Sem certezas, mas de todas as vezes que Eleanor Friedberger esteve por perto acabamos sempre por comparecer nos seus concertos, seja a estreia por Coimbra em 2011, a passagem pelo Porto em 2013 ou até uma incursão por Vigo no ano seguinte. Nenhum foi mau, nenhum foi arrebatador, sendo o serão na Casa da Música de há cinco anos aquele em que a sua música nos pareceu mais eloquente e festiva muito por culpa de uma banda de suporte de luxo de nome Field Music que permitiu um esplendor pleno das suas composições. A vertente a solo, contudo, sugeriu-nos sempre um esvaziar de parte do fascínio de muitas das grandes canções dos discos e na noite de Espinho a sensação acabou por repetir-se mesmo que algumas sejam novas e a precisar de lubrificação. Para o efeito, um simples iPhone serviu para debitar a base instrumental original de algumas delas a que se sobrepôs a voz de Eleanor, uma receita entretida e solta que serviu certamente para experimentar e testar reacções mas que esteve longe de uma imediata sedução. Uma vez mais, um concerto competente e polido que ainda não fez justiça merecida à qualidade dos álbuns. Mas não vamos desistir!
segunda-feira, 9 de abril de 2018
domingo, 8 de abril de 2018
HOUSE OF WOLVES, Maus Hábitos, Porto, 6 de Abril de 2108
Talvez uma sala ainda mais pequena que a dos Maus Hábitos fosse o ideal...
Talvez um melhor isolamento dos restantes espaços barulhentos fosse o ideal...
Talvez um som mais apurado e mais alto fosse o ideal...
Talvez um pouquinho mais de luz fosse o ideal...
Talvez, mas atendendo a que não há concertos ideais, a estreia de Rey Villalobos e do seu projecto House of Wolves no Porto acabou por resultar num momento de partilha sereno, agradável e onde se fez notar a fragilidade das suas canções e líricas, uma escura combinação sonora que precisou, como deve ser, de uma absorvente concentração e atenção de todos os presentes em sessenta minutos de puro retempero... ideal!
Talvez um melhor isolamento dos restantes espaços barulhentos fosse o ideal...
Talvez um som mais apurado e mais alto fosse o ideal...
Talvez um pouquinho mais de luz fosse o ideal...
Talvez, mas atendendo a que não há concertos ideais, a estreia de Rey Villalobos e do seu projecto House of Wolves no Porto acabou por resultar num momento de partilha sereno, agradável e onde se fez notar a fragilidade das suas canções e líricas, uma escura combinação sonora que precisou, como deve ser, de uma absorvente concentração e atenção de todos os presentes em sessenta minutos de puro retempero... ideal!
sexta-feira, 6 de abril de 2018
RHYE, UM PASSAGEIRO MUITO ESPECIAL!
O inexcedível canal franco-alemão Arte continua a surpreender no arrojo visual e nas apostas inovadoras. Exemplo claro dessa vanguarda é o programa "Passengers" onde se captam sessões de música dita electrónica num cenário de aeroporto parisiense. O primeiro nome a aterrar foi Mike Milosh, ou seja, o projecto canadiano Rhye numa viagem visualmente exemplar registado no hall M do terminal 2E do aeroporto Charles de Gaulle no passado dia 22 de Março. Um excelente voo rasante de reconhecimento para o que nos aguarda no Parque da Cidade lá para Junho...
quarta-feira, 4 de abril de 2018
JOSH T. PEARSON: SEXO, DROGAS & ROCK!
Para quem conheceu a outra encarnação do norte-americano Josh T. Pearson a presente faceta é uma guinada surpreendente! Habituados que estamos a uma imagem de barbudo tímido da folk que teve no álbum de estreia a solo "Last Of The Country Gentelman" de 2011 uma referência icónica e que para alguns valeu um grande concerto numa véspera de São João em Famalicão no ano seguinte, aproxima-se uma reencarnação inesperada - aprendeu a dançar, a gostar de drogas e mais sexo, cortou a barba e o cabelo, comprou novos fatos coloridos e um chapéu texano como manda a lei e abriu a caixinha de surpresas que é a vida para se lançar num novo disco de nome "The Straight Hits!" a sair para a semana na Mute Records. O trabalho foi registado num instante e de forma directa em Inglaterra numa reacção à eleição presidencial americana de 2016 que dividiu e divide profundamente a América e, por isso, a melhor seria mesmo tentar espalhar felicidade e alegria através do rock & roll, country-punk ou quejandos na esperança que a simplicidade e rudeza ajudem a melhorar o penoso dia-a-dia. Um espírito mais aberto e positivo que o levou até a convidar uma série de designers brasileiros para realizar o video para o primeiro single numa conexão obtida simplesmente através do Instagram e que é o reflexo lógico da tal nova atitude de descontracção. A digressão marcada para a Europa é já extensa e espera-se que a bondade o traga até cá para umas cervejas e uns passos de dança!
terça-feira, 3 de abril de 2018
JANKA NABAY (1964-2018)
Até Julho passado o nome de Janka Nabay era aqui na casa um perfeito desconhecido. Bastou, contudo, uma festarola no fim (início...) de noite no Milhões barcelence para nunca mais esquecermos a alegria contagiante do sua música, ritmo e agitação baptizada de bubu music. Com origem na Serra Leoa, nome bem português como fez questão de vincar nessa oportunidade, Nabay deixou-nos hoje sem muitas explicações... Peace!
segunda-feira, 2 de abril de 2018
LOCH LOMOND, Maus Hábitos, Porto, 30 de Março de 2018
Associamos os Loch Lomond a uma longínqua série de álbuns e EP's quando o indie americano começou a circular em força em meados da década passada. Fixamos sempre algumas das suas boas canções mas não houve nunca, no nosso caso, um grande disco que deixasse saudades nem mesmo o último "Pens From Spain" saído em 2016. Foi na esperança que alguns desses bons pedaços acabassem por valer a pena que comparecemos na estreia nacional da banda de Portland comandada por Richie Young, uma aspiração às tantas similar à da quarentena de almas que responderam ao desafio. Mas se notarmos que os dois grandes momentos da noite foram as duas versões dos Magnetic Fields apresentadas - "Nothing Matter When We're Dancing" e "The Book Of Love" - esta última já no encore e escolhida pelo público em detrimento de um qualquer original da banda (!), então algo de errado pairou sobre o serão portuense que talvez possa ter explicações plurais como um alinhamento tortuoso ou um arranjo das canções um pouco sensaborão e em desuso que nem a simpatia do trio permitiu salvar. As palmas e incentivos da ocasião foram simplesmente uma circunstância cortês que não disfarçou alguma indiferença e frouxidão que um encore forçado haveria por acentuar de forma desnecessária. Esperam-se as melhores...
