É certo que já por lá passou em 2019, a ajudar o parceiro Joe Armon Jones, mas agora é a sério - Nubya Garcia estará no coreto do jardim Basílio Teles no dia 5 de Julho, Domingo, no âmbito da próxima edição do Matosinhos em Jazz! Outros artistas se anunciarão em breve, mas para já a aposta é grande e certeira!
terça-feira, 21 de abril de 2026
FIELD MUSIC, SESSÃO COMEMORATIVA!
Aquando da comemoração do vigésmo aniversário do lançamento do homónimo álbum de estreia, em Agosto de 2005, pela londrina Memphis Industries Records, os Field Music juntaram-se para uma rara sessão evocativa tocando "A House is Not a Home", single de 2007, e "Luck is a Fine Thing" e "Shorter Shorter" do referido primeiro disco. Uma rara bênção de uma banda única, intemporal!
terça-feira, 14 de abril de 2026
PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #33
A loja era mais um espaço multi-venda de produtos de fotografia, cinema e som, o que implicaria discos de vinil grandes e pequenos. A rodela que encontramos dentro do invólucro diz respeito à versão portuguesa da "Desiderata" na voz do actor decano Rui de Carvalho, disco editado em Portugal no ano de 1972. Segundo a Wikipedia, a "Desiderata é um poema em prosa de 1927 do escritor americano Max Ehrmann. O texto foi amplamente distribuído em forma de poster nas décadas de 1960 e 1970.".
segunda-feira, 13 de abril de 2026
BILL ORCUTT, GNRation, Braga, 11 de Abril de 2006
Foram já várias as oportunidades para testar o génio de Bill Orcutt ao vivo. Caprichos vários levaram a que a pretensão fosse sempre adiada, lembrando, por exemplo, o cancelamento dos concertos portugueses, incluindo o do Porto, à custa de uma nuvem de cinza vulcânica que fez parar muitos aviões (2010?), ou uma incursão despercebida pela Sonoscopia (2015?). Outras, certamente, já aconteceram sem comparência nossa injustificada e sublinhada com aquele encolher de ombros perigoso "fica para a próxima". A passagem por Braga enquadrava um momento e palco perfeitos para a estreia que acabaria, em definitivo, com o sacrilégio.
É certo que os anos passam, mas os discos e concertos que continuam a sair e em agenda, confirmam que de Orcutt só se pode esperar inquietude da boa. A Fender Telecaster, de aparente modificação no encordoamento, é o condão instrumental de inseparável virtude a partir do qual se agita num estilo vanguardista, hipnótico, que preencheu a sala escura de Braga de uma tensão entontecida de electricidade instável. Fraccionada em quatro largos momentos de uma dúzia de minutos, à sequência juntou-se uma pequena descarga terminal para aliviar o empenho.
Ao fim de uma hora de poderoso provento, não admira que a espontaneidade da ovação da plateia esgotada tivesse crismado, e bem, uma actuação de densidade rara, acentuando a tenacidade de um músico cuja aptidão instrumental não é somente uma técnica, mas também uma virtude - a de extasiar por vibração e contágio!
sexta-feira, 10 de abril de 2026
quinta-feira, 9 de abril de 2026
POND, VIBRAÇÃO TERRESTRE!
De título "Terrestrials", adivinha-se um ciclone de rock n' roll, com algumas e habituais acalmias melancólicas a pairar sobre planícies australianas calorentas ou a dar banda sonora a bares decadentes, ainda assim, irresistíveis. Uma vibração cruzada e, devidamente, PONDerada.
quarta-feira, 8 de abril de 2026
DAMIEN JURADO REDUX!
É o que acontece com "All Are Welcome In: A Return to Maraqopa", um disco novo que apresenta versões redimensionadas de temas originalmente incluídos na trilogia “Maraqopa” ["Maraqopa" (2012), "Brothers and Sisters of the Eternal Sun" (2014) e "Visions of Us on the Land" (2016)], uma série de álbuns conceituais produzidos em colaboração com o saudoso Richard Swift.
