domingo, 4 de agosto de 2019

6X20 AGOSTO


















Dose a dobrar para esticar (a)o sol... Boas férias!

THE KVB + THE PSYCHOTIC MONKS + TOY, Festival L' Agosto, Guimarães, 2 Agosto 2019

As centenárias festas gualterianas que transformam Guimarães num arraial permanente no primeiro fim de semana de Agosto têm no seu programa oficial desde 2017 um evento alternativo que concorre de forma salutar com o folclore, o fado ou os grupos de bombos. Ao percorrer as ruas iluminadas e apinhadas de gente até ao Museu Alberto Sampaio, as misturas de todas estes sons como que se esvaziaram ao entrar no histórico jardim, local onde o Festival L'Agosto assentou de forma perfeita entre muralhas o seu epicentro festivo de kitsch e altaneira lagosta insuflável!

Na segunda noite deste "marisco auditivo" com uma plateia bem composta, abriram as hostilidades os The KVB, duo britânico já com diversas passagens por perto mas a que nunca demos a devida atenção. Passaram-nos de raspão há alguns anos no Parque da Cidade e, por isso, a oportunidade afigurava-se ideal para um teste mais a sério que, sem louvor, acabou por ser positivo. Não que a receita se eleve a uma primazia destacada já que a mistura de electrónica com algum psicadelismo ou até shoegaze tem outros praticantes mais abonatórios, mas o concerto acabou por funcionar como um bom carburante inicial de octana darkwave sem que, para isso, fosse preciso carregar muito no acelerador...



De França e em boa hora chegaram os The Psychotic Monks. A fama das suas frenéticas actuações ao vivo sugeria que o espaço vimaranense tinha condições ideais para pôr rapidamente o caldeirão a ferver, uma entrega que logo vingou numa energia sem freio e a roçar o descontrole. Há por aqui muito de anarquia em forma de (não) canção onde não há refrões ou outras métricas de compêndio que são esmagadas pelo rolo compressor de um colectivo sem frontman ou outro protagonista mas em que o ruído é uma fórmula claustrofóbica de agitação e intensidade. Em palco, pareceu exagerado o caos de cabos, microfones e trocas de posição a lembrar a banda de Ty Segall ou os incontornáveis Bad Seeds, e que, na penumbra obrigatória, acabou por despertar uma brilhante perplexidade e uma experiência de nos fazer encostar à parede, melhor, à muralha!         



Finalmente, os Toy! Adiada, sem conta, a comparência a um concerto dos de Brighton desde o cancelamento da data no malogrado festival Indouro da Serra do Pilar em 2015, a noite confirmaria as nossas piores suspeitas - há uma banda com excelentes discos, mesmo que o último e anteontem quase esquecido "Happy in the Hollow" trilhe um novo caminho, grandes canções e bons músicos mas o modo apressado e de semblantes sério e fechado, sugeriu-nos um colectivo apressado em esgotar o tempo. Só mesmo o baixista "Panda" Barron foi disfarçando algum do marasmo mas a plateia, é certo, também não lhe concedeu muitas ovações ou vénias já que o espaço entre canções quase que não deixava ninguém respirar ou prolongar o gole na cerveja. Ou seja, a máquina estava ligada, tinha o temporizador on e mesmo com alguns desacertos instrumentais, havia que cumprir o programa definido sem desalinhos ou desvios. Cumpriram? Sim. Brilharam? Pouco.   

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

THE WEDDING PRESENT, NOVO SINGLE!

A partir de hoje há mais um single dos The Wedding Present para juntar à nossa colecção, mania antiga sempre compensadora. Trata-se de um goodie em vinil transparente com duas daquelas frenéticas canções a la David Gedge - "Jump In, The Water's Fine" e "Panama" que continuam a soar parecidas a muitas outras mas a que, vamos lá saber porquê, não conseguimos resistir. Há ainda versões limitadas em 10" e 12" para os mais aficionados.

Na capa está um desenho da Apollo 8 da responsabilidade de Darren Hayman, artista multifacetado conhecido pela sua banda Hefner mas que tem também dotes de pintor como se nota na recente exposição "12 Astronauts" dedicada à chegada à lua e que também inspirou um novo álbum a solo. O original em tela, um extra que não foi seleccionado para a mostra, foi já vendido online.

Os The Wedding Presente regressam ao Norte do país para um concerto em Vilar de Mouros no dia 22 de Agosto e, às tantas, não vamos resistir... 



