sexta-feira, 29 de julho de 2011

VALSA LENTA












Quando o novo disco "Lupercalia" de Patrick Wolf nos chegou aos ouvidos, não ficamos desde logo impressionados. Mantem-se algum do dramatismo e romantismo pop tão ao seu jeito e as canções só ao fim de várias audições revelam a sua enorme beleza e autenticidade. Houve, contudo, uma delas que não mais parou de tocar. Chama-se "The Days" e descobrimos que Wolf já ao canta o vivo, pelo menos, desde 2007 e que não dispensa uma mini-harpa na sua interpretação. Os fabulosos arranjos e as magníficas cordas, em jeito de valsa lenta, fazem de "The Days" um daqueles momentos em que não é possível resisitir à tecla de repeat. Ele há dias... 

quinta-feira, 28 de julho de 2011

VAMOS PRÁ PISCINA!


















Está prontinho para sair um refrescante e limitado disquinho em vinil especial da autoria de Laetitia Sadier. Chama-se "La Piscine - An Invitation by Laetitia Sadier to Keep on Swimming", o que, antendendo à imagem (Leça?), parece um desafio irresistível. Entre os convidados está Richard Swift, que produziu o álbum a solo da amiga Sadier "The Trip" editado o ano passado e que fez também as primeiras partes dos concertos dos Stereolab nos E.U.A. em 2008. Houve tempo, ao que parece, para gravar mais alguma coisa...  O 12" editado pela francesa Wool Records tem também participações de Rebecca Gates (Parcematone) e da parisiense Armelle Pioline (dos Holden) e o seu projecto a solo Superbravo. É curiosa a história contada pela própria Armelle:

"I met Laetitia in Portugal about a year ago; but I knew her as a singer, for a long time; I have most of the stereolab albums at home, and eventually completed my collection with Monade lps, and the beautiful album she released under her name; for many reasons, I really felt like meeting a sister when i first met her; let say that our destinies are quite synchronised I really love the way she's playing guitar, and her very noticeable way of telling stories; no one sounds like her and I'm happy to consider myself as a friend of this unique and mysterious girl".

Terá sido no Passos Manuel?


BALADA DO DEDO PARTIDO
















Quando em 2009 partiu um dos seus dedos, Richard Swift dedicou-se ainda mais à colaboração com outros artistas. Damien Jurado é um belo exemplo dessa amizade, concretizada na produção do magnífico "Saint Barlett" (2009), um disco a meias de covers e um novo trabalho já gravado mas ainda sem data de edição. Entre outras ajudas, realce também para os Mynabirds e Laetitia Sadier ("The Trip", 2010). Pois bem, entre tempo para um excelente blog e para a fotografia, há agora disponibilidade para desenterrar alguns originais como este biográfico "Broken Finger Blues", um bom pronúncio (soul) do que parece ser um novo álbum. Ficamos, como sempre, na expectativa.       

Broken Finger Blues by Richard Swift

terça-feira, 26 de julho de 2011

RED HOT REGRESSA AO BRASIL


















A sequela da compilação Red Hot + Rio, lançada em 1996 pela Red Hot Organization, tem imensas surpresas. O segundo volume, que saiu no final de Junho, volta a homenagear a geração da Tropicália com um conjunto de colaborações inspiradoras: John Legend, Os Mutantes, Devendra Banhart, Caetano Veloso, Dirty Projectors, Seu Jorge, Beck, Bebel Gilberto, José Gonzalez, Beirut, Tom Zé, Of Montreal, Marisa Monte, Gogol Bordello, DJ Dolores, Aloe Blacc, Angelique Kidjo, Rita Lee, Madlib, Money Mark, Céu, Apollo Nove, Mayra Andrade, Trio Mocotó, Tha Boogie, Alice Smith, Carlinhos Brown, Los Van Van, Brazilian Girls, Marcos Valle, St. Vincent, Neon Indian, Forró In The Dark, Mia Doi Todd, Javelin ou Phenomenal Handclap Band!
O volume original de Red Hot + Rio arrecadou cerca de um milhão de dólares para a luta contra SIDA e tinha, recordam-se, alguns destes mesmos nomes e gente como os Stereolab, Everything But The Girl, Incognito, PM Dwan e um dueto memorável de Caetano e Cesária Évora com uma mãozinha de Sakamoto! O último projecto "Dark Was the Night" de 2010 obteve também uma verba semelhante, o que se espera que aconteça novamente. Um disco para comprar, mesmo que o português de alguns seja um pouco estranho...    



