Parece ser este o mantra do colectivo Water Damage. Não há, por isso, canções para tocar ou sequer uma setlist. A receita não é o do tradicional instrumental rock n' roll e o conceito é facilmente comprovado ao vivo - uma repetição ritual de cerca de cinquenta minutos, onde foram revirados alguns riffs de guitarra e de cordas de violinos ou parecidos, sendo o resto uma grossa e poderosa cadência de duas baterias, dois baixos gémeos, literalmente, e duas guitarras eléctricas. Sem falhas, a coisa sugere alguma mania padronizada, sendo certo que ninguém arredou pé, atendendo ao hipnotismo crescente do ritmo "transecionado". Estes nove de Austin, E.U.A., sabem bem o que estão a fazer...
Talvez os catalisadores mais notados da montanhosa brutalidade acabem por ser o referido violino nas mãos de Mari Maurice e o toco de madeira, de poucas cordas, com que um deles vai assinalando, em contínuo, uma variação de tons que comanda a perfomance. Será ela de nome "Real", título de muitas das longas faixas que registaram já em discos, o mais recente referente a uma destas aparições de 2025 no festival holandês Le Guess Who que ainda recebeu, nessa oportunidade, a ajuda de um saxofonista!
Para tamanho estrondo, bem que fomos avisados para levantar uns tampões no pequeno bar do espaço negro de forma a rebater o suposto dano auditivo, mas a recomendação teve uma ténue adesão, pois a maioria estaria, simplesmente, interessada em receber a terapia em toda a sua dimensão, um estilo de câmara lenta retardatária de toada voadora e de teletransporte para uma paisagem deslizante e nunca perigosa. Um intrigante e memorável concerto!
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