quarta-feira, 29 de abril de 2020

AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #20

A aparição em forma de um disco magnífico que Sean O'Hagan editou no final do ano passado não teve a consequente digressão que merecia, uma suposta oportunidade pela qual aguardamos serenamente há muitos anos. O senhor Microdisney e High Llamas é um dos nossos ídolos que nunca testamos ao vivo e foi preciso o raio da pandemia se espalhar perigosamente para que um pedacinho de ternura e auto-ajuda visse a luz do dia!

Em casa por terras britânicas e com a ajuda da filha Liv, O'Hagan aparece em plena forma para a interpretação de quatro temas do tal álbum "Radum Calls, Radum Calls" e não há como resistir ao toque da campainha. Ding, dong... 


FAZ HOJE (15 ANOS) #27



RICHARD HAWLEY + NANCY SINATRA, Casa da Música, Porto, 29 de Abril de 2005
. Diário de Notícias, por Nuno Galopim, fotografia de Ursula Zangger, 1 de Maio de 2005 p. 39
. Jornal de Notícias, por José Miguel Gaspar, fotografia de José Mota, 1 de Maio de 2005, p. 39
. Público, por Rui Baptista, fotografia de Nelson Garrido, 1 de Maio de 2005, p. 40



terça-feira, 28 de abril de 2020

JONATHAN BREE, MÁSCARA OBRIGATÓRIA!





















Não temos ainda a certeza se os temas do quarto álbum de Jonathan Bree servirão de banda sonora adequada a esta pandemia infindável mas a probabilidade é bastante forte mesmo sem conhecer o resultado do teste decisivo. Arejados mas contaminadores, os quatro singles para já disseminados parecem confirmar uma estirpe com pouca mutação em relação à anterior infecção, o disco "Sleepwaking" onde se destacava um pico chamado "You're So Cool".

O mais recente "After the Curtains Close", ensaiado e aprovado pela Lil' Chief Records, laboratório sonoro gerido pelo próprio que não necessita de aprovação ou períodos de experiência para nos aplicar um efeito de imediata imunidade, está contaminado por uma catarse de vivências pessoais aceleradas pela sempre evidente dose vintage e retro que os anos oitenta sulcaram e que tivemos a sorte de testemunhar ao vivo em Junho passado em recinto a pedir mais ventiladores! Por isso, há que manter a máscara que uma segunda e bondosa onda se aproxima...







segunda-feira, 27 de abril de 2020

UAUU #533

COCKER & GONZALES, UM QUARTO, UM PALCO!













Em 2017, do nada, surgiu um excelente álbum como resultado da inusitada parceria entre Jarvis Cocker e Chilly Gonzales. O trabalho, memorável e terno, chamava-se "Room 29", foi editado pela prestigiada Deutch Gramaphon e tinha inspiração numa estadia de Cocker no quarto 29 do hotel Chateu Marmont de Sunset Boulevard em Los Angeles, um pouso hollyodesco por onde passaram diversas personagens como a filha de Mark Twains ou a actriz Jean Harlow.

No âmbito da digressão seleccionada e exclusiva que decorreu na primavera desse ano por poucos países europeus, o canal Arte, sempre o mesmo, registou em exclusivo a passagem do espectáculo pela La Gaíté Lyrique de Paris no dia 6 de Abril e onde aos dois protagonistas se juntaram um quarteto de cordas, alguns truques cenográficos, histórias e muita, muita, sátira e talento. Imperdível! 


sábado, 25 de abril de 2020

SINGLES #48





















GRUPO CORAL DOS CEIFEIROS DA CASA DO POVO DE  CUBA - Grândola Vila Morena / Baleizão, Baleizão
Portugal: DECCA/EMI-VC SPN 172 G, 1974
Serão muitas e incontáveis as versões em disco ou ao vivo de "Grândola Vila Morena" por esse mundo fora agora documentadas ou até inesperadas como a que Bonnie Prince Billy fez ontem online para surpreender os fãs portugueses. Mas logo a seguir à revolução e ao lado da maravilhosa versão que Amália Rodrigues editou, esta é uma das primeiras a surgir. Da autoria do Grupo Coral dos Ceifeiros da Casa do Povo de Cuba, na contracapa do nosso single, ao lado do nome do seu proprietário original, está uma data anotada, Julho 74, o que confirma que três meses depois da revolução já a EMI-Valentim de Carvalho tinha no mercado diferentes propostas alusivas aos novos tempos de liberdade e esperança. 