segunda-feira, 25 de julho de 2011

DAVE DOUGLAS "TEA FOR 3", Jazz no Parque, Serralves, 23 de Julho de 2011








































Não seria muito difícil de prever que a lotação do ténis de Serralves fosse pequena para acolher tamanho concerto. O trompetista Dave Douglas é hoje um dos mais sonantes exemplos da irreverência no jazz, agitando influências e misturando-se de forma inesperada com outros músicos. O projecto "Tea For 3" é uma dessas aventuras que, ao vivo, constitui uma rara parada de estrelas: os trompetistas Enrico Rava e Avishai Cohen (que esteve em Serralves em 2009 com Mário Barreiros), o pianista Uri Caine, a contrabaixista Linda Ho e o baterista Clarence Penn. Qualquer um deles poderia liderar o cartaz de um outro qualquer festival de jazz, transformando o espectáculo de sábado passado num excepcional momento de cumplicidade e mestria só ao alcance de alguns. Palavras para quê! Disfrutem de um pouco dessa magia nestes três videos do concerto, uma cortesia HugtheDj.





sexta-feira, 22 de julho de 2011

DIA DE SÃO VICENTE
















Surgiu hoje, finalmente, um dos novos temas do álbum "Strange Mercy" de St. Vincent que tem edição prevista para Setembro via 4AD. A canção "Surgeon" faz crescer água na boca e pode ser devidamente escutada ou guardada através do microsite concebido para o efeito.   

quinta-feira, 21 de julho de 2011

SHALALALA!


















O novo "Suck it and See" dos Arctic Monkeys pode demorar a entranhar-se, pode não convencer desde logo, pode ser desnivelado. Ok! Mas uma das canções é já por aqui um dos hinos de verão. O tema "The Hellcat Spangled Shalalala" saiu agora em single de vinil pela Domino, o que, atendendo à fabulosa capa e à qualidade da canção, se torna um must have imediato. Shalalala para os Arctic Monkeys!  

NOVAS CANÇÕES DE JENS LEKMAN


















O prometido novo álbum de Jens Lekman vai ser antecipado por um EP de cinco temas inéditos a editar pela Secretly Canadian em Setembro próximo. Chama-se "An Argument With My Self" e teve inspiração diversa entre Melbourne e Gotemburgo, cidades por onde tem deambulado, melancolicamente, nos últimos anos a pensar na vida... Segundo o artista, o material a editar foge um pouco ao que se pretende para o novo trabalho, mas era uma pena ficar de fora. As novas canções foram já, na sua maioria, testadas ao vivo, como o prova o Youtube: "Waiting For Kirsten", "A Promise", "New Directions" e o tema título que deixamos por aqui. Fica por ouvir "So This Guy at My Office". Esperamos, para o efeito, por um regresso a uma sala portuguesa. Seria bom sinal.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

NOMFUSI EM VILA REAL













A programação sempre atractiva do Festival de Sines inclui este ano a estreia portuguesa de Nomfusi & The Lucky Charms (dia 28 de Julho). Trata-se de uma jovem voz revelação da África do Sul escudada numa banda de raizes locais com forte inflûencia do som Motown e de jazz mais antigo. O melhor é que, felizmente, o Teatro de Vila Real recebe o mesmo concerto dois dias depois (Sábado, 30 de Julho) no seu auditório ao ar livre e com acesso completamente grátis. Esperamos que, até lá, este verão envergonhado perca a timidez, já que ritmo é o que não vai faltar. Aqui ficam as apresentações.

