segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

sábado, 29 de dezembro de 2018

LEAH SENIOR, JOVIALIDADE ADULTA!


















A última década tem sido pródiga em excelentes surpresas vindas da Austrália, uma fonte imparável de boa música e grandes canções que se tornou quase um costume antigo. A menina Leah Senior é mais um destes casos com sede em Melbourne que não disfarça ao que vem e o que a inquieta - o folk tradicional e intemporal de guitarra em punho sem geração ou categoria e de que o disco "Pretty Faces" de 2017 é um exemplo perfeito que só agora descobrimos. A peça, produzida Joey Walker do colectivo amigo King Gizzard e com os quais Senior têm amiúde colaborado - é dela a voz endeusada que percorre o álbum "Murder of Universe" dos Gizzard editado no mesmo ano e com participação activa em videos e parcerias soalheiras e descontraídas - é um cintilante cartão de visita a que se junta já o novo tema "Graves", um bom pronúncio e mais musculado de um outro disco na forja. Há digressão atarefada pela Europa já no próximo mês com paragem em Vigo no dia 18 de Janeiro e seria de bom tom que alguém pudesse fazer rolar a pérola até à Invicta... 






sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

DAVID KEENAN, A IRLANDA EM CANÇÕES!

Ao jovem David Keenan nada falta para se afirmar sem embaraços. A tradição irlandesa notada no acento da língua transparece na voz e nas letras das canções que se junta à descontracção com que enfrenta a carreira, os palcos e as audiências para as quais costuma cantar apaixonadamente. Em 2017 para a edição do seu primeiro single "Cobwebs" fundou a Barrack Street Records, nome inspirado no local onde a sua mãe cresceu em Dublin e onde lançou o EP "Evidence of Living" no início do mês. Tamanha audácia e até atrevimento poderão ser confirmados ao vivo já no próximo dia 26 de Janeiro em Chaves e no dia seguinte em Ílhavo.




quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

CHANTAL ACDA, MÊS TRÊS CONCERTOS!





















Anuncia-se, finalmente, a vinda de Chantal Acda ao nosso país para três concertos em Março. Porto, Lisboa e Portalegre são cidades iluminadas. Já há por aí muita gente a suspirar...

BILL CALLAHAN, ESTRANHA EXPERIÊNCIA!

Só agora reparamos que a prestação de Bill Callahan na Third Man Records de Jack White em Novembro de 2017 por Nashville teve já saída oficial em disco, um privilégio directamente registado para vinil que muito recentemente elegeu Father John Misty. Fomos ouvir. Nos seis temas escolhidos de entre os últimos três álbuns assenta uma conveniente aura de nostalgia e saudade mas que, infelizmente, não são lá muito boas. Seja pela posição da voz, das soluções dos arranjos ou do desconforto da guitarra de Matt Kinsey, não era desta "sujidade" que precisávamos e ansiávamos embora a experiência auditiva não seja completamente desprezível. Tentem lá ouvir este estranho "Jim Caim" até ao fim...

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

DAVID ALLRED, EM TRANSIÇÃO POR COIMBRA!





















O disco "Find the Ways" lançado em 2017 por Peter Broderick e David Allred acarretou, aqui pela casa, mais uma grande descoberta. Allred há muito que paira na entourage dos irmãos Broderick e de muitos outras artistas em digressões conjuntas, colaborações multi-instrumentais de estúdio e um gosto inapelável por sonoridades de beleza pungente e surpreendente. No mesmo ano, tinha já lançado o álbum "In A Town You Wouldn't Know", dez peças acústicas registadas em auto-suficiência por Portland mas desafios maiores aproximavam-se rapidamente e sem tempo a perder. O álbum ao lado Broderick e uma outra colaboração no tema "Ahoy" incluída na caixa  "1+1=10" que comemora os dez anos da sagrada Erased Tapes, levou a editora alemã a fazer o convite irrecusável - gravar um disco a solo que teve publicação em Novembro último com o título de "The Transition". São mais dez maravilhas inspiradas numa experiência temporária por um lar de idosos escrita e registada num único mês e onde, para além das semelhanças da voz com a do amigo Peter que logicamente o produziu, se notam as confluências de sonoridades e melodias maturadas em persistência, isolamento e muita, muita classe. Tamanho cardápio tem apresentação agendada para dia 26 de Janeiro no CAV de Coimbra e a oportunidade é, claro, uma dádiva imperdível. 






UAAU #465

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

PETER BRODERICK E OS AMIGOS DE RUSSELL!





















O sinal tinha já sido dado aquando do excelente concerto de Peter Broderick em Espinho onde avançou ao vivo com duas versões de Arthur Russell ("Losing My Taste For the Nightlife" e "Eli"), uma veneração antiga mas que, sem o sabermos, estava em germinação avançada desde 2017. Ao convite de Rasmus Stolberg dos Efterklang para tocar num novo festival dinamarquês no Verão desse ano juntou-se um desafio - só interpretar originais de Russell com a ajuda de uma banda de amigos nórdicos, o que se confirmou um êxito traduzido em inúmeros convites para outros eventos. Mas as boas notícias correm depressa e chegaram até Tom Lee, parceiro de Russell nos últimos anos de vida, que o convidou a analisar, explorar e restaurar uma série de velhas fitas com originais na sua posse.

Depois de devidamente ouvidos ao logo de muitas horas a decisão estava tomada: registar uma série de dez desses inéditos no estado americano de Maine onde reside parte da família Russell e no qual o próprio Broderick nasceu em 1987. Para um envolvimento adequado, sugeriu-se a participação dos seus sobrinhos Beau e Rachel e a escolha da magnífica tela de Tom Lee para a capa do álbum saído hoje, dia de Natal. A prenda tem colaborações de músicos amigos como Ora Cogan, Daniel O'Sullivan ou Brigid Mae Power que podemos ouvir, desde já, neste "Come To Life" e o álbum pode ser descarregado sem aparentes custos, havendo ainda edições em vinil e k7 disponíveis para aquisição próxima.     
     

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

BOM NATAL!