O grupo coral em causa foi fundado em 1933 mas são inexistentes os pormenores quanto ao local e forma do registo destes cantes, contendo o lado B o tema "Baleizão, Baleizão", uma evocação de outra localidade alentejana. Ter o "Grândola" precisamente ao jeito desse género musical tão marcante para a tradição da região e do país, era um privilégio que, até há dias, só estaria ao alcance de quem detinha a rodela de vinil. Há agora, porém, a possibilidade de o espalhar virtualmente pois a editora disponibilizou digitalmente o seu fundo de catálogo com qualidade assinalável como podem confirmar na audição abaixo. Foi, pois, esta canção a escolhida para abrir o filme promocional da candidatura do "Cante Alentejano" a Património Cultural da Humanidade aprovado pelo UNESCO em 2014 e que tem também neste pedacinho intemporal um momento genuíno. Agora vamos ali abrir a janela...


(RE)LIDO #92
















GRÂNDOLA VILA MORENA
A Canção da Liberdade
de Mercedes Guerreiro e Jean Lemaître. Lisboa; Edições Colibri, 2014
Poderemos sempre questionar se uma única canção pode motivar a edição de um livro, a realização de um documentário, de uma série televisiva ou até de um filme. E uma peça de teatro? Quando essa canção é "Grândola Vila Morena" o argumento para cada um deles obtêm esteio numa força e numa história de acentuada tenacidade mas também de muito romantismo e até de suspirada poesia tal como vai pairando ao longo da leitura deste ensaio. Descomprometido e sem enciclopedismos exagerados, pretende-se e consegue-se tornar a contar de forma ritmada as eventualidades e acasos de uma canção involuntária e revolucionária que José Afonso escreveu como homenagem à localidade alentejana onde, em 1964, foi recebido de braços abertos por uma comunidade corajosamente afável e acolhedora das suas canções. O destino estava traçado.

Ao relermos esta sequência de acontecimentos até ao dia e consequente noite em que a canção seria a escolhida como senha definitiva da revolução a ser emitida vinte minutos depois da meia-noite na Rádio Renascença, percorre-nos, de imediato, um conjunto de imagens e cenários que mereciam, mesmo, uma aposta cinematográfica baseada em factos verídicos: a inspiração chilena em escolher canções como senhas conspiradoras pelos militares em viagens a Espanha, as subtilezas das trocas de informações para confirmar as senhas, a censura a pairar em todo o lado, os telefonemas cuidadosos, as condicionantes, nervosismos, subterfúgios e percalços dos radialistas e técnicos para conseguir concretizar, sem falhas, a sua emissão, constituem, entre outros, um enredo tenso e perfeitamente sedutor para que alguém "pegue" na história, e que história, e realize um filme de época que está ainda por fazer. Se lhe juntarmos todo o processo prévio, por aqui descrito, relativo à gravação da canção para o disco "Cantigas do Maio" que decorreu em França em 1971, podemos então juntar mais uns bons cenários e sequências a um argumento infalível que teria no registo daqueles passos arrastados na gravilha de inspiração alentejana que ouvimos no começo do tema um momento de previsível ternura.

"Uma canção como chamariz. Uma flor como símbolo... Não é comum". Não, não foi um filme. A revolução fez-se com canções e esta chegaria a ser oferecida de forma tangível a muitos compradores em algumas lojas comerciais do nosso país como símbolo dos novos tempos. O mesmo formato chegou inclusive a ter edições internacionais em países como a antiga Alemanha Democrática e a sua apropriação internacional nunca mais parou. Se nos lembramos ainda do movimento contestatário da intervenção da chamada Troika em Portugal em 2013, foi a mesma canção que chegou a interromper um Primeiro Ministro no Parlamento e cuja reacção é dos momentos mais memoráveis da arguição política de tribuna. Quarenta e seis anos depois, num período de incertezas e de diária perplexidade, pede-se para que hoje a cantemos à janela de casa de forma distante mas estranhamente unida. Aqui a deixamos, a canção da liberdade eternamente inspiradora, aos vinte minutos do dia 25 de Abril de 2020... 



sexta-feira, 24 de abril de 2020

RUFUS WAINWRIGHT, SÓ E BEM ACOMPANHADO!

O dia de hoje marcaria a edição de um novo álbum de originais de Rufus Wainwright, o regresso a canções pop desde 2012. Mas atendendo às actuais circunstâncias foi decidido o adiamento de "Unfollow The Rules", assim se chama o disco, para Julho através da BMG embora fossem já conhecidas três das novas e prometedoras canções, a saber, "Trouble In Paradise", "Peaceful Afternoon" e "Damsel In Distress" a que se junta uma outra agora libertada.   

