terça-feira, 11 de fevereiro de 2020
REAL ESTATE, UM INVESTIMENTO SEGURO!
Numa década atribulada quanto a entrada e saída de crises, os americanos Real Estate tiveram direito às suas mas sem nunca perderem o tino. Passado o incómodo assunto chamado Matt Mondanile, despedido da banda em 2017 por alegados maus tratos a mulheres, foi também nesse ano que a banda se aprimorou na concepção de "In Mind", disco de excepção no que ao pop melodioso de especialidade certificada diz respeito, um investimento que esta casa se habituou a manter quase desde a primeira hora a que se acrescentou um anterior e recomendável desvio a solo do vocalista Martin Courtney.
Parece que está chegar a hora de recolher os lucros do investimento. Sai no final do mês na casa de sempre, a Domino, um produto novo e, certamente, seguro de nome "The Main Thing" que, para além da semelhança no título com uma saudosa canção dos Roxy Music, tem em "Paper Cup" um primeiro cartão de visita de reconhecível efeito e adição com direito a video vistoso!
GIL SCOTT-HERON, OBRIGADO!
Passam agora dez anos sobre a saída do álbum "I'm New Here" de Gil Scott-Heron, um então inesperado regresso aos discos pela inglesa XL Recordings celebrado com a aclamação da crítica e uma digressão mundial. Tivemos a felicidade de o ver, ouvir e sentir na sala pequena da Casa da Música em Maio de 2010, momento simplesmente épico a que se juntou um encontro imediato nos camarins do edifício que nos haveria de reduzir a pó abençoado perante a sua humildade, gentileza e gratidão e que ainda hoje não nos sai da memória!
Foi desse pedacinho de tempo feliz que nos lembramos ao assistir de nó na garganta ao documento "Who Is Gil Scott-Heron?" realizado em 2014 mas agora disponibilizado na sua totalidade no youtube no âmbito da comemoração referida. Para além da recomendável reedição e reinterpretação do disco que a mesma editora agora promove, sugerimos um magnífico livro compilador da obra do mestre saído em 2019 e não perderem mais tempo para perceber, em menos de uma hora, o que é isso de ser um génio. Obrigado por tudo, brother!
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020
sábado, 8 de fevereiro de 2020
CHICO BERNARDES, Maus Hábitos, Porto, 6 de Fevereiro de 2020
Logo à primeira audição das canções do disco homónimo de Chico Bernardes há uma série de traços de intimidade que se notam entre uma toada que se afigura um pouco inquietante e algo repetitiva. A aparente falta de ousadia da composição é, contudo, tecnicamente irrepreensível num permeável jogo sonoro das cordas da viola clássica e a voz pausada e certeira para as palavras mesmo que ingénuas. Para um jovem de vinte anos a transposição destas boas fragilidades para uma sala de espectáculo pequena e informal não deve ser nada fácil. No caso da noite portuense, a esta dificuldade juntou-se uma seriedade intimadora na concentração do público sentado na frente da figura enorme e cabeluda de Bernardes na expectativa de um teste ao vivo inédito de que, sinceramente, não augurávamos um grande resultado. Errado!
Sentado, tal como o irmão Tim, com o violão ao colo e uma postura calma e dissuasora de histerismos, o concerto revelou-se uma agradável sucessão contida de tristeza em forma de canções sem pressas sobre o amor e o seu contrário mas onde a sábia vibração das cordas das duas guitarras acústicas conseguiu surpreender pela consistência e excelente tecnicidade. No nosso caso, a sequência "Sem Palavras", "Me Encontar" e a inesperada versão de "True Love Will Find You in the End" de Daniel Johnston foi, a esse nível, sintomática do seu talento musical de inquestionável valor e de que se adivinha crescimento fértil proporcional ao tamanho da cabeleira. Grande Chicão!
Sentado, tal como o irmão Tim, com o violão ao colo e uma postura calma e dissuasora de histerismos, o concerto revelou-se uma agradável sucessão contida de tristeza em forma de canções sem pressas sobre o amor e o seu contrário mas onde a sábia vibração das cordas das duas guitarras acústicas conseguiu surpreender pela consistência e excelente tecnicidade. No nosso caso, a sequência "Sem Palavras", "Me Encontar" e a inesperada versão de "True Love Will Find You in the End" de Daniel Johnston foi, a esse nível, sintomática do seu talento musical de inquestionável valor e de que se adivinha crescimento fértil proporcional ao tamanho da cabeleira. Grande Chicão!
