terça-feira, 5 de junho de 2018

THOMAS ANKERSMIT AND KONRAD SPRENGER + GOAT [JP] + BANDA SINFÓNICA PORTUGUESA, Serralves em Festa, Porto, 3 de Junho de 2018

O último fôlego da edição deste ano do Serralves em Festa teve direito a chuva abençoada. Que o diga a dupla Thomas Ankersmit e Konrad Sprenger sentada calmamente em frente ao portátil e a um tal sintetizador analógico modular que, logo após o início da performance, viu as pingas começar a engrossar, levando à desistência de alguns. A imensa minoria, como nós, fez finca-pé entre a vegetação ou no resguardo da pequena tenda de controlo, assumindo o risco da experiência e onde se incluía uma estranha guitarra eléctrica em repouso vertical controlada digitalmente. A humidade ameaçadora da parafernália levou até a que o duo despisse os casacos para proteger melhor a sua integridade, um gesto que pareceu um movimento combinado integrante da apresentação enquanto o resultado da sobreposição de tons e sons se diluía de forma surpreendente com o barulho da chuva e dos pingos cada vez mais intensos. Inesperado e, já agora, premonitório!

(video removido a pedido dos artistas)


À custa da tal chuva abençoada, o pequeno atraso verificado na entrada dos japoneses Goat (JP) no espaço tenístico permitiu-nos não perder pitada do melhor concerto do festival. O quarteto reunido frente-a-frente no centro do palco e munido de uma pequena baqueta iniciou, então, um género de ritual compassado sobre os tambores (?) onde as batidas imaculadas e sem falhas prenderam de imediato a atenção de todos. Seguiu-se um novo e semelhante momento numa das partes laterais com o recurso, desta vez, a um conjunto de xilofones e/ou vibrafones, uma execução que pediu ainda mais concentração e o silêncio sepulcral e respeitador de uma plateia atenta e expectante. Foi aqui que ela, a chuva milagrosa, reapareceu como que convocada pela “cerimónia” mas quando num terceiro andamento os músicos se distribuíram pela bateria, baixo, saxofone a tambores para acelerar de forma dura o ritmo em dois ou três instrumentais de uma intensidade vibrante, as nuvens acabaram por dispersar empurradas por tamanha onda de impacto, uma força da natureza a que chamamos simplesmente rock. Desde logo, mítico!


Ainda a respirar fundo e a precisar de uma cerveja relaxadora, o caminho tinha agora um só sentido na direcção do prado onde a Banda Sinfónica Portuguesa apresentava o disco "Acid Brass" (1997) de Jeremy Deller. Descontraído, o colectivo jovem e bem disposto ganhou cedo a adesão dos ainda muitos resistentes quer pela inesperada combinação de uma matriz de house music com os metais e percussão tradicionais de uma orquestra quer pelo entusiasmo do maestro e tubista Sérgio Carolino, apostado em marcar o fim da festa de forma divertida. Atendendo às muitas palmas e aos pedidos de "mais uma", a contenda resultou em satisfação plena de ambas as partes. Até pró ano!          

segunda-feira, 4 de junho de 2018

BALLAKÉ SISSOKO ORCHESTRA + HAILU MERGIA + ORELHA NEGRA, Serralves em Festa, Porto, 2 de Junho de 2018

A carreira de Ballaké Sissoko ganhou na última década uma afamada dimensão internacional muito à custa do exotismo sonoro da kora, instrumento de difícil domínio mas onde as vinte e uma cordas, devidamente amansadas, permitem fazer magia. Juntar seis destes instrumentos ao jeito de orquestra com o seu nome amplia esta dimensão a um patamar de raridade sensorial que o conjunto de discípulos do mestre começou, desde logo, a emitir para uma plateia ansiosa pela oportunidade libertadora. A brilhar no início da tarde soalheira estiveram ainda as quatro vozes do Mali que na traseira ou frente do palco deram ainda mais cor e animação a um memorável concerto que, vincando a tradição e os costumes, permitiu um contínuo respirar de felicidade. Inspirador e expirador!



A vida de taxista de Hailu Mergia em Washington D. C. deu-lhe certamente muita paciência notória na calma com que assistia à afinação de instrumentos ou microfones, testes de som que retardaram o começo do concerto no Prado. Quando tudo parecia conforme, lá surgia novo desarranjo a precisar de acerto e Mergia, como quem espera clientes saídos de um avião, sacava pachorrentamente do telemóvel para mais uma espreitadela a alguma novidade ou contacto perdido. Quinze minutos depois do começo já atrasado e quando a festa parecia começar a animar, um falta de corrente eléctrica interrompeu uma outra corrente, a partilha animada que estava a começar a subir a olhos vistos e... Paciência, estava na hora de zarpar para finalmente ver dar à costa não as caravelas mas as caravanas de um tal Chico. Haveríamos de voltar, toldados!



O espectáculo dos Orelha Negra parecia não ser novidade para uma boa maioria da multidão que acorreu ao prado como manda a tradição, o que demonstra, desde logo, o sucesso do projecto lisboeta e a pertinência do agendamento. Visualmente envolvente e sedutor é, contudo, no tratamento dado à música que o colectivo ganha aos pontos um prémio de consistência e qualidade imbatível no género pelas nossas bandas e que tem no perito Samuel Mira aka Sam The Kid a nomeação cimeira. O corte e cose de samplers de fazer corar de inveja os Avalanches confirmam um trabalho de pesquisa e diggin assinalável que ao vivo alcança uma segurança murada por uma bateria a preceito, teclados e baixo vintage e um scratch tão certeiro quanto clássico. No ar, adivinha-se uma internacionalização do projecto que, mesmo no limiar do mainstream, se mantêm fresco e sedutor pelo muito traquejo adquirido. Quem sabe, sabe... 

domingo, 3 de junho de 2018

FIRE! + 23 SKIDOO, Serralves em Festa, Porto, 1 de Junho de 2018

A incontornável festa de Serralves conta já quinze anos, aproxima-se a maioridade, mas há muito que o evento "saiu de casa" sem consentimento. No que à música diz respeito, a aposta na subversão, no desconhecido e no inconvencional têm rendido momentos únicos e surpreendentes, o que logo nesta primeira noite aconteceu de novo com os nórdicos Fire!. Se é ou não jazz ou não, se é ou não rock, se é ou não noise, são etiquetas que não vale a pena procurar ou gastar cola, certamente uma preocupação que para o mentor Mats Gustafsson se torna irrelevante sempre que sopra, distorce ou abafa o seu saxofone barítono por cima ou por baixo do sons do baixo e da bateria num jogo sonoro experimental difícil de resistir. Isso mesmo, irresistível! 