Em "Alone Time", sozinho e ao piano, o músico regressa aos clássicos luxuosos a que nos foi habituando desde sempre numa lírica que remete para o isolamento e o recolhimento, mesmo que sentimental, não sendo por isso inocente o timing para se dar a conhecer... O tema tem video com autoria do californiano Josh Shaffner.     

FAZ HOJE (15) ANOS #26

























NINA NASTASIA, Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão, 24 de Abril de 2005
. O Comércio do Porto, por Marta Araújo, fotografia de Paulo Jorge de Magalhães, 26 de Abril de 2005, p. 41



quinta-feira, 23 de abril de 2020

AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #19

O evento solidário "Jersey 4 Jersey" que foi emitido ontem por várias plataformas online e televisões locais do estado americano de Nova Jérsia teve o pontapé de saída dado por Bruce Springsteen ao lado da esposa Patty Scialfa. Foram interpretados duas canções - "Land of Hope and Dreams" e a incontornável "Jersey Girl".

Sempre a partir de casa, juntaram-se depois outros artistas como Sharon Van Etten, Fountains of Wayne, Tony Bennet, Danny DeVito, Bon Jovi ou Whoopy Golberg num esforço colectivo que pretende reunir fundos para enfrentar os impactos profundos da doença COVID 19 naquela região atlântica.

#AJUDAR

AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #18
















Mesmo com alguns percalços, decorreu ontem ao final da tarde e a partir do quarto lá de casa, uma saborosa apresentação em streaming da menina irlandesa Aoife Nessa Frances. À guitarra eléctrica desfilaram canções originais do excelente álbum "Land of No Junction", tendo o momento "Live From A Bedroom" servido de alerta e apoio ao esforço da organização "Women's Aid" na ajuda às vítimas crescentes de violência doméstica na Irlanda. Entretanto, em Setembro próximo está agendada uma atraente digressão britânica que vai juntar Aoife a Nadia Reid e que, sonhando, gostaríamos muito que acabasse por chegar até cá...

#AJUDAR


quarta-feira, 22 de abril de 2020

STEVE GUNN, VERSÕES POLIDAS!





















No início de 2019 saía mais uma das indispensáveis Aquarium Drunkard Lagniappe Session, desta vez a cargo de Steve Gunn. As versões obrigatórias recaíram em "Astro Zombies" dos Misfits, banda de eleição da sua juventude e "Among The Trees" de Michael Chapman, guitarrista inglês com mais de quarenta álbuns e com quem Gunn alinhou em 2017 na comemoração dos cinquenta anos de carreira

A essas duas pérolas, ainda disponíveis para descarga, junta-se agora mais uma: a fabulosa "Motion Pictures (For Carrie)" que Neil Young compôs para o álbum "On The Beach" de 1974 e que aborda a sua conturbada relação com a actriz Carrie Snodgress. A trilogia tem lançamento oficial exclusivamente digital através de "Livin' In Between", um EP mesmo à espera do polimento...   






terça-feira, 21 de abril de 2020

AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #17

Na angústia do isolamento, Stuart Murdoch dos Belle & Sebastian convidou os seguidores do Twitter para escreverem os seus pensamentos, frustrações ou conquistas sobre a nova normalidade. Reunidas e seleccionadas, são essas partilhas que dão argumento a uma primeira de duas partes da instalação visual chamada "Protecting The Hive" com música do teclista da banda, Chris Geddes, violoncelo de Sarah Wilson, narração do próprio Murdoch e de Alessandra Lupo e imagens de Kenny MacLeod a confirmar como Glasgow deve ser bem bonito... mesmo em confinamento!

THEATRO CIRCO 105!





















Uma das mais bonitas salas do país faz hoje cento e cinco anos. O Theatro Circo de Braga, mesmo encerrado, programou uma série de concertos contínuos e à distância ao longo de todo o dia onde participam nomes variados e consagrados do panorama actual da música portuguesa. Sugerimos a harpista Angélica Salvi (20h00) e, na tentativa de começar a recuperar o tempo perdido, a aparição de Cristina Branco (21h00). Para ouvir aqui... e parabéns! 

domingo, 19 de abril de 2020

AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #16





















Na passagem dos Big Thief pela Parque da Cidade em Junho passado foi notória a amizade e companheirismo entre a banda e a sua equipa de managers, técnicos e roadies quando todos se juntaram em palco para a interpretação festiva de "Materpiece" em reconhecimento do seu contributo decisivo para o êxito da digressão que então terminava.

