sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

MJC 500 @ FERRO



















O suposto código que dá título a este post explica-se desta maneira: a Maria João fará 500 meses de vida amanhã e convida todos para a festerola no bar Ferro da Rua da Madeira a partir das 23h00. Notas de 500 não vai haver, mas quanto a notas de música em forma de rodela de vinil, dessas vão ser largadas uma animada porrada delas a cargo do gerente desta casa e do amigo Chico Ferrão. Como esta...

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

CAETANO VELOSO E UM CLARINETE!





















Acontece quase sempre aos talentos predestinados que, mesmo na chamada terceira idade, mantêm um espírito jovial e irrequieto fazendo e promovendo o que muito bem lhes apetece e satisfaz. É assim com Dylan, com Springsteen, com McCartney ou Ceatano Veloso que no dia de hoje lançou um disco de revisita fantástica ao seu cancioneiro.

Assim, "Caetano Veloso apresenta Ivan Sacerdote" é simplesmente isso mesmo, uma lufada de ar fresco a nove das suas eternas canções com a contribuição do jovem clarinetista carioca Ivan Sacerdote, uma amizade recente iniciada numa visita ocasional a sua casa onde aos improvisos de Caetano foi respondendo a preceito o sopro do clarinete.

E porque não um disco com tamanha beleza? Bora lá... Intimista e delicado no desafio entre o violão e o clarinete, o trabalho recebeu ainda a contribuição do sambista Mosquito e do violinista Cezar Mendes e terá a primeira apresentação oficial no Teatro Castro Alves em Salvador a 8 de Fevereiro próximo.





DANIEL JOHNSTON, O ABRAÇO DOS WILCO!





















Houve na atribulada vida de Daniel Johnston (1961-2019) uma infindável lista de ajudas e amizades que sempre lhe reconheceram o talento, a persistência e, acima de tudo, a coragem. Os Wilco de Jeff Tweedy foram, de certeza, um desses suportes emocionais que se mantêm activo mesmo depois do seu desaparecimento em Setembro passado e que se concretiza num álbum póstumo a sair no final do mês na dBpm, editora da própria a banda.   

O disco "Chicago 2017" é, assim, um tributo sincero à sua música em catorze novos arranjos de canções e ainda uma versão dos The Beatles, nove das quais registadas no The Vic Theatre na sua última digressão pela cidade onde teve o suporte instrumental do próprio Jeff e do filho Spencer ao lado de James Elkington, Darin Gray e Liam Kazar. Os restantes temas datam de uma prévia sessão no The Loft, o mítico estúdio dos Wilco na mesma cidade.

Coincidindo a saída com o festival solidário e preventivo "Hi How Are You Day" a realizar em Austin, Texas, no dia 22 de Janeiro, o álbum terá o produto das suas vendas entregues à fundação que o organiza na tentativa de melhorar o conhecimento e tratamento da doença mental e da sua difícil recuperação.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

SESSA, NOVO ANO EM GRANDE!















A apropriação da expressão "a música brasileira a gostar dela própria" talvez seja uma adequada sugestão para introduzir aos mais incautos a estreia do brasileiro Sessa nos grandes discos. Registado na cidade natal de São Paulo, há nesse trabalho uma exploração aparentemente simples da bossa nova ou da MPB mas onde vai pairando uma neblina psicadélica de textura muito própria que o passado embrenhado na banda Garotas Suecas certamente adensou e enraizou em letras arrojadas e surpreendentes. O disco, "Grandeza" de seu nome em homenagem ao seu país de variadas imensidões, saiu libertado no dia 25 de Abril do ano passado pelas casas Boiled (EUA) e Risco (Brasil) e foi logo devidamente apresentado ao vivo por terras brasileiras e americanas, mas o regresso ao norte do continente tem reforço agendado já em Fevereiro.

Chegará, depois, a vez da Europa. Em Portugal, a nobre Lovers & Lollypops fará o obséquio de o publicar em vinil já em Março seguindo-se em Abril a oportunidade de o ouvir testado e rodado nas datas ao vivo de 7 de Abril, terça, nos Maus Hábitos e dia 11 de Abril no MusicBox lisboeta. Para o Porto já há bilhetes. Grandeza!



UAUU #519

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

MATT ELLIOTT, REPETE-SE A DOSE!














