quarta-feira, 30 de outubro de 2019

UAUU #510

AGNES OBEL, BEM-DITA MIOPIA!





















A paixão antiga pela música da dinamarquesa Agnes Obel não é fácil de esquecer. A cada disco, a cada canção, a cada nova sessão, vamos dando um humilde destaque aqui pela casa numa espera de quase dez anos por um concerto por perto que suspiramos se concretize. Parece ainda não ser desta vez, já que a digressão do próximo ano vai circular pelos principais países do velho continente sem datas portuguesas para depois chegar aos E.U.A. em Maio como espectáculo de abertura dos concertos dos Dead Can Dance. Não está fácil...

Tudo isto, claro, tem um motivo empolgante - o novo álbum "Myopia" sairá em Fevereiro na Europa na consagrada etiqueta amarela Deutsche Grammophon, sendo a mítica Blue Note a responsável pela sua publicação no continente americano. O método de gravação mantêm-se inalterado, ou seja, trata-se de mais um projecto de índole solitário com base no estúdio caseiro de Berlim, um isolamento auto-imposto para evitar distracções e más influências. A bolha protectora tem a intenção clara de focar e concentrar todos os esforços e inspirações na composição, tenacidade que própria classifica como uma miopia muito própria e envolvente. Misterioso como sempre, o resultado pode começar a adivinhar-se com este "Island of Doom".

terça-feira, 29 de outubro de 2019

THE INNOCENCE MISSION, ATÉ BREVE!





















O dia tristonho de hoje merecia, pelo menos, esta boa notícia - os The Innocence Mission terão álbum novo já em Janeiro de 2020 na Bella Union, o segundo em dois anos na editora inglesa de Simon Raymonde e Robin Guthrie dos Cocteau Twins. O conforto caseiro de Lancaster na Pennsylvania continua a ser o meio mais eficaz para apurar a composição das canções de Karen e Don Peris a que se junta a contribuição de Mike Bitts, o baixista original da banda, insistindo-se nas temáticas simples mas essenciais como a família, a amizade ou a experiência de vida que só o passar do tempo elucida. Aqui fica o primeiro de onze ensinamentos chamado "On Your Side" a ser inscrito em "See You Tomorrow"... see you!


FAZ HOJE (20) ANOS #14



















MORRISSEY, Coliseu do Porto, 29 de Outubro de 1999
. O Comércio do Porto, fotografia de Estela Silva, 30 de Outubro de 1999, última página
. O Comércio do Porto, por Miguel Reis Miranda, fotografia de Estela Silva, 31 de Outubro de 1999, p. 27



segunda-feira, 28 de outubro de 2019

DESTROYER, E VÃO TREZE!





















A carreira de Dan Bejar e dos seus imprescindíveis Destroyer aproxima-se vertiginosamente das bodas de prata, quase vinte cinco anos de uma aliança sonora de marca própria que eleva sempre a pop a níveis luxuosos. Está a chegar mais um produto de qualidade de recomendação imediata mesmo que só seja ainda possível testar a dose a partir de uma única canção - "Crimson Tide" é o pronúncio de mais um grande disco, o décimo terceiro a sair no final de Janeiro de 2020 e nomeado de "Have We Met" sem ponto de interrogação.

A composição dos novos temas foi feita, segundo dizem, à mesa da cozinha lá de casa num aparente regresso ao passado e a discos como o clássico "Kaputt" mas onde, certamente, se juntará um regresso ao futuro de versão relaxada e em catarse contínua como só Bejar pode e sabe fazer. E, sim, já nos conhecemos...


sábado, 26 de outubro de 2019

EFTERKLANG, Hard Club, Porto, 24 de Outubro de 2019

Nos seis anos que separam a estreia dos Efterklang pelo Porto em 2013 até ao regresso na noite de quinta-feira a agenda do colectivo dinamarquês esteve quase sempre preenchida. Filmes, documentários, expedições, rádios online, digressões com orquestras, novos projectos como os Liima ou aventuras a solo como a de Casper Clausen pela margem Sul são o espelho de uma inquietude artística de notável arrojo que já merecia um regresso às origens traduzido na edição em Setembro passado de um álbum de originais, o quinto, cantado em dinamarquês e propositadamente chamado "Altid Sammon ", ou seja, "Always Together"!

Sempre juntos e para além do trio original, ao vivo a sofisticação envolve agora uma baterista, um guitarrista e teclista a que se junta uma inusitada pequena harpa horizontal e uns laivos de flauta que orquestram uma sonoridade fina e purificada de estirpe, diríamos, rara. Podem estranhar-se as palavras em dinamarquês mas apetece de imediato beber sem receio destas canções que ondulam num tal exotismo que nos impelem a cantá-las sem saber o significado dos refrões ou das frases para gáudio de um Casper rendido a um improvisado coro de assinalável tessitura vocal que fez de um tal "Havet Lofter Sig" um memorável recital de curta duração...