CALEXICO AND IRON & WINE DE SECRETÁRIA

terça-feira, 30 de julho de 2019

JOSÉ AFONSO, UM TRISTE DESESPERO!

Ao ler o artigo da "Notícias Magazine" onde se dá conta do paradeiro incerto, para não dizer misterioso desaparecimento, das matrizes originais dos discos de José Afonso, agudiza-se não só um sentimento de tristeza mas de revolta contida mau grado todos os dignos esforços!

Caramba, se em vida os tormentos já foram muitos e inacreditáveis, basta ouvir o nosso Zeca neste premonitório "De Não Saber o Que Me Espera" para que a raiva aumente. Um desespero!

... mas não encontramos nada sol e água.


segunda-feira, 29 de julho de 2019

PERRY BLAKE, O REENCONTRO!















Treze anos à espera de um novo álbum de originais de Perry Blake parecia remeter o irlandês para o esquecimento mas eis que este mês surgiu, do nada, a edição de "Songs of Praise" pela Mouchin About / Pias. Trata-se de um regresso esforçado à composição de onze canções e uma versão registadas pelo próprio nos últimos dois anos aos solavancos, avanços e recuos, perfeccionismo que teve exageros (o tema "Miracle" foi gravado 78 vezes!) e, certamente, boas recompensas.

A receita, trabalhada de forma solitária na intimidade do seu estúdio de Dublin, emulsiona dois dos principais condimentos da sua música e que o notabilizaram logo ao primeiro álbum homónimo de 1998 - um certo e envolvente romantismo e uma paixão pela electrónica que reflecte, por exemplo, as colaborações com o projecto Electric Sensitive Behaviour de 2015 ou com Steve Jansen, o ex-Japan e actual Exit North a quem ajudou no disco a solo "Tender Extinction" no ano a seguir.

Para confirmar este reencontro com a boa forma, ouçam-se os notáveis "So Many Things", uma versão de um dos dois temas que escreveu para Françoise Hardy incluir no seu aplaudido disco "Tant de Belles Choses" (2004) e "Charlie Chaplin" com que se encerra o álbum de forma sublime.
 

ANGEL OLSEN, NOVA VELHA CANÇÃO!

O misterioso teaser de Angel Olsen lançado há dias pela rede tem mais vinte quatro horas de validade. Tudo indica que "All Mirrors" é o nome da canção a destapar amanhã com imagens a cargo de Ashlley Connor, realizadora de videos para outros temas da artista como "Hi Five" e "Tiniest Seed", mas a sua estreia efectiva decorreu já na digressão a solo do ano passado.

Lembramos bem a enérgica recomendação para o não registo desses inéditos apresentados nessa altura em Guimarães e onde se incluiu este tal "All Mirrors". Houve, aparentemente, alguém que não respeitou a proibição na soirée da Union Chappel londrina... Marcada está uma digressão de final do ano com pelos E.U.A. com as primeiras partes a cargo de Vagabon de Laetitia Tamko mas lá para Fevereiro adivinha-se a chegada à Europa.

Para descontrair, deixamos o tema escrito pela menina ao lado de Mark Ronson incluído no mais recente álbum do inglês "Late Night Feelings" a fazer lembrar um eterno quarteto pop sueco!





sexta-feira, 26 de julho de 2019

NO PAÍS DA MARAVILHOSA ALICE!

Ao longo dos últimos meses fomos dando alguns uauu's merecidos a canções do magnífico "Paper Castles", álbum auto-editado pela jovem sul-africana Alice Phoebe Lou em Março. Contrariando uma sensação obtida na apresentação do Festival Para Gente Sentada de Novembro último (a propósito, estranhamente ainda não há nomes anunciados para a edição deste ano... será que vamos ter festival?) que remetia para segundo plano os discos em detrimento dos concertos, a qualidade evidenciada pelo novo conjunto de originais é de uma surpreendente beleza e viciação.

A confirmação pode agora ser testada através de um registo videográfico promovido pelo canal londrino Mahogany Sessions onde são apresentadas quatro dessas maravilhas entre testemunhos na primeira pessoa, uma sofisticação titulada de "A Place Of My Own" com direito a edição virtual em forma de EP. A menina Alice toca a 14 de Agosto em Paredes de Coura


IRON & WINE NA SALA AZUL!

