RICHARD HAWLEY, ONDA RADIOFÓNICA!
Em 2005 o britânico Richard Hawley compôs e gravou para o álbum "Coles Corner" talvez uma das melhores canções pop sobre o amor que tem no mar e nos oceanos a fonte de inspiração. Chamado simplesmente "The Ocean", o clássico tema levou a BBC a convidar o próprio Hawley para realizar um programa semanal para a Radio 6 Music com o mesmo nome onde o músico viaja pela costa inglesa à procura das tradições, influências e memórias alusivas ao mar e que tem nas canções uma forma popular de homenagem, temor e respeito. Iniciado em Março, o excelente programa vai já no quarto episódio, todos puro deleite radiofónico e patrimonial.
The world is fine, by the ocean... here comes the wave!
The world is fine, by the ocean... here comes the wave!
sexta-feira, 30 de março de 2018
SÃO LUBOMYR MELNYK EM BRAGA!
quinta-feira, 29 de março de 2018
RAY LAMONTAGNE, FAZ-SE LUZ!
O mestre Ray Lamontagne, uma das melhores vozes da folk americana e uma das mais antigas rendições aqui da casa, está prestes a editar o sétimo álbum de originais de nome "Part Of The Light". Totalmente escrito e produzido pelo próprio, espera-se a habitual qualidade de um artista que, apesar de premiado com um Grammy em 2011 com o disco "God Willin' and Creek Don't Rise", merecia maior divulgação e atenção da sua iluminada música. Basta ouvir e saborear este "Such a Simple Thing" para o comprovar!
DAMIEN JURADO, HORIZONTE RISONHO!
O álbum número treze de Damien Jurado que sairá em Maio pela Secretly Canadian marca o regresso à auto-produção, uma estratégia de isolamento propositada que resultou numa maior simplicidade na composição e que, mesmo assim, teve a ajuda de alguns amigos fiéis. Do novo trabalho intitulado "The Horizon Just Laughed" há já um brilhante avanço quer na forma quer nas imagens que abaixo se reproduz. Prometida, como sempre, está uma digressão generosa!
quarta-feira, 28 de março de 2018
BOOGARINS, Maus Hábitos, Porto, 27 de Março de 2018
E assim, de um dia para o outro, os brasileiros Boogarins marcaram um concerto no Porto no âmbito da esgotada tour de primavera portuguesa, corrigindo desta forma o sacrilégio de não visitar a Invicta, cidade onde foram já muito felizes em 2015. Felicidade, aliás, foi o que não faltou na plateia e em cima do palco, o mesmo de há três anos atrás, muito por culpa de uma relação familiar que tem na língua e, acima de tudo, na liberdade psicadélica de inspiração universal uma formula instantânea de agitação, intensidade e partilha. Bastava reparar na atitude de total entrega da banda, particularmente na satisfação indisfarçável de Fernando "Dinho" em fazer soar a sua guitarra e voz nas canções do novo disco "Lá Vem a Morte" mas ainda com tempo para algumas recordações inevitáveis a pedido da público ou até dos próprios... Resultado, uma espontânea noite de divertimento que serviu para cimentar ainda mais a amizade e espantar um qualquer espírito pessimista que transparece do álbum mais recente. Cruzes!
MARLON WILLIAMS, ABRAM ALAS PARA O AMOR!
O segundo disco do neozelandês Marlon Williams de nome "Make Way For Love" saído o mês passado na Dead Oceans é já uma das nossas novas perdições. Divertido e descontraído, o óbvio travo vintage rock sugere uma série de comparações, de Richard Hawley a Cris Isaak, de Lee Hazlewood ao inevitável Roy Orbinson mas é o perfume do novo country que dá cartas numa produção refinada, mais uma, do mago californiano Noah Georgeson. As canções foram escritas depois de Marlon ter rompido com Aldous Harding, a namorada de longa data, ela própria com um álbum excelente editado o ano passado e o corte motivou uma correria desenfreada na construção de novas canções, quinze num único mês! O resultado, contudo, longe das tristezas e dos desníveis emocionais é muito mais que um simples "broke up record" havendo lugar até a uma aparente reconciliação no dueto "Nobody Gets What They Want Anymore" onde os dois se voltam a entender já depois do rompimento, repetindo parcerias e hábitos antigos. O regresso do amor, suspiro, esse...
terça-feira, 27 de março de 2018
BENJAMIN CLEMENTINE, Centro Cultural de Viana do Castelo, 26 de Março de 2018
Passaram quase três anos sobre a estreia de Benjamin Clementine em Portugal. A então apoteótica visita a (quase) solo rapidamente derivou para uma dimensão extraordinária que chega hoje à dezena de concertos por estas bandas, uma comunhão fraterna compreensível atendendo à empatia da sua música e postura e à mais que testada sensibilidade do público português. Mesmo implicando exageros histéricos das posteriores apresentações e alguns arrelios que nos foram chegando aos ouvidos de adeptos incomodados, deixamos assentar essa poeira e logo agora que há disco novo excelente mas mal compreendido por muitos, a aposta no regresso ao vivo era irresistível mesmo que implicasse riscos imprevisíveis como a estreia do local ou a inédita versão com uma banda. Para ambos os temores a resposta foi inequívoca: auditório funcional, som de sala sem mácula e um artista e restantes músicos num apogeu intenso, divertido e meteórico onde um Benjamin bem disposto e imperial foi medindo a interacção com o público de forma crescente, um jogo de parada e resposta em jeito de aula de canto colectiva ora a propósito de "I'm sending my condolences to fear..." no final de "Condolence" ou da emblemática expressão ao ritmo das palmas "I'm an alien just passing... in Portugal" adaptada de "Jupiter" e que transportaram o espectáculo para um delírio máximo durante a volta literalmente completa ao recinto que o artista acelerou ao lado da banda enquanto se fazia ouvir em uníssono a repetição do nome "Porto Bello" do tema "The Ports of Europe". O que é isto? Pois, a festa e sorrisos transbordaram de fora e dentro da sala para o palco e o encore com "London", "Nemesis" e o inevitável "Adios" haveria de ser somente o apogeu vibrante de uma noite acima das nossas, das vossas, melhores expectativas e onde a aparição de um extraterrestre artístico, mesmo só de passagem, será para sempre relatado como verdadeiro e bem visível junto ao porto de Vi(e)na do Castelo. Funtástico!
