sexta-feira, 19 de junho de 2020

PARABÉNS, NICK!















Passam hoje 72 anos sobre o nascimento de um génio.
A família de sangue alargou-se a milhões que, sem o conhecer em vida, têm na sua música uma amizade para a vida. Amigo Nick Drake, obrigado e parabéns!

Hope so much your race will be all run...

MANOS FRIEDBERGER, O REENCONTRO!





















Os manos Matt e Eleanor Friedberger formaram os Fiery Furnaces em Nova Iorque no longínquo ano de 2001 para posterior aclamação geral vertida em oito álbuns de originais e concertos intensos que duraram até ao Primavera Sound de Barcelona de 2010, o último palco pisado pela banda. Depois, vieram as carreiras a solo, a da mais nova Eleanor a valer outros oito discos valentes, visitas ao vivo a Portugal em modo continuado e a eterna e persistente pergunta "E então, o que é feito dos Fiery Furnaces?"

A resposta parece ter chegado não em forma de reunião, já que o projecto nunca teve data de término definida, mas como um reencontro que na vertente pública tinha programada uma aparição entretanto cancelada no Pitchfork Music Festival de Chicago em Julho próximo, cidade natal que serviria de porto de partida para uma suposta e mais alargada digressão que está, como todas, em suspenso e talvez a aguardar o próximo ano para uma comemoração dos vinte anos de carreira. Na vertente privada, o duo gravou duas novas canções em Fevereiro a norte de, coincidência, Nova Iorque destinadas a um single de sete polegadas na casa de Jack White, a Third Man Records, destinado ao Record Store Day mas a editora decidiu não esperar mais tempo para o colocar à venda - "Down at the So and So on Somewhere" e "Fortune Teller's Revenge" são, talvez, a antecipação de algo maior e intenso. Bem-vindos, brothers!

quinta-feira, 18 de junho de 2020

AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #28

Há quase vinte anos que o programa televisivo "Other Voices" da RTE, televisão pública da Irlanda, aposta na primazia da voz e da música em palcos inusitados de Dublin, Belfast, Londres ou até Berlin. Durante a período mais sério da pandemia, a emissão não estancou e ganhou o título de #Courage, uma série de perfomances com o apoio directo do departamento de Cultura e Património do governo do país.

Merece destaque a presença de Lisa Hannigan na National Gallery da capital irlandesa em Maio passado para um concerto transmitido em directo em várias plataformas e de que restaram estes dois pedacinhos vibrantes que deixamos abaixo. A artista apelou, na oportunidade, à solidariedade com a organização Women's Aid que trabalha no apoio a vítimas de violência doméstica.

Não resistimos a deixar por aqui um outro pedacinho mágico e parcialmente em português aquando da passagem saudosa da artista por Fafe em Maio de 2018. É pau, é pedra...

# AJUDAR






(RE)LIDO #93





















TOUCHING FROM A DISTANCE
Ian Curtis and Joy Division
de Deborah Curtis. London: Faber & Faber, 1995/2014
Na nossa "iniciação" ao mundo adulto da música, a lenda associada à figura de Ian Curtis e aos Joy Division esteve sempre distante de se transformar num mito. Da banda inglesa e do seu principal protagonista começamos a ouvir "histórias" e rumores muito antes de sequer ouvir a música à custa do colega do Liceu Rainha Santa Isabel a que nos habituamos a chamar Pedro Punk, figura alta e desengonçada de poupa no cabelo e mochila/livro pesado de madeira (!) às costas para guardar os cadernos e para servir de banco à espera do autocarro na Rua do Heroísmo! Estaríamos em 1982 ou 1983 e os discos do quarteto de Manchester seriam nessa altura uma raridade de circulação ínfima mas que se espalhava de forma invisível a partir de cassetes gravadas em casa de algum privilegiado. Era, então, das canções que aí se ouviam que o tal Pedro Punk não se cansava de falar e idolatrar pela poesia misteriosa ou a postura e raiva melancólica, uma aparente contradição com o "Punk's Not Dead" escrito nas costas do seu indispensável casaco-tropa do dia-a-dia. O jeito para contar outras histórias e lançar desafios inesperados aos professores, para risota geral, seriam já um sinal do irrequieto jornalista Pedro Sousa Pereira que vingaria profissionalmente com outros dotes artísticos. Quem diria!

Sobre essa época e da influência dos Joy Division na sociedade portuguesa há já estudos e conclusões óbvias, mas o nosso azimute haveria de centra-se na sequela que os New Order assumiriam ao longo da restante década e que, essa sim, sempre nos despertou muita atenção e prazer estendido a matineés e soirées dançantes e maxi-singles e álbuns ouvidos de fio a pavio. Para trás, escondidos e esquecidos, ficavam os pormenores das atribulações de uma banda, de uma vida e de um consequente suicídio.

Em 1995, quando o burbuinho surgido com a publicação deste livro por parte da viúva Deborah Curtis começou a fervilhar - revelações inéditas e, diziam, de afronta aos fãs pelas sugestões de racismo, nazismo ou maledicência do marido - ainda compramos a versão traduzida por Ana Cristina Ferrão editada logo no ano seguinte na mítica colecção "Rei Lagarto" da Assírio & Alvim mas a obra ficaria espalmada e incólume na estante ao lado de outros da mesma série. Seria o magnífico filme "Control" de 2007 realizado por Anton Corbjin que faria o obséquio de nos aproximar, definitivamente, a este personagem de estranheza sedutora a partir de uma abordagem cinematográfica sufocante sobre Ian Curtis baseada no relato e contributo especial da esposa, película que já revemos várias vezes. Ficava a faltar, pois, o documento original que, quarenta anos depois da morte (18 de Maio de 1980) e quase o mesmo tempo (18 de Julho de 1980) sobre a edição póstuma de "Closer" (há reedição de vinil transparente a caminho), mereceu leitura recatada e calma em tempos de isolamento.