Diferente balanço para os ingleses 23 Skidoo já em plena hora de ponta da festa no Prado. Com quase quarenta anos de percurso entre muitos altos, baixos e baixas, o concerto passeou ao de leve como uma banda sonora para começar a ir buscar cerveja, tirar a rolha às primeiras garrafas de vinho trazidas de casa ou procurar outros quaisquer estimulantes... Mesmo assim, entretido!

sexta-feira, 1 de junho de 2018

THE MEN, Maus Hábitos, Porto, 31 de Maio de 2018

Ter os The Men no Porto após a actuação no Primavera de Barcelona parecia uma dádiva imperdível. Mesmo assim, não foram muitos os que responderam ao apelo de uma boa noite de música com raízes em Nova Iorque, um quarteto com provas mais que dadas no que ao rock duro e noise-rock diz respeito. Confessamos que, entre outros, fomos atraídos até aos Maus Hábitos muito por conta de um dos seus discos chamado "Tomorrow Hits" de 2014, um conjunto não tão rude de canções à prova de qualquer camada de rock clássico e também porque oportunidades desta natureza são, infelizmente, cada vez menos pelas redondezas. Caramba, já tínhamos saudades de um rasgar inicial como o que a banda aplicou de enfiada, mostrando ao que vinha e o que queria mas não foi difícil perceber, um pouco mais à frente, que algum cansaço dos músicos e o horário tardio levou o espectáculo para uma simples rodagem de canções exemplarmente executadas mas a que faltou uma pitadinha de raiva e energia. Embora do tal grande álbum de há quatro anos nem uma única canção tivesse sido alinhada, valeu na mesma... man

SON LUX, FERIDAS DE EXCELÊNCIA!





















Esperamos muito tempo por um disco assim. Demasiado. Dez anos. Desde 2008, sempre que Ryan Lott e os seus, mesmo seus, Son Lux lançaram um álbum de originais ou um dos muitos EP's fomos a correr ouvi-los, apreciando a experiência e a encruzilhada sonora mas a sensação restante foi sempre a de constatar a competência, a qualidade e a quase excelência. Até agora. Com o sexto trabalho "Brighter Wounds" lançado em Fevereiro passado, Lott apresenta-se, finalmente, num esplendor artístico irresistível onde a cinemática sonora e as texturas das melodias alcançam uma grandeza assinalável em dez canções que se vão magistralmente encadeando sem contemplações. A merecer, por isso, uma audição única e sem interrupções e que pode e deve ser começado sempre que acaba "No Shape" de Perfume Genius, este é um disco de uma eloquência versátil ora reluzente ora escura que nos agarra como um livro que não se quer parar de ler, onde os tempos arrastados de incompetência pela América, o nascimento do primeiro filho ou a morte de um amigo muito próximo conduzem Lott a uma série de interrogações e dúvidas em carne viva sobre a eternidade, a vida e, claro, a morte e que tem em "Ressurection" um epílogo épico. Atendendo a que já este mês a banda viaja Europa fora em formato trio, um upgrade verificado desde 2015 com o ingresso de Rafiq Bhatia na guitarra e Ian Chang na bateria, a apresentação ao vivo de um dos grandes trabalhos do corrente ano pelas nossas bandas afigura-se urgente e suspirada...









terça-feira, 29 de maio de 2018

WILL SAMSON, BALEIA AÇORIANA?





















Algures o ano passado, um site habitual de descarga ilegal sugeria para todos os aficionados de Mark Kozelek o novo álbum de um tal Will Samson chamado "Welcome Oxygen" e, zás, não esperamos mais tempo. Ouvido, melhor, escutado como deve ser e tirando o exagero da comparação, algumas das faixas à guitarra remetiam para uma folk bem feita a roçar o experimental mas havia uma toada ambiental que se sobrepunha de forma luxuosa e cativante e onde, efectivamente, um dos temas se intitulava simplesmente "O Medo". Agora que o mesmo site nos apresenta o novo EP do jovem músico, a surpresa surge logo no título - "A Baleia" - a que se acrescentam os quatro nomes portugueses do registo, a saber, "Faroleiro", "A Baleia", "Vozes Encontradas" e "Brilhar" com a colaboração Benoît Pioulard. Investigue-se! A história é, aparentemente, esta: nascido em Londres, com residência habitual em Bruxelas, Samson tem ascendência luso-indiana e em 2016 decidiu escolher Portugal para se inspirar para o tal álbum mas a estadia parece não ter corrido muito bem. Uma série de contratempos culminaram com um acidente que o levou para um hospital lisboeta durante dois dias à conta de faltas de memória e um par de dentes partidos e, sendo assim, decidiu regressar a Inglaterra onde, então, acabou por gravar os temas definitivos do disco "Welcome Oxyen". Talvez nessa passagem por cá tenha viajado até aos Açores como sugerem as novas faixas  referidas, um retorno a uma base ambiental de paisagem sonora apropriada mas a explicação oficial inclui uma outra e inesperada proveniência - o tempo passado no verão de 2017 na escuridão de um tanque de flutuação meditativo à prova de som e com água salgada morninha, experiência certamente atraente mas nada baratinha e que já é possível nalguns spas por perto! Certo é que outros registos anteriores tinham luso-conexões de que é exemplo o trabalho "Lua" que agora surge na lado b da K7 entretanto disponibilizada, havendo ainda um video (abaixo) captado no nosso país aquando de "Balance", um outro álbum datado de 2012! Atendendo a que no próximo Outono Samson realizará as primeiras partes dos concertos de S. Carey por terras britânicas, os tempos de ascensão talvez o façam regressar, sem azares, para uma estreia numa boa sala das redondezas. 



segunda-feira, 28 de maio de 2018

FEDERICO ALBANESE + PETER BRODERICK, Auditório de Espinho, 26 de Maio de 2018

O pequeno/grande recital do pianista italiano Federico Albanese não podia ter tido melhor local e oportunidade - recinto exemplar, acústica soberba, público habituado a respeitar os silêncios e as pausas indispensáveis e que lhe confiou muitas palmas numa estreia convincente e surpreendente. Já no terceiro disco de nome "By The Deep Sea", os instrumentais ao piano com pequenos laivos de sintetizador são peças sonoras de uma profundeza imagética irresistível e sonhadora que nos conduziram a um saboroso transe meditativo que se espalhou naturalmente no auditório em jeito de uma nuvem à espera da brisa sonora um pouco mais forte que se seguiria e aproximava...



Apresentado formalmente como um serão ao piano, o espectáculo de Peter Broderick foi muito mais que isso e transformou-se numa notável afluência de sonoridades, instrumentos e energias. Já com diversas provas de genialidade vertida em disco (quase uma vintena!) devidamente comprovada em concertos pelas redondezas nos últimos anos, o americano começou assim mesmo, ao piano, para duas, três, pérolas de uma assentada extremosa ("Sideline", "Below It" e o frágil "Low Light") mas de seguida, para que não restassem dúvidas sobre a perícia e destreza, lançou-se na guitarra, nos loops e no violino para, entre outras, duas versões do inspirador e prolífico Arthur Russell, um talismã natural que é também sinónimo de inquietude experimental e que sugere uma caminho futuro de difícil previsão mas de qualidade garantida. Quando voltou às teclas (ali em baixo ao minuto 35:50) para um arrebatador momento instrumental de inebriante efeito (título? quem ajuda?), a noite ganhou uma tensão ainda mais avassaladora e sólida a fazer lembrar um contínuo minimalismo vanguardista tão do agrado do mestre Melnik e, já agora, do nosso! Ainda golpeados pelo assomo, houve ainda tempo para duas outras preces ("Our Best" e "Hello to Nils"), este último num truque de lírica metafórica de irresistível adesão e onde a suposta despedida é rendida por uma saudação colectiva ... hello! O primeiro encore ao lado de Albanese numa parceria (inédita?) que se adivinhava antecipou ainda uma outra saborosa surpresa guardada para um segundo regresso ao palco, uma peça intemporal retirada do enorme songbook de Dylan chamada "I Threw It All Away". Tão grande! 
      

sexta-feira, 25 de maio de 2018

VACATIONS, JÁ OUVIRAM O NOVO ÁLBUM DOS SMITHS?

