terça-feira, 22 de janeiro de 2019

LEE FIELDS, ÉS GRANDE!





















São já mais de dez os discos gravados por Lee Fields mas nunca são demais. Só ao lado dos The Expressions a marca vai já em meia dúzia e aproxima-se um sétimo a sair na Big Crown Records em Abril com o título de "It Rains Love". Como se impõe, a receita vintage soul mantêm-se inalterável, uma tradição que o produtor e amigo Leon Michels ajuda a crescer e onde os impressionantes músicos da banda de suporte desempenham um papel fulcral. O tema título que se pode já ouvir e ver é um bom exemplo dessa façanha mas, caramba, notem bem a grandeza do baixo de Nick Movshon... tchhhh. Só falta mesmo o concerto por perto!

domingo, 20 de janeiro de 2019

DANIEL KNOX, Casa da Música, Porto, 19 de Janeiro de 2019

Fotografia e video do facebook da Casa da Música





















Dois anos depois, eis-nos de regresso à sala principal da principal casa de música ao vivo da cidade mas que tem tratado de forma displicente a dita música moderna nas vertentes pop-rock e independente. Adiante.

A oportunidade inusitada e comemorativa trouxe até lá o génio de Daniel Knox em tempos de novo e excelente álbum que motiva a digressão que começou precisamente no Porto, prometendo um concerto tão grande como o recinto, a plateia ou qualquer dos erros que pudesse vir a cometer... Um dos defeitos inexplicável estava já patente no cartaz promocional do evento que abdicou de lá colocar o seu nome ao lado de todos os outros que preencheriam a noite na Sala Suggia!

O já clássico "Ghostsong" (video abaixo) deu o tiro de partida propositado para se dar a conhecer a tanta gente que nunca o tinha ouvido, uma oportunidade de excelência quanto à divulgação do seu reconhecido talento. Pena que ao acesso gratuito e, obviamente, esgotado não tenha correspondido um obrigatório respeito pelo artista, com um quarto das cadeiras vazias enquanto as portas não paravam de se abrir para fazer entrar os atrasados ou fazer sair os muitos jovens impacientes sem tempo para contemplações ou pianistas barbudos que o toque para abanar o capacete há já muito que tinha trinado.

Permanecendo imune aos atropelos, Knox não se fez rogado e em rápidos quarenta e cinco minutos apresentou e surpreendeu muitos dos presente com meia dúzia dos seus fortes atributos em forma de canção, tantas quantas as pautas reduzidas a bolas de papel que arremessou para a chão no final de cada uma delas, uma imagem de marca que vêm de longe e que sugere como que um alívio dorido. Do maravilhoso "Blue Car" até ao novo "Capitol" tocado no final e pela primeira vez ao vivo sem a voz de Jarvis Coker, o pequeno recital soube a pouco, fazendo emergir a urgência de uma nova oportunidade em nome próprio que se adivinha para Fevereiro em Leiria e Lisboa mas que convinha alargar atá ao Porto, cidade mais que perfeita para fazer ecoar como deve ser as suas maravilhosas histórias (estamos curiosos em saber quem é uma tal "Anna14") e prolongar a sua imensa simpatia. 
   

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

KAMASI WASHINGTON NO MEZZO!

O sempre magnífico canal Mezzo iniciou este mês a transmissão de alguns concertos da última edição do Festival Sous Les Pommiers, evento com quase quarenta edições que decorre todas as Primaveras na cidade francesa de Coutances (Mancha/Baixa Normandia). Entre eles, conta-se um imperdível registo da passagem de Kamasi Washington que é novamente emitido amanhã, sábado, pelas 13h00 mas com inúmeras repetições agendadas ao longo dos próximos tempos. São quase duas horas de poderosa prestação que ajudam a antecipar os concertos previstos para Portugal em Maio (a propósito, a aquisição de entradas para o Hard Club afigura-se até hoje uma aventura burocrática sem resultados e, por isso, COMPRAMOS BILHETE a quem o tenha para vender!!) 


quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

UAUU #468

BROKEN SOCIAL SCENE IS PLAYING IN MY HOUSE!

O colectivo canadiano Broken Social Scene iniciado por Kevin Drew e Brendan Canning comemora este ano a bonita idade de vinte anos! O combo artístico de elevado calibre no que à construção de canções diz respeito tanto pode actuar com serviços mínimos de seis elementos como expandir-se rapidamente até à vintena, uma mutação facilitada pela amizade, conhecimento e entrosamento adquirido ao longo de inúmeras digressões, estadias, residências e estúdios que, mesmo assim, somente renderam meia dúzia de álbuns, o último "Hug of Thunder" saído em 2017.

