sábado, 23 de janeiro de 2021

VAMOS LÁ, FIQUEM EM CASA PARTE II

Onze meses depois, o regresso penoso a um confinamento indesejável acrescenta medos e, infelizmente, multiplica receios. Valha-nos a boa disposição de Erland Oye e Cª. #stay Safe stay Strong!

LAURE BRIARD, TUDO NUMA BOA!





















Remonta a 2017 o encontro da francesa Laure Briard com os amigos Boogarins num estúdio de São Paulo, Brasil, uma parceria que floresceu no EP "Coração Louco" do ano seguinte que por aqui elogiamos e aplaudimos num esforço inteiramente cantado em português. A menina, contudo, voltaria à língua materna com o álbum "Un Peu Plus D'amour S'il Vous Plaît" motivo para uma alargada digressão nacional no final de 2019 a que alguns, poucos, compareceram. Em palco, essa marca tropical confirmou-se no entanto bem enraizada, assumindo sem medo a língua portuguesa mesmo que por vezes incompreensível mas notoriamente prazenteira. Há agora uma nova insistência...

A amizade referida com os Boogarins sugere ser a responsável por um outro EP de nome "Eu Voo", começado no registo há quatro anos mas que só recebeu os toques finais em Janeiro passado no Dissenso Studio pelo mesmo produtor Marius Duflot. O tema título tem já video oficial registado por terras espanholas e o disco de seis temas inteiramente em português estará disponível em Fevereiro pela Midnight Special Records, casa que editou em Junho último uma inesperada recreação de "Grandeza" da autoria de Sessa, outra amizade paulista, inicialmente pensada para uma adaptação em francês mas que se quedou na versão original de formosa onda pop. Tudo numa boa!



sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

MAX RICHTER DE SECRETÁRIA (CASA)!

MUNDO ESPERANÇA!

O mais tocante momento da tomada de posse do presidente Joe Biden está para sempre eleito - o poema "The Hill We Climb" da autoria e apresentação da jovem poetisa Amanda Gorman. Um dos que, como muitos, se emocionaram foi Rostam Batmanglij, teclista dos Vampire Weekend, que decidiu improvisar ao piano e em G Major um fundo musical para o poema, um esforço desnecessário que podem ouvir abaixo. Diríamos que os cinco minutos originais de transcendência e beleza bastam por si só para que a esperança, pouca, num mundo melhor se mantenha acesa...


quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

SUSPIRO #03

MATT BERNINGER 
Los Angeles, Long Distance Call, Arte Concert Festival, Novembro de 2020
 

BILL CALLAHAN, DOCES DA CASA!













O momento é, para além de saboroso e divertido, uma raridade - Bill Callahan em conversa (à distância?) com Stephan Kallao do programa World Cafe da WXPN, rádio pública da Universidade de Pensilvânia, Filadélfia e a partilha de três docinhos caseiros, a saber, "Let's Move to the Country", "35" e "Protest Song", todos do último "Gold Record". Para ouvir gostosamente em casa, como só pode e deve ser.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

ED HARCOURT, CELEBREMOS!






















Chama-se "Kakistocracy" o álbum comemorativo da partida de Trump, e o finar da sua caquistocracia, que o britânico Ed Harcourt decidiu oferecer para descarga gratuita durante vinte e quatro horas (já não fomos a tempo) e onde se revelam treze instrumentais criados, segundo o artista, aquando da tomada de posse há quatro anos. São de Harcourt a totalidade dos instrumentos com a excepção do violino de Gita Langley. Hip, hip...

UAUU #569

GO, JOE!

Em 1973 os The Honey Drippers lançaram a canção "Impeach the President" como forma de protesto no forçar da destituição do presidente Richard Nixon então envolvido no escândalo do "Watergate" que o obrigaria à renúncia e consequente demissão no ano seguinte. O tema, contudo, seria ao longo dos anos seguintes continuamente samplado por mais de 700 vezes muito à custa dos famosos breaks de bateria, mantendo a sua frescura e validade até sempre... 

No dia de hoje, em que nos despedimos de um político figurão que só esteve interessado em desunir pela mentira e prepotência gananciosa, nada como voltar a ouvir a canção na excelente versão lançada já em 2019 pela The Sure Fire Soul Ensemble com a ajuda de Kelly Finnigan na voz e do famoso Jake Najor na indispensável bateria. Para que o seu mau exemplo seja também uma lição de história que não se pode esquecer mas pela qual se pode prevenir na repetição, seria bom que a destituição acabasse mesmo por se concretizar como bandeira desfraldada de justiça e esperança. Go, Joe!


terça-feira, 19 de janeiro de 2021

DANIEL JOHNSTON, A EXPOSIÇÃO!






