Confusos? Pois bem, a estreia do quarteto australiano Vacations com o álbum "Changes" é, numa primeira audição, um regresso ao passado que primeiro se olha de soslaio mas que rapidamente se torna tão irresistível e pegajoso que até assusta! Há nas guitarras, na forma das canções e na voz tanto dos Smiths de 1984 que é impossível não voltar aqueles tempos de canções registadas em K7 na casa/meca do vinil de Campanhã, em que a terça-feira era dia de ida sagrada ao quiosque no Bonfim para agarrar o Blitz e duas chiclas "Gorila" para facilitar o troco e a vida parecia sempre parar no verso "I was happy in the haze of a drunken hour"... Atendendo a que se aproximam as vacations, os pés na areia e os mergulhos, este é um prazer sonoro que não vamos querer mais largar!

quinta-feira, 24 de maio de 2018

BEDOUINE, COINCIDÊNCIAS!





















A menina Azniv Korkejan, nascida na massacrada cidade síria de Alepo, emigrou na infância com os pais para os Estados Unidos e na soalheira Los Angeles aplicou-se a sério na guitarra e na composição de canções. O ano passado, o esforço valeu-lhe a edição do primeiro disco sob o nome de Bedouine na Spacebomb de Mathew E. White, casa que começa a ganhar uma reputação admirável e que promoveu imediatas digressões pelo continente americano e velho continente, ora em nome próprio ora na primeira parte de bandas como Real Estate e Fleet Foxes ou do mesmo White. Ontem, uma amiga atenta e a suspirar, como nós, com um concerto por perto, notou uma fotografia da artista por Sintra, sorridente e fresca junto de uma porta de estilo neomanuelino (Quinta da Regaleira?), o que valeu uma série de comentários elogiosos ao país e, claro, pedidos de uma apresentação pelas nossas bandas. Especulando um pouco, o aparente dia de férias e passeio pela luminosa vila coincidiu com a segunda data de Jonathan Wilson em Lisboa para tocar na banda de Roger Waters e talvez Azniv tenha aproveitado para cimentar a amizade com o conterrâneo mago guitarrista e produtor californiano que, outra coincidência, a convidou até para participar no video do tema "There's a Light" do magnífico álbum "Rare Birds" editado em Março passado. Coincidências... ah, já agora, entre os próximos vaivéns entre a Europa e os E.U.A - onde fará a primeira parte de algumas datas de Kevin Morby já em Junho e de Father John Misty no próximo Outono europeu - a menina tem no início de Julho visita marcada para Espanha para dois concertos e seria uma outra óptima coincidência uma extensão lusitana. Pode ser que um destes dias...   



quarta-feira, 23 de maio de 2018

UAUU #434

SISSOKO E LOBO EM SERRALVES!


























A festa de Serralves aproxima-se e, claro, haverá muita música: Fire!, 23 Skidoo, Hailo Mergia, Duquesa, Orelha Negra ou os japoneses Goat, por exemplo. No sábado, dia 2 de Junho, o destaque irá para Ballaké Sissoko em formato orquestra de koras e Norberto Lobo ao lado de Ricardo Jacinto, Marco Franco e Yaw Tambe para apresentar o mais recente álbum "Estrela". Imperdível e, ainda, gratuito!

(programa de música completo aqui)

segunda-feira, 21 de maio de 2018

ERLAND OYE, C. C. Vila Flor, Guimarães, 19 de Maio de 2018

Descontando as oportunidades que, ao longo dos anos, não deixamos passar para uma qualquer festa com os Kings of Convenience, tradição que vêm já da estreia por cá em 2006, esta era a primeira vez em que a primazia era dada a Erland Oye, o cromo decisivo para o êxito de qualquer um dos folguedos anteriores. Não era fácil, contudo, perceber previamente a estratégia, alinhamento ou programa a aplicar perante uma plateia ávida de animação e cheia de saudades das canções do duo norueguês. Anunciava-se um concerto acústico, a solo e as primeiras investidas, como sempre, soaram calmas, sérias e retiradas do manancial de faixas novas ou já editadas a solo ou com os Whitest Boy Alive, entre Bergen, Londres, a cidade do México ou Chile, o Rio de Janeiro ou Berlin e onde uma só, e quase irreconhecível, "Power of Not Knowing" dos Kings foi eleita. Mas a presença em palco de mais três microfones, um piano e mais algumas guitarras, deixava adivinhar uma qualquer surpresa que se deu com a entrada em palco da La Comitiva, um trio de amigos músicos da Sicília, ilha italiana que funciona como residência e refúgio de Erland desde 2012. Estavam lançados os primeiros foguetes! Com um cavaquinho, um ukelele, uma guitarra ou duas e até um oboé (clarinete?), o serão começou a ganhar os contornos habituais de boa disposição com versões misturadas de antigos e novos temas - recordamos "Paradiso", "Upside Down", "Bad Guy Now" e até o fantástico "For The Time Being" dos Phonique numa versão obviamente acústica a que só faltou juntar o "Sudden Rush" - mas houve ainda algum refreio com a execução de diversos instrumentais em jeito de experiências sonoras em desenvolvimento e até o convite a um cantautora brasileira recentemente descoberta em Lisboa para a apresentação de dois bem recebidos originais, um outro hábito que Oye não dispensa e promove (em 2009 por Braga foi Javiera Mena, chilena conhecida também em viagem). Surgiu depois o inevitável desafio: a ocupação da frente do palco por voluntários que quisessem dispensar as cadeiras e o bailarico não mais parou, como podem confirmar no registo possível que aqui trazemos, e onde se incluíram um coro colectivo de parabéns a um dos elementos do staff e uma surpreendente versão de "Maneiras" de Zeca Pagodinho a culminar mais um excelente serão de saboroso pagode... de barriga cheia!

DUETOS IMPROVÁVEIS #207

GOLDFRAPP & DAVE GAHAN
Ocean (Goldfrapp)
Edição deluxe do álbum "Silver Eye", Julho 2018

quinta-feira, 17 de maio de 2018

MELODY'S ECHO CHAMBER, BOA VIAGEM SONORA!





















