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segunda-feira, 20 de julho de 2020

B FACHADA, DISCO E CONCERTO!





















Da noite para o dia, literalmente, nasceram quinze novas canções de B Fachada editadas hoje num álbum chamado "Rapazes e raposas"! O trabalho é o resultado de uma temporada iniciada em Março e concluída em Maio por Mértola, onde o músico tocou e gravou a totalidade dos instrumentos - o baixo, a viola, a viola braguesa, os indispensáveis Modular ADDAC e outros teclados - sob registo e produção de Eduardo Vinhas. As letras, como não podia deixar de ser, são da sua completa autoria.

B Fachada tem concerto marcado para a próxima quarta-feira em Ponte de Lima, evento gratuito e respeitador das agora habituais regras de distanciamento e postura, isto é, separados, sentados e mascarados! 

terça-feira, 14 de julho de 2020

EXIT NORTH, A ARTE DO INACABADO!





















Aos oito fabulosos trechos do álbum de estreia do colectivo Exit North pode agora acrescentar-se uma outra preciosidade chamada "Let Their Hearts Desire", um tema inacabado e sucessivamente torneado nos arranjos mas que não obteve consensos. A banda de Thomas Feiner e Steve Jansen encontra-se já a preparar um novo trabalho de longa duração.   

Entretanto, o concerto marcado para Casa da Música no dia 27 de Setembro próximo foi adiado para 26 de Setembro do ano seguinte, validando por isso qualquer bilhete entretanto comprado para um serão certamente inesquecível. Não percam

quinta-feira, 11 de junho de 2020

PRIMAVERA LOSER!
















Por volta desta hora e numa era pré-pandemia, o trilho de bike até ao Parque da Cidade seria feito rapidamente e a pensar no abastecimento prévio na Padaria Ribeiro, na totebag oficial para juntar à colecção e na primeira de algumas cervejas entre palcos para ver os Black Midi, a FKA Twigs, o Beck e a Kim Gordon e rever o Tyler the Creator!

Por volta desta hora e numa era (quase?) pós-pandemia, andamos a vaguear na rede à procura de informações concretas de como validar o raio do bilhete para a edição do próximo ano ou obter um justo reembolso, uma mixórdia confusa de estratagemas duma organização em nítida afronta legal.

Por muitas voltas que se lhe dê, I'm a loser baby, so... 


segunda-feira, 1 de junho de 2020

THE NOTWIST, SIM, AO VIVO!





















Termina hoje a 49ª edição do Festival Moers na Alemanha, um evento inicialmente dedicado ao jazz mas que evoluiu para uma concentração requintada de experiências sonoras onde a world ou a pop também cabem sem favor. Sabendo desde Março das limitações impostas pela Covid19, a organização decidiu manter, mesmo assim, os três dias de concertos de forma digital (ok, há sempre uma dúzia de sortudos na frente do palco) e totalmente transmitidos pela Canal Arte desde sábado até hoje.

Do ecléctico alinhamento e a jogar em casa, os low profile The Notwist acabaram há pouco de apresentar a totalidade do álbum "The Messier Objects" (2015), uma colectânea maioritariamente instrumental de temas destinados a bandas sonoras imaginárias, programas de rádio ou produções teatrais que encaixam na perfeição na estética do evento e que está desde já disponível para visualização obrigatória.

Repete-se, assim, um hábito milagroso do canal público franco-alemão nos fazer chegar à distância concertos deste colectivo do sul da Baviera que faz música para nosso deleite desde 1989!   


quarta-feira, 27 de maio de 2020

WEYES BLOOD, TEMPO RUDE!

Logo no dia em que se soube que Weyes Blood foi também uma das excluídas da edição 2021 do Primavera Sound Barcelona e, possivelmente, do festival-irmão da Invicta onde, aliás, devia comparecer no início de Junho, a menina Natalie Mering libertou um video oficial para "Wild Time", canção de uma imensidão tocante incluída em "Titanic Rising", o melhor disco de 2019 aqui para casa, e que agora ganha um multi-significado alargado.

