terça-feira, 21 de abril de 2026

NUBYA NO CORETO!

É certo que já por lá passou em 2019, a ajudar o parceiro Joe Armon Jones, mas agora é a sério - Nubya Garcia estará no coreto do jardim Basílio Teles no dia 5 de Julho, Domingo, no âmbito da próxima edição do Matosinhos em Jazz! Outros artistas se anunciarão em breve, mas para já a aposta é grande e certeira!

FIELD MUSIC, SESSÃO COMEMORATIVA!

Aquando da comemoração do vigésmo aniversário do lançamento do homónimo álbum de estreia, em Agosto de 2005, pela londrina Memphis Industries Records, os Field Music juntaram-se para uma rara sessão evocativa tocando "A House is Not a Home", single de 2007, e "Luck is a Fine Thing" e "Shorter Shorter" do referido primeiro disco. Uma rara bênção de uma banda única, intemporal!



terça-feira, 14 de abril de 2026

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #33





















De regresso a Espinho, e na artéria com o mesmo número 62, da Vic resta o envelope. Nada mais sabemos e imaginamos o nome a pertencer a alguma Victória ou até algum Victor. Ocupava, com o nº 73, o que hoje é uma clínica dentária situada no rés-do-chão de um prédio de três andares, uma localização previligiada e muito perto da frente de mar. 

A loja era mais um espaço multi-venda de produtos de fotografia, cinema e som, o que implicaria discos de vinil grandes e pequenos. A rodela que encontramos dentro do invólucro diz respeito à versão portuguesa da "Desiderata" na voz do actor decano Rui de Carvalho, disco editado em Portugal no ano de 1972. Segundo a Wikipedia, a "Desiderata é um poema em prosa de 1927 do escritor americano Max Ehrmann. O texto foi amplamente distribuído em forma de poster nas décadas de 1960 e 1970.".  
          
                Vic. foto-cine-som, Rua 62, nº 73, Espinho













                Vic. foto-cine-som, Rua 62, nº 73, Espinho

segunda-feira, 13 de abril de 2026

BILL ORCUTT, GNRation, Braga, 11 de Abril de 2006

Foram já várias as oportunidades para testar o génio de Bill Orcutt ao vivo. Caprichos vários levaram a que a pretensão fosse sempre adiada, lembrando, por exemplo, o cancelamento dos concertos portugueses, incluindo o do Porto, à custa de uma nuvem de cinza vulcânica que fez parar muitos aviões (2010?), ou uma incursão despercebida pela Sonoscopia (2015?). Outras, certamente, já aconteceram sem comparência nossa injustificada e sublinhada com aquele encolher de ombros perigoso "fica para a próxima". A passagem por Braga enquadrava um momento e palco perfeitos para a estreia que acabaria, em definitivo, com o sacrilégio. 

É certo que os anos passam, mas os discos e concertos que continuam a sair e em agenda, confirmam que de Orcutt só se pode esperar inquietude da boa. A Fender Telecaster, de aparente modificação no encordoamento, é o condão instrumental de inseparável virtude a partir do qual se agita num estilo vanguardista, hipnótico, que preencheu a sala escura de Braga de uma tensão entontecida de electricidade instável. Fraccionada em quatro largos momentos de uma dúzia de minutos, à sequência juntou-se uma pequena descarga terminal para aliviar o empenho. 

Ao fim de uma hora de poderoso provento, não admira que a espontaneidade da ovação da plateia esgotada tivesse crismado, e bem, uma actuação de densidade rara, acentuando a tenacidade de um músico cuja aptidão instrumental não é somente uma técnica, mas também uma virtude - a de extasiar por vibração e contágio!   

quinta-feira, 9 de abril de 2026

POND, VIBRAÇÃO TERRESTRE!





















Agora que a euforia Tame Impala acalmou, será de dar atenção aos irrequietos parceiros Pond e ao décimo primeiro disco de originais a sair a 19 de Junho, trabalho que se segue ao duplo e magistral "Stung!" de 2024 e à compilação "The Early Years 200-2010", um dos exclusivos do Record Store Day do ano transacto.

De título "Terrestrials", adivinha-se um ciclone de rock n' roll, com algumas e habituais acalmias melancólicas a pairar sobre planícies australianas calorentas ou a dar banda sonora a bares decadentes, ainda assim, irresistíveis. Uma vibração cruzada e, devidamente, PONDerada.


quarta-feira, 8 de abril de 2026

DAMIEN JURADO REDUX!


