segunda-feira, 26 de março de 2018
ANTÓNIO PINHO VARGAS, Auditório da Junta de Freguesia de Campanhã, 24 de Março de 2018
O tiro de partida do programa "Cultura em Expansão" de 2018 na sua variante "Fala-me ao Ouvido", uma notável iniciativa da Câmara Municipal do Porto que espalha música por locais inusitados das freguesias, não podia ter tido melhor estreia. António Pinho Vargas regressou ao Porto em noite de chuva e vento mas as gentes da cidade rapidamente abarrotaram o pequeno auditório da Corujeira para o ouvir contar histórias como se pretendia - umas já conhecidas, outras inéditas como a do disco abortado com a Amália gravado numa sala de estar lisboeta - e apresentar uma selecção de trechos ao piano. Perante a intimidade vivida, a partilha resultou em momentos de forte vibração, exemplar na genial modernidade de "General Complex" mesmo sem a contribuição de Maria João ou na clássica eternidade de "Tom Waits", esse pedacinho de património colectivo a merecer classificação imaterial! Um raro concerto, dez longos anos depois, que encheu os espíritos de todos os presentes, uma mistura geracional assinalável que prova que a boa música não tem idade nem rótulo e que calou bem fundo o coração do próprio compositor aquando da ovação final. Um Piano Day antecipado, mas dias de piano como este deviam ser todos os dias, vá lá, todas as semanas...
domingo, 25 de março de 2018
SHANNON LAY, Maus Hábitos, Porto, 23 de Março de 2018
Qualquer audição do reconfortante "Living Water", o segundo álbum de Shannon Lay, sugere uma considerável maturidade artística para uma tão jovem compositora mas se olharmos às boas companhias e padrinhos, de Kevin Morby a Ty Segall, a surpresa da sua ascensão será só a confirmação de muito talento e persistência. Faltava a prova dos nove a três dimensões mas a passagem pelo espaço portuense acabou por constituir um simples exercício de distinção em que a subtileza e a fragilidade das canções ganharam plena dimensão e onde o toque de classe do violino de Laena Geronimo elevou ainda mais o louvor. Vinte canções, vinte pérolas, nota vinte!
sexta-feira, 23 de março de 2018
LIIMA, Café Concerto, C.C. Vila Flor, Guimarães, 22 de Março de 2018
Se houvesse prémio para as bandas mais irrequietas no panorama indie rock da última década, os Efterklang deveriam ocupar o pódio sem dificuldades. Discos com orquestras, concertos em jeito de epitáfio com direito a filme, rádios online, viagens etno-musicais por ilhas dinamarquesas ou colaborações diversas como as que o trio fundador decidiu inaugurar com o baterista finlandês Tatu Ronkko em 2016 sob o nome de Liima, são só alguns sinais dessa constante inquietude. O nosso país tem sido, aliás, um território previligiado para experiências e inspirações como as que Casper Clausen desenvolve actualmente por Lisboa e que teve já apresentação informal e algumas das canções que motivaram a estreia a norte dos Liima foram até compostas por Viseu ou pelo Funchal em tempos recentes, passando a fazer parte do álbum agora em rodagem chamado circunstancialmente "1982". Esse ano de nascimento de Clausen bem impresso no casaco desportivo com que se apresentou depois de despir o impermeável branco das primeiras canções, poderia ser uma simples marca para avivar memórias e suspirar nostalgias mas a música do novo disco vai muito mais longe nos trejeitos de época, alcançando uma sofisticação saborosa que foi recebida de braços abertos no espaço vimaranense. O último trabalho foi, por isso, o fio condutor do serão onde a bateria de Ronkko fez maravilhas, o baixo de Rasmus Stolberg encheu as canções de groove, as teclas e samples de Mads Bauer planaram a preceito e a boa disposição de Casper Clausen andou à solta entre microfones, piadas ou deambulações pelo público com direito a abraços como a que culminou a apresentação de "Amerika", uma das recordações do primeiro álbum. Excelente concerto, na altura certa e onde aquele ambiental "The Winner Takes It All" dos Abba a servir de adeus foi a cola (Liima em finlandês) certa para uma noite vitoriosa e memorável! Beside the victory that's her destiny...
quinta-feira, 22 de março de 2018
DUETOS IMPROVÁVEIS #205
KEVIN MORBY & KATIE CRUTCHFIELD
Downtown's Lights (Morby)
St. David's Episcopal Church, Austin
Festival SXSW, Março de 2018
Downtown's Lights (Morby)
St. David's Episcopal Church, Austin
Festival SXSW, Março de 2018
A MAGIA DE ROBERT KIRBY!
A vida do produtor e arranjador britânico Robert Kirby (1948-2009) ficou traçada no dia em que conheceu Nick Drake em Cambridge e quando ouviu pela primeira vez a intemporal orquestração para o poema sonoro "She's Leaving Home" dos The Beatles. Ao lado do amigo Nick haveria de gravar "Five Leaves Left" e "Bryter Later", discos onde repousam uma série de arranjos únicos e mágicos traduzidos em temas como "Day Is Done", "Hazey Jane" ou o instrumental "Introduction". É precisamente esse pedacinho que abre uma inédita e recente compilação da responsabilidade da casa inglesa Ace Records que dá conta dessa parceria e muito mais - bem notória no título do disco e até no desenho da capa muito ao jeito da de "Five Leaves Left" - mas entre os vinte temas há ainda uma notável variedade de colaborações datadas da década de setenta, de John Cale a Vashti Bunyan, de Ian Matthews a Sandy Denny, que confirmam o toque de Midas que Kirby emprestou ao chamado folk-rock inglês. Magia pura... basta ouvir abaixo os surpreendentes casos dos Spriguns ou Keith Christmas!
quarta-feira, 21 de março de 2018
O DIA DA POESIA NUM FADO!
Porque gostamos de fado, daquele trágico, puro, de olhos fechados e de quando ele se junta a uma grande lírica, aqui fica um expoente desse arrepio com música de Marceneiro, poesia de Vasco Lima Couto e a imbatível Amália.