Tivemos o privilégio de testemunhar tamanha azáfama e festarola na passagem por Coura em 2006, um concerto jovial e acelerado a que muitos não deram a atenção devida talvez porque o Senhor Morrissey tocava a seguir e onde acabou, como sempre, por borrar a pintura... É precisamente esse feeling good que ressalta da passagem recente da banda e amigos pela casa de um tal George Stroumboulopoulos, conhecido animador radiofónico da CBC2 canadiana que promove desde 2005 o programa "House of Strombo" onde a diversão é condição obrigatória.

Com a ajuda de velhos compinchas, a oportunidade serviu para desenferrujar dois originais potentes ("Cause=Time" e "Ibi Dreams of Pavement"), estrear duas novas canções ("Can't Find My Heart" e "1972"), fazer soar duas versões ("TBT" de Ariel Engle aka La Force cantada pela própria e "I'll Bring the Sun" de Jason Collet) e recriar ainda o maravilhoso "Lover's Spit" com a presença animada da amiga Leslie Feist. Pelo meio, descubram lá qual a canção de Bonnie Tyler (!) que se pode ouvir...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

MERCURY REV, ALIÁS HARMONY ROCKETS & Cª!





















A postura irrequieta da dupla Grasshopper e Donahue que se funde nos Mercury Rev ganhou no último ano contornos de agitação imparável. Para além da intensa digressão comemorativa dos vinte anos de "Deserter's Songs", da gravação de um álbum tributo a Bobbie Gentry anunciado para Fevereiro próximo, houve ainda tempo para recuperar uns tais Harmony Rockets, projecto paralelo que em 1995 escondia uma aventura psicadélica titulada de "Paralyzed Mind of the Archangel Void", disco de faixa única com quarenta e cinco minutos! A segunda investida teve edição em Setembro último pela Tompkins Square Records e contou com a colaboração, entre outros, de Steve Shelley, baterista dos Sonic Youth, de Nels Cline, guitarrista dos Wilco e do também guitarrista Peter Walker que nos anos sessenta gravou uma série de álbuns míticos de folk jazz em Woodstock. Walker foi igualmente resgatado por Jack White na já famosa série "Live At Third Man Records" mas o convite para se juntar aos Mercury Rev partiu de Josh Rosenthal, fundador da tal Tompkins Square, que ficou particularmente agradado com a triologia final de nome "Lachesis/Clotho/Atropos", uma mistura instrumental de hipnótico efeito que cresce e floresce a cada nova audição. Uma verdadeira trip... 


PRIMAVERA SOUND PORTO: ÀS 12 ANDA À RODA!





















Hoje, um tanto surpreendentemente e sem qualquer foguetório prévio, anda à roda o euromilhões dos concertos do Primavera Sound portuense de 2019. Para além dos nomes já destapados de Shellac, Jarvis Cocker e Rosalía que parecem já confirmados, a nossa aposta simples é esta:
5 números; 
Janelle Monáe, Mac DeMarco, Stereolab, Courtney Barnett e Tame Impala;
2 estrelas; 
Julia Holter, Dirty Projectors.

ACTUALIZAÇÃO ÀS 12H05: 
Aposta falhada!
Acertamos somente em duas estrelas (Courtney Barnett e Stereolab)...
Mas, para compensar as perdas, haverá Solange, Aldous Harding, Lucy Dacus, Big Thief e Jorge Ben Jor! 

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

YOU TELL ME COISAS BOAS!





















Na música inglesa que passa ao lado do mainstream habitual há exemplos talentosos que se podem contar pelos dedos e dos quais esperamos sempre surpresas. Ao lado de Laura Marling, os Field Music são um desses casos raros em que a inquietude artística dos manos Brewis nos atira sempre para inesperados desafios auditivos onde a argúcia e o secretismo andam de mãos dadas como convêm. O último recebeu simplesmente o nome de You Tell Me e reúne Peter Brewis a Sarah Hayes, a voz dos escoceses Admiral Fallow num álbum homónimo pleno de eloquência que tanto poderia ter sido gravado há cinquenta anos como daqui a vinte. Arranjos sublimes, melodias clássicas de desconcertante fineza num género de álbum a solo-em-duo que revela a veia melódica e experimental da parelha que se encontrou e definiu a colaboração urgente após um concerto de homenagem a Kate Bush, a madrinha involuntária da reunião. Partilhando vozes e líricas nas onze canções, a experiência permitiu a ambos sair da zona de conforto convencional enfrentando e discutindo influências - dos Blue Nile a Rufus Wainwright passando por Tortoise ou Randy Newman - com a certeza que o resultado só poderia redundar em tantas coisas boas...





sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

GARETH DICKSON, O REGRESSO ENCANTADO!












