A jovem francesa Laure Briard marcou dez datas pelo país para dar a conhecer um pouco melhor as suas canções depois de uma primeira investida em 2018 ao lado de Michelle Blades. Há hora marcada a sala portuense estava, no entanto, deserta e nas redondezas não se notava sequer qualquer sinal de agitação ou movimento apesar da bilheteira estar aberta e as luzes acesas. O que fazer?
À boa maneira tuga, prolongou-se a espera mais quarenta e cinco minutos na expectativa que alguém aparecesse por milagre de nossa senhora mas certo é que o prodígio haveria de gerar somente uma quinzena de corajosos reunidos na frente do palco para que o trio pudesse finalmente actuar. O que esperar?
Apesar de tudo, uma boa dose de avant-pop bem feita onde a influência dos Stereolab ou mesmo dos Belle & Sebastian se fez facilmente notar a que se juntou uma sedução pela bossa nova e o tropicalismo em forma de canção a venerar Jorge Ben Jor ("Jorge") ou no encosto psicadélico aos amigos Boogarins ("Coração Louco" ou "Cravado"). O soletrar trôpego das letras em português claro que acrescentou algum exotismo sorridente mas Briard não se importou ou desculpou com minudências alternando outras cantigas em francês ou inglês para o que foi empunhando com afinco as baquetas de dois tambores ou uma maraca a jogarem na perfeição com o teclado e a virtuosa guitarra. Pena que tamanho repasto musical só tenha sido saboreado por tão reduzida plateia. O que dizer?
Talvez algo muito francês à Jacques de La Palice: "Se não há concertos é porque sim, se há concertos é porque não"... ou o contrário!
Mostrar mensagens com a etiqueta Concertos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Concertos. Mostrar todas as mensagens
sábado, 7 de dezembro de 2019
terça-feira, 26 de novembro de 2019
KIWANUKA É DE CRISTAL!
Pode ser a nossa estreia no Pavilhão Palácio Rosa Mota Super Bock de Cristal - Michael Kiwanuka chega ao vivo e a cores ao renovado espaço da Invicta no dia 9 de Maio de 2020, sábado, passando na véspera pelo Campo Pequeno da capital. Parece, assim, que mais uma aspiração antiga se vai cumprir e logo agora que há um álbum homónimo de excelência para apresentar!
segunda-feira, 25 de novembro de 2019
THE MOUNTAIN GOATS, Café & Pop Torgal, Ourense, 23 de Novembro de 2019
Se a montanha não vai a Maomé, vai Maomé à montanha...
Como a súplica desesperada não se concretizou, não havia como não cumprir irremediavelmente o ditado e, lá está, por entre montanhas e vales, dar um pulo a Ourense para não perder John Darnielle e os seus, lá está outra vez, The Mountain Goats de eleição. Pareceu não termos sido os únicos portugueses a fazê-lo atendendo a algum do linguajar que pairava no simpático bar galego mas cuja dimensão se afigurou de presumível tacanhez para o almejado e pleno desfrutar das canções.
O sinal de aviso vermelho foi dado por Laura Cortese, artista já em plena actuação de aquecimento quando descíamos a curta escada, ao informar, entre risadas, que tinha dispensado e despachado para Lisboa os seus The Dance Cards - supostamente, um baixista e uma violoncelista - por não caberem no palco, melhor, no estrado do recinto. Nada, contudo, que tivesse assustado Darnielle e o parceiro Matt Douglas uns momentos depois a contornar o balcão e o público de copo na mão até chegar ao recanto iluminado. Atacaram "Estate Sale Sign" como não houvesse amanhã e, mesmo sem vislumbrarmos os instrumentos, lá fomos reparando na boa disposição e entrega da dupla apostada em cumprir um alinhamento de proximidade e auto-satisfação. Talvez a recordar velhos tempos de apresentações semelhantes na pacatez de um club, à forma animada e informal da postura Darnielle foi sobrepondo introduções das canções num castelhano aceitável como resultado de muitas horas em frente à televisão, um mundo muito próprio que saltou de história em história em temas como "No More Tears" e o seu "drifting like a Portuguese man o' war/pretty hardcore" ou em "Younger" pleno de subtileza pelo saxofone flutuante de Douglas.
Já a solo e sem escolhas pré-definidas, aceitaram-se sugestões a que respondemos com um tímido "Get Lonely" mas alguém gritou mais alto "Damn These Vampires" a que se juntou "Baboon", mais um pedido vindo do público. O regresso do companheiro haveria de elevar a perfomance a um patamar de festa que ficou mais rija e participada com a ajuda do violino de Laura Cortese sentada numa lateral do balcão para três das melhores canções - a saber, "Cadaver Sniffing Dog", "Doc Gooden" e "Sicilian Crest" a que só faltou "An Antidote for Strychnine" - do último álbum "In League With Dragons", o décimo sétimo em quase trinta anos de carreira.