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020
FAT WHITE FAMILY, Hard Club, Porto, 4 de Fevereiro de 2020
Na velha tradição inglesa, todas as oportunidades são boas para fazer a festa e reunir a família. Nos últimos anos a dos Fat White Family tem nitidamente crescido em número de adeptos e aficionados muito à custa de um terceto de álbuns irrequietos e de que "Serfs Up", saído há um atrás, é um culminar diverso e intenso de rock e portento. Um dos efeitos do notório redimensionamento da carreira foi chegar mais facilmente a novos públicos e, já agora, de os trazer até ao Porto num serão de terça-feira para uma casa não cheia mas bem preenchida por uma carrada de maduros conhecedores à espera de pôr a conversa em dia e, ainda e sempre, sedentos de animação.
E ela não demorou muito a aparecer tendo bastado para isso os dez primeiros minutos e os acordes iniciais de "I Am Mark E Smith", um hino poderoso de óbvio tributo aos The Fall, gurus artísticos de que o colectivo em palco descende milagrosamente mas a que acrescenta arrojo (não percam os videos das canções), matreirice ou excitação. Ao comando do clã e das comemorações esteve Lais Kaci Saoudi, um ser invertebrado pela bebida directa da garrafa de whiskey e disposto a fazer da reunião uma oportunidade para conquistar novos amigos não só pela hipertensão física enquanto agarra e grita para o microfone mas também pelo contacto directo e corpóreo em plena plateia para onde saltou amiúde, incitando empurrões e sururus moderados culminados aquando de "Bomb Disneyland" com que, aparentemente, dariam por finda a actuação.
Mas do público, ainda não satisfeito e que não lhes virou logo costas, surgiu uma insistência no regozijo que sabia não ter finado - "são muitos anos a virar frango" - plantando-se na frente do palco e insistindo nos assobios e gritos para um regresso não programado e, por isso, demorado. De volta e satisfeita, a família lá acertou na interpretação especial de "Tastes Good With the Money" para que a noite selasse, desde logo, um parentesco de estirpe comum - o gosto infindável e eterno pelo rock!
E ela não demorou muito a aparecer tendo bastado para isso os dez primeiros minutos e os acordes iniciais de "I Am Mark E Smith", um hino poderoso de óbvio tributo aos The Fall, gurus artísticos de que o colectivo em palco descende milagrosamente mas a que acrescenta arrojo (não percam os videos das canções), matreirice ou excitação. Ao comando do clã e das comemorações esteve Lais Kaci Saoudi, um ser invertebrado pela bebida directa da garrafa de whiskey e disposto a fazer da reunião uma oportunidade para conquistar novos amigos não só pela hipertensão física enquanto agarra e grita para o microfone mas também pelo contacto directo e corpóreo em plena plateia para onde saltou amiúde, incitando empurrões e sururus moderados culminados aquando de "Bomb Disneyland" com que, aparentemente, dariam por finda a actuação.
Mas do público, ainda não satisfeito e que não lhes virou logo costas, surgiu uma insistência no regozijo que sabia não ter finado - "são muitos anos a virar frango" - plantando-se na frente do palco e insistindo nos assobios e gritos para um regresso não programado e, por isso, demorado. De volta e satisfeita, a família lá acertou na interpretação especial de "Tastes Good With the Money" para que a noite selasse, desde logo, um parentesco de estirpe comum - o gosto infindável e eterno pelo rock!
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020
THE RADIO DEPT, UMA BOA FREQUÊNCIA!
Como por magia e de vez em quando há uma frequência que emerge nas ondas do bom gosto e da nostalgia a partir de Lund na Suécia sob o nome de The Radio Dept. - a emissão envolve quase sempre canções de sedução herteziana a cargo da dupla fundadora como é agora o caso do inédito em estreia "The Absence of Birds". Há ainda uma versão do mesmo tema pelo misterioso projecto ambiental Civilistjävel! Prometida está para este ano uma nova leva de, pelo menos, uma dezena de outros temas e uma digressão já agendada pelos EUA a partir de Abril.
Aproveitando a onda, o memorável e saudoso álbum "Pet Grief" de 2006 será entretanto reeditado já em Março pela Just So!, uma casa própria e familiar que já aceita encomendas para a bonita versão de vinil azul onde repousa a maravilhosa "Always a Relief".
terça-feira, 4 de fevereiro de 2020
PRIMAVERA SOUND PORTO: HOJE ANDA À RODA!
