quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

FAZ HOJE (16) ANOS #18






































SIGUE SIGUE SPUTNIK + URSULA RUCKER + PEACHES, Festival Blue Spot, Teatro Sá da Bandeira, Porto, 5 e 6 de Dezembro de 2003
Público, por Luís Octávio Costa, fotografia de Paulo Pimenta, 10 de Dezembro de 2003, p. 50
. Público, por Inês Nadais, 8 de Dezembro de 2003, p. 37



TIM BERNARDES NUMA SALA DE ESTAR!

Uma nova plataforma de carinho pela música chamada Pinehouse Concerts teve a sua estreia esta semana com o registo de quatro temas de Tim Bernardes na intimidade de uma sala de estar ao lado de um trio de cordas. Sem divulgação assumida da sua localização (Lisboa?), a casa ou o local aparenta ou disfarça um cenário de idade e ambiente que acerta em cheio nas canções mesmo que o som não seja ainda o perfeito e o registo em câmara estática se afigure monótono.
É propositado?

Já agora, o mano mais novo Chico Bernardes apresenta-se em Portugal entre 30 de Janeiro e 9 de Fevereiro próximos em dez cidades diferentes (Porto, Maus Hábitos, 6 de Fevereiro) para dar conta das canções do álbum homónimo publicado em Junho passado. Uma irmandade!



TOM WAITS POR MATT MAHURIN!





















A colaboração entre Tom Waits e o reputado e polivalente artista Matt Mahurin começou há mais de trinta anos quando lhe foi solicitada uma ilustração/retrato para a capa de um antologia de canções. Desde aí, ao relacionamento profissional foi-se sobrepondo uma amizade profícua cimentada em inúmeras sessões fotográficas em estúdios, registos de actuações ao vivo ou direcção de videos (vide abaixo) para temas seleccionados. 

Para que tamanho património e herança seja merecidamente do domínio público, está agora disponível um livro recheado de fotografias, ilustrações, imagens digitais e até pinturas originais que Mahurin concebeu do amigo Waits a quem foi pedido uma pequeno prefácio que antecipa um ensaio do próprio autor sobre esta longínqua parceria. Há (havia?) uma versão limitada de 250 exemplares para os chamados coleccionadores devidamente preparada e embrulhada onde se esconde uma impressão da capa do disco "Mule Variations" com a assinatura e o número firmados pelo próprio artista.

Atendendo a que um anterior livro de fotografias de Anton Corbjin desapareceu num ápice das prateleiras, se quiserem oferecer a vós próprios ou a alguém muito especial esta peça de antologia é melhor decidir com rapidez. Nós, zás, já o fizemos. 




quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

JAMES BLACKSHAW, PARA QUÊ FICAR PARADO?















Uma interrogação em forma de um belíssimo instrumental marca o regresso de James Blackshaw à música e ao prazer de a tocar depois de um retiro de quase três anos. A dificuldade em viver simplesmente da arte levou o guitarrista a parar de compor e actuar, um sacrilégio atendendo à qualidade extrema dos álbuns como o último "Summoning Suns" de 2015 ou de concertos ao vivo como o do Passos Manuel em 2014.

A renovada energia e motivação tem em "Why Keep Still?", editado na série de singles da plataforma Adult Swim, uma prova inequívoca de qualidade e talento. Queremos mais!

sábado, 30 de novembro de 2019

THE DIVINE COMEDY, UM CHÁZINHO!















A inédita colecção de quinze temas anexada ao último álbum "Office Politics" dos The Divine Comedy e oficialmente designada "Swallows and Amazons - The Original Piano Demos" é uma dádiva. Tratam-se de versões informais de Neil Hannon dirigidas ao musical que adoptou no Reino Unido o livro em série com o mesmo nome da autoria de Arthur Ransome (1884-1967) saído em 1930, uma encomenda estreada na cidade de Bristol há quase dez anos e só agora disponibilizada para o público.

As demos realçam as clássicas influências do artista como Scott Walker ou Michael Nyman vertidas em inúmeras canções dos seus discos mais antigos e modernos naquela feição grandiosa de juntar maravilhosas líricas - neste caso, adaptadas do original por Helen Edmundson - a uma requintada pátina pop de chancela certificada e de culto obrigatório aqui na casa. Basta ouvir os seis minutos deste "The Swallow" e é como se estivéssemos sentados no sofá na sala do piano a ouvi-lo contar e tocar histórias enquanto um chá inglês arrefece na xícara de porcelana...


THE SAXOPHONES, O SEGUNDO FILHO!





















Como se percebe pela fotografia de capa do novo e aveludado single "New Taboo" do casal The Saxophones, a barriguinha de Alison Alderdice não engana(va) - o segundo filho de nome Sacha já nasceu em Outubro e, por isso e menos importante, há agora tempo para dar atenção à vida artística. Segundo confissão de Alexi Erenkov, o marido e vocalista principal, o tema foi concebido ao jeito de um dueto sobre uma imaginada traição da esposa em fuga com um suposto advogado mas o resultado que se ouve abaixo acabou a dar primazia somente à voz de Erenkov. A rodar desde o início do mês, a canção pode também vir a rodar em qualquer gira-discos à maneira pois tem já uma apetitosa versão 7" em vinil laranja disponível para encomenda.

Da mesma cor mas em formato maior de longa duração, um outro segundo rebento está anunciado para Fevereiro próximo e terá o nome de "Eternity Bay". Com a produção do mago Noah Georgeson, os dez temas parecem sugerir uma saborosa continuidade da onda espiritual com que se estrearam oficialmente o ano passado e que mereceu até uma inesperada partilha ao vivo. Cá esperamos a revisita!


terça-feira, 26 de novembro de 2019

UAUU #513

KIWANUKA É DE CRISTAL!













Pode ser a nossa estreia no Pavilhão Palácio Rosa Mota Super Bock de Cristal - Michael Kiwanuka chega ao vivo e a cores ao renovado espaço da Invicta no dia 9 de Maio de 2020, sábado, passando na véspera pelo Campo Pequeno da capital. Parece, assim, que mais uma aspiração antiga se vai cumprir e logo agora que há um álbum homónimo de excelência para apresentar! 

