quarta-feira, 20 de novembro de 2019

HEY, SAUDEMOS KING KRULE!

Depois do portentoso álbum "The OZZ" o já não tão miúdo Archie Collins alcunhado de King Krule só agora deu sinal de vida com um simples "Hey World!", como estão? A saudação não é mais que uma curta metragem onde são apresentadas, de fininho, quatro novas canções escritas pelo próprio - a saber, "Perfecto Miserable", "Alone Omen 3", "(Don't Let The Dragon) Draag On" e "Energy Fleets" - e que tem realização da companheira Charlotte Patmore, artista multifacetada que já tinha dirigido em 2018 as imagens para o tema "Cadet Limbo".

Os sinais de fumo são, assim, de alerta quanto a um qualquer novo disco ou EP logo no primeiro trimestre de 2020, o que joga com uma digressão anunciada pela Europa e o não tão europeu Reino Unido em Março, seguindo-se uma visita aos E.U.A. em Abril. 


THE DIVINE COMEDY, É SÓ ESCOLHER!













O álbum conceptual dos The Divine Comedy sobre a vida num escritório de empresa pode agora ser testado com a emissão pelo canal Arte de uma festa de lançamento ficcional das canções do disco num verdadeiro espaço de expediente francês devidamente filmada em Setembro passado sob o título de "Office Politics Release Party". No mesmo canal está ainda milagrosamente acessível uma apresentação a solo datada de 2012, desempenho que anteriormente também passou perto numa noite divertida num teatro vimaranense.

Mas há mais! A cativante e parcial apresentação do disco ao vivo em Braga na passada semana culminou uma digressão europeia que o canal público de televisão alemão WDR sediado em Colónia não deixou escapar. Foi nessa cidade que se registou em Outubro a passagem completa de Neil Hannon e companhia pelo Live Music Hall e, tal como em Braga, podem até aceder aos trinta minutos da banda de abertura, uns surpreendentes The Man & The Eco que também tiveram direito a filmagem!

Se ainda não estiveram satisfeitos, nada como regressar à sofisticada noite pela nova Opera de Paris em 2015 na mesma data dos Tindersticks e ainda disponível através do milagroso youtube. Uma farturinha!



terça-feira, 19 de novembro de 2019

JOSÉ MÁRIO BRANCO (1942-2019)















Homenageado pela cidade que o viu nascer aquando da Feira do Livro do Porto de 2018, a vida de José Mário Branco inesperadamente falecido no dia de hoje não cabia, já na altura, numa simples centralidade de uma programação cultural. A carreira agridoce de luta e exílio só na última década alcançou alguma pacificação e consenso que o documentário televisivo "Mudar de Vida" de 2013 retrata de forma exemplar, confirmando o talento e abnegação da sua personalidade. Para nós, à custa de muitas leituras e pesquisas sobre discos e cantigas pré e pós 25 de Abril, o seu nome é certamente, a seguir a José Afonso, o exponente maior de um movimento artístico que nunca teve medo de usar a canção como arma de arremesso e resistência. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades... Paz!

THE DELINES, MAIS PÉROLAS!















Para acrescentar ao tesouro a que os norte-americanos The Delines chamaram "The Imperial" e que estará fatalmente em muitas das famigeradas listas de álbuns do ano, existem desde o início do mês mais duas pérolas sedosas a que se deve dar muita atenção. Gravadas no verão passado, tanto "Eight Floors Up" como "Wait For Me" são inéditos compostos em tempos de recuperação da vocalista Amy Boone numa cama de hospital depois de um brutal atropelamento em 2016. A espera para que a sua própria voz desse ainda mais sentido às canções foi vertida num sete polegadas de vinil de estrema e limitada tiragem o que fez, desde logo, desaparecer as rodelas carinhosamente prensadas em cor rosa... Damn!