Filmado em película de 16mm em tempos pré-pandémicos, as imagens foram dirigidas e editadas pela própria no recolhimento do lar com a ajuda do fotógrafo Micah Van Hove entre pensamentos e divagações sobre o mundo caótico em que nos enterramos, sobre as problemáticas mudanças climáticas ou a sustentabilidade adiada de uma natureza ferida... um verdadeiro wild time to be alive!

Confirmado está o cancelamento dos concertos para os restantes meses de 2020 mas está prometido o regresso aos discos de originais para o ano, uma oportunidade para, talvez, um reencontro cara-a-cara em ambiente de proximidade e partilha à altura da sua simpatia e talento!

PARA ONDE FOI A LANA?















É este o cartaz do Primavera Sound Barcelona para 2021, espera-se, sem pandemia! Atendendo a que a versão portuense terá inspiração catalã, fica aparentemente a certeza que a menina Lana Del Rey é agora uma miragem... F***!


terça-feira, 21 de abril de 2020

THEATRO CIRCO 105!





















Uma das mais bonitas salas do país faz hoje cento e cinco anos. O Theatro Circo de Braga, mesmo encerrado, programou uma série de concertos contínuos e à distância ao longo de todo o dia onde participam nomes variados e consagrados do panorama actual da música portuguesa. Sugerimos a harpista Angélica Salvi (20h00) e, na tentativa de começar a recuperar o tempo perdido, a aparição de Cristina Branco (21h00). Para ouvir aqui... e parabéns! 

sexta-feira, 17 de abril de 2020

IRON & WINE E UMA ORQUESTRA!

Em 2019, como anotado, decorreu a comemoração dos quinze anos de "Our Endless Days", o disco de estreia de Iron & Wine e que teve datas ao vivo muito especiais. A de 30 de Abril no John F. Kennedy Center for the Perfoming Arts em Washington recebeu Sam Beam acompanhado pela National Symphony Orchestra conduzida pelo maestro David Campbell, a última de três noites evocativas dessa grande álbum mas onde foram interpretadas mais de vinte temas, quer com orquestra quer a solo, da carreira do magistral autor da Carolina do Sul.

Agora que se vivem tempos de partilha reforçados, a promessa do artista em soltar seis bocadinhos desse serão para menorizar distâncias e aconchegar ausências irá ser cumprida nas próximas semanas mas, desde já, aqui reunimos quatro desses momentos que são do melhor entre a avalanche de dádivas a que temos assistido ultimamente!







quinta-feira, 2 de abril de 2020

TINY RUINS, CANÇÕES-VITAMINA!
















Durante o ano transacto, não foram uma, nem duas mas três as vezes que reclamamos da sorte por não ter chegado até cá uma qualquer digressão de Hollie Fullbrook aka Tiny Ruins! Atendendo às actuais circunstâncias julgamos que nossa sorte não vai mudar nos próximos tempos a que acresce a distância agora ainda maior entre a Nova Zelândia e a Europa mas vai havendo algumas recompensas saborosas.

A partir de Auckland e desde a semana passada, a menina tem cumprido a promessa de, por via digital e em sessões acústicas, nos ajudar a planar acima das longas horas de tensão do nosso estranho dia-a-dia e só lhe podemos agradecer pela companhia e por todos os sinais de fumo de esperança e paz em forma de canções-vitamina. Cá a esperamos, um dia...



sábado, 28 de março de 2020

PIANO DAY, CELEBRE-SE!














A data de hoje marca a celebração do Dia do Piano, uma insistência anual saída da teimosia da Nils Fraham e que desde 2016 se espalha um pouco por toda a Europa e América do Norte mas que, infelizmente, continua sem adesões por terras lusas. O músico alemão aproveita, entretanto, o momento para lançar um novo álbum de oito originais a solo com o simples nome de "Empty" e que foi composto como banda sonora de uma curta metragem solicitada por um amigo. Largamos aqui um primeiro momento.



