sábado, 28 de março de 2020

AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #08





















Nos últimos meses notava-se a azáfama de Scott Mathwes em planear da melhor forma e com tempo a edição do sétimo álbum de originais. Mas a agrura causada pelo adiamento das agendadas digressões e correspondentes mais valias levou o inglês a acelerar a saída do referido disco para Outubro mediante uma pré-encomenda já disponível a preço razoável na tentativa de obter os fundos necessários para a sua conclusão e comercialização.

Mesmo sem título ou capa - a imagem de cima é provisória - e do qual somente se pode ouvir abaixo um curto trecho de canção, a consistência da sua discografia e o talento há muito comprovado certamente proporcionarão que o risco no escuro se transforme numa certeira e compensadora dose de canções, daquelas que nos habitamos a venerar. Um aposta ganha... e em vinil de 180g! 

#AJUDAR


PIANO DAY, CELEBRE-SE!














A data de hoje marca a celebração do Dia do Piano, uma insistência anual saída da teimosia da Nils Fraham e que desde 2016 se espalha um pouco por toda a Europa e América do Norte mas que, infelizmente, continua sem adesões por terras lusas. O músico alemão aproveita, entretanto, o momento para lançar um novo álbum de oito originais a solo com o simples nome de "Empty" e que foi composto como banda sonora de uma curta metragem solicitada por um amigo. Largamos aqui um primeiro momento.



Atendendo às circunstâncias, os eventos agendados que podem escolher no site oficial prolongam-se até ao dia de amanhã numa imensidão de artistas e locais em formato virtual e à distância. Sugerimos o directo já a decorrer promovido pelo Canal Arte que engloba diversos concertos já gravados ou um festival da clássica Deutsches Gramaphon previsto para se iniciar pelas 14h00 com a participação de dez pianistas em ambiente caseiro e que engloba uma perfomance da nossa Maria João Pires.



sexta-feira, 27 de março de 2020

AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #07















Inevitavelmente, o concerto de Bon Iver marcado para o Altice Arena no próximo dia 14 de Abril foi adiado para data incerta mas, atendendo ao reagendamento efectuado para a nossa vizinha Espanha, o final do mês de Janeiro de 2021 será o período mais provável para a sua actuação lisboeta.

Passaram dez anos sobre a edição de "Blood Bank", um disco de quatro temas que marcou o pós-traumático "For Emma, Forever Go" e que tem já disponível uma versão com nova roupagem em vinil translúcido onde cabem outras tantas variações ao vivo inéditas registadas em 2018. Entretanto, com a situação de crise pelos E.U.A. em fase de agravamento sério, Justin Vernon irá doar 10% das vendas de merchandising no seu site a algumas organizações solidárias do Wisconsin, estado da sua Eau Claire natalícia.

# AJUDAR
AJUDAR



BOB DYLAN, SURPRESA ÉPICA!

São quase dezassete minutos de piano e cordas, sem guitarras, que preenchem o embalo nasalado de Bob Dylan sobre o assassinato de Kennedy em 1963 e os anos seguintes vividos pelo próprio numa canção grandiosa chamada "Murder Most Foul" que agora submerge em plena crise mundial. Trata-se do primeiro inédito do cantor em muitos anos - mais precisamente desde "Treasure", álbum de 2012 - onde se referem os Beatles, Franklyn, Woodstock, John Lee Hooker, Carl Wilson ou Altamont e dá muito que pensar... Enigmático e, como sempre, épico!

UAUU #528

quinta-feira, 26 de março de 2020

AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #06




















Começou ontem uma campanha de apoio às lojas de discos independentes britânicas mas que, terá aplicação a um qualquer outro país ou região acometidos pela impossibilidade de circulação e aquisição directa. Comparado com outros constrangimentos e anomalias, o problema não é, obviamente, premente ou prioritário mas somado às dificuldades que muitas delas já evidenciavam antes da crise pandémica não será difícil adivinhar que, sem um resgate massivo, uma maioria acabará por ter que fechar as portas.

O movimento Love Record Stores, liderado por Jason Rackman do grupo PIAS que agrega a Mute, a Bella Union ou a Heavenly e que tem o forte apoio de Paul Weller, Bobby Gillespie ou Brittany Howard, pretende encorajar todos os fãs e clientes a realizar compras online de forma a colmatar o já pouco apuro diário que permitia, no entanto, a continuação de tão nobre actividade a fazer-nos lembrar uma das várias memoráveis cenas de "Alta Fidelidade"...

#LoveRecordStores

AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #05





















No passado Domingo decorreu um live stream no Instagram promovido a partir da Austrália por Courtney Barnett e a dupla Lucius e que resultou numa maratona de mais de quatro horas de música e partilha onde colaboraram, entre muitos outros, Sharon Van Etten, Bedouine, Kurt Vile, War On Drugs ou até Sheryl Crow!

A façanha está desde ontem disponível via youtube a partir do qual se podem escolher precisamente os artistas que queremos ouvir e ver, muitos deles a arriscar versões inéditas de Bob Dylan, Velvet Underground, Wilco ou Leonard Cohen. A iniciativa visou promover e multiplicar as doações ao fundo solidário Oxfam's Covid-19 Relief Fund.

#AJUDAR


AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #04





















O cancelamento da digressão agendada para Abril ao lado de Eddy Kwon And Orchestrating Dreams prevista para Abril pelo território americano levou o sueco Jens Lekman a promover durante esta semana uma série de concertos caseiros via Skype a que chamou "Quarentine Songs". Uma canção por dia com dedicatória especial que já contemplou fãs de Santiago do Chile ou Birmingam (UK)  mas que foram desfrutadas em directo por aficionados um pouco por todo o mundo. A inscrição individual pode ser registada aqui.

Entretanto, Lekman lançou o apelo no apoio a uma revista de rua chamada Faktum, cuja última edição tem o próprio em destaque na capa, alertando ainda para a necessidade de, em cada país e sem gente nas ruas, não ser esquecido o suporte a este tipo de publicações solidárias com os sem abrigo agora impedidos de realizarem o necessário isolamento. Por cá, certamente a nobre revista Cais fará de tudo para os ajudar. Todos contam!

#AJUDAR
#AJUDAR




JOAN SHELLEY, O CÉU SERÁ SEMPRE AZUL!












Agora que a Primavera chegou e que, no conforto do lar e com a acalmia forçada nas ruas, podemos ouvir bem melhor o chilrear das aves e notar as cores sempre surpreendentes das flores, nada como duas novas melodias que só Joan Shelley sabe fazer para encantar.