Passaram três anos sobre "The Calm Before", o magnífico álbum de Matt Elliott merecedor de todos os elogios e que teve direito a várias apresentações ao vivo como a que presenciamos na altura em Espinho. Aproxima-se uma programação semelhante: um disco novo de nome "Farewell to All We Know" na casa francesa Ici D'Ailleurs a sair em Fevereiro (entretanto, a editora pôs cá fora em Novembro uma seleccionada compilação digital de oito temas) e uma digressão europeia já com pelo menos uma data portuguesa confirmada - sexta-feira, 3 de Abril, Centro Cultural Vila Flor em Guimarães. Uma dose que se repete com gosto!

LOBO #19


























O mestre António Sérgio faria hoje setenta anos de vida. Há precisamente duas décadas um grupo de amigos preparou-lhe uma festa surpresa num restaurante lisboeta para onde se dirigia calmamente na companhia da família mais próxima para festejar o cinquentenário e onde compareceram parceiros e cúmplices da rádio mas também uma série de músicos que sempre lhe reconheceram a ousadia, a vanguarda e a inquietude.

Dois dias depois, a fotografia da praxe a toda a largura de uma página do "Diário de Notícias" é, por si só, histórica: posam, orgulhosos, ao lado do aniversariante figuras infelizmente também já desaparecidas como Filipe Mendes, Ricardo Camacho ou Zé Pedro e outros históricos da música pop-rock nacional como Pedro Aires de Magalhães, António Manuel Ribeiro ou o brincalhão Kalu. O elogio em forma de notícia é assinado por Nuno Galopim e o autor da fotografia foi o Manuel Melo. Parabéns, mestre!

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

AO PIANO ENTRE VILA REAL E O PORTO!




























Não, não é ainda uma nova edição do Piano Day que está, aliás, já marcada para o próximo dia 28 de Março mas pode ser um gostoso aquecimento. No âmbito do apreciável FAN - Festival de Ano Novo 2020 promovido pelo Teatro de Vila Real, evento que aposta, entre outras, na música dita erudita de andamento clássico ou contemporâneo, estão programados concertos de pianistas a que se deve dar atenção: dia 18 de Janeiro, o próximo sábado, a francesa Christine Ott subirá ao palco do pequeno auditório do referido teatro enquanto o jovem inglês Simeon Walker encerrará o festival no dia 1 de Fevereiro, também sábado, no espaço do Clube de Vila Real.

Outra boa notícia é que, na véspera das suas actuações em Trás-os-Montes, ambos passarão pela cidade do Porto para pequenos showcases de fim-de-tarde (18h00?) na FNAC Santa Catarina da baixa. Entrada gratuita!



quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

FAZ HOJE (21) ANOS #20


























THE DIVINE COMEDY, Hard Club, Porto/CCB, Lisboa, 9 e 10 de Janeiro de 1999
. Diário de Notícias, por Nuno Galopim, fotografia de Leonardo Negrão, 12 de Janeiro de 1999, p. 35




sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

FEVEREIRO, PONHAM-SE À TABELA!


















Pode ser até o mês mais pequeno do ano mas o próximo Fevereiro adivinha-se em grande no que aos concertos por perto diz respeito. Mesmo incompleto, aqui fica o aviso em forma de tabela!

BANDA /ARTISTA
DIA
HORA
LOCAL
PREÇO
M. WARD
1, Sábado
21h30
CIAJG, Guimarães
7€50
JAMES RHODES
1, Sábado
21h30
Teatro Afundacíon, Vigo
25€
FAT WHITE FAMILY
4, Terça
21h00
Hard Club, Porto
23€
CHICO BERNARDES + CAROL
6, Quinta
22h00
Maus Hábitos, Porto
6€
MICAH P. HINSON
14, Sexta
23h00
Plano B, Porto
10€
BLANCK MASS
14, Sexta
22h30
Teatro Rivoli, Porto
7€
DEVENDRA BANHART + VETIVER
15, Sábado
21h00
Hard Club, Porto
30€
THE LAST INTERNATIONALE
15, Sábado
21h30
Theatro Circo, Braga
12€
BIG THIEF
18, Terça
21H00
Hard Club, Porto
21€
EMILY JANE WHITE
21, Sexta
?
TDB, Ponte de Lima
?
VLADISLAV DELAY QUINTET
21, Sexta
22h30
GNRation, Braga
7€
TINDERSTICKS
22, Sábado
21h30
Casa da Música, Porto
28/32€
MOMO
23, Domingo
16h00
Teatro VAlegre, Ílhavo
0€
PATRICK WATSON
24, Segunda
21h30
Casa da Música, Porto
28/33€
KELLY FINNIGAN
29, Sábado
21h30
Auditório de Espinho
8€