Passaram quase dois anos desde que Sam Beam aka Iron & Wine se apresentou na Blue Room da Third Man Records em Nashville para, sem filtros ou retoques, fazer o habitual registo de temas directamente para vinil. Em jeito de retrospectiva, foram escolhidas dez de um reportório já longo e que, no caso, contemplou canções desde 2002 ("Southern Himn") até 2017 ("Song Stone"). Com a ajuda minimal da sua banda, o momento funciona quase como um seleccionado catálogo sonoro de  refinação apurada culminado com o acurado "Naked as We Came"... eyes wide open!

quarta-feira, 24 de julho de 2019

WHITNEY, REGRESSO AO PONTO DE PARTIDA?
















Passaram três anos sobre a estreia dos Whitney com o álbum "Light Upon The Lake" no qual repousava eternamente o tema "No Woman", canção que virou clássico indie na estranha voz do jovem Julien Ehrlich, um timbre que ainda agora espanta desprevenidos mas acaba por cativar muitos outros.

Entre algumas dúvidas sobre o caminho a seguir, a dupla Kakacek e Ehrlich viu-se nessa altura embrenhada em intensas digressões que aportaram a Lisboa no Outono de 2017 para um concerto no Mexefest e uma abençoada semana de descanso, inspiração e, no fundo, trabalho. A cidade haveria de causar mossa e dependência imediata, um amor que o próprio Ehrlich não disfarçou no ano seguinte em pleno Primavera Sound ao, corajosamente, assumir a preferência pela capital perante a imensa plateia portuense. O rápido perdão tem agora remissão total.

É que o segundo esforço, o tal de base alfacinha, está quase aí, chama-se "Forever Turrned Around" e acabou registado no mesmo estúdio de Chicago onde a banda fez o primeiro disco, familiaridade e conforto de importância vital para uma eventual repetição do sucesso. A amizade, a moralidade e o romance são temáticas que as dez novas canções abraçam naturalmente mas é o amor, sempre o amor, que transborda para já em dois pedaços de irresistível sedução. Há digressão pela Europa já em Novembro próximo e será quase obrigatório o regresso ao ponto de partida...




terça-feira, 23 de julho de 2019

ERA UMA MANTA PARA HOLLY MIRANDA, PF!















A sempre apetecível edição do festival Manta no relvado do Centro Cultural Vila Flor em Guimarães já tem datas e cartaz: Bruno Pernadas será o destaque de sexta-feira, dia 6 de Setembro e a menina Holly Miranda fará o obséquio a solo no Sábado, dia 7. Em Novembro passado na Invicta foi assim...

YAMANDU COSTA & ORQUESTRA CLÁSSICA DE ESPINHO, Espinho, 20 de Julho de 2019

Foram precisas quarenta e cinco edições para a nossa estreia no conceituado festival de música clássica espinhense... em boa hora, nossa!

Habituado a experiências semelhantes em solo europeu que implicam ensaios prévios em regime acelerado, o descontraído "violonista" brasileiro Yamandu Costa teve na jovem orquestra um suporte imaculado. O propósito de evidenciar a guitarra do virtuoso pelos arranjos simples cedo prendeu a atenção de uma plateia generosa que, mesmo atravessada pela brisa fria do espaço público, não deixou de ovacionar a sucessão de partituras sinfónicas.

Jogou-se num tabuleiro cruzado de influências sul-americanas em diversos andamentos e variações de estilos e sempre que, a solo, Yamandu nos prendeu pela inata capacidade de desdobramento e virtude técnica na interpretação dos seus originais, respondeu a orquestra com uma clara e harmoniosa capacidade técnica onde as cordas dos violinos e violoncelos ganharam uma dimensão onírica expressiva e facilitadora da partilha e do consequente sucesso. Nossa!

segunda-feira, 22 de julho de 2019

FAZ HOJE (13) ANOS #09






















SHE WANTS REVENGE + THE STROKES..., Festival Lisboa Soundz, Terrapleno de Santos, Lisboa, 22 de Julho de 2006
. Diário de Notícias, por Nuno Galopim e Davide Pinheiro, fotografia de Gonçalo Santos, 24 de Julho de 2006, p. 32
. Público, por Mário Lopes, fotografia de Luís Ramos, 24 de Julho 2006, p. 24





sábado, 20 de julho de 2019

sexta-feira, 19 de julho de 2019

TUXEDO, TERCEIRO ANDAMENTO!

Agora que as janelas do carro, de casa ou até do escritório são para estar abertas de par em par - ok, tirando os safados dias de nortada - a banda sonora tem que ser apropriadamente descontraída mas sem resvalar... A terceira investida da parceria de Mayer Hawthorne com o produtor Jake One aka Tuxedo chega em boa hora para dar andamento e ritmo de sobra a qualquer tabuado ao ar livre numa receita escavadora de funk tardio dos setenta que de tão bem feita se torna impressiva e irresistivelmente groovy!     