Talvez para nos distrair destes tempos que nos apertam, na semana passada surgiu "Between Rock & Sky", um tema a capella mesmo à espera que se lhe juntem outras e múltiplas harmonias a que se juntou agora "Blue Skies", um pulverizador eficaz de paz, saúde e harmonia em tons de azul, sempre o azul! 




quarta-feira, 25 de março de 2020

FAZ HOJE (20) ANOS #23










































PERRY BLAKE, Teatro Académico Gil Vicente, Coimbra, 25 de Março de 2000
. Diário de Notícias, por Fernando Madaíl, fotografia de Luís Carregã, 27 de Março de 2000, p. 48
. Público, por Vitor Belanciano, 27 de Março de 2000, p. 29
. Jornal de Notícias, por Dina Margato, fotografia CD/JN, 28 Março de 2000, p. 41



AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #03





















O projecto "Music For Gloves" reúne uma dúzia de editoras discográficas independentes da vizinha Espanha, país particularmente afectado pela pandemia, que pretende comprar luvas e máscaras médicas destinadas aos profissionais de saúde dos já massacrados hospitais espanhóis a partir da disponibilização de temas inéditos e raros das suas bandas e projectos. Aqui ficam duas dessas pequenas casas de discos à espera de serem descobertas e mais que prontas para o auxílio.

#AJUDAR



AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #02





















Disponível desde segunda-feira passada, "Off-Key in Hamburg" reúne vinte peças do já considerável songbook de Father John Misty gravadas ao vivo na Hamburg Elbphilarmonie em Agosto de 2019 ao lado da Nova Filarmonia de Frankfurt. Os proveitos da aquisição à distância revertem para o fundo MusicCares Covid-19.

#AJUDAR

terça-feira, 24 de março de 2020

AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #01





















Multiplicam-se as iniciativas solidárias de ajuda no combate à pandemia global causada pela doença Covid-19. Por aqui tentaremos dar conta e nota de algumas que envolvem o mundo afectado da música e dos músicos que sugerem seriedade e, acima de tudo, urgência.

Os Dirty Projectors comandados por David Longstreth registaram uma nova versão da canção "Isolation" de John Lennon incluída no seu primeiro álbum a solo "Plastic Ono Band" lançado em 1970. As receitas obtidas através da aquisição do tema em formato digital serão directamente encaminhadas para o fundo MusiCares Covid-19 da Recording Academy norte-americana.

#AJUDAR

sexta-feira, 20 de março de 2020

THE RADIO DEPT., GUITARRAS SEM MEDO!





















O regresso dos The Radio Dept. anunciada no início do mês passado evidenciava o óbvio - o amor pelas guitarras continua a fazer efeito pegajoso muito mais sedutor que a arriscada tendência techno de "Running Out of Love", álbum de 2017. Há agora uma prova-dos-nove definitiva através de "You Fear the Wrong Baby", novo tema hoje lançado onde pairam riffs e linhas de guitarra à moda antiga que foram, desde sempre, a marca da dupla sueca. A imagem de capa não deixa dúvidas...

Apesar do título sugerir uma suposta resposta aos tempos confusos que vivemos, a coincidência remete simplesmente para a força que qualquer juventude deve fazer sobrepor a conservadorismos bacocos e retrógados que a espuma dos dias, mesmo por cá, tem arrastado de forma inconveniente. No fear guitars

quinta-feira, 19 de março de 2020

JFDR, O SONHO COMANDA A VIDA!





















No solarengo ano da graça de 2017 a misteriosa islandesa Jófriour Akkadóttir fez-nos duas visitas de cortesia em poucos meses para sorte dos nossos ouvidos e sensações. Em Espinho, na primeira das aparições em Março, desenvolveu com o projecto Pascal Pinon um género de estadia artística que resultou na estreia de alguns novos temas ao vivo com a colaboração de um jovem quarteto de cordas da academia de música espinhense e que teve em "My Work" uma pérola de calibre elevado à espera de ser polida apropriadamente num qualquer estúdio mas que já na altura nos "especou" na cadeira...  Voltaria no trimestre seguinte ao Convento Coprus Christi gaienese para mais uma sessão de magia em versão solitária sob o nome de JFDR e que mereceu também a privilégio na estreia de alguns inéditos (p ex."Dive In", uma canção então sem título conhecido). 

Ora, foi precisamente o estonteante "My Work" o primeiro dos avanços do novo álbum agora editado e que teve imediato e magnífico video a fazer jus à grandeza de uma canção/ilusão que deverá constar sem esforço nas listas de final do ano. É que não conseguimos parar de a ouvir!

O disco de assinalável beleza tem o título de "New Dreams" e incluiria uma suspirada apresentação ao vivo programada para o sempre recomendável Auditório de Espinho no dia 30 de Maio no âmbito de uma digressão pela Europa que foi hoje previsivelmente adiada. Só esperamos que o raio destes tempos estranhos e medonhos passem depressa para que seja possível remarcar o feitiço e pôr-nos a sonhar... Já chega de pesadelos!



FAZ HOJE (30) ANOS #22

























B. B. KING, Coliseu do Porto, 19 de Março de 1990
. O Primeiro de Janeiro, por Rodrigo Affreixo, fotografias de Carlos A. Tavares, 20 de Março de 1990, p. 32



quarta-feira, 18 de março de 2020

FAZ HOJE (32) ANOS #21

































LLOYD COLE & THE COMMOTIONS, Pavilhão Infante Sagres, Porto, 18 de Março de 1988
. Díário Popular, por Manuel Neto, fotografias de Fernando Oliveira, 19 de Março de 1999, p. 22 e 23
. O Primeiro de Janeiro, por Eduardo Corte Real, 20 de Março de 1988, p.?
. A Capital, por Ana Rocha, fotografias de Sofia Pinto Coelho, 22 de Março de 1988, p.?




sábado, 14 de março de 2020

VAMOS LÁ, FIQUEM EM CASA!

























Em casa é quase sempre onde estão os livros que mais gostamos, os filmes que mais gostamos, os discos que mais gostamos e, muitas vezes, as pessoas que mais gostamos. Por isso, fiquem em casa a gostar ainda mais deles e delas para segurança de todos. Não custa nada!
#STFH   

quinta-feira, 12 de março de 2020

O TERNO, A REINAR NA/NO PRIMAVERA!