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

NICK DRAKE, 45 ANOS DE SAUDADE!













19 de Junho de 1948 - 25 de Novembro de 1974
Será sempre possível dar-lhe um abraço!

THE MOUNTAIN GOATS, Café & Pop Torgal, Ourense, 23 de Novembro de 2019













Se a montanha não vai a Maomé, vai Maomé à montanha...
Como a súplica desesperada não se concretizou, não havia como não cumprir irremediavelmente o ditado e, lá está, por entre montanhas e vales, dar um pulo a Ourense para não perder John Darnielle e os seus, lá está outra vez, The Mountain Goats de eleição. Pareceu não termos sido os únicos portugueses a fazê-lo atendendo a algum do linguajar que pairava no simpático bar galego mas cuja dimensão se afigurou de presumível tacanhez para o almejado e pleno desfrutar das canções.

O sinal de aviso vermelho foi dado por Laura Cortese, artista já em plena actuação de aquecimento quando descíamos a curta escada, ao informar, entre risadas, que tinha dispensado e despachado para Lisboa os seus The Dance Cards - supostamente, um baixista e uma violoncelista - por não caberem no palco, melhor, no estrado do recinto. Nada, contudo, que tivesse assustado Darnielle e o parceiro Matt Douglas uns momentos depois a contornar o balcão e o público de copo na mão até chegar ao recanto iluminado. Atacaram "Estate Sale Sign" como não houvesse amanhã e, mesmo sem vislumbrarmos os instrumentos, lá fomos reparando na boa disposição e entrega da dupla apostada em cumprir um alinhamento de proximidade e auto-satisfação. Talvez a recordar velhos tempos de apresentações semelhantes na pacatez de um club, à forma animada e informal da postura Darnielle foi sobrepondo introduções das canções num castelhano aceitável como resultado de muitas horas em frente à televisão, um mundo muito próprio que saltou de história em história em temas como "No More Tears" e o seu "drifting like a Portuguese man o' war/pretty hardcore" ou em "Younger" pleno de subtileza pelo saxofone flutuante de Douglas.

Já a solo e sem escolhas pré-definidas, aceitaram-se sugestões a que respondemos com um tímido "Get Lonely" mas alguém gritou mais alto "Damn These Vampires" a que se juntou "Baboon", mais um pedido vindo do público. O regresso do companheiro haveria de elevar a perfomance a um patamar de festa que ficou mais rija e participada com a ajuda do violino de Laura Cortese sentada numa lateral do balcão para três das melhores canções - a saber, "Cadaver Sniffing Dog", "Doc Gooden" e "Sicilian Crest" a que só faltou "An Antidote for Strychnine" - do último álbum "In League With Dragons", o décimo sétimo em quase trinta anos de carreira.

O efeito inesperado e exótico dessas cordas friccionadas haveria de prolongar-se no encore de imediato requisitado onde às canções foi acrescentado um calorento coro colectivo, muitas palmas e até uma piada do próprio quanto ao que seria fazer uma semana inteira de apresentações seguidas no local... Talvez fosse melhor não dar ideias!

domingo, 24 de novembro de 2019

ROBERT FORSTER, Passos Manuel, Porto, 22 de Novembro de 2019













Passaram mais de trinta anos sobre a estreia dos The Go-Betweens na cidade. No palco do Vale Formoso um trio ainda ferido na asa haveria de conseguir o êxito pleno, transformando a noite primaveril de 1989 num momento lendário da história da música ao vivo da Invicta. Não admira, assim, que a concentração de cinquentões no bar do Passos Manuel, daqueles como nós que já não conseguem ler mensagens do telemóvel sem óculos do chinês, tenha nessa memorável data o motivo principal da conversa prévia e, já agora, de uma reunião informal e quase comemorativa através do regresso festejado de um dos seus principais protagonistas - Robert Forster que ao lado de Grant McLennan escreveu e cantou canções de eleição, mania salutar que, para sorte nossa, continua ainda a praticar em estúdio e ao vivo.

Foi já a tocar a sua guitarra acústica que o australiano subiu a rampa e os degraus até ao palco para uma imparável sequência de memórias e novos temas. Afastada a luz que lhe cegava os olhos e depois de uns goles de águas-das-pedras, começaram então mais de noventa minutos de partilha de vinte e uma peças de uma colecção sem preço, onze das quais sacadas da "sala principal The Go-Betweens" para prazer da plateia saudosa. A força de muitas delas, como por exemplo "Here Comes a City" ou "Spring Rain", continua viril, sedutora e irresistível, uma limpidez eterna que a acústica da sala engrandeceu de forma viçosa perante um Forster bem disposto e surpreendido pela recepção calorosa e preparado para, mesmo sozinho, impressionar a antiga sala de cinema portuense. 

É que a prevista participação de Karen Baeumier, esposa e amiga que ajudaria no violino e vozes não se concretizou por doença do pai alemão, aproveitando a escusa para apresentar "German Farmhouse", mais uma história de vida inspiradora de cantigas que se juntou a tantas outras que insistiu em contar de forma quase nonsense para uma cortês risota geral. A vincada nota dada a um tal guitar solo na magnífica e recente "Life Has Turned the Page" foi esse nível imbatível, confirmando, no entanto, as suas capacidades inatas em manejar uma guitarra de forma imaculada.

Atendendo à logística das instalações, o encore habitual foi acertado de comum acordo com a manutenção em palco onde "Surfing Magazines", cantado parcialmente a capella, haveria de ter o condão de acender as luzes da plateia para que, olhos nos olhos, se pudessem confirmar os sorrisos e as vibrações dos dois lados da contenda nocturna. Afinal, a forte ovação em pé a este velho amigo rock 'n' roll que não víamos há décadas foi só uma forma espontânea de lhe agradecer a presença e, acima de tudo, a persistência. Return, yeah! 