O efeito inesperado e exótico dessas cordas friccionadas haveria de prolongar-se no encore de imediato requisitado onde às canções foi acrescentado um calorento coro colectivo, muitas palmas e até uma piada do próprio quanto ao que seria fazer uma semana inteira de apresentações seguidas no local... Talvez fosse melhor não dar ideias!
domingo, 24 de novembro de 2019
ROBERT FORSTER, Passos Manuel, Porto, 22 de Novembro de 2019
Passaram mais de trinta anos sobre a estreia dos The Go-Betweens na cidade. No palco do Vale Formoso um trio ainda ferido na asa haveria de conseguir o êxito pleno, transformando a noite primaveril de 1989 num momento lendário da história da música ao vivo da Invicta. Não admira, assim, que a concentração de cinquentões no bar do Passos Manuel, daqueles como nós que já não conseguem ler mensagens do telemóvel sem óculos do chinês, tenha nessa memorável data o motivo principal da conversa prévia e, já agora, de uma reunião informal e quase comemorativa através do regresso festejado de um dos seus principais protagonistas - Robert Forster que ao lado de Grant McLennan escreveu e cantou canções de eleição, mania salutar que, para sorte nossa, continua ainda a praticar em estúdio e ao vivo.
Foi já a tocar a sua guitarra acústica que o australiano subiu a rampa e os degraus até ao palco para uma imparável sequência de memórias e novos temas. Afastada a luz que lhe cegava os olhos e depois de uns goles de águas-das-pedras, começaram então mais de noventa minutos de partilha de vinte e uma peças de uma colecção sem preço, onze das quais sacadas da "sala principal The Go-Betweens" para prazer da plateia saudosa. A força de muitas delas, como por exemplo "Here Comes a City" ou "Spring Rain", continua viril, sedutora e irresistível, uma limpidez eterna que a acústica da sala engrandeceu de forma viçosa perante um Forster bem disposto e surpreendido pela recepção calorosa e preparado para, mesmo sozinho, impressionar a antiga sala de cinema portuense.
É que a prevista participação de Karen Baeumier, esposa e amiga que ajudaria no violino e vozes não se concretizou por doença do pai alemão, aproveitando a escusa para apresentar "German Farmhouse", mais uma história de vida inspiradora de cantigas que se juntou a tantas outras que insistiu em contar de forma quase nonsense para uma cortês risota geral. A vincada nota dada a um tal guitar solo na magnífica e recente "Life Has Turned the Page" foi esse nível imbatível, confirmando, no entanto, as suas capacidades inatas em manejar uma guitarra de forma imaculada.
Atendendo à logística das instalações, o encore habitual foi acertado de comum acordo com a manutenção em palco onde "Surfing Magazines", cantado parcialmente a capella, haveria de ter o condão de acender as luzes da plateia para que, olhos nos olhos, se pudessem confirmar os sorrisos e as vibrações dos dois lados da contenda nocturna. Afinal, a forte ovação em pé a este velho amigo rock 'n' roll que não víamos há décadas foi só uma forma espontânea de lhe agradecer a presença e, acima de tudo, a persistência. Return, yeah!
segunda-feira, 18 de novembro de 2019
O TERNO + JOHN GRANT, Festival Para Gente Sentada, Theatro Circo, Braga, 16 de Novembro de 2019
![]() |
| fotografia: facebook do FPGS |
Atendendo ao passado recente de concertos e ao futuro anunciado de regressos, diremos que Tim Bernardes e os restantes parceiros Peixe e Biel, que perfazem o trio paulista O Terno, são já visita da casa. Essa proximidade foi notória desde a entrada em palco, repetindo-se uma disposição sentada - ora nem mais - e informal que presenciamos em Junho passado no ar livre do Parque da Cidade e o já típico trajar cândido. Aproveitando, desta vez, a presença de um grande piano a pensar, certamente, no artista seguinte, surgiram excelentes variações a partir das teclas que então não foi possível ouvir e uma luminância de excepção a fazer realçar os instrumentos, as palavras ou simplesmente a voz mas será de apontar que nem sempre o botão do volume do som é para subir... é que ele também desce, o que em alguns dos trechos fez alguma falta.
O alinhamento não demorou a despertar aplausos e coros ténues em canções como "Pegando Leve" ou "Volta e Meia", exemplares agora mais conhecidos do último "atrás/além" e de onde se retiraram a maioria dos temas. Pena que ao fim de oito canções e quando o concerto parecia estar a ganhar espessura e sabor e, precisamente, depois de dois gostosos pedacinhos mais antigos como "Culpa" e "Volta", se tenha desligado o "forno" com a desculpa rigorosa de "ser um festival" e, como tal, não haver tempo para mais (quarenta e cinco minutos) por entre assobios e aplausos de uma plateia desconsolada. E que tal começar meia hora antes?
