sexta-feira, 15 de novembro de 2019
NICK LOWE & WILCO NUMA RODELA VERDE!
Há quarenta anos a canção "Cruel To Be Kind" do britânico Nick Lowe tornou-se um êxito inesperado de verão principalmente no continente americano onde se popularizou. Em 2012 os Wilco relançaram o tema via iTunes com a colaboração e vocalização principal do próprio Lowe com quem partilhavam, na altura, o palco numa digressão conjunta.
Aproveitando o aniversário de quatro décadas, esta colaboração terá, pela primeira vez, uma edição física oficial durante a próxima Black Friday de dia 29 de Novembro no lado B da de um vinil verde de 7" e (i)limitada a três mil e quinhentos exemplares. No lado principal estará o tema original envolto pela mesma capa surgida em 1979. A must have... mesmo que haja lojas onde a rodela já está esgotada antes de sair!
quinta-feira, 14 de novembro de 2019
ANDY SHAUF, AQUELE BAR!

A validade do disco do ano passado dos Foxwarren tem o prazo estendido e ainda com um sabor refrescante. Foi (é) fiel companheiro de muitas viagens e ponderações mas aproxima-se já mais um contributo do mentor Andy Shauf em pessoa a sair pela Anti-Records no final de Janeiro próximo em edição atractiva melhorada. Assim, "The Neon Skyline" promete amenizar o arrefecimento nocturno em onze canções escritas, tocadas, gravadas e produzidas em nome próprio e de argumento conceptual onde, supostamente, o personagem descobre no bar da vizinhança que dá titulo e capa ao disco que a ex-mulher está de volta e preparada para surpreender... Aqui ficam duas das confissões. Cheers!
FAT WHITE FAMILY, VISITA DE CORTESIA!
Os excelentes Fat White Familly, donos de um discos do ano ("Serfs Up"), estreiam-se em Portugal em Fevereiro com concertos agendados para o Porto (Hard Club, terça-feira, dia 4) e Lisboa (Lisboa Ao Vivo, quarta-feira, dia 5). Prometida está muita animação, alguma pândega e rios de suor!
quarta-feira, 13 de novembro de 2019
FAROL #133
Do génio de Kyle Field aka Little Wings já por aqui destacamos o novo de originais "People" a que se sugere ainda uma outra diversão simultânea exclusivamente em vinil de nome "Ropes in Paradise", dez versões country de clássicos do género incluíndo uma dos próprios Little Wings ("I Was High")! Agora acrescentam-se mais meia dúzia de covers em oferta repetindo uma antiga sessão de 2015 que se mantêm disponível - desta vez os escolhidos foram Cindi Lauper, Don Henley, Natalie Merchant, Joey Scarbury e Jerry Garcia. Imperdível!
THE SHINS, UM ABRAÇO A RICHARD SWIFT!
O génio de Richard Swift espalhou-se por muitos projectos e bandas, nomeadamente os The Shins de James Mercer com quem tocou ao vivo na digressão do álbum "Port of Narrow" em 2012 e que na altura ouvimos até à exaustão. Numa homenagem ao amigo falecido o ano passado, a banda criou uma editora de vinil chamada Fug Yep Soundation com a intenção de publicar uma série de 7" exclusivos com as receitas a reverter directamente para a família Swift mas também para as organizações de solidariedade Music Support UK e Music Cares, cumprindo ainda o objectivo de sensibilizar o público para as questões perigosas da adição e dependência.
A segunda rodela da referida série está agora em pré-encomenda e diz respeito a duas novas canções dos próprios The Shins inspiradas pela amizade com Swift - uma, "Trapped by the Sea", melancólica e triste e a outra,"Waimanalo", nome também de uma praia havaiana, por contraste, plena de alegria e felicidade, talvez um espelho dos dois lados da transcendente personalidade de Swift.
terça-feira, 12 de novembro de 2019
FAZ HOJE (14) ANOS #15
DEVENDRA BANHART, Aula Magna da Universidade de Lisboa, 12 de Novembro de 2005
. Díário de Notícias, por Tiago Pereira, fotografia de Nuno Fox, 14 de Novembro de 2005, p. 35
. Público, por Mário Lopes, 14 de Novembro de 2005, p. 40
segunda-feira, 11 de novembro de 2019
THE DIVINE COMEDY, Theatro Circo, Braga, 9 de Novembro de 2019
Uma conversa prévia com o amigo destas e doutras andanças antes da entrada na sala dourada do teatro versava sobre a necessidade de colocar um travão na ida a concertos. A estratégia passaria por escolher somente bandas e artistas que nunca vimos em palco para evitar repetições e, supostamente, gastos excessivos. A inconsequência deste palavreado servia como paliativo de uma "doença" sem tratamento e que tem nos The Divine Comedy um longínquo agente patogénico de imunidade adquirida de difícil combate e que, afinal, ganharia na próxima uma hora e meia ainda maior resistência.
Passaram mais dois anos sobre a vinda de Neil Hannon ao mesmo local de infecção e com, na altura, um grande disco para apresentar. Em "Foreverland" voltava-se à grande composição clássica de um projecto sem discos menores mas o certo é que, desta vez, a atracção não se afigurava tão compulsiva - "Office Politics" é depois de ouvido um disco conceptual bem esgalhado mas algo desequilibrado que quatro ou cinco canções ajudam a disfarçar. O cenário era, por isso, de um preto branco a remeter para tempos antigos lá num escritório de relógio enorme na parede a jogar com os fatos dos funcionários-músicos à volta do chefe "preocupado" com o expediente... Mas no que toca a esse burburinho, só à quinta canção se começou a dar vazão ao acumulado quando o titular "Office Politics" seguido de "Norma and Norma" pareceram abrir em definitivo as instalações, já que antes houve bons sobressaltos, nomeadamente "Commuter Love" na sua enorme tensão e beleza que, salvo o erro, nunca tínhamos testado ao vivo!
Seguiu-se, então, um verdadeiro corrupio de canções novas e velhas meticulosamente encaixadas de forma a rentabilizar o "trabalho" num total de vinte e três opções que incluiu o agora clássico "To The Rescue", "Lady of Certain Age" ou "Absent Friends" mas com tempo para uma pausa festiva para agitar o prédio com a habitual trilogia "At The Indie Disco", "I Like" e "National Express" a que se acrescentou "Something For The Weekend" já com a plateia em polvorosa e a necessitar de distender a tensão. A jornada e, já agora, a época de concertos, parecia ter chegado ao fim com um calmante relaxante de nome "When The Working Day Is Done" mas o sublime "Our Mutual Friend" também não tinha ficado mal.