Fica a consolação e a esperança que um outro tema extra somente disponível na versão CD do referido disco acabe também nas estrias de um vinil mesmo sem perceber como é que uma canção do calibre de "A Room on the Tenth Floor" tivesse sido preterida. Puxem-lhe o lustro e ouçam-na sem contar as vezes!




segunda-feira, 18 de novembro de 2019

O TERNO + JOHN GRANT, Festival Para Gente Sentada, Theatro Circo, Braga, 16 de Novembro de 2019

fotografia: facebook do FPGS














Atendendo ao passado recente de concertos e ao futuro anunciado de regressos, diremos que Tim Bernardes e os restantes parceiros Peixe e Biel, que perfazem o trio paulista O Terno, são já visita da casa. Essa proximidade foi notória desde a entrada em palco, repetindo-se uma disposição sentada - ora nem mais - e informal que presenciamos em Junho passado no ar livre do Parque da Cidade e o já típico trajar cândido. Aproveitando, desta vez, a presença de um grande piano a pensar, certamente, no artista seguinte, surgiram excelentes variações a partir das teclas que então não foi possível ouvir e uma luminância de excepção a fazer realçar os instrumentos, as palavras ou simplesmente a voz mas será de apontar que nem sempre o botão do volume do som é para subir... é que ele também desce, o que em alguns dos trechos fez alguma falta.

O alinhamento não demorou a despertar aplausos e coros ténues em canções como "Pegando Leve" ou "Volta e Meia", exemplares agora mais conhecidos do último "atrás/além" e de onde se retiraram a maioria dos temas. Pena que ao fim de oito canções e quando o concerto parecia estar a ganhar espessura e sabor e, precisamente, depois de dois gostosos pedacinhos mais antigos como "Culpa" e "Volta", se tenha desligado o "forno" com a desculpa rigorosa de "ser um festival" e, como tal, não haver tempo para mais (quarenta e cinco minutos) por entre assobios e aplausos de uma plateia desconsolada. E que tal começar meia hora antes?         

fotografia: facebook do FPGS














Já passaram oito distantes anos desde a estreia de John Grant no Auditório de Espinho em versão na altura quase solitária e, salvo o erro, atenuada pela presença do teclista Chris Pemberton. O regresso, apesar de não previamente divulgado em que formato iria acontecer, repetiu-se na mesma fórmula e parceria. A sala de visitas bracarense sugeria ser, assim, o espaço ideal para um novo expurgo maioritariamente ao piano de uma colecção já notável de canções mesmo que a execução original de muitas delas que Grant trouxe depois ao Porto em 2014 ao lado de uma verdadeira banda tenha o condão de ter deixado um imenso lastro de boas memórias vincadas por orquestrações grandiosas e animada perfomance.

Sorridente, quando já sentado aproximou o microfone para dar sequência ao acorde inicial e se ouviu "your beauty is unstoppable" de "Where Dreams Go to Die" naquela voz inconfundível estava dado o mote para uma longo e imensa lição pop quanto à composição moderna diz respeito em dezassete andamentos de uma carreira consistente e, assumidamente, arriscada. A duração, exagerada para alguns mas de um efeito narcótico para a maioria, deu oportunidade a pedidos de temas preferidos como foi o dessa maravilha do tempo dos The Czars chamada "Drug" que alguém reclamou alto e bom som a partir da plateia o que se repetiu com "Caramel" ou "GMF" a encerrar o serão antes do encore. De volta, faltava culminar o alinhamento com os suspirados "Sigourney Weaver" e esse clássico íntimo que custa ouvir sem incómodo saboroso que encerra o álbum com mesmo nome mas que não impediu o público de o soletrar alto e bom, sim,  Q u e e n  o f  D a n m a r k , mesmo antes de rebentarem as merecidas palmas!

domingo, 17 de novembro de 2019

SENSIBLE SOCCERS + KAMAAL WILLIAMS, Festival Para Gente Sentada, Theatro Circo, Braga, 15 de Novembro de 2019

fotografia: facebook do FPGS














A comemorar quinze anos, o conceito original do Festival Para Gente Sentada sempre nos pareceu atractivo e certeiro - convidar cantautores consagrados ou em fase de afirmação para no escuro de uma sala fazerem ressoar o produto da sua inspiração, ou seja, as canções. Foi por isso que o FPGS ganhou asas, tradição e reconhecimento mas nos últimos anos as referências foram enviesadas sem retorno com alinhamentos arriscados e estranhos em que programar para o evento sugere ser uma tarefa sem critério estreito e onde, para o mal e para o bem, cabe tudo...