A faceta de cartoonista ou outsider do desenho de Daniel Johnston terá a partir do final do mês uma homenagem em forma de exposição sob tutela dos Electric Lady Studios de Nova Iorque, entidade que organizou e supervisionou em Setembro passado um tributo ao saudoso músico falecido em 2019. Em "Daniel Johnston: Psychedelic Drawings" serão apresentados cerca de trinta originais feitos no habitual marcador que poderão ser apreciados presencialmente mediante marcação prévia ou online de 28 de Janeiro a 7 de Fevereiro como fazendo parte da edição deste ano da Outsider Art Fair da cidade. 

A mostra com curadoria de Gary Panter, ele próprio um desenhador e músico em part-time, reforça e engrandece certamente um mundo muito próprio cheio de heróis pop de eleição como o Capitão América ou personagens (Satanás, p.ex.) revertidos pelo espelho das suas próprias aspirações, medos ou resistências como as que teve de enfrentar ao longo da sua vida e que foram já publicadas em livro em 2009. 


HANDS HABITS, MÃOS NO LIXO!






















Uma nova canção e uma versão inédita de Meg Duffy aka Hand Habits serão incluídas num novo EP a sair em Fevereiro pela Saddle Creek e com direito a 7" de vinil - "dirt" contempla o tema "4th of july", uma cover de "I Believe in You" de Neil Young (uma tendência coincidente nos últimos meses com reprises a cargo de Helado Negro, Kurt Vile ou Moutain Man) e ainda uma remistura de "what's the use" pela jovem australiana Katie Dey que recentemente fez também uma remix para "Hours", tema do último EP de Tomberlin. 

Já agora, continuam gratuitamente disponíveis as três covers (Fleetwood Mac, Simon & Garfunkel e AABondy) realizadas por Duffy para a The Lagniappe Sessions do sítio do costume.... 

sábado, 16 de janeiro de 2021

SUSPIRO #02

LAURA VEIRS 
Discoteca Music Millenium, Portland, E.U.A., 2 de Novembro de 2020

BEAUTIFY JUNKYARDS, VIBRAÇÃO CÓSMICA!






















O colectivo lisboeta Beautify Junkyards publicou ontem o quarto álbum de originais, neste caso o segundo na casa inglesa Ghost Box depois de "Invisible World" de 2018. A receita espalha-se em curtas distâncias entre o habitual psicadelismo pastoral e a tropicalia onde colaboram Nina Miranda (Smoke City), Alison Bryce (Lake Ruth) ou o harpista Eduardo Raon e que resultam numa colorida panóplia de sonoridades e perspectivas agregadas na sua plenitude a uma "Cosmorama", título virtuoso e metafórico do novo disco. Um reforço notável de um mundo cativante e muito próprio de uma banda cósmica de que nos devemos orgulhar...  
  

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

THE WEATHER STATION, BENDITA IGNORÂNCIA!

O lamiré de Outubro passado antecipava a boa novidade - um disco de originais de The Weather Station a sair em Fevereiro a que se chamou ironicamente "Ignorence" e onde a menina Tamara Lindman se aproxima de uma plenitude artística assinalável. 

O desiderato, já registado em 2019, nota-se ao longe na qualidade e conceitos dos videos para as novas canções, nota-se nos arranjos da própria ou de Owen Pallett para o conjunto de cordas, na sua auto-produção ou na masterização a cargo do consagrado português João Carvalho no seu famoso estúdio canadiano. Ou seja, só bom tempo que não se pode, de maneira nenhuma, ignorar.  


quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

UAUU #567

SUSPIRO #01

Atendendo a que a data de regresso aos concertos internacionais não se afigura fácil de adivinhar, quanto mais de concretizar, a nova rúbrica pretende ser uma suspirada e paliativa selecção semanal de perfomances à distância a que infelizmente nos fomos habituando. Até quando? 

AOIFE NESSA FRANCES 
Set Theater, Kilkenny, Irlanda, 22 de Dezembro de 2020

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

CASSANDRA JENKINS, O REEQUILÍBRIO!






















Cassandra Jenkins, habitual colaboradora de Eleanor Friedberger, Craig Finn (Hold Steady) ou dos extintos Purple Mountains, tem agora pronto um segundo disco de originais que sairá em Fevereiro próximo pela Ba Da Bing Records de Brooklyn, uma casa nos E.U.A. onde se dão a conhecer outras vozes maravilha como Aoefi Nessa Frances, Tiny Ruins ou Katie Von Schleicher. 

A própria confessa alguma dureza no cimentar das novas canções depois de um período definido como difícil na procura de conforto entre o caos vivido no passado e alguma estabilidade emocional mais recente, um limbo que "An Overview on Phenomenal Nature", nome nada inocente do disco, tenta ultrapassar. Na capa brilha "Light, kite and string" (acima), uma criação original do artista norueguês Ole Brodersen pertencente à série "Trespassing" (2015-2016). Como atestado primeiro avanço desse aparente reequilíbrio aqui fica "Michelangelo".  