O encore obrigatório haveria de trazer (mais) surpresas ao jeito de uma serenata acústica a antecipar as Janeiras para Novembro - juntos na frente de palco perante um só microfone numa disposição praticamente ensaiada momentos antes em "I'm a Stranger Here", o sexteto reduziu a pozinho mágico três hinos pop de imbatível qualidade, revisitando "Your Daddy's Car", "Songs of Love" e o incontornável "Tonight We Fly" de forma especialmente tocante a merecer ovação em pé, coro afinado e voo nocturno colectivo, mais um! Por isso, quanto ao tal travão no acesso a estas "viagens", o melhor é mesmo ir gastando as "milhas" enquanto é tempo...
Passaram mais dois anos sobre a vinda de Neil Hannon ao mesmo local de infecção e com, na altura, um grande disco para apresentar. Em "Foreverland" voltava-se à grande composição clássica de um projecto sem discos menores mas o certo é que, desta vez, a atracção não se afigurava tão compulsiva - "Office Politics" é depois de ouvido um disco conceptual bem esgalhado mas algo desequilibrado que quatro ou cinco canções ajudam a disfarçar. O cenário era, por isso, de um preto branco a remeter para tempos antigos lá num escritório de relógio enorme na parede a jogar com os fatos dos funcionários-músicos à volta do chefe "preocupado" com o expediente... Mas no que toca a esse burburinho, só à quinta canção se começou a dar vazão ao acumulado quando o titular "Office Politics" seguido de "Norma and Norma" pareceram abrir em definitivo as instalações, já que antes houve bons sobressaltos, nomeadamente "Commuter Love" na sua enorme tensão e beleza que, salvo o erro, nunca tínhamos testado ao vivo!
Seguiu-se, então, um verdadeiro corrupio de canções novas e velhas meticulosamente encaixadas de forma a rentabilizar o "trabalho" num total de vinte e três opções que incluiu o agora clássico "To The Rescue", "Lady of Certain Age" ou "Absent Friends" mas com tempo para uma pausa festiva para agitar o prédio com a habitual trilogia "At The Indie Disco", "I Like" e "National Express" a que se acrescentou "Something For The Weekend" já com a plateia em polvorosa e a necessitar de distender a tensão. A jornada e, já agora, a época de concertos, parecia ter chegado ao fim com um calmante relaxante de nome "When The Working Day Is Done" mas o sublime "Our Mutual Friend" também não tinha ficado mal.
O encore obrigatório haveria de trazer (mais) surpresas ao jeito de uma serenata acústica a antecipar as Janeiras para Novembro - juntos na frente de palco perante um só microfone numa disposição praticamente ensaiada momentos antes em "I'm a Stranger Here", o sexteto reduziu a pozinho mágico três hinos pop de imbatível qualidade, revisitando "Your Daddy's Car", "Songs of Love" e o incontornável "Tonight We Fly" de forma especialmente tocante a merecer ovação em pé, coro afinado e voo nocturno colectivo, mais um! Por isso, quanto ao tal travão no acesso a estas "viagens", o melhor é mesmo ir gastando as "milhas" enquanto é tempo...
domingo, 10 de novembro de 2019
WILLIAM TYLER, Auditório de Espinho, 8 de Novembro de 2019
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| Fotografia: Facebook do Auditório de Eepinho |
Acoustic guitar music... a ementa do serão chuvoso tinha no conforto da sala espinhense a estreia de William Tyler em palcos nacionais, uma abençoada oportunidade que demorou tempo demais a concretizar-se. Depois de passagens pelos saudosos Silver Jews ou os Lambchop, a ainda aparente juventude do músico norte-americano esconde, contudo, uma carreira de quase uma década em nome próprio com quatro álbuns dedicados a explorar de forma inteligente a tal música acústica a partir de uma guitarra.
Desprezada por muitos, compensadora para muitos mais que acorreram com interesse e curiosidade a ouvi-la, a perfomance haveria de revelar-se de paisagem sonora delicada e sensível a uma América solitária e infindável onde o country e a folk trilham viagens e estradas que nos permitem ir imaginando e sonhando com cidades, montanhas ou rios ou meditando como podemos mudar de vida ou de sítio, riscos e decisões que o próprio Tyler assumiu quando escolheu Los Angeles para viver depois de anos em Nashville. O tal virar a oeste que dá nome ao último álbum é, assim, uma metáfora efectivamente inspiradora que não esconde, nem pode esconder, o travo à tal country music que aparenta ser de fácil percepção mas, como notado, de muito mais difícil e inconsequente explicação.
O importante é mesmo considerar que as texturas ou as velocidades dos trechos apresentados na penumbra do auditório funcionaram na perfeição na sua essência instrumental, um conjunto charmoso e apaziguador de que sabemos a geografia mas que acaba, maravilhosamente, sem pertencer a nenhum território a não ser a quem teve a felicidade de os conhecer e escutar. Enquanto houver destes pedacinhos de vida, esperança não vai nunca faltar!
sábado, 9 de novembro de 2019
CASS McCOMBS, Auditório CCOP, Porto, 7 de Novembro de 2019
É quase um sacrilégio faltar a um concerto de Cass McCombs. A tradição remonta a 2012 na passagem pelo Sá da Bandeira mas desde aí as oportunidades foram-se repetindo por Famalicão, num regresso ao ar livre à Invicta ou por Ovar, sempre em espectáculos de competência segura, calculada efervescência e misterioso recato. Diríamos que, de todas as vezes, McCombs cumpriu os mínimos requisitados sendo curiosa a sensação que no soalheiro Parque da Cidade as canções escolhidas para a curta actuação obtiverem, então, um efeito mais categórico e libertador.
