terça-feira, 18 de julho de 2017

SHARON VAN ETTEN, PARCERIAS COMPATÍVEIS!

Entre rumores de um novo álbum para o próximo ano e consequente digressão, Sharon Van Etten tenta encontrar os desafios certos para a sua carreira sem desalinhar nas companhias. Assim e para além da colaboração já anunciada com os Lost Horizons, há ainda estas parcerias conhecidas :

- na primeira e respondendo ao apelo de David Lynch, a artista apareceu com a sua banda no "The Bang Bang Bar" no final do sexto episódio da nova temporada de "Twin Peaks" para interpretar a magnífica e, já agora, lynchiana canção "Tarifa" do disco "Are We There" de 2014. Entre outros, as Au Revoir Simone e os Chromatics também já compareceram no mesmo local:



- um outro diz respeito ao regresso de Lee Ranaldo com um trabalho de inéditos chamado "Electric Trim" gravado com a sua banda The Dust mas onde Etten ajuda nas vozes em seis das canções. É o caso de "New Thing", tema inspirado na obsessão colectiva de acumular "likes" na Internet e que tem agora um video supostamente alusivo ao tema;



- por fim, a inesperada voz de Etten está no regresso de Hercules & Love Affair chamado "Omnion" e que também é o nome de baptismo do álbum a editar no início de Setembro. A banda tem concerto marcado para o Lux Frágil lisboeta a 17 de Novembro próximo. Aqui fica o video dirigido pelos ingleses Crown & Owls.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

UAUU #391

MICAH P. HINSON, FOLK-ÓPERA... MODERNA!

A inspiração para o registo de um novo álbum Micah P. Hinson foi encontrá-la na história de uma família em tempos de guerra com os seus múltiplos defeitos e virtudes, desde o aparecimento do amor, do casamento e filhos até que surgem as traições e o suicídio. Dois anos de trabalho em Denison, Texas, resultaram em "Presents The Holy Strangers" a que Hinson chama uma "ópera folk moderna", um disco que estará cá fora em Setembro pela Full Time Hobby e que na versão em vinil terá a adição de um livro onde se conta toda a aventura. Segue-se uma intensa digressão com banda pela Europa e que só em em Espanha têm cinco datas agendadas para o início de Novembro!




sexta-feira, 14 de julho de 2017

THE RADIO DEPT., NOVAS CANÇÕES, NOVA EDITORA!





















Aproveitando o embalo do disco "Running Out Of Love" de 2016, os suecos The Radio Dept. lançam agora um EP onde incluem versões alongadas e misturadas de "Teach Me to Forget", "We Got Game" e "Swedish Guns" mas também dois temas inéditos - "You're Not In Love" e "Just So" que é, ao que parece, também o nome de uma aventura inédita na edição própria de discos, embora este EP saia ainda hoje pela já habitual Labrador Records. Ouça-se!




quarta-feira, 12 de julho de 2017

BADBADNOTGOOD, GOODGOODNOTBAD!

Se andam na expectativa de encontrar uma compilação veraneante pronta a fazer que qualquer hora do dia tenha sempre um pôr-do-sol escusam de procurar mais! A quadragésima terceira edição da já mítica colectânea "Late Night Tales" foi atribuída aos miúdos canadianos BadBadNotGood e os temas escolhidos para a sequência sonora são uma verdadeira inspiração e, ao mesmo tempo, uma dádiva. Começando em Boards Of Canada e terminando em Lydia Lunch, o difícil é mesmo não repetir a audição incluíndo uma versão instrumental dos próprios BadBadNotGood de "To You" do mágico Andy Shauf, artista fetiche da banda. Lembra-se que quer os BadBadNotGod quer Andy Shauf estarão por Paredes de Coura em Agosto para fazer milagres...    





UAUU #390

LONEY DEAR, É DESTA?




















Em Novembro passado congratulamo-nos com o regresso anunciado dos Loney Dear através de um trabalho numerado como o sétimo e que se aproximava da porta de saída... Falso alarme! Apesar de existir até um primeiro avanço, o disco como se eclipsou entre contratempos notórios e uma editora que retirou o artista da sua lista sem aparente explicação. O pobre do Emil Svanängen desabafa agora que andou a "nadar sem ter onde se agarrar" mas que finalmente alcançou uma praia salvadora que dá pelo nome de Real World, casa de discos do âmbito da WOMAD de Peter Gabriel que contratou o sueco num defeso sentimental e, notoriamente, escurecido pela incerteza quanto ao seu potencial artístico. Assim, o tal disco já gravado e adiado verá finalmente a luz do dia em Setembro próximo e terá o título homónimo de Loney Dear. Para que conste! 



sexta-feira, 7 de julho de 2017

LOST HORIZONS, ASSIM SEJA!