SINGLES #46





















MAHALIA JACKSON - Songs For Christmas
Holanda: CBS - 1.118, 45RPM, 1973
Sempre que percorremos a caixa onde se acumulam centenas de singles de vinil de Natal lá aparece a capa que acima se reproduz e que sempre nos intrigou. Não há nela um único sinal de época, pinheiros, bolinhas ou luzinhas a brilhar mas simplesmente o perfil sério e tenuemente sorridente de Mahalia Jackson, a rainha do gospel e uma das lendas da música americana já com direito a selo postal entre muitas outras honrarias e prémios. Em ambos os lados repousam canções eternas sem grandes ornamentos ou orquestrações - "White Christmas" retirado certamente de "Christmas With Mahalia" álbum de 1968 e "Joy to the World" do primeiro disco referente ao Natal chamado "Silent Night - Songs For Christmas" saído em 1962 - mas onde a voz contralato de tonalidade vincadamente soul cumpre na perfeição o efeito pretendido. Talvez a CBS tenha pretendido homenagear com esta edição a sua figura falecida em 1972, juntando dois dos maiores clássicos num único disco e estampando na capa o seu semblante para todo o sempre, transformando a rodela numa peça de colecção obrigatória e intemporal.




É NATAL E AINDA HÁ MILAGRES!





















Pode haver muitas canções de Natal, daquelas em catadupa via rádio ou televisão, mas ao chegar perto da data recomenda-se a audição acautelada dos verdadeiros clássicos de época sem idade que se reinventam, mesmo assim, a cada ano. O estúdio californiano Valentine Recordings sediado em Los Angeles decidiu convidar os seus amigos e compinchas para registar alguns deles em jeito de diversão ao longo de três dias planeados à distância para não haver falhas mas que foram sobressaltados pelos devastadores incêndios que assolaram a região em Novembro. Manteve-se, então, a sessão e juntou-se um novo objectivo solidário para com todos os que perderam os seus bens e as suas casas, sendo a totalidade dos proveitos da venda do disco ou das canções dirigidos à Direct Relief, organização internacional com provas dadas no socorro e auxílio emergente em tantas e tantas calamidades e tragédias e habituada a fazer milagres. Há excelentes covers de Mac Demarco, Weyes Blood ou Alex Cameron entre muitas outras colaborações, numa edição oficial saída no passado Sábado. Toda a ajuda pode ser dada através deste link... 

sábado, 22 de dezembro de 2018

NORBERTO LOBO, Passos Manuel, Porto, 21 de Dezembro de 2018

As muitas as vezes que nos encontramos com o Norberto Lobo foram sempre gratificantes. Em festas ao ar livre, com a ajuda dos Tigrala, ao lado do saudoso Naná de Vasconcelos ou em qualquer outra ocasião a expectativa acaba sempre em alta pela incerteza do que vamos ouvir e do que vamos aprender e sorver. Mas é no escuro do Passos Manuel que a experiência da sua música encontra a toca perfeita, um efeito longínquo que tem já mais de uma década e que ontem acabou por se repetir de forma maravilhosa. De propósito, sentámo-nos perto ou até no mesmo lugar de então, o que não esquecemos de fazer também em 2012 durante o único Mexefest portuense, um ritual que se repete em cima do palco onde a única cadeira parece ser a mesma e o jogo mínimo de luz inalterado para que a penumbra permita a concentração e, já agora, o sonho. Mudou a guitarra que agora é eléctrica, mudou o amplificador emprestado pelo amigo Peixe e o Norberto já precisa de óculos como quase todos os que o acompanham desde o início. Mantêm-se aquela timidez em nos agradecer a presença já quase no final e um jeito inigualável de sacar continuamente de uma guitarra momentos de beleza únicos, uma tensão absorvente de efeito viajante que nos harmoniza e acalma como um bálsamo revigorante espalhado na hora certa. Hummm... 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

BOB DYLAN, UMA REIVINDICAÇÃO!














Em dia de manifestações (?), aqui fica uma reivindicação: queremos um concerto de Bob Dylan no Porto, cidade onde já não não actua há vinte anos. Sabemos que em Março passado esteve na capital num espectáculo que dividiu, evidentemente, opiniões mas agora que se anunciam as datas para o próximo ano de uma digressão infindável que começou há três décadas - por isso se chama "Never Ending Tour" e já vai em quase 3000 concertos - chegou a hora D! Assim e atendendo que só em Espanha no final de Abril e início de Maio há oito cidades com direito a recital - Santiago de Compostela é o mais próximo e será num simples multiusos - propomos que, mesmo não havendo ainda um Palácio de Cristal recuperado a tempo, seja Gondomar e o seu multiusos do também nobel Siza a receber o privilégio! Seja para um trago de rum num bar português tal como escreveu e cantou em "Sara", canção delicada e dedicada à sua primeira esposa oficial, um whiskey de marca própria ou para subir as escadas da Lello, o que só fica bem a qualquer "escritor" nobilizado, cá o esperamos de garrafa na mão...

UAUU #464

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

3X20 ESPECIAL 2018

















20 CANÇÕES X 20 ÁLBUNS X 20 CONCERTOS
+ 10 Low + 10 High 2018
Relatório e contas aprovado com dificuldade!

20 Canções:
1. MGMT - When You Die »»»
2. DAMIEN JURADO - Marvin Kaplan »»»
3. SUFJAN STEVENS - Mistery of Love »»»
4. JACK WHITE - Over and Over and Over »»»
5. KACEY MUSGRAVES - High Horse »»»
6. TRACEY THORN - Dancefloor »»»
7. TY SEGALL - She »»»
8. RHYE - Count To Five »»»
9. PORCHES - Goodbye »»»
10. YOUNG GUN SILVER FOX - Take It Or leave It »»»
11. JOSIENNE CLARKE, BEN WALKER - Chicago »»»
12. GROUNDERS - Perfect »»»
13. M. WARD - Shark »»»
14. PAUL McCARTNEY - I Don't Know »»»
15. UNKNOWN MORTAL ORCHESTRA - Everyone Acts Crazy Nowadays »»»
16. MOLLY BURCH - First Flower »»»
17. SCOTT MATTHEWS - Something Real »»»
18. RUFUS WAINWRIGHT - Sword of Domocles »»»
19. HALEY HEYNDERICKX - Oom Sha La La »»»
20. ARCTIC MONKEYS - Star Treatment »»»

20 Álbuns:
1. DAMIEN JURADO - The Horizon Just Laughed
2. ARCTIC MONKEYS - Tranquility Base Hotel and Casino
3. NILS FRAHM - All Melody
4. EXIT NORTH - Book of Romance and Dust
5. LUCY DACUS - Historian
6. LAURA VEIRS - The Lookout
7. ADRIANNE LENKER - Abysskiss
8. SON LUX - Brighter Wounds
9. JONATHAN WILSON - Rare Birds
10. KAMASI WASHINGTON - Heaven and Earth
11. MARLON WILLIAMS - Make Way For Love
12. BRIGID MAE POWER - The Two Worlds
13. VACATIONS - Changes
14. FIELD MUSIC - Open Here
15. CAT POWER - Wanderer
16. ELVIS COSTELLO & THE IMPOSTERS - Look Now
17. THE INNOCENCE MISSION - Sun On the Square
18. GRUFF RHYS - Babelsberg
19. LUMP - Lump
20. KADHJA BONET - Childqueen