O novo projeto concretiza uma visão que ele e Swift discutiram há muitos anos e que consistia em revisitar e reformular as músicas dos três discos após a sua conclusão. Muitas das faixas presentes neste lançamento já foram apresentadas ao vivo neste novo formato durante a digressão "All Are Welcome In" ocorrida no Outono de 2025.
segunda-feira, 6 de abril de 2026
FAZ HOJE (28) ANOS #120
. Público, por Amílcar Correia, fotografia de Paulo Pimenta, 8 de Abril de 1998, p. 27
. O Comércio do Porto, por Rui Azevedo, 8 de Abril de 198, p. ?
domingo, 5 de abril de 2026
FAZ HOJE (25) ANOS #119
. Público, por Fernando de Magalhães, fotografia de Mário Marques, 7 de Abril de 2001, p. 40
. Diário de Notícias, por Nuno Galopim, fotografia de Hernâni Pimenta, 7 de Abril de 2001, p. 38
sábado, 4 de abril de 2026
CAROLINE, GNRation, Braga, 2 de Abril de 2026
Se aos Caroline parece destinada uma ascensão apoteótica, notória em salas de assinaláveis dimensões rapidamente esgotadas, a oportunidade agendada para o Minho afigurava-se um milagre - oito músicos, muitos instrumentos e uma cumplicidade próxima que se desejava e suspirava e que, talvez, não se irá mais repetir nesta intimidade...
A cerimónia teve como altar central uma coluna rectangular que sugeria que, a partir dela, algum chamamento ou clamor sairia. Foi mesmo daí que uns primeiros sopros de um saxofone alto se distorceram, ampliados, em jeito de aviso para que as portas da nave se iriam fechar e o voo estava prestes a descolar para noventa minutos de cruzeiro controlado e turbulência espacial imaculada.
Disposta em semicírculo, a banda encetou, então, como que um recital vanguardista ora de orquestração lenta, ora de extremos sonoros arrebatadores e de que os dois discos até agora gravados são comprovativos mais que válidos e reconhecidos. São, contudo, os instrumentos, e o que eles permitem, que ganham ao vivo uma dimensão quase científica, testada tanto num simples pizzicato de um violino, num diálogo vectorial de violinos, num arranhão de uma guitarra ou no agudo de um trompete.
A variedade de recursos, que a repetição de acordes acentua na dose estupefaciente, não é novidade na história do rock e os Caroline nada têm a esconder - podem ser os Tortoise, algum emo americano, ou até muito da boa folk inglesa dos anos sessenta, e não se estranha que sejam eles os cabeças de cartaz do próximo Can Festival em plena China. A transcendência não têm idade, não terá também uma só explicação, e será por isso difícil de descrever dois dos melhores momentos: "Coldplay Cover" é, afinal, uma dupla canção em que a banda se dividiu em dois dos lados do palco para, quase a capella, as misturarem sem as misturar (oiçam ali abaixo... será melhor); "total euphoria" tanto pode soar perfeita para abrir o disco "caroline 2", como forçar a multiplicação apoteótica de um êxtase final antes da aterragem.
Não sabemos quantos anos os Caroline vão andar por aí, também não sabemos quantos discos vão ainda gravar. Sabemos, no entanto, que colisões sonoras de semelhante catarse e calibre terão, da nossa parte, um repetido entusiasmo que a noite bracarense só veio multiplicar. Sweet caroline...
THE NOTWIST, PLANETA INDIE!
Banda fetiche aqui pela casa, os alemães The Notwist andam há trinta e muitos anos a insistir, sem vergonhas, numa variedade de linhagens onde a pop e a electrónica nunca viraram costas ao jazz ou sequer ao trip-hop. Depois de uma compilação de raridades editada no final de 2025, está já disponível um novo registo de originais que reforça uma resiliência cada vez mais rara num projecto europeu e que se segue a "Vertigo Days" de 2021.
Com selo da Morr Music de Berlin, "News from Planet Zombie" marca o regresso a um processo criativo primitivo, com todos os músicos em simultâneo num sala de Munique, uma aura de concerto ao vivo propícia a uma experimentação ainda comandada pelos fundadores e manos Markus e Micha Archer e, desta vez e entre outros, com contribuições de Enid Valu, Haruka Yoshizawa, do clarinetista Tianping Christoph Xiao ou do trombonista Mathias Götz. Ao vivo, a formação aumenta consideravelmente, infelizmente, uma perfomance que ainda não presenciamos...
Entre as canções originais emergem duas versões: "How The Story Ends" (2009) dos Lovers e "Red Sun" (2000) de Neil Young, confirmando uma diluição perfeita na narrativa estruturada que o disco demonstra e que tem em "The Turning" mais uma monumental canção. Astronomia indie!
quarta-feira, 1 de abril de 2026
WATER DAMAGE, GNRation, Braga, 29 de Março de 2026
Repetição Máxima, Desvio Mínimo.
Parece ser este o mantra do colectivo Water Damage. Não há, por isso, canções para tocar ou sequer uma setlist. A receita não é o do tradicional instrumental rock n' roll e o conceito é facilmente comprovado ao vivo - uma repetição ritual de cerca de cinquenta minutos, onde foram revirados alguns riffs de guitarra e de cordas de violinos ou parecidos, sendo o resto uma grossa e poderosa cadência de duas baterias, dois baixos gémeos, literalmente, e duas guitarras eléctricas. Sem falhas, a coisa sugere alguma mania padronizada, sendo certo que ninguém arredou pé, atendendo ao hipnotismo crescente do ritmo "transecionado". Estes nove de Austin, E.U.A., sabem bem o que estão a fazer...