A primeira noite da edição deste ano foi só a confirmação deste desalinho - sala meia vazia, camarotes despidos e uma banda plena de potencialidades como os Sensible Soccers a jogar em terreno alheio e friorento apesar do esforço e da entrega. A fusão de sonoridades instrumentais insistiu na repetição de um trecho melodioso onde as percussões crescem a olhos vistos, tudo bem feito, tudo emoldurado num colorido bem pensado mas as cadeiras e a grandeza do espaço arrefeceram, obviamente, a partilha e o afecto que nem mesmo um violino surpreendente saído de um dos camarotes ajudou a disfarçar. Demasiado "à frente", como ouvimos no corredor de saída, demasiado cedo ou, melhor, simplesmente demasiado.       

fotografia. facebook do FPGS














Substituir, por força maior, a acústica solitária de Jonathan Wilson pela modernidade jazzistica de Kamaal Williams não é claramente coisa fácil. Mesmo assim, aproveitando a presença do músico e produtor britânico, confirmou-se, sem contemplações, a diversidade e capacidade de um quarteto rítmico assinalável onde a enorme e emaranhada bateria aliada ao electrizante baixo se fizeram notar de fio a pavio. Ao comando a partir do Rhodes, o encapuçado Williams foi dando o mote sem grandes devaneios parecendo querer que fossem os outros a brilhar, nomeadamente a artéria cativante do saxofone. Entre elogios ao país e à sua "onda", não faltou o convite, logo ao segundo tema, para a dança e ao abandono das cadeiras mas a resposta foi categórica - ninguém se levantou nem nesse momento nem até ao final o que atendendo ao divertido e contagiante instrumental só pode ter sido um sacrifício colectivo! E pensar que, no mesmo teatro ou num edifício bem perto, duas salas pequenas e escurecidas estavam aquela hora vazias e, às tantas, disponíveis e adequadas para a festa e animação que se impunha...

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

FAZ HOJE (21) ANOS #16

























BAUHAUS, Coliseu do Porto, 15 de Novembro de 1998
. Jornal de Notícias, por Cristiano Pereira, fotografias de Leonel de Castro, 17 de Novembro de 1998, p. 45



NICK LOWE & WILCO NUMA RODELA VERDE!





















Há quarenta anos a canção "Cruel To Be Kind" do britânico Nick Lowe tornou-se um êxito inesperado de verão principalmente no continente americano onde se popularizou. Em 2012 os Wilco relançaram o tema via iTunes com a colaboração e vocalização principal do próprio Lowe com quem partilhavam, na altura, o palco numa digressão conjunta.

Aproveitando o aniversário de quatro décadas, esta colaboração terá, pela primeira vez, uma edição física oficial durante a próxima Black Friday de dia 29 de Novembro no lado B da de um vinil verde de 7" e (i)limitada a três mil e quinhentos exemplares. No lado principal estará o tema original envolto pela mesma capa surgida em 1979. A must have... mesmo que haja lojas onde a rodela já está esgotada antes de sair!



quinta-feira, 14 de novembro de 2019

ANDY SHAUF, AQUELE BAR!





















A validade do disco do ano passado dos Foxwarren tem o prazo estendido e ainda com um sabor refrescante. Foi (é) fiel companheiro de muitas viagens e ponderações mas aproxima-se já mais um contributo do mentor Andy Shauf em pessoa a sair pela Anti-Records no final de Janeiro próximo em edição atractiva melhorada. Assim, "The Neon Skyline" promete amenizar o arrefecimento nocturno em onze canções escritas, tocadas, gravadas e produzidas em nome próprio e de argumento conceptual onde, supostamente, o personagem descobre no bar da vizinhança que dá titulo e capa ao disco que a ex-mulher está de volta e preparada para surpreender... Aqui ficam duas das confissões. Cheers!




FAT WHITE FAMILY, VISITA DE CORTESIA!





















Os excelentes Fat White Familly, donos de um discos do ano ("Serfs Up"), estreiam-se em Portugal em Fevereiro com concertos agendados para o Porto (Hard Club, terça-feira, dia 4) e Lisboa (Lisboa Ao Vivo, quarta-feira, dia 5). Prometida está muita animação, alguma pândega e rios de suor!



quarta-feira, 13 de novembro de 2019

FAROL #133











Do génio de Kyle Field aka Little Wings já por aqui destacamos o novo de originais "People" a que se sugere ainda uma outra diversão simultânea exclusivamente em vinil de nome "Ropes in Paradise", dez versões country de clássicos do género incluíndo uma dos próprios Little Wings ("I Was High")! Agora acrescentam-se mais meia dúzia de covers em oferta repetindo uma antiga sessão de 2015 que se mantêm disponível - desta vez os escolhidos foram Cindi Lauper, Don Henley, Natalie Merchant, Joey Scarbury e Jerry Garcia. Imperdível!