![]() |
| fotografia: facebook do FPGS |
Já passaram oito distantes anos desde a estreia de John Grant no Auditório de Espinho em versão na altura quase solitária e, salvo o erro, atenuada pela presença do teclista Chris Pemberton. O regresso, apesar de não previamente divulgado em que formato iria acontecer, repetiu-se na mesma fórmula e parceria. A sala de visitas bracarense sugeria ser, assim, o espaço ideal para um novo expurgo maioritariamente ao piano de uma colecção já notável de canções mesmo que a execução original de muitas delas que Grant trouxe depois ao Porto em 2014 ao lado de uma verdadeira banda tenha o condão de ter deixado um imenso lastro de boas memórias vincadas por orquestrações grandiosas e animada perfomance.
Sorridente, quando já sentado aproximou o microfone para dar sequência ao acorde inicial e se ouviu "your beauty is unstoppable" de "Where Dreams Go to Die" naquela voz inconfundível, estava dado o mote para uma longa e imensa lição pop quanto à composição moderna diz respeito em dezassete andamentos de uma carreira consistente e, assumidamente, arriscada. A duração, exagerada para alguns mas de um efeito narcótico para a maioria, deu oportunidade a pedidos de temas preferidos como foi o dessa maravilha do tempo dos The Czars chamada "Drug" que alguém reclamou alto e bom som a partir da plateia o que se repetiu com "Caramel" ou "GMF" a encerrar o serão antes do encore. De volta, faltava culminar o alinhamento com os suspirados "Sigourney Weaver" e esse clássico íntimo que custa ouvir sem incómodo saboroso que encerra o álbum com mesmo nome mas que não impediu o público de o soletrar alto e bom, sim, Q u e e n o f D a n m a r k , mesmo antes de rebentarem as merecidas palmas!
domingo, 17 de novembro de 2019
SENSIBLE SOCCERS + KAMAAL WILLIAMS, Festival Para Gente Sentada, Theatro Circo, Braga, 15 de Novembro de 2019
![]() |
| fotografia: facebook do FPGS |
A comemorar quinze anos, o conceito original do Festival Para Gente Sentada sempre nos pareceu atractivo e certeiro - convidar cantautores consagrados ou em fase de afirmação para no escuro de uma sala fazerem ressoar o produto da sua inspiração, ou seja, as canções. Foi por isso que o FPGS ganhou asas, tradição e reconhecimento mas nos últimos anos as referências foram enviesadas sem retorno com alinhamentos arriscados e estranhos em que programar para o evento sugere ser uma tarefa sem critério estreito e onde, para o mal e para o bem, cabe tudo...
A primeira noite da edição deste ano foi só a confirmação deste desalinho - sala meia vazia, camarotes despidos e uma banda plena de potencialidades como os Sensible Soccers a jogar em terreno alheio e friorento apesar do esforço e da entrega. A fusão de sonoridades instrumentais insistiu na repetição de um trecho melodioso onde as percussões crescem a olhos vistos, tudo bem feito, tudo emoldurado num colorido bem pensado mas as cadeiras e a grandeza do espaço arrefeceram, obviamente, a partilha e o afecto que nem mesmo um violino surpreendente saído de um dos camarotes ajudou a disfarçar. Demasiado "à frente", como ouvimos no corredor de saída, demasiado cedo ou, melhor, simplesmente demasiado.
![]() |
| fotografia. facebook do FPGS |
Substituir, por força maior, a acústica solitária de Jonathan Wilson pela modernidade jazzistica de Kamaal Williams não é claramente coisa fácil. Mesmo assim, aproveitando a presença do músico e produtor britânico, confirmou-se, sem contemplações, a diversidade e capacidade de um quarteto rítmico assinalável onde a enorme e emaranhada bateria aliada ao electrizante baixo se fizeram notar de fio a pavio. Ao comando a partir do Rhodes, o encapuçado Williams foi dando o mote sem grandes devaneios parecendo querer que fossem os outros a brilhar, nomeadamente a artéria cativante do saxofone. Entre elogios ao país e à sua "onda", não faltou o convite, logo ao segundo tema, para a dança e ao abandono das cadeiras mas a resposta foi categórica - ninguém se levantou nem nesse momento nem até ao final o que atendendo ao divertido e contagiante instrumental só pode ter sido um sacrifício colectivo! E pensar que, no mesmo teatro ou num edifício bem perto, duas salas pequenas e escurecidas estavam aquela hora vazias e, às tantas, disponíveis e adequadas para a festa e animação que se impunha...
quinta-feira, 14 de novembro de 2019
FAT WHITE FAMILY, VISITA DE CORTESIA!
