015 ou Porto em 2012) mas como se promete uma digressão acústica comemorativa com Grasshoper e Donahue a partir de Abril, cá ficamos uma vez mais a sonhar acordados mas eternamente embalados por esta maravilha...

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

UAUU #413

PORTICO QUARTET, ARTE MODERNA!

Andamos ao colo com os londrinos Portico Quartet aquando das visitas memoráveis ao norte do país já lá vão oito anos! Prometiam e cumpriam ao vivo muito do que podíamos ouvir no disco de então ("Isla"), uma notável abordagem ao jazz onde o hang de Nick Mulvey parecia uma serpente sonora de efeito inebriante. Com a sua saída no ano seguinte para uma carreira a solo a banda aba(na)nou-se e alguma indefinição do então trio estava bem patente no álbum homónimo de 2012 apesar do recrutamento de Keir Wine para substituir Mulvey no tal instrumento que funcionava como uma imagem de marca que importava não perder. Outra vez a três e sob o nome de Portico, a aventura começou então a ganhar desvios inexplicáveis como o disco gravado para a Ninja Tunes em 2014 onde colaborava Joe Newman dos Alt-J, um tiro nos pés de teor electrónico desenxabido que acabou por diluir o hipnotismo e a consistência do som original e levou ao compreensivo afastamento de muitos dos fãs exigentes. O ano passado, recuperados das mazelas e frustrações, deu-se o regresso às origens com a readmissão de Wine no hang e um trabalho brilhante de nome "Art In The Age Of Automation", alegoria bem vincada na imagem da capa e no conteúdo sonoro incluído que pode ser parcialmente desfrutado abaixo numa sessão para a Red Bull mas que merecia uma apresentação ao vivo por perto que se afigura urgente e obrigatória. Alguém se chega à frente?


sábado, 20 de janeiro de 2018

S. CAREY, UM TREMOR ANUNCIADO!

Temos andado bastante atentos ao que anda a fazer o rapaz S. Carey, conhecido por ser o baterista de Bon Iver mas já com uma notável carreira quer em nome próprio quer em inúmeras colaborações. Um bom exemplo é a canção "Brassy Sun" lançada em Agosto passado como um single que parecia adivinhar um novo disco, o quarto por sinal, intercalados por magníficos Ep's. Antes das novidades é melhor ouvir tamanha pepita...



Pois bem, agora que a JagJaguwar anuncia o tal álbum para o final de Fevereiro reparamos que o tema não faz parte do alinhamento de "Hundred Acres", um aparente sacrilégio que rapidamente esquecemos a partir do momento em que deitamos os ouvidos a duas das dez canções inéditas que Sean Carey registou, produziu e misturou no sossego de casa rodeado pela família e com a ajuda de muitos dos amigos de sempre na terra natal, Eau Claire no Wisconsin americano. Promete tremuras, das boas!



sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

GENTILMENTE, COURTNEY MARIE ANDREWS!

A música de Courtney Marie Andrews surgiu-nos, assim, de surpresa há um par de anos na primeira parte de um abençoado concerto de Damien Jurado por Vigo. Gentil, simpática, bonita, voz imaculada a lembrar tempos da folk original, Andrews já nessa altura não era novata nos arrepios que causava e nos discos que são já três sem contar com o que se aproxima. O excelente "Honest Life" de 2016 foi, entretanto, reeditado em Setembro passado através da Fat Possum e que na edição em vinil tem como bonus um single de vinil para o tema "Sea Town". No lado b da rodela há uma maravilha chamada "Near You", mais uma, peça que na Europa se encontra à venda em separado! Quanto a novas canções, aqui fica "May Your Kindness Remain" tema título de um álbum pronto que em Março verá a luz do dia e que servirá de suporte à digressão europeia que se aproxima, quem sabe, da nossa península.




quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

TRACEY THORN, VIDA POP!





















Insistindo no feminino, what else, demos conta hoje que Tracey Thorn dos saudosos Everything But The Girl tem um novo álbum já gravado e pronto a sair no início de Março via Merge Records. Depois de tratar de assuntos sérios como o divórcio ou o desamor no último de originais "Love and Its Opposite" de 2010, depois de nos contar a história da sua juventude artística numa autobiografia mais que recomendável, Tracey parece agora desligar-se de preconceitos e pudores e apresenta-se em versão pop electrónica ao longo de nove canções reunidas sob o simples título de "Record". Nesta nova fase libertadora, que nas suas próprias palavras poderá ser chamada "no fucks given' phase life", tem a ajuda habitual do produtor Ewan Pearson e também das vozes de Shura e Corinne Bailey Rae e ainda, espanto, de toda a secção rítmica das californianas Warpaint! Um disco despretensioso e que, segundo prescrição da própria, se quer ouvido de auscultadores, bem alto, na azáfama e movimento diurno, ou seja e como bem vaticinou o mestre Prince, pop life, everybody needs a thrill... 
   