THE SHINS, UM ABRAÇO A RICHARD SWIFT!














O génio de Richard Swift espalhou-se por muitos projectos e bandas, nomeadamente os The Shins de James Mercer com quem tocou ao vivo na digressão do álbum "Port of Narrow" em 2012 e que na altura ouvimos até à exaustão. Numa homenagem ao amigo falecido o ano passado, a banda criou uma editora de vinil chamada Fug Yep Soundation com a intenção de publicar uma série de 7" exclusivos com as receitas a reverter directamente para a família Swift mas também para as organizações de solidariedade Music Support UK e Music Cares, cumprindo ainda o objectivo de sensibilizar o público para as questões perigosas da adição e dependência.

A segunda rodela da referida série está agora em pré-encomenda e diz respeito a duas novas canções dos próprios The Shins inspiradas pela amizade com Swift - uma, "Trapped by the Sea", melancólica e triste e a outra,"Waimanalo", nome também de uma praia havaiana, por contraste, plena de alegria e felicidade, talvez um espelho dos dois lados da transcendente personalidade de Swift.






UAUU #511

terça-feira, 12 de novembro de 2019

FAZ HOJE (14) ANOS #15











































DEVENDRA BANHART, Aula Magna da Universidade de Lisboa, 12 de Novembro de 2005
. Díário de Notícias, por Tiago Pereira, fotografia de Nuno Fox, 14 de Novembro de 2005, p. 35 
. Público, por Mário Lopes, 14 de Novembro de 2005, p. 40



3X20 NOVEMBRO
















segunda-feira, 11 de novembro de 2019

THE DIVINE COMEDY, Theatro Circo, Braga, 9 de Novembro de 2019

Uma conversa prévia com o amigo destas e doutras andanças antes da entrada na sala dourada do teatro versava sobre a necessidade de colocar um travão na ida a concertos. A estratégia passaria por escolher somente bandas e artistas que nunca vimos em palco para evitar repetições e, supostamente, gastos excessivos. A inconsequência deste palavreado servia como paliativo de uma "doença" sem tratamento e que tem nos The Divine Comedy um longínquo agente patogénico de imunidade adquirida de difícil combate e que, afinal, ganharia na próxima uma hora e meia ainda maior resistência. 

Passaram mais dois anos sobre a vinda de Neil Hannon ao mesmo local de infecção e com, na altura, um grande disco para apresentar. Em "Foreverland" voltava-se à grande composição clássica de um projecto sem discos menores mas o certo é que, desta vez, a atracção não se afigurava tão compulsiva - "Office Politics" é depois de ouvido um disco conceptual bem esgalhado mas algo desequilibrado que quatro ou cinco canções ajudam a disfarçar. O cenário era, por isso, de um preto branco a remeter para tempos antigos lá num escritório de relógio enorme na parede a jogar com os fatos dos funcionários-músicos à volta do chefe "preocupado" com o expediente... Mas no que toca a esse burburinho, só à quinta canção se começou a dar vazão ao acumulado quando o titular "Office Politics" seguido de "Norma and Norma" pareceram abrir em definitivo as instalações, já que antes houve bons sobressaltos, nomeadamente "Commuter Love" na sua enorme tensão e beleza que, salvo o erro, nunca tínhamos testado ao vivo!   

Segui-se, então, um verdadeiro corrupio de canções novas e velhas meticulosamente encaixadas de forma a rentabilizar o "trabalho" num total de vinte e três opções que incluiu o agora clássico "To The Rescue", "Lady of  Certain Age" ou "Absent Friends" mas com tempo para uma pausa festiva para agitar o prédio com a habitual trilogia "At The Indie Disco", "I Like" e "National Express" a que se acrescentou "Something For The Weekend" já com a plateia em polvorosa e a necessitar de distender a tensão. A jornada e, já agora, a época de concertos, parecia ter chegado ao fim com um calmante relaxante de nome "When The Working Day Is Done" mas o sublime "Our Mutual Friend" também não tinha ficado mal.

