Mostrar mensagens com a etiqueta Singles. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Singles. Mostrar todas as mensagens
sábado, 25 de abril de 2020
SINGLES #48
GRUPO CORAL DOS CEIFEIROS DA CASA DO POVO DE CUBA - Grândola Vila Morena / Baleizão, Baleizão
Portugal: DECCA/EMI-VC SPN 172 G, 1974
Serão muitas e incontáveis as versões em disco ou ao vivo de "Grândola Vila Morena" por esse mundo fora agora documentadas ou até inesperadas como a que Bonnie Prince Billy fez ontem online para surpreender os fãs portugueses. Mas logo a seguir à revolução e ao lado da maravilhosa versão que Amália Rodrigues editou, esta é uma das primeiras a surgir. Da autoria do Grupo Coral dos Ceifeiros da Casa do Povo de Cuba, na contracapa do nosso single, ao lado do nome do seu proprietário original, está uma data anotada, Julho 74, o que confirma que três meses depois da revolução já a EMI-Valentim de Carvalho tinha no mercado diferentes propostas alusivas aos novos tempos de liberdade e esperança.
O grupo coral em causa foi fundado em 1933 mas são inexistentes os pormenores quanto ao local e forma do registo destes cantes, contendo o lado B o tema "Baleizão, Baleizão", uma evocação de outra localidade alentejana. Ter o "Grândola" precisamente ao jeito desse género musical tão marcante para a tradição da região e do país, era um privilégio que, até há dias, só estaria ao alcance de quem detinha a rodela de vinil. Há agora, porém, a possibilidade de o espalhar virtualmente pois a editora disponibilizou digitalmente o seu fundo de catálogo com qualidade assinalável como podem confirmar na audição abaixo. Foi, pois, esta canção a escolhida para abrir o filme promocional da candidatura do "Cante Alentejano" a Património Cultural da Humanidade aprovado pelo UNESCO em 2014 e que tem também neste pedacinho intemporal um momento genuíno. Agora vamos ali abrir a janela...
terça-feira, 24 de dezembro de 2019
SINGLES #47
PAT BOONE - Merry Christmas
Inglaterra: London Records - RE-D.1128, EP 45RPM, 1958
Atrás de Elvis Presley, diz-se que Pat Boone foi o cantor mais popular de finais dos anos cinquenta naquele jeito cheio de estilo de encantar uma juventude ainda em fase de libertação. Vendeu milhões de discos, foi arrebanhado para os filmes mantendo ainda hoje activa uma carreira como comentador conservador de política... Não faltam, por isso, pequenos discos de Natal tão populares nessa época de explosão do rock & roll e são dele duas das versões gingonas e sexagenárias de clássicos como "Jingle Bells" e "Santa Claus is Comin' to Town" de que mais gostamos. Estão seguidas no lado B deste EP inglês de capa sugestiva e contra-capa onde se podia escrever o nome do sortudo a quem cabia receber a rodela no caso de uma oferta, tudo devidamente autografado de forma impressa pelo próprio artista para fintar uma proximidade por muitas suspirada!
Rocking throuhg the snow... Merry Christmas!
segunda-feira, 24 de dezembro de 2018
SINGLES #46
MAHALIA JACKSON - Songs For Christmas
Holanda: CBS - 1.118, 45RPM, 1973
Sempre que percorremos a caixa onde se acumulam centenas de singles de vinil de Natal lá aparece a capa que acima se reproduz e que sempre nos intrigou. Não há nela um único sinal de época, pinheiros, bolinhas ou luzinhas a brilhar mas simplesmente o perfil sério e tenuemente sorridente de Mahalia Jackson, a rainha do gospel e uma das lendas da música americana já com direito a selo postal entre muitas outras honrarias e prémios. Em ambos os lados repousam canções eternas sem grandes ornamentos ou orquestrações - "White Christmas" retirado certamente de "Christmas With Mahalia" álbum de 1968 e "Joy to the World" do primeiro disco referente ao Natal chamado "Silent Night - Songs For Christmas" saído em 1962 - mas onde a voz contralato de tonalidade vincadamente soul cumpre na perfeição o efeito pretendido. Talvez a CBS tenha pretendido homenagear com esta edição a sua figura falecida em 1972, juntando dois dos maiores clássicos num único disco e estampando na capa o seu semblante para todo o sempre, transformando a rodela numa peça de colecção obrigatória e intemporal.