20 Concertos:
1. NICK CAVE AND THE BAD SEEDS, Primavera Sound Porto, 9 de Junho »»»
2. NILS FRAHAM, Theatro Circo, Braga, 17 de Novembro »»»
3. DAMIEN JURADO, Theatro Circo, Braga, 24 de Outubro »»»
4. JOAN SHELLEY, Convento Corpus Christi, V. N. Gaia, 28 de Setembro »»»
5. THE COMO MAMAS, Theatro Circo, Braga, 21 de Julho »»» 
6. PETER BRODERICK, Auditório de Espinho, 26 de Maio »»»
7. FEIST, Theatro Circo, Braga, 8 de Setembro »»»
8. PUBLIC SERVICE BROADCASTING, Hard Club, Porto, 3 de Dezembro »»»
9. JULIE BYRNE, GNRation, Braga, 16 de Junho »»» 
10. MERCURY REV, Teatro Afundación, Vigo, 18 de Setembro »»»
12. KURT VILE & THE VIOLATORS, Hard Club, Porto, 26 de Outubro »»»
12. HOLLY MIRANDA, Hard Club, Porto, 25 de Novembro »»»
13. GOAT (JP), Serralves em Festa, Porto, 3 de Junho »»»
14. THUNDERCAT, Primavera Sound Porto, 8 de Junho »»»
15. ANNA CALVI, Hard Club, Porto, 19 de Outubro »»»
16. CHICO BUARQUE, Coliseu do Porto, 2 de Junho »»»
17. BENJAMIN CLEMENTINE, Centro Cultural de Viana do Castelo, 26 de Março »»» 
18. RON GALLO, Hard Club, Porto, 4 de Setembro »»»
19. LISA HANNIGAN, Teatro Cinema de Fafe, 4 de Maio »»»
20. BOOGARINS, Maus Hábitos, Porto, 27 de Março »»»

10 Low:
. o segundo ano consecutivo sem pôr os pés na Casa da Música;
. o quase deixar de comprar jornais;
. a (in)certeza perigosa chamada Bolsonaro;
. o descrédito incompreensível de Serralves;
. o "sai não sai" da espertice britânica;
. a jogar em casa, o último lugar no Festival da Canção;
. deputados, ausências e a falta de vergonha;
. o deslizar "reggaeton" do NOS Primavera Sound;
. os moradores da Baixa, uma "espécie" em extinção acelerada; 
. a ciática ou o raio da hérnia discal e que dá uma música...

10 High:
. o final feliz do surreal acidente com os 12 meninos tailandeses;
. a RTP2, o único reduto de decência televisiva;
. a página inteira do André Carrilho no "DN" de Domingo;
. o Hard Club ou os concertos sem concorrência na cidade;
. o tesouro, mais um, chamado "A Man Alone" do Sinatra;
. o cada vez melhor "Poder Soul" do Tenreiro na Antena3;
. a excelente exposição "Musonautas" sobre a música moderna na Invicta;
. o livre do Ronaldo contra a Espanha e um empate vitorioso;
. os 2 minutos mágicos de Sufjan Stevens e Cª na cerimónia dos Óscares;
. o correr menos, mais devagar mas continuar a correr!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

DUETOS IMPROVÁVEIS #212

BRIGID MAE POWER & PETER BRODERICK
The Two Worlds (Power)
Registado no The Half Door Bed & Breakfest, Galway, Irlanda, 2017

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

MARK EITZEL MUITO LÁ DE CASA!













Era a digressão que faltava! Mark Eitzel estará disponível para tocar na sala de estar, no pátio, no jardim ou até no escritório de quem disponibilizar a casa, o apartamento ou outro qualquer local que albergue cinquenta sortudos para o ouvir desfiar, sem amplificações, canções de eleição. A tour está prevista para Março, Abril e Maio por mais de trinta cidades americanas e canadianas e os candidatos só têm que preencher o formulário e esperar, sentados, a confirmação da dádiva e apressar-se a convidar gratuitamente cinco amigos para a festa... controlada. Se a fórmula resultar, chegar à Europa e ao Porto ou arredores, há a certeza que, pelo menos, uma humilde casa junto ao mar e uma loja na baixa reúnem todas as condições de aprovação. Isso é que era! Relembra-se que Eitzel estreou-se no Porto com um concerto acústico de fim de tarde para não mais de vinte almas na loja Jo Jo's de Cedofeita em 23 de Abril de 2003... schhh!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

WILLIAM TYLER, A OESTE HÁ ALGO DE NOVO!

Sem que nos preocupemos sequer com as explicações, há uma certa transcendência que emana da música do americano William Tyler. Seja dos arranjos, do virtuosismo ou dos ares de Nashville, o aparente e simples abuso de pegar na guitarra eléctrica para nos seduzir com instrumentais fora de moda acaba numa saudável virtude que mestres como Ry Cooder ou até Norberto Lobo insistiram e insistem em praticar para gáudio de sensores auditivos descomplexados. O próximo álbum a sair em Janeiro tem o nome de "Goes West" e resulta da migração ocidental de Tyler para Los Angeles onde a casa Zebulon, ela própria "imigrada" de Brooklyn em 2017, passou a ser o santuário de todas as colaborações e partilhas/residências artísticas. A incubação de um novo trabalho com a participação da talentosa Meg Duffy (Hand Habbits) que se pode, desde já, comprovar no mais recente registo video de um dos originais, recebeu ainda a ajuda de Bill Frisell, do baixista Brad Cook, do baterista Griffin Goldsmith (Dawes) ou do teclista e conterrâneo James Wallace mas onde Tyler se agarrou unicamente a um tipo de guitarra, a acústica, para se "limpar" de distracções laterais, aditivos líquidos ou electricidades dinâmicas. Solicita-se, já agora, uma sensorial aproximação oriental que perdemos há dois anos e que urge experimentar a três dimensões sem mais demoras.



UAUU #463

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

(RE)LIDO #86





















BORN TO RUN - Autobiografia
de Bruce Springsteen. Amadora; Elsinore, 2016
"Escrever sobre nós próprios é complicado... Mas, num projeto como este, o escritor fez uma promessa: revelar a sua mente a quem o lê. Nestas páginas, foi o que tentei fazer." 