No serão de quinta-feira, contudo, repetiu-se a percepção habitual - a qualidade dos temas e a entrega do quarteto não podem sofrer quaisquer reparos apesar do calor excessivo, do palco demasiado afundado ou de um som a roçar o sofrível atendendo às características do salão. O alinhamento percorreu essencialmente os mais recentes álbuns "Mangy Love" donde se ouviram "Bum, Bum, Bum" ou "Rancid Girl" mas faltou o "Opposite House" e o actual "Tip of the Sphere", pleno de escolhas múltiplas que recaíram em "Sleeping Volcanoes", "Rancid Girl" ou nesse extra maravilha chamado "Confidence Man". E o "County Line" perguntam vocês? Para o mal e para o bem, foi esquecido, melhor, nem sequer foi lembrado, reclamado ou sugerido e "substituído" por outras pérolas saborosas como "Real Life" ou "Tying Up Loose Ends", dois novos e brilhantes clássicos de cepa firmada ou não fosse o mentor um verdadeiro dominador da arte de fazer canções e prolongar o mistério...
No serão de quinta-feira, contudo, repetiu-se a percepção habitual - a qualidade dos temas e a entrega do quarteto não podem sofrer quaisquer reparos apesar do calor excessivo, do palco demasiado afundado ou de um som a roçar o sofrível atendendo às características do salão. O alinhamento percorreu essencialmente os mais recentes álbuns "Mangy Love" donde se ouviram "Bum, Bum, Bum" ou "Rancid Girl" mas faltou o "Opposite House" e o actual "Tip of the Sphere", pleno de escolhas múltiplas que recaíram em "Sleeping Volcanoes", "Rancid Girl" ou nesse extra maravilha chamado "Confidence Man". E o "County Line" perguntam vocês? Para o mal e para o bem, foi esquecido, melhor, nem sequer foi lembrado, reclamado ou sugerido e "substituído" por outras pérolas saborosas como "Real Life" ou "Tying Up Loose Ends", dois novos e brilhantes clássicos de cepa firmada ou não fosse o mentor um verdadeiro dominador da arte de fazer canções e prolongar o mistério...
quinta-feira, 7 de novembro de 2019
WEYES BLOOD, GNRation, Braga, 5 Novembro 2019
O acompanhamento apaixonado que aqui pela casa fomos fazendo da carreira da menina Natalie Mering aka Weyes Blood nos últimos anos teve na noite de terça-feira uma apoteose previsível mas, acima de tudo, enternecedora. Ao espaço esgotado e expectante perante a qualidade de um disco sublime como "Titanic Rising" respondeu a jovem artista e companhia com uma presença em palco segura e robusta onde o traje branco lhe fez realçar o longo cabelo e a beleza das feições.
Este perfil de tão elegante revela-se a figura perfeita para que um outro atributo, como sempre, se faça estremecer - a voz levitante que hipnotiza e sulca a fundo as canções, as palavras e as histórias sérias como na magnífica "Wild Time", no tributo ao amigo perdido em "Picture Me Better" ou no majestoso "A Lot's Gonna Change", uma elegia sobre ela própria ou cada um de nós com que se iniciou a aparição. Sempre a brilhar num sorridente e jovial trejeito de encantar com direito a passos de dança rodopiantes em "Movies" ou no cintilante e memorável momento retro de encaixe perfeito que chegou quando anunciou a versão arrebatadora dos Procol Harum já no final do encore.
Mas faltava a glorificação perante um sepulcral silencio da sala onde respirar nos custou saborosamente mais um pouquinho - agarrou na guitarra e, "como nos velhos tempos", prendeu-nos por feitiço ao chão com "In The Beginning" e "Bad Magic", pretty bad magic, pretty tragic... Desde logo, um concerto para recordar mas também para nos pôr a imaginar até onde chegará tamanho talento de aprimorado crescimento titânico!
terça-feira, 5 de novembro de 2019
MARK GUILIANA, Casa da Música, Porto, 4 de Novembro de 2019
O comando rítmico de um colectivo de jazz tem na bateria uma pedra de toque essencial. No caso de Mark Guiliana, jovem baterista americano conhecido por ter tocado em "Blackstar", o último álbum de estúdio de David Bowie (2016), a chefia pareceu não se ter notado muito na pequena mas repleta sala da Casa da Música. Esta subtileza que se escondeu entre teclados em desvario, vocalizações pré-gravadas e grooves sincopados de baixo eléctrico, corta com um passado clássico de um quarteto de jazz, formação que passou pelo SeixalJazz em 2018, para se lançar em rodagem livre de preconceitos e sem metais para uma fórmula inovadora -"Beat Music!" é o seu nome e título do disco gravado este ano como os músicos que acompanharam em palco, todos trajados a rigor e sem cerimónia, ou seja, de fato de treino amarelado e capuz.
Ao ouvi-los, não é difícil associar viagens doutros aventureiros como os Kraftwerk, Moroder ou até Thomas Dolby, em que o fanhoso e roufenho som dos teclados ou sintetizadores nos sugeriu desalinhamentos estranhos mas, por causa disso mesmo, vibrantes e particularmente saborosos quando roçaram o funk e o disco, tudo marcado quer pelo bater forte nos bombos quer pelo trinado das baquetas num pequeno prato, um virtuosismo variado que Guiliana não sabe humildemente enjeitar. Um concerto de aplauso colectivo mesmo para os mais desprevenidos e que se junta ao rol fantástico de aparições que começou este ano com Colin Stetson e já passou por Kamasi, Sons of Kemet, Nubya Garcia, Joe Armon Jones ou The Comet is Coming! Agora só falta Kamaal Williams... está para breve!
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segunda-feira, 4 de novembro de 2019
LAURE BRIARD, DO MINHO AO ALGARVE!
A jovem artista francesa Laure Briard, amante e praticante de uma fresquinha pop yé-yé besuntada de psicadelismo e bossa nova, tem uma verdadeira digressão nacional agendada para breve. São dez, dez, os concertos marcados para Monchique (31 Novembro), Albufeira, Lisboa, Leiria, Aveiro, Porto (Maus Hábitos, 5 de Dezembro), Vila Real, Braga, Ponte de Lima e Santo Tirso que servem para apresentar, em formato trio dito experimental, o já por aqui recomendado álbum deste ano "Un Peau Plus d'Amour S'il Vous Plait". É bem preciso...
sábado, 2 de novembro de 2019
WELL, IT'S BEEN A YEAR!
Aqui fica a primeira de muitas vezes que até ao Natal ouviremos o "Last Christmas" dos Wham! Por isso, nada melhor que pôr a Lucy Dacus a carregar no acelerador no âmbito do anunciado projecto de versões em formato EP a sair no final da próxima semana.
sexta-feira, 1 de novembro de 2019
A GIRL CALLED EDDY, NOVA CANÇÃO!
