Muitos de nós esperam há anos a vinda de Tom Waits a Portugal. Não somos, no entanto, os únicos a desesperar. Na ilha de Maiorca há até um evento denominado “The Waiting For Waits Festival”, em que cada artista contratado tem que, obrigatoriemente, interpretar um original de Waits, já para não falar no tema tributo que músico de jazz Richie Cole decidiu gravar em 1979 com o nome de “Waiting for Waits” ou no adorável “Tom Waits” de António Pinho Vargas… Certamente cansados de esperar, os elementos do TUP-Teatro Universitário do Porto puseram mãos à obra e escreveram o argumento da próxima apresentação com base nas músicas, palavras e personagens do próprio artista: "Alimentados pelo génio inconfundível de Waits, vertemos as nossas próprias histórias na construção de um trabalho que, não sendo um tributo ao músico, é uma visão dos seus fantasmas, dos locais que habitam e das suas emoções.” A peça chama-se “ALAN” (Thomas Alan Waits é o nome de baptismo do génio) e pode ser vista a partir de 17 de Fevereiro na Fundação José Rodrigues, no Porto. Break a leg!
O genial caricaturista André Carrilho é o autor do desenho de capa da mais recente edição da revista inglesa “Word” com uma caricatura de Bob Dylan. A partir de uma sugestão do editor chefe da publicação, Mark Ellen, a proposta de Carrilho surpreendeu os responsáveis da revista que não tiveram dúvidas em apostar no desenho do português. Já em 2004, o autor tinha assinado uma outra caricatura de Dylan para a mesma publicação e que pode ser devidamente apreciado no seu site oficial. Em 2008, alguns originais estiveram patentes na excelente exposição "Frente e Verso" que decorreu na Galeria do Jornal de Notícias aqui no Porto.
Já agora, ao visitarem o site da “Word” aproveitem e ouçam o novo podcast com o coleccionador Phil Smee. Histórias à volta de vinis, discos raros, músicos e viagens, bem como uma surpreendente versão regaee do tema “Mayfair” de Nick Drake editado pela Trojan Records com a voz de Millie!
Depois dos concertos agendados para o Teatro Maria Matos em Lisboa, Owen Pallett (foto) ainda terá tempo para subir até ao Centro Cultural e de Congressos de Aveiro e realizar por ali o único concerto no Norte do país da actual digressão. Será no próximo dia 12 de Março, sexta-feira e espera-se com ansiedade um grande espectáculo de apresentação do magnífico "Heartland".
Outra importante novidade é o regresso de Lisa Germano que, segundo o blog Juramento Sem Bandeira, estará na Casa da Música no próximo dia 7 de Abril sem se conhecerem, no entanto, mais pormenores. Boa!
ACTUALIZAÇÃO: Lisa Germano fará a primeira parte do concerto de Phil Selway, baterista dos Radiohead que assim se estreia a solo. Pormenores por aqui.
O baixista dos GNR, Jorge Romão, decidiu ajudar a corporação de bombeiros de Vila Praia de Âncora, local onde habita, leiloando dois dos seus baixos exclusivos. Podem ler a notícia no JN de hoje e podem, acima de tudo, divulgar a iniciativa ou, quem sabe, licitar um dos instrumentos. Uma causa simples para tentar resolver problemas difíceis que, infelizmente, ainda subsistem em muitas localidades portuguesas.