FAZ HOJE (23) ANOS #17









































PEARL JAM, Pavilhão do Dramático de Cascais, 24 de Novembro de 1996
. A Capital, capa, 25 de Novembro de 1996
. A Capital, por Rita Bertrand, fotografia de Cameraman Metálico, 25 de Novembro de 1996, p. 22
. A Capital, por Rita Bertrand, fotografia de Cameraman Metálico, 25 de Novembro de 1996, p. 23
. O Comércio do Porto, 26 de Novembro de 1996, p. 26
. Diário de Notícias, fotografia Ana Correia (Lusa), 26 de Novembro de 1996, p. 42
. Jornal de Notícias, por Cristiano Pereira, fotografias de Leonel Castro e colaboradores, 26 de Novembro de 1996, p. 45



quinta-feira, 21 de novembro de 2019

BENOÎT PIOULARD, AMBIENTE RENOVADO!





















São conhecidas as múltiplas capacidades de Thomas Meluch aka Benoît Pioulard em associar diferentes recursos artísticos para concretizar as suas criações ambientais. O hábito antigo de gravar em dictafones e gravadores de quatro pistas os ruídos da natureza foi agora retomado para o álbum "Sylva", o primeiro na editora Morr Music, uma orgânica e renovada colecção de paisagens sonoras de inspiração no sudoeste americano mas também em locais como o Hawai, Montana ou Seattle, cidade natal e de trabalho.

Ao disco foi acrescentada uma colecção em livro de setenta polaroids SX70 seleccionadas a partir de milhares de registos feitos ao longo de dois anos de viagens, uma apurada visão das sombras, cores, formações, plantas ou deslumbramentos desse mundo exterior. Os dez novos temas são, assim, uma peculiar sequência sensorial que emite novos sonhos a cada audição e para a qual recebeu a contribuição das violinistas Caroline Shaw em "Raze I" e Freya Creech em "Meristem", uma das duas canções para as quais escreveu as líricas e lhe deu voz. A outra, "Keep", é inspirada numa planta de nome Drala e teve já direito a animação visual que se apresenta abaixo. 

UAUU #512

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

HEY, SAUDEMOS KING KRULE!

Depois do portentoso álbum "The OZZ" o já não tão miúdo Archie Marshall alcunhado de King Krule só agora deu sinal de vida com um simples "Hey World!", como estão? A saudação não é mais que uma curta metragem onde são apresentadas, de fininho, quatro novas canções escritas pelo próprio - a saber, "Perfecto Miserable", "Alone Omen 3", "(Don't Let The Dragon) Draag On" e "Energy Fleets" - e que tem realização da companheira Charlotte Patmore, artista multifacetada que já tinha dirigido em 2018 as imagens para o tema "Cadet Limbo".

Os sinais de fumo são, assim, de alerta quanto a um qualquer novo disco ou EP logo no primeiro trimestre de 2020, o que joga com uma digressão anunciada pela Europa e o não tão europeu Reino Unido em Março, seguindo-se uma visita aos E.U.A. em Abril. 


THE DIVINE COMEDY, É SÓ ESCOLHER!













O álbum conceptual dos The Divine Comedy sobre a vida num escritório de empresa pode agora ser testado com a emissão pelo canal Arte de uma festa de lançamento ficcional das canções do disco num verdadeiro espaço de expediente francês devidamente filmada em Setembro passado sob o título de "Office Politics Release Party". No mesmo canal está ainda milagrosamente acessível uma apresentação a solo datada de 2012, desempenho que anteriormente também passou perto numa noite divertida num teatro vimaranense.

Mas há mais! A cativante e parcial apresentação do disco ao vivo em Braga na passada semana culminou uma digressão europeia que o canal público de televisão alemão WDR sediado em Colónia não deixou escapar. Foi nessa cidade que se registou em Outubro a passagem completa de Neil Hannon e companhia pelo Live Music Hall e, tal como em Braga, podem até aceder aos trinta minutos da banda de abertura, uns surpreendentes The Man & The Eco que também tiveram direito a filmagem!

Se ainda não estiveram satisfeitos, nada como regressar à sofisticada noite pela nova Opera de Paris em 2015 na mesma data dos Tindersticks e ainda disponível através do milagroso youtube. Uma farturinha!



terça-feira, 19 de novembro de 2019

JOSÉ MÁRIO BRANCO (1942-2019)















Homenageado pela cidade que o viu nascer aquando da Feira do Livro do Porto de 2018, a vida de José Mário Branco inesperadamente falecido no dia de hoje não cabia, já na altura, numa simples centralidade de uma programação cultural. A carreira agridoce de luta e exílio só na última década alcançou alguma pacificação e consenso que o documentário televisivo "Mudar de Vida" de 2013 retrata de forma exemplar, confirmando o talento e abnegação da sua personalidade. Para nós, à custa de muitas leituras e pesquisas sobre discos e cantigas pré e pós 25 de Abril, o seu nome é certamente, a seguir a José Afonso, o exponente maior de um movimento artístico que nunca teve medo de usar a canção como arma de arremesso e resistência. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades... Paz!

THE DELINES, MAIS PÉROLAS!















Para acrescentar ao tesouro a que os norte-americanos The Delines chamaram "The Imperial" e que estará fatalmente em muitas das famigeradas listas de álbuns do ano, existem desde o início do mês mais duas pérolas sedosas a que se deve dar muita atenção. Gravadas no verão passado, tanto "Eight Floors Up" como "Wait For Me" são inéditos compostos em tempos de recuperação da vocalista Amy Boone numa cama de hospital depois de um brutal atropelamento em 2016. A espera para que a sua própria voz desse ainda mais sentido às canções foi vertida num sete polegadas de vinil de estrema e limitada tiragem o que fez, desde logo, desaparecer as rodelas carinhosamente prensadas em cor rosa... Damn!