Como é hábito, já registamos o boletim da sorte para o próximo alinhamento do Primavera Sound Porto de Junho a ser divulgado no dia de hoje. Conhecidos e, aparentemente, confirmados estão os nome dos Pavement e dos Chromatics. A nossa aposta para a edição deste ano é esta:
. 5 números;
Britanny Howard, King Krule, Lana del Rey, Kim Gordon, Yo la Tengo;
. 2 estrelas;
Sudan Archives, Joan Shelley.
ACTUALIZAÇÃO ÀS 12H05:
Aposta fraca!
Acertamos em 3 números (King Krule, Lana del Rey e Kim Gordon) e, damn, 0 estrelas!
Mas haverá Beck, Weyes Blood, Khruangbin, FKA Twigs, Black Midi e até Arnaldo Antunes... mas pouco mais.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020
M. WARD, CIAJG, Guimarães, 1 de Fevereiro de 2020
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| fotografia do facebook do CIAJG |
Sobre a passagem em estreia do calforniano M. Ward por Guimarães perante uma sala quase cheia ficamos com uma dupla sensação, ambas de insatisfação. A primeira é essa mesmo, o de ter sido uma simples passagem leve sobre o seu cancioneiro já longo e moderno onde o folk e o blues se confundem na essência das canções mas a que faltou intensidade, vontade e até concentração para que a vibração fizesse mais efeito e mossa. A segunda, talvez mais inesperada, a de algum amadorismo quer na pobreza do som das guitarras e da voz quer no jogo de luz em palco, um aparato a roçar o sofrível e que, atendendo ao modernismo do local, se afigurou incompreensível e até estranho.
Gostamos e apreciamos alguma descontração e relaxe nesta relação sempre surpreendente entre o artista e a plateia mas a desenvoltura apresentada talvez fosse a mais apropriada a um qualquer showcase de fim de tarde e não de alguém que, como frisado, viajou de tão longe para ali estar a fazer o que mais gosta perante, como também notado, uma maioria de velhos fieis conhecedores. Mesmo assim, não deixamos de registar um certo prazer nalgumas das escolhas de um alinhamento imprevisível e que foram o caso de "Rave On" e "I Get Ideas", duas versões alheias a que só faltou acrescentar uma qualquer de Nick Drake que Ward costuma, e bem, escolher.
Quanto à estreia de alguns dos novos temas do álbum a sair em Abril e que foram o motivo promocional da estadia, não deslumbramos ainda muita da previsível eficácia mas a sua óbvia falta de rodagem impediu uma absorção mais satisfatória. Talvez por isso, foram cruciais os pedidos vindos das cadeiras - "Helicopter", "Poison Cup" e "Shangri-La" - mas o magnífico "Shark" que ainda sugerimos bem alto quedou preterida por ser "to depressive"... Na boa, também nos lembramos de "Slow Driving Man" mas às tantas a justificação acabaria por ser a mesma, porquanto, valeu ouro o incontornável "Let's Dance", talvez o grande momento do serão e que, por si só e na sua beleza, pagou um ou outro qualquer desconforto e, já agora, o bondoso preço do bilhete.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2020
BONNY LIGHT HORSEMAN, BESTIAL!
Um, Anais Mitchell.
Dois, Eric D. (Fruit Bats, The Shins).
Três, Josh Kaufman (Josh Ritter, The National).
Juntos na estreia para o grande público no Newport Folk Festival do ano passado, aproveitou-se uma versão do clássico folk inglês com o mesmo nome para o baptismo como Bonny Light Horseman, uma aventura nitidamente calculada e rodeada de pilares seguros e testados pela qualidade e curriculum dos artistas ou dos colaboradores mais próximos.
Para isso acontecer tivemos uma panóplia de músicos reunidos sob alçada da editora 37d03d fundada pelos irmãos Dressner (The National) e Justin Vernon (Bon Iver) numa comunhão em formato de residência artística que decorreu em Berlin no verão de 2018 e pela qual também circularam e ajudaram na festa a menina Lisa Hannigan, as The Staves e os próprios Vernon e os manos Dressner. As canções ficaram então praticamente prontas mas os toques finais haveriam de decorrer no Dreamland Studios de Woodstock (Nova Iorque) e onde se elegeram dez temas de puro folk intemporal, tradicional, bestial.