Atendendo às circunstâncias, os eventos agendados que podem escolher no site oficial prolongam-se até ao dia de amanhã numa imensidão de artistas e locais em formato virtual e à distância. Sugerimos o directo já a decorrer promovido pelo Canal Arte que engloba diversos concertos já gravados ou um festival da clássica Deutsches Gramaphon previsto para se iniciar pelas 14h00 com a participação de dez pianistas em ambiente caseiro e que engloba uma perfomance da nossa Maria João Pires.



sábado, 7 de março de 2020

POLIÇA, Casa da Música, Porto, 5 de Março de 2020

Ao projecto Poliça liderado por Channy Leaneagh associamos, desde sempre e involuntariamente, um misterioso manto de encanto. Quase uma década depois do início de actividade artística à volta de uma sonoridade apurada de pop sintetizada, nunca foram muitas nem as notícias nem as excentricidades de uma banda acarinhado por Justin Vernon e que, na sua essência, não pareceu nunca querer mais que escrever, gravar e tocar ao vivo as suas canções.

A oportunidade em estreia nacional afigurava-se, assim, a ideal para a percepção deste enigma dimensional e, já agora, funcional que pode ser obtido de duas baterias simultâneas e um baixo e onde as guitarras não entram para primazia de uma variedade de loops e overdubs. À convocatória para a sala vermelha respondeu uma bem preenchida plateia em pé, assumindo os riscos de um desconhecido território sonoro ao vivo mas, por isso mesmo, sedutor e atractivo e que teve na penumbra do palco das primeiras canções um inquietante preâmbulo preenchido somente pela força dos instrumentos e de uma voz ora adorável ora estranha que fez, por exemplo, de "Lime Habit" um irresistível momento de partilha.

Quando um céu de pequenas luzes caiu no fundo ondulado do recinto mesmo antes de "Driving" como que se acenderam as velas de uma cerimónia de tensão crescente e que, ao nosso gosto, teve em "Dark Star" um hino maior que, por si só, valeria e justificaria a presença. O hipnotismo haveria de se manter até ao fim num jogo alternado de "love songs" e convites à dança culminado com "Trash in Bed", um agitador variado de serpenteios e movimentos que, mesmo sem bola de espelhos mas com chuva de estrelas, nos fez lembrar muitas madrugadas trepidantes e tripantes por históricos bares da Ribeira. Valerá sempre a pena chamar a Poliça! 

segunda-feira, 2 de março de 2020

KELLY FINNIGAN & THE ATONEMENTS, Auditório de Espinho, 29 de Fevereiro de 2020

O verdadeiro groove que emana de uma banda soul parece um desígnio fácil e banal mas, como em tudo, há sempre um melhor que muitos outros, o tal de casta genuína a tresandar a pureza vintage que já experimentamos em êxtase perante a eficiência e a fineza de Sharon Jones ou Charles Bradley e que, infelizmente, jamais se repetirá. Foi a pensar neles e no seu legado que nos sentamos na fila da frente para a estreia afortunada de Kelly Finnigan em Portugal.

Não demorou muito tempo a perceber o calibre, o tal, do colectivo espalhado de forma clássica em cima do palco e que responde pelo nome de The Atonements - a bateria motorizada bem no centro, os dois magistrais metais na lateral esquerda, o duo de cantoras imprescindíveis do lado direito escoltado por um trio eléctrico gingão de baixo e guitarras e onde se destacou a destreza de Joe Crispiano, só por si uma dádiva certeira que já vimos brilhar com os The Dap Kings noutras memoráveis ocasiões. Ao comando, sentado atrás do seu Korg, Finnigan teve desde logo a equipa em nítido controlo e esplendor de uma ondulante vibração ora soft ora rough de irresistível contágio, uma máquina imaculada de acelerar energias e emoções mesmo que o convite formal para a dança e agitação que se impunha tenha demorado uma boa meia hora...