Nestes tempos cinzentos de dificuldades acrescidas, a solidariedade da banda para com a mesma equipa repete-se em formato de contributo especial - a edição de uma mão cheia de demos cuja aquisição reverte a cem por cento para os seus fiéis amigos de estrada extensivos, obviamente, às suas famílias. A selecção dos temas coube aos próprios Big Thief a partir de mais de uma trintena de proto-canções ensaiadas em Topanga Canyon na Califórnia em Fevereiro de 2018, muitas delas usadas definitivamente nos dois discos lançados em 2019.

As cinco eleitas, contudo, são temas inéditos: três novas canções ("Mermaid", "Over" e "Live Young" apresentadas ao vivo na mais recente digressão que passou pelo Hard Club em Fevereiro) e duas versões colectivas que Adrianne Lenker editou previamente a solo no seu trabalho "abysskiss" ("Blue and Red Horses" e "Abysskiss"). Eia...

#AJUDAR

CRISTINA BRANCO, FAZ-NOS VIVER!












Não temos desculpa mas demoramos uma dúzia de álbuns e mais de vinte anos para prestar a devida e sentida atenção ao talento de Cristina Branco. Pessangas! A culpa é (foi) do raio do preconceito injusto que nos virou costas ao novo fado, às novas e novos fadistas e quejandos mas aprendemos a custo com a verdadeira lição de bom gosto e lisura chamada "Menina", o disco que Branco editou em 2016. Bastou uma primeira audição para perceber o óbvio: havia que insistir na escuta, na atenção aos pormenores do mulato do jazz e da guitarra portuguesa, das líricas de genialidade partilhada que fazem do disco, sem bacoquismos, uma pérola de uma inclassificável portugalidade só ao nível do primeiro dos saudosos Madredeus.

Repousam nele para sempre "Não Há Ponte Sem Nós" e "E Às Vezes Dou Por Mim", duas das melhores canções portuguesas da década, de muitas décadas e que por várias vezes aceleramos em tentar confirmar ao vivo sem nunca o ter conseguido... Na última acabamos retidos em afazeres profissionais estendidos por um enfadonho final de tarde de sábado a sonhar como seria ouvi-la a (en)cantar num coreto de jardim. Eram tempos de "Branco", mais uma aventura desempoeirada com a ajuda de consagrados como Laginha ou Godinho mas também de outros nomes como Filipe Sambado, Kalaf ou Peixe sem se notar sequer qualquer exagero nos "bicos de pés" que a deviam consagrar com chuvas de pétalas frescas que muitos plateias por essa Europa fora não se cansaram de "atirar" extasiadas.

Há agora um novo motivo de orgulho. Com "Eva", a tal que dá vida e que foi editado no mês passado, é como se nos aplicasse um golpe fatal por fadiga na beleza dos temas, da voz e dos arranjos num conceptualismo feliz do alter-ego antigo Eva Hussman, intimismo maturado entre Loulé e Copenhaga ao jeito de uma residência artística sem distâncias e concentrada em trinta dias de Dezembro. A dar-lhe a mão e o coração estão outra vez Sambado, Kalaf e Filho da Mãe mas também Francisca Cortesão ou Sara Tavares que nos embalam, todos juntos, numa sensação primorosa e só nossa de sentir que Branco mais Branco não há para nos fazer sentir vivos!







sábado, 18 de abril de 2020

MARIA MCKEE, NOVA VIDA!





















Para muitos dos agora cinquentões o nome de Maria McKee talvez sugira somente a memória de uma menina bonita que aparecia na capa do álbum de estreia dos Lone Justice e que dava voz a alguns, poucos, êxitos deste projecto norte-americano de curta duração que a levaria a uma carreira a solo logo em 1987. Acompanhamos de perto esta aventura solitária de excelentes discos, meia dúzia de insistências repletas de grandes canções que se espalhou até meados da década passada e onde uma voz intensa e, de imediato, reconhecível teve o seu apogeu com "Show me Heaven", típico nineteen hit que tanto lhe valeria o fugaz reconhecimento como o desprezo perdedor.

Parece, contudo, ter chegado nova vida. Após treze anos de silêncio, um epílogo no casamento e uma difícil reorientação sexual, McKee registou um álbum de originais apropriadamente chamado "La Vita Nuova" onde o gosto pela poesia romântica se espelha em canções de excelência e na qual a voz é, de novo, o segredo de um elegante encantamento de que não dispensamos a companhia... 




AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #15












Sob a égide da enfraquecida OMS - Organização Mundial da Saúde, logo agora que os E.U.A. lhe retiraram o financiamento em mais uma birra tola de Donald Trump, está marcado para hoje o mega-evento "One World Together at Home". Organizado pela plataforma Global Citizen e com curadoria de Lady Gaga (!), a partir da casa de uma infindável lista de artistas estão prometidas actuações exclusivas nas redes sociais de cada um deles mas que se estenderão depois a transmissões globais em diversos suportes como o youtube ou a televisão (em Portugal e a partir da 1h00 da madrugada, poderá ser visto na TVI e na MTV).   

Confessamos o pouco entusiasmo em relação à maioria dos nomes alinhados mas sendo o objectivo primordial a ajuda aos serviços e profissionais de saúde, lá preenchemos o email. A curiosidade, no nosso caso, começa e acaba em três nomes - The Rolling Stones, Paul McCartney e Stevie Wonder, um trio participante noutro e memorável mega-vento presencial e televisivo chamado Live Aid que fará trinta e cinco anos em Julho próximo. Curioso...

#AJUDAR

sexta-feira, 17 de abril de 2020

IRON & WINE E UMA ORQUESTRA!

Em 2019, como anotado, decorreu a comemoração dos quinze anos de "Our Endless Days", o disco de estreia de Iron & Wine e que teve datas ao vivo muito especiais. A de 30 de Abril no John F. Kennedy Center for the Perfoming Arts em Washington recebeu Sam Beam acompanhado pela National Symphony Orchestra conduzida pelo maestro David Campbell, a última de três noites evocativas dessa grande álbum mas onde foram interpretadas mais de vinte temas, quer com orquestra quer a solo, da carreira do magistral autor da Carolina do Sul.

Agora que se vivem tempos de partilha reforçados, a promessa do artista em soltar seis bocadinhos desse serão para menorizar distâncias e aconchegar ausências irá ser cumprida nas próximas semanas mas, desde já, aqui reunimos quatro desses momentos que são do melhor entre a avalanche de dádivas a que temos assistido ultimamente!







quinta-feira, 16 de abril de 2020

THE DIVINE COMEDY, CÁ FORA LÁ DENTRO!

Se o isolamento social é cada vez mais cansativo e maçador, ele pode ser também inspirador e desafiante! Neil Hannon, o senhor The Divine Comedy, farto de estar sozinho convocou virtualmente a banda para a prática, entrosamento e posterior registo remoto de uma nova canção que falhou a inclusão no disco "Office Politics" do ano passado. Chama-se, maravilhosamente, "Outside", joga na perfeição com este tempo de confinamento e míngua de ar livre e é puro vintage pop...   

PENROSE, A NOVA E VELHA SOUL!

Na agenda da notável Daptone Records, casa de discos soul com sede em Brooklyn NY que fará vinte anos de actividade em 2021, está há muito a procura constante e inconformada da surpresa. É o caso da Penrose, uma nova label paralela, mais uma, lançada por Bosco Mann, fundador da Daptone ao lado de Neal Sugarman, que depois da construção recente de um edifício em Riverside, California, a sua cidade natal, aí instalou um estúdio pronto a registar bandas  emergentes ou projectos de qualidade reconhecida mas ainda na obscuridade. Para já são cinco os eleitos a que correspondem outros tantos singles de vinil, dois dos quais agora damos conta!

Os Los Yesterdays surgiram numa garagem de Aldena, Califórnia, onde um trio de aficionados da soul foi acertando influências e desvarios psicadélicos até chegar a um par de canções agora plasmadas nas estrias do vinil. Para isso aceitaram o desafio lançado pelo estúdio da Penrose e receberam de bom grado a colaboração dos amigos The Antons (descubram-nos abaixo).   





Os The Altons não são propriamente uns novatos. Já com um álbum no activo e várias canções em formato digital, foi com "Darling Girl", um potente agitador de pistas em single de vinil lançado em 2017 que misturava soul e rock de travo latino, que o quinteto de Maywood, Los Angeles, começou por despertar ainda mais a atenção. Formado por músicos de apelidos como Maldonado (Gabriel), Canovas (Carlos), Quinones (Joseph), Ponce (Bryan) e até Flores (Adriana), a banda explora, à sua maneira, as variantes de um groove rítmico que nos conduzem invariavelmente para a dança e, já agora, a curtição. Cool!



LAURA MARLING DE SECRETÁRIA (CASA)!

quarta-feira, 15 de abril de 2020

FAZ HOJE (15) ANOS #25

























Radio 4 + Ellen Allien (dj set), Casa da Música, Porto, 15 de Abril de 2015
. O Comércio do Porto, por SC, fotografias de Ricardo Meireles, 17 de Abril de 2005, p. 43



domingo, 12 de abril de 2020

ELEANOR FRIEDBERGER VS DESTROYER!