O álbum que saiu na referida editora na semana passada tem na capa uma magnífica fotografia a preto e branco que pertence ao portfolio de Annie Beedy e lá dentro uma rodela linda de vinil azul numa edição entretanto esgotada... (suspiro) com tamanha receita ficamos imediatamente a sonhar com uma milagrosa apresentação ao vivo e onde, já agora, se pudessem acompanhar por uns tais de The Delines. Tchhh!
quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
FAROL #134
Não será esta a última nem a primeira oferta que, com toda a certeza, James Yuill decide partilhar com os interessados. De espírito lutador e determinado, às dificuldades em gerir a vida de músico e produtor o britânico acrescenta o hábito de disponibilizar arquivos emaranhados no esquecimento mas potencialmente interessantes - é o que acontece desta vez com "Unmixed/Unmixed", uma série de oito temas do próprio remisturados mas não finalizados em 2015 sob a influência massiva do alemão Manuel Tur e, por isso, a pensar na dança. House music, pois então, que também sabe bem... de vez em quando! Por aqui.
ISOBEL CAMPBELL, A ÚNICA!
Dos fracos não reza a história... A então menina Isobel Campbell deixou para sempre os Belle & Sebastian em 1999 sob o disfarce tímido e acanhado de The Gentle Waves mas haveria de ser a colaboração e parceria com Mark Lanegan que haveria de fortalecer-lhe a carreira com três álbuns consistentes ao seu lado, um género de "the beauty & the best" sonoro de estranho mas fino recorte. O último datada de 2010 ("Hawk") foi mesmo o ponto final de uma ascensão merecida mas a separação artística só oficialmente terminaria sem desculpas em 2013.
Desde aí, pressentia-se uma série de cuidados e pousios em jeito de retiro prolongado a suspirar por libertação num continente americano para onde decidiu emigrar e tentar uma nova vida, uma mudança Glasgow to Los Angeles arriscada e algo problemática. Mas os sinais emitidos o ano passado apontavam para um regresso desejado que agora se concretiza no álbum "There Is No Other" pela velhinha casa Cooking Vinyl. Em nome próprio e em plena forma, são treze as canções do disco de aparente inspiração psicadélica olhando para o desenho da capa e testando a sonoridade da maior parte dos novos temas entre os quais está uma versão de "Runnin' Down a Dream", original de Tom Petty datado de finais dos anos 80 a que Campbell dá a volta de forma sedutora e, como sempre, única. There is no other...
quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
THE CHURCH, NOVAS MISSAS!
Depois do adiamento dos muito aguardados concertos marcados para Setembro passado, ao que parece devido a uma lesão física do baterista, os australianos The Church programaram novas missas para Maio estando a cerimónia portuense marcada para o dia 19 de Maio no Hard Club. Vamos rezar para não haja azares...
AOIFE NESSA FRANCES, PRINCESA DO ANO?
Pode ser uma das primeiras grandes surpresas de 2020 atendendo ao que já ouvimos, lemos e tornamos a ouvir de bom grado. A menina chama-se Aoife Nessa Fraces (pronuncia-se Ee-fa), é irlandesa, vive no norte de Dublin e conhece bem as penumbras, rochedos, ondas e marés de um oceano inspirador de canções e histórias sem fim. A atracção pela guitarra desde muito nova só teve algum freio aquando de um acidente na mão que a impediu de aprimorar o género preferido - o flamenco - mas que, no entanto, a fez desenvolver outras capacidades que partilhou jovem com alguns amigos na banda Princess.
É toda esse talento quase inocente que se pode ouvir no álbum de estreia a solo "Land of No Junction" lançado este mês pela Basin Rock, um assinalável conjunto vintage de temas cheios de mistério e beleza iluminados por uma pujante força no feminino sobre o amor ou a amizade, a alegria ou a tristeza ou... novamente o amor. Temos princesa!
terça-feira, 28 de janeiro de 2020
segunda-feira, 27 de janeiro de 2020
ANNA CALVI, RENOVA-SE A CAÇADA!