A melodiosa Melody Prochet, menina francesa que se esconde atrás dos Melody's Echo Chamber, surpreendeu meio mundo em 2012 com a consistência e qualidade das suas canções estreadas no então álbum homónimo, trabalho que fazia jus ao nome de baptismo premonitório e augurava um brilhante futuro artístico. A ajuda do namorada da altura, simplesmente Kevin Parker, o cérebro dos Tame Impala, ajudou, e de que maneira, ao êxito obtido e que seria devidamente confirmado ao vivo no Primavera da Invicta do ano seguinte perante uns poucos, mas bons, no palco Pitchfork. A vida parecia sorrir-lhe, a motivação para um segundo álbum era então enorme mas a linha ascendente pode não ser só um caso de quiromancia - o rompimento do namoro e uma queda nunca explicada o ano passado, aparentemente já na Suécia para onde se tinha refugiado na procura de inspiração e sossego (?), levou-a para uma cama de hospital por alguns meses com um aneurisma e algumas vértebras partidas, adiando, desde logo, a digressão então marcada e a saída do tal disco que, mesmo assim, teve um prometedor avanço de nome "Cross My Heart". Refeita e recuperada do susto, chega agora a hora de iluminar o trilho para o regresso com "Bon Voyage", título do disco que traça o caminho de uma jornada difícil nos confins de um floresta nórdica com a ajuda de gente dos fabulosos The Amazing, dos Dungen e até dos Pond, num extraviado triângulo das Bermudas musical. Aproveitando algumas demos do inacabado segundo disco ao lado de Parker, o resultado, a avaliar pela tripla de canções que já se podem ouvir, é desconcertante e sedutor e tem na versão púrpura em vinil prevista para meio de Junho uma peça de embalagem e conteúdo que parece irresistívelMhamm, mhamm...






quarta-feira, 16 de maio de 2018

KASSIN, NO RELAX!





















O nome de Alexandre Kassin é no Brasil um dos mais reputados produtores musicais mas que assume também uma vertente de artista que passamos a conhecer aquando do projecto "X + 2" ao lado de Moreno Veloso e Domenico Lancelotti. Nas três visitas ao Porto entre 2001 e 2007, confessamos que Kassin nos pareceu o elo mais fraco na apresentação ao vivo dos três discos resultantes da parceria, embora a sua presença animada, a simpatia e a sátira fossem mais que evidentes para o êxito de qualquer um dos espectáculos. Como compositor, Kassin sempre teve um leque alargado de canções para dar e vender a outros artistas arriscando o álbum a solo "Sonhando Devagar" em 2011, surgindo agora uma segunda investida chamado "Relax" na prestigiada editora Luaka Bop de David Byrne. Trata-se de um rol de temas descontraído e, isso mesmo, relaxante de retrovisor sonoro diverso onde o disco, o funk ou o tropicalismo recebem um caprichoso tratamento e em que as letras nonsense tão ao seu jeito são de uma irresistibilidade estonteante (basta ouvir "Digerido" ou "Comprimidos Demais"). Numa versão deluxe do disco realce para o tema "Estrada Negra" com a participação dos portugueses Orelha Negra, um prolongamento lógico de uma colaboração antiga que teve no Rock & Rio lisboeta de 2012, ao lado ainda de Hyldon, uma face bem visível. Impossível ainda não notar, na mesma edição, a versão de "Something Stupid" de Sinatra com a ajuda da amiga Clarice Falcão e cujo video abaixo merece uma imediata vista de olhos... coisinha estúpida!






UAUU #433

terça-feira, 15 de maio de 2018

SUPERORGANISM DE SECRETÁRIA!

PROTOMARTYR, RODA DA SORTE!





















A imensa vontade em tornar a ver os Protomartyr em cima do palco levou-nos a uma dedução arriscada sobre a sua suposta vinda a Paredes de Coura ainda este ano. Certo é que entre os muitos concertos agendados pela banda para a Europa em Agosto o trajecto não passa infelizmente por lá e, por isso, não temos direito a prémio... Só nos resta esperar e tornar a apostar mas pelo menos temos como consolação quatro novos temas para um EP de nome, lá está, "Consolation" gravados há precisamente um ano no Kentucky com a ajuda de Mike Montgomery que ao lado de Kelley Deal das The Breeders formou o projecto R. Ring e com quem tinham partilhado um split single de vinil em 2015. Vai daí, a menina foi convidada a participar em duas das canções que têm data oficial de partilha a partir do próximo dia 15 de Junho, tendo a primeira delas chamada "Wheel of Fortune" direito a video alusivo. Uma sorte. Sabem como se chama a outra? "You Always Win", nem mais!   

segunda-feira, 14 de maio de 2018

ANGEL OLSEN, Centro Cultural Vila Flor, Guimarães, 13 de Maio de 2018
















Não é fácil escrever sobre o concerto de ontem de Angel Olsen, como não será sobre os de hoje e amanhã pela capital. A vida não é fácil, não está fácil e esse peso sentiu-se desde o início com a sua postura calma e algo sobranceira como que a sentir o espaço, o público e o discurso: nada de êxitos ou sequer o seu pedido (p.f. risquem "Shut Up Kiss Me") mas sim canções antigas, muito antigas, outras novas ainda sem nome a precisar de teste mas de filmagem interdita, justificando a razão do último registo "Phases", disco que reúne uma série de obscuridades e preciosidades a precisar de luz, muita luz. A fase é pois de pousio activo, de motivação e até, parece, de algum refreio no relativo sucesso de "My Woman" que nos foi apresentado com banda completa no Primavera Sound do ano passado. Não sabemos e até desconfiamos que a actual digressão a solo funcionará como um pré-teste às suas capacidades de renovação artística e inspiração que foi disfarçando entre goles de vinho tinto com apartes e histórias propositadamente inacabadas, lançando farpas que pareciam sérias sobre a vida, a maternidade ou a auto-estima medida em acrescidos centímetros diários (ups) e que mais não foram que inconsequentes prefácios do mais importante - as canções! Essas, desfiladas pelo toque sublime numa guitarra Gibson bem preta encostada a um vestido curto bem preto, continuam submersas numa patine tocante a que a plateia se foi silenciosamente enroscando, toldada pela voz, pelas diferentes vozes e tons, que só Olsen sabe entoar de maneira a nos enfeitiçar em lume brando até ao inevitável "White Fire", nome de pérola e excitante em forma de canção... everything is tragic, it all just falls apart

sexta-feira, 11 de maio de 2018

3X20 MAIO















ARCTIC MONKEYS, QUE PINTA!





















Dos Artic Monkeys nunca se saber o que esperar, embora o que queremos que continuem a fazer é boa música pop-rock. Já houve surpresas ("Suck it And See"), desilusões ("AM"), estranhezas ("Favourite Wors Nightmare") e até duas excelentes aventuras paralelas com os Last Shadow Puppets. O novo "Tranquility Base Hotel & Casino" que está hoje nas lojas constitui, entre todos, a maior e mais arriscada cambalhota artística da banda que vai dividir certamente muitos dos aficionados mas que a nós nos parece brilhante, tentador e bastante divertido. Confirma um Alex Turner ao comando da nave espacial - um piano e muita imaginação ficcional - numa lunática viagem sonora, como muito bem sugere o título e a capa, ao jeito de um disco a solo disfarçado de colectivo e com faixas de puro recorte vintage como "Star Treatment" ou "Four Out of Five" que apresentaram há poucos dias no programa de Jimmy Fallon. Reparem bem na pinta...




quinta-feira, 10 de maio de 2018

WHITE DENIM, DE TRÁS DA ORELHA!





