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

ALELA DIANE, DIAS DE MÃE!





















Os tempos pela América ganham hoje cada vez maiores contornos de imprevisibilidade e incerteza e, por isso mesmo, a decisão de trazer um novo filho ao mundo acarreta uma série de questões de resposta nada fácil. Tal indecisão para Alela Diane foi uma oportunidade para se refugiar sozinha numa pequena casa de uma friorenta floresta de Caldera no Oregon em Janeiro de 2016 onde as canções do novo disco começaram a ganhar a forma apesar de uma queda na neve lhe ter provocado uma fractura de uma unha do polegar e a impossibilidade de compor à guitarra. Um piano esquecido na sala principal acabou, assim, por ser um novo desafio... Entretanto, a gravidez problemática do segundo filho e um parto complicado que a levou quase à morte, tornou o conjunto de temas que fazem parte de "Cusp", álbum a sair já dia 9 de Fevereiro, uma profunda reflexão sonora sobre o que é ser mãe e mulher e, acima tudo, um hino à vida e ao seu infinito dogma. Aqui ficam dois belos contributos para o adensar de tal mistério com a colaboração de amigos como Peter Broderick e a irmã Heather Woods ou músicos de bandas de Joanna Newsom, Neko Case ou Iron & Wine.   




UAUU #412

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

RHYE, SANGUE NOVO!

Cinco anos depois da estreia com essa maravilha chamada "Woman", aproxima-se a edição de um novo disco do duo californiano Rhye intitulado simplesmente "Blood". Os temas inéditos surgiram naturalmente das inúmeros apresentações ao vivo entretanto realizadas e, contrariamente à "bedroom music"do disco de estreia, o destino das novas canções parece ser mesmo o palco e a pura perfomance. O início de Fevereiro marca, assim, o fim de uma longa espera e o sangue novo tem uma edição nada barata em press-test de vinil assinado através da Lomar Vista mas haverá, contudo, muito por escolher para bolsos menos recheados. Segue-se uma digressão que chega à Europa já em Março e com prolongamento até Junho.







Recorda-se que na primavera passada a banda editou um single digital com mais estas duas pérolas que não estarão incluídas no novo trabalho. Depois de duas investidas ao vivo pela capital, cá os esperamos (suspiro) num parque da cidade junto ao mar...



quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

THE UNTHANKS, UM TRANQUILIZANTE!





















Será certamente um sacrilégio só agora prestarmos a devida atenção a mais um maravilhoso disco das The Unthanks mas mais vale tarde... Incluído na série de "desvios" iniciada há alguns anos, o volume quarto de "Diversions" recaiu em 2017 de forma surpreendente nas proto-canções e poemas de Molly Drake, a mãe afortunada de Nick Drake e pela qual Rachel Unthank desde cedo - isto é, desde 2013, altura da revelação surpresa dos seus temas - confessou uma imediata bondade e paixão. A parceria com Gabrielle Drake, a irmã mais velha e tutora do legado do malogrado cantautor, permitiu até transformar simples lembranças de melodias e alguns poemas em verdadeiras canções que não couberam num só álbum, havendo um outro disco companheiro com extras que pode ser adquirido em conjunto directamente no site da banda. Por isso, "The Songs and Poems of Molly Drake" tem de princípio ao fim aquele toque de classe e sedução sem truques que nos habituamos a confirmar nos arranjos de Adrian McNally, opções que teriam certamente a aprovação da própria Molly Drake. No âmbito da passada digressão inglesa para apresentação do projecto foram, entretanto, divulgadas filmagens inéditas da família Drake de que podem espreitar um pouco no video abaixo, uma saborosa e tocante sequência que emociona e, repetidamente, tranquiliza!






quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

SIMONE WHITE, GENUINAMENTE!





















São já muitas as saudades de ver ao vivo a menina Simone White com uma simples guitarra a desfiar pérolas para tripeiros sortudos, um hábito que convinha retomar depois de passagens pelo burgo em 2009 ou 2013. Consciente do efeito e da mossa emocional, a artista decidiu gravar nesse formato algumas canções de álbuns antigos a que juntou três temas inéditos ("Rain" é um deles), tudo reunido num disco ironicamente chamado "Genuine Fake" e cuja edição em vinil está prestes a ser disponibilizada. Os concertos, esses fazem-se agora ao lado de algumas lendas vivas como Andrew Bird ou do impagável Mark Eitzel com quem partilha o palco já na próxima semana em Los Angeles, noite para a qual tem ensaiado bastante com um baterista e contrabaixista. Bastava a guitarra, dizemos nós, mas, seja como for, cá ficamos à espera de nova visita!