Talvez os catalisadores mais notados da montanhosa brutalidade acabem por ser o referido violino nas mãos de Mari Maurice e o toco de madeira, de poucas cordas, com que um deles vai assinalando, em contínuo, uma variação de tons que comanda a perfomance. Será ela de nome "Real", título de muitas das longas faixas que registaram já em discos, o mais recente referente a uma destas aparições de 2025 no festival holandês Le Guess Who que ainda recebeu, nessa oportunidade, a ajuda de um saxofonista!
Para tamanho estrondo, bem que fomos avisados para levantar uns tampões no pequeno bar do espaço negro de forma a rebater o suposto dano auditivo, mas a recomendação teve uma ténue adesão, pois a maioria estaria, simplesmente, interessada em receber a terapia em toda a sua dimensão, um estilo de câmara lenta retardatária de toada voadora e de teletransporte para uma paisagem deslizante e nunca perigosa. Um intrigante e memorável concerto!
ALELA DIANE, MARCANDO TEMPOS!
Depois de um disco/sortido de natal (2023) e de uma auto-reflexão biográfica (2022), estará publicado em Maio o resultado completo, então, obtido e que recebeu o nome de “Who’s Keeping Time?”. Floresce nele, desde logo, aquela notável voz que parece não sofrer qualquer desgaste com os anos, pelo contrário, surge ainda mais robustecida de vinco e cativação a adornar as canções de forma tão americana, sem truques desnecessários para marcar tempos estranhos...
segunda-feira, 30 de março de 2026
ARSENAL MIKEBE + HHY, Understage, Teatro Rivoli, Porto, 27 de Março de 2026
Pode ser difícil acertar com o melhor palco e horas do dia para fazer do projecto ugandês Arsenal Mikebe um afterhours poderoso. O reduto understage do Rivoli em pré-madrugada foi, a esse nível, uma escolha feliz e certeira, uma cave de escuridão flashada que dimensionou a grandeza hipnótica de um sistema de percussão, executado no limite físico, a um género de lição imbatível sobre ritmo.
Concentrada no meio do palco, a parafernália tem por base o Roland TR-808 Rhythm Composer, a primeira caixa de ritmos programável nascida no dealbar dos anos 80, acelerando batidas efectivas, pelas baquetas, num conjunto de outras peças em metal. Esta máquina, em espiral, possibilita comparações a loops ou drum-machines electrónicas, mas a analogia do processo incitou, ainda mais, a que o corpo respondesse, sem esforço e com frenesim agitado, a alguns apelos vocais/tribais de transe eletrizante e artilheiro.
O resultado sonoro da experiência está já vertido em disco, datado de 2004, e titulado de "Drum Machine", um repositório inclassificável de género que recebeu produção e supervisão de Jonathan Uliel Saldanha, estudioso e comandante do colectivo nacional HHY & The Macumbas. Presente no palco, Saldanha acrescentou à perfomance uma pressão extra de filamentos dub e techno, subtilezas quase laboratoriais de consonância ensaiada que nunca substituíram a fortaleza crua impulsionada, em crescendo de intensidade, pelos percussionistas.
Frente a frente, em V e sem moderador, o trio deveria ser considerado/premiado como recordista de bpm's analógicos e também, já agora, de fitness natural sem estimulantes... Respira!
quarta-feira, 25 de março de 2026
DUETOS IMPROVÁVEIS #312
TINAWIREN & JOSÉ GONZÁLEZ
Imidiwan Takyadam (Tinawiren)
Album "Hoggar", Wedge Records,
E.U.A., Fevereiro de 2026
terça-feira, 24 de março de 2026
JAMES BLACKSHAW, HORIZONTE PRIMAVERIL!
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| Fotografia: The Goat Review |
A presença de Blackshaw tem por motivo principal o novo trabalho "Fractures on the Horizon", que inclui o tema título e ainda um segundo instrumental denominado "Three Interlopers". O registo, que teve edição no final de Fevereiro, é mais um projecto solitário de escrita, registo e auto-produção, sendo esperado um esforço para que se concretiza uma limitada edição em vinil.
segunda-feira, 23 de março de 2026
SIR RICHARD BISHOP, Radioclube Agramonte, Porto, 20 de Março de 2026
No actual contexto de massificação, o espaço do Radioclube Agramonte afigura-se, para a cidade do Porto, como um milagre. Recatado, apesar da centralidade, descontraído, apesar das limitações, nas traseira do cemitério de Agramonte um antigo clube de squash é hoje uma preciosidade funcional onde, entre outras valências, a um bar jeitoso de bebida, a um jardim frondoso de mesas espalhadas, a um restaurante, ao que parece, irresistível e a uma loja de discos em vinil, se juntam espaços para concertos ao ar livre ou na sala/auditório do edifício. Não é pouco. É, certamente, muito e bom, um género de jóia viva que se deve proteger e acarinhar.
