segunda-feira, 15 de julho de 2019

JOE ARMON-JONES, Matosinhos em Jazz, 13 de Julho de 2019

Na tradição e quase obrigação de qualquer comunidade jazzística que se preze, a partilha fraterna de experiências artísticas é meio caminho andado para o reconhecimento e o sucesso. Foi assim ao longo da história do jazz, é certamente assim que na cidade de Londres se enfrenta uma vaga talentosa de novos músicos que rodam ao vivo ou em estúdio sem preconceitos ou medos desde que a qualidade e a fruição vinguem sem truques.

Ao fresco parque matosinhense, com público desperto e receptivo à novidade, Joe Armon-Jones trouxe os tais parceiros certos para facilmente fazer exalar um eclestismo sonoro irresistível de dub, fusão ou soul que se espalhou sem contemplações do alto do coreto. A mestria do sexteto, onde se notou a presença de Nubya Garcia no saxofone vinda, certamente, de Braga onde actuou na véspera, teve a virtude de vincar que ao jazz dito moderno não faltam talentos, trilhos e ouvintes sem complexos ou espartilhos geracionais que, como convêm, só fazem sentido numa mesma onda de harmonia. Agradecidos!         

BILL RYDER-JONES, YAMN YAMN!





















Praticamente estreado em Portugal nos concertos divertidos de Junho passado, o disco "Yawny Yawn" será uma versão despida das canções editadas por Bill Ryder-Jones no álbum "Yawn" saído em final de 2018, isto é, voz e piano inspirados nos Beach Boys e na necessidade de esvaziar alguma da energia dos originais com banda. A aventura estará cá fora na próxima semana através da Domino Records, tem já um bonita tiragem em vinil assinada imediatamente esgotada e segue-se em Setembro uma digressão britânica a solo que se afigura imperdível... Yamn!



sábado, 13 de julho de 2019

FAZ HOJE (23) ANOS #08








































RYUICHI SAKAMOTO, Coliseu do Porto, 13 de Julho de 1996
. O Comércio do Porto, por Fátima Dias Iken, 15 de Julho de 1996, p. 32
. Jornal de Notícias, por José Manuel Simões, fotografia de J. Paulo Coutinho, 15 de Julho de 1996, p. ?



quinta-feira, 11 de julho de 2019

FRENCH VANILLA, UM PERIGO!

"French Vanilla! Grande moca de álbum!".
A recomendação chegou via mensagem escrita para o telemóvel, provinha de fonte segura e infalível e, por isso, foi só uma questão de procurar, ouvir, ouvir e ouvir... O jovem quarteto de Los Angeles acelera num ritmo a roçar o punk-arty onde pontua quase sempre um saxofone infectuoso e caótico que transforma as canções em pedacinhos de saudoso new-wave ou não fosse a voz da vocalista Sally Spitz um género de Kate Pierson reinventada. Fresco mas rude, despretensioso mas pegadiço, ora aqui está um "take it or leave it" progressivo e que causa maior dependência em dias de sol quente, de finos gelados ao pôr-do-sol ou de madrugadas dançantes e calorentas. Perigoso! 





terça-feira, 9 de julho de 2019

KEVIN MORBY, Auditório/Espaço Vita, Braga, 8 de Julho de 2019

fotografia do facebook do GNRation

fotografia do facebook do GNRation



























"Estas são versões despidas das minhas canções que vocês podem gostar ou não... é a vossa opinião!" A tirada de Kevin Morby, quase a meio da apresentação de ontem, foi reveladora quanto a algum desconforto até aí vivido na inédita sala bracarense, momentos distantes de uma vibração que, tal como é costume, se adivinhava imediata. De fato branco texano malhado de motivos vermelhos e amarelos e um "Oh My God!" escrito nas costas, Morby foi acompanhado na guitarra pelo trompete de Herman Mehari numa série inicial de canções do último álbum com mesmo nome mas cuja persuasão nos pareceu desleixada e até amorfa onde até o maravilhoso "Piss River" passou despercebido. 

Mas o clique despertador quanto ao formato desequilibrado que ameaçava aumentar alguma madorra não demorou a aparecer - "Congratulations" haveria de colocar tudo em sentido, público e artistas, agora sim, numa corrente contínua de partilha onde o tal trompete começou a fazer todo o efeito e que ganhou excedentes emotivos quando a menina Katie "Waxahatchee" Crutchfield se juntou em palco para momentos inesperados.