quarta-feira, 25 de abril de 2018
SINGLES #45
SÉRGIO GODINHO - Liberdade/O Grande Capital
Portugal: Sassetti, GM 2000/010/S, 1975
Uma das canções icónicas do pós-25 de Abril é esta "Liberdade" de Sérgio Godinho. O tema abria o disco "À Queima Roupa" de 1974, o primeiro registado pelo artista em Portugal para onde regressou vindo do Canadá logo após a notícia da revolução, sendo muito provavelmente aquele que mais insistentemente passava na altura pela rádio nacional e um dos que mais vezes foi cantado em coro pelo país fora em dezenas de festas-concertos colectivas de âmbito popular. Lembramos bem o refrão "a paz, o pão, habitação, saúde, educação" entoado nas correrias pelo recreio da escola, uma ladaínha ritmada de agrado de miúdos inocentes muito distante de qualquer significado político ou aspirações como o utópico "quando pertencer ao povo o que o povo produzir" que finda a lírica... O aparente êxito da canção levou a casa Sassetti a "cortar" um single saído no ano seguinte através da sua etiqueta Guilda da Música mas a sua actual raridade e valor leva-nos a supor que as vendas não foram famosas ou, o mais provável, a edição foi em número reduzido o que choca com a inegável popularidade da canção, um hino à liberdade que se comemora no dia de hoje.
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
SINGLES #44

PULLOVER - Holiday/Last Christmas
Inglaterra: Fierce Panda, NING20A, 45RPM, 1996
As versões de clássicos de Natal são, por esta altura, obrigatórias! Na fila do hipermercado, no rádio do carro ao lado em plena fila de trânsito, a registar o totoloto ou simplesmente a atravessar uma passadeira, só mesmo tapando os ouvidos ou pondo os auscultadores é que as habituais melodias a falar de neve branca e muitos "santas" nos podem passar ao lado. Há, contudo, dois originais de época que, sem razão aparente, não resultam em massacre - no nosso caso, o "All I Want For Christmas Is You" da Mariah Carey e o "Last Christmas" dos Wham fazem-nos sempre cantarolar a letra mais que sabida e esboçar um sorriso, talvez porque sabemos bem que só os ouviremos em catadupa no próximo ano e porque são, sem dúvida, grandes canções pop muito difíceis de bater. Quando em 1996 os Pullover, uma banda de Manchester, colocaram no lado B do seu terceiro e último single "Holiday" uma versão do tal "Last Christmas" em toada eighties com muita piada, o futuro parecia risonho mas a realidade acabou por ser bastante traiçoeira. Já com dois grandes singles no ano anterior pela Fierce Panda inglesa, grandes capas e design e brilhantes actuações ao vivo, o grupo liderado por Carol Isherwood arriscou uma nova versão desse "Holiday" sem o clássico dos Wham para assinar por uma nova editora - a Starfish Records - com o contrato melhorado e a gravação de um álbum há muito esperado. As promessas, goradas, haveriam de desfazer todas as esperanças e dos Pullover não reza a história (não confundir com bandas brasileiras, polacas ou norte-americanas com o mesmo nome), tendo a sua líder aprendido bem a lição encetando, então, uma carreira de advogada de sucesso especializada em fazer respeitar os direitos autorais e aspirações dos músicos e artistas. Now, I Know what a fool I've been...