Com um novo prefácio a cargo do baterista Stephan Morris, talvez o elemento mais discreto do quarteto mas o menos conflituoso, o livro dedicado à filha Natalie é, para sempre, um acto de amor. Inverte-se a percepção habitual de ver num filme as imagens produzidas pela leitura de um livro e podemos até ter dúvidas sobre alguns dos factos - por exemplo, o sonho abruptamente cortado pela falsa audição de "The End" dos Doors na véspera do suicídio - mas a tensão crescente da narrativa sem ser surpreendente é sedutora na coragem de descrever as vicissitudes da incerteza num amor recíproco, no adensar do adultério, do divórcio intermitente, da epilepsia e dependência médica desconhecida mas, acima de tudo, no eterno mistério em saber de facto quem era Ian Curtis.

Depois há os indispensáveis figurões que pairam e pressionam a banda do ponto de vista do "negócio". Robert Gretton ou Tony Wilson são, por aqui, personagens também eles quase cinematográficos como aconteceu, aliás, com este último em "24 Hour Party People", mas tal como no filme e à medida que as páginas avançam, a tensão começa a estremecer com o dealbar de uma tragédia anunciada e a quem ninguém pareceu evidente. E se..., claro, e se... mas os sinais largados por Curtis desde muito cedo para uma destinada e antecipada morte como que se haveriam de se juntar num epitáfio imagético mais que preparado para a capa do single "Love Will Tear Us Apart", uma sedução pela glória que ainda hoje nos toca profundamente. Como cantou um dos seus ídolos de juventude Fame, it's not your brain, it's just the flame...


terça-feira, 16 de junho de 2020

FAZ HOJE (21) ANOS #32

























SUZANNE VEGA, Cinema do Terço, Porto, 16 de Junho de 1999
. O Comércio do Porto, por Miguel Reis Miranda, fotografia de Jorge Miguel Gonçalves, 18 de Junho de 1999, p. 26



segunda-feira, 15 de junho de 2020

DEIXEM PASSAR LEAH SENIOR!





















Está disponível desde sexta-feira passada o terceiro álbum da menina Leah Senior. Confirma-se a amizade e a aproximação profissional aos amigos King Gizzard and The Lizard Wizard, tendo o disco saído outra vez pela Flightless Records, casa da banda australiana e com quem Senior irá partilhar o palco na digressão americana prevista para o último trimestre do ano. A colaboração repete, assim, a parceria iniciada em 2017 com a edição do maravilhoso "PrettyFaces" e que a trouxe a solo até Vigo em Dezembro do ano seguinte.

A próxima digressão conjunta servirá, decerto, para alargar horizontes e públicos já que qualidade das canções deste "The Passing Scene", assim se chama o novo trabalho, não parece suscitar quaisquer dúvidas, um perfume dos sessenta onde se sente de forma nítida a fragrância Lennon/McCartney. Atendendo aos tempos de confinamento, alguns temas tiveram já sessão cosy registada à distância na sala lá de casa no passado dia 12 ao lado de Howard Eynon e Traffik Island... 






UAUU #540

sexta-feira, 12 de junho de 2020

HOWE GELB, BANDA SONORA DE UM ISOLADO!





















Isolado na sua casa de abobe azul em pleno Barrio Viejo no Tucson, Arizona, o mestre Howe Gelb sentou-se no piano encostado à parede e, depois de ligar o velho gravador TEAC CD, registou quase uma quinzena de momentos/canções em jeito de "vislumbres de passageiros em comboios fugazes"... O resultado, magnífico, denominado de "Cocoon" emergiu o mês passado sem pretensões tristonhas ou depressivas mas como rabiscos sonoros de tempos estranhos e desafiadores que não serão nunca mais tocados ou cantados. Não percam o privilégio! 

quinta-feira, 11 de junho de 2020

PRIMAVERA LOSER!
















Por volta desta hora e numa era pré-pandemia, o trilho de bike até ao Parque da Cidade seria feito rapidamente e a pensar no abastecimento prévio na Padaria Ribeiro, na totebag oficial para juntar à colecção e na primeira de algumas cervejas entre palcos para ver os Black Midi, a FKA Twigs, o Beck e a Kim Gordon e rever o Tyler the Creator!

Por volta desta hora e numa era (quase?) pós-pandemia, andamos a vaguear na rede à procura de informações concretas de como validar o raio do bilhete para a edição do próximo ano ou obter um justo reembolso, uma mixórdia confusa de estratagemas duma organização em nítida afronta legal.

Por muitas voltas que se lhe dê, I'm a loser baby, so... 


quarta-feira, 10 de junho de 2020

AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #27

Os The Clientele reaparecem ao fim de três anos com uma versão do tema "Closer" da autoria do britânico Mick Head, líder dos míticos The Pale Fountains e dos Shack em nome dos quais foi editada esta canção de 2006 incluída no álbum "On the Corner of Miles and Gil". Todos os proveitos da edição revertem a favor do movimento Black Lives Matter. 

#AJUDAR

3X20 JUNHO
















segunda-feira, 8 de junho de 2020

SONDRE LERCHE, PACIÊNCIA NA ACÇÃO!





















Depois de "Please" em 2014, de "Pleasure" em 2017, há agora "Patience" no que parece ser o culminar de uma trilogia de álbuns do norueguês Sondre Lerche dedicada às variações da canção pop e que é também um sinal de perseverança artística notável. Ao ouvi-lo, percebemos que o investimento na composição e nos seus arranjos alcança, desta vez, uma diversidade apelativa e fresca que remete de imediato para os velhos tempos do início da sua carreira internacional, mesmo antes da definitiva emigração para Los Angeles. Foi precisamente aí que Lerche se alongou durante sete anos na maturação desta sumarenta dúzia de temas airosos e quase tropicais que não aguentam até ao pico do calor, sendo urgente pô-los a rodar alto e bom som de forma a reduzir o distanciamento social! 