Ao libreto faltava, então, uma segunda parte de consagração onde desfilaram alguns dos temas suspirados por um público adulto e fielmente agarrado a antiguidades como "Alike" e "Sedna" ou a tesouros pop como "The Ghost". Todos saborosos, nostálgicos e refrescantes mas é ainda e sempre "Modern Drift" a vibrar por osmose a plateia e o palco num singular momento de partilha e agitação. Aos Efterklang só pedimos que durem para sempre!

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

RUFUS WAINWRIGHT, VINTE ANOS DE GLAMOUR!

Há uma nova canção de Rufus Wainwright que anuncia um álbum de originais na editora BMG. O registo foi realizado nos mesmos e variados estúdios de Los Angeles onde o então jovem canadiano gravou o homónimo disco de estreia em 1998, mas deste vez a ajuda veio do creditado produtor Mitchell Froom que já colaborou com gente tão diversa como Richard Thompson, Elvis Costello ou Randy Newman. Espera-se, por isso, aquela maturidade glamorosa de que só um voz como esta é capaz e que tem neste "Trouble in Paradise" um primeiro e requintado exemplar...


quinta-feira, 24 de outubro de 2019

VETIVER ANTES DE DEVENDRA BANHART!

fotografia de Vera Marmelo/zdb
















A amizade e a cumplicidade entre Andy Cabic aka Vetiver e Devendra Banhart dava um livro de memórias de assinalável volume cujo primeiro capítulo teria início, eventualmente, no já longínquo ano de 2002! Digressões, canções, discos ou filmes, a parceria Cabic/Banhart teve desde sempre Portugal como um dos destinos de eleição tal como aconteceu, por exemplo, na memorável soirée que aportou a Espinho em 2015. A parceria tem, outra vez, agendamento acertado ao longo de toda a digressão europeia de Banhart que chegará ao Porto e a Lisboa nos próximos dias 15 e 16 de Fevereiro e na qual Cabic em nome dos Vetiver fará a primeira parte para depois ajudar, certamente, o amigo na apresentação principal.

Entretanto, há um álbum novo quase a chegar (1 de Novembro) de nome "Up On High" onde torna a cintilar o melhor que a folk americana consegue alcançar e que, felizmente, tem criado inúmeras raízes fecundas e saborosos frutos/canções para tornar a provar, sem restrições, frente-a-frente como convêm.




UAUU #509

PRINCE, QUE PENA!

Do segundo e homónimo álbum de Prince editado em Outubro de 1979 foram editados quatro singles, todos apetecíveis como "I Wann Be Your Lover" ou "Sexy Dancer", confirmando a veia talentosa do génio de Minneapolis para nos fazer saltar de imediato para o meio da pista de dança. Estranhamente, a melhor das canções não foi contemplada com uma rodela pequena - "I Feel For You" parecia estar destinada a outros voos na voz de Chaka Kan que a espalhou por todo o lado em 1984, um massacre desgastante na então MTV e em toda a rádio planetária.

No âmbito da comemoração dos quarenta anos do referido disco, parece fazer-se justiça com a edição exclusiva de um single de vinil púrpura contendo a versão fantástica e intemporal do original de "I Feel For You" no lado B já que para o lado principal foi escolhida uma inédita demo do tema onde um jovem Prince, à guitarra e no conforto caseiro, se diverte a espalhar magia em frente a um gravador de cassetes. As encomendas da rodela estão somente disponíveis por uma semana e o vinil só será previsivelmente enviado a partir do final de Janeiro próximo. Pena que se juntarmos o preço do tesourinho ao do envio, a brincadeira ultrapassará sempre os 35 aeros...

Entretanto e até dia 2 de Novembro, podem sempre descontrair vendo a exposição "Prince As Never Seen Before" no Arrábida Shopping de Gaia... de borla.




quarta-feira, 23 de outubro de 2019

WEYES BLOOD, ESTENDE-SE O PRAZER!
















A edição em CD de "Titanic Rising" de Weyes Blood pela Rough Trade em Abril passado trazia como bónus um outro disco com quatro temas em versão alternativa registados com a ajuda de Ariel Rechtshaid, produtor creditado a bandas como as Haim ou Vampire Weekend. Muitos reclamaram da exclusividade e da incapacidade de aceder a tamanho tesouro de prazer e, por isso, a partir de hoje o tal EP está disponível digitalmente através da Sup-Pop sem que haja, para já e infelizmente, versão desejada de vinil.

Os temas escolhidos para despojar no extendedn play foram "Wild Time", os singles "Everiday", "Something to Believe" e "A Lot's Gonna Change", agora renomeado de "A Lot Has Changed", tudo sublime e a engrandecer, por antecipação, o álbum do ano... A menina inicia sexta-feira uma esgotada digressão europeia na Rough Trade East londrina para desaguar dia 5 de Novembro na sala escura do GNRation bracarense, espaço, desde logo, encantado e afortunado! 




BRITTANY HOWARD DE SECRETÁRIA!

terça-feira, 22 de outubro de 2019

DANIEL MARTIN MOORE, PARA OLHAR EM FRENTE!





