Fica a consolação e a esperança que um outro tema extra somente disponível na versão CD do referido disco acabe também nas estrias de um vinil mesmo sem perceber como é que uma canção do calibre de "A Room on the Tenth Floor" tivesse sido preterida. Puxem-lhe o lustro e ouçam-na sem contar as vezes!




segunda-feira, 18 de novembro de 2019

O TERNO + JOHN GRANT, Festival Para Gente Sentada, Theatro Circo, Braga, 16 de Novembro de 2019

fotografia: facebook do FPGS














Atendendo ao passado recente de concertos e ao futuro anunciado de regressos, diremos que Tim Bernardes e os restantes parceiros Peixe e Biel, que perfazem o trio paulista O Terno, são já visita da casa. Essa proximidade foi notória desde a entrada em palco, repetindo-se uma disposição sentada - ora nem mais - e informal que presenciamos em Junho passado no ar livre do Parque da Cidade e o já típico trajar cândido. Aproveitando, desta vez, a presença de um grande piano a pensar, certamente, no artista seguinte, surgiram excelentes variações a partir das teclas que então não foi possível ouvir e uma luminância de excepção a fazer realçar os instrumentos, as palavras ou simplesmente a voz mas será de apontar que nem sempre o botão do volume do som é para subir... é que ele também desce, o que em alguns dos trechos fez alguma falta.

O alinhamento não demorou a despertar aplausos e coros ténues em canções como "Pegando Leve" ou "Volta e Meia", exemplares agora mais conhecidos do último "atrás/além" e de onde se retiraram a maioria dos temas. Pena que ao fim de oito canções e quando o concerto parecia estar a ganhar espessura e sabor e, precisamente, depois de dois gostosos pedacinhos mais antigos como "Culpa" e "Volta", se tenha desligado o "forno" com a desculpa rigorosa de "ser um festival" e, como tal, não haver tempo para mais (quarenta e cinco minutos) por entre assobios e aplausos de uma plateia desconsolada. E que tal começar meia hora antes?         

fotografia: facebook do FPGS














Já passaram oito distantes anos desde a estreia de John Grant no Auditório de Espinho em versão na altura quase solitária e, salvo o erro, atenuada pela presença do teclista Chris Pemberton. O regresso, apesar de não previamente divulgado em que formato iria acontecer, repetiu-se na mesma fórmula e parceria. A sala de visitas bracarense sugeria ser, assim, o espaço ideal para um novo expurgo maioritariamente ao piano de uma colecção já notável de canções mesmo que a execução original de muitas delas que Grant trouxe depois ao Porto em 2014 ao lado de uma verdadeira banda tenha o condão de ter deixado um imenso lastro de boas memórias vincadas por orquestrações grandiosas e animada perfomance.

Sorridente, quando já sentado aproximou o microfone para dar sequência ao acorde inicial e se ouviu "your beauty is unstoppable" de "Where Dreams Go to Die" naquela voz inconfundível, estava dado o mote para uma longa e imensa lição pop quanto à composição moderna diz respeito em dezassete andamentos de uma carreira consistente e, assumidamente, arriscada. A duração, exagerada para alguns mas de um efeito narcótico para a maioria, deu oportunidade a pedidos de temas preferidos como foi o dessa maravilha do tempo dos The Czars chamada "Drug" que alguém reclamou alto e bom som a partir da plateia o que se repetiu com "Caramel" ou "GMF" a encerrar o serão antes do encore. De volta, faltava culminar o alinhamento com os suspirados "Sigourney Weaver" e esse clássico íntimo que custa ouvir sem incómodo saboroso que encerra o álbum com mesmo nome mas que não impediu o público de o soletrar alto e bom, sim,  Q u e e n  o f  D a n m a r k , mesmo antes de rebentarem as merecidas palmas!

domingo, 17 de novembro de 2019

SENSIBLE SOCCERS + KAMAAL WILLIAMS, Festival Para Gente Sentada, Theatro Circo, Braga, 15 de Novembro de 2019

fotografia: facebook do FPGS














A comemorar quinze anos, o conceito original do Festival Para Gente Sentada sempre nos pareceu atractivo e certeiro - convidar cantautores consagrados ou em fase de afirmação para no escuro de uma sala fazerem ressoar o produto da sua inspiração, ou seja, as canções. Foi por isso que o FPGS ganhou asas, tradição e reconhecimento mas nos últimos anos as referências foram enviesadas sem retorno com alinhamentos arriscados e estranhos em que programar para o evento sugere ser uma tarefa sem critério estreito e onde, para o mal e para o bem, cabe tudo...

A primeira noite da edição deste ano foi só a confirmação deste desalinho - sala meia vazia, camarotes despidos e uma banda plena de potencialidades como os Sensible Soccers a jogar em terreno alheio e friorento apesar do esforço e da entrega. A fusão de sonoridades instrumentais insistiu na repetição de um trecho melodioso onde as percussões crescem a olhos vistos, tudo bem feito, tudo emoldurado num colorido bem pensado mas as cadeiras e a grandeza do espaço arrefeceram, obviamente, a partilha e o afecto que nem mesmo um violino surpreendente saído de um dos camarotes ajudou a disfarçar. Demasiado "à frente", como ouvimos no corredor de saída, demasiado cedo ou, melhor, simplesmente demasiado.       

fotografia. facebook do FPGS














Substituir, por força maior, a acústica solitária de Jonathan Wilson pela modernidade jazzistica de Kamaal Williams não é claramente coisa fácil. Mesmo assim, aproveitando a presença do músico e produtor britânico, confirmou-se, sem contemplações, a diversidade e capacidade de um quarteto rítmico assinalável onde a enorme e emaranhada bateria aliada ao electrizante baixo se fizeram notar de fio a pavio. Ao comando a partir do Rhodes, o encapuçado Williams foi dando o mote sem grandes devaneios parecendo querer que fossem os outros a brilhar, nomeadamente a artéria cativante do saxofone. Entre elogios ao país e à sua "onda", não faltou o convite, logo ao segundo tema, para a dança e ao abandono das cadeiras mas a resposta foi categórica - ninguém se levantou nem nesse momento nem até ao final o que atendendo ao divertido e contagiante instrumental só pode ter sido um sacrifício colectivo! E pensar que, no mesmo teatro ou num edifício bem perto, duas salas pequenas e escurecidas estavam aquela hora vazias e, às tantas, disponíveis e adequadas para a festa e animação que se impunha...