Uma jóia viva é também Sir Richard Bishop, guitarrista dito experimental a quem já não púnhamos os ouvidos e olhos em cima há, praticamente, quinze anos e que
continua, resiliente, a sombrear contornos feiticeiros a uma sonoridade da folk ou do raga, mas que se estende a trilhos dedilhados do norte de Àfrica ou Médio Oriente. À indução de sortilégio previsível responderam cerca de sessenta pecadores interessados na remissão acústica, uma notada maioria com saudades dos Sun City Girls ou dos Six Organs of Admittance e de espírito aberto a composições e/ou improvisações de (ex)tensão puxada em seis cordas de uma guitarra espiritual. Ninguém saiu desiludido.
A benção, centrada no álbum do ano passado "Hillbilly Ragas", ora de curto ou longo recital, confirmou um Bishop em plena forma e a conduzir-nos, noite dentro, por entre montanhas nebulosas ou bosques de treva escura, mas que não metem medo a nenhuma alma interessada na perdição de uma luz e som de intensidade variável e termal. Ofuscante seria o momento de quinze minutos com que pretendia terminar a sessão, não fosse estar refém na logística do palco, acrescentando, depois das muitas palmas, uma pequena pérola bónus, de pouco mais de dois minutos, só para nos fazer limpar o trago da poção energética. Este Sir é mesmo um senhor cavaleiro da guitarra!
ROBERT FORSTER, ESTRADA FORA DAS CANÇÕES!
Forster enredou-se na escrita, mesmo quando fazia crítica musical ou reportagem jornalística em tempos de pousio dos palcos e digressões, como confessado no livro marcante que prometeu, e cumpriu, escrever sobre a amizade e tudo o resto com o irmão de armas Grant McLennan. Faltava, pois, uma primeira aventura na ficção.
No início de Maio, a Penguin Books fará publicar, só na Oceania, "Songwriters On The Run", também nome de canção antiga (2017) e que marca a estreia oficial de Forster como contador de histórias: esta começa em Dublin, Irlanda, durante o Campeonato do Mundo de Futebol de 1990, quando a um jovem poeta de vinte e um anos é dado a ouvir a colectânea "The Go-Betweens: 1978–1990"...
Será melhor não revelar mais nada. Trata-se de uma trip rock-and-roll estrada fora que, diz quem já leu, se revela mutipolvilhada de mistério, humor e sarcasmo a la Forster, ou seja, como tantas vezes nos hipnotizou a partir do palco. Escrito entre, e durante, os concertos e a gravação de discos ao longo dos últimos anos, espera-se que a novela encontre um editor certo pela Europa ou E.U.A. a tempo de lhe deitarmos, rapidamente, os olhos.
Só mais um teaser de palavras:
"Basically, I wanted to free myself and write what I made up. Fiction. Imagination. Freedom to dream. I began to think of stories. I had a couple that didn't fly, and then I remembered 'Songwriters On The Run'. It flew."
segunda-feira, 16 de março de 2026
JALEN NGONDA, DOUTRINA DO AMOR!
Nas palavras do próprio, o desafio é, pois, continuar a soar como se tivesse acordado em 1964 ao lado dos Funk Brothers, expressando o fascínio por uma época em que o amor e compaixão pelos outros ainda era o principal valor da humanidade. A elegância das novas canções, em jeito de doutrinação soul, estará bem audível em "Doctrine of Love", a seguidor natural do disco de estreia e que se afigura como um exercício de modernidade crua e envolvente, mas que ainda não experimentamos ao vivo. A digressão, já marcada, alcança Madrid em Julho (Mad Cool Festival), sem, no entanto, qualquer extensão prevista a poente...
quinta-feira, 12 de março de 2026
quarta-feira, 11 de março de 2026
THE DIVINE COMEDY, Casa da Música, Porto, 9 de Março de 2026
A repetida investida dos The Divine Comedy na Casa da Música espoletou plateia principal rapidamente esgotada por uma ou, vá lá, duas gerações que continuam a ter em Neil Hannon um herói insubstituível. Ao longo de trinta anos, o irlandês engrossou um songbook de assinalável dimensão pop que continua em crescendo de robustez - o mais recente álbum "Rainy Sunday Afternoon" está replecto desses fortificantes e o serão seria uma excelente oportunidade para proceder ao seu inédito teste ao vivo.
