Já destacado por aqui, o projecto God Help The Girl saído da inspiração de Stuart Murdoch dos Belle & Sebastian, revela-se uma surpresa cada vez maior. Pensado como um trabalho de comédia cine-musical, o próprio Stuart filmou, em quatro partes, uma visão a preto e branco da nova aventura. Entre as diversas vozes recrutadas, destaque para a da lindíssima Catherine Ireton, modelo que tinha aparecido na capa do single «The White Collar Boy» dos B&S e que agora surpreende tudo e todos pela sua segurança e maleabilidade. Como já alguém adiantou, estes videos são uma boa estreia de Stuart Murdoch no cinema...
No passado fim-de-semana deram-nos a conhecer mais um fenómeno! A Phenomenal Handclap Band é um colectivo de oito músicos de Nova Iorque que acaba de lançar o primeiro disco homónimo na Europa, trabalho já previamente disponível, desde o mês passado, nos E.U.A. O nosso informador-mor logo nos fez notar a faixa de abertura do disco, um instrumental épico de nome “The Journey To Serra da Estrela”! Estranho título para uma banda que, aparentemente, nunca esteve em Portugal nem tem músicos originários destas bandas. Obviamente, decidimos investigar, mas a pesquisa ainda tornou o mistério mais denso! Entre as manifestas influências assumidas no myspace, está um José Lopes Moreira, artista/músico/outro do qual nunca ouvimos falar! O disco tem inúmeras colaborações, desde o baterista dos Tv On The Rádio até Aurélio Valle, mentor da banda Calla, que, apesar do nome, não tem luso-ligações conhecidas…. Aceitam-se pistas esclarecedoras! Quanto ao álbum, trata-se de um trabalho multicolorido, que vai do funk à soul, do rock progressivo ao psicadelismo dos anos setenta e cujo resultado é, francamente, notável. O fenómeno estará sábado ao vivo em Bilbao no BBK 2009.
O francês Pascal Arbez, que todos conhecemos pelo nome de Vitalic, tem disco novo na calha. Depois do sucesso do magnífico “Ok Cowboy” de 2005 e dos já clássicos temas “La Rock 01” ou “My Friend Dario” a fasquia está muito alta. No dia 20 de Julho será lançado um EP de pré-avanço do álbum pela Web-Records, casa onde já estão Tiga, Crystal Castles ou Mstrkrft, que terá o nome “Disco Terminator” e que inclui duas faixas inéditas – “Terminator Benelux” e “"Your Disco Song". Este tem já direito a vídeo...
Os franceses Phoenix, que finalmente tem o reconhecimento merecido ao fim de quatro álbuns, estiveram em Los Angeles no passado dia 28 de Junho para um concerto no Teatro Wiltern. No dia seguinte passaram pelos indispensáveis estúdios da KCRW Rádio e o resultado já está disponível por aqui…
O sueco Jens Lekman continua de bom humor! O susto já passou e o músico lançou um desafio aos seus fãs sob o tópico “Yes, that was the best night of my life”, aludindo, certamente, aos concertos portugueses agendados para a próxima semana. Basta ler o que está escrito na sua suposta mão… A expectativa está, assim, bem alta!