A menina Eleanor Frideberger lançou sexta-feira passada duas versões de canções dos Destroyer. A estranheza da notícia parece óbvia mas, se atendermos às circunstâncias prévias, a realidade tem sempre uma boa explicação: convidada por Dan Bejar para realizar a primeira parte da digressão entretanto cancelada, a intenção passava ainda por lhe dar oportunidade de ser a voz principal em dois temas do álbum "Poison Season" de 2015, um privilégio que Friedberger classificaria como emotivo e compensador.

Certo é que foi um pouco mais longe - gravou um EP inacabado de versões desse álbum antes do pontapé de saída da tournée em Fevereiro, o que se traduziu numa série de demos e de que "Hell" e "The River", precisamente os dois que chegou a interpretar pelos E.U.A., surgem agora disponíveis para audição e descarga.

Recorda-se que os Destroyer têm concerto marcado para o Hard Club no próximo dia 30 de Junho, mas se já será difícil manter essa data activa, será ainda mais difícil que a menina também compareça...




AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #14





















O projecto principal de Meg Baird para o corrente ano passava pelo registo de um novo álbum a solo para o qual tinha já algumas canções alinhadas. A primavera do nosso descontentamento levou-a, contudo, a adiar a intenção a que se sobrepôs a vontade de ajudar quem ajuda na proximidade do seu reduto, São Francisco, no fornecimento de refeições, abrigo e suporte aos mais vulneráveis.

Sendo assim, no início de Março elegeu "Cross Bay" para ser acertado no Louder Studios de Grass Valley na California e cujo fundo resultante da aquisição digital serve agora de auxílio a quatro organizações locais: a Glide, a Homeless Prenatal Program, a St. Anthony Foundation e a La Casa de Las Madres. Juntou-lhe ainda a sua destreza e arte na concepção de um video animado pelo programa online FlipAnim...

#AJUDAR

sábado, 11 de abril de 2020

THE MOUTAIN GOATS, NOVA FITA!





















Como informado e como seria de esperar mas, mesmo assim, de uma rapidez assinalável, aí está um novo álbum dos The Mountain Goats como resultado de um aturado regime de teletrabalho em que John Darnielle se envolveu afincadamente. Usando dois gravadores de cassetes analógicos registou entre 16 e 25 de Março uma canção por dia inspirado em leituras de "A Chronicle of the Last Pagans" de Pierre Chuvin (1943-2016), autor francês especializado na antiguidade grega e particularmente na sua mitologia.

Numa lógica DYD, os temas serão exclusivamente registados em formato cassete de fita sob o título "Songs For Pierre Chuvin", uma disponibilidade entretanto esgotada apesar de só se prever o seu despacho lá para Junho. Por via digital o álbum tem já autorização de descarga e nela se confirma uma magnífica a saborosa toada roufenha e artesanal de boa memória...   

3X20 ABRIL
















sexta-feira, 10 de abril de 2020

AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #13














No ano que comemora trinta anos de carreira a merecer a reedição de uma montanha de cd's reunidas na caixa especial "Venus, Cupid, Folly & Time" e uma série de concertos evocativos, a pandemia adiou os planos a Neil Hannon aka The Divine Comedy mas não a sua sofisticada boa disposição e rara bondade.

A partir de casa tem havido, via facebook, uma série lições de como tocar algumas das suas grandes canções à guitarra - "Learn to Play The Hannon Way" - mas hoje chegou uma maravilha maior... Dedicada ao labor e entrega do pessoal médico e de assistência em todo o mundo, Hannon dá ainda mais sentido a "To The Rescue", um pedacinho de amor mesmo à espera de se espalhar entre a estranheza e imprevisibilidade dos dias. Divino! 

JESCA HOOP DE SECRETÁRIA!

quinta-feira, 9 de abril de 2020

LOBO #20

























Para além da coincidência do #20 desta nossa rubrica acontecer no ano de 2020, faz também hoje 20 anos que o "Diário de Notícias" publicou, num Domingo e a página inteira, uma entrevista com António Sérgio a que deu o título de "A rádio como um sacerdócio". Uma semana após a atribuição do Globo de Ouro da SIC como personalidade do ano da Rádio, para além da resumida história de vida contada pelo próprio através das respostas às perguntas da jornalista Susete Francisco e da desilusão com uma XFM esteticamente a ser recuperada no futuro, como haveria, aliás, de acontecer em parte com a Radar ou a Oxigénio, a sentença final é, lá está, decorridos 20 anos, uma agora certeza: "as multinacionais lidam com a música como uma mercadoria e estão-se nas tintas para os conteúdos musicais. E não sou futurologista, mas creio que é para piorar"... De mestre!

quarta-feira, 8 de abril de 2020

PINK MOON GONNA GET YE ALL!

