segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

MICAH P. HINSON, Plano B, Porto, 14 de Fevereiro de 2020

A noite de namorados, uma tradição tão antiga e vincada na nossa cultura como preparar um bom sushi para a ceia de Natal, sugeria ser um tiro no escuro para a estreia (?) de Micah P. Hinson na cidade. Atendendo à resposta compacta que se juntou na cave do bar portuense onde se notavam, mesmo assim, alguns pares de amorosos com bom gosto, afinal fazia falta este reencontro tardio com o já não miúdo mas com cara de miúdo que não se cansa de fazer excelentes discos e que já não víamos em palco há mais de uma dúzia de anos.

Dessa noite bracarense, onde acender um cigarro era e ainda é proibido, recordávamos o perfeccionismo e até algum nervosismo de um jovem Hinson já bom contador de piadas e histórias que agora soaram ainda mais corrosivas e desafiadoras entre contínuos e aflitivos cigarros esticados na ponta da longa cigarrilha de forma a contornarem o microfone e a não queimar os lábios. Arrasador, provocante, teve sempre resposta pronta do público mesmo que algumas das trocas de palavras tenham azedado um pouco ou não fosse o assunto um tal de Donald Trump...     

Fica-lhe a matar essa aura de looser de que se gosta sem enjeitar muita ternura pela subtileza das canções de um reportório já longo e vasto donde foi picando aleatoriamente exemplares únicos daquilo que o próprio chamou folk music mesmo que sejam, à sua maneira, inesperadas versões de "No Surprises" dos Radiohead ou, um pouco mais à frente, do hino tradicional "500 Miles". Da plateia soltaram-se alguns pedidos como "Close Your Eyes" prontamente atendido mas, mesmo sem que ninguém o tenha requisitado, lá apareceu subtilmente o incontornável "Beneth the Rose" para que não houvesse qualquer motivo para reclamações ou suspiros quanto a este inusitado e encapotado São Valentim que acelera pecados, dos bons, com uma simples e velha guitarra e até deita fumo!     

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

RYUICHI SAKAMOTO, PURIFICADOR AMBIENTAL!

A vida de Ryuchi Sakamoto pela cidade de Nova Iorque sugere, ainda e sempre, tempos inspiradores. Entre reparos e queixas quanto à música ambiente de alguns restaurantes e outros locais públicos e ajudas na homenagem a amigos músicos como Laurie Anderson que decorreu no princípio do mês no afamado Joe's Pub, o artista continua a não dispensar responder ao desafio para compor bandas sonoras para filmes, um hábito salutar de curriculum imparável.

No dia de amanhã, 15 de Fevereiro, surgirá mais uma dessas contemplações para a curta metragem "The Staggering Girl" a estrear na plataforma americana por cabo MUBI mas também disponível online. Em poucos de trinta minutos, Sakamoto serve-se, como sempre, do piano para se rodear de outros sons e subtilezas de onze curtos andamentos que ambientam de mistério um argumento onde se destacam os conhecidos actores Julianne Moore ou Kyle MacLachian e que tem realização do italiano Luca Guadagnino.

A edição do disco estará a cargo da Milan Records, casa que viu reconhecida a sua persistência e nobreza na última cerimónia dos Oscars com a aclamação da banda-sonora ao piano para o filme "Parasite" a cargo do coreano Bong Joon.






quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

MARY LATTIMORE, ENCANTADOR!

















A harpa encantada da americana Mary Lattimore está habituada a prestar bondosos e sedutores serviços sonoros a amigos como Steve Gunn, Kurt Vile ou Sharon Van Etten. A última das colaborações traduziu-se no álbum "Ghost Forests" em parceria com Meg Baird lançado em 2018 e que no Outono desse ano daria direito a uma digressão com Kurt Vile que o Porto teve a sorte de presenciar mesmo que a oportunidade tivesse merecido o incompreensível desprezo da maioria.