No passado dia 7 de Junho, em pleno Parque da Cidade portuense, não foram poucas as vezes que encontramos o gigante Tim Bernardes e os outros dois comparsas ao nosso lado a assistir a concertos, na fila da cerveja ou no corre-corre entre palcos. O trio O Terno tinha estreia ao vivo no dia seguinte no arranque do último dia do Primavera Sound e aproveitou a estadia antecipada para reinar pelo festival e, confirma-se agora, registar em Super 8mm da câmara do amigo André Dip um conjunto de imagens que servem de suporte ao novo video para o tema "Eu Vou" do magnífico álbum "atrás/além".

O tal concerto haveria de correr beleza e teria depois até uma curta continuidade com a passagem pelo Gente Sentada bracarense de Novembro último e que pôs muitos a suspirar por uma dose mais reforçada desta toada paulista que não se cansa de crescer e entranhar. Alto astral... ouça-se, já agora, o inédito "Só Nós Dois" que Bernardes fez o favor de oferecer à galera no finalzinho de 2019! 



quarta-feira, 11 de março de 2020

UAUU #527

VANISHING TWIN, VAMOS PÁ PISCINA!





















O quinteto Vanishing Twin com sede em Londres é o exemplo perfeito dos actuais tempos sem fronteiras e onde nacionalidades distintas como a Bélgica, Itália, Japão, França e E.U.A. não constituem qualquer obstáculo a uma colaboração artística profícua iniciada em 2015 e que teve no álbum do ano passado, o segundo, o culminar saboroso de uma aventura especial. Com "The Age of Immunology", um título quase profano nos dias agitados que vivemos, afirma-se um experimentalismo psicadélico e arty de elevada penetração sonhadora que deve ser consumido sem receios e cujo o efeito, atendendo à fase de vigoroso florescimento, é imediatamente absorvido.

A jogar forte nessa disseminação benigna, a banda tem uma digressão pela América do Norte agendada para o final do mês para a qual pede a ajuda material na aquisição de um sete polegadas de vinil propositadamente azul com quatro novos temas e rotulado de "In Piscina!" como se confirma na imagem da capa e no título de um dos temas instrumentais a lembrar-nos o eterno e incontornável refrão de "Dá Fundo" dos GNR!
     
Atendendo a que a banda tem concerto marcado no festival Tremor açoriano para o dia 4 de Abril, isto é, se entretanto não se confirmarem adiamentos ou cancelamentos, talvez o mergulho nas águas tratadas de uma piscina qualquer de São Miguel venha a ser substituído por uma emersão térmica numa das reconfortantes caldeiras naturais das Furnas...

terça-feira, 10 de março de 2020

THE WHITEST BOY ALIVE, ELES VIVEM!















O notório pousio prolongado dos saudosos Kings of Convenience suscita óbvios "bichinhos carpinteiros" em Erland Oye que não sabe estar parado. À anunciada digressão com novas canções e versões ao lado dos amigos sicilianos La Comitiva junta-se agora a confirmação de uma reunião do projecto The Whitest Boy Alive, projecto fundado em 2003 com uma dupla de músicos alemães responsável por dois excelentes álbuns separados por cinco anos de interregno e que chegou a actuar em Paredes de Coura em 2012.

A extinção e suspensão oficial da colaboração que aconteceu em 2014 tem, afinal, pernas para continuar a andar como o prova o reatar dos concertos ao vivo pela América do Sul em Novembro passado, período aproveitado para uma estadia de trabalho visível na fotografia de cima registada pelo produtor local Nicolas Btesh em pleno estúdio El Mar situado no bairro de Villa Crespo, centro da capital argentina, Buenos Aires. Assim, a editar na Bubbles Records nos próximos dias, aqui fica "Serious" como primeira amostra da retoma. Quem sabe, sabe...    

3X20 MARÇO
















segunda-feira, 9 de março de 2020

THE CLEMENTINES, DUETOS EM FAMÍLIA!





















Do casamento de Benjamin Clementine com Flo Morrissey, melhor, Flo Clementine, nasceram já um menino, Julian, e uma menina, Helena, no que parece ser uma família feliz a viver na casa de Ojai, Topanga, California, tal como se apresentaram publicamente aquando da uma reportagem da revista GQ no início do verão passado e que foi devidamente ilustrada por imagens ficcionadas então registadas com o patrocínio de uma afamada marca de luxo.

Notava-se nelas a emergência e cumplicidade de uma colaboração efectiva destes dois músicos de ascendência britânica que foi depois baptizada oficialmente sob o nome de The Clementines e de que em Fevereiro saltou o primeiro single "Calm Down", tema que parece fazer parte de um disco maior. Há agora um video curioso onde se confessam os artistas favoritos e a confirmação de uma digressão já com datas de estreia ao vivo marcadas para Abril pela West Coast e, quem sabe, com próximas extensões europeias...



sábado, 7 de março de 2020

POLIÇA, Casa da Música, Porto, 5 de Março de 2020

Ao projecto Poliça liderado por Channy Leaneagh associamos, desde sempre e involuntariamente, um misterioso manto de encanto. Quase uma década depois do início de actividade artística à volta de uma sonoridade apurada de pop sintetizada, nunca foram muitas nem as notícias nem as excentricidades de uma banda acarinhado por Justin Vernon e que, na sua essência, não pareceu nunca querer mais que escrever, gravar e tocar ao vivo as suas canções.

A oportunidade em estreia nacional afigurava-se, assim, a ideal para a percepção deste enigma dimensional e, já agora, funcional que pode ser obtido de duas baterias simultâneas e um baixo e onde as guitarras não entram para primazia de uma variedade de loops e overdubs. À convocatória para a sala vermelha respondeu uma bem preenchida plateia em pé, assumindo os riscos de um desconhecido território sonoro ao vivo mas, por isso mesmo, sedutor e atractivo e que teve na penumbra do palco das primeiras canções um inquietante preâmbulo preenchido somente pela força dos instrumentos e de uma voz ora adorável ora estranha que fez, por exemplo, de "Lime Habit" um irresistível momento de partilha.

Quando um céu de pequenas luzes caiu no fundo ondulado do recinto mesmo antes de "Driving" como que se acenderam as velas de uma cerimónia de tensão crescente e que, ao nosso gosto, teve em "Dark Star" um hino maior que, por si só, valeria e justificaria a presença. O hipnotismo haveria de se manter até ao fim num jogo alternado de "love songs" e convites à dança culminado com "Trash in Bed", um agitador variado de serpenteios e movimentos que, mesmo sem bola de espelhos mas com chuva de estrelas, nos fez lembrar muitas madrugadas trepidantes e tripantes por históricos bares da Ribeira. Valerá sempre a pena chamar a Poliça! 

quinta-feira, 5 de março de 2020

WILLIAM TYLER, MUGIDOS À GUITARRA!





















