Como cantava Lou Reed, o dia era perfeito para um copo de sangria pelo parque, neste caso, o frondoso jardim da Casa das Artes. A oferta de bebidas era diversa e o ambiente descontraído, um misto de passeio de pais e filhos ou amigos em fim ou início de férias e um encontro informal de músicos e outros artistas, todos a pôr a conversa e as brincadeiras em dia sem pressões desde que houvesse música de fundo e sombra para juntar cerveja ou chá gelado aos snacks trazidos de casa.
No palco, quando chegamos, soava um género de surf-rock de guitarrada vincada quase em jeito de homenagem ao pioneiro Dick Dale, falecido este ano mas eternizado em "Pulp Fiction". A receita vintage a cargo de O Bom, O Mau e o Azevedo nada tem de novo ou moderno e ainda bem já que o quarteto do Porto pretende recriar-se sem sacrilégios no género e, nesse sentido, quer os originais apresentados quer a triologia de versões com que finalizaram a subida ao palco funcionaram na perfeição para ajudar a abanar a ramagem e disfarçar o calor. Só faltou o barulho das ondas!
Já lá vão três anos desde que JP Simões criou o alter ego Bloom para percorrer canções originais cantadas em língua inglesa incluídos no disco "Tremble Like A Flower". É a guitarra, contudo, que continua a comandar uma composição mais despida mas notoriamente mais exuberante na atitude e animação, um género pop experimental que inclui até caixa de beats e camadas sobrepostas de acordes. Mantêm-se, claro, as histórias entre canções, os sarcasmos e as larachas que fazem sempre falta e que, desta vez, tornearam sorrisos entre cigarros sobre participações chuvosas em festivais brasileiros ou encomendas de outros concursos como o do Festival da Canção tuga para o qual escreveu e cantou "Alvoroço", um género de repto transformado em desabafo... que não tem cales é preciso cantar, sempre!
Entre subidas e descidas do palco, coube ao David Freitas animar as hostes com as suas curtas mas animadas versões pimba de imediata replicação colectiva a que ninguém resiste ou não fossem José Malhoa ou Marco Paulo verdadeiros monumentos de imaterialidade. O momento serviu ainda para, mais a sério, promover o seu projecto Ambulance For Hearts que visa levar até a um orfanato da Guiné Bissau um carregamento generoso de leite de substituição materno. Toca a divulgar e/ou ajudar!
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
sábado, 7 de setembro de 2019
HANIA RANI, Auditório CCOP, 5 de Setembro de 2019
Em noite calorenta, a anunciada sessão de terapia multi-sensorial permitiu, desde logo, preencher o renovado auditório portuense até à lotação máxima. A intensidade da procura residia numa expectativa quanto ao falado dão de Hania Rani se juntar ao seu piano para nos aplicar um tratamento simples e sem dor que previne irritações ou tensões, induzindo nos ouvintes praticantes um género de alienação periférica.
Há, no entanto, que manter a atenção e a concentração para que o efeito se instale como rapidamente se fez notar e sentir a que se juntou um por nós desconhecido método de cinco momentos - canções, sim, canções talvez ainda inéditas de voz perfeita e encantadora, o que é uma novidade bem vinda para quem só ouviu os instrumentais do magnífico disco de estreia e que, em dia de aniversário da artista, foram uma dádiva surpreendente de resposta fortemente aplaudida. Muitas felicidades, muitos anos de vida, cantam as nossas almas... Obrigado, Hania e parabéns!
Há, no entanto, que manter a atenção e a concentração para que o efeito se instale como rapidamente se fez notar e sentir a que se juntou um por nós desconhecido método de cinco momentos - canções, sim, canções talvez ainda inéditas de voz perfeita e encantadora, o que é uma novidade bem vinda para quem só ouviu os instrumentais do magnífico disco de estreia e que, em dia de aniversário da artista, foram uma dádiva surpreendente de resposta fortemente aplaudida. Muitas felicidades, muitos anos de vida, cantam as nossas almas... Obrigado, Hania e parabéns!
sexta-feira, 6 de setembro de 2019
EMILY JANE WHITE, FOGO IMANENTE!

Não, não, nada tem nada com o a calor que vai apertando e o regresso trágico dos incêndios. Trata-se, isso sim, de algo menos importante como um novo disco da menina Emily Jane White que terá o título de "Immanent Fire" a sair em meados de Novembro na independente francesa Talitres.
O trabalho, dedicado à mãe natureza e à sua sagração no feminino, serve de alerta contra a actual exploração violenta dos recursos naturais em acções totalmente descontroladas e cujas consequências são mais que evidentes. Ouça-se então, "The Light", um magnífico primeiro grito de revolta em forma de hino atmosférico.
Haverá digressão pela Europa já a partir de Dezembro e, neste âmbito, será previsível o regresso a palcos nacionais, costume antigo que remonta já ao ano de 2010!
UMA PRENDINHA DOS THE INNOCENCE MISSION!
Passaram já vinte anos sobre a edição de "Birds of My Neighboord" dos sagrados The Innocence Mission, um quarto álbum que marcava a partida do baterista Steve Brown mas onde repousavam uma série de canções tesouro que poucos ouviram. No baú cintilava a magnífica "The Lakes of Canada" de que mais tarde (2007) um jovem atento chamado Sufjan Stevens haveria de fazer uma versão ao ar livre...
Em jeito comemorativo, surge agora uma reinterpretação dessa canção por Karen e Don Peris que não anda muito longe do original e que nos é simplesmente oferecida de forma bondosa e preciosa.
Em jeito comemorativo, surge agora uma reinterpretação dessa canção por Karen e Don Peris que não anda muito longe do original e que nos é simplesmente oferecida de forma bondosa e preciosa.
quinta-feira, 5 de setembro de 2019
TIM BERNARDES, O RECOMEÇO DE RECOMEÇAR!
Antecipando a digressão a solo que se aproxima de Tim Bernardes, está agora disponível uma curta metragem evocativa do álbum "Recomeçar" editado em 2017, um género de making off dirigido por André Dip e José Menezes, os mesmos que realizaram há mais de um ano o video oficial que conhecíamos dessa fabulosa canção. O hábito em divulgar os processo de criação e filmagem foi também já aplicado à sua banda O Terno, com a promoção em Julho de uma pequeno documentário sobre o álbum mais recente "atrás/além".
O novo filme, que sugere até paisagens portuguesas, foi registado em película de formatos antigos (S16 e S8) e posteriormente aprimorado digitalmente e nele podemos ainda ouvir novas versões dos temas "Não", "Pouco é Pouco" e "Calma". O novo Tim da canção brasileira regressará ao Porto no dia 23 de Setembro depois de ter passado por Loulé, Lisboa, Santarém e Aveiro, culminando a digressão em Braga dois dias depois.
