quarta-feira, 1 de abril de 2026

WATER DAMAGE, GNRation, Braga, 29 de Março de 2026

Repetição Máxima, Desvio Mínimo. 
Parece ser este o mantra do colectivo Water Damage. Não há, por isso, canções para tocar ou sequer uma setlist. A receita não é o do tradicional instrumental rock n' roll e o conceito é facilmente comprovado ao vivo - uma repetição ritual de cerca de cinquenta minutos, onde foram revirados alguns riffs de guitarra e de cordas de violinos ou parecidos, sendo o resto uma grossa e poderosa cadência de duas baterias, dois baixos gémeos, literalmente, e duas guitarras eléctricas. Sem falhas, a coisa sugere alguma mania padronizada, sendo certo que ninguém arredou pé, atendendo ao hipnotismo crescente do ritmo "transecionado". Estes nove de Austin, E.U.A., sabem bem o que estão a fazer... 

Talvez os catalisadores mais notados da montanhosa brutalidade acabem por ser o referido violino nas mãos de Mari Maurice e o toco de madeira, de poucas cordas, com que um deles vai assinalando, em contínuo, uma variação de tons que comanda a perfomance. Será ela de nome "Real", título de muitas das longas faixas que registaram já em discos, o mais recente referente a uma destas aparições de 2025 no festival holandês Le Guess Who que ainda recebeu, nessa oportunidade, a ajuda de um saxofonista! 

Para tamanho estrondo, bem que fomos avisados para levantar uns tampões no pequeno bar do espaço negro de forma a rebater o suposto dano auditivo, mas a recomendação teve uma ténue adesão, pois a maioria estaria, simplesmente, interessada em receber a terapia em toda a sua dimensão, um estilo de câmara lenta retardatária de toada voadora e de teletransporte para uma paisagem deslizante e nunca perigosa. Um intrigante e memorável concerto!

UAUU #755

ALELA DIANE, MARCANDO TEMPOS!





















Seguindo uma boa cadência artística, Alela Diane registou em dez dias soalheiros de Agosto passado, em pleno sótão da casa vitoriana de Portland que lhe tem servido de refúgio e inspiração, mais um punhado de novas canções. À sua volta, na altura, muitas memórias, relíquias e adereços da família misturavam-se com guitarras ou amplificadores, num caos controlado de aconchego e ambiente cozy a que animais de estimação caseiros aderiram de bom grado.

Depois de um disco/sortido de natal (2023) e de uma auto-reflexão biográfica (2022), estará publicado em Maio o resultado completo, então, obtido e que recebeu o nome de “Who’s Keeping Time?”. Floresce nele, desde logo, aquela notável voz que parece não sofrer qualquer desgaste com os anos, pelo contrário, surge ainda mais robustecida de vinco e cativação a adornar as canções de forma tão americana, sem truques desnecessários para marcar tempos estranhos...