É avassaladora a catadupa de discos e canções que Damien Jurado vai fazendo sair todos os meses, todas as semanas... A tendência, acentuada desde 2023 à custa de alguma instabilidade mental, já permitiu destapar demos e raridades, captações de catedral ao vivo, e uma multiplicação de inéditos como os que integram "Keith Is Plane Crazy", mais um saboroso EP do mês passado. Em todas estas variações há um denominador comum - a presença de Lacey Brown (foto), artista em nome próprio que tem sido parte da banda que o acompanha e que tem assumido substancial responsabilidade instrumental, vocal e até na produção partilhada com o próprio Jurado. 

É o que acontece com "All Are Welcome In: A Return to Maraqopa", um disco novo que apresenta versões redimensionadas de temas originalmente incluídos na trilogia “Maraqopa” ["Maraqopa" (2012), "Brothers and Sisters of the Eternal Sun" (2014) e "Visions of Us on the Land" (2016)], uma série de álbuns conceituais produzidos em colaboração com o saudoso Richard Swift. 

O novo projeto concretiza uma visão que ele e Swift discutiram há muitos anos e que consistia em revisitar e reformular as músicas dos três discos após a sua conclusão. Muitas das faixas presentes neste lançamento já foram apresentadas ao vivo neste novo formato durante a digressão "All Are Welcome In" ocorrida no Outono de 2025.



segunda-feira, 6 de abril de 2026

FAZ HOJE (28) ANOS #120















FAITH NO MORE, Coliseu do Porto, 6 de Abril de 1998
 
. Público, por Amílcar Correia, fotografia de Paulo Pimenta, 8 de Abril de 1998, p. 27 
. O Comércio do Porto, por Rui Azevedo, 8 de Abril de 198, p. ?

domingo, 5 de abril de 2026

FAZ HOJE (25) ANOS #119




















MADREDEUS, Parque da Cidade (tenda), Porto, 5 de Abril de 2001
 
. Público, por Fernando de Magalhães, fotografia de Mário Marques, 7 de Abril de 2001, p. 40 
. Diário de Notícias, por Nuno Galopim, fotografia de Hernâni Pimenta, 7 de Abril de 2001, p. 38

sábado, 4 de abril de 2026

CAROLINE, GNRation, Braga, 2 de Abril de 2026

Se aos Caroline parece destinada uma ascensão apoteótica, notória em salas de assinaláveis dimensões rapidamente esgotadas, a oportunidade agendada para o Minho afigurava-se um milagre - oito músicos, muitos instrumentos e uma cumplicidade próxima que se desejava e suspirava e que, talvez, não se irá mais repetir nesta intimidade... 

A cerimónia teve como altar central uma coluna rectangular que sugeria que, a partir dela, algum chamamento ou clamor sairia. Foi mesmo daí que uns primeiros sopros de um saxofone alto se distorceram, ampliados, em jeito de aviso para que as portas da nave se iriam fechar e o voo estava prestes a descolar para noventa minutos de cruzeiro controlado e turbulência espacial imaculada. 

Disposta em semicírculo, a banda encetou, então, como que um recital vanguardista ora de orquestração lenta, ora de extremos sonoros arrebatadores e de que os dois discos até agora gravados são comprovativos mais que válidos e reconhecidos. São, contudo, os instrumentos, e o que eles permitem, que ganham ao vivo uma dimensão quase científica, testada tanto num simples pizzicato de um violino, num diálogo vectorial de violinos, num arranhão de uma guitarra ou no agudo de um trompete. 

A variedade de recursos, que a repetição de acordes acentua na dose estupefaciente, não é novidade na história do rock e os Caroline nada têm a esconder - podem ser os Tortoise, algum emo americano, ou até muito da boa folk inglesa dos anos sessenta, e não se estranha que sejam eles os cabeças de cartaz do próximo Can Festival em plena China. A transcendência não têm idade, não terá também uma só explicação, e será por isso difícil de descrever dois dos melhores momentos: "Coldplay Cover" é, afinal, uma dupla canção em que a banda se dividiu em dois dos lados do palco para, quase a capella, as misturarem sem as misturar (oiçam ali abaixo... será melhor); "total euphoria" tanto pode soar perfeita para abrir o disco "caroline 2", como forçar a multiplicação apoteótica de um êxtase final antes da aterragem. 

