segunda-feira, 4 de maio de 2026

JAMES BLACKSHAW, GNRation, Braga, 2 de Maio de 2026

Já lá vão os tempos que James Blackshaw metia no estojo uma guitarra acústica de doze cordas para o acompanhar em palco. Com esse raro instrumento gravou discos inebriantes, fez verdadeiros recitais pelas redondezas com direito a regressos quase madrugadores sempre cativantes. Cansado, talvez penalizado pela afinação de tamanho uníssono, o inglês decidiu parar, respirar fundo e tentar continuar uma vida sem acordes, dedilhados ou estúdios a partir de 2015. Até que um dia... 

Em 2024, Blackshaw avançou para um regresso ao que melhor sabe fazer, mas cortou para metade as cordas da guitarra de que, afinal, não se consegue separar. Ainda bem. O, então, novo cartão de visita chamado "Unraveling In Your Hands", de três longos andamentos, confirmava o apuro das aptidões há muito demonstradas, elevando até a sofisticação de uma composição tentadora. 

Ao vivo, numa aparição descontraída de final de tarde para todos as idades, a façanha resguarda-se ainda imaculada. Mesmo que o afinamento das cordas seja agora mais rápido, como recordou, a adequada vulnerabilidade dos acordes, a sua aveludada magia ou algumas das sequências/repetições, prolongaram-se, por magnetismo, em três diferentes momentos - a abrir, no monumental "Unraveling In Your Hands", numa memória de "Cross", tema título do álbum de 2008 e, para culminar, em "Fractures On the Horizon", uma escolha centrada num recente projecto de auto-produção. 

Afinal e longe de um qualquer virtuosismo implacável ou de uma concentração extrema, em pouco menos de uma hora comprovou-se que isto de tocar guitarra, e de fazer dessa aparente e simples vibração uma bênção purificadora, talvez tenha em Blackshaw uma rara e renascida estrela cujo brilho continuará, milagrosamente, cintilante!
          

DAMIEN JURADO E LILLY MILLER, TESOURO!

Da série infindável de discos que Damien Jurado deita cá para fora, um género de catarse artística e emocional deveras assombrosa já por aqui assinalada, fixem mais este - "Did Something in Me Break?" com data da semana transacta. 

Trata-se de um género de cantar ao desafio ao lado de Lilly Miller, cantautora do Iowa com residência em Seattle que, por diversas vezes, assegurou a primeira parte de concertos do agora parceiro de canções. Num total de vinte, onze são de Miller, de que se recordam alguns dos temas anteriormente gravados desde 2022, mas agora com nova sonoridade acústica e cintilante. De Jurado, no mesmo tom, somam-se nove originais refinados e a confirmar uma veia de composição inesgotável. 

O tesourinho recebeu mistura e masterização de Lacey Brown, também ajudante de confiança, que partilhou a produção com Jurado e acrescentou alguma da instrumentação. Há, por isso, vozes de fundo comuns da própria Lacey Brown, de Zack Alva, de Damien Jurado e também de Lilly Miller, com suaves cordas de violoncelo e violino de Jeremiah Moon e Kennedy Webb. Para descobrir com imenso prazer