O novo filme, que sugere até paisagens portuguesas, foi registado em película de formatos antigos (S16 e S8) e posteriormente aprimorado digitalmente e nele podemos ainda ouvir novas versões dos temas "Não", "Pouco é Pouco" e "Calma". O novo Tim da canção brasileira regressará ao Porto no dia 23 de Setembro depois de ter passado por Loulé, Lisboa, Santarém e Aveiro, culminando a digressão em Braga dois dias depois.
HANIA RANI, HOJE HÁ SESSÃO DE TERAPIA!
A jovem pianista polaca Hania Rani namora há muito com o piano vertical, dito de armário, com quem se arrolhou em definitivo para vida. De vez em quando ainda o troca por um mais comprido e imponente ao lado de orquestras ou quartetos de cordas mas é o conforto do primeiro amor que a inspirou no registo das suas composições plasmadas no álbum de estreia "Esja" editado este ano
na eclética Gondwana Records de Manchester ao lado, por exemplo, dos enormes Portico Qurtet.
Esses pedacinhos sonhadores já por cá tinham sido apresentados aquando da estreia por Vila Real e Portalegre no início do ano mas o regresso era inevitável e quase previsível. Hoje, na penumbra perfeita do auditório do Círculo Operário Católico, ali na rua Duque de Loulé, a sessão de terapia encantada afigura-se um momento de hipnose levitante de fazer espantar qualquer réstia de sonolência. Levem amor!
quarta-feira, 4 de setembro de 2019
(RE)LIDO #89
ESTOCOLMO
de Sérgio Godinho. Lisboa: Quetzal, 2019
O impulso é antigo e perigoso: ler romances de músicos respeitados e corajosos que se aventuram na ficção. São, certamente, muitos os exemplos de boas novelas - basta lembra o nome de Chico Buarque - mas não temos tido sorte nas nossas escolhas que alcançam num ápice o estatuto de pura desilusão ou aceleram uma prematura desistência.
No caso de Sérgio Godinho, um primeiro escrito romanceado chamado "Vida Dupla" parecia ser uma estreia segura e prometedora a fazer sonhar com desafios de maior risco e sedução. No caso de "Estocolmo", o seu segundo romance editado este ano, ao fim de poucas páginas o desapontamento começa a instalar-se flutuante numa trivialidade dispensável.
Pode ser mania, mas nunca gostamos das capas onde o nome do autor é bem maior que o título do livro, uma opção comercial que quase sempre é fraco sinal. O argumento metafórico sobre o que é a liberdade e a sujeição com contornos de predação sexual envolvendo uma quarentona apresentadora de televisão e um jovem estudante à procura de quarto numa grande cidade até que parece uma boa ideia mas a narrativa acelera num género de "nove semanas e meia" de má memória que surpreende pela audácia mas que está longe de convencer. Lê-se numa tarde para logo se esquecer à noite...
FAZ HOJE (27) ANOS #10
terça-feira, 3 de setembro de 2019
segunda-feira, 2 de setembro de 2019
DEVENDRA BANHART, NOVO VOO!
Anunciam-se dois concertos de Devendra Banhart em Portugal para apresentar o novo disco "Ma", trabalho com data de saída prevista para 13 de Setembro. Como qualquer frente a frente com o artista é sempre uma experiência de intensidade compensadora, nada como repetir a viagem sonora a 15 de Fevereiro de 2020 no Hard Club e que no dia seguinte desce em vertigem até ao Capitólio lisboeta. Três dias antes de uma outra descolagem prevista para o mesmo "aeroporto" (Big Thief, 18 de Fevereiro), não arrisquem um qualquer overbook flight...
LITTLE WINGS, CALMANTES NATURAIS!
Há nas canções da lenda viva que é Kyle Field uma narcótica poção de aproximação à aparente felicidade em estarmos vivos. A prescrição de Little Wings tem agora mais uma grande dose de nome "People", dez pílulas anti-depressivas com asas que contam com ajudas preciosas das guitarras milagreiras de Neal Casal, Jake Longsteth ou Lee Bagett. Ressacas pós-férias? Alunos barulhentos? Clientes irritados? Calma, people!
domingo, 1 de setembro de 2019
domingo, 4 de agosto de 2019
THE KVB + THE PSYCHOTIC MONKS + TOY, Festival L' Agosto, Guimarães, 2 de Agosto de 2019
As centenárias festas gualterianas que transformam Guimarães num arraial permanente no primeiro fim de semana de Agosto têm no seu programa oficial desde 2017 um evento alternativo que concorre de forma salutar com o folclore, o fado ou os grupos de bombos. Ao percorrer as ruas iluminadas e apinhadas de gente até ao Museu Alberto Sampaio, as misturas de todas estes sons como que se esvaziaram ao entrar no histórico jardim, local onde o Festival L'Agosto assentou de forma perfeita entre muralhas o seu epicentro festivo de kitsch e altaneira lagosta insuflável!
Na segunda noite deste "marisco auditivo" com uma plateia bem composta, abriram as hostilidades os The KVB, duo britânico já com diversas passagens por perto mas a que nunca demos a devida atenção. Passaram-nos de raspão há alguns anos no Parque da Cidade e, por isso, a oportunidade afigurava-se ideal para um teste mais a sério que, sem louvor, acabou por ser positivo. Não que a receita se eleve a uma primazia destacada já que a mistura de electrónica com algum psicadelismo ou até shoegaze tem outros praticantes mais abonatórios, mas o concerto acabou por funcionar como um bom carburante inicial de octana darkwave sem que, para isso, fosse preciso carregar muito no acelerador...
De França e em boa hora chegaram os The Psychotic Monks. A fama das suas frenéticas actuações ao vivo sugeria que o espaço vimaranense tinha condições ideais para pôr rapidamente o caldeirão a ferver, uma entrega que logo vingou numa energia sem freio e a roçar o descontrole. Há por aqui muito de anarquia em forma de (não) canção onde não há refrões ou outras métricas de compêndio que são esmagadas pelo rolo compressor de um colectivo sem frontman ou outro protagonista mas em que o ruído é uma fórmula claustrofóbica de agitação e intensidade. Em palco, pareceu exagerado o caos de cabos, microfones e trocas de posição a lembrar a banda de Ty Segall ou os incontornáveis Bad Seeds, e que, na penumbra obrigatória, acabou por despertar uma brilhante perplexidade e uma experiência de nos fazer encostar à parede, melhor, à muralha!
Finalmente, os Toy! Adiada, sem conta, a comparência a um concerto dos de Brighton desde o cancelamento da data no malogrado festival Indouro da Serra do Pilar em 2015, a noite confirmaria as nossas piores suspeitas - há uma banda com excelentes discos, mesmo que o último e anteontem quase esquecido "Happy in the Hollow" trilhe um novo caminho, grandes canções e bons músicos mas o modo apressado e de semblantes sério e fechado, sugeriu-nos um colectivo apressado em esgotar o tempo. Só mesmo o baixista "Panda" Barron foi disfarçando algum do marasmo mas a plateia, é certo, também não lhe concedeu muitas ovações ou vénias já que o espaço entre canções quase que não deixava ninguém respirar ou prolongar o gole na cerveja. Ou seja, a máquina estava ligada, tinha o temporizador on e mesmo com alguns desacertos instrumentais, havia que cumprir o programa definido sem desalinhos ou desvios. Cumpriram? Sim. Brilharam? Pouco.
