sexta-feira, 19 de junho de 2020
PARABÉNS, NICK!
Passam hoje 72 anos sobre o nascimento de um génio.
A família de sangue alargou-se a milhões que, sem o conhecer em vida, têm na sua música uma amizade para a vida. Amigo Nick Drake, obrigado e parabéns!
Hope so much your race will be all run...
MANOS FRIEDBERGER, O REENCONTRO!
Os manos Matt e Eleanor Friedberger formaram os Fiery Furnaces em Nova Iorque no longínquo ano de 2001 para posterior aclamação geral vertida em oito álbuns de originais e concertos intensos que duraram até ao Primavera Sound de Barcelona de 2010, o último palco pisado pela banda. Depois, vieram as carreiras a solo, a da mais nova Eleanor a valer outros oito discos valentes, visitas ao vivo a Portugal em modo continuado e a eterna e persistente pergunta "E então, o que é feito dos Fiery Furnaces?"
A resposta parece ter chegado não em forma de reunião, já que o projecto nunca teve data de término definida, mas como um reencontro que na vertente pública tinha programada uma aparição entretanto cancelada no Pitchfork Music Festival de Chicago em Julho próximo, cidade natal que serviria de porto de partida para uma suposta e mais alargada digressão que está, como todas, em suspenso e talvez a aguardar o próximo ano para uma comemoração dos vinte anos de carreira. Na vertente privada, o duo gravou duas novas canções em Fevereiro a norte de, coincidência, Nova Iorque destinadas a um single de sete polegadas na casa de Jack White, a Third Man Records, destinado ao Record Store Day mas a editora decidiu não esperar mais tempo para o colocar à venda - "Down at the So and So on Somewhere" e "Fortune Teller's Revenge" são, talvez, a antecipação de algo maior e intenso. Bem-vindos, brothers!
quinta-feira, 18 de junho de 2020
AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #28
Há quase vinte anos que o programa televisivo "Other Voices" da RTE, televisão pública da Irlanda, aposta na primazia da voz e da música em palcos inusitados de Dublin, Belfast, Londres ou até Berlin. Durante a período mais sério da pandemia, a emissão não estancou e ganhou o título de #Courage, uma série de perfomances com o apoio directo do departamento de Cultura e Património do governo do país.
Merece destaque a presença de Lisa Hannigan na National Gallery da capital irlandesa em Maio passado para um concerto transmitido em directo em várias plataformas e de que restaram estes dois pedacinhos vibrantes que deixamos abaixo. A artista apelou, na oportunidade, à solidariedade com a organização Women's Aid que trabalha no apoio a vítimas de violência doméstica.
Não resistimos a deixar por aqui um outro pedacinho mágico e parcialmente em português aquando da passagem saudosa da artista por Fafe em Maio de 2018. É pau, é pedra...
# AJUDAR
Merece destaque a presença de Lisa Hannigan na National Gallery da capital irlandesa em Maio passado para um concerto transmitido em directo em várias plataformas e de que restaram estes dois pedacinhos vibrantes que deixamos abaixo. A artista apelou, na oportunidade, à solidariedade com a organização Women's Aid que trabalha no apoio a vítimas de violência doméstica.
Não resistimos a deixar por aqui um outro pedacinho mágico e parcialmente em português aquando da passagem saudosa da artista por Fafe em Maio de 2018. É pau, é pedra...
# AJUDAR
(RE)LIDO #93
TOUCHING FROM A DISTANCE
Ian Curtis and Joy Division
de Deborah Curtis. London: Faber & Faber, 1995/2014
Na nossa "iniciação" ao mundo adulto da música, a lenda associada à figura de Ian Curtis e aos Joy Division esteve sempre distante de se transformar num mito. Da banda inglesa e do seu principal protagonista começamos a ouvir "histórias" e rumores muito antes de sequer ouvir a música à custa do colega do Liceu Rainha Santa Isabel a que nos habituamos a chamar Pedro Punk, figura alta e desengonçada de poupa no cabelo e mochila/livro pesado de madeira (!) às costas para guardar os cadernos e para servir de banco à espera do autocarro na Rua do Heroísmo! Estaríamos em 1982 ou 1983 e os discos do quarteto de Manchester seriam nessa altura uma raridade de circulação ínfima mas que se espalhava de forma invisível a partir de cassetes gravadas em casa de algum privilegiado. Era, então, das canções que aí se ouviam que o tal Pedro Punk não se cansava de falar e idolatrar pela poesia misteriosa ou a postura e raiva melancólica, uma aparente contradição com o "Punk's Not Dead" escrito nas costas do seu indispensável casaco-tropa do dia-a-dia. O jeito para contar outras histórias e lançar desafios inesperados aos professores, para risota geral, seriam já um sinal do irrequieto jornalista Pedro Sousa Pereira que vingaria profissionalmente com outros dotes artísticos. Quem diria!