Os texanos White Denim já têm idade e fibra suficientes para jogarem numa primeira liga do novo rock embora a nossa previsão com dois anos que prometia um estouro global com o disco "Stiff" ao jeito dos Tame Impala se tenha esvaziado sem explicação. Tá mal. Mereciam e merecem mais atenção, sobretudo uma oportunidade para ao vivo confirmarem todo o talento dos discos, o que por estes lados ainda não aconteceu. Há quem, no entanto, consiga prever o futuro... cuidado! Talvez desiludida com o estado das coisas, a banda rompeu o contrato anterior e assinou recentemente pela City Slang de Berlin para a edição em Agosto de um oitavo disco com o título de "Perfomance". Na capa há um belíssimo desenho do artista conterrâneo Will Gaynor e lá dentro, como se confirma pelo primeiro single, aquele apelativo rock & roll de trás da orelha! 

terça-feira, 8 de maio de 2018

UAUU #432

DAMIEN JURADO, SUBLIME!

Já conhecíamos três das novas canções de Damien Jurado - a saber, "Percy Faith", "Allocate" e "Over Rainbows and Rainier" - do álbum "The Horizon Just Laughed" agora editado, todas excelentes, todas prometedoras, todas pré-clássicos instantâneos. Mas agora que o disco anda em roda livre pelos nossos ouvidos há uma delas que se tornou imediatamente irresistível - chama-se "Marvin Kaplan", nome do actor famoso pela participação no sitcom americano "Alice" falecido em 2016, tem um arranjo no disco que é simplesmente sublime mas ontem surgiu na rede uma sessão holandesa a solo onde, ali ao minuto 2:44, Jurado simplesmente à guitarra nos aplica um daqueles feitiços de que não queremos sair e que nos deixa a sonhar com um concerto seu na intimidade e profundeza de uma sala pequena. Vamos ficar à espera do milagre... 



segunda-feira, 7 de maio de 2018

BEDOUINE DE SECRETÁRIA!

KOZELEK POR KOZELEK!





















Atendendo à catadupa de discos quer em nome dos Sun Kill Moon quer em nome próprio, um novo álbum de Mark Kozelek acaba sempre por não ser uma surpresa. O primeiro do corrente ano, que antecipa mais dois previstos para o mesmo período, recebeu simplesmente o seu nome e foi composto em vários quartos de hotel da cidade de São Francisco como se adivinha pela fotografia da capa (não, desta vez não há canções sobre Portugal... aparentemente). Colaboram os amigos Steve Shelley e Jim White que repartem a bateria, o saxofonista Donny McCaslin que participa no primeiro single "Day in America" acerca do tiroteio de Fevereiro passado na Florida e onde podem ainda ouvir as palavras do actor Kevin Corrigan. O tema pode ser descarregado de forma gratuita no site dos Sun Kill Moon. A fertilidade criativa de Kozelek não tem travão e, para além de trabalhos em parceria prometidos para 2019 com os referidos McCaslin e White, há um disco de inéditos dos Sun Kill Moon para Novembro e uma intensa digressão a solo que parte já esta semana do Chile, passa pelo Brasil, Montenegro, Hungria e chega até à Finlândia (a propósito, curiosa a data de 29 de Setembro, grande dia, no Filmore de São Francisco onde terá Jessica Pratt como convidada e que é uma prova de vida da menina entretanto "desaparecida"). Aqui fica o video para o novo e biográfico (?) "Weed Whacker" incluído no disco a solo a sair na próxima sexta-feira na mítica Caldo Verde Records.


domingo, 6 de maio de 2018

LISA HANNIGAN, Teatro Cinema de Fafe, 4 de Maio de 2018

A noite primaveril de sexta-feira passada prometia muito mas a deslocação a Fafe envolvia, contudo, alguns daqueles receios que nos habituamos a ter quando as estreias são múltiplas: será que vai estar cheio, será que a sala aguenta, será que a artista vai corresponder, será que... e o som? Pois bem, meus amigos, o recital de Lisa Hannigan no delicioso teatro minhoto ("inside a delicious cake", como a própria bem notou) resultou num momento sublime de partilha, sintonia, boa disposição e, acima de tudo, na confirmação de um enorme talento para dar e vender. Quanto aos tais receios, eles acabaram logo que as luzes se apagaram para a magia a cappella de "Anahorish". Detentora de um songbook considerável que a levou até a esquecer a frase que inicia a lindíssima "Paper Bag" - falha colmatada pela sapiência de um fã atento e fiel - Hannigan apresentou-se com enorme simpatia e bondade, rodando canções de concha em concha e donde saíram, à vez, pérolas polidas por uma vincada limpidez e segurança da sua voz cristalina de fazer tremer os mais incautos. Fomos, somos uns sortudos!

sexta-feira, 4 de maio de 2018

UAUU #431

RYLEY WALKER, BIZARRICE DA BOA!





















Aproxima-se a edição do álbum "Deafman Glace", o quinto de Ryley Walker com lançamento marcado para dia 18 de Maio na Dead Oceans. Para essa data está prevista uma festa de arromba e respectivo concerto já esgotado no Hungry Brain da natalícia Chicago, cidade que foi fonte de inspiração e constante referência para a construção bizarra das novas canções. A sua projecção envolveu, desta vez, uma abordagem mais arriscada onde a utilização de instrumentos inusuais e estranhos aliada a um conjunto de líricas surreais pretendeu estruturar de forma mais rígida os temas, deixando para trás alguma improvisação e alongamento que caracteriza os trabalhos anteriores e, acima de tudo, as apresentações ao vivo. Lá para o Outono a digressão, que agora terá início por terras americanas, chegará à Europa e está já reservada a data de 22 de Novembro para a apresentação na Galeria Zé dos Bois em Lisboa. Podendo, é ir sem falta!



quinta-feira, 3 de maio de 2018

DUETOS IMPROVÁVEIS #206

CIRCUIT DES YEUX & JULIA HOLTER
Fruits of My Labor (Lucinda Williams)
Great Scott, Boston, E.U.A., 6 de Março de 2016

quarta-feira, 2 de maio de 2018

JONATHAN JEREMIAH, BELOS DIAS!





















É só para o final de Agosto que está prometido o regresso aos discos grandes de Jonatahan Jeremiah pela PIAS Recordings alemã mas o certo é que o verão se adivinha certamente mais bem disposto! São onze novas canções reunidas num quarto álbum de originais que já tardava e que tem em "Good Day" um tema título sugestivo e jovial para suspirar pelo calor ou, pelo menos, mais dias de belo sol...

terça-feira, 1 de maio de 2018

CASH POR ELVIS COSTELLO!





