Na segunda noite deste "marisco auditivo" com uma plateia bem composta, abriram as hostilidades os The KVB, duo britânico já com diversas passagens por perto mas a que nunca demos a devida atenção. Passaram-nos de raspão há alguns anos no Parque da Cidade e, por isso, a oportunidade afigurava-se ideal para um teste mais a sério que, sem louvor, acabou por ser positivo. Não que a receita se eleve a uma primazia destacada já que a mistura de electrónica com algum psicadelismo ou até shoegaze tem outros praticantes mais abonatórios, mas o concerto acabou por funcionar como um bom carburante inicial de octana darkwave sem que, para isso, fosse preciso carregar muito no acelerador...
De França e em boa hora chegaram os The Psychotic Monks. A fama das suas frenéticas actuações ao vivo sugeria que o espaço vimaranense tinha condições ideais para pôr rapidamente o caldeirão a ferver, uma entrega que logo vingou numa energia sem freio e a roçar o descontrole. Há por aqui muito de anarquia em forma de (não) canção onde não há refrões ou outras métricas de compêndio que são esmagadas pelo rolo compressor de um colectivo sem frontman ou outro protagonista mas em que o ruído é uma fórmula claustrofóbica de agitação e intensidade. Em palco, pareceu exagerado o caos de cabos, microfones e trocas de posição a lembrar a banda de Ty Segall ou os incontornáveis Bad Seeds, e que, na penumbra obrigatória, acabou por despertar uma brilhante perplexidade e uma experiência de nos fazer encostar à parede, melhor, à muralha!
Finalmente, os Toy! Adiada, sem conta, a comparência a um concerto dos de Brighton desde o cancelamento da data no malogrado festival Indouro da Serra do Pilar em 2015, a noite confirmaria as nossas piores suspeitas - há uma banda com excelentes discos, mesmo que o último e anteontem quase esquecido "Happy in the Hollow" trilhe um novo caminho, grandes canções e bons músicos mas o modo apressado e de semblantes sério e fechado, sugeriu-nos um colectivo apressado em esgotar o tempo. Só mesmo o baixista "Panda" Barron foi disfarçando algum do marasmo mas a plateia, é certo, também não lhe concedeu muitas ovações ou vénias já que o espaço entre canções quase que não deixava ninguém respirar ou prolongar o gole na cerveja. Ou seja, a máquina estava ligada, tinha o temporizador on e mesmo com alguns desacertos instrumentais, havia que cumprir o programa definido sem desalinhos ou desvios. Cumpriram? Sim. Brilharam? Pouco.
sexta-feira, 2 de agosto de 2019
THE WEDDING PRESENT, NOVO SINGLE!
Na capa está um desenho da Apollo 8 da responsabilidade de Darren Hayman, artista multifacetado conhecido pela sua banda Hefner mas que tem também dotes de pintor como se nota na recente exposição "12 Astronauts" dedicada à chegada à lua e que também inspirou um novo álbum a solo. O original em tela, um extra que não foi seleccionado para a mostra, foi já vendido online.
Os The Wedding Presente regressam ao Norte do país para um concerto em Vilar de Mouros no dia 22 de Agosto e, às tantas, não vamos resistir...
quinta-feira, 1 de agosto de 2019
terça-feira, 30 de julho de 2019
JOSÉ AFONSO, UM TRISTE DESESPERO!
Caramba, se em vida os tormentos já foram muitos e inacreditáveis, basta ouvir o nosso Zeca neste premonitório "De Não Saber o Que Me Espera" para que a raiva aumente. Um desespero!
... mas não encontramos nada sol e água.
segunda-feira, 29 de julho de 2019
PERRY BLAKE, O REENCONTRO!
Treze anos à espera de um novo álbum de originais de Perry Blake parecia remeter o irlandês para o esquecimento mas eis que este mês surgiu, do nada, a edição de "Songs of Praise" pela Mouchin About / Pias. Trata-se de um regresso esforçado à composição de onze canções e uma versão registadas pelo próprio nos últimos dois anos aos solavancos, avanços e recuos, perfeccionismo que teve exageros (o tema "Miracle" foi gravado 78 vezes!) e, certamente, boas recompensas.
A receita, trabalhada de forma solitária na intimidade do seu estúdio de Dublin, emulsiona dois dos principais condimentos da sua música e que o notabilizaram logo ao primeiro álbum homónimo de 1998 - um certo e envolvente romantismo e uma paixão pela electrónica que reflecte, por exemplo, as colaborações com o projecto Electric Sensitive Behaviour de 2015 ou com Steve Jansen, o ex-Japan e actual Exit North a quem ajudou no disco a solo "Tender Extinction" no ano a seguir.
Para confirmar este reencontro com a boa forma, ouçam-se os notáveis "So Many Things", uma versão de um dos dois temas que escreveu para Françoise Hardy incluir no seu aplaudido disco "Tant de Belles Choses" (2004) e "Charlie Chaplin" com que se encerra o álbum de forma sublime.
ANGEL OLSEN, NOVA VELHA CANÇÃO!
O misterioso teaser de Angel Olsen lançado há dias pela rede tem mais vinte quatro horas de validade. Tudo indica que "All Mirrors" é o nome da canção a destapar amanhã com imagens a cargo de Ashlley Connor, realizadora de videos para outros temas da artista como "Hi Five" e "Tiniest Seed", mas a sua estreia efectiva decorreu já na digressão a solo do ano passado.
Lembramos bem a enérgica recomendação para o não registo desses inéditos apresentados nessa altura em Guimarães e onde se incluiu este tal "All Mirrors". Houve, aparentemente, alguém que não respeitou a proibição na soirée da Union Chappel londrina... Marcada está uma digressão de final do ano com pelos E.U.A. com as primeiras partes a cargo de Vagabon de Laetitia Tamko mas lá para Fevereiro adivinha-se a chegada à Europa.
Para descontrair, deixamos o tema escrito pela menina ao lado de Mark Ronson incluído no mais recente álbum do inglês "Late Night Feelings" a fazer lembrar um eterno quarteto pop sueco!
Lembramos bem a enérgica recomendação para o não registo desses inéditos apresentados nessa altura em Guimarães e onde se incluiu este tal "All Mirrors". Houve, aparentemente, alguém que não respeitou a proibição na soirée da Union Chappel londrina... Marcada está uma digressão de final do ano com pelos E.U.A. com as primeiras partes a cargo de Vagabon de Laetitia Tamko mas lá para Fevereiro adivinha-se a chegada à Europa.
Para descontrair, deixamos o tema escrito pela menina ao lado de Mark Ronson incluído no mais recente álbum do inglês "Late Night Feelings" a fazer lembrar um eterno quarteto pop sueco!
sexta-feira, 26 de julho de 2019
NO PAÍS DA MARAVILHOSA ALICE!