A validade das canções do enorme álbum "Hunter" de Anna Calvi lançado em 2018 não perdeu qualquer pingo de vibração, sendo a sua versão ao vivo, como comprovado, uma experiência de intensidade e fruição salutares. No último ano, entre palcos, viagens e hotéis, a menina dedicou-se a revisitar algumas das primeiras gravações desses temas, uma aposta artística de intimidade assumida mas para a qual decidiu convidar uma série de amigos músicos para a ajudar na tarefa - surgirá, assim, em Março pela Domino Recordings um disco de sete stripped-down versions rebaptizadas de "Haunted" e onde colaboram de bom grado Charlotte Giansbourg, Julia Holter, Joe Tabot (Idles) e Courtney Barnett, uma parceria que se pode já ouvir em antecipação neste "Don't Beat The Girl Out Of My Boy". Que bela caçada!
domingo, 26 de janeiro de 2020
HAND HABITS + ANGEL OLSEN, Hard Club, Porto, 24 de Janeiro de 2020
A noite de música portuense estava esgotada e logo à entrada se percebia a enchente compacta. Na tentativa de estudar a melhor forma de chegar até à frente, subimos ao único piso superior do espaço enquanto a menina Meg Duffy aka Hand Habits tinha já iniciado o leve aquecimento. Na companhia de um baixista e um baterista, o trio teve tempo para meia dúzia de canções do último álbum "placeholder", uma desfiar de pérolas que mereciam melhor som e mais atenção o que no local panorâmico onde nos encontrávamos alcançou laivos de desrespeito em jeito de bar fumarento em fim de noite. Conversas de surdos, que podem confirmar nas imagens abaixo e que nos levam a suspirar por uma melhor oportunidade.
Vamos lá, toca a furar em zigue-zague entre uma plateia estacada há muito na expectativa de uma proximidade compensadora a uma artista "nacionalizada" de forma consistente nos últimos anos. Angel Olsen soube sempre testar, medir e acarinhar uma relação de primazia com o público português cimentada em estadias/concertos proporcionalmente crescentes à excelência artística e com um cume atingido em "All Mirrors", álbum que serve de base à corrente digressão europeia.
Como confessado pela própria mesmo antes do final da noite portuense, as restantes datas no velho continente serão sempre um decréscimo previsível de qualidade e partilha, um privilégio talvez exagerado mas logo notado na tensão e cumplicidade emitidas entre o palco e os fiéis atentos e expectantes. A ultra-dimensão da celebração teve sempre uma alcance imaculado por um septeto de músicos rodados na excelência dos instrumentos, das canções e dos seus andamentos, fosse a dupla de cordas a prolongar o prazer fosse o desafio das guitarras vibrantes a electrizar os corpos em jeito de descarga.
Da sublimação sonora de "Lark" até ao "é um hit que não é hit" "Shut Up Kiss Me", passando por esse dissolvente catártico chamado "Endgame", foram muitos os momentos de puro deleite que continua a ser ouvir esta voz e este jeito de encantar desencantando mas, caramba, aquele "Chance" no encore pelo qual tanto ansiávamos só veio culminar um serão apertado nos corações que batem mais forte no soletrar baixinho e involuntário das letras e no quase não respirar dos silêncios. E isso, não sendo magia negra, é feitiço daquele que brilha maravilhosamente nos nossos olhos...
Vamos lá, toca a furar em zigue-zague entre uma plateia estacada há muito na expectativa de uma proximidade compensadora a uma artista "nacionalizada" de forma consistente nos últimos anos. Angel Olsen soube sempre testar, medir e acarinhar uma relação de primazia com o público português cimentada em estadias/concertos proporcionalmente crescentes à excelência artística e com um cume atingido em "All Mirrors", álbum que serve de base à corrente digressão europeia.
Como confessado pela própria mesmo antes do final da noite portuense, as restantes datas no velho continente serão sempre um decréscimo previsível de qualidade e partilha, um privilégio talvez exagerado mas logo notado na tensão e cumplicidade emitidas entre o palco e os fiéis atentos e expectantes. A ultra-dimensão da celebração teve sempre uma alcance imaculado por um septeto de músicos rodados na excelência dos instrumentos, das canções e dos seus andamentos, fosse a dupla de cordas a prolongar o prazer fosse o desafio das guitarras vibrantes a electrizar os corpos em jeito de descarga.
Da sublimação sonora de "Lark" até ao "é um hit que não é hit" "Shut Up Kiss Me", passando por esse dissolvente catártico chamado "Endgame", foram muitos os momentos de puro deleite que continua a ser ouvir esta voz e este jeito de encantar desencantando mas, caramba, aquele "Chance" no encore pelo qual tanto ansiávamos só veio culminar um serão apertado nos corações que batem mais forte no soletrar baixinho e involuntário das letras e no quase não respirar dos silêncios. E isso, não sendo magia negra, é feitiço daquele que brilha maravilhosamente nos nossos olhos...
sexta-feira, 24 de janeiro de 2020
ASMÃA HAMZAOUI, ISSO MESMO...
