sábado, 6 de junho de 2015

BANDA DO MAR+YASMINE HAMDAN+GIANT SAND+PATTI SMITH+TWERPS+THE REPLACEMENTS+BELLE & SEBASTIAN+ANTONY AND JOHNSONS+JUNGLE, Primavera Sound, Porto, 5 de Junho de 2015













A comichão de cabeça começava cedo! Enquanto a Banda do Mar alegrava a plateia junto ao mar, um formato descontraído que assenta na perfeição às canções do disco de estreia deste projecto luso-brasileiro de êxito comprovado por este país fora nos últimos tempos, não foi fácil virar-lhes costas para subir a colina até ao palco ATP. Mas havia um perfume oriental que não podíamos deixar de experimentar... 



Esse inebriante apelo tem o nome de Yasmine Hamdan, sedutora actriz e compositora libanesa já com larga experiência na música mas com um disco recente de estreia a solo. No paradisíaco cenário natural do parque, a voz e presença de Yasmine fizeram efeito instantâneo a que não foi também alheio um guitarrista de eleição com pinta de Phil Lynott e um baterista a condizer. Grandes momentos, um concerto notável e obrigatório num suposto top five do festival.        







Já lá vão trinta anos de vida dos Giant Sand, uma montanha russa de colaborações, músicos ou influências que Howie Gelb sempre soube comandar e renovar como ninguém. Para o comprovar basta ouvir o último "Heartbrak Pass", mais um disco marcante de rock e folk genuinamente americano e que ali, a partir do palco, conseguiu sem esforço de maior captar a atenção e, acima de tudo, deixar rendida a imensa moldura humana que antes da celebração principal teve aqui um primeiro acto de purificação.   





Para descontrair, uma voltinha rápida pelo recinto ainda a tempo da última canção dos apelativos Viet Cong mas era já nela que, outra vez, a nossa mente se concentrava...



Não valerá de muito estar por aqui a discorrer sobre Patti Smith, sobre "Horses" ou sobre o momento ao vivo que vivemos ao final de sexta-feira na nossa cidade. Sentimos o tremor da emoção desde o início com "Gloria" até ao final fantástico com a dupla "Land" e "Elegie", contivemos mesmo as lágrimas em alguns momentos, mas quando, como bónus, a extraordinária artista fez o favor de repetir o "Because de Night" e o "People Have The Power" que também cantou na véspera, demos connosco a saltar de braços no ar e a trautear as letras num impulso colectivo irresistível. Dois concertos em dois dias para quem nunca a tinha visto foi uma dádiva maravilhosa, imensa e memorável. Obrigado Patti Smith, obrigado Primavera Sound!







Mais um giro entre palcos, uma cerveja saborosa para retemperar, uma olhadela curta aos Younghusband e decidimos assentar praça na tenda para apreciar os Twerps. Australianos, como muitas bandas nesta edição, há por aqui uma diversão pop de assinalável dimensão ainda a "alargar corpo" mas com forte margem de progressão. Vamos estar atentos.     







Sempre que havia um disco novo a solo de Paul Westerberg no escaparate das diversas Valentins de Carvalho da Invicta era certo que o tínhamos que o trazer para casa. Já lá vão muitos anos e o hábito foi-se perdendo por culpa própria mas agora que cordão umbilical podia ser ligado não perdemos a oportunidade. Aos míticos The Replacements comandados por Westerberg foi-lhes dado o palco maior do festival e celebração começou cedo. Rock sem freio, canções que alguns conheciam e muitos nunca tinham ouvido não impediram a paródia e a felicidade notória de voltar a tocar juntos, com direito a falta de memória para algumas letras e brincadeiras rock & roll como o atirar perigoso de uma guitarra para o rodie que foi parar ao chão e, por isso, logo ali partida entre os joelhos! Festa da grossa como se esperava. 







Festa certa era também esperada com os Belle & Sebastian ainda por cima com um último álbum a puxar à dança e ao balanço. Divertidos, alinharam novas canções e clássicos obrigatórios de efeito imediato e rápido que resultaram na perfeição com tentativas de interacção em português por parte de um esforçado Stuart Murdoch. Tal como em Coura em 2013, houve quarteto de cordas e um trompete portugueses (?) a ajudar e muito bem a que as canções brilhassem ainda mais. Alguns sortudos tiveram direito a divertimento extra convidados que foram a participar em palco na dança colectiva que, como sempre, acabou em anarquia positiva. Uma celebração curta mas bastante intensa.











Uma orquestra de músicos da cidade e um maestro, todos trajando de branco, um filme clássico japonês em projecção contínua, um silêncio obrigatório de todos os outros palcos do recinto e uma plateia imensa expectante. Tudo parecia previamente delineados para que o espectáculo de Antony fosse um projecto de não muito fácil execução. Pedia-se respeito, atenção e até concentração e, pelo menos do local de onde ao longe assistimos ao concerto, a perfomance valeu bem a pena. Voz sem mácula para canções já clássicas e entre as quais se destacou, pela surpresa, uma versão de "Blind" despida de batidas a merecer uma edição em disco. Uma prova de maturidade do festival, do seu público e programadores, no limite imprevisível do risco. Desafiante, como convêm...        





O disco homónimo dos Jungle, já o sabíamos, está replecto de canções de travo quase neo-funk e algum psicadelismo que ao vivo são uma receita infalível. Não foi por isso uma surpresa o êxito obtido junto do público com uma orgânica instrumental irrepreensível e uma alinhamento em crescendo que culminou em êxtase. Grande momento e uma das grandes confirmações do festival. Vão voltar, isso é certo!   









Ainda pernas para algum movimento e, por isso, levamos com uns tais Movement que, surpreendidos, quase não acreditavam que tinham vindo da Austrália para tocar para tamanha moldura humana na tenda Pitchfork! Para fim de noite até que não foi mau...

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