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

FAZ HOJE (21) ANOS #16

























BAUHAUS, Coliseu do Porto, 15 de Novembro de 1998
. Jornal de Notícias, por Cristiano Pereira, fotografias de Leonel de Castro, 17 de Novembro de 1998, p. 45



NICK LOWE & WILCO NUMA RODELA VERDE!





















Há quarenta anos a canção "Cruel To Be Kind" do britânico Nick Lowe tornou-se um êxito inesperado de verão principalmente no continente americano onde se popularizou. Em 2012 os Wilco relançaram o tema via iTunes com a colaboração e vocalização principal do próprio Lowe com quem partilhavam, na altura, o palco numa digressão conjunta.

Aproveitando o aniversário de quatro décadas, esta colaboração terá, pela primeira vez, uma edição física oficial durante a próxima Black Friday de dia 29 de Novembro no lado B da de um vinil verde de 7" e (i)limitada a três mil e quinhentos exemplares. No lado principal estará o tema original envolto pela mesma capa surgida em 1979. A must have... mesmo que haja lojas onde a rodela já está esgotada antes de sair!



quinta-feira, 14 de novembro de 2019

ANDY SHAUF, AQUELE BAR!





















A validade do disco do ano passado dos Foxwarren tem o prazo estendido e ainda com um sabor refrescante. Foi (é) fiel companheiro de muitas viagens e ponderações mas aproxima-se já mais um contributo do mentor Andy Shauf em pessoa a sair pela Anti-Records no final de Janeiro próximo em edição atractiva melhorada. Assim, "The Neon Skyline" promete amenizar o arrefecimento nocturno em onze canções escritas, tocadas, gravadas e produzidas em nome próprio e de argumento conceptual onde, supostamente, o personagem descobre no bar da vizinhança que dá titulo e capa ao disco que a ex-mulher está de volta e preparada para surpreender... Aqui ficam duas das confissões. Cheers!




FAT WHITE FAMILY, VISITA DE CORTESIA!





















Os excelentes Fat White Familly, donos de um discos do ano ("Serfs Up"), estreiam-se em Portugal em Fevereiro com concertos agendados para o Porto (Hard Club, terça-feira, dia 4) e Lisboa (Lisboa Ao Vivo, quarta-feira, dia 5). Prometida está muita animação, alguma pândega e rios de suor!



quarta-feira, 13 de novembro de 2019

FAROL #133











Do génio de Kyle Field aka Little Wings já por aqui destacamos o novo de originais "People" a que se sugere ainda uma outra diversão simultânea exclusivamente em vinil de nome "Ropes in Paradise", dez versões country de clássicos do género incluíndo uma dos próprios Little Wings ("I Was High")! Agora acrescentam-se mais meia dúzia de covers em oferta repetindo uma antiga sessão de 2015 que se mantêm disponível - desta vez os escolhidos foram Cindi Lauper, Don Henley, Natalie Merchant, Joey Scarbury e Jerry Garcia. Imperdível!

THE SHINS, UM ABRAÇO A RICHARD SWIFT!














O génio de Richard Swift espalhou-se por muitos projectos e bandas, nomeadamente os The Shins de James Mercer com quem tocou ao vivo na digressão do álbum "Port of Narrow" em 2012 e que na altura ouvimos até à exaustão. Numa homenagem ao amigo falecido o ano passado, a banda criou uma editora de vinil chamada Fug Yep Soundation com a intenção de publicar uma série de 7" exclusivos com as receitas a reverter directamente para a família Swift mas também para as organizações de solidariedade Music Support UK e Music Cares, cumprindo ainda o objectivo de sensibilizar o público para as questões perigosas da adição e dependência.

A segunda rodela da referida série está agora em pré-encomenda e diz respeito a duas novas canções dos próprios The Shins inspiradas pela amizade com Swift - uma, "Trapped by the Sea", melancólica e triste e a outra,"Waimanalo", nome também de uma praia havaiana, por contraste, plena de alegria e felicidade, talvez um espelho dos dois lados da transcendente personalidade de Swift.






UAUU #511

terça-feira, 12 de novembro de 2019

FAZ HOJE (14) ANOS #15











































DEVENDRA BANHART, Aula Magna da Universidade de Lisboa, 12 de Novembro de 2005
. Díário de Notícias, por Tiago Pereira, fotografia de Nuno Fox, 14 de Novembro de 2005, p. 35 
. Público, por Mário Lopes, 14 de Novembro de 2005, p. 40



3X20 NOVEMBRO
















segunda-feira, 11 de novembro de 2019

THE DIVINE COMEDY, Theatro Circo, Braga, 9 de Novembro de 2019

Uma conversa prévia com o amigo destas e doutras andanças antes da entrada na sala dourada do teatro versava sobre a necessidade de colocar um travão na ida a concertos. A estratégia passaria por escolher somente bandas e artistas que nunca vimos em palco para evitar repetições e, supostamente, gastos excessivos. A inconsequência deste palavreado servia como paliativo de uma "doença" sem tratamento e que tem nos The Divine Comedy um longínquo agente patogénico de imunidade adquirida de difícil combate e que, afinal, ganharia na próxima uma hora e meia ainda maior resistência. 

Passaram mais dois anos sobre a vinda de Neil Hannon ao mesmo local de infecção e com, na altura, um grande disco para apresentar. Em "Foreverland" voltava-se à grande composição clássica de um projecto sem discos menores mas o certo é que, desta vez, a atracção não se afigurava tão compulsiva - "Office Politics" é depois de ouvido um disco conceptual bem esgalhado mas algo desequilibrado que quatro ou cinco canções ajudam a disfarçar. O cenário era, por isso, de um preto branco a remeter para tempos antigos lá num escritório de relógio enorme na parede a jogar com os fatos dos funcionários-músicos à volta do chefe "preocupado" com o expediente... Mas no que toca a esse burburinho, só à quinta canção se começou a dar vazão ao acumulado quando o titular "Office Politics" seguido de "Norma and Norma" pareceram abrir em definitivo as instalações, já que antes houve bons sobressaltos, nomeadamente "Commuter Love" na sua enorme tensão e beleza que, salvo o erro, nunca tínhamos testado ao vivo!   