Sobre essa época e da influência dos Joy Division na sociedade portuguesa há já estudos e conclusões óbvias, mas o nosso azimute haveria de centra-se na sequela que os New Order assumiriam ao longo da restante década e que, essa sim, sempre nos despertou muita atenção e prazer estendido a matineés e soirées dançantes e maxi-singles e álbuns ouvidos de fio a pavio. Para trás, escondidos e esquecidos, ficavam os pormenores das atribulações de uma banda, de uma vida e de um consequente suicídio.
Em 1995, quando o burbuinho surgido com a publicação deste livro por parte da viúva Deborah Curtis começou a fervilhar - revelações inéditas e, diziam, de afronta aos fãs pelas sugestões de racismo, nazismo ou maledicência do marido - ainda compramos a versão traduzida por Ana Cristina Ferrão editada logo no ano seguinte na mítica colecção "Rei Lagarto" da Assírio & Alvim mas a obra ficaria espalmada e incólume na estante ao lado de outros da mesma série. Seria o magnífico filme "Control" de 2007 realizado por Anton Corbjin que faria o obséquio de nos aproximar, definitivamente, a este personagem de estranheza sedutora a partir de uma abordagem cinematográfica sufocante sobre Ian Curtis baseada no relato e contributo especial da esposa, película que já revemos várias vezes. Ficava a faltar, pois, o documento original que, quarenta anos depois da morte (18 de Maio de 1980) e quase o mesmo tempo (18 de Julho de 1980) sobre a edição póstuma de "Closer" (há reedição de vinil transparente a caminho), mereceu leitura recatada e calma em tempos de isolamento.
Com um novo prefácio a cargo do baterista Stephan Morris, talvez o elemento mais discreto do quarteto mas o menos conflituoso, o livro dedicado à filha Natalie é, para sempre, um acto de amor. Inverte-se a percepção habitual de ver num filme as imagens produzidas pela leitura de um livro e podemos até ter dúvidas sobre alguns dos factos - por exemplo, o sonho abruptamente cortado pela falsa audição de "The End" dos Doors na véspera do suicídio - mas a tensão crescente da narrativa sem ser surpreendente é sedutora na coragem de descrever as vicissitudes da incerteza num amor recíproco, no adensar do adultério, do divórcio intermitente, da epilepsia e dependência médica desconhecida mas, acima de tudo, no eterno mistério em saber de facto quem era Ian Curtis.
Depois há os indispensáveis figurões que pairam e pressionam a banda do ponto de vista do "negócio". Robert Gretton ou Tony Wilson são, por aqui, personagens também eles quase cinematográficos como aconteceu, aliás, com este último em "24 Hour Party People", mas tal como no filme e à medida que as páginas avançam, a tensão começa a estremecer com o dealbar de uma tragédia anunciada e a quem ninguém pareceu evidente. E se..., claro, e se... mas os sinais largados por Curtis desde muito cedo para uma destinada e antecipada morte como que se haveriam de se juntar num epitáfio imagético mais que preparado para a capa do single "Love Will Tear Us Apart", uma sedução pela glória que ainda hoje nos toca profundamente. Como cantou um dos seus ídolos de juventude Fame, it's not your brain, it's just the flame...
quarta-feira, 17 de junho de 2020
terça-feira, 16 de junho de 2020
FAZ HOJE (21) ANOS #32
SUZANNE VEGA, Cinema do Terço, Porto, 16 de Junho de 1999
. O Comércio do Porto, por Miguel Reis Miranda, fotografia de Jorge Miguel Gonçalves, 18 de Junho de 1999, p. 26
segunda-feira, 15 de junho de 2020
DEIXEM PASSAR LEAH SENIOR!
Está disponível desde sexta-feira passada o terceiro álbum da menina Leah Senior. Confirma-se a amizade e a aproximação profissional aos amigos King Gizzard and The Lizard Wizard, tendo o disco saído outra vez pela Flightless Records, casa da banda australiana e com quem Senior irá partilhar o palco na digressão americana prevista para o último trimestre do ano. A colaboração repete, assim, a parceria iniciada em 2017 com a edição do maravilhoso "PrettyFaces" e que a trouxe a solo até Vigo em Dezembro do ano seguinte.