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

MOLLY BURCH GOES WILD... NOTHING!
















Colegas de editora, a nova-iorquina Captured Tracks, a menina Molly Burch e o menino Jack Tatum aka Wild Nothing gravaram pelo menos uma canção juntos numa sessão realizada em Fevereiro passado em Richmond, Virginia, cidade natal de Tatum. Ao ouvir "Emotion", assim se chama a inesperada novidade, percebe-se melhor do que se trata: uma canção cuja híbridez traz alguma anomalia no tempo que demora a entranhar-se.... 

BUCK MEEK, SEGUNDO A SOLO!

Aproxima-se um segundo álbum a solo de Buck Meek, guitarrista dos Big Thief e peça fundamental na sonoridade da banda. Com "Two Saviors" a sair dia 15 de Janeiro talvez se perceba em definitivo que à magistral composição de Adrianne Lenker se deva juntar a perseverança e robustez das canções de Meek, um mundo muito próprio que se transmite no primeiro avanço "Pareidolia" que, aliás, tocou a solo em estreia misteriosa aquando da passagem pelo Parque da Cidade em Junho de 2019. 

O novo trabalho foi produzido por Andrew Sarlo, totalista nessa função nos quatro discos de Big Thief, e resulta de oito dias contados de azáfama em Julho passado numa antiga casa junto ao Mississipi e sob uma condição funcional - não podiam ser ouvidos nenhuns takes das canções até ao último dia e onde, obrigatoriamente, se utilizaram equipamentos e adereços analógicos sem recurso a qualquer tipo de auscultadores! Da banda fez parte o irmão Dylan Meek no piano, Mat Davidson no baixo e pedal steel, Adam Brisbin na guitarra e Austin Vaugh na bateria. A fotografia da capa é da amiga Adrianne Lenker. A edição limitada de vinil azul está já fase de evaporação...


sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

CARLOS DO CARMO (1939-2021)















Em 2012 fomos com os amigos ouvi-lo e senti-lo em Famalicão, uma missão finalmente concretizada na confirmação de um artista que cá por casa sempre se ouviu com gosto no gira-discos da sala. Ficamos à conversa, boa, no camarim uns bons quinze minutos e ficamos conquistados para sempre. Um mestre da cortesia, da reinvenção artística onde cantou Sinatra e tantos outros, onde fez duetos e parcerias alargadas nos géneros e sinceras na partilha mas que no fado tem em "Um Homem na Cidade" uma das maiores obras da música portuguesa e da humanidade. Paz, mestre!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

BOM ANO DE 2021!

Happy New Year 
No more champagne 
And the fireworks are through... 

Happy New Year 
May we all have a vision now and then 
Of a world where every neighbour is a friend...

Os ABBA é que sabiam.
Um Feliz Novo Ano cheio de abraços, se possível daqueles mesmo apertados! 

THOMAS FEINER, FEZ-SE LUZ!






















O maravilhoso Thomas Feiner, mesmo atarefado no projecto Exit North, não deixa de ir largando pérolas em nome próprio que perfazem já um colar cintilante a merecer um compilação exclusiva e urgente. Desde uma corajosa reinterpretação de "Ave Maria" de Shubert, passando por colaborações com o trompetista italiano Giorgio Li Calzi ou a profética faixa "Guide For the Perplexed", o ano não finda sem mais um inédito - "Passing Candles", disponível desde a semana passada, começa como quase sempre ao piano até que a voz, que voz, nos inicia num caloroso aperto lírico de nítida alusão a estes tempos singulares. Passem a chama... e a esperança!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

SUMIE, UMA QUERIDA!






















Há na voz de Sumie Nagano um desarmante hipnotismo a que é difícil resistir. Bastam alguns segundos das canções para que, de imediato, ela se faça notar na sua fragilidade infantil quase sempre adornada por uma guitarra acústica e/ou um piano de tendência cinemática que teve já ajudas em disco de Nils Frahm ou Peter Broderick. A mania da composição começou há mais de dez anos no apartamento de Gotemburgo, cidade onde nasceu com sangue sueco e japonês e por onde, obrigatoriamente, se manteve neste ano de clausura mas sem cruzar os braços.

Assim, em Julho saiu "Upp Ur Mörkret", tema inédito cantado em sueco com direito a bonito desenho de capa (foto acima) pelo pai, Yuseke Nagano, e para o qual reuniu três amigos locais na bateria, baixo e piano. A canção, que numa tradução livre do título se aproxima de qualquer coisa como "fugir da escuridão", é um primeiro passo da sua editora "Furora" que mereceu, mesmo assim, a aprovação da oficial Bella Union para a qual se encontra já a preparar um terceiro álbum. Mas há mais. 

Com tempo para rever o passado na audição de velhas demos, Sumie escolheu agora "Dear" como revelação especial de um momento que irá sempre recordar e que decidiu partilhar, em boa hora, com todos nós. Tack/Arigatou!