terça-feira, 19 de julho de 2011

(RE)LIDO #34


















WHITE BYCICLES
MAKING MUSIC IN 1960s
de Joe Boyd. London: Serpent's Tail, 2006
A indústria da música teve nos anos sessenta uma das suas mais importantes e decisivas décadas. O autor deste livro viveu esses anos como poucos, movimentando-se, principalmente, entre Los Angeles e Londres, experimentando, nesse meio, diversas funções associadas aos músicos, aos concertos, às digressões ou discos: manager, agente, produtor, rodie, técnico de som, dono de editoras (Hannibal Records), etc. de gente como Muddy Waters, Dylan, Fairport Convention, Pink Floyd, Incredible String Band, R.E.M. ou Nick Drake. Com este curriculum não faltavam, obviamente, histórias para contar ou confissões para fazer, o que torna as quase 300 páginas do relato um apetitoso menu para devorar rapidamente por quem se interessa pela história da música popular ocidental. Episódios como os do Newport Festival de 1965 (foto da capa) em que Dylan ligou a guitarra eléctrica, é aqui esmiuçado de forma quase satírica e lúcida, em registo detalhado e minucioso que a sua presença em palco, como técnico de som, permitiu documentar. A descoberta dos Pink Floyd, a produção dos primeiros temas, a azáfama do mítico clube londrino UFO ,de que foi um dos fundadores, são outros dos fortes atractivos da obra, numa visão diferente da sociedade inglesa pelos olhos de um emigrante bem instalado de origem norte-americana. Rivalidades, euforias, desilusões, vícios e passos em falso aparecem por aqui de forma natural e informal, mas também ao jeito de arrependimento, particularmente na malograda história do talentoso mas abandonado Nick Drake. Um livro magnífico, que devia merecer réplicas por estas bandas, onde há, certamente, alguns radialistas, produtores ou editores com muito para revelar.



HAVIA NECESSIDADE?
















Trinta anos de carreira e a única coisa que se lembram de fazer é versões de duvidoso gosto dos próprios originais...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

RAINBOW ARABIA, Festival Manta, CCVFlor, Guimarães, 16 de Julho de 2011


























A chuva molha-tolos, tão ao jeito de um final de Verão ainda longínquo, trocou as voltas à organização que decidiu, preventivamente, transferir o cenário para o pequeno palco interior do café concerto. Perdeu-se, talvez, melhor som, visibilidade e ar puro, já que esta mania de se poder fumar em todo o lado continua a fazer mossa. Ganhou-se, com toda a certeza, maior proximidade com a banda e, importante, intimidade. O ambiente demorou, contudo, um pouco a aquecer e só quando, ao terceiro tema, Tiffany Preston avançou para o meio do público o espectáculo ganhou asas. Seguiram-se outras investidas mais afoitas e endiabradas muito por culpa de um ritmo cada vez mais forte, uma fusão experimental a que a sempre atenta Kompakt deu abrigo e que tanto pode soar a Siouxsie, Tom Tom Club ou Gang Gang Dance, com quem, alías, já partilharam tournées. O álbum de estreia do casal Preston ("Boys and Diamonds", 2011) foi por isso a chama que pegou fogo em temas como  "Without You", "Mechanical", o tribal "Sequenced" ou "Hai", um rastilho que pôs a sala em polvorosa. Um estreia prometedora por terras portuguesas e que, não será difícil prever, terá regresso merecido.       