A audição prazenteira da música de William Tyler já por muitas vezes nos tinha sugerido o desabafo mudo "isto acentava como uma luva em tantos filmes!". A experiência, no conforto de uma audição sonolenta antes do descanso ou a três dimensões num auditório a preceito, acelera imagens e bons sonhos que talvez tenham despertado o interesse do realizador Kelly Reichardt para formular o convite ao guitarrista de Nashville para compor alguma música a incluir na película "First Cow" que estreia amanhã pelos E.U.A.. 

Dos oito andamentos à guitarra propostos por Tyler não se conhecem, para já, nenhuns dos acordes, tendo o trailer promocional da película usado um tema antigo - o magnífico "Highway Anxiety" do álbum "Moden Country" de 2016 - que desperta óbvia curiosidade sobre o resultado final de um enredo imerso na grandeza da América rural e que segue a história de um cozinheiro e de um imigrante chinês em acordo comercial na tentativa de enriquecer no território de Oregon pelo simples mugir do leite produzido por uma única e rara vaca... Não temos qualquer informação sobre uma data hipotética para a estreia do filme pelas nossas bandas mas sabemos que lá para o verão está prometida a edição em vinil desta música original pela nobre Merge Records

quarta-feira, 4 de março de 2020

UAUU #526

KEVIN MORBY, NA HORA!

Uma das peças de colecção do último álbum "Oh My God!" de Kevin Morby contemplava, para alguns sortudos que jogaram na antecipação das encomendas, a inclusão de um sete polegadas de vinil com mais dois temas inéditos, ambos de qualidade indiscutível mas só acessível em reduzido número e que implicava um gira-discos funcional...

Pois bem, esses pedacinhos - "I Was On Time" e "Gift Horse" - estão agora disponíveis digitalmente e, por isso, em vias de disseminação merecida e deleite compensador. Lembrete: Morby e companhia estarão no SBSR do Meco, Sesimbra, no próximo dia 17 de Julho. 



terça-feira, 3 de março de 2020

DAMIEN JURADO, O CONSISTENTE!





















Elevando a consistência na composição ao habitual nível de excelência, ora aqui está a notícia de um novo álbum de Damien Jurado, o terceiro nos últimos três anos só para manter as contas certas. Com "What's New, Tomboy?" a sair na bonita casa Mama Bird Recordings de Portland no próximo dia 1 de Maio, dia do trabalhador atarefado, há como um regresso a uma sonoridade mais descontraída, positiva e soalheira um pouco distante de alguma negritude e sofrimento que flutuava nos mais recentes trabalhos. Ouçam, como prova, o primeiro avanço "Birds Tricked Into the Trees".

Prevemos, entretanto, que a próxima notícia neste blog sobre Jurado será a confirmação suspirada do seu regresso ao vivo para o que adiantamos o mês de Julho como forte hipótese atendendo às datas europeias já confirmadas. Vai uma aposta?     

segunda-feira, 2 de março de 2020

KELLY FINNIGAN & THE ATONEMENTS, Auditório de Espinho, 29 de Fevereiro de 2020

O verdadeiro groove que emana de uma banda soul parece um desígnio fácil e banal mas, como em tudo, há sempre um melhor que muitos outros, o tal de casta genuína a tresandar a pureza vintage que já experimentamos em êxtase perante a eficiência e a fineza de Sharon Jones ou Charles Bradley e que, infelizmente, jamais se repetirá. Foi a pensar neles e no seu legado que nos sentamos na fila da frente para a estreia afortunada de Kelly Finnigan em Portugal.

Não demorou muito tempo a perceber o calibre, o tal, do colectivo espalhado de forma clássica em cima do palco e que responde pelo nome de The Atonements - a bateria motorizada bem no centro, os dois magistrais metais na lateral esquerda, o duo de cantoras imprescindíveis do lado direito escoltado por um trio eléctrico gingão de baixo e guitarras e onde se destacou a destreza de Joe Crispiano, só por si uma dádiva certeira que já vimos brilhar com os The Dap Kings noutras memoráveis ocasiões. Ao comando, sentado atrás do seu Korg, Finnigan teve desde logo a equipa em nítido controlo e esplendor de uma ondulante vibração ora soft ora rough de irresistível contágio, uma máquina imaculada de acelerar energias e emoções mesmo que o convite formal para a dança e agitação que se impunha tenha demorado uma boa meia hora...

Provou-se assim que, apesar de uma aparente estreia tardia nos álbuns a solo que se verificou em 2019 e que foi o fio condutor da celebração, o pedigree artístico (Kelly é filho de Mike Finnigan, teclista em álbuns de gente graúda como Joe Cocker ou Jimi Hendrix) e a experiência acumulada nos Monophonics desde 2012 deste jovem soul man quase quarentão resultam já num verdadeiro animal de palco de inatas capacidades vocais e, acima de tudo, com um zelo e vigor de quase duas horas que poderemos comparar com nomes célebres já desaparecidos e venerados. Finnigan pode não ser, para já, uma lenda viva mas que acertou no bom e estreito caminho para lá chegar, disso não temos dúvidas... Oh yeah!

JENNY LEWIS DE SECRETÁRIA!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

BRIGID MAE POWER, ILHA TERCEIRA!





















A sequência do magnífico álbum "The Two Words" da irlandesa Brigid Mae Power, uma enorme ilha que esconde múltiplos e lindos ilhéus, tem retoma marcada para dia 5 de Maio próximo - através da Fire Records surgirá nesse dia o terceiro disco de originais "Head Above the Water" que foi registado no estúdio analógico The Green Door em Glasgow com a ajuda de Alasdair Roberts e do companheiro Peter Broderick.

Prometida está uma maior diversidade de abordagens ao folk e ou country que um quinteto de músicos reunidos nesse estúdio dinamizou em dez novos temas polvilhados de cordas e até de um bouzouki grego de forma a surpreender e encantar. Fica a primeira prova...

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

MONSIEUR PATRICK WATSON NO OLYMPIA!

Para quem não compareceu ao concerto de Patrick Watson na Casa da Música na passada segunda-feira aqui fica uma versão integral do seu espectáculo captada ontem no L' Olympia parisiense em jeito de compensação à custa do canal Arte. Para os que foram... recordar é viver!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

UAUU #525

YOUNG GUN SILVER FOX, REGRESSO AO FUTURO!