Serão sempre boas notícias quando Gareth Dickson se aproxima da nossa beira para nos encantar. Passaram dezoito meses sobre o último feitiço mas estão já marcados três novos deslumbramentos de regresso para Aveiro (Avenida Café Concerto, 3 de Abril), Porto (PlanoB, 4 de Abril) e Lisboa (Sabotage, 5 de Abril). Esperamos que, desta vez, o escocês não se esqueça de uns pozinhos drakeanos como só ele sabe espalhar... 

UAUU #467

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

3X20 JANEIRO












E.B. THE YOUNGER, QUE POLIDEZ!





















Aos texanos Midalke associamos de imediato um enorme bom gosto e a excelência das canções. Pena que não haja discos de inéditos desde 2013 o que tem levado os seus membros a desdobrar-se em colaborações e pousios de forma a permitir o fluxo contínuo da veia criativa. Um bom exemplo recai sobre Eric Pulido, guitarrista e vocalista principal da banda desde a saída de Tim Smith em 2012, que tem agora pronto um trabalho em nome de E.B. The Younger a publicar na Bella Union em Março. Trata-se, afinal, do resultado lógico de tantos pára-arranca dos Midlake materializados em onze canções de índole pessoal iniciadas em 2014, um período de incertezas e ténue rebeldia familiar e artística e onde o gosto pelo rock e a folk vintage se tornam evidentes em nomes com os Eagles, Cat Stevens, Johnny Mitchel e até o incontornável Harry Nilsson.

A anterior aventura em modo supergrupo como os BNQT, projecto roqueiro de 2017 ao lado de compinchas dos Franz Ferdinand, Travis, Band of Horses e Granddaddy que está já em pré-registo de novo trabalho, têm agora outro feeling onde o importante foi afirmar os seus gostos e escolhas com a ajuda, entre outros, dos companheiros da própria banda. A postura assumida acarreta óbvios riscos mas torna-se ao mesmo tempo inspiradora e reveladora de uma humilde que vai faltando, como confessado, na sociedade americana e que é razão principal para o título do álbum - "To Each His Own" - e da própria polidez e validade do projecto.     



quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

YOUNG GUN SILVER FOX, SEMPRE QUE BRILHA O SOL!

Num regresso a casa já longínquo picamos uma rádio portuense ainda suportável e alguém insistia no refrão "You Can Feel It", uma canção que não enganava ninguém quanto à onda que emitia a tresandar a Doobie Brothers, America, Eagles, Hall & Oates ou Fleetwood Mac. Ficamos, obviamente, intrigados e rendidos. Sem identificação quer no visor do rádio quer pela locutora de serviço, restou-nos uma procura anárquica online até que chegamos a um nome - Young Gun Silver Fox!

Apesar da sonoridade impagável com origem na California soalheira dos anos setenta, o duo Andy Plats e Shawn Lee tem base inglesa por onde se movimentam em estúdios e projectos musicais diversificados mas com estadias prolongadas na West Coast americana onde o mais velho, o Silver Fox, nasceu e que o levou a propor ao mais novo, o Young Gun, um disco inteiro de recreação de uma pop melodiosa descartável para muitos mas preciosa para muitos mais. Foi esse álbum de estreia de nome "West End Coast" que nos apressamos a descarregar e a encomendar todos os singles de vinil que pudemos arranjar!

Isto tudo para lembrar que o ano passado a banda apresentou-se ao vivo de forma consistente e lançou um segundo trabalho que obedece à mesma receita, à mesma onda - o álbum tem por título "AM Waves" - à mesma etiqueta - o tal Yatch rock - e que só agradecemos que não sofram nenhum desvio! À falta do calor, da piscina e dos daiquiris, vamos tendo dias de sol brilhante em catadupa que são perfeitos para fazer soar bem alto tamanha curtição!





terça-feira, 8 de janeiro de 2019

FOXWARREN, AINDA A TEMPO!





