Ao longo dos últimos meses fomos dando alguns uauu's merecidos a canções do magnífico "Paper Castles", álbum auto-editado pela jovem sul-africana Alice Phoebe Lou em Março. Contrariando uma sensação obtida na apresentação do Festival Para Gente Sentada de Novembro último (a propósito, estranhamente ainda não há nomes anunciados para a edição deste ano... será que vamos ter festival?) que remetia para segundo plano os discos em detrimento dos concertos, a qualidade evidenciada pelo novo conjunto de originais é de uma surpreendente beleza e viciação.
A confirmação pode agora ser testada através de um registo videográfico promovido pelo canal londrino Mahogany Sessions onde são apresentadas quatro dessas maravilhas entre testemunhos na primeira pessoa, uma sofisticação titulada de "A Place Of My Own" com direito a edição virtual em forma de EP. A menina Alice toca a 14 de Agosto em Paredes de Coura
A confirmação pode agora ser testada através de um registo videográfico promovido pelo canal londrino Mahogany Sessions onde são apresentadas quatro dessas maravilhas entre testemunhos na primeira pessoa, uma sofisticação titulada de "A Place Of My Own" com direito a edição virtual em forma de EP. A menina Alice toca a 14 de Agosto em Paredes de Coura
IRON & WINE NA SALA AZUL!
Passaram quase dois anos desde que Sam Beam aka Iron & Wine se apresentou na Blue Room da Third Man Records em Nashville para, sem filtros ou retoques, fazer o habitual registo de temas directamente para vinil. Em jeito de retrospectiva, foram escolhidas dez de um reportório já longo e que, no caso, contemplou canções desde 2002 ("Southern Himn") até 2017 ("Song Stone"). Com a ajuda minimal da sua banda, o momento funciona quase como um seleccionado catálogo sonoro de refinação apurada culminado com o acurado "Naked as We Came"... eyes wide open!
quinta-feira, 25 de julho de 2019
quarta-feira, 24 de julho de 2019
WHITNEY, REGRESSO AO PONTO DE PARTIDA?
Passaram três anos sobre a estreia dos Whitney com o álbum "Light Upon The Lake" no qual repousava eternamente o tema "No Woman", canção que virou clássico indie na estranha voz do jovem Julien Ehrlich, um timbre que ainda agora espanta desprevenidos mas acaba por cativar muitos outros.
Entre algumas dúvidas sobre o caminho a seguir, a dupla Kakacek e Ehrlich viu-se nessa altura embrenhada em intensas digressões que aportaram a Lisboa no Outono de 2017 para um concerto no Mexefest e uma abençoada semana de descanso, inspiração e, no fundo, trabalho. A cidade haveria de causar mossa e dependência imediata, um amor que o próprio Ehrlich não disfarçou no ano seguinte em pleno Primavera Sound ao, corajosamente, assumir a preferência pela capital perante a imensa plateia portuense. O rápido perdão tem agora remissão total.
É que o segundo esforço, o tal de base alfacinha, está quase aí, chama-se "Forever Turrned Around" e acabou registado no mesmo estúdio de Chicago onde a banda fez o primeiro disco, familiaridade e conforto de importância vital para uma eventual repetição do sucesso. A amizade, a moralidade e o romance são temáticas que as dez novas canções abraçam naturalmente mas é o amor, sempre o amor, que transborda para já em dois pedaços de irresistível sedução. Há digressão pela Europa já em Novembro próximo e será quase obrigatório o regresso ao ponto de partida...
terça-feira, 23 de julho de 2019
ERA UMA MANTA PARA HOLLY MIRANDA, PF!
A sempre apetecível edição do festival Manta no relvado do Centro Cultural Vila Flor em Guimarães já tem datas e cartaz: Bruno Pernadas será o destaque de sexta-feira, dia 6 de Setembro e a menina Holly Miranda fará o obséquio a solo no Sábado, dia 7. Em Novembro passado na Invicta foi assim...
YAMANDU COSTA & ORQUESTRA CLÁSSICA DE ESPINHO, Espinho, 20 de Julho de 2019
Foram precisas quarenta e cinco edições para a nossa estreia no conceituado festival de música clássica espinhense... em boa hora, nossa!
Habituado a experiências semelhantes em solo europeu que implicam ensaios prévios em regime acelerado, o descontraído "violonista" brasileiro Yamandu Costa teve na jovem orquestra um suporte imaculado. O propósito de evidenciar a guitarra do virtuoso pelos arranjos simples cedo prendeu a atenção de uma plateia generosa que, mesmo atravessada pela brisa fria do espaço público, não deixou de ovacionar a sucessão de partituras sinfónicas.
Jogou-se num tabuleiro cruzado de influências sul-americanas em diversos andamentos e variações de estilos e sempre que, a solo, Yamandu nos prendeu pela inata capacidade de desdobramento e virtude técnica na interpretação dos seus originais, respondeu a orquestra com uma clara e harmoniosa capacidade técnica onde as cordas dos violinos e violoncelos ganharam uma dimensão onírica expressiva e facilitadora da partilha e do consequente sucesso. Nossa!
Habituado a experiências semelhantes em solo europeu que implicam ensaios prévios em regime acelerado, o descontraído "violonista" brasileiro Yamandu Costa teve na jovem orquestra um suporte imaculado. O propósito de evidenciar a guitarra do virtuoso pelos arranjos simples cedo prendeu a atenção de uma plateia generosa que, mesmo atravessada pela brisa fria do espaço público, não deixou de ovacionar a sucessão de partituras sinfónicas.
Jogou-se num tabuleiro cruzado de influências sul-americanas em diversos andamentos e variações de estilos e sempre que, a solo, Yamandu nos prendeu pela inata capacidade de desdobramento e virtude técnica na interpretação dos seus originais, respondeu a orquestra com uma clara e harmoniosa capacidade técnica onde as cordas dos violinos e violoncelos ganharam uma dimensão onírica expressiva e facilitadora da partilha e do consequente sucesso. Nossa!
segunda-feira, 22 de julho de 2019
FAZ HOJE (13) ANOS #09
SHE WANTS REVENGE + THE STROKES..., Festival Lisboa Soundz, Terrapleno de Santos, Lisboa, 22 de Julho de 2006
. Diário de Notícias, por Nuno Galopim e Davide Pinheiro, fotografia de Gonçalo Santos, 24 de Julho de 2006, p. 32
. Público, por Mário Lopes, fotografia de Luís Ramos, 24 de Julho 2006, p. 24
sábado, 20 de julho de 2019
sexta-feira, 19 de julho de 2019
TUXEDO, TERCEIRO ANDAMENTO!
Agora que as janelas do carro, de casa ou até do escritório são para estar abertas de par em par - ok, tirando os safados dias de nortada - a banda sonora tem que ser apropriadamente descontraída mas sem resvalar... A terceira investida da parceria de Mayer Hawthorne com o produtor Jake One aka Tuxedo chega em boa hora para dar andamento e ritmo de sobra a qualquer tabuado ao ar livre numa receita escavadora de funk tardio dos setenta que de tão bem feita se torna impressiva e irresistivelmente groovy!
quinta-feira, 18 de julho de 2019
SAM EVIAN, ÁGUA REFRESCANTE!