Seguiu-se, então, um verdadeiro corrupio de canções novas e velhas meticulosamente encaixadas de forma a rentabilizar o "trabalho" num total de vinte e três opções que incluiu o agora clássico "To The Rescue", "Lady of  Certain Age" ou "Absent Friends" mas com tempo para uma pausa festiva para agitar o prédio com a habitual trilogia "At The Indie Disco", "I Like" e "National Express" a que se acrescentou "Something For The Weekend" já com a plateia em polvorosa e a necessitar de distender a tensão. A jornada e, já agora, a época de concertos, parecia ter chegado ao fim com um calmante relaxante de nome "When The Working Day Is Done" mas o sublime "Our Mutual Friend" também não tinha ficado mal.

encore obrigatório haveria de trazer (mais) surpresas ao jeito de uma serenata acústica a antecipar as Janeiras para Novembro - juntos na frente de palco perante um só microfone numa disposição praticamente ensaiada momentos antes em "I'm a Stranger Here", o sexteto reduziu a pozinho mágico três hinos pop de imbatível qualidade, revisitando "Your Daddy's Car", "Songs of Love" e o incontornável "Tonight We Fly" de forma especialmente tocante a merecer ovação em pé, coro afinado e voo nocturno colectivo, mais um! Por isso, quanto ao tal travão no acesso a estas "viagens", o melhor é mesmo ir gastando as "milhas" enquanto é tempo...

domingo, 10 de novembro de 2019

WILLIAM TYLER, Auditório de Espinho, 8 de Novembro de 2019

Fotografia: Facebook do Auditório de Eepinho














Acoustic guitar music... a ementa do serão chuvoso tinha no conforto da sala espinhense a estreia de William Tyler em palcos nacionais, uma abençoada oportunidade que demorou tempo demais a concretizar-se. Depois de passagens pelos saudosos Silver Jews ou os Lambchop, a ainda aparente juventude do músico norte-americano esconde, contudo, uma carreira de quase uma década em nome próprio com quatro álbuns dedicados a explorar de forma inteligente a tal música acústica a partir de uma guitarra.

Desprezada por muitos, compensadora para muitos mais que acorreram com interesse e curiosidade a ouvi-la, a perfomance haveria de revelar-se de paisagem sonora delicada e sensível a uma América solitária e infindável onde o country e a folk trilham viagens e estradas que nos permitem ir imaginando e sonhando com cidades, montanhas ou rios ou meditando como podemos mudar de vida ou de sítio, riscos e decisões que o próprio Tyler assumiu quando escolheu Los Angeles para viver depois de anos em Nashville. O tal virar a oeste que dá nome ao último álbum é, assim, uma metáfora efectivamente inspiradora que não esconde, nem pode esconder, o travo à tal country music que aparenta ser de fácil percepção mas, como notado, de muito mais difícil e inconsequente explicação.

O importante é mesmo considerar que as texturas ou as velocidades dos trechos apresentados na penumbra do auditório funcionaram na perfeição na sua essência instrumental, um conjunto charmoso e apaziguador de que sabemos a geografia mas que acaba, maravilhosamente, sem pertencer a nenhum território a não ser a quem teve a felicidade de os conhecer e escutar. Enquanto houver destes pedacinhos de vida, esperança não vai nunca faltar!   
       

sábado, 9 de novembro de 2019

CASS McCOMBS, Auditório CCOP, Porto, 7 de Novembro de 2019

É quase um sacrilégio faltar a um concerto de Cass McCombs. A tradição remonta a 2012 na passagem pelo Sá da Bandeira mas desde aí as oportunidades foram-se repetindo por Famalicão, num regresso ao ar livre à Invicta ou por Ovar, sempre em espectáculos de competência segura, calculada efervescência e misterioso recato. Diríamos que, de todas as vezes, McCombs cumpriu os mínimos requisitados sendo curiosa a sensação que no soalheiro Parque da Cidade as canções escolhidas para a curta actuação obtiverem, então, um efeito mais categórico e libertador.   

No serão de quinta-feira, contudo, repetiu-se a percepção habitual - a qualidade dos temas e a entrega do quarteto não podem sofrer quaisquer reparos apesar do calor excessivo, do palco demasiado afundado ou de um som a roçar o sofrível atendendo às características do salão. O alinhamento percorreu essencialmente os mais recentes álbuns "Mangy Love" donde se ouviram "Bum, Bum, Bum" ou "Rancid Girl" mas faltou o "Opposite House" e o actual "Tip of the Sphere", pleno de escolhas múltiplas que recaíram em "Sleeping Volcanoes", "Rancid Girl" ou nesse extra maravilha chamado "Confidence Man". E o "County Line" perguntam vocês? Para o mal e para o bem, foi esquecido, melhor, nem sequer foi lembrado, reclamado ou sugerido e "substituído" por outras pérolas saborosas como "Real Life" ou "Tying Up Loose Ends", dois novos e brilhantes clássicos de cepa firmada ou não fosse o mentor um verdadeiro dominador da arte de fazer canções e prolongar o mistério...


quinta-feira, 7 de novembro de 2019

WEYES BLOOD, GNRation, Braga, 5 Novembro 2019













O acompanhamento apaixonado que aqui pela casa fomos fazendo da carreira da menina Natalie Mering aka Weyes Blood nos últimos anos teve na noite de terça-feira uma apoteose previsível mas, acima de tudo, enternecedora. Ao espaço esgotado e expectante perante a qualidade de um disco sublime como "Titanic Rising" respondeu a jovem artista e companhia com uma presença em palco segura e robusta onde o traje branco lhe fez realçar o longo cabelo e a beleza das feições.