Brilharam, então, as duas versões de Jason Molina/Magnolia Electric Co. que o duo tinha oficialmente registado para efeitos solidários o ano passado num 7" de vinil agora raro, tremeu-se e muito com "Beatiful Strangers", o ponto alto do serão com Katie sentada junto ao teclado simplesmente pontuando o crescendo com um sopro de voz e, quase no fim, a rendição, melhor, a redenção haveria de chegar pacificadora com "I've Been to The Moutain" e com o hino oficial "Harlem River" a merecer ovação em pé, distribuição de rosas e apertos no coração. O regresso prometido ao país, à região e à cidade (Porto) é só uma questão de meses... OMG!



LLOYD COLE E OS NOVOS COMMOTIONS!





















Lá para o fim do mês sai um novo álbum de Lloyd Cole chamado "Guesswork" que assinala um reencontro ao fim de trinta anos - a presença de Neil Clarck e Blair Cowan, guitarrista e teclista dos Commotions com quem partilhou aventuras nos anos oitenta, a última das quais concretizada no disco "Mainstream" de 1987!

Mas não se pense que a parceria se traduzirá numa repetição da pop engalanada de então porque o que se anuncia é uma tendência electrónica que não receia efeitos secundários e que têm vindo a ser aprofundada nos últimos anos em projectos experimentais mais obscuros. O primeiro single "Violins" serve, para já, de rastilho e desafio para quem não tem nada a perder. O retrato da capa é da autoria do amigo Steven Linsay, artista escocês que comandou os The Big Dish, banda de que há alguns álbuns esquecidos lá para casa mas de que mantemos, pelo menos, um guilty pleasure...

Anunciada está, ainda, uma digressão britânica a partir de Outubro rotulada de "From Rattlesnakes to Guesswork" o que indicia concertos em jeito de retrospectiva e que seria bem-vinda numa noite por perto... só para matar saudades!

sábado, 6 de julho de 2019

JOÃO GILBERTO (1931-2019)
















Se o parentesco inicial da bossa-nova brasileira tem, ao que parece, várias ascendências, a paternidade tem um carimbo de autenticidade garantida - João Gilberto, que nos deixou hoje aos oitenta e oito anos. Não foram airosos os últimos anos de vida atormentados por uma série de penosos problemas e aflições que parecem incompreensíveis para quem criou clássicos eternos como "Desafinado", "Chega de Saudade" ou "O Barquinho"... Paz!

sexta-feira, 5 de julho de 2019

UAUU #495

COURTNEY MARIE ANDREWS, RETIRO LISBOETA!















A jovem cantora Courtney Marie Andrews, uma das perdições aqui da casa, dicidiu passar uma semana em Lisboa num género de retiro inspirador para novas canções. O período escolhido coincidiu com as festas de Santo António do passado mês de Junho num bairro alfacinha que parece ser a Estrela, merecendo um conjunto de memórias fotográficas como a de cima onde não falta a bela da sardinha no pão!

Quanto ao efectivo resultado da residência artística/turística, pode ser que alguns dos aspirados novos temas surjam já na estreia a solo marcada para Portugal em Setembro (dia 15 no Auditório COOP no Porto e dia 17 no MusicBox em Lisboa) onde se adivinha um alinhamento acústico de muitas das canções do álbum do ano passado "May Your Kindness Remain" e que tiverem em Março uma selecção inédita registada num apetecível e bonito 12" de vinil na editora Fat Possum. O despojo, magnífico, soa assim... 



quinta-feira, 4 de julho de 2019

DUETOS IMPROVÁVEIS #216

JESCA HOOP & JUSTIS HOOP GARZA
Outside of Eden (Hoop)
Versão ao vivo no Elysian Park, Silverlake, Los Angeles, com o sobrinho
Original incluído no novo álbum "Stonechild"
Julho de 2019

MOLLY BURCH, Pérola Negra, Porto, 2 de Julho de 2019

De regresso a Portugal onde esteve em 2017 mas a estrear-se no Porto, a norte-americana Molly Burch apresentou-se desta vez suportada por um virtuoso quarteto instrumental, sugerindo que a guitarra que por vezes tocava ficou já e irremediavelmente (?) para trás. Agora assume-se em plenitude como cantora charmosa e jovial apesar da aparente timidez que se vai diluindo logo que os temas se iniciam e crescem numa torrente imaculada de pop adulta quase sempre vertendo sobre o amor e os seus infindáveis mistérios ou as consumições de uma vida a dois mas percebem-se, no entanto, outras alusões sobre o que é ser mulher ou simplesmente confiar nos amigos...