Os excelentes Fat White Familly, donos de um discos do ano ("Serfs Up"), estreiam-se em Portugal em Fevereiro com concertos agendados para o Porto (Hard Club, terça-feira, dia 4) e Lisboa (Lisboa Ao Vivo, quarta-feira, dia 5). Prometida está muita animação, alguma pândega e rios de suor!
segunda-feira, 11 de novembro de 2019
THE DIVINE COMEDY, Theatro Circo, Braga, 9 de Novembro de 2019
Uma conversa prévia com o amigo destas e doutras andanças antes da entrada na sala dourada do teatro versava sobre a necessidade de colocar um travão na ida a concertos. A estratégia passaria por escolher somente bandas e artistas que nunca vimos em palco para evitar repetições e, supostamente, gastos excessivos. A inconsequência deste palavreado servia como paliativo de uma "doença" sem tratamento e que tem nos The Divine Comedy um longínquo agente patogénico de imunidade adquirida de difícil combate e que, afinal, ganharia na próxima uma hora e meia ainda maior resistência.
Passaram mais dois anos sobre a vinda de Neil Hannon ao mesmo local de infecção e com, na altura, um grande disco para apresentar. Em "Foreverland" voltava-se à grande composição clássica de um projecto sem discos menores mas o certo é que, desta vez, a atracção não se afigurava tão compulsiva - "Office Politics" é depois de ouvido um disco conceptual bem esgalhado mas algo desequilibrado que quatro ou cinco canções ajudam a disfarçar. O cenário era, por isso, de um preto branco a remeter para tempos antigos lá num escritório de relógio enorme na parede a jogar com os fatos dos funcionários-músicos à volta do chefe "preocupado" com o expediente... Mas no que toca a esse burburinho, só à quinta canção se começou a dar vazão ao acumulado quando o titular "Office Politics" seguido de "Norma and Norma" pareceram abrir em definitivo as instalações, já que antes houve bons sobressaltos, nomeadamente "Commuter Love" na sua enorme tensão e beleza que, salvo o erro, nunca tínhamos testado ao vivo!
Seguiu-se, então, um verdadeiro corrupio de canções novas e velhas meticulosamente encaixadas de forma a rentabilizar o "trabalho" num total de vinte e três opções que incluiu o agora clássico "To The Rescue", "Lady of Certain Age" ou "Absent Friends" mas com tempo para uma pausa festiva para agitar o prédio com a habitual trilogia "At The Indie Disco", "I Like" e "National Express" a que se acrescentou "Something For The Weekend" já com a plateia em polvorosa e a necessitar de distender a tensão. A jornada e, já agora, a época de concertos, parecia ter chegado ao fim com um calmante relaxante de nome "When The Working Day Is Done" mas o sublime "Our Mutual Friend" também não tinha ficado mal.
O encore obrigatório haveria de trazer (mais) surpresas ao jeito de uma serenata acústica a antecipar as Janeiras para Novembro - juntos na frente de palco perante um só microfone numa disposição praticamente ensaiada momentos antes em "I'm a Stranger Here", o sexteto reduziu a pozinho mágico três hinos pop de imbatível qualidade, revisitando "Your Daddy's Car", "Songs of Love" e o incontornável "Tonight We Fly" de forma especialmente tocante a merecer ovação em pé, coro afinado e voo nocturno colectivo, mais um! Por isso, quanto ao tal travão no acesso a estas "viagens", o melhor é mesmo ir gastando as "milhas" enquanto é tempo...
Passaram mais dois anos sobre a vinda de Neil Hannon ao mesmo local de infecção e com, na altura, um grande disco para apresentar. Em "Foreverland" voltava-se à grande composição clássica de um projecto sem discos menores mas o certo é que, desta vez, a atracção não se afigurava tão compulsiva - "Office Politics" é depois de ouvido um disco conceptual bem esgalhado mas algo desequilibrado que quatro ou cinco canções ajudam a disfarçar. O cenário era, por isso, de um preto branco a remeter para tempos antigos lá num escritório de relógio enorme na parede a jogar com os fatos dos funcionários-músicos à volta do chefe "preocupado" com o expediente... Mas no que toca a esse burburinho, só à quinta canção se começou a dar vazão ao acumulado quando o titular "Office Politics" seguido de "Norma and Norma" pareceram abrir em definitivo as instalações, já que antes houve bons sobressaltos, nomeadamente "Commuter Love" na sua enorme tensão e beleza que, salvo o erro, nunca tínhamos testado ao vivo!
Seguiu-se, então, um verdadeiro corrupio de canções novas e velhas meticulosamente encaixadas de forma a rentabilizar o "trabalho" num total de vinte e três opções que incluiu o agora clássico "To The Rescue", "Lady of Certain Age" ou "Absent Friends" mas com tempo para uma pausa festiva para agitar o prédio com a habitual trilogia "At The Indie Disco", "I Like" e "National Express" a que se acrescentou "Something For The Weekend" já com a plateia em polvorosa e a necessitar de distender a tensão. A jornada e, já agora, a época de concertos, parecia ter chegado ao fim com um calmante relaxante de nome "When The Working Day Is Done" mas o sublime "Our Mutual Friend" também não tinha ficado mal.
