terça-feira, 12 de maio de 2026

STEVE GUNN, Understage, Teatro Rivoli, Porto, 8 de Maio de 2026

A música que Steve Gunn compõe para a sua guitarra há quase vinte anos nunca nos passou ao lado. Contudo, talvez a eficácia dos temas e recursos que insiste em gravar e divulgar não tenha, ao vivo, acusado um merecido destaque, e a que se podem apontar razões diversas - em 2015, em Coura e rodeado por uma banda, talvez a grandeza do palco o tenha submergido numa indiferença pecaminosa; em 2022, a dar cordas a filmes obscuros em Vila do Conde, seria difícil fazer melhor; em 2024, ao lado de um pianista em Espinho, a parceria se bem que estranha, confirmou-se, ainda assim, reconfortante.

Culminando a recente presença por perto de uma sequência involuntária, mas imbatível, de grandes guitarristas (Sir Richard Bishop, Bill Orcutt, James Blackshaw), a há muito esgotada cave do Rivoli acabou com todas as nossas dúvidas - sozinho, na plenitude dos atributos e liberto de uma qualquer encomenda ou ajudante, a noite foi de viagem americana atracada a um songbook distinto na sua consistência e verossimilhança, mas em que a subtileza dos acordes e de alguns dos truques de repetição agravaram a contenda a um nível elevado. 

Variada na origem e na datação, a sequência de oitenta minutos despertou na plateia, logo convidada a aproximar-se ao palco, um usufruto cada vez mais raro nestes tempos de distracções e impaciências, envolvendo Gunn de um reconhecimento e atenção merecidos, ou não fossem as suas canções autênticos monumentos de progressão prazerosa. Lá no meio, uma versão de "I'll Be Your Mirror" dos VU como que adornado à sua maneira, foi só mais um dos toques de classe de um já mestre inquieto...

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