Confirmando dotes de irreverência artística sempre conveniente, White regressou recentemente à direcção fílmica de um video, desta vez para o tema "Shattered Moon" do trio californiano Derde Verde incluído no novo EP "Meander Belt" saído o mês passado. Para tomar muita atenção!


PAREDES DE COURA, IT'S TIME!

Rápido à bilheteira...





segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

BOWIE 71, LET'S DANCE!















Os setenta e um anos de David Bowie que se comemoram no dia de hoje têm como prenda oficial uma inédita e interessante versão do clássico "Let's Dance" gravada em 1982 com Nile Rodgers em Montreux. A chamada "demo" foi devidamente parafinada em Novembro passado a pedido do legado oficial do "Camaleão" e a história do tema já foi diversas vezes contada pelo próprio Rodgers que não se cansa de confirmar que a parceria lhe haveria de mudar a vida... e a conta bancária! 



Entretanto, está marcada para daqui a pouco a estreia em televisão, através do canal HBO americano, do documentário "David Bowie: The Last Five Years" dirigido por Francis Whately, uma sequência lógica da prévia biografia de 2013 "Five Years". Aqui fica o trailer.

JENS LEKMAN E ANIKKA NORLIN, CORRESPONDÊNCIA!















Para o sueco Jens Lekman o mês de Janeiro de cada ano é como começar de novo. Em 2016, por exemplo, abraçou o desafio de editar uma canção por semana num projecto cumprido e comprido a que chamou "Postcards", em 2017 escolheu esse mês para o lançamento do magnífico quarto álbum "Life Will See You Now" e em 2018, mantendo a tradição e ao lado da amiga Anikka Norlin, embarca em nova aventura baptizada de "Correspondence". Em tempos de imediatismos e instantâneos comunicacionais, a proposta é apresentar pontos de vista diversos e sem temas obrigatórios em forma de canção, uma por mês, em seis "envelopes" para cada um, o primeiro dos quais a cargo de Lekman já está no destinatário e leva o título de "Who Really Needs Who". Uma amizade crescente, regada da melhor maneira a cada "carta", ups, "canção"!

domingo, 7 de janeiro de 2018

JOSH ROUSE, É O AMOR NA IDADE MODERNA!

O regresso aos discos de Josh Rouse está prometido para este novo ano a que se seguirá uma intensa digressão mundial. Para já, a recolha de fundos e meios continua activa e tenaz, não estando nada fácil gravar e editar novas canções mas atendendo ao proposto a nossa curiosidade e expectativa só pode ser elevada - influenciado pelos escoceses Blue Nile, como confessado, Rouse esquece por agora as guitarras e aposta desta vez nos teclados e samplers, centrando a sua décima segunda investida num género a la Prefab Sprout que tem em "Love In the Modern Age", o single que dá nome ao álbum, um fabuloso exemplo de brilhantismo que só ele poderia fazer...   

sábado, 6 de janeiro de 2018

AVI BUFFALO, ELE ANDA POR AÍ... EXPERIMENTANDO!





















O talento de Avi Zahner-Isenberg que promoveu a aventura pop Avi Buffalo em dois magníficos álbuns deu por auto-terminada a sua aventura em Janeiro de 2015. Notava-se ao longe uma dose imensa de desilusão e tensão com o mundo da música, melhor, com o negócio da música mas Avi prometeu, mesmo assim, não desistir e os concertos e a composição nunca foram totalmente postos de lado. Como manifestado num longo preâmbulo no facebook, a edição de um disco gravado o ano passado e por isso de nome "2017" tem uma imensidão de verdades e consequências, análises e sínteses, adições e subtracções que uma viagem a Nova Iorque em Novembro passado parece ter aclarado. Uma série de sonoridades em regime laboratorial que podem ir experimentando como as que aqui deixamos de nome, preparam-se"A Man On The Plane Who Did Analytics For Hormel Foods And Told Me To Try More Of Their Products To Which I Reminded Myself That He Is Brainwashed"...

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

UAUU #410

NILS FRAHM, A REINVENÇÃO!





















O talentoso Nils Frahm é um insatisfeito. A procura incessante da perfeição logística para captar a sua música levou-o a um edifício histórico dos anos cinquenta junto do rio Spree em Berlim, passando então o local a funcionar como um albergue funcional de nova tecnologia e tradição que incluiu a construção de um orgão de tubos e uma nova mesa de gravação, tudo com a ajuda de alguns amigos. Foi por lá que se registaram os doze temas de um álbum a sair pela magnífica ErasedTapes já no final do mês que recebeu o título de "All Melody" e onde se misturam inéditas sonoridades provenientes de um jogo arriscado de distorções e no qual, sem restrições, os instrumentos foram magistralmente reinventados. Há novas batidas, vozes e orquestrações como nunca ouvimos e que vão muito para além da descoberta, elas são puro deleite... Basta ouvir duas das novas peças registadas numa residência artística londrina de há três anos atrás!