Handsome Furs - What About Us (Uncensored) OFFICIAL VIDEO from Sub Pop Records on Vimeo.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

SINCEROS 80'S


















Por muito que tentemos desviarmo-nos, os anos 80 estão sempre ao virar da curva. Ainda no sábado passado se discutia entre amigos a validade e qualidade de muitas canções dessa época, enquanto numa pista de dança improvisada um grupo de saudosos se balançava e cantava, de viva voz, velhos êxitos dos The The, Tears For Fears ou Propaganda! Ficamos agora a conhecer um álbum inteiro de covers da autoria de Duncan Sheik, actor, cantor e compositor mainstrem de Nova Iorque, que, sem medo, transformou, à sua maneira, doze dos seus guilty-pleasures. Com a ajuda das belíssimas Rachel Yamagata e Holly Brook, surpreendeu-nos a sinceridade e simplicidade das versões de Howard Jones, Depeche Mode, Thompson Twins, New Order, The Cure, Love and Rockets, The Smiths, Tears for Fears, Japan,  Talk Talk, Blue Nile e Psychedelic Furs. Adivinhem lá esta...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

TORO Y MOI: ELE PASSA-SE


















Nunca são demais as aventuras do rapaz Chaz Bundick, aka Toro Y Moi. Gravado nos últimos meses e prontinho para sair em Setembro, está o novo Ep "Freaking Out" e pode até haver inspiração lusitana, tendo em conta os concertos de Maio passado. Junta-se uma grande versão de "Saturday Love" de Alexander O'Neal & Cherrelle, tema saído em 1985 e que está em regime de oferta.

A TEORIA DOS CONCERTOS














Para quem tem já muitos anos de concertos e espectáculos, diferenciar tipos de público ou a sua localização dentro do recinto é quase uma análise instantânea. Um suposto especialista do jornal Guardian apresenta agora uma teoria sobre esta matéria a que acrescenta algumas explicações para o facto de haver cada vez mais conversa irritante mesmo em concertos acústicos. Concordamos com quase tudo, tirando que em Portugal são muito poucos ou nenhuns os tais profissionais da indústria... O artigo acaba assim: "Ultimately, talking at shows is a bit like watching someone play with their smartphone. It's irritating whenever it isn't you." Pois. Recomenda-se a leitura.

FIONN REGAN - O REGRESSO


















Esta é a capa do novo álbum de Fionn Regan, um desenho do próprio músico. Depois de um segundo disco ("The Shadow Of An Empire", 2010) pouco conseguido, melhor, incompreendido, o irlandês volta a produzir o novo trabalho que recebeu o nome de "100 Acres of Sycamore" e com data de edição para Agosto pela Heavenly. As guitarras electricas, que tanto assustaram os aficionados ao jeito da eterna polémica Dylan Goes Electric, parecem agora esquecidas e a nova sonoridade marca um regresso aos bons tempos de "The End of History", álbum de estreia sedutor, merecedor de todos os elogios e, por isso mesmo, nomeado para Mercury Prize em 2007. O tema título de apresentação está já em pré-escuta, pronto a ser descarregado gratuitamente e não desilude. Ela aqui fica em versão acústica no âmbito de mais um Right Guard video dentro de um pão-de-forma...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

3 X 20 JULHO











20 canções:
- JUNIOR BOYS - Itchy Fingers
- WASHED OUT - Soft
- WE TRUST - Time (Better not stop)
- DESTROYER - Chinatown
- AVI BUFFALO - How Come
- ANNE CALVI - Blackout
- THE VACCINES - A lack of understanding
- HIGH LLAMAS - Berry Adams
- DUCKTAILS - Killin The Vibe
- TV ON THE RADIO - Will Do
- WILCO - I Might
- SONDRE LERCHE - Private Caller
- WHITE DENIM - Keys
- JOSH ROUSE & THE LONG VACATIONS - Diggin In The Sand
- KURT VILE - On Tour
- BON IVER - Wash.
- WILD BEASTS - Loop the Loop
- JULYAN LINCH - On Eastern Time
- UNTHANKS - No One Knows I'm Gone
- JONATHAN JEREMIAH - A solitary man