A colecção de canções do verão passado chamada "You Forever" a cargo de Sam Evian não têm passado de moda ou sequer murchado. Ao disco, sem prazo de validade, bastou ir refrescando as audições e para se manter vital e viçoso e de que sugerimos dois frutos maduros - "Next To You" com a ajuda de Kazu Makino (Blonde Redhead) e "Kathie's Rhodes", um aditivo nocturno que ajuda, ou não, a dormir... depende da companhia.
O jovem músico tem ao longo do corrente ano mantido uma actividade contínua, ora em digressões ao lado de Cass McCombs ora escrevendo novos temas ou versões. Em Março, a Saddle Creek publicou um sete polegadas de vinil com duas canções inéditas para acrescentar ao rol de maravilhas - "Cherry Tree" e "Roses" confirmam dotes encantatórios - e surge agora uma surpreendente versão para "Right Down the Line", uma canção de Gerry Rafferty que abalou o verão de 1978 e que nos últimos tempos tem atraído inúmeras vénias - de Ron Sexsmith a Vampire Weekend, passando pela princesa Aldous Harding como ouvimos no Parque da Cidade, não há quem resista...
SHANNON LAY, MUITO AGOSTO!
O mês de Agosto de 2017 foi para Shannon Lay o momento de assumir a música como forma de vida, arriscando o despedimento do emprego diário de maneira a concentrar a atenção na composição e registo das suas canções. Aperfeiçoando o estilo, seleccionando as partilhas e experiências com os amigos de ofício, o risco valeu o magnífico álbum "Living Water", um cartão de visita seguro e distinto com que se apresentou a solo em muitos palcos americanos e europeus como ficou provado na passagem pelos Maus Hábitos no inverno do ano passado ao lado da violinista Laena Geronimo.
Chegou, entretanto, a altura de continuar a insistir no talento. Ao longo da referida digressão Lay teve o tempo e a argúcia para compor novos temas que se agrupam no terceiro álbum de originais a sair em Agosto e que se chama... "August", uma homenagem propositada ao tal mês da libertação. O disco conta com a ajuda do amigo Ty Segall na cedência e manobra do seu estúdio pessoal e também de Mikal Cronin que, a propósito, tem um papel efectivo de saxofonista no tema e no novo video para "Death Up Close". Tudo muito a gosto!
Dica: não deixem de ouvir a versão surpresa que e menina fez de um tema de Karen Dalton para comemorar a sua entrada na editora Sub-Pop. Está aqui.
quarta-feira, 17 de julho de 2019
GRANDADDY, ÚLTIMOS MOMENTOS!
Temos pelos Grandaddy de Jason Little um profundo respeito e admiração, confiança com mais de vinte anos alicerçada em meia dúzia de álbuns de eleição. A sua anunciada vinda ao Primavera Sound portuense de 2017 parecia ser a oportunidade perfeita para, finalmente, beber dessa consistência até aí inédita em palcos portugueses (?) mas a morte inesperada, um mês antes, de Kevin Garcia, baixista e fundador da banda, motivou imediato cancelamento da digressão e da actividade.
Na altura, a substituição alinhada recaiu nos Arab Strap, uma acertada escolha que resultou num grande momento no Parque da Cidade, mas a pairar ficou, talvez para sempre, a inconsolável pena de não ver a banda em cima de um palco. Surge agora a oportunidade compensadora de perceber a qualidade e excelência do que acabamos por perder com a emissão pelo canal Arte de um espectáculo dos Grandaddy na Gaitê Lyrique de Paris em Abril de 2017, um dos últimos concertos com a presença de Garcia e que, talvez, por isso mesmo, só agora acabou em boa hora novamente disponibilizado. São sessenta minutos de canções que incidiram no álbum desse ano "Last Place" mas onde há lugar a outras memórias como "A.M. 180", " Summer Kids Here" ou o clássico "Now It's On". Até dia 21, continua ON... Não percam!
Na altura, a substituição alinhada recaiu nos Arab Strap, uma acertada escolha que resultou num grande momento no Parque da Cidade, mas a pairar ficou, talvez para sempre, a inconsolável pena de não ver a banda em cima de um palco. Surge agora a oportunidade compensadora de perceber a qualidade e excelência do que acabamos por perder com a emissão pelo canal Arte de um espectáculo dos Grandaddy na Gaitê Lyrique de Paris em Abril de 2017, um dos últimos concertos com a presença de Garcia e que, talvez, por isso mesmo, só agora acabou em boa hora novamente disponibilizado. São sessenta minutos de canções que incidiram no álbum desse ano "Last Place" mas onde há lugar a outras memórias como "A.M. 180", " Summer Kids Here" ou o clássico "Now It's On". Até dia 21, continua ON... Não percam!
JOAN SHELLEY, CONFORTO NO DESCONHECIDO!
A inquietude da belíssima Joan Shelley é, nos tempos que correm, uma dádiva impagável... Confessada a admiração pelo disco sueco de Lee Hazlewood ("Cowboy in Sweden", 1970), pelos mistérios do mar Atlântico ou até pela vontade de experimentar novas receitas etílicas (!), um anúncio de voos baratos para o Islândia conduziu-a, a medo, a esse país desconhecido de paisagens estranhas mas magníficas para registar um álbum de inéditos longe do conforto do lar.
Ao longo de cinco dias num estúdio de Reiquiavique reuniram-se esforços das habituais parceiras Maiden Radio, de Bonnie "Prince" Billy, do guitarrista Nathan Salsburg, das cordas das manas Jónsdóttir e do produtor James Elkington, que brotaram em doze canções de semente diversa, do conterrâneo country do Kentucky, passando pelo tradicional folk irlandês ou até a música africana.
O resultado, titulado de "Like the River Loves the Sea" a partir de um tema do mestre Si Kahn e que foi posteriormente retocado pro Daniel Martin Moore e Kavin Ratterman, pretende lembrar-nos que todos precisamos de um lugar de conforto e reflexão, seja ele físico ou não, estímulo que com esta banda sonora é obrigatoriamente mais compensador. Atendendo ao efeito da paisagem desenhada na capa, esperamos, em paz e em suspenso, uma visita tridimensional... sem muitas demoras!
terça-feira, 16 de julho de 2019
WILCO, HINOS DE ALEGRIA!
Em tempos de incerteza, cansaço e até resignação, os Wilco apostam em onze canções novas para um álbum, o décimo primeiro, chamado "Ode to Joy" a sair em Outubro em casa própria, a dBpm Records. Haverá, como sempre, digressão intensa pelos E.U.A. e Europa para promover a alegria e, já agora, a liberdade de a conseguir. Aqui fica o subliminar "Love is Everywhere (Beware)" para que comece a demanda...