Não há notícias de qualquer trabalho inédito de longa duração mas há boas novas - em Janeiro a harpista viu editada a sua contribuição para a série de singles da plataforma Adult Swim através de uma linda peça chamada "Polly of the Circus" inspirada no documentário "Dawnson City: Frozen Time" do também amigo Alex Somers, o que nos faz pensar que outras composições e aventuras estarão já na forja enquanto uma digressão por perto se faz adivinhar... Há, pelo menos, um concerto a solo agendado para 22 de Maio no Radar Estudios de Vigo e, quem sabe, um regresso ao nosso jardim à beira mar por onde já se passeou sozinha em 2016 no extinto festival "Jardins Efémeros" de Viseu.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

REAL ESTATE, UM INVESTIMENTO SEGURO!





















Numa década atribulada quanto a entrada e saída de crises, os americanos Real Estate tiveram direito às suas mas sem nunca perderem o tino. Passado o incómodo assunto chamado Matt Mondanile, despedido da banda em 2017 por alegados maus tratos a mulheres, foi também nesse ano que a banda se aprimorou na concepção de "In Mind", disco de excepção no que ao pop melodioso de especialidade certificada diz respeito, um investimento que esta casa se habituou a manter quase desde a primeira hora a que se acrescentou um anterior e recomendável desvio a solo do vocalista Martin Courtney.

Parece que está chegar a hora de recolher os lucros do investimento. Sai no final do mês na casa de sempre, a Domino, um produto novo e, certamente, seguro de nome "The Main Thing" que, para além da semelhança no título com uma saudosa canção dos Roxy Music, tem em "Paper Cup" um primeiro cartão de visita de reconhecível efeito e adição com direito a video vistoso!

GIL SCOTT-HERON, OBRIGADO!



















Passam agora dez anos sobre a saída do álbum "I'm New Here" de Gil Scott-Heron, um então inesperado regresso aos discos pela inglesa XL Recordings celebrado com a aclamação da crítica e uma digressão mundial. Tivemos a felicidade de o ver, ouvir e sentir na sala pequena da Casa da Música em Maio de 2010, momento simplesmente épico a que se juntou um encontro imediato nos camarins do edifício que nos haveria de reduzir a pó abençoado perante a sua humildade, gentileza e gratidão e que ainda hoje não nos sai da memória!

Foi desse pedacinho de tempo feliz que nos lembramos ao assistir de nó na garganta ao documento "Who Is Gil Scott-Heron?" realizado em 2014 mas agora disponibilizado na sua totalidade no youtube no âmbito da comemoração referida. Para além da recomendável reedição e reinterpretação do disco que a mesma editora agora promove, sugerimos um magnífico livro compilador da obra do mestre saído em 2019 e não perderem mais tempo para perceber, em menos de uma hora, o que é isso de ser um génio. Obrigado por tudo, brother!

sábado, 8 de fevereiro de 2020

CHICO BERNARDES, Maus Hábitos, Porto, 6 de Fevereiro de 2020

Logo à primeira audição das canções do disco homónimo de Chico Bernardes há uma série de traços de intimidade que se notam entre uma toada que se afigura um pouco inquietante e algo repetitiva. A aparente falta de ousadia da composição é, contudo, tecnicamente irrepreensível num permeável jogo sonoro das cordas da viola clássica e a voz pausada e certeira para as palavras mesmo que ingénuas. Para um jovem de vinte anos a transposição destas boas fragilidades para uma sala de espectáculo pequena e informal não deve ser nada fácil. No caso da noite portuense, a esta dificuldade juntou-se uma seriedade intimadora na concentração do público sentado na frente da figura enorme e cabeluda de Bernardes na expectativa de um teste ao vivo inédito de que, sinceramente, não augurávamos um grande resultado. Errado!   

Sentado, tal como o irmão Tim, com o violão ao colo e uma postura calma e dissuasora de histerismos, o concerto revelou-se uma agradável sucessão contida de tristeza em forma de canções sem pressas sobre o amor e o seu contrário mas onde a sábia vibração das cordas das duas guitarras acústicas conseguiu surpreender pela consistência e excelente tecnicidade. No nosso caso, a sequência "Sem Palavras", "Me Encontar" e a inesperada versão de "True Love Will Find You in the End" de Daniel Johnston foi, a esse nível, sintomática do seu talento musical de inquestionável valor e de que se adivinha crescimento fértil proporcional ao tamanho da cabeleira. Grande Chicão!     