Provou-se assim que, apesar de uma aparente estreia tardia nos álbuns a solo que se verificou em 2019 e que foi o fio condutor da celebração, o pedigree artístico (Kelly é filho de Mike Finnigan, teclista em álbuns de gente graúda como Joe Cocker ou Jimi Hendrix) e a experiência acumulada nos Monophonics desde 2012 deste jovem soul man quase quarentão resultam já num verdadeiro animal de palco de inatas capacidades vocais e, acima de tudo, com um zelo e vigor de quase duas horas que poderemos comparar com nomes célebres já desaparecidos e venerados. Finnigan pode não ser, para já, uma lenda viva mas que acertou no bom e estreito caminho para lá chegar, disso não temos dúvidas... Oh yeah!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

MONSIEUR PATRICK WATSON NO OLYMPIA!

Para quem não compareceu ao concerto de Patrick Watson na Casa da Música na passada segunda-feira aqui fica uma versão integral do seu espectáculo captada ontem no L' Olympia parisiense em jeito de compensação à custa do canal Arte. Para os que foram... recordar é viver!

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

EMILY JANE WHITE, Teatro Diogo Bernardes, Ponte de Lima, 21 de Fevereiro de 2020

A inegável consistência da música de Emily Jane White merecia uma sala assim, a preceito e linda sem ser grandiosa, acolhedora sem ser imponente mas com gente interessada e curiosa em apurar os sentidos para a receber cordialmente e sem pressas como convêm. Não há nas suas canções razões para euforias ou assomos de alegria onde uma camada negra de luxuosa composição se faz desde sempre notar principalmente no último álbum "Immanent Fire", a razão principal da visita e da previsível contemplação.

Foi esse, então, o fio condutor de um concerto calmo que contou com a ajuda de um guitarrista/baixista e um baterista a que se juntaram pré-gravações ora de vozes ora das orquestrações para a apresentação da quase totalidade dos seus dez temas com destaque para "Washed Way" logo a abrir, "Surrender" e "Drowned", um assinalável trio de coesão sonora mas que foi permeado por recordações diversas como "Sleeping Dead" ou, salvo o erro, "Black Dove" sentada no piano. A todos, a notável acústica do recinto fez o favor de aumentar o mistério e a tensão de enlevo ainda mais vincado aquando de "Victorian America " e "Pallid Eyes", ambos já no único encore culminante de um serão de acentuada mas de agradável melancolia.       


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

DRY CLEANING, PARA AREJAR NO PARQUE!















No sempre polémico e inconsequente deve e haver entre o festival Primavera Sound de Barcelona e o do Porto sobejam queixas do lado de cá quanto à penúria de grandes bandas e artistas sobrantes do menu recheado da Catalunha. Mas há, pelo menos este ano, uma bela de uma excepção que traz ao Parque da Cidade no sábado, 13 de Junho, os prometedores ingleses Dry Cleaning sem que seja conhecida qualquer estadia prévia em Barcelona!

A dádiva sonora que está em fase crescente de afirmação através da edição de "Sweet Princes", um primeiro EP saído em Agosto a que se seguiu um outro de nome "Boundary Road Snacks and Drinks" para que não restassem dúvidas quanto às potencialidades deste quarteto do Sul de Londres, tem em Florence Shaw uma arqueóloga digital de eleição na procura de vestígios largados na rede inspiradores dos quase murmúrios das líricas. Sendo assim, se os nosso amigos (ainda) espanhóis terão umas tais fontes da cidade de Dublin (Fontaines D.C.) nós por cá daremos toda a atenção a esta grande lavandaria a seco... e ao ar livre! 




quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

DESTROYER, MAIS UNS NO CLUBE!













Adivinhava-se a vinda dos Destroyer a Portugal para concertos atendendo às datas da digressão pelo país vizinho e, assim, no Porto o jogo está marcado para o dia 30 de Junho, terça-feira, no recinto do clube visitado, o Hard Club. Ao comando estará, como sempre, Dan Bejar na apresentação das canções do último e excelente "Have We Met" entre goladas de infusões previsivelmente etílicas. Não haverá, contudo, controlo anti-doping!