Em 2016 foi editada uma colecção de poemas, cartas e líricas para canções intitulada "Forever Words" que o grande Johnny Cash escreveu em vida mas que até aí permaneciam inéditas e obscuras, um volume que incluía o próprio fac-símile desses documentos e palavras de contexto elogiosas da autoria do premiado Paul Muldoon e do próprio John Carter Cash, filho único do mítico artista norte-americano. Recentemente, dezasseis destes inéditos ganharam uma segunda vida em forma de canções por um conjunto de artistas de peso mas cujo resultado final é um pouco desequilibrado e super-produzido. Há, no entanto, um tema que salva o projecto da autoria de Elvis Costello que em "I'll Still Love You" regressa a um nível clássico que nos habituamos a venerar. Irresistível!



segunda-feira, 30 de abril de 2018

MATCHESS + CIRCUIT DES YEUX, Auditório de Espinho, 28 de Abril de 2018

A história que Haley Fohr aka Circuit des Yeux diz ter-lhe acontecido algures em 2016 que envolve, em determinado momento, um sombrio golpe de trevas seguido de um banho de luz níveo, marcou desde logo toda a inspiração que repousa no magnífico disco do ano passado "Reaching For Indigo". Foi essa peça de misteriosa matéria sonora que foi apresentado em Espinho perante uma plateia receptiva à surpresa e ao encantamento que haveriam de pairar por entre a escuridão da sala. Iluminado amiúde por ténues projecções laterais, o quarteto de serviço preferiu percorrer a quase totalidade do referido álbum respeitando o seu sugestivo alinhamento de forma grandiosa e que teve em "Brainshfit" e "Black Fly" um começo arrebatador. Aquela voz barítona de rara estranheza acelerou então, e sem contemplações, o caminho para o êxtase pretendido numa tensão crescente culminada em "Falling Blonde", um cume de rara beleza a dispensar qualquer encore. Ele acabaria, naturalmente, por acontecer envolvido por muitas palmas e já com um pouco mais de luminosidade em palco, como que sinalizando o fim da nebulosidade negra e a chegada de algumas abertas luzentes onde brilhou uma versão da grande Lucinda Williams. Excelente concerto!



Antes de se juntar à banda de Haley For e com uma única vela acesa a fazer-lhe companhia, a violinista Whitney Johnson aka Matchess teve trinta minutos para testar as suas experiências sonoras que envolveram cassetes audio em loop, a sua própria voz e uma viola de arco, uma espécie de violino mais encorpado. As texturas entoadas sugeriram uma densidade ambiental de carisma misterioso e obviamente negro que serviu como antecâmera funcional do concerto principal. 


UAUU #430

sexta-feira, 27 de abril de 2018

NORBERTO LOBO, ESTRELA CINTILANTE!





















A trilogia de álbuns que Norberto Lobo acordou com a editora suiça Three: Four tem hoje um termino oficial com a saída de "Estrela", disco em que a sua guitarra eléctrica se junta à bateria de Marco Ferraro, ao saxofone de Yaw Trembe e ao violoncelo de Ricardo Jacinto. A inspiração confessada para os oito temas recaiu no jazz dos anos cinquenta mas também nos mestres Tom Zé e Moacir Santos e com uma referência explicita a Noel Rosa, nome da primeira canção do álbum que homenageia outro compositor histórico da música brasileira, tudo registado em Junho do ano passado nas oficinas alentejanas do Convento de São Francisco em Montemor-o-Novo. A assinalável fotografia da capa é, mais uma vez, uma cortesia de António Júlio Duarte, artista que já tinha sido o autor das imagens dos álbuns anteriores "Muxama " e "Fornalha", o que transforma a edição em vinil que irá estar disponível numa verdadeira peça de colecção. Para assinalar a data há hoje concerto marcado para o auditório do Teatro Maria Matos em Lisboa a que se juntou a participação num podcast de antecipação do espectáculo que pode ser escutado por aqui.


KATIE VON SCHLEICHER, RECLAMAÇÃO POR ESCRITO!





















A estreia o ano passado nos discos a sério da norte-americana Katie Von Schleicher com o sugestivo "Shitty Hits" é o resultado de muita persistência e fé nas suas canções, um conjunto sonoro que pode não ser de imediato efeito mas que se vai entranhando subtilmente a cada audição, uma descoberta que, tal como a pronúncia do seu apelido, não é fácil apesar de demasiado saborosa. A menina não tem parado, seja a imprimir na cozinha as capas para a reedição em vinil da estreia em cassete com "Bleaksploitation" (2015) seja a gravar dois novos temas - para escuta séria abaixo - que farão parte de uma rodela pequena limitada a trezentas peças disponível a partir da próxima semana e que são o resultado de uma pausa na digressão de Inverno que permitiu uma inspiradora estadia na terra natal, o estado de Maryland. Sendo assim, aqui fica a reclamação formal e por escrito quanto a um concerto da artista que NÃO foi agendado para o norte do país já que a artista tem no próximo mês datas marcadas para Lisboa (19) e Setúbal (20), por sinal os últimos de uma intensa digressão europeia que merecia um acrescento pelas redondezas... bahh!



quinta-feira, 26 de abril de 2018

RHYE DE SECRETÁRIA!

I HAVE A TRIBE, NÓS TAMBÉM!





















Uma primeira parte de um concerto de Ana Calvi na Casa da Música há já alguns anos ficou-nos na altura na retina e na memória. Um misterioso pianista irlandês apresentou, então, um conjunto de temas brilhantes sem rede mas o certo é que o nome de Patrick O'Laoghaire disfarçado sob o epíteto de I Have A Tribe não tinha à data qualquer disco editado e era, por isso mesmo, um perfeito desconhecido. Mereceu todas as palmas com que cordialmente a plateia o recebeu mas desde aí, contudo, saíram já uma série de singles que culminaram em 2016 com o primeiro álbum "Beneath A Yellow Moon" na Groenland alemã. O canal Arte, sempre atento, levou-o a semana passada ao coração da Gaité Lyrique num fim de tarde parisiense, apontou-lhe as várias câmaras e o resultado é este pedacinho imperdível de pura magia que confirma todas as boas sensações daquele serão já distante. Juntem-se à tribo...



quarta-feira, 25 de abril de 2018

SINGLES #45






















SÉRGIO GODINHO - Liberdade/O Grande Capital
Portugal: Sassetti, GM 2000/010/S, 1975
Uma das canções icónicas do pós-25 de Abril é esta "Liberdade" de Sérgio Godinho. O tema abria o disco "À Queima Roupa" de 1974, o primeiro registado pelo artista em Portugal para onde regressou vindo do Canadá logo após a notícia da revolução, sendo muito provavelmente aquele que mais insistentemente passava na altura pela rádio nacional e um dos que mais vezes foi cantado em coro pelo país fora em dezenas de festas-concertos colectivas de âmbito popular. Lembramos bem o refrão "a paz, o pão, habitação, saúde, educação" entoado nas correrias pelo recreio da escola, uma ladaínha ritmada de agrado de miúdos inocentes muito distante de qualquer significado político ou aspirações como o utópico "quando pertencer ao povo o que o povo produzir" que finda a lírica... O aparente êxito da canção levou a casa Sassetti a "cortar" um single saído no ano seguinte através da sua etiqueta Guilda da Música mas a sua actual raridade e valor leva-nos a supor que as vendas não foram famosas ou, o mais provável, a edição foi em número reduzido o que choca com a inegável popularidade da canção, um hino à liberdade que se comemora no dia de hoje.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

UAUU #429

MERCURY REV A RONDAR!














A suspirada digressão acústica dos Mercury Rev em formato duo que comemora os vinte anos do disco sagrado "Deserter's Songs" chegará ao Lux lisboeta a 27 de Setembro próximo mas há agora a confirmação de uma data em antecipação na sempre querida Galiza (embora sem cidade escolhida) marcada para 18 do mesmo mês, por sinal o segundo de seis concertos por terras castelhanas! Podia ser em Vigo, bela terra...

RICHARD HAWLEY, ENGRAÇADINHO!