Certamente confiantes que o regresso ao passado é, ainda e sempre, a melhor das apostas, o duo inglês Young Gun Silver Fox insiste num terceiro álbum na fórmula habitual que reinventa o chamado yatch rock tão em voga pela costa oeste americana em plenos anos setenta, tornando-a válida e saborosa como nunca. Em "Canyons" há razões suficientes para prolongar como nunca a nossa adição por estas paisagens sonoras de óbvio ambiente soalheiro e salgado de mar mas também pelos sufocantes desfiladeiros ou gargantas californianas tal como evidencia o desenho da capa.

O primeiro dos temas que serve como single chama-se "Kids", inspira-se na filha do mais novo Young Gun e o respectivo video foi filmado no bar londrino Time Warp sob direcção de George Moore, o responsável pelo curta-metragem "Paul Is Dead" sobre uma eventual substituição de Paul McCartney nos Beatles... Só esperamos que não se esqueçam da respectiva e obrigatória rodela de vinil!




terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

ERLAND OYE, INSTRUMENTOS AO ALTO!


As férias de Erland Oye não são bem férias... São sempre oportunidades de novas amizades, encontros, parcerias e colaborações com uma simples guitarra acústica tal como aconteceu na estadia pelo Chile em 2017 onde promoveu convívios solidários e onde tem regressado a cada verão sul-americano nem que seja para fazer as primeiras partes dos concertos de José González tal como aconteceu em Janeiro do ano passado. Há também um novo hábito que não dispensa o ukelele oferecido como prenda no seu quadragésimo aniversário (2015) pelo guitarrista italiano Luigi Scialdone e no qual se vai divertindo na composição.

Assim, destas viagens resultam óbvias inspirações e experiências traduzidas em canções como "Valdivia", nome de uma cidade central chilena onde confluem três rios e que se mostram no video que ilustra a novidade instrumental com a ajuda de La Comitiva e dos Stargaze, um outro trio de instrumentos de sopro. Ao seu lado há "Altiplano", mais um tema sem palavras, ambos a editar em breve pela Bubbles Records, casa do próprio criada em 2006 com o amigo berlinense Marcin Oz, o baixista dos Whitest Boy Alive.

Os temas foram registados no estúdio Saal 3 de Funkaus que Nils Fraham mantêm precisamente em Berlin e onde foi também fixada uma nova versão de "For the Time Being" dada a conhecer em Dezembro que transforma o original de 2004 ao lado dos Phonique numa pérola acústica com a cumplicidade da tal La Comitiva siciliana com quem partilha nos últimos tempos estúdios e palcos tal como ouvido e testemunhado por Guimarães em Maio de 2018. Já agora, Oye e o respectivo séquito estarão por Espanha em Abril para uma pequena digressão de quatro datas... festivas!   





segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

CATE LE BON, O QUE É BOM NEM SEMPRE ACABA!

Provadas que estão as qualidades e atributos da menina Cate Timothy aka Cate Le Bon em disco e ao vivo, torna-se desejável que a sua agitação artística não esteja muito tempo em pousio. Do último e excelente "Reward" saído o ano passado parece que sobraram uma mão cheia de temas inacabados que surgem agora sob formato de um EP curiosamente apelidado de "Here It Comes Again" ao lado do projecto Group Listening, um duo de músicos ingleses de tradição experimental e, por isso, do agrado da própria Le Bon que o ouviu de fio a pavio durante a composição do referido disco.

Temos, assim, um género de deconstrução arrojada de contornos ambientais registados em Agosto último na inspiradora região do País de Gales entre a azáfama das digressões e que em dois temas recebeu as vozes do amigo Ed Dowie, também ele uma alma interessada e praticante do inconformismo. A artista estará em intensa digressão americana com Kurt Vile nos próximos meses de Abril e Maio e tem uma aproximação à Península Ibérica agendada para o início de Julho (Festival Vida, Barcelona). 





EMILY JANE WHITE, Teatro Diogo Bernardes, Ponte de Lima, 21 de Fevereiro de 2020

A inegável consistência da música de Emily Jane White merecia uma sala assim, a preceito e linda sem ser grandiosa, acolhedora sem ser imponente mas com gente interessada e curiosa em apurar os sentidos para a receber cordialmente e sem pressas como convêm. Não há nas suas canções razões para euforias ou assomos de alegria onde uma camada negra de luxuosa composição se faz desde sempre notar principalmente no último álbum "Immanent Fire", a razão principal da visita e da previsível contemplação.

Foi esse, então, o fio condutor de um concerto calmo que contou com a ajuda de um guitarrista/baixista e um baterista a que se juntaram pré-gravações ora de vozes ora das orquestrações para a apresentação da quase totalidade dos seus dez temas com destaque para "Washed Way" logo a abrir, "Surrender" e "Drowned", um assinalável trio de coesão sonora mas que foi permeado por recordações diversas como "Sleeping Dead" ou, salvo o erro, "Black Dove" sentada no piano. A todos, a notável acústica do recinto fez o favor de aumentar o mistério e a tensão de enlevo ainda mais vincado aquando de "Victorian America " e "Pallid Eyes", ambos já no único encore culminante de um serão de acentuada mas de agradável melancolia.       


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

DRY CLEANING, PARA AREJAR NO PARQUE!















No sempre polémico e inconsequente deve e haver entre o festival Primavera Sound de Barcelona e o do Porto sobejam queixas do lado de cá quanto à penúria de grandes bandas e artistas sobrantes do menu recheado da Catalunha. Mas há, pelo menos este ano, uma bela de uma excepção que traz ao Parque da Cidade no sábado, 13 de Junho, os prometedores ingleses Dry Cleaning sem que seja conhecida qualquer estadia prévia em Barcelona!

A dádiva sonora que está em fase crescente de afirmação através da edição de "Sweet Princes", um primeiro EP saído em Agosto a que se seguiu um outro de nome "Boundary Road Snacks and Drinks" para que não restassem dúvidas quanto às potencialidades deste quarteto do Sul de Londres, tem em Florence Shaw uma arqueóloga digital de eleição na procura de vestígios largados na rede inspiradores dos quase murmúrios das líricas. Sendo assim, se os nosso amigos (ainda) espanhóis terão umas tais fontes da cidade de Dublin (Fontaines D.C.) nós por cá daremos toda a atenção a esta grande lavandaria a seco... e ao ar livre! 




quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

UAUU #524

DESTROYER, MAIS UNS NO CLUBE!