terça-feira, 25 de abril de 2017
SINGLES #43
RAUL SOLNADO - (Ludgero Clodoaldo) Canta Badaladas
Portugal: Zip Zip, 10.002/E Movieplay, 45RPM, 1970
Nas viagens de infância de fim de semana em família ou mesmo depois em boleias para o liceu, um enorme Ford Cortina de um tio era sinónimo de diversão e, acima de tudo, a oportunidade de ver um leitor de cartuchos a funcionar! As histórias humorísticas de Raul Solnado eram obrigatórias como é o caso de "A História da Minha Vida" ou "A Guerra de 1908" e sabíamos de cor sketches registados ao vivo como "É do Inimigo" ou "Chamada para Washington". Nas investidas vinílicas dos últimos anos aproveitamos para recolher muitos destes registos em EP a que acrescentamos muitos outros editados aquando do programa "Zip, Zip", um êxito televisivo produzido pela RTP durante alguns meses de 1969, um marco da cultura portuguesa emitido em plena "Primavera Marcelista". Criado por Carlos Cruz, Fialho Gouveia e o próprio Solnado, por lá passaram pela primeira vez na televisão portuguesa muitos artistas e autores, sendo míticas as entrevistas a Almada Negreiros ou a Caetano Veloso e Gilberto Gil (Agosto de 1969) mas onde a principal atracção eram mesmo as rábulas do próprio Solnado (como é saboroso ainda vê-lo como adepto do FCP no "Homem do Emblema"). Muitas delas foram posteriormente editados em vinil pela editora Zip Zip então criada e destes pedaços de história destaca-se o EP que hoje aqui trazemos em Dia da Liberdade. Como Ludgero Clodoaldo, um baladeiro muito em voga na época e que nos é apresentado na contra-capa do disco de forma satírica, Solnado faz, nas barbas da PIDE, algumas críticas directas ao regime de então em pequenos temas como "A Linha Não Alinha", "O Mundo é Muito Mauzinho" e o frontal "Senhor Estou Farto" escrito pelo próprio. Todos receberam a composição do magistral Fernando Alvim, guitarrista e instrumentista português de prestigiada fama e constituem ainda hoje um grande momento de televisão e um exemplo notável de inquietação e resistência.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
SINGLES #42
JOSÉ AFONSO - Natal dos Simples
Portugal: Orfeu, ATEP 6356, EP 45 RPM, 1969
A história desta canção de José Afonso foi já devidamente contada e recontada, um trilho que a revista Visão fez o favor de percorrer no primeiro mês de 2016, o tal onde se cantam as Janeiras. "Vamos Cantar As Janeiras"... este verso tantas vezes ensaiado em plena sala de aula da primária ficou-nos sempre na memória e a insistência na prática tinha um propósito: um coro colectivo de miúdos e miúdas de bata branca reunidos à volta de uma árvore de Natal no átrio frio da escola de soalho de madeira, muita timidez e, com sorte, um beijinho da professora e votos de "Bom Natal"! Longe do pensamento estavam preocupações sobre quem era o autor da canção, as suas conotações políticas ou outras subtilezas líricas já que, mesmo sem direito a qualquer presente ou sequer um docinho, o importante é que o período de férias estava à porta e as brincadeiras com os primos e amigos da rua já tardavam. O tema tornou-se um tradicional de época e logo em 1970 a própria Amália Rodrigues não resistiu a gravar uma versão mais ligeira e orquestrada que faria parte de um single e a que no lado B acrescentou "Balada do Sino", um outro original de Afonso incluído neste EP ao lado do tema título, de "O Cavaleiro e o Anjo" e "Saudadinha". Tirando este último, os temas estavam presentes no disco "Cantares de Andarilho" que marcou em 1968 a ligação a Arnaldo Trindade e à ORFEU e onde José Afonso, acompanhado simplesmente pela viola de Rui Pato, apostou na recuperação de formas mais tradicionais da música portuguesa. O single EP é hoje uma raridade ainda bem valorizada e é também conhecido como "José Afonso Óscar da Imprensa" já que na contracapa se faz alusão, bem impressa, a esse prémio que recebeu por parte da Casa da Imprensa em 1969 relativo ao melhor álbum com o referido "Cantares de Andarilho". A partir daqui o envolvimento político torna-se irreversível e à simplicidade de uma guitarra e voz passam a juntar-se outros instrumentos, outros cantores, uma maior sofisticação da composição e produção e uma cada vez mais fina malha de vigilância política. Para trás e para todo sempre a ecoar na nossa escola ficará o eterno
Pam-pararan-ri-ri
Pam-pararan-ri-ri
Pam, pam, pam, pam...