BIG THIEF, Hard Club, Porto, 18 de Fevereiro de 2020

A oportunidade de testar ao vivo os Big Thief em menos de dez meses merecia comparência óbvia e atempada mas afazeres profissionais mantiveram-nos retidos perigosamente e em desespero... A entrada no Hard Club ao som de uma canção que desconhecíamos, a última de um terceto de inéditos que, soubemos depois, a banda experimentou logo a abrir, soava contudo um pouco roufenha e estranha. A questionável qualidade da amplificação tinha, afinal, um motivo geek em fase experimental, um tal de headset em vez de um microfone fixo que permitiu a Adrianne Lenkar ocupar por várias vezes o centro do palco numa postura praticada de forma receosa mas que foi melhorando à medida que o concerto também ele atingia um outro e elevado nivelamento.

Atendendo à experiência memorável de Junho passado, um fim de tarde festivo e descontraído de intensidade assinalável, a comparação com a noite em nome próprio no clube portuenses apresenta óbvios riscos. Pareceu-nos certo que quem esteve no Parque da Cidade voltou para confirmar a grandeza de um quarteto de amigos músicos juntos desde a faculdade que transparece sempre calmo, delicado e sábio na gestão de uma notável colecção de canções buriladas pela voz de Lenkar de forma cristalina e, sinceramente, única. A tensão ondulante de temas mais calmos com o rasgar tenaz de outros e de que "Not" e o seu incontornável solo de guitarra mereceu fervorosa reacção entre o publico radiante, sugere um dedicado esforço no aprumo de um espectáculo sem truques ou subterfúgios e que tem na essência e pureza das canções um trunfo arrebatador que se entranha sem dificuldade e cujo o efeito dura, dura e dura... Como gostamos de ser "roubados" por estes magníficos ladrões!   


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

VETIVER + DEVENDRA BANHART, Hard Club, Porto, 15 de Fevereiro de 2020

Ao entrarmos, atrasados, no concerto de Vetiver já com o recinto repleto lá fomos reparando e confirmando o habitual cenário - uma grande parte do público completamente alheio ao que se passava no palco, em tagarelice e circulação contínua na procura dos amigos, da cerveja ou de um melhor e já inexistente spot para estacar, tornando-se evidente que a música de excelência que Andy Cabic apresentou só fez o devido efeito para quem, cauteloso, chegou cedo e se aproximou da frente.

Mea Culpa... sem que, mesmo assim, sejam de apontar defeitos às poucas canções que fomos tentando ouvir entre o enervante ruído de fundo e que teve em duas delas, a acabar, a participação de um trio da banda principal perfeitamente oleado e engrenado neste folk distante para muitos mas compensadora para os mais prevenidos a fazer-nos suspirar por tempos passados. Foram deles, obviamente, as únicas palmas, fortes e todas merecidas!   



Há qualquer coisa de magnético quanto à presença de Devendra Banhart em cima de um palco. Experimentados diversos dos seus concertos - da estreia longínqua em Santa Maria da Feira ao caos controlado de uma tenda de circo numa herdade alentejana e no pôr-do-sol galego, passando pela aparente austeridade da Casa da Música ou a intimidade inesquecível de um auditório espinhense - a expectativa com que encaramos as diferentes oportunidades foi sempre a mesma, ou seja, em "modo pulgas"!

A noite de sábado não foi excepção logo agora que havia dois álbuns - "Ape in Pirk Mable" e "Ma" - que ainda não tinham merecido visita ao vivo e que estão floridos de canções apetitosas e prontinhas para um deleite suave e prolongado. Como sempre, para o repasto Devendra rodeou-se de um quarteto de eleição em jeito de família unida e solidária que contou com a ajuda de Andy Cabic em alguns temas mas onde, contudo, nem tudo suou perfeito como o raio da guitarra acústica de fugir em "The Body Breaks", as várias tentativas - "intentos" - em falar português ou, caramba, os irrisórios vinte segundos de "Santa Maria da Feira" no início do encore! Apesar da simpatia, da informalidade e bonomia que transpareceu de início ao fim e que incluiu os habituais elogios à cidade por onde, aparentemente, se perdeu por entre as salas e parque de Serralves, os quinze minutos trapalhões a solo aparentaram também alguma desconcentração e hipertensão que os vários e simultâneos pedidos vindos do público aceleraram na confusão...