Por isso, e mesmo que o título remeta para uma paciência posta à prova nos últimos meses, o artista sugere que o que é necessário é acção rápida contra a violência, a insegurança e o racismo, propondo uma doação indirecta a uma organização solidária da cidade aquando do download a partir do seu bandcamp. O desenho da capa é da autoria da australiana Loribelle Spirovski e não percam o video para "That's All There Is" onde se misturam fotografias da sua infância e juventude com uma selecção de uma carrada doutras, mais de mil, submetidas pelos fãs a seu pedido...






sexta-feira, 5 de junho de 2020

AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #26





















O Clube Lovers & Lollypops criado durante a quarentena pela produtora portuense serve para privilegiar os seus assinantes com actuações exclusivas online mas tem agora outro benefício: entrada gratuita e presencial num concerto a escolher entre os quatro que foram programados no corrente mês para o auditório do Circulo Católico de Operários do Porto.

Com transmissão no canal oficial a partir das 19h00, o ciclo começa hoje com os Ghost Hunt e terá na próxima quinta-feira, dia 11, feriado, a recomendável vibração da harpa da espanhola Angélica Salvi, um regresso ao vivo limitado e sujeito às recomendações sanitárias que se impõem. Podem comprar bilhetes online ou efectuar um donativo consciente que permite o acesso ao respectivo streaming. Novos tempos!

#AJUDAR         

FAZ HOJE (21) ANOS #31





































DEUS, Coliseu de Lisboa/Coliseu do Porto, 5 e 6 de Junho de 1999
. Público, por Carlos Mota, fotografia de Miguel Madeira, 8 de Junho de 1999, p. 28
. O Comércio do Porto, por Miguel Reis Miranda, fotografia de Paulo Pimenta/Público, 8 de Junho de 1999, p. 26




quarta-feira, 3 de junho de 2020

PHENOMENAL HANDCLAP BAND...!!!

Os sinais de reaparecimento do Phenomenal Handclap Band foram avistados há cerca de três anos com a gravação de um single para a Daptone que sugeria o finar de um hiato na composição do seu principal mentor, o luso-americano Daniel Collás. No estúdio de Brooklyn deixaram de entrar outros artistas e a intenção era agora o registo de um novo álbum que só o mês passado viu a luz do dia através da alemã Toy Tonics Records e para o qual se juntaram a Collás a menina multi-instrumentista Juliet Swango e menina vocalista e do sintetizador Monika Heideman. O disco, simplesmente referenciado como "PHB," consiste em dez temas de apelo à dança e exercício sem contemplações e entre os quais se conta "Travelers Prayer (EU Version)", o tema principal do single referido mas em versão europeia.





Na onda agitada do fenómeno anterior, os !!! (Chk, Chk, Chk) fartaram-se de estar quietos e pasmados à custa do senhor Corona e libertaram as frustrações em duas novas canções lançadas na Warp Records no início de Maio - "I'm Sick of This" e "So We Can Fuck" são, respectivamente e segundo os próprios, o lado frio (Detroit side) e o lado quente (Chicago side) de uma qualquer madrugada toldada por uma bola de espelhos e contínua roda no ar... Que saudades!



segunda-feira, 1 de junho de 2020

THE NOTWIST, SIM, AO VIVO!





















Termina hoje a 49ª edição do Festival Moers na Alemanha, um evento inicialmente dedicado ao jazz mas que evoluiu para uma concentração requintada de experiências sonoras onde a world ou a pop também cabem sem favor. Sabendo desde Março das limitações impostas pela Covid19, a organização decidiu manter, mesmo assim, os três dias de concertos de forma digital (ok, há sempre uma dúzia de sortudos na frente do palco) e totalmente transmitidos pela Canal Arte desde sábado até hoje.

Do ecléctico alinhamento e a jogar em casa, os low profile The Notwist acabaram há pouco de apresentar a totalidade do álbum "The Messier Objects" (2015), uma colectânea maioritariamente instrumental de temas destinados a bandas sonoras imaginárias, programas de rádio ou produções teatrais que encaixam na perfeição na estética do evento e que está desde já disponível para visualização obrigatória.

Repete-se, assim, um hábito milagroso do canal público franco-alemão nos fazer chegar à distância concertos deste colectivo do sul da Baviera que faz música para nosso deleite desde 1989!   


KELSEY LU, DESLUMBRANTE!

















Diz-se que qualquer vinho do Porto que permanece mais tempo no envelhecimento passa a pertencer às categorias especiais. A algumas canções que os artistas insistem em esconder, às tantas, aplica-se o mesmo tratamento não por esquecimento mas porque o refinamento do seu registo nunca alcançou uma plenitude ideal. Ouvimos "Morning Dew" de Kelsey Lu, uma das tais que o tempo e as circunstâncias adiaram na partilha e à categoria de "especial" talvez se deva juntar "e deslumbrante".

Trata-se de um inédito já apresentado ao vivo mas que só agora nos chega em versão final pela No Tricks com a ajuda do saxofone de Isaiah Barr (Onyx Collective) e do produtor Jason Agel (Vagabon, Lauryn Hill, Kanye West) e que nos impele para a reescuta do álbum "Blood" (ouça-se, por exemplo, "Pushing Against the Wind" gravado há um mês durante uma residência artística da Red Bull), um magnífico e inesgotável temperador de harmonia e conforto tão urgentes nestes momentos difíceis e agitados da sociedade americana à custa de velhos ódios e afrontas...       




sexta-feira, 29 de maio de 2020

SÉBASTIEN TELLIER, A DOMESTICAÇÃO?




















Numa hipotética caderneta de cromos do mundo actual da pop, o exemplar referente ao francês Sébastien Tellier deveria merecer a classificação de "difícil", melhor, "raro"! À irreverência deve-se juntar uma aprumada rebeldia das opções artísticas que, por exemplo, contemplaram já participações em Festivais da Eurovisão (grande canção!), parcerias inesperadas como a última ao lado de Dita Von Teese ou uma série de bandas sonoras para filmes com que nos últimos anos se tem entretido a... experimentar.