20 versões:
- OF MONTREAL - Fell In Love With A Girl (White Stripes)
- AU REVOIR SIMONE - Boys Of Summer (Don Henley)
- LOCAL NATIVES - Cecilia (Simon & Garfunkel)
- ELVIS COSTELLO - God Only Knows (The Beach Boys)
- RAILCARS - Cloudbusting (Kate Bush)
- DOUBLE PLUS GOOD - 10 Mile Stereo (Beach House)
- CLEM SNIDE - Hopelessly Devoted to You (Grease)
- ADELE - Lovesong (The Cure)
- BEIRUT - Leaozinho (Caetano Veloso)
- THE TALLEST MAN ON EARTH - Graceland (Paul Simon)
- INDIGO GIRLS - Romeo and Juliet (Dire Straits)
- DANNY BARNES - Sympathy for the Devil (Rolling Stones)
- YUNA - Come As You Are (Nirvana)
- SETTING SUN - You Got Lucky (Tom Petty)
- BUSBY MAROU - Girls Just Want to Have Fun (Cyndi Lauper)
- JAMES MATHE - Wishing Well (Terence Trent D'Arby)
- DENISON WITMER - Northern Sky (Nick Drake)
- PALACE SONGS - Winter Lady (Leonard Cohen)
- LAUREN MOLINA - She Loves You (The Beatles)
- THE DEAD 60s- Seven Nation Army (White Stripes)

20 remixes:
- BELLE & SEBASTIAN - I Didn't See It Coming (Cold Cave Remix)
- GIVERS - Up Up Up  (Body Language Remix)
- WASHED OUT - Eyes Be Closed (Grimes Remix)
- CUT COPY - Need You Now (Architecture In Helsinki Remix)
- RADIOHEAD - Nude (Holy Fuck Remix)
- CHAD VALLEY - Now that I' m real (Courtship Remix)
- TV ON THE RADIO - Red Dress (The Glitch Mob Remix)
- TORO Y MOI - Freak Love (Freddie Joachim Remix)
- SIA - Breathe Me (Butch Clancy Remix)
- PARENTHETICAL GIRLS - Careful Who You Dance With (Xiu Xiu Remix)
- GANG GANG DANCE - MindKilla (Lee Scratch Perry Remix)
- NOAH AND THE WHALE - Life Is Life (Yuksek Remix)
- HERCULES & LOVE AFFAIR - My House (Tensnake Remix)
- YACHT - Utopia (The Miracles Club Remix)
- RAINBOW ARABIA - Blind (Salva remix)
- COLD WAR KIDS - Mine Is Yours (Passion Pit Remix)
- CHROMEO - When The Night Falls (Breakbot Remix)
- EL GUINCHO - Kalise (Round Table Knights Remix)
- MONARCHY - I Won't Let Go (Bag Raiders Remix)
- BLONDE REDHEAD - My Plants Are Dead (Games Remix)

terça-feira, 12 de julho de 2011

A ARTE DE PJ HARVEY E NÃO SÓ...


















No âmbito do anunciado "Summer of Girls" do canal Arte (posição 226 da ZON), é emitido hoje pelas 22h30 o concerto de PJ Harvey gravado em Fevereiro último no Olympia de Paris. Uma boa oportunidade para todos os que, como nós, não estiveram em qualquer das (boas) noites esgotadas da Aula Magna lisboeta de Maio passado, onde foi apresentado o fantástico "Let England Shake". No mesmo serão, está programado um documentário sobre as (fora de moda?) gruppies do rock e ainda o filme "Nikita". Entretanto, o canal web emite também hoje e em directo, pelas 21h30, o concerto de Beirut no Festival Les Sud Arles!  
Aqui fica um pequeno aperitivo para logo.  

