sexta-feira, 26 de maio de 2017

MARK EITZEL, REGRESSO CONFIRMADO!














Dando razão a todos os rumores que circulavam, está confirmado o regresso de Mark Eitzel a Portugal para dois concertos - em Espinho no dia 28 de Outubro, sábado e em Lisboa no dia seguinte. Fica a dúvida se o serão será em versão solitária ou com banda. A ementa para os lados da Costa Verde começa a ganhar contornos gourmet já que está também agendada para o mesmo auditório a estreia de Benjamin Francis Leftwich (quinta, 9 de Novembro) e um outro regresso, o de Mark Kozelek (sexta, 24 de Novembro).


TIM DARCY DE SECRETÁRIA!

ROCKY RACOON #14





















Passam hoje precisamente cinquenta anos sobre a edição em Inglaterra do álbum "Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band" dos The Beatles. Ao oitavo disco de estúdio os de Liverpool faziam história eternamente sedutora e realmente inovadora, embora a nossa adesão e a este álbum tenha sido, no que ao amor pela sua música diz respeito, um tanto tardia... Desde a capa, à sequência dos temas, passando por alguns misticismos referentes a mensagens escondidas e de leitura difícil - bem tentamos várias vezes andar com o disco para trás sem grandes resultados - há muito para escolher quanto ao valor simbólico de um disco classificado como intemporal, mágico e, acima de tudo, imbatível e que conhece agora uma edição plena de extras, inéditos e coisa e tal. It's getting better all the time... sempre!



sexta-feira, 19 de maio de 2017

UAUU #385

THE MOUNTAIN GOATS, UM MUNDO GÓTICO!

Com lançamento oficial marcado para hoje pela Merge Records, o décimo sexto disco oficial dos The Mountain Goats tem o simples nome de "Goths" e é mais um desconcertante devaneio de John Danielle a mergulhar, ao mesmo tempo e com o habitual humor negro, na pop dos oitenta e em em líricas explícitas que citam Robert Smith, a Siouxie ou os rebuscados Red Lorry Yellow Lorry... Mantêm-se o bom gosto sonoro e muitas e intrigantes histórias para contar como esta dedicatória chamada "For The Portuguese Goth Metal Bands"! Haverá explicação para isto ou para o facto da banda nunca ter pisado solo nacional?

quarta-feira, 17 de maio de 2017

BEACH HOUSE, LIMPEZA DE SOTÃO!

Faltava aos Beach House uma limpeza no sotão lá de casa. Consequência, um álbum de raridades e lados-b estará cá fora no final de Junho com direito a justificação da própria banda e mesmo a tempo de Paredes de Coura. Apostamos que um best of já não deverá demorar muito mais tempo...

segunda-feira, 15 de maio de 2017

QUERCUS, REGRESSA O ENCANTAMENTO!





















Sem grandes alaridos ou foguetório, a mítica ECM fez sair no final do mês passado a segunda aventura do projecto Quercus, trio que nos encantou com uma estreia homónima em 2013 e onde a voz de June Tabor, o saxofone de Ian Ballamy e o envolvente piano de Huw Warren se misturam milagrosamente em temas tradicionais e alguns originais. O novo álbum "Nightfall" mantêm a receita, arriscando, entre outros tantos originais e tradicionais, versões de "Don't Think Twice" de Dylan ou "Somewhere" de Bernstein. O encantamento pode começar a fazer efeito através deste caminho...    

DOUGLAS DARE, Theatro Circo, Braga, 12 de Maio de 2017

A estreia nacional de Douglas Dare teve em Braga uma noite de boas surpresas... para ambos os lados. O artista, surpreendido com a beleza do espaço de plateia quase plena, mostrou-se bastante animado e entusiasmado para apresentar simplesmente ao piano as canções dos seus dois discos, temas que se confirmaram ao vivo um caso vibrante de composição que a acústica do espaço ajudou a engrandecer. O público, expectante e conhecedor, aproveitou para desfrutar o momento de forma rendida e até espantada com duas versões de alto calibre que aqui deixamos e que, como se fosse preciso, confirmam a qualidade do serão e a elevada fasquia de um talentoso músico.



segunda-feira, 8 de maio de 2017

MATT ELLIOTT, Auditório de Espinho, 6 de Maio de 2017

Apesar do Porto ser, desde sempre, um porto seguro para qualquer digressão de Matt Elliott, o fabuloso disco do ano passado "The Calm Before" não tinha ainda desaguado por perto. A oportunidade de ontem era, assim, o momento perfeito para um reencontro premente com alguma da melhor música folk vinda de terras britânicas e que se viria a concretizar, mais uma vez, num excelente concerto. Alinhando algumas das melhores canções desse álbum com outras pérolas mais antigas, Elliott confirmou uma segurança instrumental notável e uma voz firme e que, mesmo adoentada, espalhou envolvimento e sedução como na versão de "Bang Bang" com que terminou um serão de elevada tensão e categoria.



sexta-feira, 5 de maio de 2017

JAY-JAY JOHANSON, EXCELENTE PARANÓIA!





