O bonito cartaz de cima que promove a próxima digressão por Espanha do colectivo marroquino Asmãa Hamzaoui and Bnat Timbouktou é mesmo para levar a sério - trata-se de uma oportunidade dourada para testar uma nova geração de jovens mulheres Gwana que apostam na música para romper com o patriarcado tradicional que as impedia de actuar em público ou sequer tocar instrumentos de som.
Ao comando está a jovem de 27 anos Asmãa Hamzaoui, filha do conhecido músico Rachid Hamzaoui, com quem aprendeu desde tenra idade a tocar o guembri, um género de viola de três cordas usada para acompanhar o pai em cerimónias e celebrações, uma presença feminina envolta em taboos e proibições. Corajosa, formou em 2012 os Bnat Timbouktou para a acompanhar e desde aí as audiências interessadas não deixaram de aumentar em digressões pela Europa e E.U.A. e um disco de estreia há muito reclamado - "Oulad Lghaba!" é por isso um milagre de libertação e uma festa espiritual que merecerá uma qualquer viagem rápida e intencional a Vigo (Radar Estudios, dia 21 de Fevereiro) só para a imersão purificadora!
quinta-feira, 23 de janeiro de 2020
5000 TOQUES!
Ora bem e desde dez de Outubro de dois mil e seis, este singelo blog publicou até ao dia de hoje CINCO MIL ditos posts o que a dividir por quase cento e sessenta meses se converte numa média aproximada de trinta e um e picos toques e moques por mês. Ou seja, um por dia, e mais uns trocos, dá saúde e alegria. O raio da campainha nunca mais queima!
TNT, TODOS NOS TOPS!
Os canadianos TOPS da menina Jane Penny, de quem esta casa tem muitas saudades e boas recordações, decidiram fundar a própria editora a que chamaram Musique Tops. Para o efeito lançaram em Outubro um sete polegadas com duas saborosas canções que se podem ouvir abaixo e que eram o pronúncio de algo maior - um álbum novo a sair no princípio de Abril e cujo tema título "I Feel Alive" de irresistível doçura tem já video a preceito. Adivinha-se uma intensa digressão americana com um salto prometido ao Primavera Sound de Barcelona no primeiro dia de Junho. Pode ser que...
terça-feira, 21 de janeiro de 2020
BILL CALLAHAN, O DESEJADO!
O regresso ao vivo suspirado, ansiado e desejado de sua excelência Bill Callahan está confirmado para o final de Maio. Assim, em nome próprio, sempre é melhor que no meio de um qualquer turbilhão indesejado marcado para o Parque da Cidade uma semana depois!
sexta-feira, 17 de janeiro de 2020
MJC 500 @ FERRO
O suposto código que dá título a este post explica-se desta maneira: a Maria João fará 500 meses de vida amanhã e convida todos para a festerola no bar Ferro da Rua da Madeira a partir das 23h00. Notas de 500 não vai haver, mas quanto a notas de música em forma de rodela de vinil, dessas vão ser largadas uma animada porrada delas a cargo do gerente desta casa e do amigo Chico Ferrão. Como esta...
quinta-feira, 16 de janeiro de 2020
CAETANO VELOSO E UM CLARINETE!
Acontece quase sempre aos talentos predestinados que, mesmo na chamada terceira idade, mantêm um espírito jovial e irrequieto fazendo e promovendo o que muito bem lhes apetece e satisfaz. É assim com Dylan, com Springsteen, com McCartney ou Ceatano Veloso que no dia de hoje lançou um disco de revisita fantástica ao seu cancioneiro.
Assim, "Caetano Veloso apresenta Ivan Sacerdote" é simplesmente isso mesmo, uma lufada de ar fresco a nove das suas eternas canções com a contribuição do jovem clarinetista carioca Ivan Sacerdote, uma amizade recente iniciada numa visita ocasional a sua casa onde aos improvisos de Caetano foi respondendo a preceito o sopro do clarinete.