Nos últimos vinte anos o nome de Simon Raymonde esteve intimamente ligado à criação e direcção da editora londrina Bella Union mas a fama vem já de mais longe. Nos Cocteau Twins ao lado de Robin Guthrie e Elizabeth Frazer, Raymonde foi baixista proeminente de uma banda mítica e onde fez uma série de amizades para a vida como a que foi crescendo com Richie Thomas dos Dif Juz, baterista que chegou a tocar com os Twins mas também com os Jesus & Mary Chain ou os Felt de boa memória. Os dois juntam-se agora sob o nome de Lost Horizons para um álbum a sair pela própria Bella Union no início de Novembro e onde reúnem uma série de amigos, muitos deles dessa época inconfundível que foram os anos oitenta mas também novos talentos reconhecidos como Marissa Nadler, Sharon Van Etten, Tim Smith (Midlake) ou Cameron Neal (Horse Thief). O primeiro avanço de "Ojalá", assim se intitula o disco, tem a inconfundível voz de Karen Peris dos The Innocence Mission, uma inédita colaboração fora do perímetro da banda e que nos deixa melancolicamente desarmados...

quinta-feira, 6 de julho de 2017

LAMBCHOP UNLIMITED!

Aquando do magnífico concerto dos Lambchop em Espinho em Janeiro passado, fizemos notar a versão, melhor, as versões de "The Hustle" com que a banda começou e terminou o serão, uma canção logo ali tornada um clássico pop. A variante em bruto e onde o piano ganha um protagonismo saboroso foi, entretanto, gravada em demo para um maxi que trouxemos do concerto mas que agora terá edição oficial sob o título de "The Hustle Unlimited" aludindo, certamente, aos The Love Unlimited Orchestra de Barry White tão ao gosto do pianista e humorista Tony Crow, o responsável pela brincadeira inicial. No lado B repousará uma versão de "When You Were Mine" de Prince o que torna a rodela ainda mais apetecível!



terça-feira, 4 de julho de 2017

UAUU #389

JAMES YUILL, É TEMPO DE MUDANÇA!

Não tem sido fácil a vida do britânico James Yuill. Depois de uma ascensão merecida à custa desse grande disco intitulado "Turning Down Water From Air" de 2007, só seis anos depois o one man band conseguiu editar a sequência obrigatória com "These Spirits", experiência obtida em regime pledge music mas que passou completamente despercebida. Insistindo no seu valor e potencial, Yuill foi-se entretendo com o projecto de remisturas Loframes mas o fito continuava a ser o mesmo - reunir condições para novo trabalho em nome próprio. De volta à sua editora Happy Biscuit Club e após quatro anos de intenso trabalho, chegou a hora de um terceiro álbum apropriadamente chamado "A Change In State" que estará cá fora no final do mês e que terá, para além dos formatos obrigatórios, uma edição inédita em vinil. Há ainda uma série de concertos agendados para Setembro pelo Reino Unido, tudo sinais que a mudança é mesmo para levar a sério!



segunda-feira, 3 de julho de 2017

FESTIVAIS DE VERÃO, MAS O QUE É ISTO?
















Afinal ainda há por aí muitos diáconos tipo José Cortes... hum, hum, não havia nexecidade! Para ler e deitar fora.

(RE)VISTO #67













SGT. PEPPER'S: A REVOLUÇÃO MUSICAL
Dir. de Francis Hardly, Apple Corps. Ltd, RTP1, Portugal, 30 de Junho de 2017
A ideia de um documentário comemorativo dos cinquenta anos de "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" dos The Beatles destinado a televisão generalista sugere, à primeira vista, uma insistência nos clichés e imagens que nos fomos habituando a ver ou ler em tantos outros programas e revistas da especialidade. Mas o que compositor inglês Howard Godoall se deu ao trabalho de escrever é um guião diferente e bastante inovador sobre um álbum que parece infindável de pormenores, histórias e inspirações e, por isso, a revolução musical que dá título ao documento é mesmo um desafio que se acaba por provar com bastante pertinência e sem muitos truques. Peça a peça, instrumento a instrumento, canção a canção, ficamos absortos com a sequência escorreita dos factos e informações que, de forma simples e inédita (os instrumentos tocados em separado ou as conversas de estúdio são aqui utilizados na perfeição), nos agarram desde as duas peças extra iniciais ("Strawberry Fields Forever" e "Penny Lane") até esse pedaço em miniatura chamado "A Day In The Life" que, como referido, é o espelho contido de todo um disco ainda e sempre notável. Não percam a oportunidade e andem lá para trás até sexta-feira na vossa caixa de televisão ou então sigam a ligação já disponível online. Não se vão arrepender.      