Depois de "L'Aventura", o último de originais saído em 2014, está já disponível um regresso assumidamente ambicioso na casa de sempre, a Record Makers parisiense, e que recebeu o nome de "Domesticated", uma visão futurística da pop ao lado de comparsas do rap francês como Nk.F e com uma aposta clara na sofisticação dos arranjos e, já agora, das imagens dos videos como o prova a animação para "Stuck In a Summer Love" a cargo do L'Incroyable Studio de Nantes. Os oito temas abordam uma suposta domesticação em sentido lato compostos e desenvolvidos em ambiente caseiro de louça por lavar, meias sujas e duas crianças para educar (in)convenientemente! Domesticado? Ça alors...





AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #25





















É no recato da sala de estar da casa em New Orleans que Rickie Lee Jones têm apresentado todas as sextas e domingos uma série de encontros com os fãs, ora tocando temas ao piano e guitarra, ora contando histórias em primeira mão da sua autobiografia e actual vivência. No confinamento imposto, é esta a única forma de obtenção de meios para continuar a vida artística abruptamente interrompida e Jones, sem medo e pudor, pede ajuda a quem possa contribuir por Paypal ou Venmo. A próxima partilha acontece já hoje (amanhã) à 1 da madrugada e repete-se no próximo domingo (segunda-feira) por volta das 6 da manhã.

#AJUDAR

quinta-feira, 28 de maio de 2020

WHITE DENIM, ROCK DA QUARENTENA!





















As virtudes de uma banda rock como os White Denim não têm preço. Aditivo de difícil substituição, estamos há muito contaminados por essa força motriz de voltagem contínua que os discos em catadupa vão confirmando mas que, infelizmente, não tivemos oportunidade de apreciar ao vivo. A falha ainda por colmatar e à consideração de uma qualquer organização de um festival ao ar livre (Coura sugere ser o local ideal), teve no final do ano passado um ligeiro paliativo com a edição de "In Person", registo de três noites de Agosto em jeito de concerto pelos estúdios Radio Milk, retiro profissional da banda em Austin (Texas) e que contempla um palco no quintal traseiro!   

Com o cancelamento da digressão e consequente isolamento preventivo, os tempos pareciam de acalmia e contemplação mas o (fazer) rock, lá está, rompe grilhões num abrir e fechar de olhos e, por isso, nada como um bom desafio - gravar um álbum de originais em trinta dias, começando a 18 de Março e terminando a 17 e Abril, data de envio dos arquivos para conversão em diversos formatos digitais. Com a ajuda de familiares, amigos e fornecedores locais, o botão da máquina foi accionado nos referidos estúdios pelo trio base constituído por James Petralli, Steve Terebecki e Greg Clifford a que se juntaram, à distância, perto de uma vintena de colaboradores em quarentena forçada. Ao resultado final foi dado o nome de "World As a Waiting Room", nove temas saídos oficialmente no dia 8 de Maio (há um de sugestivo título "Queen of Quarentine") e onde se dá conta que não há vírus nenhum que faça gripar o engenho criativo por muito que o rock & roll seja de difícil compreensão...             




quarta-feira, 27 de maio de 2020

WEYES BLOOD, TEMPO RUDE!

Logo no dia em que se soube que Weyes Blood foi também uma das excluídas da edição 2021 do Primavera Sound Barcelona e, possivelmente, do festival-irmão da Invicta onde, aliás, devia comparecer no início de Junho, a menina Natalie Mering libertou um video oficial para "Wild Time", canção de uma imensidão tocante incluída em "Titanic Rising", o melhor disco de 2019 aqui para casa, e que agora ganha um multi-significado alargado.

Filmado em película de 16mm em tempos pré-pandémicos, as imagens foram dirigidas e editadas pela própria no recolhimento do lar com a ajuda do fotógrafo Micah Van Hove entre pensamentos e divagações sobre o mundo caótico em que nos enterramos, sobre as problemáticas mudanças climáticas ou a sustentabilidade adiada de uma natureza ferida... um verdadeiro wild time to be alive!

Confirmado está o cancelamento dos concertos para os restantes meses de 2020 mas está prometido o regresso aos discos de originais para o ano, uma oportunidade para, talvez, um reencontro cara-a-cara em ambiente de proximidade e partilha à altura da sua simpatia e talento!

PARA ONDE FOI A LANA?















É este o cartaz do Primavera Sound Barcelona para 2021, espera-se, sem pandemia! Atendendo a que a versão portuense terá inspiração catalã, fica aparentemente a certeza que a menina Lana Del Rey é agora uma miragem... F***!


sábado, 23 de maio de 2020

UAUU #537

AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #24

Os Wilco gravaram uma nova canção no seu estúdio The Loft de Chicago com propósitos solidários a favor da World Central Kitchen, organização que recolhe e distribui refeições frescas - cerca de 250 000 por dia - entre comunidades familiares e idosas americanas com dificuldades no acesso a alimentação.

O tema "Tell Your Friends" foi estreado na quarta-feira no programa The Late Show with Steve Colbert da CBS na rubrica "#PlayAtHome" através de uma reunião virtual dos seis membros e respectivas famílias em ambiente caseiro. Como acrescento saboroso Jeff Tweedy apresentou a solo a sempre tocante "Jesus, Etc.". Digam aos amigos...

#AJUDAR



sexta-feira, 22 de maio de 2020

FAZ HOJE (15) ANOS #30






















AMERICAN MUSIC CLUB, Casa da Música, Porto, 22 de Maio de 2005
. Jornal de Notícias, por José Miguel Gaspar, fotografia "Casa da Música", 24 de Maio de 2005, p. 41
. Diário de Notícias, por Marcos Cruz, 24 de Maio de 2005, p. 41




OWEN PALLETT, DUAS SURPRESAS!





