Já passaram quase oito anos sobre a inocência que explodia em temas como “Fake Tales of San Francisco”, “Cigarette Smoke”, “Dancing Shoes”, “From Ritz to the Rubble” ou “Mardy Brun”. Por razões óbvias, nenhuma destas canções foi escolhida pelos Arctic Monkeys para o concerto de ontem no Porto, num alinhamento muito semelhante ao previamente anunciado e que se deve repetir hoje na capital. Os miúdos de então cresceram a todos os níveis, assentaram ideias, deitaram para trás das costas muita dessa verdura e algum cabelo e ao terceiro disco, avançaram, entre brumas negras, para algo mais estruturado e profundo. A primeira parte do espectáculo foi o espelho desta nova faceta, uma potente entrada envolta em luzes vermelhas, num ambiente anunciado pelo DVD “At the Apollo” (2009). Com “Brainstrom” o Coliseu deu um salto instantâneo, respondendo a um baixo que agora se faz notar de forma mais acentuada, marcando passo para o que se seguiria. A excelente versão de “Red Right Hand” do inspirador Nick Cave, uma escolha nada inocente, pôs travão na euforia e “My Propeller” e ”Crying Lightning” culminaram, da melhor maneira, a sequência mais bem conseguida da noite. Surgiu então, atirada da plateia, uma camisola do FCP com o nome da banda estampado nas costas, oferta que Alex Turner calmamente inspecionou e agradeceu, colocando-a em cima da bateria para gáudio da maioria do público. Apesar da goleada que se adivinhava no Dragão, a partir daqui o concerto perdeu, quanto a nós, alguma consistência. Doseando novos temas com alguns clássicos obrigatórios (“The View From The Afternoon” ou “I Bet You Look Good On The Dancefloor”), o equilibrio foi-se desfazendo e só o entusiasmo constante dum Coliseu frenético e jovial manteve a tarimba, de que é exemplo o delirante “When The Sun Goes Down” cantado a um só fôlego. Momentos depois, uma explosão de pequenos rectângulos dourados espalhar-se-ia no recinto durante “Secret Door”, sinal que a festa se aproximava do fim. No único encore, “Fluroscent Adolescent” ainda retomou a dança, mas as luzes do Coliseu, apesar da gritaria, rapidamente se acenderam. Um concerto robusto, duma banda que, passada a fase de crescimento, se encontra, a olhos vistos, a “botar corpo” musculado.
Na primeira parte tocaram, de forma competente, os Mistery Jets. Alguns fãs na plateia conseguiram entusiasmar o restante público e o concerto ganhou até momentos surpreendentes. Um powerpop de tradição inglesa, bem enraizado e trabalhado, a merecer mais atenção, de que é exemplo o single "Flakes" com que termiraram a curta, mas sóbria, aparição.
Em início de mês aqui ficam duas sugestões fresquinhas. A primeira diz respeito ao novo álbum dos suecos Sambassadeur, o terceiro desde 2003. Tem o nome de “European” e só pela capa já vale a pena o destaque. Chamam-lhe “Twee Pop” (?) e, na tradição nórdica da última década, confirmam-se grandes canções e brilhantes arranjos, como o prova o single “Days” já disponível no site oficial. Uma banda para (re) descobrir.
A segunda sugestão vem de Londres e recai sobre o muito aguardado disco dos Tunng, os tais que fizeram de “Pioneers” dos Bloc Party um bom-bom ainda mais apetecível. O quarto álbum “…And Then We Saw Land”, com outra lindíssima capa, sai dia 1 de Março e arrisca menos na electrónica, dando primazia ao folk-rock de tradição inglesa. Uma banda surpreendentemente atraente e que ao vivo, como testemunhado no Natal de 2007, não deixa ninguém indiferente. Já há borlas para os mais apressados.
O novo ano marca, sem dúvida, o regresso do Coliseu da cidade aos grandes concertos. Amanhã são os Arctic Monkeys, em Maio os Grizzly Bear e, sabe-se agora, os Sonic Youth em Abril (a 23, sexta-feira)! É a primeira vez que a mítica banda de Nova Iorque visita a Invicta e também a estreia, salvo erro, num espaço fechado (experiências ao ar livre no velho Campo Pequeno em 1993, no Sudoeste em 1998 e Paredes de Coura em 2007). Só faltam os Pixies…
Entretanto, inaugura depois da amanhã em Madrid a exposição SONIC YOUTH etc. : SENSATIONAL FIX, que apresenta em reprospectiva as multidisciplinares actividades da banda desde 1981 e a sua ligação a diversos e artistas da cidade como Dan Graham, Vito Acconci, Tony Oursler, Cindy Sherman, John Miller, Christian Marclay, Jutta Koether, Isa Genzken, Tony Conrad, Reena Spaulings, Maya Miller ou Rita Ackermann. Comissariada pelo holandês Roland Groenenboom em colaboração estreita com os próprios músicos, a mostra foi anteriormente apresentada na sala LiFE de St. Nazaire (França), no Museion de Bolzano (Itália), no Kunsthalle/KIT de Düsseldorf (Alemanha, ver video) e no Konsthall de Malmö (Suécia). Ficava mesmo bem no melhor museu do país, ou seja, em Serralves.