Getty Images















Bem que olhamos para o céu ontem à noite mas as nuvens impediram a contemplação merecida - uma lua cheia rosada, a tal super-lua gigante emergiu um pouco por todo o mundo, bela e imponente como a canção que Nick Drake compôs e registou sozinho em 1971 para abrir o último e eterno álbum "Pink Moon".
Saw it written and I saw it say...

DUETOS IMPROVÁVEIS #223

PAUL SIMON & EDIE BRICKELL
I Wonder If I Care As Much (The Everly Brothers)
Em isolamento, Nova Iorque (?), Março 2020

JOHN PRINE (1946-2020)














A vida e a carreira de John Prine sempre motivaram admiração e respeito entre companheiros de caminho como Springsteen, Cash ou Dylan, uma missão quase invisível mas patriótica no alerta pela música sobre os problemas profundos da América. Nos últimos tempos parecia que um novo fôlego se adivinhava com maior reconhecimento e abertura a novos públicos como seria o caso da digressão, rara, que prometeu fazer pela Europa em 2020 e 2021. Infelizmente e apesar de toda a solidariedade e força de muitos amigos, Prine faleceu hoje aos setenta e três anos vítima da doença Covid-19. Peace!


terça-feira, 7 de abril de 2020

AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #12


















Temos saudades de concertos, porra! Passados tão poucas semanas de isolamento sem por os pés numa qualquer sala de espectáculos prevemos que a "ressaca" ganhe contornos de dependência problemática mas em que se espera sinceramente que "ninguém baixa os braços".

Para que não se esqueçam os profissionais que dependem literalmente da promoção cultural a diversos níveis para sobreviver, a APEFE - Associação de Promotores de Espectáculos, Festivais e Eventos em parceria com a AUDIOGEST, que representa os Produtores Fonográficos, lança uma campanha séria, vital e muito clara:

 ADIEM-NOS, MAS NÃO NOS CANCELEM AGORA! 

DIRTY PROJECTORS DE JANELAS ABERTAS!















Se dúvidas existiram sobre a continuidade e validade do projecto Dirty Projectors - em 2017 o seu mentor David Longstreth mudou-se para Los Angeles onde construiu um novo estúdio registado como "Ivo Shandor" e parecia querer voar sozinho - os últimos tempos parecem confirmar a consistência criativa da banda que aqui pela casa sempre acarinhamos.

Prova-o o novo EP "Windows Open" onde em quatro temas é dada a primazia à voz da guitarrista Maia Friedamn, autora de parte das letras ao lado de Longstreth que as produziu e misturou à sua maneira, isto é, de janelas abertas para refrescar, no referido estúdio californiano. 

Recorda-se que no âmbito do combate à Covid-19, Longstreth foi dos primeiros artistas a mostrar vontade em colaborar de forma activa realizando, para o efeito, uma versão de "Isolation" de John Lennon. 




UAUU #530

segunda-feira, 6 de abril de 2020

AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #11














Em plena tournée, o bom senso levou Elvis Costello a suspender os concertos e a recolher a casa para a quarentena aconselhável, neste caso, ao seu abrigo da ilha de Vancouver, Canadá. Foi daí que, de imediato, aderiu ao movimento Artists 4 NHS que pretende recolher todo o auxílio possível no suporte aos profissionais e voluntários dos serviços de saúde britânicos envolvidos no combate à Covid 19.

Em isolamento forçado, envergando um casaco do seu amado Liverpool FC, mas desperto para a urgência na solução do problema, aqui ficam os seus ensinamentos, histórias e respostas a algumas perguntas prévias dos fãs e até uma canção à guitarra... Segue-se a menina Joss Stone.

#AJUDA

LAURA MARLING EM ANTECIPAÇÃO!




















Contrariando uma tendência imposta pela incerteza dos nossos dias e que levou ao adiamento de muitos concertos, festivais e saídas de novos discos, a britânica e sempre reluzente Laura Marling decidiu antecipar para o corrente mês a publicação de um álbum de originais somente previsto para o verão.

Partisan Records, casa de discos inglesa que aposta forte na renovação de artistas e onde já moram John Grant, Cigarettes After Sex ou Fontaines D.C., tem já em pré-encomenda "Song For The Daughter", disco que na próxima sexta-feira terá o seu lançamento oficial e que desperta, desde logo, imensa expectativa pelo calibre do primeiro single "Held Down" para ouvir abaixo em versão final e acústica. 