Tal como foi oficialmente anunciado, há mesmo um álbum novo de A Girl Called Eddy para ser editado em Janeiro. e, assim, catorze longos anos depois, ora aqui está uma canção nova da menina Erin Moran que dará título ao disco! A Carol King e a Karen Carpenter batem, de certeza, muitas palmas...
LOBO #17

O dia de hoje, que nunca foi de alegrias, marca os dez anos da morte do mestre António Sérgio. Como acrescento às memórias que fomos guardando ao longo dos anos, por aqui surgirão entrevistas e testemunhos na imprensa em que o protagonista é o próprio António Sérgio, como esta pequena conversa com Paulo Castelo saída no "Diário de Notícias" de 15 de Outubro de 1995. Na altura na XFM com o saudoso "O Grande Delta", esse foi um período onde esta menina se tornou definitivamente numa princesa...
quarta-feira, 30 de outubro de 2019
AGNES OBEL, BEM-DITA MIOPIA!
A paixão antiga pela música da dinamarquesa Agnes Obel não é fácil de esquecer. A cada disco, a cada canção, a cada nova sessão, vamos dando um humilde destaque aqui pela casa numa espera de quase dez anos por um concerto por perto que suspiramos se concretize. Parece ainda não ser desta vez, já que a digressão do próximo ano vai circular pelos principais países do velho continente sem datas portuguesas para depois chegar aos E.U.A. em Maio como espectáculo de abertura dos concertos dos Dead Can Dance. Não está fácil...
Tudo isto, claro, tem um motivo empolgante - o novo álbum "Myopia" sairá em Fevereiro na Europa na consagrada etiqueta amarela Deutsche Grammophon, sendo a mítica Blue Note a responsável pela sua publicação no continente americano. O método de gravação mantêm-se inalterado, ou seja, trata-se de mais um projecto de índole solitário com base no estúdio caseiro de Berlim, um isolamento auto-imposto para evitar distracções e más influências. A bolha protectora tem a intenção clara de focar e concentrar todos os esforços e inspirações na composição, tenacidade que própria classifica como uma miopia muito própria e envolvente. Misterioso como sempre, o resultado pode começar a adivinhar-se com este "Island of Doom".
terça-feira, 29 de outubro de 2019
THE INNOCENCE MISSION, ATÉ BREVE!
O dia tristonho de hoje merecia, pelo menos, esta boa notícia - os The Innocence Mission terão álbum novo já em Janeiro de 2020 na Bella Union, o segundo em dois anos na editora inglesa de Simon Raymonde e Robin Guthrie dos Cocteau Twins. O conforto caseiro de Lancaster na Pennsylvania continua a ser o meio mais eficaz para apurar a composição das canções de Karen e Don Peris a que se junta a contribuição de Mike Bitts, o baixista original da banda, insistindo-se nas temáticas simples mas essenciais como a família, a amizade ou a experiência de vida que só o passar do tempo elucida. Aqui fica o primeiro de onze ensinamentos chamado "On Your Side" a ser inscrito em "See You Tomorrow"... see you!
FAZ HOJE (20) ANOS #14
segunda-feira, 28 de outubro de 2019
DESTROYER, E VÃO TREZE!

A carreira de Dan Bejar e dos seus imprescindíveis Destroyer aproxima-se vertiginosamente das bodas de prata, quase vinte cinco anos de uma aliança sonora de marca própria que eleva sempre a pop a níveis luxuosos. Está a chegar mais um produto de qualidade de recomendação imediata mesmo que só seja ainda possível testar a dose a partir de uma única canção - "Crimson Tide" é o pronúncio de mais um grande disco, o décimo terceiro a sair no final de Janeiro de 2020 e nomeado de "Have We Met" sem ponto de interrogação.
A composição dos novos temas foi feita, segundo dizem, à mesa da cozinha lá de casa num aparente regresso ao passado e a discos como o clássico "Kaputt" mas onde, certamente, se juntará um regresso ao futuro de versão relaxada e em catarse contínua como só Bejar pode e sabe fazer. E, sim, já nos conhecemos...
sábado, 26 de outubro de 2019
EFTERKLANG, Hard Club, Porto, 24 de Outubro de 2019
Nos seis anos que separam a estreia dos Efterklang pelo Porto em 2013 até ao regresso na noite de quinta-feira a agenda do colectivo dinamarquês esteve quase sempre preenchida. Filmes, documentários, expedições, rádios online, digressões com orquestras, novos projectos como os Liima ou aventuras a solo como a de Casper Clausen pela margem Sul são o espelho de uma inquietude artística de notável arrojo que já merecia um regresso às origens traduzido na edição em Setembro passado de um álbum de originais, o quinto, cantado em dinamarquês e propositadamente chamado "Altid Sammon ", ou seja, "Always Together"!
Sempre juntos e para além do trio original, ao vivo a sofisticação envolve agora uma baterista, um guitarrista e teclista a que se junta uma inusitada pequena harpa horizontal e uns laivos de flauta que orquestram uma sonoridade fina e purificada de estirpe, diríamos, rara. Podem estranhar-se as palavras em dinamarquês mas apetece de imediato beber sem receio destas canções que ondulam num tal exotismo que nos impelem a cantá-las sem saber o significado dos refrões ou das frases para gáudio de um Casper rendido a um improvisado coro de assinalável tessitura vocal que fez de um tal "Havet Lofter Sig" um memorável recital de curta duração...
Ao libreto faltava, então, uma segunda parte de consagração onde desfilaram alguns dos temas suspirados por um público adulto e fielmente agarrado a antiguidades como "Alike" e "Sedna" ou a tesouros pop como "The Ghost". Todos saborosos, nostálgicos e refrescantes mas é ainda e sempre "Modern Drift" a vibrar por osmose a plateia e o palco num singular momento de partilha e agitação. Aos Efterklang só pedimos que durem para sempre!
Sempre juntos e para além do trio original, ao vivo a sofisticação envolve agora uma baterista, um guitarrista e teclista a que se junta uma inusitada pequena harpa horizontal e uns laivos de flauta que orquestram uma sonoridade fina e purificada de estirpe, diríamos, rara. Podem estranhar-se as palavras em dinamarquês mas apetece de imediato beber sem receio destas canções que ondulam num tal exotismo que nos impelem a cantá-las sem saber o significado dos refrões ou das frases para gáudio de um Casper rendido a um improvisado coro de assinalável tessitura vocal que fez de um tal "Havet Lofter Sig" um memorável recital de curta duração...