Pena que a sala portuense continue a não responder, de forma adequada e obrigatória, à fineza da composição, das melodias ou das líricas que tanto elevam as canções da banda, tudo abafado numa acústica sofrível em que a voz se revelou indistinta, tornando o brilho dos iniciais "Achilles", "The Last Time I Saw the Old Man", "Rainy Sunday Afternoon" e, sacrilégio, "When the Lights Go Out All Over Europe", numa calandrada massa sonora que deveria motivar queixa na SPA. Os óculos escuros que Hannon não dispensou, escondendo um confessado cansaço, serviriam também para cobrir algum imperdoável desleixo em "Lady of Certain Age", logo uma das pérolas cimeiras, quando se esqueceu da letra e a seriedade tensional do tema acelerou numa risota dispensável.
Empurrado o carrinho de bebidas e cocktails para o palco em "Mar-a-Lago by the Sea", notável e impiedosa pantomina futurista sobre o imperador yankee, uma base pianada ondeou sozinha enquanto se distribuíam bebidas entre os instrumentistas. O concerto parece ter-se, então, libertado de algumas das amarras, crescendo em conexões como a que se viveu pela primeira fila em "Our Mutual Friend", enquanto a violinista esticava em palco, magistralmente, um dos melhores epílogos de uma canção pop. Contudo, o momento da noite, apesar da sua verdura recente, teve o paladar de um figo pingo-de-mel: "The Heart Is a Lonely Hunter" é, simplesmente, um clássico antes de o ser.
Até ao fim e já com a frente de palco amotinada, rolaram os soft-hits esperados e foi bom que "To The Rescue", arredado dos alinhamentos anteriores, tenha sido escolhido para valorizar uma noite de êxtase sabido, de algum descuido e irremissibilidade ("Your Daddy's Car"), mas de premiado batimento de asas. O voo, todavia, já noutras viagens planou muito mais alto...
terça-feira, 10 de março de 2026
3X20 MARÇO
quinta-feira, 5 de março de 2026
ÓLAFUR ARNALDS, LIÇÃO ISLANDESA!
A colaboração não é uma estratégia — é uma forma de ser.
A máxima, em jeito de autoajuda, é motivo de um terno documentário promovido por Ólafur Arnalds e escrito por John Meyer e a que se deu o nome de "Like Gravity: A Conversation On Creative Collaboration".
Tendo esse território fascinante que é a Islândia como cenário principal, são apresentadas conversas com diversos artistas, filmadas em Reiquiavique, Mosfellsbær, Selfoss e, também, Berlim, à volta da colaboração criativa vs o isolamento.
A importância de uma rede de amizades e de um ecossistema gerador, motivam óbvias fragilidades e contradições, mas também impulsos poderosos nas palavras de
Dustin O’Halloran, JFDR, Lilja Birgisdóttir, Ólafur Arnalds, RAKEL, Sandrayati, Sofi Paez, Terence Goodchild e The Vernon Springse.
Os testemunhos recolhidos, as suas envolvências e, caramba, as paisagens e cercanias, aguçam uma vontade de largar tudo e fazer de uma suposta solidão um fortalecido antónimo de infelicidade. Uma lição!
Entretanto e para para celebrar o solstício de Inverno (21 de Dezembro de 2025), Ólafur Arnalds reuniu na sua casa de Reiquiavique alguns amigos e familiares para mais uma notável sessão - Sunrise Session III - e onde se fazem notar as vozes de Sandrayati, RAKEL e Salóme Katrín. Quatro músicos de cordas acudiram ainda à perfomance, fazendo do momento uma deslumbrante memória.
terça-feira, 3 de março de 2026
ALDOUS HARDING, QUINTO ESTÍMULO!
A diversa ajuda instrumental veio de Joe Harvey-Whyte, da harpista Mali Llywelyn, Thomas Poli ou do baterista Sebastian Rochford. O principal auxílio centrou-se, contudo, no parceiro Huw Evans (H. Hawkline) e que se estendeu desde o baixo, o órgão, as guitarras e as vozes. Um dos dez temas novos ("Venus in the Zinnia") adivinha-se até em formato dueto...
Serão, provavelmente, estes os companheiros que ocuparão o palco ao lado da neozelandesa na próxima digressão europeia que chegará, finalmente, a 12 de Agosto, quarta-feira, a Paredes de Coura, no que sugere ser o primeiro dos dias, a sério, do festival.