Meu nome sabe-me a areia
Que cresce num rio novo
Entre as verdades que sonho
E as tristezas que transponho
Meu nome sabe-me a povo
Corre os caminhos do mundo
Como um tronco de raiz
E se canto uma saudade
Eu limito à humanidade
Aos campos do meu País
Meu nome gastou os dias
Que eu tive de amor ao lado
Vivo a apagar uma estrela
E no desejo de vê-la
Meu nome sabe-me a fadosexta-feira, 16 de março de 2018
SCOTT MATTHEWS, MEIA DÚZIA!
O sexto álbum do inglês Scott Matthews está em fase adiantada de recolha de fundos com vista à sua publicação mas as gravações estão quase prontas. Chama-se "The Great Untold", tem capa magnífica pintada pelo holandês Rogier Willems e saída prevista para a primavera na sua editora Shedio Records, altura em que terá início a respectiva digressão por terras britânicas. Aqui fica um travozinho doce...
MOLLY DRAKE, UM FILÃO INESGOTÁVEL?
Em 2013, a divulgação surpreendente de muitas canções caseiras e inúmeros poemas escritos por Molly Drake confirmou, desde logo, a fonte principal da veia artística do filho Nick Drake, dando aso nos últimos anos a edições de discos oficiais por vontade e comando da filha e actriz Gabrielle, a única herdeira de tão valioso património. Se o ano passado esse filão foi já devidamente explorado pelas irmãs Unthanks num grande disco de versões tranquilizadoras já por aqui sugerido a que se seguiu uma intensa digressão de apresentação por terras britânicas, surge agora disponível uma edição luxuosa, mais uma, em forma de livro vintage baptizada de "The Tide's Magificient" onde se guardam, para além de fotografias, setenta e nove poemas escritos entre 1935 e 1993 e vinte sete canções reunidas em dois cd's! Os temas são na sua maioria uma repetição do disco inicial mas há, contudo, sete inéditos passados a forma digital por John Wood, produtor e engenheiro responsável por "Pink Moon", o último álbum de Nick Drake editado em 1971. De referir que Molly Drake não se coibiu de compor canções sobre o filho como é o caso de "Poor Mum", uma aparente resposta materna ao excelente bossanoviano "Poor Boy" escrito por Nick para o disco "Bryter Later" ou um desconhecido "The Bath Song", tema não incluído nesta edição o que nos leva a especular sobre a dimensão do legado à espera de oportunidade...
quinta-feira, 15 de março de 2018
LEON BRIDGES, COISA BOA!
O muito esperado regresso de Leon Bridges aos discos acontece oficialmente a 4 de Maio com a edição de "Good Thing", efectivamente coisa boa atendendo aos dois temas entretanto já conhecidos. A fasquia está alta depois da enorme estreia com "Coming Home" e seria de todo conveniente fazê-lo aportar a um palco por perto no próximo verão (estará em Madrid a 14 de Julho)...
SONDRE LERCHE, FINALMENTE SOZINHO!
Passaram já treze anos desde a passagem de Sondre Lerche a solo pelo já mítico Festival Para Gente Sentada de Santa Maria da Feira, uma segunda edição onde também se estrearam em Portugal nomes como Damien Jurado ou Patrick Wolf. O serão ficou-nos sempre na memória pela destreza e savoir faire com que o norueguês enfrentou simplesmente com a guitarra eléctrica a apresentação das canções do agora clássico disco "Two Way Monologue", usando e abusando do humor e sarcasmo para disfarçar algum cansaço mais que notório causado pelas sessões de gravação em que estava nessa altura envolvido e que dariam origem ao disco de jazz "Dupper Sessions" no ano seguinte. Nesse tom semi-acústico ou parecido nunca mais lhe pusemos as vistas os ouvidos em cima e depois de emigrar em 2005 para os E.U.A. onde se dedicou a registar discos pop ou bandas sonoras, atingiu um pico criativo o ano passado com um grande álbum pleno de grandes e luxuriantes canções que recebeu o simples nome de "Pleasure". Pois bem, no Dia dos Namorados do mês passado passou a estar disponível uma versão acústica de todas esses temas que são um regresso às origens saboroso e a fazer lembrar a noite longínqua do Cine-Teatro António Lamoso...
quarta-feira, 14 de março de 2018
JONATHAN WILSON EM GRANDE!
(RE)VISTO #69

BETTY DAVIS: LA REINE DU FUNK
de Phil Cox, França, Canal Arte, Março de 2018
A história da mítica Betty Davis é ainda hoje um enigma obscuro. O seu desaparecimento após gravar vários álbuns de puro funk plenos de raiva e revolta é o resultado aparente de uma vida de alvoroço e obstinação que ganhou contornos depressivos após a relação com Miles Davis com quem tinha casado em 1968. A sua influência na música do marido é bem notória durante o chamado período eléctrico (1968-1975) da carreira do trompetista, marcando alterações na sua personalidade e até da sua forma de vestir, uma relação curta e tempestuosa mas que incluiu a produção e colaboração em discos impressionantes. A fama, essa já ninguém a podia apagar mercê das arrojadas e provocadoras actuações ao vivo, das canções sedutoras e irresistíveis e uma atitude de confronto impagável que escondia um desespero diluído em muitos fantasmas e negritudes.
Realizar um documentário sobre este percurso na procura de respostas é, sem dúvida, uma tarefa arrojada que o canal Arte, sempre atento, suportou sem receios mas que deixa algum travo a desilusão. Como primeira abordagem com o aparente beneplácito da própria artista, o documento é, mesmo assim, curioso e interessante apesar de um lirismo a mais que não retira mérito ao esforço. Seja como for, recomendável. (disponível em streaming directo até dia 5 de Abril).
terça-feira, 13 de março de 2018
segunda-feira, 12 de março de 2018
LES FILLES DE ILLIGHADAD, Auditório de Espinho, 10 de Março de 2018
Há por vezes concertos que não precisam de muitas palavras. O simples acomodar-nos numa cadeira pode ser o princípio de uma viagem de que não custa nada levantar voo, planar e aterrar bem acordados. A "agência de viagens" com sede no Níger chama-se Les Filles de Illighadad e tem ao comando três primas que se apaixonaram pela música, pelas guitarras e decidiram partilhar o seu sonho com uns sortudos como todos os que compareceram em Espinho. Obrigado pela jornada e pela magnífica hipnoterapia!