Segundo a própria, a mudança de estratégia perante as novas circunstâncias evidencia a premência de espalhar, através das novas canções, um espírito irreversível de união e solidariedade entre humanos, acentuando a necessidade em entender melhor as respostas aos novos e conturbados tempos que se adivinham e que têm na filha de tenra idade um misterioso e insondável desafio...   



domingo, 5 de abril de 2020

ALTA FIDELIDADE, VINTE ANOS!





















Quando numa noite de sofá longínqua em frente à televisão decidimos ver a adaptação ao cinema de "High Fidelity", o fantástico romance escrito por Nick Hornby que tanto entusiasmo nos tinha merecido, a expectativa era a da mera curiosidade em confirmar o que nos parecia óbvio - o livro não teria nunca forma de ser igualado! A estreia por salas portuguesas passou-nos despercebida mas ao aproximar-se o final do referido serão em frente ao pequeno ecrã começaram, então, as eternas dúvidas ainda sem resposta sobre o dilema "vi o filme mas gostei mais do livro" ou vice-versa.

Pois bem, a película comemora agora vinte sobre o seu lançamento nos E.U.A. (31 de Março de 2020), continua a ser motivo de discussões, vénias, insultos ou destaques como o da sempre atenta COS Consequence of Sound que lhe dedica um artigo obrigatório preenchido por testemunhos dos próprios produtores, actores ou realizador que nos ajudam a perceber as peripécias e vicissitudes de um processo criativo sufocante mas que, afinal, haveria de se tornar mítico e intemporal.

Depois, depois há o disco do Nick Drake nas prateleiras logo nas cenas iniciais, os Belle & Sebastian ou os Smog e o desfilar imbatível de "top 5" de qualquer coisa... Memorável!   





sexta-feira, 3 de abril de 2020

AJUDA@MÚSICA@AJUDAR #10





















Tem sido evidente nos últimos anos a posição crítica e frontal de Andrew Bird em relação à política norte-americana a diversos níveis, particularmente aquelas que aumentam os desníveis e as injustiças sociais agora ainda mais evidentes com a chegada em força da pandemia ao país. O acesso aos testes da nova doença tornou-se um novo argumento de reivindicação em que aos cidadãos mais idosos se sugere um sacrifício em nome da chamada população activa e a economia, sempre o raio da economia.

Com o alerta bem vincado que cabe ao estado e ao governo a protecção de todos os cidadãos sem excepção e, principalmente, a defesa dos mais vulneráveis, Bird lança agora o "Capital Crimes", tema composto há mais de um ano com um destinatário na mira - a punição do capitalismo - mas que se alarga, no seu alcance, ao problemático estado das coisas e que tem no video do amigo Matthew Daniel Siskin - o mesmo do incisivo "Bloodless" - uma metáfora de alarme e ajuda na reflexão e no acelerar do debate.


quinta-feira, 2 de abril de 2020

FAZ HOJE (16) ANOS #24



















KRAFTWERK, Coliseu de Lisboa, 2 de Abril de 2004
. Diário de Notícias, por Nuno Galopim, fotografia de Nuno Costa, 4 de Abril de 2004, p. 48



TINY RUINS, CANÇÕES-VITAMINA!
















Durante o ano transacto, não foram uma, nem duas mas três as vezes que reclamamos da sorte por não ter chegado até cá uma qualquer digressão de Hollie Fullbrook aka Tiny Ruins! Atendendo às actuais circunstâncias julgamos que nossa sorte não vai mudar nos próximos tempos a que acresce a distância agora ainda maior entre a Nova Zelândia e a Europa mas vai havendo algumas recompensas saborosas.

A partir de Auckland e desde a semana passada, a menina tem cumprido a promessa de, por via digital e em sessões acústicas, nos ajudar a planar acima das longas horas de tensão do nosso estranho dia-a-dia e só lhe podemos agradecer pela companhia e por todos os sinais de fumo de esperança e paz em forma de canções-vitamina. Cá a esperamos, um dia...



quarta-feira, 1 de abril de 2020

FAROL #135














O desejo antigo de Ty Segall em gravar uma série de versões de Harry Nilsson parece ter chegado a bom porto com o recolhimento forçado imposto por estes novos tempos. Em casa, como convêm, foram, assim, ensaiadas meia dúzia de clássicos do músico de Nova Iorque falecido em 1994 que se transformaram em "Segall Smeagol", disco embrulhado em formato prenda à distância de um clique de cortesia. Façam o favor... e obrigado my precious!