Agora que ao fim de dois meses de confinamento parece que respiramos um pouco melhor, ele há discos que ganham também vida milagrosa. É o caso de "Island" do canadiano Owen Pallett que, seis anos depois de "Conflict", nos trás originais de calibre indiscutível bastando para isso uma única audição a "A Bloody Morning", o primeiro single já com imagens apelativas registadas em lockdown por Vincent René-Lortie e a coreógrafa Brittney Canda - os rostos são de dançarinos de várias idades filmados individualmente e intocáveis através de janelas e portas.

As nove canções foram escritas, desta vez, com uma guitarra acústica e só depois acrescentadas as luxuriantes orquestrações a que Pallett nos habituou com a ajuda da London Contemporary Orchestra em pleno estúdio Abbey Road. A aprendizagem e prática da guitarra foi feita ouvindo muitos discos, contando-se entre eles o magistral "Pink Moon" de Nick Drake, um reportório técnico de estilo insuperável e que deixa marcas.

Quase em simultâneo, há ainda uma outra novidade - a banda sonora para o documentário "Spaceship Earth", filme que estreou no Festival de Sundance em Janeiro, e que relata a história de um grupo de visionários que, em 1991, construiu uma replica do ecosistema terreno chamado Biosfera 2. O disco servirá, assim, de parceiro instrumental a futuras audições do referido e muito aguardado "Island". Inseparáveis! 





quinta-feira, 21 de maio de 2020

AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #23

Guitarras ao Alto, isto não é um assalto! A partir de agora o projecto Miramar de Frankie Chavez e Peixe está ao vivo via youtube a partir de casa em Miramar e a ideia é ajudá-los a, sem rodeios, sobreviver. Bora!

#AJUDAR (MB Way: 912220898)

quarta-feira, 20 de maio de 2020

BEDOUINE, SÃO VERSÕES!















Talvez a especialidade de Azniv Korkeijan aka Bedouine seja cantar e encantar-nos com as suas canções de carimbo de qualidade certificada em dois discos de originais, sendo o último "Bird Songs of Killjoy" editado o ano passado uma pequena maravilha. Mas acentua-se a tendência irresistível da menina se apropriar sem receios de algumas canções de outros artistas que tem por hábito apresentar ao vivo - por exemplo, "Thirteen" dos Big Star - e que mereceram seleccionado registo oficial.

Assim, em Outubro de 2018 surgiu um single digital com duas covers - "Come Down In Time" de Elton John e uma inesperada versão de "Hey, Who Really Cares?" de Linda Perhacs, folk singer americana que editou um único álbum ("Parellograms", 1970) só muito mais tarde redescoberto e onde constava esta pérola. Em Abril passado foi a vez de "The Hum", tema que Margo Guryan escreveu em 1972 sobre o presidente Nixon e o escandaloso processo "Watergate" e que, como frisado, poderia perfeitamente associar-se à moderna realidade americana. Agora foi a vez de "All My Trials", elegante canção tradicional que recebeu já incontáveis versões, de Peter, Paul & Mary ou Joan Baez e até do incontornável Nick Drake mas a que Azniv fez o favor de elevar muito alto a fasquia...








quarta-feira, 13 de maio de 2020

LITTLE WINGS, QUANTOS SÃO?





















Entre incontáveis braçadas para apanhar ondas ou corridas atrás de um skate, a polivalência artística de Kyle Field não requer, mesmo à distância, qualquer certificado de qualidade já que são demasiadas as provas no seu imenso curriculum - livros obscuros, desenhos e pinturas, artes visuais arriscadas mas, acima de tudo, canções aos molhos com a sua sua banda Little Wings.  

A juntar ao disco perfeito "People" saído o ano passado e a mais um punhado de versões caídas do céu, conseguimos detectar, salvo o erro, cinco (5), isso mesmo, cinco álbuns semi-novos em três meses confirmados na bandcamp oficial, a saber:

- "Wonderue", lançado a 9 de Maio, reedição (?) de um disco de 2002...;
- "Be Gulls Begin", lançado a 26 de Abril, nascido numa garagem de São Diego...;
- "Froggy's", lançado a 16 de Março, aparentemente, um álbum preparado para a digressão Australiana entretanto cancelada...;
- "Zephyr", lançado a 6 de Abril, registado no Verão de 2018 e previamente circulado na Austrália em cassete...;
- "Ropes In Paradise", lançado a 30 de Abril, disco de versões a noventa por cento que já tinha saído como bónus de uma edição japonesa do álbum "People"...;

Bendita pandemia, salvo seja!









AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #22

O Festival Pickathon, que se realiza em Portland no Oregan americano desde 1994, teve a edição deste ano adiada para 2021. Na tentativa de minorar os estragos e acentuar a solidariedade urgente no resgate à música ao vivo, a organização passou a disponibilizar, dos seus extensos arquivos, um concerto por dia na esperança de receber contributos significativos destinados ao fundo MusicCares Covid 19 gerido pela Recording Academy.

Da mais de uma trintena de espectáculos já transmitidos seleccionamos dois: Joan Shelley, magnífica, a tocar em 2015 no célebre celeiro do recinto e Mac DeMarco, brincalhão, em 2014 a agitar a plateia do bosque.

#AJUDAR




terça-feira, 12 de maio de 2020

BIBIO, AR PURO!

As virtudes de Stephan Wilkson aka Bibio merecidamente destacadas aquando do trabalho editado o ano passado continuam intactas e, melhor, activamente praticadas. Anuncia-se, assim, um novo EP de dez temas (!) exploratórios do poder da imaginação que estes tempos de incredibilidade têm acentuado e multiplicado e que voltam a ter na natureza e na sua constante força o motivo principal de inspiração.