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

FAT WHITE FAMILY, Hard Club, Porto, 4 de Fevereiro de 2020

Na velha tradição inglesa, todas as oportunidades são boas para fazer a festa e reunir a família. Nos últimos anos a dos Fat White Family tem nitidamente crescido em número de adeptos e aficionados muito à custa de um terceto de álbuns irrequietos e de que "Serfs Up", saído há um atrás, é um culminar diverso e intenso de rock e portento. Um dos efeitos do notório redimensionamento da carreira foi chegar mais facilmente a novos públicos e, já agora, de os trazer até ao Porto num serão de terça-feira para uma casa não cheia mas bem preenchida por uma carrada de maduros conhecedores à espera de pôr a conversa em dia e, ainda e sempre, sedentos de animação.

E ela não demorou muito a aparecer tendo bastado para isso os dez primeiros minutos e os acordes iniciais de "I Am Mark E Smith", um hino poderoso de óbvio tributo aos The Fall, gurus artísticos de que o colectivo em palco descende milagrosamente mas a que acrescenta arrojo (não percam os videos das canções), matreirice ou excitação. Ao comando do clã e das comemorações esteve Lais Kaci Saoudi, um ser invertebrado pela bebida directa da garrafa de whiskey e disposto a fazer da reunião uma oportunidade para conquistar novos amigos não só pela hipertensão física enquanto agarra e grita para o microfone mas também pelo contacto directo e corpóreo em plena plateia para onde saltou amiúde, incitando empurrões e sururus moderados culminados aquando de "Bomb Disneyland" com que, aparentemente, dariam por finda a actuação.

Mas do público, ainda não satisfeito e que não lhes virou logo costas, surgiu uma insistência no regozijo que sabia não ter finado - "são muitos anos a virar frango" - plantando-se na frente do palco e insistindo nos assobios e gritos para um regresso não programado e, por isso, demorado. De volta e satisfeita, a família lá acertou na interpretação especial de "Tastes Good With the Money" para que a noite selasse, desde logo, um parentesco de estirpe comum - o gosto infindável e eterno pelo rock!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

THE RADIO DEPT, UMA BOA FREQUÊNCIA!















Como por magia e de vez em quando há uma frequência que emerge nas ondas do bom gosto e da nostalgia a partir de Lund na Suécia sob o nome de The Radio Dept. - a emissão envolve quase sempre canções de sedução herteziana a cargo da dupla fundadora como é agora o caso do inédito em estreia "The Absence of Birds". Há ainda uma versão do mesmo tema pelo misterioso projecto ambiental Civilistjävel! Prometida está para este ano uma nova leva de, pelo menos, uma dezena de outros temas e uma digressão já agendada pelos EUA a partir de Abril.

Aproveitando a onda, o memorável e saudoso álbum "Pet Grief" de 2006 será entretanto reeditado já em Março pela Just So!, uma casa própria e familiar que já aceita encomendas para a bonita versão de vinil azul onde repousa a maravilhosa "Always a Relief".



terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

PRIMAVERA SOUND PORTO: HOJE ANDA À RODA!
















Como é hábito, já registamos o boletim da sorte para o próximo alinhamento do Primavera Sound Porto de Junho a ser divulgado no dia de hoje. Conhecidos e, aparentemente, confirmados estão os nome dos Pavement e dos Chromatics. A nossa aposta para a edição deste ano é esta:
. 5 números;
Britanny Howard, King Krule, Lana del Rey, Kim Gordon, Yo la Tengo;
. 2 estrelas;
Sudan Archives, Joan Shelley.