Ao libreto faltava, então, uma segunda parte de consagração onde desfilaram alguns dos temas suspirados por um público adulto e fielmente agarrado a antiguidades como "Alike" e "Sedna" ou a tesouros pop como "The Ghost". Todos saborosos, nostálgicos e refrescantes mas é ainda e sempre "Modern Drift" a vibrar por osmose a plateia e o palco num singular momento de partilha e agitação. Aos Efterklang só pedimos que durem para sempre!
sexta-feira, 25 de outubro de 2019
RUFUS WAINWRIGHT, VINTE ANOS DE GLAMOUR!
Há uma nova canção de Rufus Wainwright que anuncia um álbum de originais na editora BMG. O registo foi realizado nos mesmos e variados estúdios de Los Angeles onde o então jovem canadiano gravou o homónimo disco de estreia em 1998, mas deste vez a ajuda veio do creditado produtor Mitchell Froom que já colaborou com gente tão diversa como Richard Thompson, Elvis Costello ou Randy Newman. Espera-se, por isso, aquela maturidade glamorosa de que só um voz como esta é capaz e que tem neste "Trouble in Paradise" um primeiro e requintado exemplar...
quinta-feira, 24 de outubro de 2019
VETIVER ANTES DE DEVENDRA BANHART!
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| fotografia de Vera Marmelo/zdb |
A amizade e a cumplicidade entre Andy Cabic aka Vetiver e Devendra Banhart dava um livro de memórias de assinalável volume cujo primeiro capítulo teria início, eventualmente, no já longínquo ano de 2002! Digressões, canções, discos ou filmes, a parceria Cabic/Banhart teve desde sempre Portugal como um dos destinos de eleição tal como aconteceu, por exemplo, na memorável soirée que aportou a Espinho em 2015. A parceria tem, outra vez, agendamento acertado ao longo de toda a digressão europeia de Banhart que chegará ao Porto e a Lisboa nos próximos dias 15 e 16 de Fevereiro e na qual Cabic em nome dos Vetiver fará a primeira parte para depois ajudar, certamente, o amigo na apresentação principal.
Entretanto, há um álbum novo quase a chegar (1 de Novembro) de nome "Up On High" onde torna a cintilar o melhor que a folk americana consegue alcançar e que, felizmente, tem criado inúmeras raízes fecundas e saborosos frutos/canções para tornar a provar, sem restrições, frente-a-frente como convêm.
PRINCE, QUE PENA!
No âmbito da comemoração dos quarenta anos do referido disco, parece fazer-se justiça com a edição exclusiva de um single de vinil púrpura contendo a versão fantástica e intemporal do original de "I Feel For You" no lado B já que para o lado principal foi escolhida uma inédita demo do tema onde um jovem Prince, à guitarra e no conforto caseiro, se diverte a espalhar magia em frente a um gravador de cassetes. As encomendas da rodela estão somente disponíveis por uma semana e o vinil só será previsivelmente enviado a partir do final de Janeiro próximo. Pena que se juntarmos o preço do tesourinho ao do envio, a brincadeira ultrapassará sempre os 35 aeros...
Entretanto e até dia 2 de Novembro, podem sempre descontrair vendo a exposição "Prince As Never Seen Before" no Arrábida Shopping de Gaia... de borla.
quarta-feira, 23 de outubro de 2019
WEYES BLOOD, ESTENDE-SE O PRAZER!

A edição em CD de "Titanic Rising" de Weyes Blood pela Rough Trade em Abril passado trazia como bónus um outro disco com quatro temas em versão alternativa registados com a ajuda de Ariel Rechtshaid, produtor creditado a bandas como as Haim ou Vampire Weekend. Muitos reclamaram da exclusividade e da incapacidade de aceder a tamanho tesouro de prazer e, por isso, a partir de hoje o tal EP está disponível digitalmente através da Sup-Pop sem que haja, para já e infelizmente, versão desejada de vinil.
Os temas escolhidos para despojar no extendedn play foram "Wild Time", os singles "Everiday", "Something to Believe" e "A Lot's Gonna Change", agora renomeado de "A Lot Has Changed", tudo sublime e a engrandecer, por antecipação, o álbum do ano... A menina inicia sexta-feira uma esgotada digressão europeia na Rough Trade East londrina para desaguar dia 5 de Novembro na sala escura do GNRation bracarense, espaço, desde logo, encantado e afortunado!
terça-feira, 22 de outubro de 2019
DANIEL MARTIN MOORE, PARA OLHAR EM FRENTE!

Um novo trabalho de Daniel Martin Moore saído no início do mês é quase um milagre. Resultado de uma angariação de fundos com agendas e horários apertados para o seu registo, o álbum "Never Look Away" disponível para encomenda directa na plataforma Sofaburn impressiona pela leveza da composição e arranjos feitas a meias com Seth Kauffman (Floating Away) no seu estúdio caseiro de Black Mountain na Carolina do Norte.
Ao longo de dez faixas nem sempre, como avisado, as canções aparentam descontracção já que a morte do pai Moore em 2011 ainda é reflectida involuntariamente em alguns dos temas que se ultrapassa sem dificuldade pela consistência pacificadora da toada e a certeza que o melhor é sempre olhar em frente. O retrato da capa é da autoria da galardoada artista Ruth Speer.
Aconselha-se, desde já, moderação na audição que deve ser alternada com doses idênticas de calmantes Little Wings...
JONATHAN WILSON, SEM CADEIRA?
O concerto de Jonathan Wilson no Festival para Gentes Sentada em Braga dia 15 de Novembro parece estar suspenso. O músico publicou o seguinte comunicado:
Due to scheduling conflicts and unforeseen circumstances that need to keep me stateside, I regret to say I WON'T be able to make it to the UK/Europe next month. No worry, everything is cool. I have exciting news coming musically speaking, and I’ll be back with the band and a batch of brand new songs for you (and some old ones) in 2020…
Apologies to those who were excited about these shows. I WAS TOO! Just have to postpone this run y’all, thanks for understanding.