Este perfil de tão elegante revela-se a figura perfeita para que um outro atributo, como sempre, se faça estremecer - a voz levitante que hipnotiza e sulca a fundo as canções, as palavras e as histórias sérias como na magnífica "Wild Time", no tributo ao amigo perdido em "Picture Me Better" ou no majestoso "A Lot's Gonna Change", uma elegia sobre ela própria ou cada um de nós com que se iniciou a aparição. Sempre a brilhar num sorridente e jovial trejeito de encantar com direito a passos de dança rodopiantes em "Movies" ou no cintilante e memorável momento retro de encaixe perfeito que chegou quando anunciou a versão arrebatadora dos Procol Harum já no final do encore.

Mas faltava a glorificação perante um sepulcral silencio da sala onde respirar nos custou saborosamente mais um pouquinho - agarrou na guitarra e, "como nos velhos tempos", prendeu-nos por feitiço ao chão com "In The Beginning" e "Bad Magic", pretty bad magic, pretty tragic... Desde logo, um concerto para recordar mas também para nos pôr a imaginar até onde chegará tamanho talento de aprimorado crescimento titânico!

terça-feira, 5 de novembro de 2019

MARK GUILIANA, Casa da Música, Porto, 4 de Novembro de 2019











O comando rítmico de um colectivo de jazz tem na bateria uma pedra de toque essencial. No caso de Mark Guiliana, jovem baterista americano conhecido por ter tocado em "Blackstar", o último álbum de estúdio de David Bowie (2016), a chefia pareceu não se ter notado muito na pequena mas repleta sala da Casa da Música. Esta subtileza que se escondeu entre teclados em desvario, vocalizações pré-gravadas e grooves sincopados de baixo eléctrico, corta com um passado clássico de um quarteto de jazz, formação que passou pelo SeixalJazz em 2018, para se lançar em rodagem livre de preconceitos e sem metais para uma fórmula inovadora -"Beat Music!" é o seu nome e título do disco gravado este ano como os músicos que acompanharam em palco, todos trajados a rigor e sem cerimónia, ou seja, de fato de treino amarelado e capuz.

Ao ouvi-los, não é difícil associar viagens doutros aventureiros como os Kraftwerk, Moroder ou até Thomas Dolby, em que o fanhoso e roufenho som dos teclados ou sintetizadores nos sugeriu desalinhamentos estranhos mas, por causa disso mesmo, vibrantes e particularmente saborosos quando roçaram o funk e o disco, tudo marcado quer pelo bater forte nos bombos quer pelo trinado das baquetas num pequeno prato, um virtuosismo variado que Guiliana não sabe humildemente enjeitar. Um concerto de aplauso colectivo mesmo para os mais desprevenidos e que se junta ao rol fantástico de aparições que começou este ano com Colin Stetson e já passou por Kamasi, Sons of Kemet, Nubya Garcia, Joe Armon Jones ou The Comet is Coming! Agora só falta Kamaal Williams... está para breve!           

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segunda-feira, 4 de novembro de 2019

LAURE BRIARD, DO MINHO AO ALGARVE!





















A jovem artista francesa Laure Briard, amante e praticante de uma fresquinha pop yé-yé besuntada de psicadelismo e bossa nova, tem uma verdadeira digressão nacional agendada para breve. São dez, dez, os concertos marcados para Monchique (31 Novembro), Albufeira, Lisboa, Leiria, Aveiro, Porto (Maus Hábitos, 5 de Dezembro), Vila Real, Braga, Ponte de Lima e Santo Tirso que servem para apresentar, em formato trio dito experimental, o já por aqui recomendado álbum deste ano "Un Peau Plus d'Amour S'il Vous Plait". É bem preciso...



sábado, 2 de novembro de 2019

WELL, IT'S BEEN A YEAR!

Aqui fica a primeira de muitas vezes que até ao Natal ouviremos o "Last Christmas" dos Wham! Por isso, nada melhor que pôr a Lucy Dacus a carregar no acelerador no âmbito do anunciado projecto de versões em formato EP a sair no final da próxima semana.


sexta-feira, 1 de novembro de 2019

A GIRL CALLED EDDY, NOVA CANÇÃO!

Tal como foi oficialmente anunciado, há mesmo um álbum novo de A Girl Called Eddy para ser editado em Janeiro. e, assim, catorze longos anos depois, ora aqui está uma canção nova da menina Erin Moran que dará título ao disco! A Carol King e a Karen Carpenter batem, de certeza, muitas palmas...

LOBO #17

























O dia de hoje, que nunca foi de alegrias, marca os dez anos da morte do mestre António Sérgio. Como acrescento às memórias que fomos guardando ao longo dos anos, por aqui surgirão entrevistas e testemunhos na imprensa em que o protagonista é o próprio António Sérgio, como esta pequena conversa com Paulo Castelo saída no "Diário de Notícias" de 15 de Outubro de 1995. Na altura na XFM com o saudoso "O Grande Delta", esse foi um período onde esta menina se tornou definitivamente numa princesa...

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

UAUU #510

AGNES OBEL, BEM-DITA MIOPIA!





















A paixão antiga pela música da dinamarquesa Agnes Obel não é fácil de esquecer. A cada disco, a cada canção, a cada nova sessão, vamos dando um humilde destaque aqui pela casa numa espera de quase dez anos por um concerto por perto que suspiramos se concretize. Parece ainda não ser desta vez, já que a digressão do próximo ano vai circular pelos principais países do velho continente sem datas portuguesas para depois chegar aos E.U.A. em Maio como espectáculo de abertura dos concertos dos Dead Can Dance. Não está fácil...

Tudo isto, claro, tem um motivo empolgante - o novo álbum "Myopia" sairá em Fevereiro na Europa na consagrada etiqueta amarela Deutsche Grammophon, sendo a mítica Blue Note a responsável pela sua publicação no continente americano. O método de gravação mantêm-se inalterado, ou seja, trata-se de mais um projecto de índole solitário com base no estúdio caseiro de Berlim, um isolamento auto-imposto para evitar distracções e más influências. A bolha protectora tem a intenção clara de focar e concentrar todos os esforços e inspirações na composição, tenacidade que própria classifica como uma miopia muito própria e envolvente. Misterioso como sempre, o resultado pode começar a adivinhar-se com este "Island of Doom".

terça-feira, 29 de outubro de 2019

THE INNOCENCE MISSION, ATÉ BREVE!





