ACTUALIZAÇÃO ÀS 12H05:
Aposta fraca!
Acertamos em 3 números (King Krule, Lana del Rey e Kim Gordon) e, damn, 0 estrelas!
Mas haverá Beck, Weyes Blood, Khruangbin, FKA Twigs, Black Midi e até Arnaldo Antunes... mas pouco mais.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

M. WARD, CIAJG, Guimarães, 1 de Fevereiro de 2020

fotografia do facebook do CIAJG















Sobre a passagem em estreia do calforniano M. Ward por Guimarães perante uma sala quase cheia ficamos com uma dupla sensação, ambas de insatisfação. A primeira é essa mesmo, o de ter sido uma simples passagem leve sobre o seu cancioneiro já longo e moderno onde o folk e o blues se confundem na essência das canções mas a que faltou intensidade, vontade e até concentração para que a vibração fizesse mais efeito e mossa. A segunda, talvez mais inesperada, a de algum amadorismo quer na pobreza do som das guitarras e da voz quer no jogo de luz em palco, um aparato a roçar o sofrível e que, atendendo ao modernismo do local, se afigurou incompreensível e até estranho.

Gostamos e apreciamos alguma descontração e relaxe nesta relação sempre surpreendente entre o artista e a plateia mas a desenvoltura apresentada talvez fosse a mais apropriada a um qualquer showcase de fim de tarde e não de alguém que, como frisado, viajou de tão longe para ali estar a fazer o que mais gosta perante, como também notado, uma maioria de velhos fieis conhecedores. Mesmo assim, não deixamos de registar um certo prazer nalgumas das escolhas de um alinhamento imprevisível e que foram o caso de "Rave On" e "I Get Ideas", duas versões alheias a que só faltou acrescentar uma qualquer de Nick Drake que Ward costuma, e bem, escolher.

Quanto à estreia de alguns dos novos temas do álbum a sair em Abril e que foram o motivo promocional da estadia, não deslumbramos ainda muita da previsível eficácia mas a sua óbvia falta de rodagem impediu uma absorção mais satisfatória. Talvez por isso, foram cruciais os pedidos vindos das cadeiras - "Helicopter", "Poison Cup" e "Shangri-La" - mas o magnífico "Shark" que ainda sugerimos bem alto quedou preterida por ser "to depressive"... Na boa, também nos lembramos de "Slow Driving Man" mas às tantas a justificação acabaria por ser a mesma, porquanto, valeu ouro o incontornável "Let's Dance", talvez o grande momento do serão e que, por si só e na sua beleza, pagou um ou outro qualquer desconforto e, já agora, o bondoso preço do bilhete.

UAUU #522

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

BONNY LIGHT HORSEMAN, BESTIAL!

















Um, Anais Mitchell.
Dois, Eric D. (Fruit Bats, The Shins).
Três, Josh Kaufman (Josh Ritter, The National).
Juntos na estreia para o grande público no Newport Folk Festival do ano passado, aproveitou-se uma versão do clássico folk inglês com o mesmo nome para o baptismo como Bonny Light Horseman, uma aventura nitidamente calculada e rodeada de pilares seguros e testados pela qualidade e curriculum dos artistas ou dos colaboradores mais próximos.

Para isso acontecer tivemos uma panóplia de músicos reunidos sob alçada da editora 37d03d fundada pelos irmãos Dressner (The National) e Justin Vernon (Bon Iver) numa comunhão em formato de residência artística que decorreu em Berlin no verão de 2018 e pela qual também circularam e ajudaram na festa a menina Lisa Hannigan, as The Staves e os próprios Vernon e os manos Dressner. As canções ficaram então praticamente prontas mas os toques finais haveriam de decorrer no Dreamland Studios de Woodstock (Nova Iorque) e onde se elegeram dez temas de puro folk intemporal, tradicional, bestial.

O álbum que saiu na referida editora na semana passada tem na capa uma magnífica fotografia a preto e branco que pertence ao portfolio de Annie Beedy e lá dentro uma rodela linda de vinil azul numa edição entretanto esgotada... (suspiro) com tamanha receita ficamos imediatamente a sonhar com uma milagrosa apresentação ao vivo e onde, já agora, se pudessem acompanhar por uns tais de The Delines. Tchhh





quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

FAROL #134











Não será esta a última nem a primeira oferta que, com toda a certeza, James Yuill decide partilhar com os interessados. De espírito lutador e determinado, às dificuldades em gerir a vida de músico e produtor o britânico acrescenta o hábito de disponibilizar arquivos emaranhados no esquecimento mas potencialmente interessantes - é o que acontece desta vez com "Unmixed/Unmixed", uma série de oito temas do próprio remisturados mas não finalizados em 2015 sob a influência massiva do alemão Manuel Tur e, por isso, a pensar na dança. House music, pois então, que também sabe bem... de vez em quando! Por aqui.