Please get in touch where you bought tickets for refunds (only Paris tickets will be good for whenever the new show comes together, so hold onto those if you can), and keep an eye out for the new dates
Será que nos tiraram a cadeira?
segunda-feira, 21 de outubro de 2019
THE BLUE NILE, 30 ANOS DE HATS!
Por incrível que pareça já passaram trinta anos sobre a edição do álbum "Hats" dos The Blue Nile! Confessada está, há muito, a nossa paixão pela banda, pelo disco, pela capa, pelas memórias... A semana passada a sempre atenta BBC dedicou-lhe um programa de duas horas (em) cheio de testemunhos, vénias ou confissões para ouvir sem demoras e restrições neste link enquanto é tempo. Thanks!
sábado, 19 de outubro de 2019
FAZ HOJE (14) ANOS #13
MARK EITZEL, Café-Concerto da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão, 19 de Outubro de 2005
. Jornal de Notícias, por José Miguel Gaspar, fotografia de Rui Pires, 21 de Outubro de 2005, p. 42
sexta-feira, 18 de outubro de 2019
THE COMET IS COMING, Hard Club, Porto, 16 de Outubro de 2019
A actuante e refrescante onda jazz que vêm de Londres já nos valeu este ano encontros imediatos com os Sons of Kemet, Nubya Garcia ou Joe Armon-Jones, exemplos de partilha artística de tradição clássica onde a renovação e fruição são o adubo do êxito. Os The Comet Is Coming são da mesma cidade mas a vibração é, para além de mais antiga (2013), de um desalinho intoxicante mais agitador onde o saxofone de King Shabaka Hutchings, a bateria de Betamax Max Hallett e as teclas e efeitos de Danalogue Dan Leavers nos empurram sem contemplações para impulsos perigosos.
A alienação provocada sugeriu uma qualquer pulverização do espaço com pozinhos energéticos de origem cósmica ou não fosse este um cometa que, apesar da proximidade terrena, ainda não saiu da nossa órbita emitindo uma fusão grandiosa de electrónica, psicadelismo e muito jazz. Nesta onda, adoramos os planantes "Unity", "The Softness Of The Present" ou "The Universe Wakes Up", este já no encore a sinalizar uma aterragem programada que nos colocou os pés no chão ao fim de duas horas de levitação em que outros enlevos mais expansivos nos fizeram apertar o cinto de (in)segurança desde o início da viagem. Como qualquer cometa que brilha na atmosfera, o efeito foi visível, tangível e muito, mas mesmo muito, revigorante! O cometa dá-nos asas...
A alienação provocada sugeriu uma qualquer pulverização do espaço com pozinhos energéticos de origem cósmica ou não fosse este um cometa que, apesar da proximidade terrena, ainda não saiu da nossa órbita emitindo uma fusão grandiosa de electrónica, psicadelismo e muito jazz. Nesta onda, adoramos os planantes "Unity", "The Softness Of The Present" ou "The Universe Wakes Up", este já no encore a sinalizar uma aterragem programada que nos colocou os pés no chão ao fim de duas horas de levitação em que outros enlevos mais expansivos nos fizeram apertar o cinto de (in)segurança desde o início da viagem. Como qualquer cometa que brilha na atmosfera, o efeito foi visível, tangível e muito, mas mesmo muito, revigorante! O cometa dá-nos asas...
quinta-feira, 17 de outubro de 2019
DUETOS IMPROVÁVEIS #221
MATT BERNINGER & PHOEBE BRIDGERS
Walking On A String (Berninger)
Banda sonora de "Between Two Ferms: The Movie", Setembro de 2019
Walking On A String (Berninger)
Banda sonora de "Between Two Ferms: The Movie", Setembro de 2019
KELLEY STOLTZ, UM REGIME DE VINTE ANOS!
O sistema sonoro psicadélico a que Kelley Stoltz aderiu há mais de vinte anos tem-se mantido activo e consistente, sem desistências fáceis e quebras de investimento. Há agora mais um reforço em forma de disco, o décimo da discografia e o segundo na editora madrilena Banana & Louie Records a que chamou "My Regime" e que, depois de alguns adiamentos, passou a estar disponível no final do mês passado.
O novo trabalho resulta de um elevado esforço individual a título profissional (todos os instrumentos e a produção são do próprio depois de uma digressão como guitarrista-ritmo dos Echo & Bunnymen) e também emocional (casado de fresco, a morte repentina do pai trouxe óbvia tristeza) e continua a impressionar pela enorme qualidade de um verdadeiro regime unipessoal!
terça-feira, 15 de outubro de 2019
A GIRL CALLED EDDY, É DESTA!
Passou quase um ano sobre uma suposta boa-nova que Erin Moran aka A Girl Called Eddy iria finalmente editar, ao fim de um retiro de quinze anos, um segundo e suspirado disco em Janeiro de 2019. Nos meses seguintes o entusiasmo foi-se esfumando quer por não existirem quaisquer sinais de movimentação em forma de canções quer também porque a senhora se foi tornando, outra vez, invisível!
Mas agora, como que brotada de uma espessa bruma, surge a confirmação com direito a capa e tudo que se reproduz acima - o tal disco sairá em 20 de Janeiro de 2020, terá o nome desafiante de "Been Around" e uma edição em pré-encomenda de vinil branco. Os pormenores que o antecipam são excitantes mas vamos esperar pela audição do disco para, com calma, o sorvermos em jeito de um clássico como é já descrito. Por falar em clássicos... obscuros!
NILS FRAHM, SÓ ENCORES!

A trilogia de pequenos discos que o alemão Nils Frahm começou a publicar em 2018 terá em breve a respectiva compilação. Num só álbum nomeado de "All Encores" a sair para a semana na milagrosa Erased Tapes com capa esbelta agregadora das cores da respectiva sequência, alinham-se uma dúzia de temas e mais de oitenta minutos de música surpreendente e elegante. A densidade do efeito é um pouco mais leve que a que se espalha pelo anterior e magnífico "All Melody", registo que serve de comparação mas, acima de tudo, de complemento e prolongamento circular e atmosférico.
Assim e nas palavras do músico, estaremos perante um projecto de espaço próprio e isolado ao jeito de uma ilha sonora que acabará, contudo, por ser conceptualmente inseparável do predecessor trabalho. Um (encore), dois (encores), três (encores) é para ouvir muita vez!
segunda-feira, 14 de outubro de 2019
WILCO, THEY DIT IT AGAIN!
