sábado, 12 de fevereiro de 2022

MATT ELLIOTT, Cine-Teatro Garrett, Póvoa de Varzim, 9 de Fevereiro de 2022

Ponto de ordem: um género de light gigography portuguesa dos concertos de Matt Elliott será um pormenor dispensável e de nulidade confirmada, mas a quantidade de visitas do inglês apoquenta-nos ao ponto de questionar se houve algum ano na última década em que a vinda não aconteceu! Não resistimos. 

Então é assim, literalmente, e sujeito a contributos e correcções mas, muitas vezes, com imagens de arquivo como prova: estreia em Coimbra em Março de 2008 (Salão Brazil); Lisboa (Zé dos Bois) e Porto (Mercedes) em Fevereiro e Março de 2009; Aveiro (Teatro Aveirense) em Maio de 2010; Bragança (Museu Abade de Baçal) em Abril de 2011; Aveiro (Mercado Negro), Porto (Serralves em Festa) e Lisboa (?) em Maio e Junho de 2012; Porto (Maus Hábitos), Ponte de Lima (CAL) e Aveiro (Mercado Negro) em Maio de 2014; Lisboa (Casa Independente) em Março de 2016; Espinho (Academia), Bragança (Capela do Museu Abade de Baçal) e Vila Real (Clube de Vila Real) em Maio de 2017. Quinze! 

Mas afinal há falhas (2013, 2015, 2018, 2019 e, obviamente, 2020 e 2021). A corrente digressão de cinco datas promete alargar, contudo, o território alcançado com incursões novas pela Guarda e Portalegre e que começou na inédita Póvoa de Varzim perante sala bem composta. Motivo do regresso: "Farewell to All We Know", excelente álbum de 2020 e cujo tema título foi o escolhido para, depois de um breve aquecimento, iniciar o concerto perante um perfeito jogo de luz e uma acústica irrepreensível. Havia também algumas surpresas. 

Um saxofone pousado junto da cadeira era uma delas. Serviria para ser executado, sim, tocado pelo próprio ao longo da noite longa, um género de upgrade ao habitual recurso de voz e guitarra em loop que nos pareceu, nalguns casos, compensador mas, noutros, dispensável e exagerado como o que foi aplicado a um "Summertime" final demasiadamente esticado na duração. Mesmo antes, já no encore, um pedido do público, o único, para a peça "Dust Flesh And Bones" recordou a todos a beleza de uma composição escura mas que brilha sempre que emerge e paira sublime naquela forma de aperto emotivo. 

O mesmo sentimos com "Between the Bars" que Matt elegeu há anos como pedra de toque indispensável dos seus concertos, ali disfarçada entre originais que a aproximam, talvez, da forma hipotética como Elliott Smith a apresentaria nos dias de hoje. Seja como for, continuam a ser muitos os motivos para não dispensar um qualquer regresso a um concerto deste britânico quase naturalizado. Deve ser já para o ano!    
  

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