O dia tristonho de hoje merecia, pelo menos, esta boa notícia - os The Innocence Mission terão álbum novo já em Janeiro de 2020 na Bella Union, o segundo em dois anos na editora inglesa de Simon Raymonde e Robin Guthrie dos Cocteau Twins. O conforto caseiro de Lancaster na Pennsylvania continua a ser o meio mais eficaz para apurar a composição das canções de Karen e Don Peris a que se junta a contribuição de Mike Bitts, o baixista original da banda, insistindo-se nas temáticas simples mas essenciais como a família, a amizade ou a experiência de vida que só o passar do tempo elucida. Aqui fica o primeiro de onze ensinamentos chamado "On Your Side" a ser inscrito em "See You Tomorrow"... see you!


FAZ HOJE (20) ANOS #14



















MORRISSEY, Coliseu do Porto, 29 de Outubro de 1999
. O Comércio do Porto, fotografia de Estela Silva, 30 de Outubro de 1999, última página
. O Comércio do Porto, por Miguel Reis Miranda, fotografia de Estela Silva, 31 de Outubro de 1999, p. 27



segunda-feira, 28 de outubro de 2019

DESTROYER, E VÃO TREZE!





















A carreira de Dan Bejar e dos seus imprescindíveis Destroyer aproxima-se vertiginosamente das bodas de prata, quase vinte cinco anos de uma aliança sonora de marca própria que eleva sempre a pop a níveis luxuosos. Está a chegar mais um produto de qualidade de recomendação imediata mesmo que só seja ainda possível testar a dose a partir de uma única canção - "Crimson Tide" é o pronúncio de mais um grande disco, o décimo terceiro a sair no final de Janeiro de 2020 e nomeado de "Have We Met" sem ponto de interrogação.

A composição dos novos temas foi feita, segundo dizem, à mesa da cozinha lá de casa num aparente regresso ao passado e a discos como o clássico "Kaputt" mas onde, certamente, se juntará um regresso ao futuro de versão relaxada e em catarse contínua como só Bejar pode e sabe fazer. E, sim, já nos conhecemos...


sábado, 26 de outubro de 2019

EFTERKLANG, Hard Club, Porto, 24 de Outubro de 2019

Nos seis anos que separam a estreia dos Efterklang pelo Porto em 2013 até ao regresso na noite de quinta-feira a agenda do colectivo dinamarquês esteve quase sempre preenchida. Filmes, documentários, expedições, rádios online, digressões com orquestras, novos projectos como os Liima ou aventuras a solo como a de Casper Clausen pela margem Sul são o espelho de uma inquietude artística de notável arrojo que já merecia um regresso às origens traduzido na edição em Setembro passado de um álbum de originais, o quinto, cantado em dinamarquês e propositadamente chamado "Altid Sammon ", ou seja, "Always Together"!

Sempre juntos e para além do trio original, ao vivo a sofisticação envolve agora uma baterista, um guitarrista e teclista a que se junta uma inusitada pequena harpa horizontal e uns laivos de flauta que orquestram uma sonoridade fina e purificada de estirpe, diríamos, rara. Podem estranhar-se as palavras em dinamarquês mas apetece de imediato beber sem receio destas canções que ondulam num tal exotismo que nos impelem a cantá-las sem saber o significado dos refrões ou das frases para gáudio de um Casper rendido a um improvisado coro de assinalável tessitura vocal que fez de um tal "Havet Lofter Sig" um memorável recital de curta duração...

Ao libreto faltava, então, uma segunda parte de consagração onde desfilaram alguns dos temas suspirados por um público adulto e fielmente agarrado a antiguidades como "Alike" e "Sedna" ou a tesouros pop como "The Ghost". Todos saborosos, nostálgicos e refrescantes mas é ainda e sempre "Modern Drift" a vibrar por osmose a plateia e o palco num singular momento de partilha e agitação. Aos Efterklang só pedimos que durem para sempre!

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

RUFUS WAINWRIGHT, VINTE ANOS DE GLAMOUR!

Há uma nova canção de Rufus Wainwright que anuncia um álbum de originais na editora BMG. O registo foi realizado nos mesmos e variados estúdios de Los Angeles onde o então jovem canadiano gravou o homónimo disco de estreia em 1998, mas deste vez a ajuda veio do creditado produtor Mitchell Froom que já colaborou com gente tão diversa como Richard Thompson, Elvis Costello ou Randy Newman. Espera-se, por isso, aquela maturidade glamorosa de que só um voz como esta é capaz e que tem neste "Trouble in Paradise" um primeiro e requintado exemplar...


quinta-feira, 24 de outubro de 2019

VETIVER ANTES DE DEVENDRA BANHART!

fotografia de Vera Marmelo/zdb
















A amizade e a cumplicidade entre Andy Cabic aka Vetiver e Devendra Banhart dava um livro de memórias de assinalável volume cujo primeiro capítulo teria início, eventualmente, no já longínquo ano de 2002! Digressões, canções, discos ou filmes, a parceria Cabic/Banhart teve desde sempre Portugal como um dos destinos de eleição tal como aconteceu, por exemplo, na memorável soirée que aportou a Espinho em 2015. A parceria tem, outra vez, agendamento acertado ao longo de toda a digressão europeia de Banhart que chegará ao Porto e a Lisboa nos próximos dias 15 e 16 de Fevereiro e na qual Cabic em nome dos Vetiver fará a primeira parte para depois ajudar, certamente, o amigo na apresentação principal.

Entretanto, há um álbum novo quase a chegar (1 de Novembro) de nome "Up On High" onde torna a cintilar o melhor que a folk americana consegue alcançar e que, felizmente, tem criado inúmeras raízes fecundas e saborosos frutos/canções para tornar a provar, sem restrições, frente-a-frente como convêm.