domingo, 11 de março de 2018
DEAD SEA + SLOWDIVE, Hard Club, Porto, 9 de Março de 2018
E à terceira foi de vez! Depois de falharmos a primeira oportunidade em 2014 no Primavera portuense, depois de uma segunda investida à distância mas, mesmo assim, saborosa em Coura no ano seguinte, chegou o dia merecido para os Slowdive nos mostrarem o que ainda valem em nome próprio com um recinto e palco apropriados e, importante, a reunião sagrada de muitos fãs portuenses. Não será difícil concluir que a banda valeu ouro em cada uma das canções apresentadas, um alinhamento rodado, oleado e sem falhas que cresce e floresce entre clássicos e novos temas do grande disco de 2017 que encaixam na medida certa nos novos tempos de reinvenção e modernidade. Sem truques, sem floreados, os Slowdive seduzem pela insistência num estilo lendário de extremo bom gosto e beleza que alcançou um subliminar êxtase com a clássica a inimitável versão de "Golden Gair" de Syd Barrett mesmo antes do encore. Poderoso!
(+ videos no Canal Eléctrico)
Antes, apresentaram-se os franceses Dead Sea, um aquecimento que se mostrou do agrado da maioria já instalada e atenta num estilo apelidado de "turbo chillwave" eficaz na animação e agitação sempre difícil de concretizar para qualquer banda de abertura. A descobrir!
(+ videos no Canal Eléctrico)
Antes, apresentaram-se os franceses Dead Sea, um aquecimento que se mostrou do agrado da maioria já instalada e atenta num estilo apelidado de "turbo chillwave" eficaz na animação e agitação sempre difícil de concretizar para qualquer banda de abertura. A descobrir!
quinta-feira, 8 de março de 2018
KING KRULE, GRANDE PASSO PARA A HUMANIDADE!
Um pequeno passo para o homem King Krule mas um grande passo para a humanidade dos discos ao vivo - o primeiro registado em solo lunar. Tá bem tá... Houston, temos um problema!
LUCY DACUS, UMA FORÇA DE MULHER!
O Dia da Mulher que hoje se comemora talvez encontre na jovem norte-americana Lucy Dacus um bom exemplo de dedicação, persistência e talento a ter em atenção. O segundo trabalho "Historian" editado pela Matador esta semana é, sem dúvida, uma força da natureza equilibrada e consistente bem ao jeito de Sharon Van Etten ou até Cat Power e que vai, merecidamente, fazer furor e alguns knockouts em versão ao vivo. A história e entrevista que o New York Times publicou no mês passado foi, talvez, o disparar definitivo de um rastilho imparável que teve na canção "I Don't Wanna Be Funny" do primeiro álbum a faísca causadora de um fenómeno artístico pleno de potencialidades inatas e adquiridas.
quarta-feira, 7 de março de 2018
VON TEESE E TELLIER, A VIDA É UM JOGO!
Juntar a glamorosa Dita Von Teese a Sébastian Tellier parece uma jogada perigosa e arriscada mas o irrequieto compositor francês sempre soube como "calcar o risco" artístico de forma a deixar marcas fortes. Elas são bem notórias no álbum que escreveu e compôs na totalidade para a artista americana, dez canções sedutoras e acetinadas bem ao seu jeito que a Record Makers editou recentemente e que recebeu o nome da pin-up, ele próprio um cartão de visita mais que sedutor! Só nos resta entrar no jogo...
terça-feira, 6 de março de 2018
LISA HANNIGAN RUMA A NORTE!
Como noticiado a semana passada, a irlandesa Lisa Hannigan tem dois concertos marcados para o norte do país em dois locais a descobrir em Fafe (Teatro Cinema, sexta-feira, dia 4 de Maio) e Chaves (Auditório do Centro Cultural, sábado, dia 5 de Maio). É o regresso depois da passagem pelo Alive em 2012 e uma óptima oportunidade para testar a três dimensões as canções do magnífico disco de 2016 chamado "At Swim". Aqui fica uma excelente dose tripla...
PIANO DAY, E O PORTO?
Como já é tradição, o 88º dia do ano (tantos como as teclas do instrumento) serve como marca para a comemoração do Dia do Piano, uma ideia inspiradora do alemão Nils Frahm. A quarta edição decorre já no próximo dia 29 de Março, quinta-feira, e entre os muitos eventos agendados por essa Europa fora não há, por agora, nenhum no Porto ou arredores ao contrario de Coimbra que, muito bem, terá Tiago Sousa. Anyone, anywhere?
PERRY BLAKE, ESPERANDO!
Os contratempos na promoção e edição do seu último álbum, trabalho já com cinco anos, leva-nos a especular que o novo disco de Perry Blake, que devia estar por agora disponível, não têm ainda título ou data certa para aparecer. Aparentemente em fase de mistura, ficamos pelo single "Diamonds In The Sun" lançado em Outubro passado acompanhado por uma versão de Billy Idol, nem mais! Resta-nos esperar...
segunda-feira, 5 de março de 2018
domingo, 4 de março de 2018
COURTNEY E VILE & Cª, MARAVILHA!
Uma cidade, um teatro, dois músicos, um grupo de persistentes habitantes, a amizade e... a música. Grande documento!
JONATHAN WILSON, UM LUXO!
Acabamos agora de ouvir o novo álbum de Jonathan Wilson, para aí a décima vez desde sexta-feira! Conhecíamos a poção de muitos dos seus encantamentos, já a testamos ao vivo com efeitos mágicos, mas este regresso ao fim de cinco anos com o disco "Rare Birds" é um ainda de um nível mais avassalador. Wilson fala num acto de amor e diz-se orgulhoso de cada canção, de cada palavra e de cada som e não é coisa para menos - há por aqui um traço cintilante de tradição pop que bebe do caldeirão dos Beatles, dos incontornáveis ELO de Jeff Lyne ou na subtileza dos Fleetwood Mac mas com uma intuição sonora que nos deixa rendidos e a pedir, sempre, a repetição. Um dos discos companheiros do ano já cá canta e, de certeza, um luxo sem idade para ouvir muitas vezes de princípio ao fim sem contemplações ou freio!
quinta-feira, 1 de março de 2018
SIVU, SEMPRE CATIVANTE!