Enquanto não chega um novo álbum de originais de Richard Hawley, o melhor será arejar com parte de uma banda sonora que o inglês compôs para o filme "Funny Cow", comédia de tradição britânica estreada o ano passado mas, ao que parece, sem muita piada. O próprio Hawley desempenha um pequeno personagem chamado Cream que ao lado de Corinne Bailey Rae, Coffee no filme, cantam, num dueto, o já clássico "I Still Want You". Ao todo, são nove as canções da sua autoria, entre elas a do tema título em versão cantada e instrumental, mas há ainda mais cinco de Ollie Trevers, miúdo de Suffolk que agora se lança na composição de bandas sonoras. Engraçadinho, talvez...





quinta-feira, 19 de abril de 2018

THE INNOCENCE MISSION, QUE BELA UNIÃO!





















A colaboração de Karen Peris no álbum de estreia do projecto de Simon Raymonde chamado Lost Horizons editado o ano passado passou de uma simples flor a um saboroso fruto! Sendo assim, os The Innocence Mission gravaram para a editora Bella Union, propriedade de Raymonde, um álbum de originais de nome "Sun On The Square" com saída prevista para dia 6 de Julho próximo e para o qual se adianta já a respectiva capa, linda como sempre, e também uma das novas canções titulada "Green Bus" onde o tamanho da beleza não tem preço nem idade!

KEATON HENSON, SEIS ANSIOLÍTICOS!





















Já passou muito tempo sobre a emersão do talento de Keaton Henson, recatado artista multifacetado inglês que tem na solidão um refúgio desde sempre notório. Tímido, ansioso, avaro a confusões, multidões e promoções, Henson dedicou os últimos três anos na composição de novos temas que rodeiam as temáticas da doença mental, dos traumas e da empatia, construindo seis peças para orquestra que tentam contar a sua história em forma de letargias sonoras a ser apresentadas exclusivamente pelo Barbican de Londres no próximo dia 22 de Julho. Nessa data, a Britain Sinfonia irá interpretar pela primeira (única?) vez "Six Lethargies" sem o artista que, não estando presente, não terá em palco nenhuma contribuição mas que intencionalmente aspira a obter uma resposta para seu dilema interior: "If I write how it feels to me, will it make you feel the same?". Aqui fica uma prova antiga que pode ajudar na argumentação... sem ansiolíticos!

terça-feira, 17 de abril de 2018

UAUU #428

ALELA DIANE, UMA PERDIÇÃO!

O disco "Cusp" que marca o regresso de Alela Diane às canções e aos concertos tem tido aqui na casa uma rodagem viciante confirmando todas as expectativas pelas quais fomos suspirando perdidamente. Ao vivo, na actual digressão pela Europa que infelizmente não tomou rumos ibéricos, Diane tem dado primazia óbvia aos novos temas com a contribuição certamente decisiva da violinista Mirabai Peart e da amiga e multi-instrumentista Heather Woods Broderick, um trio de luxo! Na recente passagem pela Bélgica foi assim... uma perdição!







Entretanto, um novo video para mais uma grande canção desse álbum foi a semana passado disponibilizado e tem realização da jovem talento Carissa Gallo.


segunda-feira, 16 de abril de 2018

RECORD STORE PRAY 2018!

É já no próximo sábado que se realiza mais um Record Store Day, uma amálgama confusa de edições oficiais, regionais, locais, etc., etc., que parecem não acabar ou não fosse o dia aproveitado pelas casas de discos para facturar à custa de uma suposta comemoração alternativa! Da lista oficial, se tivéssemos (hipótese) de escolher, era esta dúzia de rodelas por favor...












domingo, 15 de abril de 2018

NADAH EL SHAZLY, Understage, Teatro Rivoli, Porto, 13 de Abril de 2018

A perfomance da egípcia Nadah El Shazly debaixo do palco do Rivoli teve plateia composta, alguns problemas técnicos e muita, muita fadiga quer do público, que esperou até depois da hora pelo concerto, quer da artista, notoriamente em modo zen e sem muito fulgor. Foi pena, porque a receita estranha que o disco de estreia evidencia é uma experiência sonora vanguardista que mereceria outro vigor e intensidade e onde a voz árabe se mistura de forma sedutora e exótica com uma base electrónica mas que se perdeu algures pela cave escura entre palmas ténues. Uma experiência que precisa de um novo teste... mais (a) sério! 

sexta-feira, 13 de abril de 2018

JENNY HVAL, SÃO FEITIÇOS!

Depois do álbum "Blood Bitch" de 2016 e que foi apresentado em devida altura por perto, a artista norueguesa Jenny Hval registou um novo EP de nome "The Long Sleep" a sair em Maio pela Sacred Bones Records. Há já uma versão em vinil devidamente autografada e com uma série de goodies limitada a trezentas e cinquenta cópias e onde a música se aproxima a uma composição mais clássica e instintiva em que o mesmo tema é desdobrado e reciclado em quatro diferentes feitiços. Aqui fica o primeiro...


quarta-feira, 11 de abril de 2018

AGNES OBEL, CONTOS DE ENCANTAR!

A cliente seguinte, depois dos Badbadnotgood, a escolher música para a excelente série inglesa "Late Night Tales" é a menina Agnes Obel. Entre as vinte opções há muitas surpresas como a canção dinamarquesa em forma de leitura chamada "Glemmer Du", o novo original "Bee Dance" ou o poema de Inger Christensen "Poema About Death" transformado em canção "espanta espíritos", pérolas que se juntam num colar sonoro diverso e atraente onde ainda cabem encantamentos de Henry Mancini, Ray Davies, Yello, Nina Simone ou da jamaicana Nora Dean. Para descobrir com urgência!





KING KRULE, AMOR ANTIGO!

A história conta-se, ao que parece, sem espinhas: quando Archy Marshall assumiu o alter ego de King Krule e começou a tocar ao vivo, a estreia oficial aconteceu num festival no sul de França no verão de 2011. Nesse dia, no caminho para Hyères, assim se chama a povoação gaulesa, ouviu a canção "Forever Dolphin Love" de Connan Mockasin, título do homónimo álbum do mesmo ano do neozelandês. Desde aí não se cansou de ouvir o tema, um devaneio sonoro que tivemos o privilégio de testemunhar em versão longa no Milhões do ano seguinte, e aproveitou a ida ao programa de Annie Mac da BBC/Radio1 no passado dia 3 de Abril para apresentar finalmente uma versão desse amor antigo, jogada arriscada mas com excelente resultado (vale a pena ouvir, já agora, a vintena de minutos aveludados que o miúdo e restante banda espalharam no éter inglês).



terça-feira, 10 de abril de 2018

UAAU #426

KAMASI WASHINGHTON, NO CÉU E NA TERRA!





