Adivinhava-se a vinda dos Destroyer a Portugal para concertos atendendo às datas da digressão pelo país vizinho e, assim, no Porto o jogo está marcado para o dia 30 de Junho, terça-feira, no recinto do clube visitado, o Hard Club. Ao comando estará, como sempre, Dan Bejar na apresentação das canções do último e excelente "Have We Met" entre goladas de infusões previsivelmente etílicas. Não haverá, contudo, controlo anti-doping!

BIG THIEF, Hard Club, Porto, 18 de Fevereiro de 2020

A oportunidade de testar ao vivo os Big Thief em menos de dez meses merecia comparência óbvia e atempada mas afazeres profissionais mantiveram-nos retidos perigosamente e em desespero... A entrada no Hard Club ao som de uma canção que desconhecíamos, a última de um terceto de inéditos que, soubemos depois, a banda experimentou logo a abrir, soava contudo um pouco roufenha e estranha. A questionável qualidade da amplificação tinha, afinal, um motivo geek em fase experimental, um tal de headset em vez de um microfone fixo que permitiu a Adrianne Lenkar ocupar por várias vezes o centro do palco numa postura praticada de forma receosa mas que foi melhorando à medida que o concerto também ele atingia um outro e elevado nivelamento.

Atendendo à experiência memorável de Junho passado, um fim de tarde festivo e descontraído de intensidade assinalável, a comparação com a noite em nome próprio no clube portuenses apresenta óbvios riscos. Pareceu-nos certo que quem esteve no Parque da Cidade voltou para confirmar a grandeza de um quarteto de amigos músicos juntos desde a faculdade que transparece sempre calmo, delicado e sábio na gestão de uma notável colecção de canções buriladas pela voz de Lenkar de forma cristalina e, sinceramente, única. A tensão ondulante de temas mais calmos com o rasgar tenaz de outros e de que "Not" e o seu incontornável solo de guitarra mereceu fervorosa reacção entre o publico radiante, sugere um dedicado esforço no aprumo de um espectáculo sem truques ou subterfúgios e que tem na essência e pureza das canções um trunfo arrebatador que se entranha sem dificuldade e cujo o efeito dura, dura e dura... Como gostamos de ser "roubados" por estes magníficos ladrões!   


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

VETIVER + DEVENDRA BANHART, Hard Club, Porto, 15 de Fevereiro de 2020

Ao entrarmos, atrasados, no concerto de Vetiver já com o recinto repleto lá fomos reparando e confirmando o habitual cenário - uma grande parte do público completamente alheio ao que se passava no palco, em tagarelice e circulação contínua na procura dos amigos, da cerveja ou de um melhor e já inexistente spot para estacar, tornando-se evidente que a música de excelência que Andy Cabic apresentou só fez o devido efeito para quem, cauteloso, chegou cedo e se aproximou da frente.

Mea Culpa... sem que, mesmo assim, sejam de apontar defeitos às poucas canções que fomos tentando ouvir entre o enervante ruído de fundo e que teve em duas delas, a acabar, a participação de um trio da banda principal perfeitamente oleado e engrenado neste folk distante para muitos mas compensadora para os mais prevenidos a fazer-nos suspirar por tempos passados. Foram deles, obviamente, as únicas palmas, fortes e todas merecidas!   



Há qualquer coisa de magnético quanto à presença de Devendra Banhart em cima de um palco. Experimentados diversos dos seus concertos - da estreia longínqua em Santa Maria da Feira ao caos controlado de uma tenda de circo numa herdade alentejana e no pôr-do-sol galego, passando pela aparente austeridade da Casa da Música ou a intimidade inesquecível de um auditório espinhense - a expectativa com que encaramos as diferentes oportunidades foi sempre a mesma, ou seja, em "modo pulgas"!

A noite de sábado não foi excepção logo agora que havia dois álbuns - "Ape in Pirk Mable" e "Ma" - que ainda não tinham merecido visita ao vivo e que estão floridos de canções apetitosas e prontinhas para um deleite suave e prolongado. Como sempre, para o repasto Devendra rodeou-se de um quarteto de eleição em jeito de família unida e solidária que contou com a ajuda de Andy Cabic em alguns temas mas onde, contudo, nem tudo suou perfeito como o raio da guitarra acústica de fugir em "The Body Breaks", as várias tentativas - "intentos" - em falar português ou, caramba, os irrisórios vinte segundos de "Santa Maria da Feira" no início do encore! Apesar da simpatia, da informalidade e bonomia que transpareceu de início ao fim e que incluiu os habituais elogios à cidade por onde, aparentemente, se perdeu por entre as salas e parque de Serralves, os quinze minutos trapalhões a solo aparentaram também alguma desconcentração e hipertensão que os vários e simultâneos pedidos vindos do público aceleraram na confusão...

Claro que tudo isto se desculpa atendendo ao calibre de muitos outros momentos como o de um "Seahorse" vintage e poderoso, a surpresa disco "Fig in Leather" ou a eleição milagrosa de "Daniel" para evocar um disco de eleição chamado "Mala" e onde foi pescar outras maravilhas como "Mi Negrita" e "Never Seen Such Good Things". Para culminar a celebração faltava então a sempre agitada e vibrante "Carmensita" por entre baile generalizado. Guapa(o)!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

MICAH P. HINSON, Plano B, Porto, 14 de Fevereiro de 2020

A noite de namorados, uma tradição tão antiga e vincada na nossa cultura como preparar um bom sushi para a ceia de Natal, sugeria ser um tiro no escuro para a estreia (?) de Micah P. Hinson na cidade. Atendendo à resposta compacta que se juntou na cave do bar portuense onde se notavam, mesmo assim, alguns pares de amorosos com bom gosto, afinal fazia falta este reencontro tardio com o já não miúdo mas com cara de miúdo que não se cansa de fazer excelentes discos e que já não víamos em palco há mais de uma dúzia de anos.

Dessa noite bracarense, onde acender um cigarro era e ainda é proibido, recordávamos o perfeccionismo e até algum nervosismo de um jovem Hinson já bom contador de piadas e histórias que agora soaram ainda mais corrosivas e desafiadoras entre contínuos e aflitivos cigarros esticados na ponta da longa cigarrilha de forma a contornarem o microfone e a não queimar os lábios. Arrasador, provocante, teve sempre resposta pronta do público mesmo que algumas das trocas de palavras tenham azedado um pouco ou não fosse o assunto um tal de Donald Trump...     