A próxima digressão conjunta servirá, decerto, para alargar horizontes e públicos já que qualidade das canções deste "The Passing Scene", assim se chama o novo trabalho, não parece suscitar quaisquer dúvidas, um perfume dos sessenta onde se sente de forma nítida a fragrância Lennon/McCartney. Atendendo aos tempos de confinamento, alguns temas tiveram já sessão cosy registada à distância na sala lá de casa no passado dia 12 ao lado de Howard Eynon e Traffik Island...
sexta-feira, 12 de junho de 2020
HOWE GELB, BANDA SONORA DE UM ISOLADO!
Isolado na sua casa de abobe azul em pleno Barrio Viejo no Tucson, Arizona, o mestre Howe Gelb sentou-se no piano encostado à parede e, depois de ligar o velho gravador TEAC CD, registou quase uma quinzena de momentos/canções em jeito de "vislumbres de passageiros em comboios fugazes"... O resultado, magnífico, denominado de "Cocoon" emergiu o mês passado sem pretensões tristonhas ou depressivas mas como rabiscos sonoros de tempos estranhos e desafiadores que não serão nunca mais tocados ou cantados. Não percam o privilégio!
quinta-feira, 11 de junho de 2020
PRIMAVERA LOSER!
Por volta desta hora e numa era pré-pandemia, o trilho de bike até ao Parque da Cidade seria feito rapidamente e a pensar no abastecimento prévio na Padaria Ribeiro, na totebag oficial para juntar à colecção e na primeira de algumas cervejas entre palcos para ver os Black Midi, a FKA Twigs, o Beck e a Kim Gordon e rever o Tyler the Creator!
Por volta desta hora e numa era (quase?) pós-pandemia, andamos a vaguear na rede à procura de informações concretas de como validar o raio do bilhete para a edição do próximo ano ou obter um justo reembolso, uma mixórdia confusa de estratagemas duma organização em nítida afronta legal.
Por muitas voltas que se lhe dê, I'm a loser baby, so...
quarta-feira, 10 de junho de 2020
AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #27
#AJUDAR
terça-feira, 9 de junho de 2020
segunda-feira, 8 de junho de 2020
SONDRE LERCHE, PACIÊNCIA NA ACÇÃO!
Depois de "Please" em 2014, de "Pleasure" em 2017, há agora "Patience" no que parece ser o culminar de uma trilogia de álbuns do norueguês Sondre Lerche dedicada às variações da canção pop e que é também um sinal de perseverança artística notável. Ao ouvi-lo, percebemos que o investimento na composição e nos seus arranjos alcança, desta vez, uma diversidade apelativa e fresca que remete de imediato para os velhos tempos do início da sua carreira internacional, mesmo antes da definitiva emigração para Los Angeles. Foi precisamente aí que Lerche se alongou durante sete anos na maturação desta sumarenta dúzia de temas airosos e quase tropicais que não aguentam até ao pico do calor, sendo urgente pô-los a rodar alto e bom som de forma a reduzir o distanciamento social!
Por isso, e mesmo que o título remeta para uma paciência posta à prova nos últimos meses, o artista sugere que o que é necessário é acção rápida contra a violência, a insegurança e o racismo, propondo uma doação indirecta a uma organização solidária da cidade aquando do download a partir do seu bandcamp. O desenho da capa é da autoria da australiana Loribelle Spirovski e não percam o video para "That's All There Is" onde se misturam fotografias da sua infância e juventude com uma selecção de uma carrada doutras, mais de mil, submetidas pelos fãs a seu pedido...
sábado, 6 de junho de 2020
sexta-feira, 5 de junho de 2020
AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #26
O Clube Lovers & Lollypops criado durante a quarentena pela produtora portuense serve para privilegiar os seus assinantes com actuações exclusivas online mas tem agora outro benefício: entrada gratuita e presencial num concerto a escolher entre os quatro que foram programados no corrente mês para o auditório do Circulo Católico de Operários do Porto.
Com transmissão no canal oficial a partir das 19h00, o ciclo começa hoje com os Ghost Hunt e terá na próxima quinta-feira, dia 11, feriado, a recomendável vibração da harpa da espanhola Angélica Salvi, um regresso ao vivo limitado e sujeito às recomendações sanitárias que se impõem. Podem comprar bilhetes online ou efectuar um donativo consciente que permite o acesso ao respectivo streaming. Novos tempos!