Esqueçam qualquer vedeta pop-rock ocidental e as suas manias, esqueçam livros de recordes ou números de vendas de discos, esqueçam canais de música e os seus vídeos milionários. Os Konono Nº1 não pertencem a este mundo nem querem pertencer! O seu mundo é um mundo à parte, em que a sinceridade e humildade são genuínas e a música a forma de expressão pura das suas raízes. Quem foi ontem à Casa da Música foi transportado, durante perto de uma hora rmeia, para uma outra dimensão, a dimensão Konono! O ritmo hipnótico e a cadência brutal fizeram disparar a dança e a alegria em toda a sala, num frenesim muito poucas vezes (nunca?) visto naquele espaço. O vírus espalhou-se e entranhou-se rapidamente em doses suficientes para abanar de forma avassaladora todo e qualquer músculo humano e a epidemia podia ainda ter sido maior se não fosse o incompreensível e desrespeitoso adiantado da hora a que os Konono Nº 1 começaram a tocar! A fama já vinha de longe e a imprensa bem tinha avisado – memorável serão de música e de emoções, num transe congotrónico em que não são precisos computadores, beats ou supostos dj’s e em que a essência está à vista de todos. Os Konono Nº 1 são, assim, as verdadeiras vedetas sem país, a quem todos deviam prestar homenagem por serviços prestados. Na realidade, esta é a única e imbatível música do mundo que um velho altifalante podia anunciar como sendo a Nº1! (+ tarde ou + cedo vídeos HugTheDj)
Foi com enorme expectativa que o acolhedor Cine-Teatro Neiva encheu (esgotou?) para dar início formal ao Festival Curtas–Metragens de Vila do Conde, agora em merecida casa renovada e ampliada. Coube a Norberto Lobo, Guilherme Canhão e Ian Carlo Mendoza, sob o nome de Tigrala, dar música a “Tabu” de Murnau, película rodada em 1931 no Thaiti. O denominado filme-concerto, evento habitual no festival de Vila do Conde e que é já uma das suas marcas mais conhecidas, é um verdadeiro desafio para os músicos, mas também para os espectadores. Murnau filmou uma história de amor proibido em cenários naturais e ao ar livre, que nos atrai quer pelas magníficas paisagens e enquadramentos, quer pelo brilhante e glorioso preto e branco. O sedutor enredo prende-nos ao ecrã, a fazer lembrar um livro lido há alguns anos da autoria de Steinbeck chamado “A Pérola” e que apresenta muitas semelhanças narrativas com o argumento de Murnau. Quanto à música dos Tigrala, em toada acústica, cumpriu magnificamente os objectivos, isto é, sem nunca se sobrepor ao filme, moldou-o de uma forma simples mas iluminada. Sem cair na tentação de associar ritmos às sequências que passavam no ecrã, Norberto Lobo e companhia souberem, à sua maneira, interpretar de forma equilibrada a diversidade de paisagens e emoções que nos entraram pelos olhos dentro. Um resultado compensador só ao alcance da sensibilidade e talento de Norberto Lobo, um caso sério de genialidade da actual música portuguesa. Queremos mais!
A Jo-Jo’s em Cedofeita comemorou no Sábado passado 30 anos de vida! A mais antiga loja de discos do Porto e que foi pioneira de vendas on-line em Portugal, apresenta-se agora em dois pisos, com um novo auditório, sala de raridades em vinil e mais espaço para livros e outros formatos, mas sempre com mesma a simpatia. Para assinalar a data e os melhoramentos, muitos amigos e conhecidos reuniram-se para ouvir, entre outros, o Francisco Silva/Old Jerusalem e o Manuel Cruz/Foge Foge Bandido, também eles clientes da loja. O espaço encheu até não caber mais gente, muito por culpa do efeito largado pelo Bandido, um verdadeiro fenómeno de massas! O espaço dedicado ao vinil é uma irresistível tentação, tornando a acolhedora sala num pedacinho de amor à música, mas acima de tudo, num amor de perdição… para a carteira! Parabéns e bem hajam.
Tem dado que falar um novo spot publicitário para uma companhia japonesa de telemóveis em que são protagonistas Brad Pitt e o lutador de sumo Musashimaru! O pequeno filme foi gravado em Manhattan, Nova Iorque, em Abril passado e tem a realização do prestigiado Spike Jonze. Apesar de estar disponível durante alguns dias no Youtube, foi depois removido por ordem da marca. O argumento é engraçado, mas a escolha musical é ainda mais acertada – trata-se de “In Ear Park” tema título do álbum dos fabulosos Department of Eagles, que vão, assim, amealhando fãs e dinheiro! Podem matar a curiosidade por aqui…
Confessamos uma certa desatenção ao que Miguel Esteves Cardoso vai escrevendo todos os dias no jornal “Público”. No que vamos lendo e apesar de alguma inconsistência, notamos aquela acutilância e piada que sempre admiramos no MEC, um personagem brilhante no nosso tempo, isto é, nos anos oitenta! Há quinze dias atrás esta “A nossa música” é um exemplo de regresso a esse brilhantismo...