Tal como em 2013 por terras australianas, os Wilco emitiram em directo o seu concerto de madrugada no Brooklyyn Steel de Nova Iorque. Ouça-se, pois então!
sábado, 12 de outubro de 2019
DANIEL KNOX, O REGRESSO DE UM NOCTÍVAGO

Uma das boas surpresas do Record Store Day passado recaiu na edição de um inédito 7" polegadas de Daniel Knox com duas novas canções não incluídas no álbum "Chasescene" saído no final de 2018. Irrequieto, o norte-americano prossegue activo na composição que terá em meados de Dezembro um acrescento digital de quatro temas na sua própria editora sob o título de "I Had a Wonderful Time", formato a que alguns chamam EP e outros mini-álbum.
A cidade de Chicago, em modo nocturno, serviu de inspiração solitária por percursos e locais alternativos e inesperados, tudo devidamente registado em imagens fotográficas que se transformam em sons e, posteriormente, em canções de cenário escuro e citadino. O primeiro avanço "Hollow" que se ouve abaixo é disso um exemplar cinematográfico com video dirigido e editado pelo próprio.
Recorda-se que Knox visitou-nos no início do ano para diversos concertos pelo país, estadia que, segundo um passarinho avisador, se irá repetir no mesmo mês de Janeiro de 2020...
sexta-feira, 11 de outubro de 2019
quinta-feira, 10 de outubro de 2019
MOLLY BURCH, A MÃE PRÉ-NATAL!
Com o já habitual prolongamento do verão traduzido em temperaturas mais que amenas e a ausência preocupante de chuva e frio, nem notamos que o Natal está perto. Primeiro foi John Rouse a avivar a lembrança, agora chega a vez da menina Molly Burch antecipar a época com o anúncio de um disco inteiro de canções natalícias, doze docinhos onde se incluem versões de "Happy New Year" dos Abba ou "Last Christmas" dos Wham na qual conta com a ajuda do actor e comediante John Early e da actriz Kaye Berlant.
Ainda sem nenhum avanço oficial que sirva para testar o registo, recorremos a uma versão do clássico "I'll Be Home For Christmas" popularizado por Bing Crosby e também escolhido para o integrar o novo álbum, em imagens captadas em 2010 numa galeria de Asheville na Carolina do Norte, onde a jovem Burch começava timidamente a brilhar...
quarta-feira, 9 de outubro de 2019
RUSSELL & BRODERICK INCORPORATED!

A paixão de Peter Broderick pelas canções de Arthur Russell (1951-1992) já nos valeu no Natal do ano passado um surpreendente e excelente disco de versões a cargo do próprio com a ajuda de alguns amigos. O contacto privilegiado com incontáveis horas de gravações do músico norte-americano teve ainda outra virtude - tempo, muito, para melhorar, editar, mexer e remexer em delicadas demos e proto-canções de Russell registadas em sessões de seleccionadas colaborações, um conjunto de tarefas descritas como sonhadoras ao lado de Tom Lee, parceiro em vida de Russel e Steve Knutson da editora Audika Records.
Ao fim de dez anos, o resultado final tem o nome de "Iowa Dream", uma colectânea que fará emergir dezanove canções tratadas e cuidadas de forma exemplar para fazer cintilar a composição e talento de um artista singular e empolgante que o mundo deve continuar a acarinhar e descobrir. Para isso, haverá no álbum muito para escolher, da pop-groove ao disco passando pela amada folk e até o funk como o prova o primeiro avanço "You Did It Yoursel". Dia 15 de Novembro é a data de lançamento.
Entretanto, Peter Broderick prepara-se também para a publicação de um novo trabalho - "One Hear Now" foi composto em onze partes para violino, piano, sintetizador, voz e percussão numa sessão de dezaseis horas no Sirius Art Centre de Cobh, Irlanda. A inspiração adveio dos murais restaurados do artista Brian O'Doherty nomeados de "One Hear Now: The Ogham Cycle", tendo Broderick associado as suas cores e geometrias aos sons pretendidos a que lhe juntou gravações captadas nos locais exteriores.
O álbum estará somente disponível (300 vinis 250 cd's) na residência ao vivo que se anuncia para Londres marcada para a London Served Jazz Quarters entre 11 e 14 de Novembro próximos, estando agendada a participação especial de Richard Youngs e Douglas Dare e de uma convidada surpresa na última noite. Cada concerto/evento e, já agora, o acesso aos discos exclusivos, só estará ao alcance de cinquenta sortudos...
segunda-feira, 7 de outubro de 2019
NICK CAVE, PALAVRAS PARA QUÊ?
Muito já foi escrito e muito já foi vasculhado mas sobre "Ghosteen" de Nick Cave há pouco a dizer a não ser que se trata de um monumento à espera que o tempo o cubra daquela patine sofrida e verdadeira que só o vento afeiçoado e a chuva purificada permitem envelhecer. Uma agonia excepcional!
HELADO NEGRO PARA SABOREAR EM VIGO!
O nome equateriano de Roberto Carlos Lange é aqui na casa um perfeito desconhecido. Contudo, se lhe mudarmos o baptismo para Helado Negro, o seu epíteto artístico de base americana, o cenário muda de figura atendendo à qualidade das canções e dos discos, uma dupla virtude que vamos descobrindo cada vez melhor e que tem um passado de mais de uma década.
O último álbum "This Is How You Smile" editado em 2109 é um exemplar vitorioso desse charme e sedução que junta temas multi-sabor em espanhol e inglês ao jeito de Devendra Banhart com quem apresenta óbvias semelhanças sonoras e vocais. Faltaria, então, um teste ao vivo e a cores. A oportunidade parece estar disponível a 22 de Novembro por Vigo no âmbito da segunda edição do festival SuperBock Under Fest, evento ainda sem nomes ou outros pormenores conhecidos mas onde o próprio artista confirmou a presença, precisamente um dia antes de descer ao SuperBock Em Stock lisboeta. Pena que a data galega coincida com a vinda do senhor Robert Forster ao Porto... ups! Seja como for, aqui deixamos dois dos sabores fresquinhos!
THURSTON MOORE, SEMPRE A BOMBAR!