Um novo trabalho de Daniel Martin Moore saído no início do mês é quase um milagre. Resultado de uma angariação de fundos com agendas e horários apertados para o seu registo, o álbum "Never Look Away" disponível para encomenda directa na plataforma Sofaburn impressiona pela leveza da composição e arranjos feitas a meias com Seth Kauffman (Floating Away) no seu estúdio caseiro de Black Mountain na Carolina do Norte.

Ao longo de dez faixas nem sempre, como avisado, as canções aparentam descontracção já que a morte do pai Moore em 2011 ainda é reflectida involuntariamente em alguns dos temas que se ultrapassa sem dificuldade pela consistência pacificadora da toada e a certeza que o melhor é sempre olhar em frente. O retrato da capa é da autoria da galardoada artista Ruth Speer.

Aconselha-se, desde já, moderação na audição que deve ser alternada com doses idênticas de calmantes Little Wings...





JONATHAN WILSON, SEM CADEIRA?















O concerto de Jonathan Wilson no Festival para Gentes Sentada em Braga dia 15 de Novembro parece estar suspenso. O músico publicou o seguinte comunicado:

Due to scheduling conflicts and unforeseen circumstances that need to keep me stateside, I regret to say I WON'T be able to make it to the UK/Europe next month. No worry, everything is cool. I have exciting news coming musically speaking, and I’ll be back with the band and a batch of brand new songs for you (and some old ones) in 2020…
Apologies to those who were excited about these shows. I WAS TOO! Just have to postpone this run y’all, thanks for understanding.
Please get in touch where you bought tickets for refunds (only Paris tickets will be good for whenever the new show comes together, so hold onto those if you can), and keep an eye out for the new dates

Será que nos tiraram a cadeira?

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

THE BLUE NILE, 30 ANOS DE HATS!





















Por incrível que pareça já passaram trinta anos sobre a edição do álbum "Hats" dos The Blue Nile! Confessada está, há muito, a nossa paixão pela banda, pelo disco, pela capa, pelas memórias... A semana passada a sempre atenta BBC dedicou-lhe um programa de duas horas (em) cheio de testemunhos, vénias ou confissões para ouvir sem demoras e restrições neste link enquanto é tempo. Thanks!


sábado, 19 de outubro de 2019

FAZ HOJE (14) ANOS #13

















MARK EITZEL, Café-Concerto da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão, 19 de Outubro de 2005
. Jornal de Notícias, por José Miguel Gaspar, fotografia de Rui Pires, 21 de Outubro de 2005, p. 42





sexta-feira, 18 de outubro de 2019

UAUU #508

THE COMET IS COMING, Hard Club, Porto, 16 de Outubro de 2019

A actuante e refrescante onda jazz que vêm de Londres já nos valeu este ano encontros imediatos com os Sons of Kemet, Nubya Garcia ou Joe Armon-Jones, exemplos de partilha artística de tradição clássica onde a renovação e fruição são o adubo do êxito. Os The Comet Is Coming são da mesma cidade mas a vibração é, para além de mais antiga (2013), de um desalinho intoxicante mais agitador onde o saxofone de King Shabaka Hutchings, a bateria de Betamax Max Hallett e as teclas e efeitos de Danalogue Dan Leavers nos empurram sem contemplações para impulsos perigosos.

A alienação provocada sugeriu uma qualquer pulverização do espaço com pozinhos energéticos de origem cósmica ou não fosse este um cometa que, apesar da proximidade terrena, ainda não saiu da nossa órbita emitindo uma fusão grandiosa de electrónica, psicadelismo e muito jazz. Nesta onda, adoramos os planantes "Unity", "The Softness Of The Present" ou "The Universe Wakes Up", este já no encore a sinalizar uma aterragem programada que nos colocou os pés no chão ao fim de duas horas de levitação em que outros enlevos mais expansivos nos fizeram apertar o cinto de (in)segurança desde o início da viagem. Como qualquer cometa que brilha na atmosfera, o efeito foi visível, tangível e muito, mas mesmo muito, revigorante! O cometa dá-nos asas...   

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

DUETOS IMPROVÁVEIS #221

MATT BERNINGER & PHOEBE BRIDGERS
Walking On A String (Berninger)
Banda sonora de "Between Two Ferms: The Movie", Setembro de 2019

KELLEY STOLTZ, UM REGIME DE VINTE ANOS!
















O sistema sonoro psicadélico a que Kelley Stoltz aderiu há mais de vinte anos tem-se mantido activo e consistente, sem desistências fáceis e quebras de investimento. Há agora mais um reforço em forma de disco, o décimo da discografia e o segundo na editora madrilena Banana & Louie Records a que chamou "My Regime" e que, depois de alguns adiamentos, passou a estar disponível no final do mês passado. 

O novo trabalho resulta de um elevado esforço individual a título profissional (todos os instrumentos e a produção são do próprio depois de uma digressão como guitarrista-ritmo dos Echo & Bunnymen) e também emocional (casado de fresco, a morte repentina do pai trouxe óbvia tristeza) e continua a impressionar pela enorme qualidade de um verdadeiro regime unipessoal!