FIONN REGAN, ALVÍSSARAS!
Bastam uns poucos acordes do nova canção de Fionn Regan para fazer crescer água na boca e nos pôr a sonhar. Chama-se "Collar of Fur", tem aquele timbre acústico maravilhoso que parece ser timbre, lá está, do novo álbum "Cala" a sair no início de Agosto e que foi inteiramente registado na sua casa litoral perto de Dublin. Há, pois, muito cherinho a maresia salgada e refinada saudade... Alvíssaras!
ELZA SOARES + FERRO GAITA, FESTA, Parque Urbano de Ovar, 13 de Julho de 2019
A insistência de Elza Soares nas temáticas sócio-políticas que envolvem o racismo, o preconceito de género e, principalmente, a condição da mulher, ganha nos dias de hoje uma urgência fulcral. A realidade brasileira obriga a uma contundência ainda mais efectiva que o disco do ano passado "Deus é Mulher" tem escancarado de forma corajosa e cuja partilha ao vivo é essencial para se estranhar.
Assim, a resposta da comunidade brasileira à sua presença em Ovar foi visivelmente sentida e notada, com coros colectivos e saudações estridentes principalmente em "Banho", primeiro single do referido álbum que começou e terminou o espectáculo de forma amotinada e a que a restante plateia se viu obrigada a acompanhar espontaneamente. Agora, a ousadia não se resume a único género e percebeu-se que ao samba se juntam outros polvilhados de rock, electrónica e até frevo que um notável conjunto de músicos e cantores eleva, de fio a pavio, a uma fasquia libertadora.
Pede-se, então, que os muitos gritos pedidos e atendidos sirvam de homenagem festiva a todos que sofrem na pele as injustiças e afrontas de um mundo às avessas mas também de esperança em dias melhores que o endireitem à força de uma convicção inabalável - Eu quero é cantar eu vou cantar até ao fim...
A combinação dos dois instrumentos que dão nome à banda cabo-verdiana é enganadora. Ferro Gaita são, afinal, um pedaço de metal tocado com uma faca e um pequeno acordeão que há muito são usados tradicionalmente no arquipélago africano para tocar funaná, um género festivo proibido durante o período colonial e que se distancia da coladeira ou morna pelo seu irresistível balanço contínuo.
Equipado a rigor, o colectivo rapidamente atingiu esse desígnio, estendendo a dança e a festa pelo relvado do parque onde uma plateia de várias gerações se mostrou em plena forma e estilo na resposta, sem contemplação, a tamanha agitação. Percebeu-se que os mais de vinte anos do conjunto permitem uma facilidade no entrosamento instrumental que induz, por onde passa, alegria e boa-disposição em doses generosas e que uma boa maioria não queria que terminassem. Um regresso a Ovar de sucesso previsível mas de merecido e repetido forte aplauso.
Assim, a resposta da comunidade brasileira à sua presença em Ovar foi visivelmente sentida e notada, com coros colectivos e saudações estridentes principalmente em "Banho", primeiro single do referido álbum que começou e terminou o espectáculo de forma amotinada e a que a restante plateia se viu obrigada a acompanhar espontaneamente. Agora, a ousadia não se resume a único género e percebeu-se que ao samba se juntam outros polvilhados de rock, electrónica e até frevo que um notável conjunto de músicos e cantores eleva, de fio a pavio, a uma fasquia libertadora.
Pede-se, então, que os muitos gritos pedidos e atendidos sirvam de homenagem festiva a todos que sofrem na pele as injustiças e afrontas de um mundo às avessas mas também de esperança em dias melhores que o endireitem à força de uma convicção inabalável - Eu quero é cantar eu vou cantar até ao fim...
A combinação dos dois instrumentos que dão nome à banda cabo-verdiana é enganadora. Ferro Gaita são, afinal, um pedaço de metal tocado com uma faca e um pequeno acordeão que há muito são usados tradicionalmente no arquipélago africano para tocar funaná, um género festivo proibido durante o período colonial e que se distancia da coladeira ou morna pelo seu irresistível balanço contínuo.
Equipado a rigor, o colectivo rapidamente atingiu esse desígnio, estendendo a dança e a festa pelo relvado do parque onde uma plateia de várias gerações se mostrou em plena forma e estilo na resposta, sem contemplação, a tamanha agitação. Percebeu-se que os mais de vinte anos do conjunto permitem uma facilidade no entrosamento instrumental que induz, por onde passa, alegria e boa-disposição em doses generosas e que uma boa maioria não queria que terminassem. Um regresso a Ovar de sucesso previsível mas de merecido e repetido forte aplauso.
segunda-feira, 15 de julho de 2019
JOE ARMON-JONES, Matosinhos em Jazz, 13 de Julho de 2019
Na tradição e quase obrigação de qualquer comunidade jazzística que se preze, a partilha fraterna de experiências artísticas é meio caminho andado para o reconhecimento e o sucesso. Foi assim ao longo da história do jazz, é certamente assim que na cidade de Londres se enfrenta uma vaga talentosa de novos músicos que rodam ao vivo ou em estúdio sem preconceitos ou medos desde que a qualidade e a fruição vinguem sem truques.
Ao fresco parque matosinhense, com público desperto e receptivo à novidade, Joe Armon-Jones trouxe os tais parceiros certos para facilmente fazer exalar um eclestismo sonoro irresistível de dub, fusão ou soul que se espalhou sem contemplações do alto do coreto. A mestria do sexteto, onde se notou a presença de Nubya Garcia no saxofone vinda, certamente, de Braga onde actuou na véspera, teve a virtude de vincar que ao jazz dito moderno não faltam talentos, trilhos e ouvintes sem complexos ou espartilhos geracionais que, como convêm, só fazem sentido numa mesma onda de harmonia. Agradecidos!
Ao fresco parque matosinhense, com público desperto e receptivo à novidade, Joe Armon-Jones trouxe os tais parceiros certos para facilmente fazer exalar um eclestismo sonoro irresistível de dub, fusão ou soul que se espalhou sem contemplações do alto do coreto. A mestria do sexteto, onde se notou a presença de Nubya Garcia no saxofone vinda, certamente, de Braga onde actuou na véspera, teve a virtude de vincar que ao jazz dito moderno não faltam talentos, trilhos e ouvintes sem complexos ou espartilhos geracionais que, como convêm, só fazem sentido numa mesma onda de harmonia. Agradecidos!
BILL RYDER-JONES, YAMN YAMN!
Praticamente estreado em Portugal nos concertos divertidos de Junho passado, o disco "Yawny Yawn" será uma versão despida das canções editadas por Bill Ryder-Jones no álbum "Yawn" saído em final de 2018, isto é, voz e piano inspirados nos Beach Boys e na necessidade de esvaziar alguma da energia dos originais com banda. A aventura estará cá fora na próxima semana através da Domino Records, tem já um bonita tiragem em vinil assinada imediatamente esgotada e segue-se em Setembro uma digressão britânica a solo que se afigura imperdível... Yamn!
sábado, 13 de julho de 2019
FAZ HOJE (23) ANOS #08
sexta-feira, 12 de julho de 2019
DUETOS IMPROVÁVEIS #217
JAY-JAY JOHANSON & JEANNE ADDED
Fever (Johanson)
Original incluído no álbum "Kings Cross"
2019
Fever (Johanson)
Original incluído no álbum "Kings Cross"
2019
quinta-feira, 11 de julho de 2019
FRENCH VANILLA, UM PERIGO!