Para já, "One Stop" é um mais que recomendável estimulante!
segunda-feira, 2 de março de 2026
DUETOS IMPROVÁVEIS #311
MATT BERNINGER & ROSANNE CASH
Who Loves the Sun (Velvet Underground)
Série "Sunny Nights", Austrália, Dezembro de 2025
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
CHANTAL ACDA E BRUNO BAVOTA, CONFIANÇA SEGURA!
Na nova paragem denominada "Safer Places" coube o afamado produtor inglês Phill Brown (Led Zeppelin, David Bowie, Cat Stevense ou os Talk Talk) e uma seleccionada e credenciada ajuda de outros músicos e vocalistas neerlandeses como Adam Wiltzie (A Winged Victory for the Sullen), Gerd Van Mulders, Beatrijs de Klerck e Niels Van Heertum. A atmosfera é, assim, de arquitectura sofisticada em que ganharam espessura, por exemplo, a delicadeza das cordas de violinos ou a subtileza de uma linha de contrabaixo.
Vincadas continuam, no entanto, as percussivas sequências de piano envoltas na voz de Acda, um registo de maior expansão e convicção que o desenvolvido no primeiro encontro à distância e que agora, numa sala e a três dimensões, ganhou profundidade e confiança.
O disco tem edição e distribuição da Challenge Records, casa ecléctica com base em Amersfoort, Países Baixos.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
SCOTT MATTHEWS, PRESENTE!
DANIEL JOHNSTON, A VOAR ALTO!
Depois de Brooklyn, Nova Iorque, no verão passado, a maior exposição individual dedicada a Daniel Johnston (1961-2019) está agora patente em Austin, Texas, cidade onde o artista viveu parte importante da sua formação.
A mostra tem curadoria de Lee Foster, co-proprietário do Electric Lady Studios e consultor do Daniel Johnston Trust, e revela a profundidade psicológica e a invenção formal dos desenhos de Johnston, inspirados em histórias de banda desenhada. Trata-se da segunda exposição na galeria LYDIA (Lydia Street Gallery) e segue-se a uma menor retrospectiva ocorrida na iniciativa Contemporary in Austin em 2022-23.
Denominada “Fly High, Fly Eye”, a programação e agendamento pretendeu aproximar a data de nascimento do artista - 22 de Janeiro - à abertura que ocorreu uma semana depois e se manterá disponível até final de Março. O dia natal foi já oficialmente designado "Hi, How are you? Day", reconhecida cortesia que Johnston não dispensava a todos os que acolhiam e acarinhavam, quer em concerto, quer em todos os processos artísticos ou terapêuticos requeridos pela sua doença mental.
O mundo muito próprio das personagens por ele criado compreendem um universo fascinante - Fly Eye, Eye Walker, God Eye, Dead Dog’s Eyeball, Fish Eye, SpEYEder e Double Fish Eye interagem de forma única, assumindo-se como comentadores sociais, espectadores, juízes, espiões e até parceiros. Flye Eyes, que representava a morte, era um desses olhares não lineares e corrosivo em que as frases emitidas, que parecem ter um significado, afinal significavam muitas vezes o oposto.
Em tempos conturbados pela América e não só, a esperança que ele manteve num mundo melhor, apesar do clima de pavor e injustiça, talvez seja hoje um mandamento involuntário de aprendizagem motivadora... Let's go. A luta continua!
[alguns dos desenhos originais e uma t-shirt alusiva/exclusiva encontram-se ainda à venda online]
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
BROKEN SOCIAL CLUB, LEMBRETE PARA COLAR!
Centrado numa, ainda, pertinente promoção da realidade analógica, evidenciam-se linhas de baixo, guitarras e vozes sem que a melodia seja sequer posta em causa, confirmando que é a vontade e técnica manual que escolhe o controle a aplicar às canções. Ao leme está o mestre Kevin Drew, coadjuvado pelo resto da comandita onde se incluem Hannah Georgas, Lisa Lobsinger e a fiel Leslie Feist.
O primeiro single "Not Around Anymore", tema que também abre o álbum, mantém aquele nível de sedução nostálgica em que os de Toronto sempre se especializaram e que acentua um protagonismo indie de validade carimbada. Lá para Março, fica o aviso, a Rough Trade começa a enviar, só para alguns, uma versão em vinil de cortar a respiração.
A banda está, por isso, viva e bem viva, apesar da distância considerável das últimas notícias, talvez porque a proximidade geográfica ao imperador Trump tenha multiplicado anti-corpus de resistência que, quase sem querer, tinham já transparecido na canção antiga "Canada vs America", um atrevimento que Drew, como confessado ao El País, estava longe de imaginar como profético...
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
THESE NEW PURITANS, Auditório de Espinho, 14 de Fevereiro de 2026
Serão poucos os discos que os These New Puritans editaram ao longo de uma carreira já vintenária. Contudo, essa mão cheia de trabalhos rodeou-se sempre de uma acutilância e exclusividade que só os irmãos Barnett parecem sinalizar como diferenciadora, assumindo as canções formatos arriscados de que se aprende a gostar por uma simples das razões - modernidade!
