segunda-feira, 13 de abril de 2026

BILL ORCUTT, GNRation, Braga, 11 de Abril de 2006

Foram já várias as oportunidades para testar o génio de Bill Orcutt ao vivo. Caprichos vários levaram a que a pretensão fosse sempre adiada, lembrando, por exemplo, o cancelamento dos concertos portugueses, incluindo o do Porto, à custa de uma nuvem de cinza vulcânica que fez parar muitos aviões (2010?), ou uma incursão despercebida pela Sonoscopia (2015?). Outras, certamente, já aconteceram sem comparência nossa injustificada e sublinhada com aquele encolher de ombros perigoso "fica para a próxima". A passagem por Braga enquadrava um momento e palco perfeitos para a estreia que acabaria, em definitivo, com o sacrilégio. 

É certo que os anos passam, mas os discos e concertos que continuam a sair e em agenda, confirmam que de Orcutt só se pode esperar inquietude da boa. A Fender Telecaster, de aparente modificação no encordoamento, é o condão instrumental de inseparável virtude a partir do qual se agita num estilo vanguardista, hipnótico, que preencheu a sala escura de Braga de uma tensão entontecida de electricidade instável. Fraccionada em quatro largos momentos de uma dúzia de minutos, à sequência juntou-se uma pequena descarga terminal para aliviar o empenho. 

Ao fim de uma hora de poderoso provento, não admira que a espontaneidade da ovação da plateia esgotada tivesse crismado, e bem, uma actuação de densidade rara, acentuando a tenacidade de um músico cuja aptidão instrumental não é somente uma técnica, mas também uma virtude - a de extasiar por vibração e contágio!   

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