KIWANUKA É NOME SOUL




















Ontem pela tardinha, mais uma corridinha Freixo-Ribeira-Freixo junto ao rio, pescadores à linha sem sorte, ventinho fresco e aquele sol a desaparecer entre a ponte e o casario. Lindo. Como sempre, boa banda sonora dos Bons Rapazes e às tantas "o que é isto"? Um som a lembrar velhos conhecidos como o Marvin Gaye, o Callier ou o Otis Redding e, se o fôlego já era pouco, ficamos completamente congestionados... Hoje, claro, fomos confirmar o nome então anunciado. Apontem que não é fácil: Michael Kiwanuka, um miúdo de 23 aninhos, raízes ugandesas, a viver em Londres onde faz furor entre Giles Petterson e a imprensa de referência. Realizou já sessões para a Black Cab, primeiras partes de Adele e editou um EP via iTunes e vinil na Communion Records onde se dá conhecer ao mundo muito por culpa deste fabuloso "Tell me a Tale". Queremos mais.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

NEGRA É A NOITE



















Em finais de 2009 havia uma canção que não nos saía da cabeça. Chamava-se "Into the firing line" e o seu autor, um tal de Scott Matthews, era até aí um perfeito (nosso) desconhecido. O tema fazia lembrar um Jeff Buckley de assumido encanto, embora o álbum que continha tamanha malha tivesse outras óbvias influências como Nick Drake e os Beatles. Lançado na Island Records, "Elsewhere" era a confirmação do talento deste músico inglês, embora alguns fãs mais radicais não lhe tenham perdoado, injustamente, o som demasiado produzido que contrastava com o registo mais rude do primeiro disco "Passing Stranger" (2006). Há agora um terceiro trabalho que aposta num regresso à casa mãe - a San Remo Records - e terá lançamento em Setembro próximo. Pelo que se pode escutar, a aposta é numa toada mais acústica e simples, resultado de muitas actuações nocturnas e duma composição mais negra. O nome do disco ("What the Night Delivers"), a fotografia da capa e este pequeno excerto de um recente concerto não deixam dúvidas...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

SÓ FALTAVA + ESTA!


















O nosso amigo Chilly Gonzales volta a atacar. Desta vez é um álbum de rap orquestral (orchestral rap), o primeiro no mundo, segundo ele! Tem o nome de "The Unspeakable..." e é mesmo isso, rimas auto-flagelativas sobre o mundo do rap, qual Eminem de algibeira, mas com mais pinta e piada (que tal esta pérola no segundo tema "Self Portrait: "I see the truth in Eric Cartman / and Salvador Dali and Dolly Parton / and even Chris Martin / when I dance to Viva La Vida alone in my apartment"). Por trás, uma orquestra inteira a que se junta o inseparável piano, instrumento que serve, a solo, de confessionário na última canção "Shut Up And Play The Piano" ("Hello microphone, it's me, Jason / I know you prefer me on the piano / So be patient"). Andamos há dias a digerir a mistura e não é que a coisa resulta? Pouco mas resulta, nem que seja pelos radiosos arranjos de orquestra. Para Gonzales, (super)produtor, recordista do Guiness, arranjador, actor, director ou rapper, esta é só mais uma etapa de uma longa aventura sem destino. Atendendo ao confessado - "For me, entertainment is war, and the enemy are the artists" - ainda estamos longe de um retiro espritual para escrever um romance... mas pode acontecer. 

É (ERA) HOJE!

Pena ser tão longe...

MILAGRES!


















Podiam ser uma banda portuguesa, mas não são. Chamam-se Milagres, acabam de assinar pela Memphis canadiana e estão sedeados, pois claro, em Brooklyn, NY. O segundo álbum "Glowing Mouth" sai por lá em Setembro e em Outubro na Europa, mas o tema título pode ser desde já descarregado via souncloud. Parece que a banda costumava intitular-se The Secret Life Of Sofia, mas o ano passado alteraram o baptismo para a palavra portuguesa sem sabermos o porquê. A voz de Kyle Wilson, o frontman, faz lembrar Ed Droste dos Grizzly Bear e o ambiente sonoro não anda muito longe do bom gosto dos Walkemen. Enquanto esperamos o novo disco, há já um trabalho anterior editado na Bandcamp de nome "Seven Summits". Boa onda e não é preciso ser crente...  