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

M. WARD, ÁLBUM E CONCERTO!












Já por aqui lamentamos o desprezo com que tratamos da vinda de M. Ward ao Porto em 2012 e, por isso, agora não haverá desculpas nem adiamentos. A data certa e imutável é o dia 1 de Fevereiro, Sábado e o local apropriado é a Black Box do Centro Internacional de Artes José Guimarães em, claro, Guimarães para uma apresentação que se adivinha em modo solitário. Há novo álbum para experimentar denominado "Migration Stories" onde cabem onze temas precisamente sobre a migração humana, as sua condicionantes e implicações em histórias repetidas através dos jornais ou televisão mas também escutadas e vasculhadas na própria família. O disco sairá na Anti-Records no início de Abril, um registo aprofundado e concluído nos estúdios de Montreal dos Arcade Fire. Deixamos um primeiro exemplar... 


sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

DUETOS IMPROVÁVEIS #222

SHARON VAN ETTEN & NORAH JONES
Seventeen (Etten)
The Late Show with Stephen Colbert, CBS Television Studios
Nova Iorque, EUA, 11 de Dezembro de 2019

UAUU #517

MOURINHO, THE MAN & THE ECHO!





















O que fazem Trump, Boris Johnson, King Jong-un ou Sir Richard Branson à volta de uma piscina vazia rodeados de cabrinhas? Juntam-se a José Mourinho para a capa do primeiro single "A Capable Man" do segundo álbum da banda inglesa Man & The Echo editado em Julho passado com o nome de "Men of the Moment". Só têm é que os tentar identificar... Esta é mais uma das muitas obras de Cold War Steve, ou seja, Christopher Spencer, especialista em colagens satíricas e humorísticas realizadas a partir de um iPhone que tanto podem ser usadas como capa da revista Time e de vários livros como em instalações em Glanstonbury ou em apropriadas galerias de museus da Escócia.

A vinda da banda a Portugal para a primeira parte dos concertos dos The Divine Comedy em Novembro passado, uma agradável meia-hora de pop adulta com sabor a China Crisis, Ultravox, Elvis Costello ou XTC, deu-nos a possibilidade de, mesmo às escuras, adquirir esta peça de colecção de auto-edição limitada a quinhentos exemplares e de valorização contínua... A special one




quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

AMBULANCE FOR HEARTS, MEGA EVENTO NA BAIXA!













O projecto solidário "Ambulance For Hearts" da iniciativa do David Freitas terá no próximo sábado, 28 de Dezembro, mais uma oportunidade para se dar a conhecer e multiplicar. Juntando as lojas Mercado 48 e Ovelha Negra, ambas na Rua da Conceição da baixa do Porto, no Mega Evento haverá descontos mediante qualquer contributo para o projecto que tem "como objectivo comprar uma carrinha e levá-la por terra, recheada de leite de substituição materno e outras coisas boas, até à casa da Mamé Ussai, uma casa que acolhe crianças sós em Catió, no Sul da Guiné-Bissau, onde será doada juntamente com o seu recheio". Pormenores aqui.

Prometidas estão várias surpresas, música ao vivo e, aproveitando o ambiente festivo, estaremos de bom grado a tirar o pó aos discos de vinil a partir das 16h00. Vamos lá ver se não nos esquecemos deste... Apareçam!



EMILY JANE WHITE, REGRESSO AO VIVO!












Como sugerido já em Setembro passado, a menina Emily Jane White tem regresso marcado a Portugal para uma dose dupla de concertos, a saber, no dia 20 de Fevereiro, quinta-feira, no Salão Brazil em Coimbra e no dia seguinte no Teatro Diogo Bernardes em Ponte de Lima. A digressão serve para a apresentação do excelente álbum "Immanent Fire" para o que terá a ajuda do guitarrista John Courage e do baterista Dan Ford.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

BOM NATAL!