Ao vivo, como em anteriores passagens pelo Porto, quer na versão imberbe de 2008 quer na versão eloquente de 2013, foi com esse eficaz armamento experimental, permitido pelo rock, que a banda se estendeu em palco de forma densa e sublime, carregando uma negritude quase industrial e poderosa capaz de enervar os mais desprevenidos, mas conquistando a maioria daqueles para quem a subtileza não é inimiga da brutalidade.
O serão de sábado, de plateia sentada bastante ecléctica e diversa, foi só mais uma das viagens desafiantes em que os gémeos de Essex nos capturaram por magnetismo e rendição, ou não fosse "Crooked Wing", o disco do ano passado, mais uma lição talentosa de arte sonora de que "Bells", uma das nossas "canções do ano 2025", se assumiu inebriante - escolhendo-a, perfeita, para (a)largar o primeiro campo de visão da paisagem imersiva, o concerto como que ganhou, desde logo, um destino atmosférico cativante e ondeante e em que o quarteto se mostrou indefectível na cumplicidade.
Em algumas das paragens, deu-se entrada a Elisa Rodrigues, parceira portuguesa do projecto em 2013, quer em disco quer em palco, convidada a dar voz a uma selecção de peças de forma vincada e louvável e de que "Industrial Love Song", a primeira delas, resultou memorável. Poderoso, o alinhamento cruzou, por isso, temas antigos e recentes de forma sábia e mais que treinada, culminando num impressionante "Organ Eternal" de quinze minutos uma noite de regeneração auditiva que, sem reacções adversas, se confirmou terapêutica. Um abanão!
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
KEVIN MORBY, DESERTO IDEAL!
Em "Little Wide Open", um novo álbum registado ao longo do ano passado no Long Pond Studio de Aaron, perto de Nova Iorque, Morby tratou de fazer dessa beleza muito própria o seu "deserto" narrativo e libertador, aventura tecnicamente partilhada na produção com Aaron Dressner, o gémeo dos The National já muito experimentado na tarefa. Trata-se do aguardado seguidor do excelente "This Is A Photograph" já com data de 2022.
Entre o rol de colaborações e ajudas contam-se, entre outros, Justin Vernon, Katie Gavin, Lucinda Williams, Mat Davidson, Meg Duffy ou Amelia Meath aka Sylvan Esso/Mountain Man, dando vozes, neste caso, ao primeiro single "Javelin", um dos treze novos temas de um disco a sair em Maio pela Dead Oceans.
Lá para Julho, o músico chega a Europa para uma série de concertos de apresentação, uma volta que, mais tarde ou cedo, acabará por alcançar terra firme nacional.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
KELLY MORAN, GNRation, Braga, 8 de Fevereiro de 2026
O piano tem sido, desde 2010, o recurso instrumental da norte-americana Kelly Moran não só na sua clássica função percussiva, mas também numa multiplicidade de possibilidades e arrojos técnicos onde o indutor eléctrico assume a primazia. O disco "Don't Trust Mirrors", que a Warp Records editou em Outubro passado, é o exemplo último de um projecto artístico onde piano preparado e sintetizado servem no aprofundamento de uma experiência a roçar a catarse sonora.
Ao vivo e como avisado, a primeira parte do concerto serviria para a apresentação e execução dessas peças mais recentes a que se juntaram imagens em tela grande de cariz geometrizada, e bastante distractivas, que não impediram notar a acentuada teatralização da execução imprimida pela pianista, um jogo alternado de ondulação dos braços e da farta cabeleira loira. A plastificação, melhor, a excessiva perfeição do que se ouviu talvez tenha estreitado a fruição numa simples partilha auditiva que, em alguns casos, as imagens certas disfarçaram de forma convincente - "Butterfly Phase" e a sequência sublime da patinadora de gelo afigurou-se exemplar. O melhor, contudo, estaria por vir.
Desligado o projector, aumentando a penumbra colorida, Moran dedicou a parte final para reverter o piano à sua essência, apostando numa sequência de tributos a compositores predilectos. Soaram, então, maravilhas de Nico Muhly, de Philip Glass e do mestre Ryuichi Sakamoto, elegendo duas das suas melhores obras de arte - "Merry Christmas Mr. Lawrence" e "Andata" - para que a luz, mesmo de olhos fechados, polarizasse, em todos, que a esperança num mundo melhor, e sem ICEbergues, será sempre a última a esvair-se.
HERMANOS GUTIERREZ A GOSTO!