Anuncia-se o regresso em força aos discos de Kamasi Washington para Junho com a edição de um álbum duplo apropriadamente chamado "Heaven and Earth" na habitual Young Turks britânica.  Segundo o saxofonista americano, a parte referente à "Terra" representa a sua visão exterior e aparente de um mundo de que ele faz parte enquanto a outra face, o "Céu", traduz uma expressão de como o próprio se inclui nesse mundo de forma íntima. Colaboram na aventura os habituais músicos e amigos com destaque para Thundercat e o baterista Tony Austin que partirão numa imensa digressão mundial que se prolonga até ao final do ano e já com datas na vizinha Espanha mas sem compromissos por cá. Aqui ficam dois pedacinhos iniciais de céu e de terra...



segunda-feira, 9 de abril de 2018

ELEANOR FRIEDBERGER, Auditório de Espinho, 7 de Abril de 2018

Sem certezas, mas de todas as vezes que Eleanor Friedberger esteve por perto acabamos sempre por comparecer nos seus concertos, seja a estreia por Coimbra em 2011, a passagem pelo Porto em 2013 ou até uma incursão por Vigo no ano seguinte. Nenhum foi mau, nenhum foi arrebatador, sendo o serão na Casa da Música de há cinco anos aquele em que a sua música nos pareceu mais eloquente e festiva muito por culpa de uma banda de suporte de luxo de nome Field Music que permitiu um esplendor pleno das suas composições. A vertente a solo, contudo, sugeriu-nos sempre um esvaziar de parte do fascínio de muitas das grandes canções dos discos e na noite de Espinho a sensação acabou por repetir-se mesmo que algumas sejam novas e a precisar de lubrificação. Para o efeito, um simples iPhone serviu para debitar a base instrumental original de algumas delas a que se sobrepôs a voz de Eleanor, uma receita entretida e solta que serviu certamente para experimentar e testar reacções mas que esteve longe de uma imediata sedução. Uma vez mais, um concerto competente e polido que ainda não fez justiça merecida à qualidade dos álbuns. Mas não vamos desistir!


domingo, 8 de abril de 2018

HOUSE OF WOLVES, Maus Hábitos, Porto, 6 de Abril de 2108

Talvez uma sala ainda mais pequena que a dos Maus Hábitos fosse o ideal...
Talvez um melhor isolamento dos restantes espaços barulhentos fosse o ideal...
Talvez um som mais apurado e mais alto fosse o ideal...
Talvez um pouquinho mais de luz fosse o ideal...
Talvez, mas atendendo a que não há concertos ideais, a estreia de Rey Villalobos e do seu projecto House of Wolves no Porto acabou por resultar num momento de partilha sereno, agradável e onde se fez notar a fragilidade das suas canções e líricas, uma escura combinação sonora que precisou, como deve ser, de uma absorvente concentração e atenção de todos os presentes em sessenta minutos de puro retempero... ideal!   

sexta-feira, 6 de abril de 2018

RHYE, UM PASSAGEIRO MUITO ESPECIAL!

O inexcedível canal franco-alemão Arte continua a surpreender no arrojo visual e nas apostas inovadoras. Exemplo claro dessa vanguarda é o programa "Passengers" onde se captam sessões de música dita electrónica num cenário de aeroporto parisiense. O primeiro nome a aterrar foi Mike Milosh, ou seja, o projecto canadiano Rhye numa viagem visualmente exemplar registado no hall M do terminal 2E do aeroporto Charles de Gaulle no passado dia 22 de Março. Um excelente voo rasante de reconhecimento para o que nos aguarda no Parque da Cidade lá para Junho...

quarta-feira, 4 de abril de 2018

UAUU #425

JOSH T. PEARSON: SEXO, DROGAS & ROCK!





















Para quem conheceu a outra encarnação do norte-americano Josh T. Pearson a presente faceta é uma guinada surpreendente! Habituados que estamos a uma imagem de barbudo tímido da folk que teve no álbum de estreia a solo "Last Of The Country Gentelman" de 2011 uma referência icónica e que para alguns valeu um grande concerto numa véspera de São João em Famalicão no ano seguinte, aproxima-se uma reencarnação inesperada - aprendeu a dançar, a gostar de drogas e mais sexo, cortou a barba e o cabelo, comprou novos fatos coloridos e um chapéu texano como manda a lei e abriu a caixinha de surpresas que é a vida para se lançar num novo disco de nome "The Straight Hits!" a sair para a semana na Mute Records. O trabalho foi registado num instante e de forma directa em Inglaterra numa reacção à eleição presidencial americana de 2016 que dividiu e divide profundamente a América e, por isso, a melhor seria mesmo tentar espalhar felicidade e alegria através do rock & roll, country-punk ou quejandos na esperança que a simplicidade e rudeza ajudem a melhorar o penoso dia-a-dia. Um espírito mais aberto e positivo que o levou até a convidar uma série de designers brasileiros para realizar o video para o primeiro single numa conexão obtida simplesmente através do Instagram e que é o reflexo lógico da tal nova atitude de descontracção. A digressão marcada para a Europa é já extensa e espera-se que a bondade o traga até cá para umas cervejas e uns passos de dança!




terça-feira, 3 de abril de 2018

JANKA NABAY (1964-2018)













Até Julho passado o nome de Janka Nabay era aqui na casa um perfeito desconhecido. Bastou, contudo, uma festarola no fim (início...) de noite no Milhões barcelence para nunca mais esquecermos a alegria contagiante do sua música, ritmo e agitação baptizada de bubu music. Com origem na Serra Leoa, nome bem português como fez questão de vincar nessa oportunidade, Nabay deixou-nos hoje sem muitas explicações... Peace!



segunda-feira, 2 de abril de 2018

LOCH LOMOND, Maus Hábitos, Porto, 30 de Março de 2018

Associamos os Loch Lomond a uma longínqua série de álbuns e EP's quando o indie americano começou a circular em força em meados da década passada. Fixamos sempre algumas das suas boas canções mas não houve nunca, no nosso caso, um grande disco que deixasse saudades nem mesmo o último "Pens From Spain" saído em 2016. Foi na esperança que alguns desses bons pedaços acabassem por valer a pena que comparecemos na estreia nacional da banda de Portland comandada por Richie Young, uma aspiração às tantas similar à da quarentena de almas que responderam ao desafio. Mas se notarmos que os dois grandes momentos da noite foram as duas versões dos Magnetic Fields apresentadas - "Nothing Matter When We're Dancing" e "The Book Of Love" - esta última já no encore e escolhida pelo público em detrimento de um qualquer original da banda (!), então algo de errado pairou sobre o serão portuense que talvez possa ter explicações plurais como um alinhamento tortuoso ou um arranjo das canções um pouco sensaborão e em desuso que nem a simpatia do trio permitiu salvar. As palmas e incentivos da ocasião foram simplesmente uma circunstância cortês que não disfarçou alguma indiferença e frouxidão que um encore forçado haveria por acentuar de forma desnecessária. Esperam-se as melhores...       

RICHARD HAWLEY, ONDA RADIOFÓNICA!

Em 2005 o britânico Richard Hawley compôs e gravou para o álbum "Coles Corner" talvez uma das melhores canções pop sobre o amor que tem no mar e nos oceanos a fonte de inspiração. Chamado simplesmente "The Ocean", o clássico tema levou a BBC a convidar o próprio Hawley para realizar um programa semanal para a Radio 6 Music com o mesmo nome onde o músico viaja pela costa inglesa à procura das tradições, influências e memórias alusivas ao mar e que tem nas canções uma forma popular de homenagem, temor e respeito. Iniciado em Março, o excelente programa vai já no quarto episódio, todos puro deleite radiofónico e patrimonial. 
The world is fine, by the ocean... here comes the wave!



UAUU #424