ISOBEL CAMPBELL, A ÚNICA!





















Dos fracos não reza a história... A então menina Isobel Campbell deixou para sempre os Belle & Sebastian em 1999 sob o disfarce tímido e acanhado de The Gentle Waves mas haveria de ser a colaboração e parceria com Mark Lanegan que haveria de fortalecer-lhe a carreira com três álbuns consistentes ao seu lado, um género de "the beauty & the best" sonoro de estranho mas fino recorte. O último datada de 2010 ("Hawk") foi mesmo o ponto final de uma ascensão merecida mas a separação artística só oficialmente terminaria sem desculpas em 2013.

Desde aí, pressentia-se uma série de cuidados e pousios em jeito de retiro prolongado a suspirar por libertação num continente americano para onde decidiu emigrar e tentar uma nova vida, uma mudança Glasgow to Los Angeles arriscada e algo problemática. Mas os sinais emitidos o ano passado apontavam para um regresso desejado que agora se concretiza no álbum "There Is No Other" pela velhinha casa Cooking Vinyl. Em nome próprio e em plena forma, são treze as canções do disco de aparente inspiração psicadélica olhando para o desenho da capa e testando a sonoridade da maior parte dos novos temas entre os quais está uma versão de "Runnin' Down a Dream", original de Tom Petty datado de finais dos anos 80 a que Campbell dá a volta de forma sedutora e, como sempre, única. There is no other...





quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

THE CHURCH, NOVAS MISSAS!





















Depois do adiamento dos muito aguardados concertos marcados para Setembro passado, ao que parece devido a uma lesão física do baterista, os australianos The Church programaram novas missas para Maio estando a cerimónia portuense marcada para o dia 19 de Maio no Hard Club. Vamos rezar para não haja azares...


AOIFE NESSA FRANCES, PRINCESA DO ANO?





















Pode ser uma das primeiras grandes surpresas de 2020 atendendo ao que já ouvimos, lemos e tornamos a ouvir de bom grado. A menina chama-se Aoife Nessa Fraces (pronuncia-se Ee-fa), é irlandesa, vive no norte de Dublin e conhece bem as penumbras, rochedos, ondas e marés de um oceano inspirador de canções e histórias sem fim. A atracção pela guitarra desde muito nova só teve algum freio aquando de um acidente na mão que a impediu de aprimorar o género preferido - o flamenco - mas que, no entanto, a fez desenvolver outras capacidades que partilhou jovem com alguns amigos na banda Princess.

É toda esse talento quase inocente que se pode ouvir no álbum de estreia a solo "Land of No Junction" lançado este mês pela Basin Rock, um assinalável conjunto vintage de temas cheios de mistério e beleza iluminados por uma pujante força no feminino sobre o amor ou a amizade, a alegria ou a tristeza ou... novamente o amor. Temos princesa!       







segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

ANNA CALVI, RENOVA-SE A CAÇADA!













A validade das canções do enorme álbum "Hunter" de Anna Calvi lançado em 2018 não perdeu qualquer pingo de vibração, sendo a sua versão ao vivo, como comprovado, uma experiência de intensidade e fruição salutares. No último ano, entre palcos, viagens e hotéis, a menina dedicou-se a revisitar algumas das primeiras gravações desses temas, uma aposta artística de intimidade assumida mas para a qual decidiu convidar uma série de amigos músicos para a ajudar na tarefa - surgirá, assim, em Março pela Domino Recordings um disco de sete stripped-down versions rebaptizadas de "Haunted" e onde colaboram de bom grado Charlotte Giansbourg, Julia Holter, Joe Tabot (Idles) e Courtney Barnett, uma parceria que se pode já ouvir em antecipação neste "Don't Beat The Girl Out Of My Boy". Que bela caçada!