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
SINGLES #41
PATTI SMITH - People Have the Power/Wild Leaves
Inglaterra; Arista Records, 109 877, 45 RPM, 1988
A tragicomédia aparente das eleições americanas fez-nos resgatar, numa das muitas caixas de rodelas pequenas, uma canção ainda e sempre poderosa. Em Junho de 1988, Patti Smith regressava com este single ao fim de nove anos de silêncio, tema surgido de uma colaboração com o seu marido Fred "Sonic" Smith e, nessa altura, consentiu pela primeira vez que um video alusivo fosse então produzido, cabendo a responsabilidade da direcção a Meiret Avis, um irlandês a dar os passos iniciais no mundo dos chamados telediscos. Chamou ainda o amigo Robert Mapplethorpe para a fotografar, séria, de tranças e blusão de couro onde prendeu um simples pin com as iniciais "PHTP". Mas foi, acima de tudo, a lírica que transformou o tema numa arma intemporal de protesto e coragem quando canta, entre outros, "People have the power to dream, to rule" a que acrescenta quase sempre em versões ao vivo - como comprovamos duplamente e de braços no ar no Primavera Sound da Invicta em 2015 - "to vote, to occupy, to strike... Don't forget it: use your voice!". Ao ver ontem as lágrimas de alguns dos apoiantes democráticos recordamos o oposto, as lágrimas de alegria de há oito anos atrás aquando da primeira eleição de Obama, sinais de esperança numa América mais solidária e unida. Mas, para o bem e para mal, os regimes democráticos são o que são e o voto do povo é que conta - a realidade americana que parece que conhecemos através das redes sociais, dos talkshows e programas de humor é bem diferente e nitidamente mais profunda nos seus ódios penetrantes e silenciosos. Sendo assim, talvez esteja na altura certa de começar a fazer cumprir a quase "profecia" que Patti Smith cantou bem alto há vinte e oito anos atrás:
And the people have the power
To redeem the work of fools
From the meek the graces shower
It's decreed the people rule
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
SINGLES #40
ABBA - Dancing Queen/That's Me
Portugal: Polydor, 2001680, 45rpm, 1976
Uma coincidência feliz o facto do quadragésimo número da etiqueta desta casa referente a singles recair sobre o eterno "Dancing Queen" dos Abba que faz agora precisamente quarenta anos! O jornal "The Guardian" em artigo fresco intitulado "Why Abba's Dancing Queen Is The Best Pop Song Ever" insiste, e bem, na perfeição da composição, da produção e, já agora, da interpretação de uma canção de 1976 que surgia na Europa em clara resposta ao esplendor do som Disco americano. A sua irresistibilidade e imediatismo sempre as comprovamos quando rodamos o disquinho de cima em festas de amigos, em playlist's de clássicos ou quando, em qualquer noite de dança, o tema lá surge seleccionado na hora certa por um dj sem complexos e atento. A façanha dos Abba tinha começado em 1974 quando ganharam o Festival da Canção em Brighton, Inglaterra, com outra bomba chamada "Waterloo" e, desde aí, o grupo faria história e lenda - só deste single foram vendidos três milhões de cópias um pouco por toda a parte ("1º Lugar Europeu" bem impresso na capa e que teve lugar até a uma versão em espanhol no país vizinho)! A sua influência em inúmeras outras canções e composições é desmesurada, embora o "The Guardian" trilhe a sua imiscuidade noutras composições de gente tão diversa como Elvis Costello, Blondie e MGMT. Esta é, contudo, uma das tais canções imbatíveis em que arriscar qualquer versão irá ser sempre resultar uns furos abaixo do original por todas as voltas que lhe dêem! Por isso e como hoje ainda por cima é sexta-feira, toca a cantar...
You can dance, you can jive,
having the time of your life
See that girl, watch that scene,
digging the Dancing Queen
Friday night and the lights are low
Looking out for the place to go
Where they play the right music
getting in the swing
You come into look for a king
segunda-feira, 25 de abril de 2016
SINGLES #39
AMÁLIA RODRIGUES - Grândola Vila Morena|/Alecrim
Portugal: Columbia/Valentim de Carvalho, 8E 006 40332 G, 1974
A revolução portuguesa trouxe consigo uma caótica situação em que o impasse político quanto ao caminho a trilhar pelo país conduziu a muitas indefinições e "vira-casaquismo". Na música, o chamado canto de intervenção ganhou lugar de destaque passando o fado a estar imediatamente associado à ditadura e, por isso mesmo, alguns artistas e fadistas viveram um ostracismo só muito mais tarde parcialmente abandonado. Porém, Amália Rodrigues, a cantora do regime antigo, logo em 1974 entra sem contemplações na "corrente" gravando a canção-senha "Grândola Vila Morena" de José Afonso, por sinal uma versão notável, mesmo escondida numa capa do single de fotografia alentejana da autoria de Augusto Cabrita, contrariando o hábito de ver uma imagem sua como em quase todos os singles que até aí tinha editado. Ou seja, medindo bem as eventuais reacções negativas que aconteceram de ambos os lados da "contenda" - os amigos que a criticaram pelo "esquerdismo", os opositores que a acusaram de "oportunismo - o pequeno disco quase passou despercebido entre tantos outros que nessa época inundaram as rádios e as lojas. O encontro, o único, entre Amália e José Afonso viria a acontecer passados dez anos como conta o jornalista Eugénio Alves na segunda edição do livro "Cantores de Abril" de Eduardo M. Raposo (pág. 53) e que pode ser relido por aqui. Já antes Amália Rodrigues tinha gravado "Natal dos Simples", um outro original do mesmo Zeca Afonso e até "Trova do Vento Que Passa", o irreverente hino académico da autoria de Adriano Correia de Oliveira e Manuel Alegre, havendo outros exemplos de "adaptação" aos novos tempos como "Meu Amor É Marinheiro" onde a letra e a capa não deixam dúvidas quanto ao assumir da nova realidade. Voltando a "Grândola Vila Morena" na voz de Amália, com arranjos e direcção de orquestra de Joaquim Luís Gomes, foi considerada uma das dez melhores versões do tema pelo site "Arte Sonora", mas ela devia ser, sem subtilezas, a número um!