Aquele momento por que muito suspiramos nos últimos tempos de deixar o aperto da cidade e partir para o campo, o tal countryside inglês que Wilkson tanto preza e venera, tem em "Sleep On The Wing", o primeiro avanço, uma perfeita alegoria de imagens realizada por Sonnye Lim, artista sul coreana radicada nos E.U.A. e mestre na arte da animação libertadora. 

A propósito, deixamos ainda a sessão registada ao ar livre no final do verão passado por Staffordshire (Inglaterra) e Ceredigion (País de Gales) e que recorda algumas das excelentes canções do álbum "Ribbons". Inspira, expira... ar puro!




PERFUME GENIUS DE CORAÇÃO QUENTE!





















Passam agora dez anos sobre "Learning", o álbum de estreia de Perfume Genius. A prometedora veia compositora de Mike Hadreas teve, desde daí, uma evolução natural que ultrapassou o inicial mas marcante intimismo e se agigantou numa sofisticação criteriosa das canções. Aproxima-se agora um quinto álbum de originais a sair pela Matador já na próxima sexta-feira com o título de "Set My Heart on Fire Immediatley", sinal de alguma urgência e excentricidade em que a sua música se enraizou e que podemos, felizmente, confirmar ao vivo em 2017 na sala de visitas bracarense. 

Na convocatória figuram os habituais colaboradores - o produtor Blake Mills e o parceiro Alan Wyfells - mas Hadreas não dispensou ainda o baterista e multi-tudo Matt Chamberlain, um outro e consagrado baterista de estúdio Jim Keltner e o baixista Pino Palladino, todos juntos num notório trabalho de exploração e agitação sobre a masculinidade, o corpo ou a liberdade.

Quanto ao regresso aos palcos, a programada digressão americana com os Tame Impala (Maio até Agosto) foi suspensa e adiada, situação que se repete na incursão prevista para alguns festivais europeus no início de Julho.




domingo, 10 de maio de 2020

(RE)VISTO #77





















ONDE ESTÁ VOCÊ, JOÃO GILBERTO?
de Georges Gachot. Suiça/Alemanha/França; Imovisom, 2018
TV Cine Edition, Portugal, 7 de Maio de 2020
Não é inédita a busca individual por músicos ou artistas em retiro ou em paradeiro incerto. A total surpresa do excelente documentário "À Procura de Sugar Man" de 2012 que nos deu a conhecer a história de Sixto Rodrigues ou até a ficção notável que Nick Hornby escreveu em "Juliet Nua", novela já levada para o cinema que traça a inventada história de um tal Tucker Crowe, são exemplos de uma obsessão que sugere aspirações e manias doentias mas que reforçam o poder e a virtude da música.

Quando em 2011 o alemão Marc Fisher publicou o livro "Hobálálá - Onde Está Você, João Gilberto?" como resultado de dez anos à procura de um encontro com João Gilberto, o pai da Bossa Nova, a história parecia acabar, sem êxito, por aí. Desde que ouviu a canção com mesmo nome, lançada no disco de estreia em 1957, em casa de um amigo japonês, o brilho dos olhos não mais parou de aumentar entre viagens e estadias prolongadas no Brasil, enrolando um emaranhado detectivesco de contactos e diligências no terreno, isto é, do Rio de Janeiro a Diamantina, envolvendo proximidades cúmplices como Miucha, a esposa do próprio Gilberto, João Donato, Marcos Valle, gráficos responsáveis pelas capas originais dos discos ou até imitadores oficiais do cantor e o barbeiro particular... Tudo devidamente fotografado, filmado e documentado, incluindo estadias nos mesmos quartos de hotéis ou pensões como a que em Diamantina mantêm a casa de banho onde Gilberto ensaiou, supostamente, os seus primeiros temas e que se tornou num mito antigo que assegura que "a bossa nova começou num banheiro". Nada! Fisher nunca pôs as vistas em Gilberto e a sua misteriosa morte pouco tempo depois da publicação do livro impediu, para sempre, a concretização do sonho - ouvi-lo cantar só para si a tal "Hobálála".   

Quase paralelamente e sem saber da história do esforçado e malogrado alemão, um outro apaixonado pela música brasileira tentava o mesmo desígnio - o francês Georges Gachot ao aperceber-se do livro então publicado e da morte do seu autor, contactou a família que lhe entregou fielmente a montanha documental referida. Estava, assim, traçado o guião para o filme que estreou um ano antes da morte de Gilberto mas só chegaria às salas portuguesas em Agosto 2019. As pistas perseguidas por Gachot, uma a uma, desfilam em puzzle numa narração estranha, cativante e bem humorada em alemão mesclada com o francês e o português mas o destino, cedo nos apercebemos, começa a repetir-se numa impossibilidade quase maldita e sombria que, se dizia, rodeava o mestre e a sua vida escondida. Pode não ficar-se a saber muito mais sobre o artista e a sua incomensurável obra mas o filme serve, acima de tudo, de catalisador gostoso e ternurento para um fortalecimento robusto da paixão pela sua música "até o apagar da velha chama"...




3X20 MAIO

















sábado, 9 de maio de 2020

LITTLE RICHARD (1932-2020)













Da importância de Little Richard na música popular estamos, desde logo, conversados ao recordar o "Lucille", o "Tutti-Frutti" e o "Long Tall Sally" que nos habituamos a gostar à custa dos The Beatles. Figura icónica e polémica da primitiva história do rock & roll e que de pequeno só tinha mesmo o nome, nunca o dispensamos nas nossas buscas por pérolas em vinil e de que, o preferido, continua a ser "Keep A Knockin'", canção de origem popular lançada em single poderoso em 1957. A versão portuguesa, que orgulhosamente guardamos, apresenta o título em inglês entre parêntesis encimado por um "CONTINUA A BATER", assim mesmo, em maiúsculas... e ainda hoje é verdade. Peace!

HANIA RANI, DE OLHOS BEM ABERTOS!





