encore obrigatório haveria de trazer (mais) surpresas ao jeito de uma serenata acústica a antecipar as Janeiras para Novembro - juntos na frente de palco perante um só microfone numa disposição praticamente ensaiada momentos antes em "I'm a Stranger Here", o sexteto reduziu a pozinho mágico três hinos pop de imbatível qualidade, revisitando "Your Daddy's Car", "Songs of Love" e o incontornável "Tonight We Fly" de forma especialmente tocante a merecer ovação em pé, coro afinado e voo nocturno colectivo, mais um! Por isso, quanto ao tal travão no acesso a estas "viagens", o melhor é mesmo ir gastando as "milhas" enquanto é tempo...

domingo, 10 de novembro de 2019

WILLIAM TYLER, Auditório de Espinho, 8 de Novembro de 2019

Fotografia: Facebook do Auditório de Eepinho














Acoustic guitar music... a ementa do serão chuvoso tinha no conforto da sala espinhense a estreia de William Tyler em palcos nacionais, uma abençoada oportunidade que demorou tempo demais a concretizar-se. Depois de passagens pelos saudosos Silver Jews ou os Lambchop, a ainda aparente juventude do músico norte-americano esconde, contudo, uma carreira de quase uma década em nome próprio com quatro álbuns dedicados a explorar de forma inteligente a tal música acústica a partir de uma guitarra.

Desprezada por muitos, compensadora para muitos mais que acorreram com interesse e curiosidade a ouvi-la, a perfomance haveria de revelar-se de paisagem sonora delicada e sensível a uma América solitária e infindável onde o country e a folk trilham viagens e estradas que nos permitem ir imaginando e sonhando com cidades, montanhas ou rios ou meditando como podemos mudar de vida ou de sítio, riscos e decisões que o próprio Tyler assumiu quando escolheu Los Angeles para viver depois de anos em Nashville. O tal virar a oeste que dá nome ao último álbum é, assim, uma metáfora efectivamente inspiradora que não esconde, nem pode esconder, o travo à tal country music que aparenta ser de fácil percepção mas, como notado, de muito mais difícil e inconsequente explicação.

O importante é mesmo considerar que as texturas ou as velocidades dos trechos apresentados na penumbra do auditório funcionaram na perfeição na sua essência instrumental, um conjunto charmoso e apaziguador de que sabemos a geografia mas que acaba, maravilhosamente, sem pertencer a nenhum território a não ser a quem teve a felicidade de os conhecer e escutar. Enquanto houver destes pedacinhos de vida, esperança não vai nunca faltar!   
       

sábado, 9 de novembro de 2019

CASS McCOMBS, Auditório CCOP, Porto, 7 de Novembro de 2019

É quase um sacrilégio faltar a um concerto de Cass McCombs. A tradição remonta a 2012 na passagem pelo Sá da Bandeira mas desde aí as oportunidades foram-se repetindo por Famalicão, num regresso ao ar livre à Invicta ou por Ovar, sempre em espectáculos de competência segura, calculada efervescência e misterioso recato. Diríamos que, de todas as vezes, McCombs cumpriu os mínimos requisitados sendo curiosa a sensação que no soalheiro Parque da Cidade as canções escolhidas para a curta actuação obtiverem, então, um efeito mais categórico e libertador.   

No serão de quinta-feira, contudo, repetiu-se a percepção habitual - a qualidade dos temas e a entrega do quarteto não podem sofrer quaisquer reparos apesar do calor excessivo, do palco demasiado afundado ou de um som a roçar o sofrível atendendo às características do salão. O alinhamento percorreu essencialmente os mais recentes álbuns "Mangy Love" donde se ouviram "Bum, Bum, Bum" ou "Rancid Girl" mas faltou o "Opposite House" e o actual "Tip of the Sphere", pleno de escolhas múltiplas que recaíram em "Sleeping Volcanoes", "Rancid Girl" ou nesse extra maravilha chamado "Confidence Man". E o "County Line" perguntam vocês? Para o mal e para o bem, foi esquecido, melhor, nem sequer foi lembrado, reclamado ou sugerido e "substituído" por outras pérolas saborosas como "Real Life" ou "Tying Up Loose Ends", dois novos e brilhantes clássicos de cepa firmada ou não fosse o mentor um verdadeiro dominador da arte de fazer canções e prolongar o mistério...


quinta-feira, 7 de novembro de 2019

WEYES BLOOD, GNRation, Braga, 5 Novembro 2019













O acompanhamento apaixonado que aqui pela casa fomos fazendo da carreira da menina Natalie Mering aka Weyes Blood nos últimos anos teve na noite de terça-feira uma apoteose previsível mas, acima de tudo, enternecedora. Ao espaço esgotado e expectante perante a qualidade de um disco sublime como "Titanic Rising" respondeu a jovem artista e companhia com uma presença em palco segura e robusta onde o traje branco lhe fez realçar o longo cabelo e a beleza das feições.