Fica-lhe a matar essa aura de looser de que se gosta sem enjeitar muita ternura pela subtileza das canções de um reportório já longo e vasto donde foi picando aleatoriamente exemplares únicos daquilo que o próprio chamou folk music mesmo que sejam, à sua maneira, inesperadas versões de "No Surprises" dos Radiohead ou, um pouco mais à frente, do hino tradicional "500 Miles". Da plateia soltaram-se alguns pedidos como "Close Your Eyes" prontamente atendido mas, mesmo sem que ninguém o tenha requisitado, lá apareceu subtilmente o incontornável "Beneth the Rose" para que não houvesse qualquer motivo para reclamações ou suspiros quanto a este inusitado e encapotado São Valentim que acelera pecados, dos bons, com uma simples e velha guitarra e até deita fumo!     

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

RYUICHI SAKAMOTO, PURIFICADOR AMBIENTAL!

A vida de Ryuchi Sakamoto pela cidade de Nova Iorque sugere, ainda e sempre, tempos inspiradores. Entre reparos e queixas quanto à música ambiente de alguns restaurantes e outros locais públicos e ajudas na homenagem a amigos músicos como Laurie Anderson que decorreu no princípio do mês no afamado Joe's Pub, o artista continua a não dispensar responder ao desafio para compor bandas sonoras para filmes, um hábito salutar de curriculum imparável.

No dia de amanhã, 15 de Fevereiro, surgirá mais uma dessas contemplações para a curta metragem "The Staggering Girl" a estrear na plataforma americana por cabo MUBI mas também disponível online. Em poucos de trinta minutos, Sakamoto serve-se, como sempre, do piano para se rodear de outros sons e subtilezas de onze curtos andamentos que ambientam de mistério um argumento onde se destacam os conhecidos actores Julianne Moore ou Kyle MacLachian e que tem realização do italiano Luca Guadagnino.

A edição do disco estará a cargo da Milan Records, casa que viu reconhecida a sua persistência e nobreza na última cerimónia dos Oscars com a aclamação da banda-sonora ao piano para o filme "Parasite" a cargo do coreano Bong Joon.






quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

MARY LATTIMORE, ENCANTADOR!

















A harpa encantada da americana Mary Lattimore está habituada a prestar bondosos e sedutores serviços sonoros a amigos como Steve Gunn, Kurt Vile ou Sharon Van Etten. A última das colaborações traduziu-se no álbum "Ghost Forests" em parceria com Meg Baird lançado em 2018 e que no Outono desse ano daria direito a uma digressão com Kurt Vile que o Porto teve a sorte de presenciar mesmo que a oportunidade tivesse merecido o incompreensível desprezo da maioria.

Não há notícias de qualquer trabalho inédito de longa duração mas há boas novas - em Janeiro a harpista viu editada a sua contribuição para a série de singles da plataforma Adult Swim através de uma linda peça chamada "Polly of the Circus" inspirada no documentário "Dawnson City: Frozen Time" do também amigo Alex Somers, o que nos faz pensar que outras composições e aventuras estarão já na forja enquanto uma digressão por perto se faz adivinhar... Há, pelo menos, um concerto a solo agendado para 22 de Maio no Radar Estudios de Vigo e, quem sabe, um regresso ao nosso jardim à beira mar por onde já se passeou sozinha em 2016 no extinto festival "Jardins Efémeros" de Viseu.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

REAL ESTATE, UM INVESTIMENTO SEGURO!





















Numa década atribulada quanto a entrada e saída de crises, os americanos Real Estate tiveram direito às suas mas sem nunca perderem o tino. Passado o incómodo assunto chamado Matt Mondanile, despedido da banda em 2017 por alegados maus tratos a mulheres, foi também nesse ano que a banda se aprimorou na concepção de "In Mind", disco de excepção no que ao pop melodioso de especialidade certificada diz respeito, um investimento que esta casa se habituou a manter quase desde a primeira hora a que se acrescentou um anterior e recomendável desvio a solo do vocalista Martin Courtney.

Parece que está chegar a hora de recolher os lucros do investimento. Sai no final do mês na casa de sempre, a Domino, um produto novo e, certamente, seguro de nome "The Main Thing" que, para além da semelhança no título com uma saudosa canção dos Roxy Music, tem em "Paper Cup" um primeiro cartão de visita de reconhecível efeito e adição com direito a video vistoso!

GIL SCOTT-HERON, OBRIGADO!



















Passam agora dez anos sobre a saída do álbum "I'm New Here" de Gil Scott-Heron, um então inesperado regresso aos discos pela inglesa XL Recordings celebrado com a aclamação da crítica e uma digressão mundial. Tivemos a felicidade de o ver, ouvir e sentir na sala pequena da Casa da Música em Maio de 2010, momento simplesmente épico a que se juntou um encontro imediato nos camarins do edifício que nos haveria de reduzir a pó abençoado perante a sua humildade, gentileza e gratidão e que ainda hoje não nos sai da memória!

Foi desse pedacinho de tempo feliz que nos lembramos ao assistir de nó na garganta ao documento "Who Is Gil Scott-Heron?" realizado em 2014 mas agora disponibilizado na sua totalidade no youtube no âmbito da comemoração referida. Para além da recomendável reedição e reinterpretação do disco que a mesma editora agora promove, sugerimos um magnífico livro compilador da obra do mestre saído em 2019 e não perderem mais tempo para perceber, em menos de uma hora, o que é isso de ser um génio. Obrigado por tudo, brother!

sábado, 8 de fevereiro de 2020

CHICO BERNARDES, Maus Hábitos, Porto, 6 de Fevereiro de 2020

Logo à primeira audição das canções do disco homónimo de Chico Bernardes há uma série de traços de intimidade que se notam entre uma toada que se afigura um pouco inquietante e algo repetitiva. A aparente falta de ousadia da composição é, contudo, tecnicamente irrepreensível num permeável jogo sonoro das cordas da viola clássica e a voz pausada e certeira para as palavras mesmo que ingénuas. Para um jovem de vinte anos a transposição destas boas fragilidades para uma sala de espectáculo pequena e informal não deve ser nada fácil. No caso da noite portuense, a esta dificuldade juntou-se uma seriedade intimadora na concentração do público sentado na frente da figura enorme e cabeluda de Bernardes na expectativa de um teste ao vivo inédito de que, sinceramente, não augurávamos um grande resultado. Errado!   