Na senda de uma notável e merecida ascensão, o britânico James Page aka Sivu pôs cá fora "The Unfruitful Love", um EP com duas novas versões de "Sweet Sweet Silent", tema título do magnífico álbum do ano passado a que acrescentou o inédito de alto calibre "Four Leaf Clover Love" composto durante um período conturbado que ainda vive na gestão do síndrome de Ménière, um incómodo problema na audição nada fácil para quem vive da música. Aqui fica esse inédito toque de classe e a canção "Kin and Chrome" com direito a novo video a preceito.
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
ERLAND OYE, ACÚSTICO EM GUIMARÃES!
terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
HOUSE OF WOLVES, E O DICKSON?
Soube-se hoje que os House of Wolves, recomendável projecto do californiano Rey Villalobos, tem concerto marcado para os Maus Hábitos já no próximo dia 6 de Abril, sexta-feira. Atendendo a que ultimamente o palco tem sido partilhado nalgumas ocasiões com o mágico Gareth Dickson e atendendo ainda a que partilham a mesma editora, a francesa Discolexique, vamos ter um serão portuense de dose dupla?
BJORK, UM PROBLEMA NORTENHO?
Bjork, Coliseu de Lisboa, 25 de Junho de 1996 = adiado para 2 de Julho de 1996 / √
Bjork, Hype Meco, Sesimbra, 5 de de Julho de 2003 = √
Bjork, Sudoeste, Zambujeira do Mar, 2008 = √
Bjork, Primavera Sound Porto, 9 de Junho de 2012 = cancelado / inflamação dos nódulos vocais
Bjork, Paredes de Coura, 18 de Agosto de 2018 = cancelado / razões logísticas
Será o frio utópico?
NICK DRAKE, GRANDES VERSÕES!
Como foi já por aqui anunciado, o número de Março da revista Mojo dedicado a Nick Drake é acompanhado de um cd com versões do mestre, umas melhores, outras menores e ainda algumas que são verdadeiras maravilhas. Escolhemos três perfeitas para a chuvinha do dia de hoje...
Já agora e no mesmo âmbito, aqui deixamos mais duas rendições antigas mas verdadeiramente sublimes.
Já agora e no mesmo âmbito, aqui deixamos mais duas rendições antigas mas verdadeiramente sublimes.
domingo, 25 de fevereiro de 2018
TWIN SHADOW, BENEFÍCIO DA DÚVIDA!
O lamentável eclipse artístico de Twin Shadow com o álbum de 2015 parece, aparentemente, ultrapassado ao ouvir duas das novas canções de um regresso anunciado para o final de Abril. O novo disco baptizado de "Caer" emerge, segundo o próprio, em tempos de séria desumanização da sociedade e, sendo assim, pretende-se marcar uma nova fase de ruptura que conta até com a ajuda das irmãs Haim. A parceria surge em "Saturdays" e, apesar de pouco notada, é uma cortesia de retribuição já que Shadow tinha já escrito três canções para as manas californianas mas, mesmo assim, os novos temas não são nada surpreendentes. Pode ser que seja só um feeling, às tantas o eclipse vai voltar...
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018
ELEANOR FRIEDBERGER, DISCO E CONCERTO!
O regresso de Eleanor Friedberger aos discos acontece já em Maio com "Rebound", uma sonoridade cosy nas palavras do The Guardian, classificação que o primeiro single parece confirmar e que teve inspiração na temporada que a artista passou na Grécia em 2016 bem visível na capa, sendo o nome do novo trabalho o mesmo de uma discoteca ateniense dedicada aos góticos anos 80... hummm acho que já lá estivemos! Antes, a 7 de Abril, sábado, a menina dos The Fiery Furnaces passa a solo pelo Auditório de Espinho. Cool, já estávamos com saudades!
CHILLY GONZALES, CADERNETA COMPLETA!
A corrente edição do Festival de Cinema de Berlim foi a oportunidade perfeita para a estreia mundial de um documento biográfico sobre as muitas vidas de Chilly Gonzales, o verdadeiro artista! Intitulado "Shut Up And Play The Piano", nome de um tema quase auto-biográfico do seu disco "The Unspeakable Chilly Gonzales" de 2011, o filme tem aparições amistosas de longa data como as de Leslie Feist, Jarvis Cocker ou Peaches que testemunham as virtudes multifacetadas deste virtuoso pianista mas também comediante, produtor, cantor, wathever. Aproveitando muitas das imagens que o próprio guardou em arquivo, o argumento percorre uma intensa jornada em carrocel dos últimos quinze anos, suficientes para preencher uma caderneta completa e variada de cromos que vai do rap às grandes orquestras a que se acrescentam uma série de episódios fictícios imaginados por Gonzales e concretizados pelo realizador Philipp Jedicke. Prometedor e, para já, merecedor de todos os elogios - uma pequena apresentação pode ser vista no site do festival. Aqui deixamos outro festival...
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
THE DIVINE COMEDY PARA MATAR SAUDADES!
Ao fim de dois anos de digressão para promover esse já clássico chamado "Foreverland", Neil Hannon / The Divine Comedy oferece agora aos que se encantaram, como nós, com a sua majestosa actuação, bem como a todos os muitos fãs, um álbum ao vivo que resume o alinhamento então apresentado, um misto de humor e classe que só ele sabe fazer. Captado em diversos locais da Europa, ao ouvir "Loose Canon" é impossível não sermos imediatamente transportados para as memórias do serão notável de Fevereiro do ano passado e esperar que ele se repita seja como for. Ah, uma das grandes surpresas é a versão de "At The Indie Disco" que quando chega ao verso "as the start of Blue Monday" avança efectivamente para uma versão poderosa do clássico beat dos New Order, assim...
PROTOMARTYR EM COURA, UMA DEDUÇÃO?
A irresistibilidade dos norte-americanos Protomartyr é, por aqui, imediata. Com concerto marcado para Lisboa no próximo dia 12 de Abril e sem data no Porto, apesar da folga da agenda, às tantas o destino a norte será mesmo Paredes de Coura. Por essa altura (15 a 18 de Agosto) a banda está na Europa (a 16 tocam na Holanda) e seria muito bom fortalecer ainda mais o cartaz. Right?