Este perfil de tão elegante revela-se a figura perfeita para que um outro atributo, como sempre, se faça estremecer - a voz levitante que hipnotiza e sulca a fundo as canções, as palavras e as histórias sérias como na magnífica "Wild Time", no tributo ao amigo perdido em "Picture Me Better" ou no majestoso "A Lot's Gonna Change", uma elegia sobre ela própria ou cada um de nós com que se iniciou a aparição. Sempre a brilhar num sorridente e jovial trejeito de encantar com direito a passos de dança rodopiantes em "Movies" ou no cintilante e memorável momento retro de encaixe perfeito que chegou quando anunciou a versão arrebatadora dos Procol Harum já no final do encore.

Mas faltava a glorificação perante um sepulcral silencio da sala onde respirar nos custou saborosamente mais um pouquinho - agarrou na guitarra e, "como nos velhos tempos", prendeu-nos por feitiço ao chão com "In The Beginning" e "Bad Magic", pretty bad magic, pretty tragic... Desde logo, um concerto para recordar mas também para nos pôr a imaginar até onde chegará tamanho talento de aprimorado crescimento titânico!

terça-feira, 5 de novembro de 2019

MARK GUILIANA, Casa da Música, Porto, 4 de Novembro de 2019











O comando rítmico de um colectivo de jazz tem na bateria uma pedra de toque essencial. No caso de Mark Guiliana, jovem baterista americano conhecido por ter tocado em "Blackstar", o último álbum de estúdio de David Bowie (2016), a chefia pareceu não se ter notado muito na pequena mas repleta sala da Casa da Música. Esta subtileza que se escondeu entre teclados em desvario, vocalizações pré-gravadas e grooves sincopados de baixo eléctrico, corta com um passado clássico de um quarteto de jazz, formação que passou pelo SeixalJazz em 2018, para se lançar em rodagem livre de preconceitos e sem metais para uma fórmula inovadora -"Beat Music!" é o seu nome e título do disco gravado este ano como os músicos que acompanharam em palco, todos trajados a rigor e sem cerimónia, ou seja, de fato de treino amarelado e capuz.

Ao ouvi-los, não é difícil associar viagens doutros aventureiros como os Kraftwerk, Moroder ou até Thomas Dolby, em que o fanhoso e roufenho som dos teclados ou sintetizadores nos sugeriu desalinhamentos estranhos mas, por causa disso mesmo, vibrantes e particularmente saborosos quando roçaram o funk e o disco, tudo marcado quer pelo bater forte nos bombos quer pelo trinado das baquetas num pequeno prato, um virtuosismo variado que Guiliana não sabe humildemente enjeitar. Um concerto de aplauso colectivo mesmo para os mais desprevenidos e que se junta ao rol fantástico de aparições que começou este ano com Colin Stetson e já passou por Kamasi, Sons of Kemet, Nubya Garcia, Joe Armon Jones ou The Comet is Coming! Agora só falta Kamaal Williams... está para breve!           

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segunda-feira, 4 de novembro de 2019

LAURE BRIARD, DO MINHO AO ALGARVE!





















A jovem artista francesa Laure Briard, amante e praticante de uma fresquinha pop yé-yé besuntada de psicadelismo e bossa nova, tem uma verdadeira digressão nacional agendada para breve. São dez, dez, os concertos marcados para Monchique (31 Novembro), Albufeira, Lisboa, Leiria, Aveiro, Porto (Maus Hábitos, 5 de Dezembro), Vila Real, Braga, Ponte de Lima e Santo Tirso que servem para apresentar, em formato trio dito experimental, o já por aqui recomendado álbum deste ano "Un Peau Plus d'Amour S'il Vous Plait". É bem preciso...



sábado, 2 de novembro de 2019

WELL, IT'S BEEN A YEAR!

Aqui fica a primeira de muitas vezes que até ao Natal ouviremos o "Last Christmas" dos Wham! Por isso, nada melhor que pôr a Lucy Dacus a carregar no acelerador no âmbito do anunciado projecto de versões em formato EP a sair no final da próxima semana.