sexta-feira, 30 de junho de 2017

1 LIVRO E 111 DISCOS!
















Para comemorar os oitenta anos da rádio pública em Portugal, a Antena3 convidou uma série de radialistas, críticos, jornalistas, músicos ou investigadores a escolher e a justificar os discos marcantes desse período, contando, desta forma, uma história da música gravada e da rádio em paralelo. O volume de capa cartonada e design atraente chama-se "Cento e Onze Discos Portugueses. A Música na Rádio Pública" tem coordenação de Henrique Amaro e Jorge Guerra e Paz e conta com textos de, entre muitos outros, Ana Cristina Ferrão, Luís Filipe Barros, Álvaro Costa ou o inevitável Júlio Isidro numa edição da Afrontamento. Um projecto arriscado, mas de leitura obrigatória.      

WILL JOHNSON, UMA GRANDE CANÇÃO!

O mais que polivalente e talentoso Will Johnson lançou este ano mais um álbum a solo chamado "Hatteras Night, A Good Luck Charm", uma amostra do que pode e deve ser a música americana em diversas facetas. Mas por muitas voltas que o disco dê acabamos sempre a abrir a concha de uma pérola que anda lá pelo meio - "Filled With A Falcon's Dreams" tem tanto de sedução como de veludo, uma viciante canção que nos sugere os America e o Jonathan Wilson de mão dada a assobiar de contentes...

segunda-feira, 26 de junho de 2017

DUETOS IMPROVÁVEIS #201

ELTON JOHN & JACK WHITE
Two Fingers of Whiskey (John/Taupin)
Documentário "American Epic Sessions", 2017

sexta-feira, 23 de junho de 2017

UAUU #388

SARAH BELKNER + JFDR, Festival Gaia Todo Um Mundo, 17 de Junho de 2017

A tarde de calor até que convidava a um concerto informal ao ar livre, mas não tanto! O facto de o palco Bernardino estar instalado numa artéria inclinada com trânsito de autocarros, aceleras frenéticos entre turistas ocasionais e moradores indiferentes, condicionou em muito o valor das canções de Sarah Belkner. Elevada no seu altar cimeiro demasiado distante de quem a queria ouvir como deve ser, a jovem australiana ultrapassou, em parte, os constrangimentos sempre com um sorriso nos lábios tentando aproximar vontades e sensações mas o momento pareceu-nos, mesmo assim, um erro de programação certamente arrojado mas inconsequente. A rever, esperemos, numa próxima edição.    

   


O regresso de Jófríður Ákadóttir aka JFDR, que esteve recentemente em Espinho, teve, este sim, um cenário a condizer. A capela do Convento Corpus Christi, impecável no seu restauro e luminosidade, oferecia todas as condições para que os temas de Jófridur ganhassem altitude e leveza, mesmo que nalguns casos tenha sido perceptível na sua postura alguma amargura... Talvez a "separação" da irmã e do projecto Pascal Pinon explique parte da angústia que emana das canções extremamente pessoais e íntimas, como fez questão de confessar na introdução a cada uma delas, mas a sua música teve sempre o condão derradeiro de inverter essa melancolia num optimismo saboroso e sonhador.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

GARETH DICKSON, Armazém 22, Festival Gaia Todo Um Mundo, 16 de Junho de 2017

A presença de Gareth Dickson ao lado de Vashti Bunyan num memorável serão de 2015 deixou-nos muita água na boca. Desde aí, suspirávamos por uma oportunidade certeira de o ouvir num espaço aconchegante e de acústica perfeita, condições que finalmente e de forma surpreendente - e gratuita! - aconteceram em Gaia na passada sexta-feira. O Armazém 22 talvez merecesse mais gente mas o brilho da prestação de Dickson e a delicadeza da sua música encheram as medidas de todos aqueles que corajosamente aí acorreram mesmo que o horário não fosse o mais apelativo. Contudo, não há nem pode haver horas boas nem más para desfrutar de tamanha preciosidade sonora e o momento por si só confirmou que Gareth Dickson talvez seja hoje imbatível na aproximação ou recriação de um género musical sem idade nem prazo que aprendemos a amar de olhos fechados e mente sempre aberta. Inigualável!              

terça-feira, 20 de junho de 2017

3X20 JUNHO













Com atraso...