sexta-feira, 15 de abril de 2016
SINGLES #38
BELLE ET SEBASTIEN
Bande Originale du Feuilleton TV de Cécile Aubry
Musique composée et dirigée par Daniel White
France: Philips, EP 437.974 BE, 1969 (?)
Já lá vão alguns anos desde que um bem visível "Belle et Sebastien" nos surgiu à frente impresso num pequeno e antigo vinil acompanhado de uma fotografia de patine colorida com um cão e um miúdo. Tratava-se de um EP francês com quatro pequenos temas da banda sonora da série de televisão original que adoptou o romance escrito em 1966 por Cecile Aubry (1928-2010), sendo a própria autora responsável pela sua narração e adaptação e onde fez debutar o seu filho Medhi El Glaoui no papel do pequeno Sebastien. A versão a preto e branco de TV iniciada em França foi rapidamente dobrada em inglês e a BBC não perdeu tempo a emiti-la a partir de 1967 o que aconteceu com assinalável êxito um pouco por toda a Europa, incluindo Portugal onde passou na RTP dois anos depois. Seria, ao que parece, retomada/repetida aos sábados entre 1985 e 1986, mas os 13 episódios não chegaram a ser totalmente emitidos... O romance original foi também por cá publicado na editora Aster em 1972 entre inúmeros livros infantis da mesma autora, nomeadamente toda a colecção da série Poly e outras sequelas. O argumento a puxar ao moralismo e à amizade comovente contava uma aventura realista: em plena II Guerra Mundial uma mulher grávida e à beira da morte é socorrida por dois caçadores nos Alpes franceses junto da fronteira com Itália dando à luz um menino que recebe o nome de Sebastião por ser o dia do santo com o mesmo nome. A morte desta mulher leva a que o pequeno seja criado por um ancião e uma neta a que se junta mais tarde uma cadela vadia (sempre pensamos que era um cão!) da raça São Bernardo ou Cão de Montanha dos Pirinéus e que o pequeno Sebastião baptiza de Belle. Seguem-se infindáveis aventuras na demanda da mãe e onde se misturam a Resistência francesa e o Nazismo alemão! Pela tenra idade, passamos completamente ao lado quer destes livros quer da própria série, mas uma assinatura de posse "Rosa Marques" na parte de trás do nosso single talvez indique que não faltaram seguidores em tempos de dois únicos canais! Esta é, afinal, uma peça histórica porque foi ela, a série (ou o livro?), que inspirou o colectivo escocês Belle And Sebastian a escolher o nome para a banda tendo, coincidentemente, a sua música acabado por obter enorme receptividade em França logo em 1998 com múltiplas sessões de rádio, televisão e apresentações ao vivo, chegando mesmo a fazer uma célebre cover de "Poupée de Cire, Poupée de Son", canção que Frances Gal popularizou em 1965 no Festival da Canção em representação do Luxemburgo. Quanto aos rumores sempre negados que "Belle" se refere a Isobell Campbell e "Sebastien" a Stuart Murdoch, o rompimento do namoro e o consequente abandono de Campbell em 2002 marcaria definitivamente o fim de uma amizade colorida que deixou marcas bonitas como a nada inocente "Is It Wicked Not to Care?"
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
SINGLES #37
FRANK SINATRA Chante Noel
Whatever Happened To Christmas? / I Wouldn''t Trade Christmas
France, RV.20186, Reprise Records, 45 RPM, 1968
Em 1968 Frank Sinatra reuniu Nancy, Tina e Frank Jr., filhos do primeiro casamento com Nancy Barbato, convocou dois dos seus melhores colaboradores e compositores- Nelson Riddle e Don Costa - e gravou um álbum inteiro de canções de Natal a que chamou "The Sinatra Familly Wish You a Merry Christmas". Ainda hoje uma raridade em vinil, o disco, apesar de alguns desequilíbrios, tem aquela aura "good feeling" muito por culpa das orquestrações quase pop de Don Costa e de uma produção sem mácula do habitual Sonny Burke, mas o projecto seria mais uma daquelas apostas arriscadas do Old Blue Eyes, numa época conturbada da sua vida artisticamente chamada "The Reprise Years" e que, mesmo assim, nos deu fabulosos álbuns como os que gravou com António Carlos Jobim. A presença a solo da sua voz nesta reunião de família resume-se a dois temas: "The Christmas Waltz" e "Whatever Happenned To Christmas?" que encabeçou um single de vinil com várias edições (a francesa, que aqui trazemos, parece ser desconhecida) e que constitui mais uma grande canção só ao jeito de Sinatra, remetendo-nos para uma nostalgia natalícia que todos vamos vivendo à medida que os anos passam. O que é feito do Natal? (suspiro...)