E porque não um disco com tamanha beleza? Bora lá... Intimista e delicado no desafio entre o violão e o tal clarinete, o trabalho recebeu ainda a contribuição do sambista Mosquito e do violinista Cezar Mendes e terá a primeira apresentação oficial no Teatro Castro Alves em Salvador a 8 de Fevereiro próximo.
DANIEL JOHNSTON, O ABRAÇO DOS WILCO!
Houve na atribulada vida de Daniel Johnston (1961-2019) uma infindável lista de ajudas e amizades que sempre lhe reconheceram o talento, a persistência e, acima de tudo, a coragem. Os Wilco de Jeff Tweedy foram, de certeza, um desses suportes emocionais que se mantêm activo mesmo depois do seu desaparecimento em Setembro passado e que se concretiza num álbum póstumo a sair no final do mês na dBpm, editora da própria a banda.
O disco "Chicago 2017" é, assim, um tributo sincero à sua música em catorze novos arranjos de canções e ainda uma versão dos The Beatles, nove das quais registadas no The Vic Theatre na sua última digressão pela cidade onde teve o suporte instrumental do próprio Jeff e do filho Spencer ao lado de James Elkington, Darin Gray e Liam Kazar. Os restantes temas datam de uma prévia sessão no The Loft, o mítico estúdio dos Wilco na mesma cidade.
Coincidindo a saída com o festival solidário e preventivo "Hi How Are You Day" a realizar em Austin, Texas, no dia 22 de Janeiro, o álbum terá o produto das suas vendas entregues à fundação que o organiza na tentativa de melhorar o conhecimento e tratamento da doença mental e da sua difícil recuperação.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2020
SESSA, NOVO ANO EM GRANDE!
A apropriação da expressão "a música brasileira a gostar dela própria" talvez seja uma adequada sugestão para introduzir aos mais incautos a estreia do brasileiro Sessa nos grandes discos. Registado na cidade natal de São Paulo, há nesse trabalho uma exploração aparentemente simples da bossa nova ou da MPB mas onde vai pairando uma neblina psicadélica de textura muito própria que o passado embrenhado na banda Garotas Suecas certamente adensou e enraizou em letras arrojadas e surpreendentes. O disco, "Grandeza" de seu nome em homenagem ao seu país de variadas imensidões, saiu libertado no dia 25 de Abril do ano passado pelas casas Boiled (EUA) e Risco (Brasil) e foi logo devidamente apresentado ao vivo por terras brasileiras e americanas, mas o regresso ao norte do continente tem reforço agendado já em Fevereiro.
Chegará, depois, a vez da Europa. Em Portugal, a nobre Lovers & Lollypops fará o obséquio de o publicar em vinil já em Março seguindo-se em Abril a oportunidade de o ouvir testado e rodado nas datas ao vivo de 7 de Abril, terça, nos Maus Hábitos e dia 11 de Abril no MusicBox lisboeta. Para o Porto já há bilhetes. Grandeza!
terça-feira, 14 de janeiro de 2020
MATT ELLIOTT, REPETE-SE A DOSE!

Passaram três anos sobre "The Calm Before", o magnífico álbum de Matt Elliott merecedor de todos os elogios e que teve direito a várias apresentações ao vivo como a que presenciamos na altura em Espinho. Aproxima-se uma programação semelhante: um disco novo de nome "Farewell to All We Know" na casa francesa Ici D'Ailleurs a sair em Fevereiro (entretanto, a editora pôs cá fora em Novembro uma seleccionada compilação digital de oito temas) e uma digressão europeia já com pelo menos uma data portuguesa confirmada - sexta-feira, 3 de Abril, Centro Cultural Vila Flor em Guimarães. Uma dose que se repete com gosto!
LOBO #19

O mestre António Sérgio faria hoje setenta anos de vida. Há precisamente duas décadas um grupo de amigos preparou-lhe uma festa surpresa num restaurante lisboeta para onde se dirigia calmamente na companhia da família mais próxima para festejar o cinquentenário e onde compareceram parceiros e cúmplices da rádio mas também uma série de músicos que sempre lhe reconheceram a ousadia, a vanguarda e a inquietude.
Dois dias depois, a fotografia da praxe a toda a largura de uma página do "Diário de Notícias" é, por si só, histórica: posam, orgulhosos, ao lado do aniversariante figuras infelizmente também já desaparecidas como Filipe Mendes, Ricardo Camacho ou Zé Pedro e outros históricos da música pop-rock nacional como Pedro Aires de Magalhães, António Manuel Ribeiro ou o brincalhão Kalu. O elogio em forma de notícia é assinado por Nuno Galopim e o autor da fotografia foi o Manuel Melo. Parabéns, mestre!
segunda-feira, 13 de janeiro de 2020
AO PIANO ENTRE VILA REAL E O PORTO!