Os dotes da jovem Hania Rani medem-se habitualmente em frente a um piano. Há, contudo, outros interesses pessoais que ajudam a que a música molde ainda o seu gosto pela arquitectura ou a arte, transformando o seu périplo constante entre Varsóvia e Berlin num perfeito laboratório artístico ao ar livre. A preocupação passa, então, a ser uma só - encontrar a atmosfera visual, acústica ou até gestual para registar em disco as suas vivências e como apresentá-las em cima de um palco. Bastará uma audição atenta ao disco de estreia "Esja" para se confirmar o tele-transporte sensorial das composições e que teve exame de proximidade através do excelente concerto pelo Porto de Setembro passado.

Nessa oportunidade de partilha foi surpreendente uma outra dimensão que desconhecíamos - a voz, divina, a preencher muitos dos novos temas que faziam adivinhar uma aposta séria que agora se confirma em "Home", tema título de um segundo trabalho a sair em breve pela Gondwana Records com sede em Manchester. Ao jeito de um hino destes tempos de incerteza, a composição abraça uma demanda por um mundo mais saudável e seguro, jornada contínua que pode abrir portas, derrubar barreiras e limites mas cujo o indesejado e imprevisível retrocesso obriga a uma aprendizagem desafiadora e interminável simbolicamente expressa quer na imagem da capa quer no video registado na Grécia com a colaboração de diversos amigos artistas. De olhos bem abertos, como convêm, mas que, ao mesmo tempo, sabe bem fechar para manter o sonho...
 

sexta-feira, 8 de maio de 2020

LIANNE LA HAVAS POR ELA PRÓPRIA!





















No pedacinho caseiro e de perfume longínquo que por aqui deixamos há dias, Lianne La Havas estreou duas canções, a saber, "Paper Thin" e "Bitersweet", anunciadas como fazendo parte de um novo trabalho. Confirma-se agora que esta última é o cartão de visita oficial disponível do homónimo álbum a editar em Julho pela Warner Recortds e com encomendas à espera. São dez os temas registados ente viagens e estadias inglesas e americanas onde o cunho genuíno e luminoso de um certo charme r&b e soul continuará, certamente, a seduzir(nos)! 


quarta-feira, 6 de maio de 2020

FLORIAN SCHNEIDER-ESLEBEN (1947-2020)














A vanguarda sonora exibida e praticada pelos germânicos Kraftwerk foi no início dos anos setenta um vector diferenciador e distinto. A esse arrojo juntou-se sempre uma distância medida a rigor em relação ao mainstream, à fama ou ao estrelato que os discos sucessivamente confirmavam e até pediam. A dupla artística fundadora Ralf Hütter e Florian Schneider-Esleben controlou a carreira à sua maneira, ou seja, apostando na junção clara da imagem e do seu desenho a uma sonoridade electrónica única e imediatamente influenciadora e plagiada.

Em 2004, depois de avanços e recuos e com a plenitude dos seus elementos, a banda decidiu reunir-se para uma digressão de apresentação do álbum "Tour the France Soundtracks" o que acarretou a estreia em Portugal para um concerto único no Coliseu de Lisboa cheio como um ovo. Estivemos lá, de boca aberta pela surpresa do rigor e do resultado abismal do espectáculo e de que, antecipadamente, receamos o pior... Vivemos, ainda, outra confirmação ao ar livre, uns meses depois, na Zambujeira-do-Mar. Bons tempos!

Quanto a Florian Schneider, faria o último concerto com os companheiros por Espanha em 2006. Faleceu ontem (?) com 73 anos. Peace!

FAZ HOJE (15) ANOS #29









































 LAURIE ANDERSON, Teatro Nacional São João, Porto, 6 de Maio de 2005
. O Comércio do Porto, por Rodrigo Affreixo, 8 de Maio de 2005, p. 46
. Diário de Notícias, por Marcos Cruz, fotografia de Amin Chaar, 8 de Maio de 2005, p. 42
. Jornal de Notícias, por Rui Branco, fotografia de Pedro Correia, 8 de Maio de 2005, p. 44
. Público, por Amílcar Correia, fotografia de Nelson Garrido, 8 de Maio de 2005, p. 43

terça-feira, 5 de maio de 2020

LIANNE LA HAVAS DE SECRETÁRIA (CASA)!

(RE)VISTO #76





















AMAZING GRACE
de Alan Elliott e Sidney Pollack. E.U.A.; Universal, 1972/2019   
TV Cine Edition, Portugal, 1 de Maio de 2020
O recolhimento caseiro das últimas semanas permitiu-nos uma maior atenção aos canais disponíveis na televisão por cabo, à sua programação e, acima de tudo, à facilidade em sintonizar a qualquer hora, para frente e para trás, os seus conteúdos. Temos, assim, realizado um género de actualização cinematográfica quanto a filmes perdidos da última década a que amiúde se juntam documentários variados e surpreendentes.

É o caso deste "Amazing Grace" com a rainha da soul Aretha Franklin emitido na passada semana e do qual sabíamos da sua aura de intensidade mas que não tivemos hipótese de testar na altura da estreia em sala (Agosto de 2019). Trata-se, sem dúvida, de um documento memorável e emocionante que resume duas noites de Janeiro de 1972 em Los Angeles quando Aretha decidiu registar, em plena igreja do reverendo e amigo James Cleveland, um álbum de gospel. Na altura, a jogada parecia arrojada atendendo aos constantes hits com que atingia invariavelmente o número um dos tops mundiais, mas o regresso momentâneo às suas origens religiosas e, simultâneamente, artísticas valeria novo triunfo com a edição de um dos seus discos mais vendidos e elogiados simplesmente pela sua audição.