Para quem como Bruce Springsteen tem uma vida artística já longa e intensa, a promessa com que nos brinda logo a abrir a sua história parece simplesmente um cliché literário. Mas se atendermos a que tal projecto foi meticulosamente documentado durante sete anos entre concertos e digressões, retiros e introspecções, percebemos que na enorme cruzada de altos e baixos o artista escolheu revelar o que quis, melhor, o que o protege e fortalece. Ficaram na penumbra, certamente, um conjunto ilimitado de factos sem que se possa, contudo, apontar falta de coragem ao The Boss, o patrão que tudo controla mas que tudo merece atendendo à dedicação e perseverança. 

O esforço é particularmente saboroso e notório na recordação de uma infância agitada em New Jersey, na relação conturbada com o pai e no advento da música pela rádio, na pulsação da primeira guitarra ou a canção inicial, uma versão de "Twist & Shout" ainda hoje obrigatória no alinhamento final de qualquer concerto para irritação dos mais puristas. 

Sem destapar desenfreadamente todas as suas paixões ou receios, a morte, por exemplo, o medo dela, é particularmente tocante nos casos do pai e do brother Clarence Clemmons, ligações demasiado próximas de amizade e amor que o levam a disfarçar o indisfarçável perante tamanhas perdas - o facto de não ter hipótese de controlar e parar o inevitável, o destino. 

Aliás, o seu famoso temperamento egocêntrico tem em toda a narrativa um visível e entroncado esquema quanto à entrada ou saída de músicos para a E-Street Band ou para o registo dos discos, um controlo natural e que, incondicionalmente, traduz muito do que Springsteen sempre tentou alcançar - um difícil equilíbrio artístico e pessoal, tentando resistir a impulsos para não ferir paixões e amizades essenciais.

Em todos os momentos da leitura percebe-se a força de uma natureza sempre irrequieta que tem na música, na guitarra e no palco as doses obrigatórias de adrenalina para continuar a viagem e de que são exemplo as centenas de actuações a solo durante o último ano pela Broadway nova-iorquina, mais uma aventura assinalável e teimosa de quem acredita no que faz.

As seiscentas páginas do volume podem, assim, assustar os mais receosos mas depois de iniciada a “contenda” é com pena que vemos o livro chegar ao fim, uma corajosa edição simultânea de uma editora portuguesa do original inglês que vai já em segunda edição, o que nos leva a supor que, mesmo de mercado reduzido, há pelo nosso cantinho um enorme respeito e afeição a um dos maiores nomes da história da música popular nascido simplesmente para vencer.   

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

CASS McCOMBS, MARAVILHAS NO MUSEU!

Aproxima-se mais um toque de magia a cargo de Cass McCombs com "Tip Of The Sphere", álbum a sair na Anti-Records em Fevereiro. Das onze novas canções, recomenda-se a audição antecipada de "Sleeping Volcanoes" e "Estrella", esta última uma homenagem ao artista mexicano Juan Gabriel falecido em 2016 mas que afinal pode ainda estar vivo! Depois do disco com os The Skiffle Players, parceiros que o ajudaram na gravação do novo trabalho, o californiano prepara-se para uma intensa digressão pelos E.U.A. logo em Março não sem antes ter passado em Novembro pelo ecléctico festival holandês Le Guess Who?, um evento que este ano teve curadoria parcial de Devendra Banhart e um alinhamento estrondoso.     

Nessa oportunidade e tal como aconteceu com os Wilco em 2016, a malta da La Blogothèque aproveitou a oportunidade e levou MccCombs e companhia para dentro de um museu, o Museu Nacional Ferroviário de Utrech, para registar precisamente as duas novas canções já conhecidas em ambiente adequado e acolhedor. Maravilhas!




quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

LAMBCHOP, DE SE TIRAR O CHAPÉU!





















Após o magnífico "Flotus" de 2016 que mereceu visita a preceito, os Lambchop anunciam o regresso para Março com um novo trabalho que segue os traços desarmantes e discordantes que esse disco evidenciava. Chama-se "This (is what I wanted to tell you)" e tem na sua génese uma parceria criativa de Kurt Wagner com Matt McCaughan, habitual colaborador de Bon Iver que deu corpo sintetizado às frágeis demos que Wagner lhe ia enviando. Dos oito temas originais, só o último "Flower" não tem a palavra "You" no título de que é exemplo o primeiro avanço agora disponível, um distorcido falseto que assenta na perfeição, pela sua onda, no corrente mês natalício e que tem no video de Johnny Sanders um cintilante retrato visual. Nota-se ainda que, sem certezas, temos na capa de um álbum dos Lambchop pela primeira vez a figura de Kurt Wagner e, ainda mais raro, sem chapéu! Em Abril a banda chega à Europa para a habitual ronda de concertos.   

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

DANIEL KNOX, NOVOS CONTOS E CONCERTOS!





















A vida de Daniel Knox dava um livro e também um filme mas ele prefere a música para expressar as contrariedades e conquistas de um dia-a-dia que se prolonga até tarde na profissão de projeccionista de cinema em Chicago, no ensino do piano ou no registo video de afazeres ou passeios que utiliza em alguns das imagens com que envolve as canções entretanto gravadas. Quem o viu e ouviu em Coimbra em 2015 não esquece as histórias e episódios que antecipam e se misturam nos temas que um piano vai fazendo o notável favor de prolongar e entranhar com a voz, um dão que surge agora ainda mais brilhante - "Chasescene" é um quarto e enorme disco de contos sonoros com saída no continente americano marcada para Janeiro mas já disponível na Europa em diferentes versões e que tem colaborações de Jarvis Cocker ou Nina Nastasia que encanta em "The Poisoner", tema escrito para o filme do mesmo nome realizado por Chris Hefner em 2014 e onde o próprio Knox faz uma perninha. A parceria é a concretização de um velho sonho de convidar uma das suas autoras favoritas para cantar e marca o regresso da menina de Los Angeles ao fim de oito anos de silêncio e afastamento e que nos habituamos a ver tantas vezes por .
Há já concertos próximos para apresentação do disco mas não se conhecem pormenores quanto a bilhetes e horários: assim, a 19 de Janeiro, Sábado, passa supostamente pela Casa da Música para depois voltar em Fevereiro, a 14 em Lisboa e a 16 em Leiria.







DIRTY PROJECTORS DE SECRETÁRIA!

UAUU #462

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

JESSICA PRATT, À ESPERA DE UM MILAGRE!





