O encore obrigatório haveria de trazer (mais) surpresas ao jeito de uma serenata acústica a antecipar as Janeiras para Novembro - juntos na frente de palco perante um só microfone numa disposição praticamente ensaiada momentos antes em "I'm a Stranger Here", o sexteto reduziu a pozinho mágico três hinos pop de imbatível qualidade, revisitando "Your Daddy's Car", "Songs of Love" e o incontornável "Tonight We Fly" de forma especialmente tocante a merecer ovação em pé, coro afinado e voo nocturno colectivo, mais um! Por isso, quanto ao tal travão no acesso a estas "viagens", o melhor é mesmo ir gastando as "milhas" enquanto é tempo...
domingo, 10 de novembro de 2019
WILLIAM TYLER, Auditório de Espinho, 8 de Novembro de 2019
![]() |
| Fotografia: Facebook do Auditório de Eepinho |
Acoustic guitar music... a ementa do serão chuvoso tinha no conforto da sala espinhense a estreia de William Tyler em palcos nacionais, uma abençoada oportunidade que demorou tempo demais a concretizar-se. Depois de passagens pelos saudosos Silver Jews ou os Lambchop, a ainda aparente juventude do músico norte-americano esconde, contudo, uma carreira de quase uma década em nome próprio com quatro álbuns dedicados a explorar de forma inteligente a tal música acústica a partir de uma guitarra.
Desprezada por muitos, compensadora para muitos mais que acorreram com interesse e curiosidade a ouvi-la, a perfomance haveria de revelar-se de paisagem sonora delicada e sensível a uma América solitária e infindável onde o country e a folk trilham viagens e estradas que nos permitem ir imaginando e sonhando com cidades, montanhas ou rios ou meditando como podemos mudar de vida ou de sítio, riscos e decisões que o próprio Tyler assumiu quando escolheu Los Angeles para viver depois de anos em Nashville. O tal virar a oeste que dá nome ao último álbum é, assim, uma metáfora efectivamente inspiradora que não esconde, nem pode esconder, o travo à tal country music que aparenta ser de fácil percepção mas, como notado, de muito mais difícil e inconsequente explicação.
O importante é mesmo considerar que as texturas ou as velocidades dos trechos apresentados na penumbra do auditório funcionaram na perfeição na sua essência instrumental, um conjunto charmoso e apaziguador de que sabemos a geografia mas que acaba, maravilhosamente, sem pertencer a nenhum território a não ser a quem teve a felicidade de os conhecer e escutar. Enquanto houver destes pedacinhos de vida, esperança não vai nunca faltar!
sábado, 9 de novembro de 2019
CASS McCOMBS, Auditório CCOP, Porto, 7 de Novembro de 2019
É quase um sacrilégio faltar a um concerto de Cass McCombs. A tradição remonta a 2012 na passagem pelo Sá da Bandeira mas desde aí as oportunidades foram-se repetindo por Famalicão, num regresso ao ar livre à Invicta ou por Ovar, sempre em espectáculos de competência segura, calculada efervescência e misterioso recato. Diríamos que, de todas as vezes, McCombs cumpriu os mínimos requisitados sendo curiosa a sensação que no soalheiro Parque da Cidade as canções escolhidas para a curta actuação obtiverem, então, um efeito mais categórico e libertador.
No serão de quinta-feira, contudo, repetiu-se a percepção habitual - a qualidade dos temas e a entrega do quarteto não podem sofrer quaisquer reparos apesar do calor excessivo, do palco demasiado afundado ou de um som a roçar o sofrível atendendo às características do salão. O alinhamento percorreu essencialmente os mais recentes álbuns "Mangy Love" donde se ouviram "Bum, Bum, Bum" ou "Rancid Girl" mas faltou o "Opposite House" e o actual "Tip of the Sphere", pleno de escolhas múltiplas que recaíram em "Sleeping Volcanoes", "Rancid Girl" ou nesse extra maravilha chamado "Confidence Man". E o "County Line" perguntam vocês? Para o mal e para o bem, foi esquecido, melhor, nem sequer foi lembrado, reclamado ou sugerido e "substituído" por outras pérolas saborosas como "Real Life" ou "Tying Up Loose Ends", dois novos e brilhantes clássicos de cepa firmada ou não fosse o mentor um verdadeiro dominador da arte de fazer canções e prolongar o mistério...