Infelizmente, já não vai haver concerto de José Gonzalez em Guimarães no próximo dia 11! O cantor cancelou o espectáculo por motivos de saúde, adiando, assim, a imensa expectativa de ouvir a sua música em tão maravilhoso cenário. O músico tinha já cancelado uma série de concertos em território americano e canadiano previstos para a última semana de Junho. Para compensar, a organização decidiu realizar os dois outros concertos do Festival Manta – Bishop Allen e Young Gods – de forma gratuita! Eia…
WHAT’S GOING ON? Marvin Gaye And The Last Days Of The Motown Sound de Ben Edmonds. London: Mojo Books, 2001 O que sempre nos atraiu em Marvin Gaye foi, desde logo, uma coisa – como pode alguém escrever, musicar, construir ou imaginar um disco tão perfeito como “What’s Going On?”? Como é que, em pouco mais de trinta e cinco minutos de magia e nove canções que não podem ser ouvidas separadamente, se pode falar, de uma forma tão emocionante, de racismo, amor, ecologia, amizade, injustiça, religião, etc., sem cair no ridículo ou na lamechice? Lançado em 1971, em tempos conturbados na América e no mundo, este álbum é, talvez, um dos discos que mais vezes ouvimos. Tal como nós, muitos são aqueles que procuram na sua audição, um pequeno refúgio temporário que permite esquecer problemas, agruras ou tristezas e encarar o dia da amanhã de uma forma mais positiva (não é uma trivialidade…). A leitura deste documento teve, então, por finalidade entender o contexto e circunstâncias da produção de um disco tão intemporal. O resultado é francamente compensador. Ouvindo músicos, produtores, amigos e inimigos do músico, Ben Edmonds consegue, sem dificuldade, cativar-nos para a história e que história! Incompatibilizado com Barry Gordon, dono da Motown, Marvin logo percebeu que o projecto do disco não seria do gosto de Gordon. O livro traça as estratégias de afronta que aguçaram essa rivalidade e que chegaram ao ponto de ameaçar a própria edição do disco. Sempre na procura da perfeição, Marvin Gaye gravou e regravou sequências, inverteu e experimentou sonoridades, despediu músicos para os contratar cinco minutos depois, abusou das drogas e do álcool… Ouvindo o disco percebe-se, ainda hoje, o cuidado das orquestrações, as linhas de baixo perfeitas (vejam, ouçam só esta maravilha!), em momentos sem igual e que em muito contribuíram para mudar a forma de fazer música na altura. O mito de Marvin Gaye, as circunstâncias da sua morte, as polémicas e teimosias do seu ego ou a auto-destruição da sua vida, são demasiado atractivos para que a indústria do cinema o vote ao esquecimento. Previstos estão, pelo menos, dois filmes biográficos, embora os adiamentos sejam constantes, talvez porque seja, certamente, difícil acertar o rumo sobre um personagem tão importante, mas acima de tudo, tão brilhante. Quando se comemoram os 50 anos da Motown, este livro permite perceber o que se comemora e a importância de um momento único que ainda hoje nos arrebata. Aqui ficam, em vídeo, dois deliciosos bocadinhos dessa história, embora o segundo seja uma irresistível brincadeira!
No site Stereogum já pode ser ouvido o tema “Heartbeat Radio” de Sondre Lerche, título também do novo disco a editar em Setembro. Gravado entre Bergen na Noruega e Brooklyn, Nova Iorque, onde Lerche assentou vida nos últimos tempos, o álbum tem a colaboração nas orquestrações de Sean O’Hagan dos brilhantes High Llamas! O resultado é uma pop a lembrar "Fleetwood Mac, Beach Boys, Prefab Sprout, XTC e Milton Nascimento" e que será devidamente apresentada ao vivo na Europa já a partir de Outubro. Esperamos pela visita...
O sueco Jens Lekman contraiu Gripe A numa viagem ao Chile e, apesar do bom humor com que encarou a doença, trata-se, obviamente, de uma situação melindrosa. Os concertos previstos para este mês em Coimbra e no Porto ainda não foram anulados, apesar de algumas dúvidas pairarem no ar, tendo também em conta o surto da doença na Península Ibérica… Os votos são de melhoras rápidas, que o Verão português bem merece tão distinta presença!