sexta-feira, 24 de abril de 2015
SINGLES #36
DUARTE MENDES - Madrugada/Entre Espanha e o Mar
Portugal, Orfeu, KSAT 522, 1975
Um filho a guerrear a mãe ou uma revolução sem sangue, Portugal é, se houvesse dúvidas, um país sui generis. Medindo as distâncias, tivemos até um capitão de Abril que era também cantor! Passam agora 40 anos sobre a ida ao Festival da Eurovisão da canção "Madrugada" interpretada por Duarte Mendes, o tal herói que ajudou a derrubar um regime de quase 50 anos mas com uma veia artística notável e muitas vezes esquecida. Em anteriores participações no certame português cantou "Então Dizia-te" em 1970, "Adolescente" em 1971, a lindíssima "Cidade Alheia" em 1972 e "Gente" em 1973. Apesar da insistência, não teve, é certo, muita sorte que viria no entanto a sorrir-lhe um ano depois da revolução, relegando Paulo de Carvalho para o 2º lugar... Esta "Madrugada" tem aquele travo de época bem notório, de lírica libertadora e vincada e é vê-lo abaixo, de cravo ao peito, a defender de cabeça levantada as cores nacionais em Estocolmo. O exemplar da nossa colecção tem a capa amarfanhada e gasta mas atendendo à raridade da rodela é como se estivesse novo e serve para homenagear, como sempre nesta data e na tal madrugada que Sophia "esperava/o dia inicial inteiro e limpo", todos os que, como diz a canção, morreram sem saber porquê.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
SINGLES #35
THE BLACK LIPS / THE KING KHAN AND BBQ SHOW
Christmas in Bagdad (Black Lips)
Plump Richteous (Khan)
Norton Records, 2007
Editado no período de maior violência da chamada Guerra do Iraque que custou a morte a quase a 1000 americanos só no ano de 2007, o Natal pela cidade de Bagdad serviu de inspiração contestatária aos irrequietos The Black Lips. A fotografia da capa diz tudo quanto à eterna contradição ocidental mas ainda hoje a sociedade americana continua a assistir a uma violência quase diária motivada pela facilidade de acesso a qualquer tipo de armas! A lírica, sem contemplações, não deixa dúvidas:
Christmas in Baghdad can be such a drag
I don't want to come home in a body bag
No cameras, no cheer, just all violence here
para tudo rematar com uma tirada perfeitamente actual tendo em conta os últimos acontecimentos por terras americanas...
We'll have to settle the score
It could be at my front door
And I won't miss Christmas no more
Habituados a split singles os Black Lips partilham aqui o lado B da rodela verde com os The King Khan And BBQ Show num instrumental gingão e perfeitamente adequado para uma qualquer madrugada dançante.
Merry Christmas e, já agora, muita paz!
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
SINGLES #35
BEAUTIFY JUNKYARDS
FROM THE MORNING/FUGA Nº2
Fruits de Merre Records, UK, CRUSTACEAN 30, 2012
Os lisboetas Beautify Junkyards escolheram "From the Morning" de Nick Drake para juntar a uma série de outras versões no álbum de estreia. Logo à primeira escuta, como demos conta por aqui, percebeu-se a distinção da jogada, um risco assumido mas que resulta numa sonoridade muito própria e vincadamente moderna. Quando soubemos que havia uma casa de discos inglesa que pretendia lançar uma edição limitada de um single com a tal cover, não descansamos enquanto não o tivemos na mão. Na altura, percebemos que o vinil escolhido, para além de alta qualidade, teria várias cores e, sendo assim a simples encomenda às escuras alterou-se para uma dose dupla. As bonitas peças que acima se reproduzem são hoje pérolas queridas da nossa colecção e, confirmam, que a música de Drake não tem país, língua ou dono. Os Beautify Junkyards vão estar pela Invicta ao longo do mês de Dezembro em, lá está, dose dupla e por isso façam o favor de não lhes perderem o rasto para ajudarem a cantar bem alto:
"And now we rise / we are verywhere"!