Sempre tivemos por Jay-Jay Johanson um enorme respeito e até admiração. Irrequieto e activo, com os naturais altos e baixos de um artista que nos anos 90 subiu talvez demasiado rápido ao estrelato, a sua música têm ainda em Portugal uma enorme base de apoio e lembramos bem que foi um concerto seu no antigo Campo Pequeno que em 1998 nos embalou de véspera para uma prova académica de sucesso na manhã seguinte... A visita é recorrente, como a do ano passado para apresentar o seu último álbum "Ópium" em imagens durante o Festival Curtas de Vila do Conde e o estímulo para novas canções é, nota-se, inato e permanente. Não é assim de estranhar que um novo e fabuloso EP tenha já saído em Março, sendo difícil a escolha do melhor entre os cinco temas. Atormentados pela sua subtileza e beleza, recomendamos mesmo assim "Fifteen Years" e o enorme "You'll Miss Me When I'm Gone"...



Entretanto e ainda a saborear convenientemente este registo, surge agora uma nova e grande canção de nome "Paranoid" que será incluída em "Bury the Hatched", novo disco de originais, o décimo primeiro, previsto para Setembro e que Johanson se preocupou em marcar com imagens de amor aos discos de vinil. Para o efeito, convidou a realizadora Laura Delicata para registar uma deambulação sua pela Recofan, mítica loja de Tóquio onde, para além de completar a sua colecção, fomenta uma sofisticada inspiração artística... para nossa sorte!

quarta-feira, 3 de maio de 2017

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #19





















Desde a infância sempre ouvimos falar da Casa Caçador na Areosa, uma espécie de "têm tudo" inclusivamente móveis musicais e, claro, discos. Ocupando o rés do chão de um prédio tipicamente "anos 60" revestido com aquele ladrilhado de época, a loja teria duas entradas e duas montras - e, como se comprova, duas linhas telefónicas - precisamente as que hoje são ocupadas pelo inevitável negócio asiático de nome "Chinês Prazeres" no número 338 e uma espécie de pronto a vestir soturno no número 326 da Rua D. Afonso Henriques. Este troço da longa artéria que começa no cruzamento da Areosa pertence ainda à freguesia de Paranhos e é a prova que nem tudo o que fica para lá da Circunvalação já não é Porto embora a rua atravesse ainda nas imediações as freguesias de Rio Tinto, Gondomar e Águas Antas, Maia! Quando compramos este envelope inédito o vendedor confirmou que a loja terá fechado já em plenos anos 90 mas o que é certo é que o enorme e vertical reclame luminoso está ainda por lá bem preso ao prédio, centrado entre duas montras e mesmo por cima da entrada para os apartamentos cimeiros. Outra boa razão para a sua aquisição foi precisamente o disco que estava lá dentro, nada mais nada menos que o enorme "Tin Soldier" dos Small Faces e que na edição portuguesa de 1968 não tinha capa oficial, servindo o envelope de aconchego perfeito a uma malha de enorme calibre... e com direito até com a uma curiosa coloração a lápis da palavra "DISCOS"!  

Casa Caçador, Rua D. Afonso Henriques, 326-338, Areosa-Porto

Casa Caçador, Rua D. Afonso Henriques, 326-338, Areosa-Porto




























terça-feira, 2 de maio de 2017

DEVENDRA BANHART, MUITO LÁ DE CASA!

Da excelente série My Place onde a plataforma Nowness entra casa dentro de criadores artistas ou músicos, chegou agora a vez de Devendra Banhart nos mostrar o seu refúgio inspirador e, neste caso, desanuviador. Excelente... gostamos muito da casa de banho, bem diferente daquela que ficou célebre num afamado video!

UAUU #383

segunda-feira, 1 de maio de 2017

JENNY HVAL, GNRation, Braga, 29 de Abril de 2017

Fotografia Luzimentos/Nuno Mendes

Fotografia Luzimentos/Nuno Mendes

Fotografia Luzimentos/Nuno Mendes














O regresso de Jenny Hval para concertos em nome próprio depois da estreia no Mexefest lisboeta de 2015 tinha um cartão de visita impresso a dourado - o disco do ano passado "Blood Bitch". A multifacetada artista norueguesa jogou aí uma cartada decisiva no reconhecimento unânime da sua ousadia sonora, entrelaçando algum experimentalismo electrónico com uma arrojada lírica em torno do sangue e do corpo humano e em que a pesquisa temática a levou, como confessado, a regressar às origens pesadas em que esteve envolvida nas facetas do drone e do black metal. Ao vivo, o espectáculo alcançou alguma hibridez entre um simples concerto e uma perfomance artística, mas a plateia pareceu estar bastante atenta e atraída pelos temas escolhidos, um alinhamento que deu primazia a "Blood Bitch" mas onde se fizeram também ouvir canções mais antigas. Certamente a dividir opiniões e conjecturas, ficamos com a leve sensação que Hval é um daqueles casos em que muita da fragilidade e até intimidade dos seus temas resulta melhor com uns bons auscultadores de que numa sala de concertos... mesmo que seja escura!    