Take it easy...

SINGLES #47






















PAT BOONE - Merry Christmas
Inglaterra: London Records - RE-D.1128, EP 45RPM, 1958
Atrás de Elvis Presley, diz-se que Pat Boone foi o cantor mais popular de finais dos anos cinquenta naquele jeito cheio de estilo de encantar uma juventude ainda em fase de libertação. Vendeu milhões de discos, foi arrebanhado para os filmes mantendo ainda hoje activa uma carreira como comentador conservador de política... Não faltam, por isso, pequenos discos de Natal tão populares nessa época de explosão do rock & roll e são dele duas das versões gingonas e sexagenárias de clássicos como "Jingle Bells" e "Santa Claus is Comin' to Town" de que mais gostamos. Estão seguidas no lado B deste EP inglês de capa sugestiva e contra-capa onde se podia escrever o nome do sortudo a quem cabia receber a rodela no caso de uma oferta, tudo devidamente autografado de forma impressa pelo próprio artista para fintar uma proximidade por muitas suspirada! 
Rocking throuhg the snow... Merry Christmas!   



LOS LOBOS DE SECRETÁRIA!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

(RE)VISTO #75





















ENGLAND IS MINE 
de Mark Gill. Reino Unido; Umbrella Entertainment, DVD, 2017
A ideia de realizar um filme biográfico sobre o jovem Steven Patrick Morrissey antes da fama que os The Smiths acarretariam é, no mínimo, um acto de coragem. A façanha a cargo do inglês Mark Gill estreou em 2017 sob fortes holofotes da imprensa internacional ou não fosse o assunto um explosivo cocktail de polémicas: proibição de uso das canções da banda, autorização e consentimento recusados (ignorados?) do próprio retratado e um argumento passível de ser credível baseado na própria autobiografia editada uns anos antes. Pondo para o lado tamanha receita de implicações prévias, diremos que, mesmo assim, o ponto de partida seria sempre intermitente e receoso.

Nos anos setenta do século passado a cidade de Manchester não era certamente o centro vibrante do planeta para um jovem emulsionado numa luta desigual entre o (seu) mundo da escrita, dos concertos e da sua reportagem e a pressão familiar para o raio do emprego e o salário. Como nervo central deste panorama de curta anatomia de personagens está o actor Jack Lowden num papel difícil mas vibrante que por si só vale o esforço do jovem realizador em concentrar nele todo o zelo e minúcia do enredo mas onde também merece menção honrosa a actriz Jessica Findley, a confidente e amiga artista Linder Sterling, uma airosa e cativante presença que ajuda e muito a incandescer o ambiente carregado.

O retrato supostamente credível vertido em livro pelo próprio Morrissey confirma-se na emersão de uma inaptidão nos relacionamentos em que uma timidez doentia dispara o travão a uma almejada afirmação artística - ser cantor numa banda e autor das letras das suas canções de forte inspiração literária. O filme joga, e bem, nessa tensão entre o sonho e a realidade, entre os impulsos ténues para pegar no microfone e o dia-a-dia dos empregos tremidos e desprezíveis como arquivista ou auxiliar num hospital até que o primeiro parceiro, o guitarrista Billy Duffy dos futuros The Cult e forte influência de um tal Johnny Marr, rompe uma prometedora experiência para gravar e tocar ao vivo em Londres.

Dilacerado pela traição, Steven submerge na tristeza, acelera no medicação e no refúgio caseiro, uma perigosa trilogia clássica de depressão que levou à perda de Ian Curtis ou Nick Drake (ainda não há filme!) mas que no caso de Morrissey se supera pela forte influência amiga de uma mãe que acredita nas virtudes e capacidades do filho. Depois, há uma campainha de casa que toca e, abrindo a porta, ali surge um motivado Johnny Marr a propor uma parceria e a oportunidade de experimentar, momento aproveitado para que a película se aproxime do fim quando a situação se inverte e é Marr a abrir a porta... O resto da história, para quem viveu os anos oitenta, é sabida de cor e soletrada em muitas canções dessa dupla maravilha que o tempo haveria, contudo, de separar até aos dias de hoje. Mesmo com imperfeições ou reparos, restou este filme honesto que lhe faz justiça e, mesmo sem querer, uma homenagem merecida.             




UAUU #516