No serão de quinta-feira, contudo, repetiu-se a percepção habitual - a qualidade dos temas e a entrega do quarteto não podem sofrer quaisquer reparos apesar do calor excessivo, do palco demasiado afundado ou de um som a roçar o sofrível atendendo às características do salão. O alinhamento percorreu essencialmente os mais recentes álbuns "Mangy Love" donde se ouviram "Bum, Bum, Bum" ou "Rancid Girl" mas faltou o "Opposite House" e o actual "Tip of the Sphere", pleno de escolhas múltiplas que recaíram em "Sleeping Volcanoes", "Rancid Girl" ou nesse extra maravilha chamado "Confidence Man". E o "County Line" perguntam vocês? Para o mal e para o bem, foi esquecido, melhor, nem sequer foi lembrado, reclamado ou sugerido e "substituído" por outras pérolas saborosas como "Real Life" ou "Tying Up Loose Ends", dois novos e brilhantes clássicos de cepa firmada ou não fosse o mentor um verdadeiro dominador da arte de fazer canções e prolongar o mistério...
quinta-feira, 7 de novembro de 2019
WEYES BLOOD, GNRation, Braga, 5 Novembro 2019
O acompanhamento apaixonado que aqui pela casa fomos fazendo da carreira da menina Natalie Mering aka Weyes Blood nos últimos anos teve na noite de terça-feira uma apoteose previsível mas, acima de tudo, enternecedora. Ao espaço esgotado e expectante perante a qualidade de um disco sublime como "Titanic Rising" respondeu a jovem artista e companhia com uma presença em palco segura e robusta onde o traje branco lhe fez realçar o longo cabelo e a beleza das feições.
Este perfil de tão elegante revela-se a figura perfeita para que um outro atributo, como sempre, se faça estremecer - a voz levitante que hipnotiza e sulca a fundo as canções, as palavras e as histórias sérias como na magnífica "Wild Time", no tributo ao amigo perdido em "Picture Me Better" ou no majestoso "A Lot's Gonna Change", uma elegia sobre ela própria ou cada um de nós com que se iniciou a aparição. Sempre a brilhar num sorridente e jovial trejeito de encantar com direito a passos de dança rodopiantes em "Movies" ou no cintilante e memorável momento retro de encaixe perfeito que chegou quando anunciou a versão arrebatadora dos Procol Harum já no final do encore.
Mas faltava a glorificação perante um sepulcral silencio da sala onde respirar nos custou saborosamente mais um pouquinho - agarrou na guitarra e, "como nos velhos tempos", prendeu-nos por feitiço ao chão com "In The Beginning" e "Bad Magic", pretty bad magic, pretty tragic... Desde logo, um concerto para recordar mas também para nos pôr a imaginar até onde chegará tamanho talento de aprimorado crescimento titânico!
terça-feira, 5 de novembro de 2019
MARK GUILIANA, Casa da Música, Porto, 4 de Novembro de 2019
O comando rítmico de um colectivo de jazz tem na bateria uma pedra de toque essencial. No caso de Mark Guiliana, jovem baterista americano conhecido por ter tocado em "Blackstar", o último álbum de estúdio de David Bowie (2016), a chefia pareceu não se ter notado muito na pequena mas repleta sala da Casa da Música. Esta subtileza que se escondeu entre teclados em desvario, vocalizações pré-gravadas e grooves sincopados de baixo eléctrico, corta com um passado clássico de um quarteto de jazz, formação que passou pelo SeixalJazz em 2018, para se lançar em rodagem livre de preconceitos e sem metais para uma fórmula inovadora -"Beat Music!" é o seu nome e título do disco gravado este ano como os músicos que acompanharam em palco, todos trajados a rigor e sem cerimónia, ou seja, de fato de treino amarelado e capuz.
Ao ouvi-los, não é difícil associar viagens doutros aventureiros como os Kraftwerk, Moroder ou até Thomas Dolby, em que o fanhoso e roufenho som dos teclados ou sintetizadores nos sugeriu desalinhamentos estranhos mas, por causa disso mesmo, vibrantes e particularmente saborosos quando roçaram o funk e o disco, tudo marcado quer pelo bater forte nos bombos quer pelo trinado das baquetas num pequeno prato, um virtuosismo variado que Guiliana não sabe humildemente enjeitar. Um concerto de aplauso colectivo mesmo para os mais desprevenidos e que se junta ao rol fantástico de aparições que começou este ano com Colin Stetson e já passou por Kamasi, Sons of Kemet, Nubya Garcia, Joe Armon Jones ou The Comet is Coming! Agora só falta Kamaal Williams... está para breve!
l
segunda-feira, 4 de novembro de 2019
LAURE BRIARD, DO MINHO AO ALGARVE!