Há qualquer coisa de misterioso ou madrugador sempre que Jessica Pratt solta uma nova canção. Passou já algum tempo, demasiado, para que o seguidor de "On Your Own Love Agian", o segundo trabalho de longa duração lançado em 2014, se apresse a chegar de negro vestido e ofuscante. Os dois feixes de claridade que abaixo se apontam continuam a causar, como os de há quatro anos trás, uma tremedeira gostosa o que nos leva a imaginar o que será quando o disco rolar inteiro e sem interrupções... Chama-se simplesmente "Quiet Signs" e marca a transferência da Drag City para a Mexican City (EUA)/City Slang (Europa) com nevoeiro pronto a levantar a partir de dia 8 de Fevereiro de 2019. Há aparições ao vivo recomendadas por experiência própria que estão já seleccionadas, destacando-se um concerto/prenda no dia de Natal (!) em Brighton, Inglaterra! Pratt regressará à Europa a partir de Março, uma digressão que se estende da Escandinávia até França sem sinais, até agora, de uma aproximação mais ocidental perfeitamente justificada... Seria milagroso!




3X20 DEZEMBRO













domingo, 9 de dezembro de 2018

FAROL #129











Chegamos aos Mazarin através da faixa "Bossa" que o Joaquim Paulo passou na Antena3. Fomos investigar. A banda tem para oferta um EP onde cabem, para além do delicioso tema referido, mais quatro variantes instrumentais de calibre superior a la Badbadnotgood made in Beja! Ficamos à espera do vinil obrigatório... Siga.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

IN MEMORIAM... DE DOIS iPODS!
















Foram companhia diária imprescindível em bons em maus momentos mas dois dos nossos iPods Clássicos de 160gb ficaram reduzidos a isto, memórias físicas que parecem novas mas que, simplesmente, emperraram! Como as compreendemos atendendo ao contínuo uso e abuso de montanhas de mp3 que hoje são uma velharia em tempos de spotify's e wi-fi's. Insistimos, já que até a casa mãe decidiu descontinuar estes empecilhos. Carregamos novas memórias, das modernas, plenas de vigor e mais pequenas e assim, por muito que nos digam e tornem a dizer que que isso dos iPods é história, não passamos carinhosamente sem eles. As memórias são agora!       


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

ELAS E O PRIMAVERA SOUND BCN!

























A edição 2019 do Primavera Sound de Barcelona anunciada ontem lançou uma enorme e infindável polémica quanto às escolhas e onde as artistas femininas ganham uma primazia, dizem, desmesurada. Pensar que a edição do Porto de há dois anos fez até um aquecimento de véspera para onde só foram convidadas mulheres, às tantas vai haver uma noite masculina... Apontam-se ainda estratégias de marketing discutíveis, preços exagerados e traições ao espírito original do festival. Vamos esperar pela versão portuense sem, contudo, grandes esperanças.

JESSICA MOSS, GNRation, Braga, 4 de Dezembro de 2018

A apresentação única da canadiana Jessica Moss pelo Minho teve, aparentemente, uma excelente repercussão. O evento estava esgotado há alguns dias mas olhando à ocupação da sala onde saltavam à vista metade das cadeiras vazias, um fenómeno de entroncamento estranho deve ter acontecido para que alguns tenham sido privados, por antecipação, de assistir ao concerto da violinista dos A Silver Mt. Zion... Penoso!

Antes da anunciada estreia de temas do mais recente "Entanglement", Moss preparou o ambiente escolhendo um pedaço de chamada "Jewish Music" para alongar as cordas e quebrar algum do gelo, uma sonoridade que se assumiu como fundamental em "Pools of light", álbum anterior de feições mais tradicionais mas onde a experimentação é, mesmo assim, parte essencial da sua beleza. Seguiram-se, então, três andamentos do disco deste ano com direito a explicações prévias para vincar a sua constante preocupação em criar e gravar música como forma de entrelaçar e misturar emoções, sentimentos e, acima de tudo, sensações. À simplicidade crua do som do violino foram-se então justapondo outros ruídos ora distorcidos ora alongados que culminaram em quase dez minutos de um lamento de vozes sobrepostas de lindíssimo hipnotismo memorial e catártico. Inspira...dor!

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

PUBLIC SERVICE BROADCASTING, Hard Club, Porto, 3 de Dezembro de 2018

São famosos e reputados quase todos os serviços públicos ingleses à custa de uma clientela exigente e habituada a produtos de qualidade extrema. Seria pois um crime de lesa-majestade deixar passar em claro a passagem dos Public Service Broadcasting pela cidade, uma milagrosa dose dupla no corrente ano depois da atribulada e abençoada estreia no Parque da Cidade o que por si só constituiu uma saborosa e invulgar dádiva. A banda do sul de Londres, que emite desde 2009, é (era) um dos segredos mais bem guardados de uma tradição pop britânica que ali a electrónica a uma veia melodiosa que tanto aposta nos samples como no nervosismo de um baixo e até de um banjo para, através da música, homenagear aventuras épicas, viagens trágicas, personagens lendárias, eventos desportivos ou lutas de classes em imagens em permanente projecção durante os concertos, um costume antigo aplicado aos videos originalmente realizados para as canções mas que se tornaram uma imagem de marca de um projecto atraente e de subtil inteligência instrumental.       

O último dos concertos da corrente digressão europeia foi, assim, um género de reencontro privado almejado desde Junho passado onde a banda assumiu em toda a sua plenitude as capacidades de agitação e partilha para uma plateia amiga e ávida de confraternização animada. O trio rapidamente se impôs pela notável facilidade de entrosamento e comunicação que privilegiou um alinhamento salpicado nos três álbuns já editados mas sem excluir extras como um enorme "Elfstedentocht Part Two", um dos três fabulosos temas escritos para homenagear em 2013 uma prova de patins de gelo na Holanda... Houve direito a clássicos agitadores como "Korolev", "Spitfire", "Go!" e "Gagarin" que haveria literalmente de aparecer aos saltos já no encore. O eloquente final fez-se ao som de "Everest", um pico obviamente escolhido a dedo para não mais esquecermos esta viagem sonora e visual de extrema competência e a merecer ovação generalizada e radiante.
Um serviço público de excelência!         