UAUU #497

quinta-feira, 18 de julho de 2019

SAM EVIAN, ÁGUA REFRESCANTE!
















A colecção de canções do verão passado chamada "You Forever" a cargo de Sam Evian não têm passado de moda ou sequer murchado. Ao disco, sem prazo de validade, bastou ir refrescando as audições e para se manter vital e viçoso e de que sugerimos dois frutos maduros - "Next To You" com a ajuda de Kazu Makino (Blonde Redhead) e "Kathie's Rhodes", um aditivo nocturno que ajuda, ou não, a dormir... depende da companhia.

O jovem músico tem ao longo do corrente ano mantido uma actividade contínua, ora em digressões ao lado de Cass McCombs ora escrevendo novos temas ou versões. Em Março, a Saddle Creek publicou um sete polegadas de vinil com duas canções inéditas para acrescentar ao rol de maravilhas - "Cherry Tree" e "Roses" confirmam dotes encantatórios - e surge agora uma surpreendente versão para "Right Down the Line", uma canção de Gerry Rafferty que abalou o verão de 1978 e que nos últimos tempos tem atraído inúmeras vénias - de Ron Sexsmith a Vampire Weekend, passando pela princesa Aldous Harding como ouvimos no Parque da Cidade, não há quem resista... 






SHANNON LAY, MUITO AGOSTO!





















O mês de Agosto de 2017 foi para Shannon Lay o momento de assumir a música como forma de vida, arriscando o despedimento do emprego diário de maneira a concentrar a atenção na composição e registo das suas canções. Aperfeiçoando o estilo, seleccionando as partilhas e experiências com os amigos de ofício, o risco valeu o magnífico álbum "Living Water", um cartão de visita seguro e distinto com que se apresentou a solo em muitos palcos americanos e europeus como ficou provado na passagem pelos Maus Hábitos no inverno do ano passado ao lado da violinista Laena Geronimo.

Chegou, entretanto, a altura de continuar a insistir no talento. Ao longo da referida digressão Lay teve o tempo e a argúcia para compor novos temas que se agrupam no terceiro álbum de originais a sair em Agosto e que se chama... "August", uma homenagem propositada ao tal mês da libertação. O disco conta com a ajuda do amigo Ty Segall na cedência e manobra do seu estúdio pessoal e também de Mikal Cronin que, a propósito, tem um papel efectivo de saxofonista no tema e no novo video para "Death Up Close". Tudo muito a gosto!

Dica: não deixem de ouvir a versão surpresa que e menina fez de um tema de Karen Dalton para comemorar a sua entrada na editora Sub-Pop. Está aqui.




quarta-feira, 17 de julho de 2019

GRANDADDY, ÚLTIMOS MOMENTOS!

Temos pelos Grandaddy de Jason Little um profundo respeito e admiração, confiança com mais de vinte anos alicerçada em meia dúzia de álbuns de eleição. A sua anunciada vinda ao Primavera Sound portuense de 2017 parecia ser a oportunidade perfeita para, finalmente, beber dessa consistência até aí inédita em palcos portugueses (?) mas a morte inesperada, um mês antes, de Kevin Garcia, baixista e fundador da banda, motivou imediato cancelamento da digressão e da actividade.

Na altura, a substituição alinhada recaiu nos Arab Strap, uma acertada escolha que resultou num grande momento no Parque da Cidade, mas a pairar ficou, talvez para sempre, a inconsolável pena de não ver a banda em cima de um palco. Surge agora a oportunidade compensadora de perceber a qualidade e excelência do que acabamos por perder com a emissão pelo canal Arte de um espectáculo dos Grandaddy na Gaitê Lyrique de Paris em Abril de 2017, um dos últimos concertos com a presença de Garcia e que, talvez, por isso mesmo, só agora acabou em boa hora novamente disponibilizado. São sessenta minutos de canções que incidiram no álbum desse ano "Last Place" mas onde há lugar a outras memórias como "A.M. 180", " Summer Kids Here" ou o clássico "Now It's On". Até dia 21, continua ON... Não percam!

JOAN SHELLEY, CONFORTO NO DESCONHECIDO!





