PRIMAVERA SOUND PORTO 2017: UM BALANÇO
















10 likes:

1. mais e melhores casa de banho a que se junta uma limpeza exemplar do recinto;

2. não sabíamos, mas o canal Arte transmitiu alguns dos concertos na íntegra! É por aqui

3. dez minutos Weyes Blood que valeram ouro. Chapeau!

4. a noite de aquecimento no feminino do Hard Club. Despretensiosa mas eficaz numa fórmula a repetir; 

5. em relação a edições anteriores, melhor o som da maioria dos concertos e, finalmente, em todos os palcos;

6. Shongoy Blues, sinónimo de festa e harmonia sem truques;

7. Arab Strap, uma "substituição" de luxo que muitos ignoraram, inclusive a imprensa presente que se diz atenta;
         
8. atendendo aos tempos de hoje, nada de incidentes, segurança discreta, polícia presente e visível;

9. a eficácia dos Metronomy e a grandeza de Justin Vernon/Bon Iver;

10. o parque, a praia, o rio, a cidade... o Porto, sempre imbatível!


10 dislikes

1. "a que horas é?" foi a pergunta que mais se ouviu já que este ano não houve horários distribuídos para pôr ao pescoço mas sim sim uma "app" para descarregar e é para quem quer. Ou seja, quem não tiver smartphone que se amanhe e leve os horários impressos de casa, mas gastou-se o dinheiro distribuindo um cartão para colocar ao pescoço com sei lá bem o quê, ah, era tal "app". Podiam ter lá posto os horários na mesma já que não os vimos afixados em nenhum lado como é (era?) obrigatório;

2. a dimensão do palco para Angel Olsen talvez fosse exagerado mas a tagaralice e indiferença de muitos prejudicou as canções que se queriam ouvidas a sério. Insultuoso;

3. apesar do respeito que temos por Rodrigo Leão e do projecto com Scott Matthew, a presença em final de tarde num dos palcos principais foi confrangedora. Tudo saiu ao lado, então a voz do tal Matthew... xii;

4. já não é primeira vez que acontece - primeiro dia já em pleno (19h00) mas não há pulseiras nem identificação no parque das bikes, casas de banho sem água, bares sem cerveja, etc. Inexplicável;

5. gostamos de coleccionar o programa/livro do festival onde são apresentadas as bandas/artistas, estamos até na disposição em adquiri-lo, mas aonde? Disseram-nos que vinham no interior da famosa mochila distribuída aleatoriamente mas na que "arrebanhamos"... nada. Há por aí alguém que lhe tenha posto a vista em cima?        

6. com todo o carinho por Elza Soares mas faltou "um peso-pesado" à altura da tradição (Patti Smith, Brian Wilson, Caetano, etc.). Pensar que já tivemos, por exemplo, Blur e Daniel Johnston no mesmo dia (2013)!

7. sem bairrismos bacocos mas "o gosto mais de Lisboa que do Porto" de Julien Ehrlich/Whitney em pleno concerto já não foi feliz mas as tentativas seguintes em tentar disfarçar o deslize ainda soaram piores;

8. o petisco portuense estava na ementa gourmet do festival? Francesinha, uma raridade e, já agora, cerveja preta;

9. com tanto WC disponível ainda há muitos e muitas que "descarregam" nos arbustos, árvores e afins. Enfim...;

10. o que é feito do Miguel Ângelo/Delfins um habitué que teve falta a vermelho. Sinal da fraqueza do cartaz?

sexta-feira, 16 de junho de 2017

THE CLIENTELE, CHEGOU A IDADE DOS MILAGRES!





















No primeiro dia de Outono, 22 de Setembro próximo, estará disponível um novo álbum dos The Clientele através da Merge Records, o primeiro de originais em sete anos. Com uma capa lindíssima da autoria da artista britânica Carel Weight (1908-1997), o disco foi baptizado de "Music  for The Age of Miracles" o que é, obviamente, uma dádiva nos tempos que correm e onde, para além das indispensáveis guitarras, a banda se envolveu ao longo de doze canções com uma orquestra de sopros e cordas e a utilização pela primeira vez de um saz turco e um santoor iraniano. Aqui fica "Lunar Days", uma primeira e facilmente reconhecível maravilha.