"French Vanilla! Grande moca de álbum!".
A recomendação chegou via mensagem escrita para o telemóvel, provinha de fonte segura e infalível e, por isso, foi só uma questão de procurar, ouvir, ouvir e ouvir... O jovem quarteto de Los Angeles acelera num ritmo a roçar o punk-arty onde pontua quase sempre um saxofone infectuoso e caótico que transforma as canções em pedacinhos de saudoso new-wave ou não fosse a voz da vocalista Sally Spitz um género de Kate Pierson reinventada. Fresco mas rude, despretensioso mas pegadiço, ora aqui está um "take it or leave it" progressivo e que causa maior dependência em dias de sol quente, de finos gelados ao pôr-do-sol ou de madrugadas dançantes e calorentas. Perigoso!
A recomendação chegou via mensagem escrita para o telemóvel, provinha de fonte segura e infalível e, por isso, foi só uma questão de procurar, ouvir, ouvir e ouvir... O jovem quarteto de Los Angeles acelera num ritmo a roçar o punk-arty onde pontua quase sempre um saxofone infectuoso e caótico que transforma as canções em pedacinhos de saudoso new-wave ou não fosse a voz da vocalista Sally Spitz um género de Kate Pierson reinventada. Fresco mas rude, despretensioso mas pegadiço, ora aqui está um "take it or leave it" progressivo e que causa maior dependência em dias de sol quente, de finos gelados ao pôr-do-sol ou de madrugadas dançantes e calorentas. Perigoso!
quarta-feira, 10 de julho de 2019
terça-feira, 9 de julho de 2019
KEVIN MORBY, Auditório/Espaço Vita, Braga, 8 de Julho de 2019
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| fotografia do facebook do GNRation |
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| fotografia do facebook do GNRation |
"Estas são versões despidas das minhas canções que vocês podem gostar ou não... é a vossa opinião!" A tirada de Kevin Morby, quase a meio da apresentação de ontem, foi reveladora quanto a algum desconforto até aí vivido na inédita sala bracarense, momentos distantes de uma vibração que, tal como é costume, se adivinhava imediata. De fato branco texano malhado de motivos vermelhos e amarelos e um "Oh My God!" escrito nas costas, Morby foi acompanhado na guitarra pelo trompete de Herman Mehari numa série inicial de canções do último álbum com mesmo nome mas cuja persuasão nos pareceu desleixada e até amorfa onde até o maravilhoso "Piss River" passou despercebido.
Mas o clique despertador quanto ao formato desequilibrado que ameaçava aumentar alguma madorra não demorou a aparecer - "Congratulations" haveria de colocar tudo em sentido, público e artistas, agora sim, numa corrente contínua de partilha onde o tal trompete começou a fazer todo o efeito e que ganhou excedentes emotivos quando a menina Katie "Waxahatchee" Crutchfield se juntou em palco para momentos inesperados.
Brilharam, então, as duas versões de Jason Molina/Magnolia Electric Co. que o duo tinha oficialmente registado para efeitos solidários o ano passado num 7" de vinil agora raro, tremeu-se e muito com "Beatiful Strangers", o ponto alto do serão com Katie sentada junto ao teclado simplesmente pontuando o crescendo com um sopro de voz e, quase no fim, a rendição, melhor, a redenção haveria de chegar pacificadora com "I've Been to The Moutain" e com o hino oficial "Harlem River" a merecer ovação em pé, distribuição de rosas e apertos no coração. O regresso prometido ao país, à região e à cidade (Porto) é só uma questão de meses... OMG!
LLOYD COLE E OS NOVOS COMMOTIONS!
Lá para o fim do mês sai um novo álbum de Lloyd Cole chamado "Guesswork" que assinala um reencontro ao fim de trinta anos - a presença de Neil Clarck e Blair Cowan, guitarrista e teclista dos Commotions com quem partilhou aventuras nos anos oitenta, a última das quais concretizada no disco "Mainstream" de 1987!
Mas não se pense que a parceria se traduzirá numa repetição da pop engalanada de então porque o que se anuncia é uma tendência electrónica que não receia efeitos secundários e que têm vindo a ser aprofundada nos últimos anos em projectos experimentais mais obscuros. O primeiro single "Violins" serve, para já, de rastilho e desafio para quem não tem nada a perder. O retrato da capa é da autoria do amigo Steven Linsay, artista escocês que comandou os The Big Dish, banda de que há alguns álbuns esquecidos lá para casa mas de que mantemos, pelo menos, um guilty pleasure...
Anunciada está, ainda, uma digressão britânica a partir de Outubro rotulada de "From Rattlesnakes to Guesswork" o que indicia concertos em jeito de retrospectiva e que seria bem-vinda numa noite por perto... só para matar saudades!
sábado, 6 de julho de 2019
JOÃO GILBERTO (1931-2019)
Se o parentesco inicial da bossa-nova brasileira tem, ao que parece, várias ascendências, a paternidade tem um carimbo de autenticidade garantida - João Gilberto, que nos deixou hoje aos oitenta e oito anos. Não foram airosos os últimos anos de vida atormentados por uma série de penosos problemas e aflições que parecem incompreensíveis para quem criou clássicos eternos como "Desafinado", "Chega de Saudade" ou "O Barquinho"... Paz!
sexta-feira, 5 de julho de 2019
COURTNEY MARIE ANDREWS, RETIRO LISBOETA!
A jovem cantora Courtney Marie Andrews, uma das perdições aqui da casa, dicidiu passar uma semana em Lisboa num género de retiro inspirador para novas canções. O período escolhido coincidiu com as festas de Santo António do passado mês de Junho num bairro alfacinha que parece ser a Estrela, merecendo um conjunto de memórias fotográficas como a de cima onde não falta a bela da sardinha no pão!