A inquietude da belíssima Joan Shelley é, nos tempos que correm, uma dádiva impagável... Confessada a admiração pelo disco sueco de Lee Hazlewood ("Cowboy in Sweden", 1970), pelos mistérios do mar Atlântico ou até pela vontade de experimentar novas receitas etílicas (!), um anúncio de voos baratos para o Islândia conduziu-a, a medo, a esse país desconhecido de paisagens estranhas mas magníficas para registar um álbum de inéditos longe do conforto do lar.

Ao longo de cinco dias num estúdio de Reiquiavique reuniram-se esforços das habituais parceiras Maiden Radio, de Bonnie "Prince" Billy, do guitarrista Nathan Salsburg, das cordas das manas Jónsdóttir e do produtor James Elkington, que brotaram em doze canções de semente diversa, do conterrâneo country do Kentucky, passando pelo tradicional folk irlandês ou até a música africana.

O resultado, titulado de "Like the River Loves the Sea" a partir de um tema do mestre Si Kahn e que foi posteriormente retocado pro Daniel Martin Moore e Kavin Ratterman, pretende lembrar-nos que todos precisamos de um lugar de conforto e reflexão, seja ele físico ou não, estímulo que com esta banda sonora é obrigatoriamente mais compensador. Atendendo ao efeito da paisagem desenhada na capa, esperamos, em paz e em suspenso, uma visita tridimensional... sem muitas demoras!



terça-feira, 16 de julho de 2019

WILCO, HINOS DE ALEGRIA!

Em tempos de incerteza, cansaço e até resignação, os Wilco apostam em onze canções novas para um álbum, o décimo primeiro, chamado "Ode to Joy" a sair em Outubro em casa própria, a dBpm Records. Haverá, como sempre, digressão intensa pelos E.U.A. e Europa para promover a alegria e, já agora, a liberdade de a conseguir. Aqui fica o subliminar "Love is Everywhere (Beware)" para que comece a demanda...

FIONN REGAN, ALVÍSSARAS!





















Bastam uns poucos acordes do nova canção de Fionn Regan para fazer crescer água na boca e nos pôr a sonhar. Chama-se "Collar of Fur", tem aquele timbre acústico maravilhoso que parece ser timbre, lá está, do novo álbum "Cala" a sair no início de Agosto e que foi inteiramente registado na sua casa litoral perto de Dublin. Há, pois, muito cherinho a maresia salgada e refinada saudade... Alvíssaras!

ELZA SOARES + FERRO GAITA, FESTA, Parque Urbano de Ovar, 13 de Julho de 2019

A insistência de Elza Soares nas temáticas sócio-políticas que envolvem o racismo, o preconceito de género e, principalmente, a condição da mulher, ganha nos dias de hoje uma urgência fulcral. A realidade brasileira obriga a uma contundência ainda mais efectiva que o disco do ano passado "Deus é Mulher" tem escancarado de forma corajosa e cuja partilha ao vivo é essencial para se estranhar.

Assim, a resposta da comunidade brasileira à sua presença em Ovar foi visivelmente sentida e notada, com coros colectivos e saudações estridentes principalmente em "Banho", primeiro single do referido álbum que começou e terminou o espectáculo de forma amotinada e a que a restante plateia se viu obrigada a acompanhar espontaneamente. Agora, a ousadia não se resume a único género e percebeu-se que ao samba se juntam outros polvilhados de rock, electrónica e até frevo que um notável conjunto de músicos e cantores eleva, de fio a pavio, a uma fasquia libertadora.

Pede-se, então, que os muitos gritos pedidos e atendidos sirvam de homenagem festiva a todos que sofrem na pele as injustiças e afrontas de um mundo às avessas mas também de esperança em dias melhores que o endireitem à força de uma convicção inabalável - Eu quero é cantar eu vou cantar até ao fim...



A combinação dos dois instrumentos que dão nome à banda cabo-verdiana é enganadora. Ferro Gaita são, afinal, um pedaço de metal tocado com uma faca e um pequeno acordeão que há muito são usados tradicionalmente no arquipélago africano para tocar funaná, um género festivo proibido durante o período colonial e que se distancia da coladeira ou morna pelo seu irresistível balanço contínuo.

Equipado a rigor, o colectivo rapidamente atingiu esse desígnio, estendendo a dança e a festa pelo relvado do parque onde uma plateia de várias gerações se mostrou em plena forma e estilo na resposta, sem contemplação, a tamanha agitação. Percebeu-se que os mais de vinte anos do conjunto permitem uma facilidade no entrosamento instrumental que induz, por onde passa, alegria e boa-disposição em doses generosas e que uma boa maioria não queria que terminassem. Um regresso a Ovar de sucesso previsível mas de merecido e repetido forte aplauso.