É essa sonoridade que empola uma boa nostalgia dos anos sessenta assente num clássico e rouco timbre de voz de indisfarçável semelhança com Angel Olsen, parceira artística assumidamente admirada ao lado de Natalie Prass, Weyes Blood ou até as irmãs Knowles e que no mítico ex-clube de striptease teve um antro kitsch moldado a preceito nas suas cores púrpuras e azuladas de espelhados cenários retro. Contudo, o espaço esteve longe de nos convencer quanto à sua eficácia logística marcada pela fraca visibilidade e uma notória limitação acústica que reduziram, em muito, a grandiosidade e perfeição de um alinhamento acertado e refinado.

Valeu o notável entrosamento do já referido quarteto onde brilhou a guitarra do parceiro Dailey Toliver, vibração particularmente vincada e aplaudida em "Only One", novo e contagiante pedacinho de veludo plasmado num sete polegadas de vinil, no enorme "First Flower" ou em "I Adore You", um dueto ao desafio deixado propositadamente para o único encore de forma a que não restassem dúvidas quanto ao calibre prateado e valioso desta composição. Precioso!   


quarta-feira, 3 de julho de 2019

JOE ARMON-JONES, TOCA A BANDA NO CORETO!















A segunda edição do Matosinhos em Jazz começa já este sábado, 6 de Julho, com acesso gratuito a todos os concertos no coreto do Jardim Basílio Teles, espaço fronteiro ao edifício da Câmara Municipal de Matosinhos. As escolhas são muitas e variadas e chamamos a atenção para a actuação de Joe Armon-Jones marcada para o próximo dia 13 (sábado,18h00), teclista inglês integrante da chamada London Jazz Scene ao lado de jovens talentos como os Sons of Kemet que ofuscaram o parque da cidade em Junho passado ou outros que andarão por aí nos próximos tempos: Nubya Garcia (12 de Julho, Braga e 24 de Julho, Sines), Kokoroko (25 de Julho, Sines) ou Kamaal Williams (17 de Agosto, Paredes de Coura).

A data serve para a apresentação do álbum "Starting Today" de 2018 que contou com inúmeras colaborações do Ezra Collective, uma espécie de task-force de fusão jazzística britânica que roda por vários projectos, e onde se destacam ainda as participações da referida Nubya Gracia e do trompetista Dylan Jones. É melhor ir limpando os Wayfarer...   




FIVE LEAVES LEFT, 50 ANOS!





















Neste dia 3 de Julho de 1969 foi editado oficialmente o eterno álbum de estreia "Five Leaves Left" de Nick Drake, santo protector desta casa e de muitas casas. São cinquenta anos, podiam ser dez ou até cinco, este é "o" disco sem idade onde não pousa pó ou sequer saudade porque é como se tivesse sido lançado hoje. Serás sempre o maior, Nick!





terça-feira, 2 de julho de 2019

FAZ HOJE (22) ANOS #07



























FESTIVAL IMPERIAL AO VIVO, Cais da Alfândega, Porto, 2, 3 e 4 de Julho de 1997
Jornal de Notícias, fotografia de Pereira de Sousa, Domingo, 3 de Julho de 1997, capa
. Jornal de Notícias, por José Manuel Simões, fotografia de Pereira de Sousa, Domingo, 3 de Julho de 1997, p. ?
. Público, por Jorge Marmelo, fotografia de Alfredo Cunha, 5 de Julho de 1997, p.46
. Público, por Amílcar Correia, fotografia de Paulo Pimenta, 5 de Julho de 1997, p.? 





segunda-feira, 1 de julho de 2019

BELLE AND SEBASTIAN, CANÇÕES DE VERÃO!





















O regresso dos Belle And Sebastian aos discos acontece já em Setembro com o lançamento de onze novos temas da banda sonora do filme "Days of the Bagnold Summer" que, contudo, só será estreado em 2020. Realizado por Simon Bird, a película é uma adaptação de um livro cómico de banda desenhada da autoria de Joff Winterhart de 2012, a estreia de um autor agora consagrado e que contava a história de um jovem metaleiro a preparar as férias de verão longe da mãe, um plano abortado por variadas razões...   

Mesmo confessando desconhecer a novela gráfica, Stuart Murdoch aceitou de imediato o desafio atraído pela atmosfera e estilo confirmados numa leitura rápida de fim-de-semana. Entre as canções, há novas versões de clássicos como "Get Me Away From Here I'm Dying" de 1996 e "I Know Where The Summer Goes" de 1998, a confirmação de um retorno a uma sonoridade mais antiga e que o tema "Sister Budha" hoje apresentado, com video do próprio Murdoch, é exemplar. A banda têm concerto agendado para a Aula Magna, em Lisboa, no dia 6 de Novembro.