sábado, 29 de novembro de 2014
SINGLES #34
NICK DRAKE - RIVER MAN
IS871, England, 7" vinil, Universal Island, 2004
Quando no final de 1994 compramos a compilação "Way to Blue" de Nick Drake para, pela primeira vez, confirmarmos os elogios que alguma imprensa mais atenta jurava a pés juntos serem todos muito poucos para classificar o génio britânico, foi à quinta faixa, precisamente com "River Man", que caímos para o lado... A canção pertence a "Five Leaves Left" o disco de estreia de 1969 mas poderia ter sido, sem rodeios, registada nos nossos dias que o seu brilhantismo de composição não tem idade nem tempo. Há sobre ela uma aura romântica e misteriosa que uma lírica genial adensa e confunde - quem é a "Betty" do argumento e do suposto diálogo, quem é o "River Man" a quem pretende contar "about the plan for lilac-time", etc., etc. Em Cambridge, Drake atravessava um rio para ir a pé para as aulas onde lia poesia afincadamente, de Alfred Noyes até William Wordsworth, e a pista será simultaneamente poética e biográfica. Certo é que foi lá, na universidade, que o tema foi composto e dado a ouvir pela primeira vez ao amigo Robert Kirby, futuro arranjador de muitas das suas canções. Curiosamente, o arranjo sublime que seria incluído no disco pertence a Harry Robinson, um dos poucos que sobreviveu a uma primeira sessão de cordas, havendo também uma versão, preterida na altura, dirigida por Kirby. São precisamente estas duas variantes sonoras que fazem parte de um single de vinil editado pela Island Records em Outubro de 2004 aquando da saída da compilação "A Treasury". Drake nunca teve direito, em vida, à edição de singles mas este era já o segundo que nesse ano a Island arriscava promover ("Magic" tinha saído em Maio) para nosso gáudio. Embrulhado numa capa simples de cartão com imitações de rasgos e marcas de chávena de café, evoca-se um tempo nostálgico de época que o video oficial dirigido pelo multi-premiado Tim Pope consegue vincar maravilhosamente. Ver, mas, preferencialmente, ouvir "River Man" provoca ainda hoje um leve calafrio na espinha, o mesmo que sentimos há vinte anos!
Nick Drake - River Man from fullrange on Vim
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
SINGLES #33
O conjunto era demasiado tentador para deixar este single para trás: as palavras "marathon" e "joggin" associados a um velho de pala a correr de meia branca e quase-chinelo preto com um disco debaixo do braço não merecia desprezo! A canção de um tal Mickey Jupp foi, ao que parece, hino oficial da mítica Maratona de Londres em 1982, fez parte do álbum desse ano "Some People Can Dance" (o tal que o velho carrega consigo) e é um daqueles blues de pub do sul de Inglaterra, zona onde o artista se destacou em várias bandas e escreveu para cima de 300 canções! Para nós servirá como mais uma pastilha de descontracção para que a estreia na maratona da cidade do próximo Domingo corra da melhor forma e onde iremos certamente ter muito tempo para soletrar baixinho "jogging, not walk-the-doggin" ou "jogging, I'm going to do a runner"... Ufa!
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
SINGLES #32
DAWN McCARTHY & BONNIE PRINCE BILLY
Christmas Eve Can Kill You
Domino, 2012
A cantar e a viajar juntos há largos anos, Bonnie Prince Billy e Dawn McCarthy dos Faun Fables, que vimos, aliás, numa saudosa noite do Theatro Circo bracarense, decidiram o ano passado gravar um álbum de versões dos The Everly Brothers a que chamaram apropriadamente "What the Brothers Sang". A esta notória cumplicidade em jeito de tributo, juntou-se no Natal um extra de época em formato de 7" com o clássico "Christmas Eve Can Kill You" de 1972 a que se acrescentou ainda no lado B uma versão de "Lovey Kravezit". Ambos os temas não estão no álbum e hoje, entre correrias matinais à chuva na busca do bolo-rei especial, do queijo de Seia ou da prenda ainda em falta e com o amargo de ter que trabalhar da parte da tarde, só podemos dar razão ao refrão da canção dos irmãos Everly quando só temos é vontade de mandar tudo para as urtigas... BOM NATAL, vá!
