terça-feira, 5 de abril de 2016

(RE)LIDO #76





















NIRVANA
by Steve Gullick e Stephen Sweet (photographs)
London: Vision On Publishing Ltd., 2001
Passam hoje vinte e dois anos sobre a morte de Kurt Cobain. Vivemos esse dia com uma tristeza que disfarçava, sem escrúpulos e muito egoísmo, algum alívio. Os Nirvana caminhavam para uma massificação perigosa e Cobain, em rota previsível de colisão, agoniava-nos com uma infindável sequência de altos e baixos. Estivemos lá em Cascais uns dias antes (6 de Fevereiro) e, apesar de tudo, o concerto encheu-nos as medidas pelo vigor da massa sonora, pela rigidez adquirida ou não de um Cobain bem comportado e bem secundado. Depois do fatídico 5 de Abril de 1994 desligamos a corrente sobre uma história mexericada já demasiadas vezes contada e recontada e que quase sempre incluí uma série de sinónimos da maldita palavra arrogância. Há uns bons tempos, em plena Vandoma, demos de caras com este livro que desconhecíamos no meio de edições douradas do Eça e atlas do Circulo de Leitores e folheando as suas páginas a preto e branco com fotografias sorridentes e alegres acabamos por trazê-lo sem muito custo para casa. São imagens, algumas que se tornariam clássicas, que dois fotógrafos ingleses conseguiram no auge de uma banda em crescimento rápido, demasiado rápido, desde o London Astoria em 1989 até aos largos recintos da Pensilvânia já em 1993. A cumplicidade deste conjunto salta a olhos vistos, seja em ensaios caóticos, conferências de imprensa, backstages em modo de assalto e, acima de tudo, brilhantes panorâmicas de palcos e multidões em delírio, uma experiência marcante para, por exemplo, Steve Gullick que continua a desbravar o filão sem preconceitos. Um documento notável que prova a bondade de um mito da música moderna e que sempre vimos como um tipo sereno sentado num sofá a dedilhar uma guitarra como na capa escolhida ou, calmo, fumando um cigarro nos camarins do desaparecido pavilhão de Cascais... Come as you are!    
   


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