Claro que tudo isto se desculpa atendendo ao calibre de muitos outros momentos como o de um "Seahorse" vintage e poderoso, a surpresa disco "Fig in Leather" ou a eleição milagrosa de "Daniel" para evocar um disco de eleição chamado "Mala" e onde foi pescar outras maravilhas como "Mi Negrita" e "Never Seen Such Good Things". Para culminar a celebração faltava então a sempre agitada e vibrante "Carmensita" por entre baile generalizado. Guapa(o)!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

MICAH P. HINSON, Plano B, Porto, 14 de Fevereiro de 2020

A noite de namorados, uma tradição tão antiga e vincada na nossa cultura como preparar um bom sushi para a ceia de Natal, sugeria ser um tiro no escuro para a estreia (?) de Micah P. Hinson na cidade. Atendendo à resposta compacta que se juntou na cave do bar portuense onde se notavam, mesmo assim, alguns pares de amorosos com bom gosto, afinal fazia falta este reencontro tardio com o já não miúdo mas com cara de miúdo que não se cansa de fazer excelentes discos e que já não víamos em palco há mais de uma dúzia de anos.

Dessa noite bracarense, onde acender um cigarro era e ainda é proibido, recordávamos o perfeccionismo e até algum nervosismo de um jovem Hinson já bom contador de piadas e histórias que agora soaram ainda mais corrosivas e desafiadoras entre contínuos e aflitivos cigarros esticados na ponta da longa cigarrilha de forma a contornarem o microfone e a não queimar os lábios. Arrasador, provocante, teve sempre resposta pronta do público mesmo que algumas das trocas de palavras tenham azedado um pouco ou não fosse o assunto um tal de Donald Trump...     

Fica-lhe a matar essa aura de looser de que se gosta sem enjeitar muita ternura pela subtileza das canções de um reportório já longo e vasto donde foi picando aleatoriamente exemplares únicos daquilo que o próprio chamou folk music mesmo que sejam, à sua maneira, inesperadas versões de "No Surprises" dos Radiohead ou, um pouco mais à frente, do hino tradicional "500 Miles". Da plateia soltaram-se alguns pedidos como "Close Your Eyes" prontamente atendido mas, mesmo sem que ninguém o tenha requisitado, lá apareceu subtilmente o incontornável "Beneth the Rose" para que não houvesse qualquer motivo para reclamações ou suspiros quanto a este inusitado e encapotado São Valentim que acelera pecados, dos bons, com uma simples e velha guitarra e até deita fumo!     

sábado, 8 de fevereiro de 2020

CHICO BERNARDES, Maus Hábitos, Porto, 6 de Fevereiro de 2020

Logo à primeira audição das canções do disco homónimo de Chico Bernardes há uma série de traços de intimidade que se notam entre uma toada que se afigura um pouco inquietante e algo repetitiva. A aparente falta de ousadia da composição é, contudo, tecnicamente irrepreensível num permeável jogo sonoro das cordas da viola clássica e a voz pausada e certeira para as palavras mesmo que ingénuas. Para um jovem de vinte anos a transposição destas boas fragilidades para uma sala de espectáculo pequena e informal não deve ser nada fácil. No caso da noite portuense, a esta dificuldade juntou-se uma seriedade intimadora na concentração do público sentado na frente da figura enorme e cabeluda de Bernardes na expectativa de um teste ao vivo inédito de que, sinceramente, não augurávamos um grande resultado. Errado!   

Sentado, tal como o irmão Tim, com o violão ao colo e uma postura calma e dissuasora de histerismos, o concerto revelou-se uma agradável sucessão contida de tristeza em forma de canções sem pressas sobre o amor e o seu contrário mas onde a sábia vibração das cordas das duas guitarras acústicas conseguiu surpreender pela consistência e excelente tecnicidade. No nosso caso, a sequência "Sem Palavras", "Me Encontar" e a inesperada versão de "True Love Will Find You in the End" de Daniel Johnston foi, a esse nível, sintomática do seu talento musical de inquestionável valor e de que se adivinha crescimento fértil proporcional ao tamanho da cabeleira. Grande Chicão!