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #21
Ao assistir ao video psicadélico que acompanha o novo single dos Beach House a dúvida foi instantânea. Aonde é que já vimos este grafismo? Depois de alguma procura, lá encontramos mais um dos pequenos envelopes de papel à moda antiga com um dos lados com o tal quadriculado a preto-e-branco semelhante ao que o video evidencia e que no verso apresenta a marca da Casa Ricardo Lemos da Rua Formosa, muito perto do cruzamento com Santa Catarina, hoje um negócio de pronto-a-vestir e acessórios. Vendia, aparentemente, só discos em pleno início dos anos 70 atendendo a que o número de telefone impresso não apresenta o indicativo geográfico (22) introduzido no final dessa década. O pequeno disco que estava no interior confirma a época - uma edição brasileira do hino oficial "Prá Frente Brasil" e a glorificação sonhada do país como potencia futebolística em 1970 que se viria a confirmar com a conquista do tri-campeonato na Cidade no México a que se acrescenta outro tema, no lado b, sobre a primeira vitória datada de 1958 e uma equipa mítica de Garrincha, Vavá, Mazolla e... Pelé!
| Casa Ricardo Lemos, Rua Formosa, 265, Porto |
Casa Ricardo Lemos, Rua Formosa, 265, Porto
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sábado, 17 de fevereiro de 2018
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
CID, HAJA CORAÇÕES!
Isto sim é uma capa potente para embrulhar o novo álbum "Clube dos Corações Solitários" do tio Cid. Bora lá identificar! Cada um de nós pode fazer parte do cenário no espaço em branco... genial, mas, oh lá, falta o Salvador Sobral! Um dos novos temas chama-se "The Fab 4" e é uma versão moderna de "Ode To The Beatles", magistral original do Quarteto 1111 de 1971. Para a semana há apresentação ao vivo e a cores. Haja corações...
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
FONOTECA DE VINIL, HELLO?
BEACH HOUSE, AMOR DE LIMÃO!
Certamente a pensar no carinho de muitos dos aficionados, foi preciso esperar pelo Dia dos Namorados para que os Beach House nos preparassem uma surpresa amorosa - nova canção, novo disco!
terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
DUETOS IMPROVÁVEIS #204
JULIE BYRNE & WHITNEY
No Woman (Ehrlich)
backstage na Glass House, Pomona, California
Abril de 2017
No Woman (Ehrlich)
backstage na Glass House, Pomona, California
Abril de 2017
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
domingo, 11 de fevereiro de 2018
NADINE KHOURI + ADRIAN CROWLEY, Passos Manuel, Porto, 9 de Fevereiro de 2018
Aquando da estreia de Nadine Khouri há precisamente um ano em formato trio no outro lado da rua portuense acabamos surpreendidos com a intensidade e maturidade do conjunto de temas do disco "The Salted Air", cartão de visita primordial desse serão. O regresso a solo na sexta-feira acabou por manter a fasquia de qualidade então notada mas, seja pela penumbra seja pela acústica assinalável da sala, a curta apresentação da simpática libanesa acabou por carimbar com fascínio a nossa paixão por uma artista que faz da ternura sonora um gostoso sismo emocional!
(13/02/2018 - videos removidos a pedido da artista)
O irlandês Adrian Crowley andou anos no nosso primeiro iPod aquando do álbum "Long System Swimmer" mas depois, como muitos outros, passou a engrossar o rol do esquecimento perante a velocidade do tempo... O magnífico disco do ano passado "Dark Eyed Messenger" que recebeu o toque de classe de Thomas Bartlett /Doveman permitiu a redescoberta que, felizmente, tantas vezes acontece a que se juntou um coincidente regresso a Portugal para a sua apresentação. Em boa hora! Concerto de tensão macia que uma voz a la Bill Callahan rapidamente conquistou os presentes e de que são bons exemplos de inspiração a versão de "Ocean" dos Velvet Underground, o trepidante poema de Yeats acappella ou muito coheniano "And So Goes The Night", grande tema do disco do ano passado. Tempo ainda para um dueto esperado com Khouri e a enorme canção/história "Unhappy Seamstress" que coube no único encore e aquele som da máquina de costura que uma pequena caixa de realejo ajudou a perdurar na escuridão. Anuncia-se um regresso, como convêm!
(13/02/2018 - videos removidos a pedido da artista)
O irlandês Adrian Crowley andou anos no nosso primeiro iPod aquando do álbum "Long System Swimmer" mas depois, como muitos outros, passou a engrossar o rol do esquecimento perante a velocidade do tempo... O magnífico disco do ano passado "Dark Eyed Messenger" que recebeu o toque de classe de Thomas Bartlett /Doveman permitiu a redescoberta que, felizmente, tantas vezes acontece a que se juntou um coincidente regresso a Portugal para a sua apresentação. Em boa hora! Concerto de tensão macia que uma voz a la Bill Callahan rapidamente conquistou os presentes e de que são bons exemplos de inspiração a versão de "Ocean" dos Velvet Underground, o trepidante poema de Yeats acappella ou muito coheniano "And So Goes The Night", grande tema do disco do ano passado. Tempo ainda para um dueto esperado com Khouri e a enorme canção/história "Unhappy Seamstress" que coube no único encore e aquele som da máquina de costura que uma pequena caixa de realejo ajudou a perdurar na escuridão. Anuncia-se um regresso, como convêm!
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018
LIIMA, DOSE TRIPLA AO VIVO
O projecto Liima, aventura paralela dos dinamarqueses Efterklang ao lado do baterista Tatu Ronkko iniciado há dois anos, editou em 2017 o magnífico segundo disco "1982". Agora que Casper Clausen é (quase) nosso conterrâneo e depois da visita não presenciada a Viseu no Festival Jardins Efémeros de 2016, anuncia-se uma dose tripla de concertos para Março: quarta, 21, em Lisboa (ZDBois), quinta, 22, em Guimarães (CCVFlor) e sábado, 24, nos Açores no âmbito do Festival Tremor. Seja onde for, imperdível, nem que seja só para ouvir uma única maravilha: "My Mind Is Yours"!
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
PRIMAVERA SOUND PORTO: AMANHÃ ANDA À RODA!
Amanhã, dia 8 de Fevereiro, anda à roda o euromilhões dos concertos do próximo Primavera Sound portuense. Para além dos Shellac que são banda residente e exceptuando o Nick Cave e as Breeders que parecem já confirmados, a nossa aposta simples é esta:
5 números: The War On Drugs, Grizzly Bear, Panda Bear, Ariel Pink, Thundercat;
2 estrelas: Rhye, Public Service Broadcasting.
terça-feira, 6 de fevereiro de 2018
SUSANNA, REGRESSO ÀS VERSÕES!