Não, não é ainda uma nova edição do Piano Day que está, aliás, já marcada para o próximo dia 28 de Março mas pode ser um gostoso aquecimento. No âmbito do apreciável FAN - Festival de Ano Novo 2020 promovido pelo Teatro de Vila Real, evento que aposta, entre outras, na música dita erudita de andamento clássico ou contemporâneo, estão programados concertos de pianistas a que se deve dar atenção: dia 18 de Janeiro, o próximo sábado, a francesa Christine Ott subirá ao palco do pequeno auditório do referido teatro enquanto o jovem inglês Simeon Walker encerrará o festival no dia 1 de Fevereiro, também sábado, no espaço do Clube de Vila Real.
Outra boa notícia é que, na véspera das suas actuações em Trás-os-Montes, ambos passarão pela cidade do Porto para pequenos showcases de fim-de-tarde (18h00?) na FNAC Santa Catarina da baixa. Entrada gratuita!
sexta-feira, 10 de janeiro de 2020
quinta-feira, 9 de janeiro de 2020
FAZ HOJE (21) ANOS #20
terça-feira, 7 de janeiro de 2020
sexta-feira, 3 de janeiro de 2020
FEVEREIRO, PONHAM-SE À TABELA!
Pode ser até o mês mais pequeno do ano mas o próximo Fevereiro adivinha-se em grande no que aos concertos por perto diz respeito. Mesmo incompleto, aqui fica o aviso em forma de tabela!
BANDA /ARTISTA
|
DIA
|
HORA
|
LOCAL
|
PREÇO
|
M. WARD
|
1, Sábado
|
21h30
|
CIAJG, Guimarães
|
7€50
|
JAMES RHODES
|
1, Sábado
|
21h30
|
Teatro Afundacíon, Vigo
|
25€
|
FAT WHITE FAMILY
|
4, Terça
|
21h00
|
Hard Club, Porto
|
23€
|
CHICO BERNARDES + CAROL
|
6, Quinta
|
22h00
|
Maus Hábitos, Porto
|
6€
|
MICAH P. HINSON
|
14, Sexta
|
23h00
|
Plano B, Porto
|
10€
|
BLANCK MASS
|
14, Sexta
|
22h30
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Teatro Rivoli, Porto
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7€
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DEVENDRA BANHART + VETIVER
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15, Sábado
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21h00
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Hard Club, Porto
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30€
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THE LAST INTERNATIONALE
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15, Sábado
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21h30
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Theatro Circo, Braga
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12€
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BIG THIEF
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18, Terça
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21H00
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Hard Club, Porto
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21€
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EMILY JANE WHITE
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21, Sexta
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?
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TDB, Ponte de Lima
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?
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VLADISLAV DELAY QUINTET
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21, Sexta
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22h30
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GNRation, Braga
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7€
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TINDERSTICKS
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22, Sábado
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21h30
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Casa da Música, Porto
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28/32€
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MOMO
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23, Domingo
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16h00
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Teatro VAlegre, Ílhavo
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0€
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PATRICK WATSON
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24, Segunda
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21h30
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Casa da Música, Porto
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28/33€
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KELLY FINNIGAN
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29, Sábado
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21h30
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Auditório de Espinho
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8€
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quinta-feira, 2 de janeiro de 2020
M. WARD, ÁLBUM E CONCERTO!
Já por aqui lamentamos o desprezo com que tratamos da vinda de M. Ward ao Porto em 2012 e, por isso, agora não haverá desculpas nem adiamentos. A data certa e imutável é o dia 1 de Fevereiro, Sábado e o local apropriado é a Black Box do Centro Internacional de Artes José Guimarães em, claro, Guimarães para uma apresentação que se adivinha em modo solitário. Há novo álbum para experimentar denominado "Migration Stories" onde cabem onze temas precisamente sobre a migração humana, as sua condicionantes e implicações em histórias repetidas através dos jornais ou televisão mas também escutadas e vasculhadas na própria família. O disco sairá na Anti-Records no início de Abril, um registo aprofundado e concluído nos estúdios de Montreal dos Arcade Fire. Deixamos um primeiro exemplar...
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