Mas ao registo sonoro o projecto juntou a preparação de um filme-concerto que, por embrenhadas dificuldades, foi sucessivamente protelado e que a família, renitente, acertou na autorização difícil para ver a luz raiada do dia em jeito de homenagem um ano após a sua morte. Dirigido por uma dupla de realizadores comandados por Sidney Pollack, o filme do evento transparece num colorido bonito onde a patina pura da imagem se torna imediatamente irresistível, fixando-nos tanto no ecrã que quase somos transportados para dentro do recinto - é como se, sentindo as vibrações e até uma certa informalidade do roteiro e argumento, de espectador passássemos a participante numa cerimónia onde à voz e espiritualidade de uma artista intemporal se juntou uma comunidade de cariz religioso mas ultra-dimensional. Que o diga Mick Jagger, um dos tais "participantes" que não perdeu a experiência a três dimensões... A viagem mágica tem repetições agendadas nas próximas semanas. Poderoso!




segunda-feira, 4 de maio de 2020

UAUU #534

AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #21

Decorreu no sábado passado o Festival da Eurovisão da Canção em Isolamento! Atendendo ao cancelamento do verdadeiro e icónico Festival da Eurovisão, marcado este ano para Roterdão entre 12 e 16 de Maio mas de que não vamos ter sinceras saudades, o comediante inglês Tom Taylor reuniu uma rodada de amigos com diversas (in)competências como cantar ou fazer rir para recriar a "magia" do evento a partir de casa. A brincar e ao longo de uma hora de boa disposição, a iniciativa pretende angariar fundos para instituições britânicas que tentam apoiar da melhor forma refugiados e sem-abrigo ou ajudar na luta contra a fome como a The Trussel Trust

Coube a um tal Eduardo Maldonado Castellano de La Cuz, por sorteio (!), representar a nossa vizinha Espanha com o tema "Te Amo España" mas a perfomance sugeriu-nos uma excelente sósia ao estilo de Neil Hannon. Uma comédia divina a receber votações até dia 22 de Maio. Como o Eduardo Madeira não foi convidado, já ganhou!

#AJUDAR



sexta-feira, 1 de maio de 2020

FAZ HOJE (28) ANOS #28


















PHILIP GLASS ENSEMBLE, Coliseu do Porto, 1 de Maio de 1992
. Público, por António Pinho Vargas, fotografia de Henrique Delgado, ? de Maio de 1992, p. ?



CHICO BUARQUE, UM ABRAÇO AMIGO!















A entrega do Prémio Camões a Chico Buarque estava agendada para Lisboa no passado 25 de Abril mas atendendo às circunstâncias a cerimónia acabou adiada até uma oportunidade mais segura. Essa impossibilidade motivou a realizadora Joana Barra Vaz a disponibilizar desde aí e até ao dia de hoje, 1 de Maio, o streaming gratuito do documentário "Meu Caro Amigo Chico" estreado em 2012 e posteriormente apresentado em vários festivais de cinema e que ainda não foi editado em qualquer DVD. 

O documento a preto e branco e que não deve ser confundido com o outro filme "Chico Buarque, Meu Caro Amigo" um pouco mais antigo, é uma carta escrita com imagens de resposta à canção "Tanto Mar" que Buarque compôs em 1975 a propósito da revolução dos cravos e que traça o panorama da música portuguesa através de testemunhos de muitos artistas nacionais. Há, como deve ser, um jogo de futebol Portugal-Brasil de resultado desconhecido mas com direito a mister Sérgio Godinho ao comando do time nacional. Apressem-se e não deixem a banda passar...

COURTNEY MARIE ANDREWS, O REFLORESCIMENTO!





















Por esta altura já o muito esperado regresso de Courtney Marie Andrews aos discos com "Old Flowers" estaria disponível mas a artista decidiu adiar a sua saída para Julho próximo. O encerramento da fábrica de vinil de forma a proteger a saúde dos trabalhadores comprometeu, em definitivo, a data previamente agendada que não impede, desde já, a pré-encomenda no site da Fat Possum. O trabalho, produzido por Andrew Salo (Bon Iver ou Big Thief), foi desenvolvido e construído a partir de um chamado desgosto de amor, o tal heartbreak, suprimido em diversas estadias e latitudes, de Bisbee (Arizona) a Nashville, de Londres a Lisboa, cidade onde se instalou em Junho passado e onde regressou depois em Setembro para um concerto a solo que se repetiu milagrosamente também na Invicta. A oportunidade serviu para a estreia de novos temas como "Together or Alone".

Mesmo em confinamento a menina não tem parado - desde uma maratona virtual ao vivo ao lado de Sam Evian e The Tallest Man On Earth, passando pelo triste lamento da morte John Prine, um dos ídolos com quem chegou a actuar em palco, os dias são reinventados com experiências culinárias e múltiplas leituras, mas ainda houve tempo para uma versão de "Unravel" de Bjork e um longo e apetitoso livestream a solo... ufa!






quarta-feira, 29 de abril de 2020

AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #20

A aparição em forma de um disco magnífico que Sean O'Hagan editou no final do ano passado não teve a consequente digressão que merecia, uma suposta oportunidade pela qual aguardamos serenamente há muitos anos. O senhor Microdisney e High Llamas é um dos nossos ídolos que nunca testamos ao vivo e foi preciso o raio da pandemia se espalhar perigosamente para que um pedacinho de ternura e auto-ajuda visse a luz do dia!

Em casa por terras britânicas e com a ajuda da filha Liv, O'Hagan aparece em plena forma para a interpretação de quatro temas do tal álbum "Radum Calls, Radum Calls" e não há como resistir ao toque da campainha. Ding, dong... 


FAZ HOJE (15 ANOS) #27



RICHARD HAWLEY + NANCY SINATRA, Casa da Música, Porto, 29 de Abril de 2005
. Diário de Notícias, por Nuno Galopim, fotografia de Ursula Zangger, 1 de Maio de 2005 p. 39
. Jornal de Notícias, por José Miguel Gaspar, fotografia de José Mota, 1 de Maio de 2005, p. 39
. Público, por Rui Baptista, fotografia de Nelson Garrido, 1 de Maio de 2005, p. 40