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

DUETOS IMPROVÁVEIS #211

MARISSA NADLER & SHARON VAN ETTEN
I Can't Listen to Gene Clark Anymore (Nadler)
Imagens de Heather Woods Broderick, 2018

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

(RE)VISTO #72













AINDA TENHO UM SONHO OU DOIS
A HISTÓRIA DOS POP DELL'ARTE
de Nuno Duarte e Nuno Galopim, RTP/Antena3, 2018
RTP2, 28 de Novembro de 2018
Mesmo fazendo parte do festival Porto/Post/Doc por onde passou no passado sábado, foi via serviço público televisivo que acabamos por ver este documento.
Se há banda portuguesa que merecia uma distinção retrospectiva em forma de filme, essa era os Pop Dell'Arte, uns mais que injustiçados ao longo de trinta e cinco anos de actividade o que sempre nos causou estranheza e, por isso mesmo, muito respeito. Sem constrangimentos quanto a rótulos, tendências ou ondas, a banda de João Peste fez sempre o que muito bem quis das suas canções e discos, promovendo uma liberdade criativa invejável e até arrojada que o filme aborda ao de leve e que talvez fosse digna de uma exploração mais profunda e intencional. A matriz adoptada, que não foge à tradicional "chapa3" - entrevista+capa de disco+actuação ao vivo - é talvez um guião ao qual não se pode (deve?) fugir mas atendendo ao vanguardismo criativo que os Pop Dell'Arte sempre evidenciaram, o filme redunda numa redutora abordagem quanto à sua sonoridade e estética tão marcantes. Certamente, como sempre, os prazos foram curtos e os orçamentos irrisórios e, assim, o trilho cronológico da viagem foi o caminho mais fácil escolhido como guião principal, sendo, a esse nível, um exemplo irrepreensível de recolha documental que vai desde os anos oitenta lisboetas até aos mais recentes pára/arranca, uma postura natural dos seus músicos que é, afinal, o modus operandi de um projecto artístico não sujeito a pressões e contra-golpes. No fundo, esta pode não ser a homenagem definitiva nem o melhor dos documentários do género realizados entre nós, mas deveria dar direito a visualização forçada para todos os que hoje se queixam que em Portugal é muito difícil fazer música, ainda e sempre, de qualidade!           

NÃO HÁ DESCULPA!

























Não um mas três concertos de Scott Matthews!

UAUU #460

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

(RE)VISTO #71





















RYUICHI SAKAMOTO: async  
At the Park Avenue Armory
de Stephen Nomura Schible, Boderland Media, 2018
Festival Porto/Post/Doc, Passos Manuel, 27 de Novembro de 2018
Passaram mais de vinte anos mas nunca mais esquecemos. Ryuichi Sakamoto em formato trio enchia o Coliseu do Porto no dia 13 de Julho de 1996, uma tournée mundial ainda hoje memorável que o levou a quinze países e quase quarenta espectáculos com direito a CD/DVD posterior, hoje uma raridade difícil de encontrar mas disponível virtualmente... Sobre essa passagem pelo Porto e nos diários que então escreveu, confessou elogios à sala, ao público e suspirou aqui voltar para lá registar um qualquer andamento ou peça certamente tocantes. Mesmo que ainda não tenha sido possível cumprir a promessa e no âmbito do jovem festival portuense, um documento recentemente registado durante uma perfomance nova-iorquina atraiu ali ao lado, ao Passos Manuel, uma boa plateia interessada em experimentar e absorver do seu talento e espírito. O disco "async" do ano passado é uma obra prima e uma elegia à musica sem tempo nem lugar mesmo que inicialmente pensado para uma banda sonora de um filme imaginário de Tarkovsky mas é também um manifesto de coragem quanto à luta contra a doença e o declínio artístico. O filme que estreou no Festival de Berlin confirma a abnegação mas também a beleza dos temas, das experiências e dos ambientes como que cobertos por um género de céu projectado no tecto da sala onde passam texturas a preto e branco que sinalizam muito do que (não) vemos quando fechamos os olhos para abrir a porta simplesmente à audição e à imaginação. Um filme belo que nos fragiliza maravilhosamente na sua pureza e eternidade e que, tal como aconteceu no final desta sessão certeira, não precisa de palmas ou ovações mas simplesmente de gratidão.    



SPRINGSTEEN ON BROADWAY, AS EXTENSÕES!















Um ano depois do início da residência artística solitária no Walter Kerr Theatre da Broadway de Nova Iorque, uma catadupa de cinco concertos semanais em série com prolongamentos e acrescentos que durarão até Dezembro, Bruce Springsteen terá em breve a sua aventura documentada em disco e televisão. A Columbia Records tem já pronto o lançamento da banda sonora completa agendado para o próximo dia 14 desse mês que no formato de vinil chega aos quatro álbuns. Contam-se histórias e anedotas, revelam-se segredos e apresentam-se quinze canções à guitarra ou ao piano ao jeito de uma autobiografia evocada ao vivo baseada em "Born To Run", livro editado em 2016 que já lemos com todo o prazer e de que aqui trataremos não falta nada. Escusado será dizer que a luta pelas entradas de acesso a tão invulgar experiência atingiu recordes e deu azo a protestos e azedumes mas prometido está um remédio visual para compensar as queixas.

Assim, a agora global Netfix tem um registo documental do evento para emissão exclusiva no dia 16 de Dezembro, um dia depois do último dos espectáculos desta façanha com bilhetes aparentemente ainda disponíveis mas cujos preços nos parecem um erro de tipografia... 





quarta-feira, 28 de novembro de 2018

A GIRL CALLED EDDY, ÚLTIMOS PORMENORES!





















Não, não é ainda um novo trabalho de Erin Moran aka A Girl Called Eddy mas quase. O importante é, no entanto, haver boas notícias!
Quase uma década e meia depois do maravilhoso álbum homónimo de 2004 produzido por Richard Hawley, eis que há um epílogo feliz quanto ao misterioso e longo retiro com a saída de um disco inteiro de canções onde a menina surge ao lado do amigo Mehdi Zannad (Fugu) sob o nome de The Last Detail. Com selo da Elefant Records britânica, trata-se da confirmação dos rumores quanto à efectiva actividade compositora da americana e que, numa primeira audição, causa alguma estranheza quanto à partilha alternada das vozes mas o sumo pop lá se vai entranhando sem dificuldade. Mas há mais. Prometido até ao fim do ano está um novo single em nome de A Girl Called Eddy que anunciará um álbum de originais logo em Janeiro! Será sempre muito difícil bater a primeira obra-prima atendendo ao tempo de espera e às centenas de vezes que ouvimos as canções de 2004, mas nada como manter as expectativas bem altas. Ao que parece, vai haver até digressão ao vivo... (suspiro)!





SHARON VAN ETTEN, LEMBRETE!





