quarta-feira, 15 de maio de 2013
SINGLES #31
GIORGIO - From Here To Eternity/Utopia
Ariola/Phonogram, Portugal, 5011 420, 1977
O italiano Giorgio Moroder ou simplesmente Giorgio é um dos nossos guilty pleasures preferidos, seja a sua solitária carreira inicial seja a incontável série de produções, ajudas ou parcerias com uma diversidade de artistas muito difícil de igualar e onde, quase sempre, teve como co-autor nas líricas uma tal Pete Bellotte. De Donna Summer a Blondie, de Adam And The Ant aos Japan, Moroder consagrou-se mundialmente como produtor, compositor, dono de estúdios ou de editoras de discos, um personagem multifacetado e, certamente, fascinante. Atentos e fãs, os Daft Punk fazem-lhe uma justa e brutal homenagem no novo "Random Acess" com "Giorgio by Moroder", talvez o mais consistente tema do álbum. Foi ao ouvi-lo na integra que remexemos em posts atrasados em rascunho para desenterrar um destaque alinhavado há muito ao single "From Here To Eternity", mais um dos que fomos recolhendo em deambulações vínilicas ao longo de anos. Sempre que aquele bigode farfalhudo aparece entre pilhas de discos torna-se impossível não o trazer para casa, embora o álbum homónimo já esteja na nossa colecção quase desde sempre. Diga-se, a propósito, que o Lp é bem mais comum e fácil de obter que o pequeno single, uma versão "editada", curta, do original, um clássico obrigatório de planantes sintetizadores e trejeitos disco que é quase uma continuação obrigatória desse outro imortal tema chamado "I Feel Love" na voz de Donna Summer. O nosso exemplar, como assinalado na capa, foi comprado ou recebido por alguém a 25/12/1978, sem dúvida uma excelente prenda de Natal! Moroder terá, previsivelmente, nos próximos tempos uma visibilidade renascida mas a notoriedade já há muito que o acompanha. Só as brilhantes bandas sonoras, como por exemplo, para "Midnight Express", "Cat People" (com Bowie), "Together In Electric Dreams" ou "Flashdance" davam argumentos para um "Hall Of Fame" mais que merecido. Já para não falar, como bom italiano, na sua queda para máquinas automóveis bem rápidas como um tal Cizeta-Moroder que chegava aos 350 km por hora! Daqui só mesmo para a eternidade...
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
SINGLES #30
WICKIE O VIKING - Hei, Hei, Wickie/Somos Cem/Grande Festa
Portugal: Philips/Phonogram, 6031037, 1975
Estreia hoje uma versão cinematográfica já de 2009 de Wickie, O Viking, série de banda desenhada dos anos 70 que a RTP passava, claro, a preto-e-branco e que tinha como cenário uma longínqua aldeia escandinava (Flake?). Memoráveis uma série de personagens como o pai-chefe Halvar, o músico Ulme, o gordo Faxe, os inseparáveis zaragateiros Tjur e Snorre, a pequena amiga Ilvy, apelidos que deram alcunhas similares a alguns colegas de escola... Sempre metidos em aventuras e sarilhos em pleno mar alto, o momento mais esperado de cada episódio acontecia quando Wickie, o Viqui para todos nós, tinha uma ideia salvadora, começava a esfregar o nariz e umas estrelas começavam a circular à sua volta, para tudo terminar, como convinha, de forma feliz. Sem dobragem, os episódios eram passados no original alemão (embora a série tivesse o dedo de um estúdio japonês) com legendas mas com a grande canção do genérico em português. O single de vinil foi, por isso, das primeiras aquisições quando um enorme gira-discos compacto AIWA (rádio, cassetes e prato) acabou por ser instalado na sala. Certamente à força de muita insistência ainda fizemos, aos poucos, a colecção de bonecada de plástico com os personagens coloridos e que, quem sabe, ainda esteja esquecida lá por casa tal como deve acontecer com a caderneta de cromos! A tal canção devia ser um must em qualquer noite de animação descontraída, um daqueles imediatos hits de geração que uma letra tipicamente portuguesa, ou seja, desenrascada (O lobo mau o faz tremer/A tempestade ele receia/mas no final sempre terá/Uma feliz ideia) e uma guitarrada à maneira ajudaram a perpetuar (há posteriores versões bem diferentes para pior). Depois viria a Heidi e o Marco mas o puto de chapéu com cornos tornou-se inesquecível muito por culpa de tantas vezes termos cantado bem alto Hei Hei Vickie/Hei Vickie Hei/Levanta bem a vela...
Subscrever:
Mensagens (Atom)


