Não sabemos quantos anos os Caroline vão andar por aí, também não sabemos quantos discos vão ainda gravar. Sabemos, no entanto, que colisões sonoras de semelhante catarse e calibre terão, da nossa parte, um repetido entusiasmo que a noite bracarense só veio multiplicar. Sweet caroline... 

THE NOTWIST, PLANETA INDIE!















Banda fetiche aqui pela casa, os alemães The Notwist andam há trinta e muitos anos a insistir, sem vergonhas, numa variedade de linhagens onde a pop e a electrónica nunca viraram costas ao jazz ou sequer ao trip-hop. Depois de uma compilação de raridades editada no final de 2025, está já disponível um novo registo de originais que reforça uma resiliência cada vez mais rara num projecto europeu e que se segue a "Vertigo Days" de 2021

Com selo da Morr Music de Berlin, "News from Planet Zombie" marca o regresso a um processo criativo primitivo, com todos os músicos em simultâneo num sala de Munique, uma aura de concerto ao vivo propícia a uma experimentação ainda comandada pelos fundadores e manos Markus e Micha Archer e, desta vez e entre outros, com contribuições de Enid Valu, Haruka Yoshizawa, do clarinetista Tianping Christoph Xiao ou do trombonista Mathias Götz. Ao vivo, a formação aumenta consideravelmente, infelizmente, uma perfomance que ainda não presenciamos... 

Entre as canções originais emergem duas versões: "How The Story Ends" (2009) dos Lovers e "Red Sun" (2000) de Neil Young, confirmando uma diluição perfeita na narrativa estruturada que o disco demonstra e que tem em "The Turning" mais uma monumental canção. Astronomia indie



quarta-feira, 1 de abril de 2026

WATER DAMAGE, GNRation, Braga, 29 de Março de 2026

Repetição Máxima, Desvio Mínimo. 
Parece ser este o mantra do colectivo Water Damage. Não há, por isso, canções para tocar ou sequer uma setlist. A receita não é o do tradicional instrumental rock n' roll e o conceito é facilmente comprovado ao vivo - uma repetição ritual de cerca de cinquenta minutos, onde foram revirados alguns riffs de guitarra e de cordas de violinos ou parecidos, sendo o resto uma grossa e poderosa cadência de duas baterias, dois baixos gémeos, literalmente, e duas guitarras eléctricas. Sem falhas, a coisa sugere alguma mania padronizada, sendo certo que ninguém arredou pé, atendendo ao hipnotismo crescente do ritmo "transecionado". Estes nove de Austin, E.U.A., sabem bem o que estão a fazer... 

Talvez os catalisadores mais notados da montanhosa brutalidade acabem por ser o referido violino nas mãos de Mari Maurice e o toco de madeira, de poucas cordas, com que um deles vai assinalando, em contínuo, uma variação de tons que comanda a perfomance. Será ela de nome "Real", título de muitas das longas faixas que registaram já em discos, o mais recente referente a uma destas aparições de 2025 no festival holandês Le Guess Who que ainda recebeu, nessa oportunidade, a ajuda de um saxofonista! 

Para tamanho estrondo, bem que fomos avisados para levantar uns tampões no pequeno bar do espaço negro de forma a rebater o suposto dano auditivo, mas a recomendação teve uma ténue adesão, pois a maioria estaria, simplesmente, interessada em receber a terapia em toda a sua dimensão, um estilo de câmara lenta retardatária de toada voadora e de teletransporte para uma paisagem deslizante e nunca perigosa. Um intrigante e memorável concerto!

UAUU #755

ALELA DIANE, MARCANDO TEMPOS!





















Seguindo uma boa cadência artística, Alela Diane registou em dez dias soalheiros de Agosto passado, em pleno sótão da casa vitoriana de Portland que lhe tem servido de refúgio e inspiração, mais um punhado de novas canções. À sua volta, na altura, muitas memórias, relíquias e adereços da família misturavam-se com guitarras ou amplificadores, num caos controlado de aconchego e ambiente cozy a que animais de estimação caseiros aderiram de bom grado.

Depois de um disco/sortido de natal (2023) e de uma auto-reflexão biográfica (2022), estará publicado em Maio o resultado completo, então, obtido e que recebeu o nome de “Who’s Keeping Time?”. Floresce nele, desde logo, aquela notável voz que parece não sofrer qualquer desgaste com os anos, pelo contrário, surge ainda mais robustecida de vinco e cativação a adornar as canções de forma tão americana, sem truques desnecessários para marcar tempos estranhos...