A jovem artista francesa Laure Briard, amante e praticante de uma fresquinha pop yé-yé besuntada de psicadelismo e bossa nova, tem uma verdadeira digressão nacional agendada para breve. São dez, dez, os concertos marcados para Monchique (31 Novembro), Albufeira, Lisboa, Leiria, Aveiro, Porto (Maus Hábitos, 5 de Dezembro), Vila Real, Braga, Ponte de Lima e Santo Tirso que servem para apresentar, em formato trio dito experimental, o já por aqui recomendado álbum deste ano "Un Peau Plus d'Amour S'il Vous Plait". É bem preciso...
sábado, 26 de outubro de 2019
EFTERKLANG, Hard Club, Porto, 24 de Outubro de 2019
Nos seis anos que separam a estreia dos Efterklang pelo Porto em 2013 até ao regresso na noite de quinta-feira a agenda do colectivo dinamarquês esteve quase sempre preenchida. Filmes, documentários, expedições, rádios online, digressões com orquestras, novos projectos como os Liima ou aventuras a solo como a de Casper Clausen pela margem Sul são o espelho de uma inquietude artística de notável arrojo que já merecia um regresso às origens traduzido na edição em Setembro passado de um álbum de originais, o quinto, cantado em dinamarquês e propositadamente chamado "Altid Sammon ", ou seja, "Always Together"!
Sempre juntos e para além do trio original, ao vivo a sofisticação envolve agora uma baterista, um guitarrista e teclista a que se junta uma inusitada pequena harpa horizontal e uns laivos de flauta que orquestram uma sonoridade fina e purificada de estirpe, diríamos, rara. Podem estranhar-se as palavras em dinamarquês mas apetece de imediato beber sem receio destas canções que ondulam num tal exotismo que nos impelem a cantá-las sem saber o significado dos refrões ou das frases para gáudio de um Casper rendido a um improvisado coro de assinalável tessitura vocal que fez de um tal "Havet Lofter Sig" um memorável recital de curta duração...
Ao libreto faltava, então, uma segunda parte de consagração onde desfilaram alguns dos temas suspirados por um público adulto e fielmente agarrado a antiguidades como "Alike" e "Sedna" ou a tesouros pop como "The Ghost". Todos saborosos, nostálgicos e refrescantes mas é ainda e sempre "Modern Drift" a vibrar por osmose a plateia e o palco num singular momento de partilha e agitação. Aos Efterklang só pedimos que durem para sempre!
Sempre juntos e para além do trio original, ao vivo a sofisticação envolve agora uma baterista, um guitarrista e teclista a que se junta uma inusitada pequena harpa horizontal e uns laivos de flauta que orquestram uma sonoridade fina e purificada de estirpe, diríamos, rara. Podem estranhar-se as palavras em dinamarquês mas apetece de imediato beber sem receio destas canções que ondulam num tal exotismo que nos impelem a cantá-las sem saber o significado dos refrões ou das frases para gáudio de um Casper rendido a um improvisado coro de assinalável tessitura vocal que fez de um tal "Havet Lofter Sig" um memorável recital de curta duração...
Ao libreto faltava, então, uma segunda parte de consagração onde desfilaram alguns dos temas suspirados por um público adulto e fielmente agarrado a antiguidades como "Alike" e "Sedna" ou a tesouros pop como "The Ghost". Todos saborosos, nostálgicos e refrescantes mas é ainda e sempre "Modern Drift" a vibrar por osmose a plateia e o palco num singular momento de partilha e agitação. Aos Efterklang só pedimos que durem para sempre!
quinta-feira, 24 de outubro de 2019
VETIVER ANTES DE DEVENDRA BANHART!
![]() |
| fotografia de Vera Marmelo/zdb |
A amizade e a cumplicidade entre Andy Cabic aka Vetiver e Devendra Banhart dava um livro de memórias de assinalável volume cujo primeiro capítulo teria início, eventualmente, no já longínquo ano de 2002! Digressões, canções, discos ou filmes, a parceria Cabic/Banhart teve desde sempre Portugal como um dos destinos de eleição tal como aconteceu, por exemplo, na memorável soirée que aportou a Espinho em 2015. A parceria tem, outra vez, agendamento acertado ao longo de toda a digressão europeia de Banhart que chegará ao Porto e a Lisboa nos próximos dias 15 e 16 de Fevereiro e na qual Cabic em nome dos Vetiver fará a primeira parte para depois ajudar, certamente, o amigo na apresentação principal.
Entretanto, há um álbum novo quase a chegar (1 de Novembro) de nome "Up On High" onde torna a cintilar o melhor que a folk americana consegue alcançar e que, felizmente, tem criado inúmeras raízes fecundas e saborosos frutos/canções para tornar a provar, sem restrições, frente-a-frente como convêm.
terça-feira, 22 de outubro de 2019
JONATHAN WILSON, SEM CADEIRA?
O concerto de Jonathan Wilson no Festival para Gentes Sentada em Braga dia 15 de Novembro parece estar suspenso. O músico publicou o seguinte comunicado:
Due to scheduling conflicts and unforeseen circumstances that need to keep me stateside, I regret to say I WON'T be able to make it to the UK/Europe next month. No worry, everything is cool. I have exciting news coming musically speaking, and I’ll be back with the band and a batch of brand new songs for you (and some old ones) in 2020…
Apologies to those who were excited about these shows. I WAS TOO! Just have to postpone this run y’all, thanks for understanding.