De tanto reclamar por um álbum novo de Sharon Van Etten, a menina fez-nos o favor de o anunciar para Janeiro próximo o que impede a sua eleição, mesmo às escuras, para as listas de melhores de 2018... Vai ter que esperar para o ano mas, com toda a certeza, não o vamos esquecer atendendo a estes dois monumentais adiantamentos de "Remind Me Tomorrow", o regresso ao fim de cinco longos anos por entre estúdios de Los Angeles ao lado da inseparável Heather Woods Broderick e de um punhado de outros músicos de eleição de bandas como Xiu Xiu, Midlake ou Last Shadow Puppets. Adivinha-se digressão intensa que começa na Europa a 21 de Março mas sem datas sequer a rondar o nosso jardim. Temos que lhe enviar um lembrete...



terça-feira, 27 de novembro de 2018

ENTRETANTO EM COURA...





















Quando é que os The National recebem os vistos gold?

ENTRETANTO EM VIGO...











Fomos involuntariamente recebendo informação sobre um novo festival de música previsto para dia 15 de Dezembro em Vigo, um evento em primeira edição. Pois bem, o Most! foi agora cancelado sem grandes explicações mas que residem, sente-se à distância, numa fraca venda de bilhetes, o que deverá ser motivo de análise e reflexão atendendo ao exponencial volume de festivais pelas nossas bandas. Mas, atendendo à data escolhida e ao teor do cartaz de indisfarçável frouxidão, ainda não é desta que da Galiza sopram bons ventos, uma corrente de ar que já não acontece como deve ser desde 2011!

BOYGENIUS DE SECRETÁRIA!

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

HOLLY MIRANDA, Hard Club, Porto, 25 de Novembro de 2018













Durante a caminhada apressada pelas ruas desertas e ventosas da Invicta uma série de dúvidas pairavam entre os nossos pensamentos até chegar à porta do Ferreira Borges - quanta gente corajosa saiu de casa para um concerto de Holly Miranda? Quanta dela já a ouviu como deve ser? Quantas versões vai a menina cantar?
Dado o tiro de partida para a estreia na cidade, as incertezas prévias rapidamente se dissiparam perante uma sala quase cheia e plena de boa onda de ambos os lados da partilha e uma artista sorridente e pronta a cativar toda a atenção. Dona de uma voz de estremecer as paredes e logo após os dois primeiros originais, zás, uma cover de "I'm Your Man" de Leonard Cohen para nos pôr a respirar um pouco mais depressa e a marcar terreno quanto a um imaginário campeonato de versões inusitadas onde Miranda deve ir todos os anos à liga intercontinental! Para que conste, foram oito as maravilhosas reviengas ao piano ou à guitarra para além da do mestre canadiano e sem eleger Elvis apesar da t-shirt vestida, a saber: John Lennon, Nina Simone, Jeff Buckley, Morphine, Odetta, Gloria Gaynor e Ted Lucas com que finou uma hora e meia de recital nocturno em quase vinte canções. Todas com uma notável e aparente facilidade daquela voz se entrelaçar aos acordes de forma tão natural e de que é impossível não ter inveja da façanha, do talento, da capacidade de suster uma plateia e onde até os originais, caramba, são ainda mais potentes assim, crus, sem os arranjos instrumentais que tantas vezes ouvimos nos discos e de que ali, obviamente, nos esquecemos. Uma experiência premiada em todas as categorias muito por culpa de uma surpreendente sagacidade de nos colocar de olhos esbugalhados e ouvidos amaciados com uma simples voz, uma guitarra ou um belo de um piano. Holly grail!

        

sábado, 24 de novembro de 2018

SCOTT MATTHEWS, COIMBRA TEM MAIS ENCANTO!





















O ano novo começa, desde já, a ter encantamentos prometedores - o grande Scott Matthews, isso mesmo, o que interessa, com "um s no fim" do nome, regressa aparentemente a solo como merece ao nosso país para tocar no Teatro Académico Gil Vicente de Coimbra no dia 31 de Janeiro, quinta-feira. Há um grande álbum de nome "The Great Untold", mais um, para apresentar. Great!

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

THE SAXOPHONES, Hard Club, Porto, 22 de Novembro de 2018

As canções dos The Saxophones são, aparentemente, só isso mesmo, canções. Contudo, ouvindo o álbum de estreia intitulado, lá está, "Songs of..." percebemos de imediato que a sua audição requer uma abordagem cuidadosa e faseada quanto aos efeitos imprevisíveis de uma dependência musical saudável e emotiva. Passam, então, a funcionar como afectos reveladores de uma sintonia artística de fragilidade assinalável, uma construção instrumental e lírica simples mas, como sempre, nada fácil de transmitir ao vivo. A escolha de um local perfeito para essa apresentação não é, assim, uma questão menor - basta equacionar as hipóteses de um pequeno auditório de lugares sentados ou de uma sala mais pequena e informal com direito a bebidas como a do clube portuense - mas a condicionante principal residirá sempre na atitude de público que lá vai estar.

É sempre bom o aparecimento de uma nova produtora de concertos na cidade com sangue na guelra que aposta em colmatar exageros centralistas e o entusiasmo desta primeira grande apresentação foi notório desde o início quer na boa disposição latente quer nas ovações estridentes no final de cada canção que banda tão magistralmente foi desfilando. Pena que alguns, suspeitamos de uns pela coincidência das t-shirts envergadas, lá tivessem caído de pára-quedas numa descontraída postura de quem sai uma sexta-feira à noite para uns copos nas galerias da baixa, tagarelando em contínuo ou fazendo transmissões ao vivo comentadas via telemóvel em momentos de delicada fruição, atitudes que, atendendo à geração mais que adulta em causa, têm tanto de descabido como de incompreensível.     

Mesmo assim e perante tamanho entusiasmo, o trio em cima do palco respondeu com enorme bondade e reconhecida simpatia surpreendido pela dimensão da plateia e tão calorosa recepção, uma relação de amizade que tem tudo para se transformar num romance de longa duração cujo capítulo inicial teve, na noite chuvosa de ontem, uma primeira troca de olhares comprometedores e apaixonados. Esperam-se, pois, "desenvolvimentos"...

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

PREFAB SPROUT, ONDA MEGAHERTEZIANA!





