Quanto ao efectivo resultado da residência artística/turística, pode ser que alguns dos aspirados novos temas surjam já na estreia a solo marcada para Portugal em Setembro (dia 15 no Auditório COOP no Porto e dia 17 no MusicBox em Lisboa) onde se adivinha um alinhamento acústico de muitas das canções do álbum do ano passado "May Your Kindness Remain" e que tiverem em Março uma selecção inédita registada num apetecível e bonito 12" de vinil na editora Fat Possum. O despojo, magnífico, soa assim...
quinta-feira, 4 de julho de 2019
DUETOS IMPROVÁVEIS #216
JESCA HOOP & JUSTIS HOOP GARZA
Outside of Eden (Hoop)
Versão ao vivo no Elysian Park, Silverlake, Los Angeles, com o sobrinho
Original incluído no novo álbum "Stonechild"
Julho de 2019
Outside of Eden (Hoop)
Versão ao vivo no Elysian Park, Silverlake, Los Angeles, com o sobrinho
Original incluído no novo álbum "Stonechild"
Julho de 2019
MOLLY BURCH, Pérola Negra, Porto, 2 de Julho de 2019
De regresso a Portugal onde esteve em 2017 mas a estrear-se no Porto, a norte-americana Molly Burch apresentou-se desta vez suportada por um virtuoso quarteto instrumental, sugerindo que a guitarra que por vezes tocava ficou já e irremediavelmente (?) para trás. Agora assume-se em plenitude como cantora charmosa e jovial apesar da aparente timidez que se vai diluindo logo que os temas se iniciam e crescem numa torrente imaculada de pop adulta quase sempre vertendo sobre o amor e os seus infindáveis mistérios ou as consumições de uma vida a dois mas percebem-se, no entanto, outras alusões sobre o que é ser mulher ou simplesmente confiar nos amigos...
É essa sonoridade que empola uma boa nostalgia dos anos sessenta assente num clássico e rouco timbre de voz de indisfarçável semelhança com Angel Olsen, parceira artística assumidamente admirada ao lado de Natalie Prass, Weyes Blood ou até as irmãs Knowles e que no mítico ex-clube de striptease teve um antro kitsch moldado a preceito nas suas cores púrpuras e azuladas de espelhados cenários retro. Contudo, o espaço esteve longe de nos convencer quanto à sua eficácia logística marcada pela fraca visibilidade e uma notória limitação acústica que reduziram, em muito, a grandiosidade e perfeição de um alinhamento acertado e refinado.
Valeu o notável entrosamento do já referido quarteto onde brilhou a guitarra do parceiro Dailey Toliver, vibração particularmente vincada e aplaudida em "Only One", novo e contagiante pedacinho de veludo plasmado num sete polegadas de vinil, no enorme "First Flower" ou em "I Adore You", um dueto ao desafio deixado propositadamente para o único encore de forma a que não restassem dúvidas quanto ao calibre prateado e valioso desta composição. Precioso!
É essa sonoridade que empola uma boa nostalgia dos anos sessenta assente num clássico e rouco timbre de voz de indisfarçável semelhança com Angel Olsen, parceira artística assumidamente admirada ao lado de Natalie Prass, Weyes Blood ou até as irmãs Knowles e que no mítico ex-clube de striptease teve um antro kitsch moldado a preceito nas suas cores púrpuras e azuladas de espelhados cenários retro. Contudo, o espaço esteve longe de nos convencer quanto à sua eficácia logística marcada pela fraca visibilidade e uma notória limitação acústica que reduziram, em muito, a grandiosidade e perfeição de um alinhamento acertado e refinado.
Valeu o notável entrosamento do já referido quarteto onde brilhou a guitarra do parceiro Dailey Toliver, vibração particularmente vincada e aplaudida em "Only One", novo e contagiante pedacinho de veludo plasmado num sete polegadas de vinil, no enorme "First Flower" ou em "I Adore You", um dueto ao desafio deixado propositadamente para o único encore de forma a que não restassem dúvidas quanto ao calibre prateado e valioso desta composição. Precioso!
quarta-feira, 3 de julho de 2019
JOE ARMON-JONES, TOCA A BANDA NO CORETO!
A segunda edição do Matosinhos em Jazz começa já este sábado, 6 de Julho, com acesso gratuito a todos os concertos no coreto do Jardim Basílio Teles, espaço fronteiro ao edifício da Câmara Municipal de Matosinhos. As escolhas são muitas e variadas e chamamos a atenção para a actuação de Joe Armon-Jones marcada para o próximo dia 13 (sábado,18h00), teclista inglês integrante da chamada London Jazz Scene ao lado de jovens talentos como os Sons of Kemet que ofuscaram o parque da cidade em Junho passado ou outros que andarão por aí nos próximos tempos: Nubya Garcia (12 de Julho, Braga e 24 de Julho, Sines), Kokoroko (25 de Julho, Sines) ou Kamaal Williams (17 de Agosto, Paredes de Coura).
A data serve para a apresentação do álbum "Starting Today" de 2018 que contou com inúmeras colaborações do Ezra Collective, uma espécie de task-force de fusão jazzística britânica que roda por vários projectos, e onde se destacam ainda as participações da referida Nubya Gracia e do trompetista Dylan Jones. É melhor ir limpando os Wayfarer...
FIVE LEAVES LEFT, 50 ANOS!
Neste dia 3 de Julho de 1969 foi editado oficialmente o eterno álbum de estreia "Five Leaves Left" de Nick Drake, santo protector desta casa e de muitas casas. São cinquenta anos, podiam ser dez ou até cinco, este é "o" disco sem idade onde não pousa pó ou sequer saudade porque é como se tivesse sido lançado hoje. Serás sempre o maior, Nick!
terça-feira, 2 de julho de 2019
FAZ HOJE (22) ANOS #07


FESTIVAL IMPERIAL AO VIVO, Cais da Alfândega, Porto, 2, 3 e 4 de Julho de 1997
. Jornal de Notícias, fotografia de Pereira de Sousa, Quinta-feira, 3 de Julho de 1997, capa
. Jornal de Notícias, por José Manuel Simões, fotografia de Pereira de Sousa, Quinta-feira, 3 de Julho de 1997, p. ?
. Jornal de Notícias, por José Manuel Simões, Sexta-feira, 4 de Julho de 1997, p.46
. Público, por Amílcar Correia, fotografia de Paulo Pimenta, Sábado, 5 de Julho de 1997, p.?
. Público, por Jorge Marmelo, fotografia de Alfredo Cunha, Sábado, 5 de Julho de 1997, p.46
segunda-feira, 1 de julho de 2019
BELLE AND SEBASTIAN, CANÇÕES DE VERÃO!
O regresso dos Belle And Sebastian aos discos acontece já em Setembro com o lançamento de onze novos temas da banda sonora do filme "Days of the Bagnold Summer" que, contudo, só será estreado em 2020. Realizado por Simon Bird, a película é uma adaptação de um livro cómico de banda desenhada da autoria de Joff Winterhart de 2012, a estreia de um autor agora consagrado e que contava a história de um jovem metaleiro a preparar as férias de verão longe da mãe, um plano abortado por variadas razões...
Mesmo confessando desconhecer a novela gráfica, Stuart Murdoch aceitou de imediato o desafio atraído pela atmosfera e estilo confirmados numa leitura rápida de fim-de-semana. Entre as canções, há novas versões de clássicos como "Get Me Away From Here I'm Dying" de 1996 e "I Know Where The Summer Goes" de 1998, a confirmação de um retorno a uma sonoridade mais antiga e que o tema "Sister Budha" hoje apresentado, com video do próprio Murdoch, é exemplar. A banda têm concerto agendado para a Aula Magna, em Lisboa, no dia 6 de Novembro.
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