Please get in touch where you bought tickets for refunds (only Paris tickets will be good for whenever the new show comes together, so hold onto those if you can), and keep an eye out for the new dates
Será que nos tiraram a cadeira?
sexta-feira, 18 de outubro de 2019
THE COMET IS COMING, Hard Club, Porto, 16 de Outubro de 2019
A actuante e refrescante onda jazz que vêm de Londres já nos valeu este ano encontros imediatos com os Sons of Kemet, Nubya Garcia ou Joe Armon-Jones, exemplos de partilha artística de tradição clássica onde a renovação e fruição são o adubo do êxito. Os The Comet Is Coming são da mesma cidade mas a vibração é, para além de mais antiga (2013), de um desalinho intoxicante mais agitador onde o saxofone de King Shabaka Hutchings, a bateria de Betamax Max Hallett e as teclas e efeitos de Danalogue Dan Leavers nos empurram sem contemplações para impulsos perigosos.
A alienação provocada sugeriu uma qualquer pulverização do espaço com pozinhos energéticos de origem cósmica ou não fosse este um cometa que, apesar da proximidade terrena, ainda não saiu da nossa órbita emitindo uma fusão grandiosa de electrónica, psicadelismo e muito jazz. Nesta onda, adoramos os planantes "Unity", "The Softness Of The Present" ou "The Universe Wakes Up", este já no encore a sinalizar uma aterragem programada que nos colocou os pés no chão ao fim de duas horas de levitação em que outros enlevos mais expansivos nos fizeram apertar o cinto de (in)segurança desde o início da viagem. Como qualquer cometa que brilha na atmosfera, o efeito foi visível, tangível e muito, mas mesmo muito, revigorante! O cometa dá-nos asas...
A alienação provocada sugeriu uma qualquer pulverização do espaço com pozinhos energéticos de origem cósmica ou não fosse este um cometa que, apesar da proximidade terrena, ainda não saiu da nossa órbita emitindo uma fusão grandiosa de electrónica, psicadelismo e muito jazz. Nesta onda, adoramos os planantes "Unity", "The Softness Of The Present" ou "The Universe Wakes Up", este já no encore a sinalizar uma aterragem programada que nos colocou os pés no chão ao fim de duas horas de levitação em que outros enlevos mais expansivos nos fizeram apertar o cinto de (in)segurança desde o início da viagem. Como qualquer cometa que brilha na atmosfera, o efeito foi visível, tangível e muito, mas mesmo muito, revigorante! O cometa dá-nos asas...
segunda-feira, 14 de outubro de 2019
WILCO, THEY DIT IT AGAIN!
Tal como em 2013 por terras australianas, os Wilco emitiram em directo o seu concerto de madrugada no Brooklyyn Steel de Nova Iorque. Ouça-se, pois então!
segunda-feira, 7 de outubro de 2019
HELADO NEGRO PARA SABOREAR EM VIGO!
O nome equateriano de Roberto Carlos Lange é aqui na casa um perfeito desconhecido. Contudo, se lhe mudarmos o baptismo para Helado Negro, o seu epíteto artístico de base americana, o cenário muda de figura atendendo à qualidade das canções e dos discos, uma dupla virtude que vamos descobrindo cada vez melhor e que tem um passado de mais de uma década.
O último álbum "This Is How You Smile" editado em 2109 é um exemplar vitorioso desse charme e sedução que junta temas multi-sabor em espanhol e inglês ao jeito de Devendra Banhart com quem apresenta óbvias semelhanças sonoras e vocais. Faltaria, então, um teste ao vivo e a cores. A oportunidade parece estar disponível a 22 de Novembro por Vigo no âmbito da segunda edição do festival SuperBock Under Fest, evento ainda sem nomes ou outros pormenores conhecidos mas onde o próprio artista confirmou a presença, precisamente um dia antes de descer ao SuperBock Em Stock lisboeta. Pena que a data galega coincida com a vinda do senhor Robert Forster ao Porto... ups! Seja como for, aqui deixamos dois dos sabores fresquinhos!
terça-feira, 1 de outubro de 2019
JOHN GRANT JUNTA-SE AOS SENTADOS!
Quem espera... Demorou tempo até se saber o alinhamento da edição deste ano do Festival Para Gente Sentada em Braga mas o cartaz que parece agora fechado é assinalável: sexta-feira, dia 15 de Novembro, teremos os Sensible Soccers e Jonathan Wilson em versão acústica e no dia seguinte, sábado, 16 de Novembro, aos brasileiros O Terno junta-se agora John Grant. Eia, eia!
Subscrever:
Mensagens (Atom)