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
SESSA, Auditório de Espinho, 7 de Fevereiro de 2026
A chegada da paternidade trouxe a um Sessa quase quarentão a abençoada fonte de inspiração para um terceiro disco de originais a que chamou apropriadamente "Pequena Vertigem de Amor". Há nele variação suficiente para embalar o rebento, Bem de seu nome, e para encantar plateias acompanhado de uma trilogia de peso da nova música brasileira: Biel Basile, o bielsinho dos ex-O Terno, na bateria; Marcelo Cabral, baixista, produtor e arranjador, no baixo e Letícia Veras, jovem multi-instrumentista e que no moog e vozes costuma fazer maravilhas.
Desde logo e sem entradas, passou-se ao prato principal, ou seja, algumas das excelentes canções da referida novidade, com destaque para o tema título, magistral para levantar o pano, "Dodói", "Bicho Lento" ou "Planta Santa", um caso sério de mesclagem rítmica e tão tropical que só no Brasil floresce vigorosa e autóctone. Juntar-lhe, logo de seguida, o jovem clássico "Vale a Pena" assumiu-se como um perfume inebriante onde o moog se mostrou, para além de certeiro, de deslumbre extasiado.
Pelo meio, já outras peças mais antigas (p. ex., "Ponta de Faca") se tinham intrometido num alinhamento que teve direito a encore - a pedido, insistente, Sessa aventurou-se sozinho em "Gata Mágica", recordando o poder do violão e da simplicidade de uma matriz que continua a ferir sem dor, reconfirmando a timidez fofinha de outras presenças por perto. Tudo culminaria com "Grandeza", indispensável agitador que noutras circunstâncias logísticas teria motivado, como merece, bailarico obrigatório. Em grande!
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
DUETOS IMPROVÁVEIS #310
ANNA CALVI & IGGY POP
God’s Lonely Man (Calvi)
EP "Is This All There Is?", Domino Record Co.,
Inglaterra, Março de 2026
SCOTT MATTHEWS, ENCONTRO ANUAL!
Prevê-se, pois, que na data de 30 de Abril, quinta-feira, véspera de feriado, em Torres Vedras, se repita a oportunidade de um salutar e fraterno convívio anual, tudo comprometido por uma banda sonora tangível e soberba. O palco é do Bang Venue e já há bilhetes. Pode ser que outros momentos de camaradagem acabem por se multiplicar nos dias seguintes...
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
FAZ HOJE (32) ANOS #118
. Diário de Notícias, por João Botelho da Silva, fotografias de Ricardo Bento, 8 de Fevereiro de 1994, p. 1 e p. 22
. A Capital, por João Portela, fotografias de Carlos Alberto, 7 de Fevereiro de 1994, p. 34
. Sete, por Rui Miguel Abreu, fotografias de Carlos Didelet, 10 de Fevereiro de 1994, p. ?
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
PULP, TRIPLA MEMÓRIA!
Os incontornáveis Pulp passaram ontem à noite pela Piano Room do estúdio de Maida Vale da BBC2 no oeste de Londres acompanhados pelo BBC Concert Orchestra.
Como seria esperado, fizeram memórias a triplicar - uma potente interpretação de "Hymn Of The North", uma recordação de "Something Changed" do álbum "Different Class" (1995) e uma versão de "Day Before You Came" dos Abba de 1982. Estava a pedi-las...
sábado, 31 de janeiro de 2026
SÉBASTIEN TELLIER, UMA FERA AMBICIOSA!
A etiqueta há muito que se agarrou a Sébastian Tellier de forma irremediável - nela pode ler-se em letras estilizadas "French Touch", um movimento de exploração pop que na primeira década do século, a partir de Paris, levantou voo em várias rotas continentais. Tellier, em jeito de guru da torrente, nunca se desprendeu do bom gosto que a sonoridade aportava e que fez espalhar por bandas sonoras, perfomances para desfiles de moda fina ou muitos dos discos em nome próprio que continuou a bombar.
O último, já com cinco anos, tem agora herdeiro irresistível baptizado de "Kiss the Beast" e assume-se como um capítulo avançado de maturidade e luz, somando à editora parisiense Because Music um artista de nível superior e que se eleva, pairando, ao lado de uns Justice, Parcels, London Grammar, Connan Mockasin ou os saudosos Les Rita Mitsouko.
As colaborações esticam-se, desta vez, a Nile Rodgers, a Kid Cudi ou à cantora Slayyter, numa produção partilhada com SebAstian, Oscar Holter e Victor Le Masne e orquestrações do sempre recomendável Owen Pallett concretizadas entre Londres e Paris. Tudo multi-sugestivo, tudo de frequente extravagância, mas ainda tudo de infindável e feroz ambição.
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