Sentado, tal como o irmão Tim, com o violão ao colo e uma postura calma e dissuasora de histerismos, o concerto revelou-se uma agradável sucessão contida de tristeza em forma de canções sem pressas sobre o amor e o seu contrário mas onde a sábia vibração das cordas das duas guitarras acústicas conseguiu surpreender pela consistência e excelente tecnicidade. No nosso caso, a sequência "Sem Palavras", "Me Encontar" e a inesperada versão de "True Love Will Find You in the End" de Daniel Johnston foi, a esse nível, sintomática do seu talento musical de inquestionável valor e de que se adivinha crescimento fértil proporcional ao tamanho da cabeleira. Grande Chicão!     

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

FAT WHITE FAMILY, Hard Club, Porto, 4 de Fevereiro de 2020

Na velha tradição inglesa, todas as oportunidades são boas para fazer a festa e reunir a família. Nos últimos anos a dos Fat White Family tem nitidamente crescido em número de adeptos e aficionados muito à custa de um terceto de álbuns irrequietos e de que "Serfs Up", saído há um atrás, é um culminar diverso e intenso de rock e portento. Um dos efeitos do notório redimensionamento da carreira foi chegar mais facilmente a novos públicos e, já agora, de os trazer até ao Porto num serão de terça-feira para uma casa não cheia mas bem preenchida por uma carrada de maduros conhecedores à espera de pôr a conversa em dia e, ainda e sempre, sedentos de animação.

E ela não demorou muito a aparecer tendo bastado para isso os dez primeiros minutos e os acordes iniciais de "I Am Mark E Smith", um hino poderoso de óbvio tributo aos The Fall, gurus artísticos de que o colectivo em palco descende milagrosamente mas a que acrescenta arrojo (não percam os videos das canções), matreirice ou excitação. Ao comando do clã e das comemorações esteve Lais Kaci Saoudi, um ser invertebrado pela bebida directa da garrafa de whiskey e disposto a fazer da reunião uma oportunidade para conquistar novos amigos não só pela hipertensão física enquanto agarra e grita para o microfone mas também pelo contacto directo e corpóreo em plena plateia para onde saltou amiúde, incitando empurrões e sururus moderados culminados aquando de "Bomb Disneyland" com que, aparentemente, dariam por finda a actuação.

Mas do público, ainda não satisfeito e que não lhes virou logo costas, surgiu uma insistência no regozijo que sabia não ter finado - "são muitos anos a virar frango" - plantando-se na frente do palco e insistindo nos assobios e gritos para um regresso não programado e, por isso, demorado. De volta e satisfeita, a família lá acertou na interpretação especial de "Tastes Good With the Money" para que a noite selasse, desde logo, um parentesco de estirpe comum - o gosto infindável e eterno pelo rock!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

THE RADIO DEPT, UMA BOA FREQUÊNCIA!















Como por magia e de vez em quando há uma frequência que emerge nas ondas do bom gosto e da nostalgia a partir de Lund na Suécia sob o nome de The Radio Dept. - a emissão envolve quase sempre canções de sedução herteziana a cargo da dupla fundadora como é agora o caso do inédito em estreia "The Absence of Birds". Há ainda uma versão do mesmo tema pelo misterioso projecto ambiental Civilistjävel! Prometida está para este ano uma nova leva de, pelo menos, uma dezena de outros temas e uma digressão já agendada pelos EUA a partir de Abril.

Aproveitando a onda, o memorável e saudoso álbum "Pet Grief" de 2006 será entretanto reeditado já em Março pela Just So!, uma casa própria e familiar que já aceita encomendas para a bonita versão de vinil azul onde repousa a maravilhosa "Always a Relief".



terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

PRIMAVERA SOUND PORTO: HOJE ANDA À RODA!
















Como é hábito, já registamos o boletim da sorte para o próximo alinhamento do Primavera Sound Porto de Junho a ser divulgado no dia de hoje. Conhecidos e, aparentemente, confirmados estão os nome dos Pavement e dos Chromatics. A nossa aposta para a edição deste ano é esta:
. 5 números;
Britanny Howard, King Krule, Lana del Rey, Kim Gordon, Yo la Tengo;
. 2 estrelas;
Sudan Archives, Joan Shelley.

ACTUALIZAÇÃO ÀS 12H05:
Aposta fraca!
Acertamos em 3 números (King Krule, Lana del Rey e Kim Gordon) e, damn, 0 estrelas!
Mas haverá Beck, Weyes Blood, Khruangbin, FKA Twigs, Black Midi e até Arnaldo Antunes... mas pouco mais.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

M. WARD, CIAJG, Guimarães, 1 de Fevereiro de 2020

fotografia do facebook do CIAJG















Sobre a passagem em estreia do calforniano M. Ward por Guimarães perante uma sala quase cheia ficamos com uma dupla sensação, ambas de insatisfação. A primeira é essa mesmo, o de ter sido uma simples passagem leve sobre o seu cancioneiro já longo e moderno onde o folk e o blues se confundem na essência das canções mas a que faltou intensidade, vontade e até concentração para que a vibração fizesse mais efeito e mossa. A segunda, talvez mais inesperada, a de algum amadorismo quer na pobreza do som das guitarras e da voz quer no jogo de luz em palco, um aparato a roçar o sofrível e que, atendendo ao modernismo do local, se afigurou incompreensível e até estranho.

Gostamos e apreciamos alguma descontração e relaxe nesta relação sempre surpreendente entre o artista e a plateia mas a desenvoltura apresentada talvez fosse a mais apropriada a um qualquer showcase de fim de tarde e não de alguém que, como frisado, viajou de tão longe para ali estar a fazer o que mais gosta perante, como também notado, uma maioria de velhos fieis conhecedores. Mesmo assim, não deixamos de registar um certo prazer nalgumas das escolhas de um alinhamento imprevisível e que foram o caso de "Rave On" e "I Get Ideas", duas versões alheias a que só faltou acrescentar uma qualquer de Nick Drake que Ward costuma, e bem, escolher.

Quanto à estreia de alguns dos novos temas do álbum a sair em Abril e que foram o motivo promocional da estadia, não deslumbramos ainda muita da previsível eficácia mas a sua óbvia falta de rodagem impediu uma absorção mais satisfatória. Talvez por isso, foram cruciais os pedidos vindos das cadeiras - "Helicopter", "Poison Cup" e "Shangri-La" - mas o magnífico "Shark" que ainda sugerimos bem alto quedou preterida por ser "to depressive"... Na boa, também nos lembramos de "Slow Driving Man" mas às tantas a justificação acabaria por ser a mesma, porquanto, valeu ouro o incontornável "Let's Dance", talvez o grande momento do serão e que, por si só e na sua beleza, pagou um ou outro qualquer desconforto e, já agora, o bondoso preço do bilhete.

UAUU #522