Quando lemos no Ipsilon/Público as histórias por detrás do disco de Owen Pallett (ex:Final Fantasy) e os elogios rasgados a “Heartland”, ficamos a pensar como seria possível ainda fazer melhor que nos dois trabalhos anteriores. Ontem, quando pela primeira vez o ouvimos de fio a pavio, não ficaram dúvidas quanto à sua grandiosidade e brilhantismo. Trata-se dum trabalho onde Pallett atinge o auge da composição e orquestração, talento que os Arcade Fire ou os Last Shadow Puppets, por exemplo, souberam capitalizar da melhor forma. Cada tema é uma história ficcionada à volta de um personagem chamado Lewis, envolto em orquestrações mirabolantes de teor clássico a fazer lembrar, para melhor, Simon Bookish ou até Neil Hammond/Divine Comedy. São doze canções que não podem ser ouvidas separadamente e que atingem a perfeição pop em “The Great Elsewhere”, precisamente a meio do disco. Uma imensidão emocional e sonora que ao vivo será, supostamente, impossível de alcançar, havendo por isso uma outra versão do disco preparada para as salas (ver video). Somos, no entanto, testemunhas das capacidades e habilidades de Pallett que, na companhia do multi-instrumentista Thomas Gil, se apresentará, para tirar todas as dúvidas, em dois concertos, já em Março, no Teatro Maria Matos de Lisboa. Se o ano passado, logo em Janeiro, estava encontrado um dos discos do ano (“Merriweather Post Pavilion” dos Animal Collective), em 2010 não será difícil perceber que, com este “Heartland”, a história se repete.
A semana passada demos conta que Joanna Newson editaria em breve o álbum “Have One On Me”. Sabemos agora que o disco é triplo, está cá fora em final de Fevereiro e que o novo material está já a ser devidamente apresentado na corrente digressão australiana onde surgem temas até agora inéditos como “Jack Rabitts”, “In Califórnia”, “Autmn” ou “Ribbon Bows”. Um desses concertos, realizado na majestosa Sydney Opera House, foi registado para a posteridade por um site auto-denominado Fan Made Recordings e servido, sem restrições, a todos os interessados…
Três anos depois do inesquecível “Andorra” e de passagens por Lisboa e Paredes de Coura (2008), o projecto Caribou do multi-facetado Daniel Snaith tem um novo disco agendado para 20 de Abril na editora Merge Records nos EUA e City Slang na Europa. O site oficial disponibiliza o inédito “Odessa” para descarga, cinco minutos bem ritmados que parecem caracterizar o álbum “Swim” e que o próprio descreve desta forma: “got excited by the idea of making dance music that’s liquid in the way it flows back and forth, the sounds slosh around in pitch, timbre, pan… Dance music that sounds like it’s made out of water…”. Para matar saudades, aqui fica o magnífico “She’s The One” cantado pelo amigo Jeremy Greenspan dos Junior Boys.
Ao fim de quatro longos anos de espera, eis um novo álbum para os suecos Radio Dept. Deste terceiro trabalho conhecíamos, desde o verão passado, um fantástico primeiro single intitulado “David” mas, entretanto, o longa-duração foi estranhamente adiado. Surge agora a confirmação que o disco está pronto e que em Março chegará às lojas via a editora Labrador Records com o nome de “Clinging To A Scheme”. O tema “This Time Around” foi já escolhido para segundo single, mas no site oficial da banda há uma outra canção nova –“ Heaven's On Fire” - para ouvir. Aproveitem e descarreguem gratuitamente, entre EP’s, bootlegs e covers (a de “Bachelor Kisses” dos eternos Go-Betweens, p.ex.), material mais antigo tal como o inesquecível “The Worst Taste in Music” em versão ao vivo.
O projecto é já muito antigo, mas só agora vê a luz do dia. A “Enciclopédia da Música em Portugal no século XX” foi apresentada recentemente no Teatro S. Carlos em Lisboa, resultado final dum trabalho de pesquisa com mais de dez anos. Sob a direcção da etnomusicóloga Salwa Castelo-Branco da Universidade Nova, recolheram-se bandas, etiquetas, instrumentos, estilos, intérpretes, músicos e compositores que vão da “da kizomba ao jazz, do fado à pop, do popular ao erudito“. Quatro volumes inéditos com mais de 1250 entradas que constituem, sem dúvida, uma iniciativa arrojada em tempos de consultas digitais, respostas instantâneas ou dúvidas rebuscadas.