A actual digressão de Neil Young terminou no sábado no Hide Park de Londres, com um concerto no Hard Rock Calling Festival. Como habitualmente, o último tema do alinhamento foi uma versão poderosa de “A Day In The Life” dos Beatles, culminando uma actuação de mais duas horas. Young, que tinha tocado na sexta-feira em Glastonbury, apresentou-se pleno de energia e teve a ajuda de um dos prórios autores da canção – Sir Paul McCartney! Para surpresa de todos, durante este encore o ex-Beatle entrou em palco e o resto é história!
A noite de Domingo no Passos começou com um pequeno recital de Franklin Pereira em cítara indiana. Instrospecção em ambiente calmo, um género de bálsamo benzido para um auditório quase esgotado. Segundo o aviso prévio, o concerto dos Secret Chiefs teria três partes distintas e, por isso, dois intervalos. Num primeiro momento (“UR surf set”), o quinteto comandado pelo guitarrista Trey Spruance (Faith No More, Mr. Bungle, etc) apresentou-se a rigor, trajando de negro e óculos escuros, para uma sequência de rock antigo. Meia hora de intenso ritmo a lembrar velhas canções de surf-rock, rockabilly e western spaghetti com direito a trompete e tudo! Entre as diversas versões pareceu-nos ouvir o mítico “Halloween” de John Carperter… Depois de uma curta pausa para trocar de roupa, a banda surgiu envergando trajes encapuçados de monge! Spruance largou a guitarra eléctrica e surgiu empunhando uma outra guitarra, um género estranho de saz indiano ligado à corrente. As sonoridades mudaram de forma notória, para um género indefinido (“Ishraqiyun set”) de influência medieval e árabe, mas nada estranho para quem conhece o disco “Book Of Horizons”. Destacou-se ainda o violino de Timb Harris que ajudou ao prolongar da intensidade. O frenético movimento dos personagens em palco e respectivos trajes sob fundo negro, constituíram um cenário pouco habitual e, por isso mesmo, memorável! Num último momento, já vestidos normalmente, a parte mais aguardada (“SC3 favorites set”). Temas dos Secret Chiefs 3 mais conhecidos onde Spruance continuou imparável nos seus solos de guitarra, instrumento donde surgiram os mais inesperados sons e sequências. Realce ainda para a bateria poderosa de Ches Smith e o baixo e percurssão de Shahzad Ismaily, numa perfomance arrebatadora. Uma noite progressiva em todos os sentidos!
Um café com 100 anos é coisa rara. Um café com 100 anos, cheio de gente e animação é ainda mais raro. O Piolho faz hoje 100 anos e o Porto cidade está de parabéns. Não são precisas comemorações muito especiais, basta ouvir pela noitinha o habitual burburinho e o barulho dos copos ou das chávenas. Uma festa centenária mas, felizmente, moderna, informal e viva. Bem haja!
Por coincidência, acabamos há dois dias a leitura de um livro sobre a gravação de um dos discos mais importantes da história da música popular – “What’s Going On” de Marvin Gaye. Nele se traçam as dificuldades do músico em fazer aceitar os seus objectivos junto de Barry Gordy, dono da Motown de Detroit. Estavamos em 1971 e Gordy, anunciava, pouco depois, a transferência da editora para Los Angeles onde, dizia ele, estava o futuro – os Jackson 5 e, acima de tudo, o génio de Michael Jackson. Gordy não se enganou por muito, embora as suas previsões catastróficas quanto à validade de “What’s Going On” tenham, obviamente, saído goradas. O génio viria a confirmar-se e convivemos com ele até ele ir desaparecendo aos poucos. Depois, um certo desconforto, como dizia Nuno Galopim ontem na SIC, vinha sempre ao de cima. Desconforto nos escândalos, nas historietas, nas opções e manias, mas acima de tudo, na qualidade da música. Desconforto ao comparar os álbuns “Of The Wall” ou “Thriller” com todo o resto desprezível e incompreensível posteriormente editado. Michael Jackson já há muito tinha desaparecido, porque a tal “soul” esvaziou-se. Desalmou-se. No fim da linha, aqui fica um dos grandes temas de “Off The Wall”, da pena e génio de um grande Stevie Wonder, a banda sonora perfeita para uma vida na terra do nunca…