Em constante tourneé ou contínua entrada e saída de estúdios, Thurston Moore apresenta-se imparável depois da implosão dos Sonic Youth em 2011. Discos, bandas sonoras, escritos ou colaborações diversas reafirmam nos últimos anos a polivalência e efervescência da sua irreverência, um agitado bem/mal estar a que Portugal têm quase sempre assistido a três dimensões - por exemplo, em 2016 passou pelo Manta vimaranense em formato trio e ainda este ano esteve sozinho a dar música a uma curta-metragem em Vila do Conde.
Agora há um novo testamento - "Spirit Counsel" saído no mês passado é uma trilogia longa e instrumental que se inicia com "Alice Moki Jayne", impressionante na sua rudeza de estrutura sónica e andamento diferenciado, experiência de onde emerge negritude e, vá lá, tristeza pacificadora. A seguir, homenageia-se Glenn Branca falecido em 2018 em "8 Spring Street" e encerra-se o testemunho com uma hora de "Galaxies", ensemble de doze guitarristas a tocar em doze cordas...
Mas há mais outro terceto! Através da sua editora Ecstatic Peace o músico prepara ainda uma série de três 7" de vinil com excertos de gravações ao vivo de concertos do seu grupo ao longo de 2019, a saber, "Spring Swells", "Three Graces" e "Pollination". Haverá ainda um labo B comum a todos eles, neste caso, uma fantástica versão de "Leave Me Alone" dos New Order registada com um grupo de músicos em Salford, Manchester, cidade natal dos Joy Division. Moore estará, aliás, em digressão por terras britânicas já a partir da próxima semana... a bombar!
sábado, 5 de outubro de 2019
sexta-feira, 4 de outubro de 2019
SEAN O'HAGAN, UMA PROVA DE VIDA!
Com a bonita idade de sessenta anos bem marcada no rosto, o irlandês Sean O'Hagan desde os vinte anos que não larga a pop seja ao comando de bandas como os Microdisney ou os High Llamas, agrupado aos Stereolab, ao lado de Paul Weller, Cornelius e St. Etienne ou do próprio guru Brian Wilson. Muitas das pausas permitem ainda dar vida a muitas imagens de filmes ou documentários, um género profissional de arranjador que lhe serve de laboratório e teste numa pulsante e acurada veia que desde sempre foi reconhecida aqui pela casa.
Foram preciso, no entanto, trinta anos para que um novo álbum em nome próprio há muito prometido veja a luz do dia. No final do mês a Drag City terá o privilégio de editar "Radum Calls, Radum Calls", um segundo esforço como prova de vida a que, mesmo assim, não escapa a colaboração com Cathal Coughlan, o vocalista dos tais Microdisney de boa memória e ventura. Podem começar, desde já, a carregar na campainha... ding, dong!
ANGEL OLSEN, UMA ÚLTIMA CHANCE!
O magnífico "All Mirrors" de Angel Olsen acaba assim, de forma sublime, e as asas da boa melancolia começam logo a crescer...
quinta-feira, 3 de outubro de 2019
WILL SAMSON, MISTERIOSO REGRESSO!
Nos últimos anos a vida atribulada do jovem Will Samson tem servido para cimentar uma carreira artística de prudência assinalável que pairava já no último disco "Welcome Oxygen". A morte do pai em 2012 ou um acidente traumatizante numa estadia por Portugal levou-o a terapias arriscadas como uma tal "psilocybin", mistura natural que agrega mais de duzentas espécies de cogumelos na tentativa de acalmar a ansiedade ou até uma desordem pós-traumática.
Para a gravação de um novo álbum, para o que foi lançada previamente uma recolha de fundos, Samson teve finalmente a ajuda decisiva de uma casa de discos salvadora, a britânica Wichita Recordings, que se prepara para lançar "Paralanguage" no início de Dezembro. Registado em estúdio próprio de Bruxelas, nele colaboram alguns músicos da banda de S. Carey e Beatris De Klerc, a violinista de A Winged Victory For the Sullen, numa sonoridade que parece aportar a paz e a calma ao seu dia-a-dia e um sentido e misterioso tributo memorial ao seu pai e à natureza. Ficamos à espera de uma visita, naturalmente...
ERLAND OYE, IL COMANDANTE!
Na passagem por Guimarães do ano passado Erland Oye fez-se acompanhar de um trio de amigos músicos da Sicília a que carinhosamente chamou La Comitiva. É com eles que tem andado em digressão a tocar canções antigas, é com eles que registou já alguns temas em italiano como "Estate" ou "Paradiso", uma perdição que tem agora imagens captadas nesse paraíso mediterrânico que lhe serve de refúgio e onde não faltaram, segundo o próprio, multas, polícia, correira e muita animação. Um verdadeiro comandante Erland! Quanto aos Kings of Convenience, continuamos a ver navios...
quarta-feira, 2 de outubro de 2019
FAZ HOJE (15) ANOS #12
DEVENDRA BANHART + KATE WALSH + ROBERT FISHER, Festival Para Gente Sentada, Cine-Teatro António Lamoso, Santa Maria da Feira, 2 de Outubro de 2004
. O Primeiro de Janeiro, fotografia de Cristina P. Pinto, 4 de Outubro de 2004, p. 23
terça-feira, 1 de outubro de 2019
JOHN GRANT JUNTA-SE AOS SENTADOS!
Quem espera... Demorou tempo até se saber o alinhamento da edição deste ano do Festival Para Gente Sentada em Braga mas o cartaz que parece agora fechado é assinalável: sexta-feira, dia 15 de Novembro, teremos os Sensible Soccers e Jonathan Wilson em versão acústica e no dia seguinte, sábado, 16 de Novembro, aos brasileiros O Terno junta-se agora John Grant. Eia, eia!
CUP, VAI UMA XÍCARA?
Da colaboração artística do casal Nels Cline, virtuoso guitarrista dos Wilco e Yuka C Honda, multi instrumentista dos saudosos Cibo Matto, resultou finalmente uma "Sipinning Creature" sob alçada de uns tais CUP. O álbum, cujo tema-título se dá agora a conhecer, foi registado em pouco mais de três dias por Brooklyn, sede da editora independente Northern Spy Records que o fará chegar às lojas no primeiro dia de Novembro, data de concerto único de lançamento.
Podem discutir-se os géneros, as influências ou até as virtudes, mas o duo marido e mulher anda há anos a realizar experiências sonoras sem amarras de impregnação electrónica diluída com o folk e o rock e onde a improvisação é condimento obrigatório e, diríamos, essencial para a degustação. Podem-lhe ir tomando o gosto...
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