#AJUDAR
FAZ HOJE (21) ANOS #31
quarta-feira, 3 de junho de 2020
PHENOMENAL HANDCLAP BAND...!!!
Os sinais de reaparecimento do Phenomenal Handclap Band foram avistados há cerca de três anos com a gravação de um single para a Daptone que sugeria o finar de um hiato na composição do seu principal mentor, o luso-americano Daniel Collás. No estúdio de Brooklyn deixaram de entrar outros artistas e a intenção era agora o registo de um novo álbum que só o mês passado viu a luz do dia através da alemã Toy Tonics Records e para o qual se juntaram a Collás a menina multi-instrumentista Juliet Swango e menina vocalista e do sintetizador Monika Heideman. O disco, simplesmente referenciado como "PHB," consiste em dez temas de apelo à dança e exercício sem contemplações e entre os quais se conta "Travelers Prayer (EU Version)", o tema principal do single referido mas em versão europeia.
Na onda agitada do fenómeno anterior, os !!! (Chk, Chk, Chk) fartaram-se de estar quietos e pasmados à custa do senhor Corona e libertaram as frustrações em duas novas canções lançadas na Warp Records no início de Maio - "I'm Sick of This" e "So We Can Fuck" são, respectivamente e segundo os próprios, o lado frio (Detroit side) e o lado quente (Chicago side) de uma qualquer madrugada toldada por uma bola de espelhos e contínua roda no ar... Que saudades!
Na onda agitada do fenómeno anterior, os !!! (Chk, Chk, Chk) fartaram-se de estar quietos e pasmados à custa do senhor Corona e libertaram as frustrações em duas novas canções lançadas na Warp Records no início de Maio - "I'm Sick of This" e "So We Can Fuck" são, respectivamente e segundo os próprios, o lado frio (Detroit side) e o lado quente (Chicago side) de uma qualquer madrugada toldada por uma bola de espelhos e contínua roda no ar... Que saudades!
terça-feira, 2 de junho de 2020
segunda-feira, 1 de junho de 2020
THE NOTWIST, SIM, AO VIVO!
Termina hoje a 49ª edição do Festival Moers na Alemanha, um evento inicialmente dedicado ao jazz mas que evoluiu para uma concentração requintada de experiências sonoras onde a world ou a pop também cabem sem favor. Sabendo desde Março das limitações impostas pela Covid19, a organização decidiu manter, mesmo assim, os três dias de concertos de forma digital (ok, há sempre uma dúzia de sortudos na frente do palco) e totalmente transmitidos pela Canal Arte desde sábado até hoje.
Do ecléctico alinhamento e a jogar em casa, os low profile The Notwist acabaram há pouco de apresentar a totalidade do álbum "The Messier Objects" (2015), uma colectânea maioritariamente instrumental de temas destinados a bandas sonoras imaginárias, programas de rádio ou produções teatrais que encaixam na perfeição na estética do evento e que está desde já disponível para visualização obrigatória.
Repete-se, assim, um hábito milagroso do canal público franco-alemão nos fazer chegar à distância concertos deste colectivo do sul da Baviera que faz música para nosso deleite desde 1989!
KELSEY LU, DESLUMBRANTE!
Diz-se que qualquer vinho do Porto que permanece mais tempo no envelhecimento passa a pertencer às categorias especiais. A algumas canções que os artistas insistem em esconder, às tantas, aplica-se o mesmo tratamento não por esquecimento mas porque o refinamento do seu registo nunca alcançou uma plenitude ideal. Ouvimos "Morning Dew" de Kelsey Lu, uma das tais que o tempo e as circunstâncias adiaram na partilha e à categoria de "especial" talvez se deva juntar "e deslumbrante".
Trata-se de um inédito já apresentado ao vivo mas que só agora nos chega em versão final pela No Tricks com a ajuda do saxofone de Isaiah Barr (Onyx Collective) e do produtor Jason Agel (Vagabon, Lauryn Hill, Kanye West) e que nos impele para a reescuta do álbum "Blood" (ouça-se, por exemplo, "Pushing Against the Wind" gravado há um mês durante uma residência artística da Red Bull), um magnífico e inesgotável temperador de harmonia e conforto tão urgentes nestes momentos difíceis e agitados da sociedade americana à custa de velhos ódios e afrontas...
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