ALT-J DE SECRETÁRIA!

quarta-feira, 26 de abril de 2017

CAETANO VELOSO, Coliseu do Porto, 25 de Abril de 2017

















Como escrevemos há alguns anos "Ir a um concerto de Caetano Veloso, sozinho com o violão, sugere-nos sempre uma dupla aspiração: que haja surpresas e que o alinhamento contemple todas e mais algumas daquelas canções porque suspiramos. Parece incompatível (...)". O de ontem no Coliseu do Porto cumpriu esse desígnio mas a vertente da surpresa transbordou numa cintilante escolha de canções que nunca lhe tínhamos ouvido ao vivo, um "alinhamento desalinhado" e, como já alguém fez notar, de "restos de colecção". Mas que restos! Mantêm-se a plena forma de uma voz e guitarra enormes, aquela simpatia ternurenta que nos emociona e tolda os sentimentos quando do silêncio sepulcral da sala emanam canções-monumentos a que se presta veneração eterna enquanto se soletram baixinho as letras que sabemos de cor. Não faltaram, contudo, clássicos obrigatórios como "Leãozinho", "Menino do Rio", "Sozinho" ou "Luz de Tieta" e a Caetano devemos ainda a façanha de nos apresentar a voz de Teresa Cristina e a viola de Carlinhos Sete Cordas. Numa primeira parte, este duo homenageou da melhor forma o legado de Cartola mas quando, no final, se juntou a Veloso, a noite ganhou contornos de arrebatamento contido onde a limpidez da voz da até aí desconhecida e o jogo de guitarras fez imediato furor entre a plateia rendida. Há, como sempre, uma "Força Estranha" que continua a dar-nos a primazia e a felicidade de ter em Caetano um imparável artista que nos ajuda a gostar cada vez mais de música e a aspirar, simplesmente, a ter uma vida melhor. Um abraçaço... forte!          

UAUU #382

terça-feira, 25 de abril de 2017

SINGLES #42





















RAUL SOLNADO - (Ludgero Clodoaldo) Canta Badaladas
Portugal: Zip Zip, 10.002/E Movieplay, 45RPM, 1970
Nas viagens de infância de fim de semana em família ou mesmo depois em boleias para o liceu, um enorme Ford Cortina de um tio era sinónimo de diversão e, acima de tudo, a oportunidade de ver um leitor de cartuchos a funcionar! As histórias humorísticas de Raul Solnado eram obrigatórias como é o caso de "A História da Minha Vida" ou "A Guerra de 1908" e sabíamos de cor sketches registados ao vivo como "É do Inimigo" ou "Chamada para Washington". Nas investidas vinílicas dos últimos anos aproveitamos para recolher muitos destes registos em EP a que acrescentamos muitos outros editados aquando do programa "Zip, Zip", um êxito televisivo produzido pela RTP durante alguns meses de 1969, um marco da cultura portuguesa emitido em plena "Primavera Marcelista". Criado por Carlos Cruz, Fialho Gouveia e o próprio Solnado, por lá passaram pela primeira vez na televisão portuguesa muitos artistas e autores, sendo míticas as entrevistas a Almeida Negreiros ou a Caetano Veloso e Gilberto Gil (Agosto de 1969) mas onde a principal atracção eram mesmo as rábulas do próprio Solnado (como é saboroso ainda vê-lo como adepto do FCP no "Homem do Emblema"). Muitas delas foram posteriormente editados em vinil pela editora Zip Zip então criada e destes pedaços de história destaca-se o EP que hoje aqui trazemos em Dia da Liberdade. Como Ludgero Clodoaldo, um baladeiro muito em voga na época e que nos é apresentado na contra-capa do disco de forma satírica, Solnado faz, nas barbas da PIDE, algumas críticas directas ao regime de então em pequenos temas como "A Linha Não Alinha", "O Mundo é Muito Mauzinho" e o frontal "Senhor Estou Farto" escrito pelo próprio. Todos receberam a composição do magistral Fernando Alvim, guitarrista e instrumentista português de prestigiada fama e constituem ainda hoje um grande momento de televisão e um exemplo notável de inquietação e resistência.

domingo, 23 de abril de 2017

EMMA RUTH RUNDLE, Understage, Teatro Rivoli, Porto, 21 de Abril de 2017

Serão precisas poucas palavras para descrever a estreia esgotada de Emma Ruth Rundle na cidade do Porto. Com diversas circunstâncias alinhadas de forma natural, sem artifícios ou truques, o resultado atingiu uma aura de perfeição que envolveu e aconchegou público e artista em momentos de intensidade única e mesmo emotiva. Longe de ser o palco ideal, o espaço subterrâneo do Rivoli revelou-se um filtro à medida das grandes canções que o segundo disco de originais contempla e donde Rundle retirou quase todo o curto mas notável alinhamento. E assim, para fazer história, bastaram quarenta minutos difíceis de apagar da memória e que projectam Rundle para um nível que se adivinha de consagração suprema. Sublime!