Temos em Paddy MacAloon um dos nossos predilectos compositores pop, uma notabilidade que se propagou em plenos anos oitenta com os saudosos Prefab Sprout mas que acabou por se auto-diluir numa atitude de recolhimento e privacidade que só esporadicamente foi ultrapassada. Sinal dessa solidão assumida foi o disco "I Trawl the Megahertz" editado em 2003, aventura instrumental de composição cinemática e sonhadora que evidenciava um classicismo pop de homenagem a Debussy e Ravel, dois dos seus compositores de eleição e que passou despercebida mesmo entre os ouvidos atentos dos aficionados. Mas os pouco mais de cinquenta minutos do álbum resultam também de um refúgio lateral a um incómodo problema de saúde - a perca de visão devido a uma lesão na retina - que levou MacAloon a ter uma outra percepção do mundo e do dia-dia, abandonando quase completamente a leitura para se distrair com madrugadores programas de conversa nas ondas da rádio enquanto insistia na terapia auditiva dada pela música e pela composição.

Chegou agora a hora da redescoberta. A Rough Trade prepara uma reedição do álbum para Janeiro com direito a nova capa e onde se assume a autoria em nome dos Prefab Sprout, suspiro saudoso quanto à intenção de, na altura, todos estes sons fazerem ainda sentido ao lado dos companheiros da banda. A edição em vinil terá uma versão branca limitada a mil cópias, uma nívea pérola à altura de tamanha beleza épica...     

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

UAUU #459

McCARTNEY, OLHA O SINGLE!















Uma das grandes canções do ano é, sem surpresas, "I Don't Know", mais uma das muitas a que Paul McCartney nos habituou ao longo de décadas e que, ao lado de "Come In To Me", foi um dos primeiros sinais vintage do novo álbum "Egypt Station" saídos digitalmente em Junho passado. Como era urgente e desde ontem, há agora um bonito single de vinil com os dois temas que serve para assinalar a próxima e irritante Black Friday e o melhor é que da peça há por aí espalhados 5000 exemplares o que, aparentemente, espanta qualquer demanda apressada e inatingível.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

THE SAXOPHONES, NOVA SUITE!





















O duo Alexi Erenkov e Alison Alderdice, marido e mulher que se escondem atrás do nome The Saxophones tem concerto marcado para a próxima quinta-feira pelo Porto. Como que comemorando a aparição, anuncia-se agora um novo EP em formato de sete polegadas de vinil a sair em Fevereiro próximo e limitado a 400 exemplares que tem por base o tema "Singing Desperately" já incluído no álbum entretanto publicado. Sweet! Encomendas aqui.

F.R.I.C.S. - Fanfarra Recreativa Improvisada Colher de Sopa, Galeria Municipal do Porto, 18 de Novembro de 2018

No âmbito da exposição "Musonautas, Visões & Avarias" que terminou no Domingo na Galeria Municipal do Porto (gostamos muito da mostra e ficamos à espera do livro/catálogo prometido que faça justiça a todo o brilhante trabalho de pesquisa e descoberta), apresentou-se devidamente ensaiada e concentrada no mesmo espaço a F.R.I.C.S. - Fanfarra Recreativa Improvisada Colher de Sopa, colectivo sonoro das "mais obscuras celebridades do underground portuense" e que não escolhe segmentos ou géneros. Podem ser aficionados e praticantes de metal, jazz, rock, electrónica ou música sinfónica que o importante é que o espírito ruidoso e vigoroso do conjunto permita a festa anárquica e a descontracção o que, escusado será dizer, foi plenamente conseguido. Aqui fica, para a eternidade, a fricalhada...

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

NÚRIA GRAHAM + NILS FRAHM, Festival Para Gente Sentada, Theatro Circo, Braga, 17 de Novembro de 2018

foto. facebook do festival
foto. facebook do festival




























Ele há dias de manhã que, afinal, se pode sair à noite... Que o diga a catalã Núria Graham que, viajando directamente de Montreal, saiu do aeroporto no final da viagem de mãos vazias e sem as malas com o guarda-roupa e a guitarra essenciais para atacar o palco bracarense convenientemente. Nada que o afamado desenrascanço lusitano não consiga ultrapassar e, mesmo com guitarra emprestada e fatiota informal, a aparição de fundo aveludado serviu para desfiar um punhado de temas a solo de alto teor aditivo, uma receita que alguns tinham já saboreado num fim de tarde soalheiro do parque da cidade. A poção, pareceu-nos, funcionou ainda melhor desta vez, uma aprovação notada por entre uma plateia que imediatamente lhe prestou desvelo carinhoso quanto às canções e ao que as envolve. Trata-se de uma patine pop de recortado talento a lembrar, como fez notar um amigo destas e de outras lides, a misteriosa Erin Morian aka A Girl Called Eddy, bastando para isso nomear dois fabulosos exemplos - "Birds Hits Its Head Against the Wall" que abriu o recital e "The Stable", um inédito sensacional vertido em emo-canção com que encerrou a presença segura, simpática e bonita e a merecer todas as palmas com que foi merecidamente brindada. Molt bé!

foto. facebook do festival
















Depois do agradável banho primaveril de Junho passado, um mergulho notável e corajoso de Nils Frahm atendendo às condicionantes e contingências, chegava o momento certo para fazer emergir de forma exemplar um explorador sonoro de excelência. Para trás, lá muito para trás, fica simplesmente o pianista que Braga teve a felicidade de descobrir ao lado de Heather Woods Broderick numa noite longínqua de talentosa partilha, embora o piano continue a ser o ponto de partida obrigatório de um labirinto de sons que quase sempre arriscam a não classificação mas que podemos rotular, helás, de pós-classicismo ambiental. Sinal espelhado dessa diversidade de aventuras e caminhos é o disco deste ano "All Melody", enorme e intrincado repositório de provas analógicas que assusta os mais incautos mas alcança cada vez mais adeptos atraídos pelos meandros dos sons, dos arpejos ou das batidas em tempos instantâneos onde um simples telemóvel se pode transformar num potencial instrumento de composição. Frahm, pelo contrário, continua interessado no velhinho bater das teclas, nos barulhos das madeiras, no manobrar manual dos botões do volume, dos efeitos, das repetições nem que para isso tenha que correr de teclado em teclado, de aparelho em aparelho até que um climax suado e ofegante o faço regressar simplesmente a um piano para momentos de eterna beleza. Os sorrisos de satisfação com que se dirigiu à plateia rendida ao cabo de duas horas e dez minutos de récita, limpando a cara do suor como que saído de uma nave espacial no final de uma descida rompante pela atmosfera, são a prova que Frahm é, afinal, um ser humano mas que viaja irrequieto e para nossa sorte, de planeta em planeta imaginários. Um galáctico é o que é...