Em 2016 o canadiano Andy Shauf lançou um disco de suavidade pop assinalável e de entrada obrigatória na nossa lista de preciosidades desses tempos. Chamava-se "The Party" e temas como "The Magician", "Eyes of Them All" ou o monumental "To You" eram a prova duradoira de uma leveza irresistível a estações do ano ou mudanças climáticas e para a qual há muito aguardávamos uma continuidade a preceito. O jovem músico chegou a passar por Coura no ano seguinte para sorte de poucos e mantivemos a atenção em novas canções que, afinal, nos escaparam por entre a imensidão de música editada em 2018...

Disfarçado atrás de uns tal Foxwarren, um colectivo de infância habituado ao ar puro das pradarias canadianas, o álbum homónimo é um projecto já com dez anos que envolve uma estadia na cidade de Regina e uma primeira sessão gravada na pequena quinta da família dos irmãos Kissick, baixista e baterista que disponibilizaram o local enquanto os pais, oriundos de Foxwarren, Manitoba, se encontravam de férias. Com o seu regresso, alugar uma casa foi a solução para tentar terminar as canções que a Anti-Records aceitou editar em final de Novembro passado. São óbvias as similaridades com o trabalho a solo de Shauf que, entretanto, se sobrepôs aos temas registados entre digressões mas o pousio decano acabou por se revelar surpreendente e especial. Um álbum para descobrir ainda em bom tempo!       



sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

JACCO GARDNER, NOVA VIAGEM!











E ao terceiro álbum Jacco Gardner decidiu mudar de nave espacial! Habituados, e bem, a uma pop psicadélica de estrelar efeito repetido ao vivo nos últimos seis anos por Barcelos, Guimarães, Porto, Açores ou Lisboa, o holandês voador decidiu fazer da capital portuguesa a base de criação e lançamento para novas aventuras. Assentou por lá a residência, construiu um estúdio repleto de maquinaria analógica vintage e estranha e pôs para trás das costas a voz e as letras para as canções de forma a que a profundeza do mergulho fosse notoriamente mais íntima.

O que vale agora é mesmo uma requintada e melodiosa versão instrumental onde os sintetizadores servem de combustão a "Somnium", disco lançado em Novembro na Full Time Hobby, a casa europeia onde moram inquilinos como Katie Von Schleicher, The Saxophones, Micah P. Hinson ou os Tunng. O fascínio pelo livro com o mesmo nome escrito por Kepler em 1608, tido como o primeiro alusivo à ficção científica, despertou uma série de experiências sónicas com tradições cósmicas nos Tangerine Dream, Brian Eno ou até Mike Oldfiled mas onde ecoam sonoridades de futurístico mistério e de que "Past Navigator" é um bom exemplo.

Decorreram já concertos de apresentação como os realizados em Dezembro no, claro, planetário de Amesterdão e onde se fez acompanhar de María Pandiello, a María P. dos Electric Rainbow, colectivo de aficionados do vinil esotérico. A nossa vez para a descoberta deverá chegar lá para Março onde há uma aproximação ibérica ao vivo já agendada...





quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

BOB DYLAN, FOI SÓ PEDIR!












Foram precisos doze dias para que a nossa reivindicação fizesse efeito! O mestre Bob Dylan tem concerto marcado para o Coliseu do Porto no próximo dia 1 de Maio, vinte anos depois da última passagem pela cidade precisamente no mesmo espaço... Bilhetes no sábado.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

sábado, 29 de dezembro de 2018

LEAH SENIOR, JOVIALIDADE ADULTA!


















A última década tem sido pródiga em excelentes surpresas vindas da Austrália, uma fonte imparável de boa música e grandes canções que se tornou quase um costume antigo. A menina Leah Senior é mais um destes casos com sede em Melbourne que não disfarça ao que vem e o que a inquieta - o folk tradicional e intemporal de guitarra em punho sem geração ou categoria e de que o disco "Pretty Faces" de 2017 é um exemplo perfeito que só agora descobrimos. A peça, produzida Joey Walker do colectivo amigo King Gizzard e com os quais Senior têm amiúde colaborado - é dela a voz endeusada que percorre o álbum "Murder of Universe" dos Gizzard editado no mesmo ano e com participação activa em videos e parcerias soalheiras e descontraídas - é um cintilante cartão de visita a que se junta já o novo tema "Graves", um bom pronúncio e mais musculado de um outro disco na forja. Há digressão atarefada pela Europa já no próximo mês com paragem em Vigo no dia 18 de Janeiro e seria de bom tom que alguém pudesse fazer rolar a pérola até à Invicta...