A voz mágica da norueguesa Susanna Wallmurod chegou-nos há mais de onze anos disfarçada num disco chamado "Melody Mountain" na companhia de uma tal Magical Orchestra, um conjunto de dez notáveis versões e que chegou a ter a devida apresentação ao vivo num serão memorável! Entre discos de originais, a artista não tem resistido a pegar em clássicos para lhes conferir o seu toque de classe como se nota na parceria de 2011 com a harpista Giovanna Pessi ou no EP de 2015 com mais cinco bons exemplos. Chega agora outra dose de respeito - o álbum "Go Dig My Grave" que sai na sexta-feira contempla uma dezena de covers com acento, desta vez, numa série mais obscura de tradicionais e da folk, havendo, no entanto, clássicos de Lou Reed ("Perfect Day"), Joy Divison ("Wilderness") e James Shelton ("Lilac Wine") e até um poema de Baudelaire ("Invitation to the Voyage") musicado pela própria. A ajudar Susanna na rendição está a referida Giovanna Pessi, a acordeonista Ida Hidle e a violinista Tuva Syvertsen, um quarteto que seria bom comprovar ao vivo num qualquer palco pelas redondezas...
sábado, 3 de fevereiro de 2018
SEREIAS + WAND, Hard Club, Porto, 2 de Fevereiro de 2018
O primeiro concerto do ano aqui para a casa teve ontem dose dupla saborosa. De entrada, a surpresa quase surreal dos Sereias, um colectivo que exerce uma sonoridade densa, a roçar a anarquia instrumental de faceta punk e laivos free-jazz que vai dando (dis)forma às palavras do poeta António Pedro Ribeiro. "Primeiro Ministro", "Rua", "Loucura" ou "Putas da TV" são alguns dos exemplos de agitação poética de choque que não podem deixar ninguém indiferente e que não permite meio-termos. Ou se ouve de bom grado e se dá atenção, o que foi o caso, ou o melhor é mesmo virar costas a este "Poeta Negro" como ficou bem vincado nas palavras ditas no final da perfomance. Um sobressalto!
Aquando da visita dos Wand à Invicta durante o Primavera passado, ficamos com um pequeno amargo de boca com os míseros quinze minutos finais, ou nem isso, do concerto dos californianos em pleno palco arborizado. Agora que o regresso se fazia em nome próprio não havia desculpa para que falta não fosse colmatada e em boa hora (mesmo em cima do joelho...) acabamos na sala mais pequena do clube portuense bem composto e expectante para a apresentação do novo disco "Plum". Confirmou-se a variedade cromática das canções novas, um pouco mais pop que o habitual, mas já bem conhecidas da maioria a que se juntaram algumas peças mais antigas obrigatórias como "Bee Karma", já um clássico psico-rock, "Floating Head" ou "Fire On The Mountain" tocado já quase de luzes acesas num encore estranho já depois de desligados os amplificadores! Confirmou-se ainda a fluidez e entrosamento do conjunto, a faceta front-man impagável de Cory Hanson e a estranheza linda de uma banda que pode e deve ser rotulada de puro indie rock sem contaminações. Recomendável, muito!
Aquando da visita dos Wand à Invicta durante o Primavera passado, ficamos com um pequeno amargo de boca com os míseros quinze minutos finais, ou nem isso, do concerto dos californianos em pleno palco arborizado. Agora que o regresso se fazia em nome próprio não havia desculpa para que falta não fosse colmatada e em boa hora (mesmo em cima do joelho...) acabamos na sala mais pequena do clube portuense bem composto e expectante para a apresentação do novo disco "Plum". Confirmou-se a variedade cromática das canções novas, um pouco mais pop que o habitual, mas já bem conhecidas da maioria a que se juntaram algumas peças mais antigas obrigatórias como "Bee Karma", já um clássico psico-rock, "Floating Head" ou "Fire On The Mountain" tocado já quase de luzes acesas num encore estranho já depois de desligados os amplificadores! Confirmou-se ainda a fluidez e entrosamento do conjunto, a faceta front-man impagável de Cory Hanson e a estranheza linda de uma banda que pode e deve ser rotulada de puro indie rock sem contaminações. Recomendável, muito!
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018
FIELD MUSIC, GÉNIO À SOLTA!
Seja qual for a data, cada dia que os Field Music editam um álbum de originais é sempre um momento de celebração. Esse dia é hoje! Chama-se "Open Here" mais uma dose de inquietude sonora onde parece valer tudo, ou seja, um art-rock ora pomposo ora naif sem preocupações estéticas de fachada, sim, porque aqui não há subtilezas ou armadilhas mas sim um génio sem rédea cada vez mais raro nos dias de hoje. Os manos Peter e David Brewis demoram sempre o seu tempo a experimentar a táctica com o mundo pós-Brexit a ser, desta vez, motivo de reflexão e inspiração, mas o resultado continua brilhante e sedutor mesmo que para alguns cépticos a "coisa" soe estranha e desconfiante. A prescrição passa, obviamente, por muitas audições atentas que vão ajudar a dispersar o desconforto e, já agora, um qualquer palco nocturno que os receba condigna e superiormente como merecem para que a conversão se concretize sem mais demoras. Haja fé... na música criativa!
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018
CORNELIUS, BOA ONDA!
O japonês Keigo Oyamada aka Cornelius já foi comparado a Beck ou aos Beach Boys em versão asiática mas, tirando os exageros, o músico, produtor e compositor tem talento confirmado e uma série de virtudes pop que facilmente se notam em qualquer das suas talentosas canções. Depois de uma ausência de onze anos, Cornelius editou no Verão passado o álbum "Mellow Waves", um conjunto de temas cantados em japonês que viciam a cada audição e que ganham ainda um maior lustre sempre que um novo video emerge da selva digital. Espreitem só estes espantosos pedacinhos boa onda!
WILCO, UM MUNDO NA RÁDIO!
Amanhã os Wilco inventam uma rádio só para eles com a transmissão de dez horas de emissão exclusivamente sobre o seu mundo o que é invariavelmente sinónimo de fascínio: entrevistas, versões, conversas, confissões e muitas canções e actuações ao vivo, tudo a propósito da reedição dos dois primeiros álbuns "A.M" (1995) e "Being There" (1996). A partir das 4 da tarde a sintonia com repetição em loop até Domingo faz-se obrigatoriamente aqui!
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