Milagres - Glowing Mouth by memphisindustries

quarta-feira, 6 de julho de 2011

OS ÚLTIMOS SÃO OS PRIMEIROS


















O concerto das Unthanks realizado Espinho em Maio de 2010 serviu para uma rendição imediata. As irmãs Becky e Rachel tem um dom vocal irrepreensível, dotes que o sempre atento Bodyspace captou para a posteridade num qualquer jardim à beira mar (?). Na altura, prometia-se um álbum novo para 2011 o que foi, escrupulosamente, cumprido. Em Março passado saiu "Last", um conjunto de canções alheias e um original, por sinal o tema título, num álbum sublime de intimidade e aconchego. Se as versões tradicionais e de alguns consagrados (King Krimson ou Tom Waits) recebem um tratamento eficaz, é "Last" que brilha mais alto, um épico de sete minutos escrito por Adrian McNally, produtor e compositor cuja influência na banda se tornou decisiva. Segundo ele, a canção não implica que este seja o último disco ou colaboração, mas reflecte, sem cinismo, algum pessimismo quanto ao futuro. Desde que ouvimos o disco, obviamente que não ficamos indiferentes a esta maravilha a fazer lembrar "Us And Them" dos Pink Floyd. "Last" foi já editado em single digital em Junho passado, ficou reduzida a quatro minutos mas recebeu agora um excelente video da autoria do animador/desenhador Nick Murray. Aqui fica a estreia.       

terça-feira, 5 de julho de 2011

(RE)LIDO #33


















CELEBRITY VINYL
de Tom Hamling. New York: Mark Batty Publisher, 2008
Apresentado como um coffee table book, um daqueles exemplares que servem para desanuviar uma conversa num qualquer local público ou simplesmente para passar tempo, este livro tem um objectivo satírico e humorístico. Mesmo assim, consegue poucas vezes fazer-nos esboçar um sorriso, apesar do kitsh ou mau gosto de muitas das capas de discos de vinil escolhidas. Salva-se a qualidade das reproduções, mas não há referências aos formatos dos discos (7" ou 12") e os pequenos comentários a cada um deles são, na maioria das vezes, de difícil alcance e confusos. O que o autor tratou de fazer foi seleccionar da sua colecção particular um conjunto de ditas celebridades americanas que decidiram gravar música sem sucesso, embora muitos dos nomes sejam famosos nos EUA, mas pouco conhecidos por cá. Claro que já sabíamos que Travolta, Don Johnson, David Hasselhoff, Eddie Murphy ou o Bruce Willis tinham editado singles e álbuns (também nós não resistimos a trazer para casa algumas destas relíquias quando nos aparecem à frente), mas, ainda assim, o livro serve para descobrir que o Billy Crystal, o Chevy Chase, o Muhammad Ali, o Bob Guillaume (o Benson do "Soap") ou o Mr. Spock (Leonard Nimoy) tenham também metido o pé na poça... Da selecção faz parte um disco que muito gostaríamos de ter - Magoo in H-Fi, ou seja, o cegueta Mr. Magoo, um dos nossos heróis de infância, a cantar/estragar uma tal "Mother Magoo Suite"! Aqui fica a recordação...   

RETRO VINIL













O magnífico site Retronaut apresenta uma exposição virtual onde algumas celebridades se rodeiam de discos de vinil ou até os comem, como Brian Wilson! São 16 primorosas fotografias, de Jack Nicholson, a Marylin, de Gainsbourg a Patti Smith e, claro os Beatles. Um site/ideia que é, verdadeiramente, serviço público e donde não apetece sair.   

segunda-feira, 4 de julho de 2011

SHARON JONES AND THE DAP-KINGS, Casa da Música, Porto, 3 de Julho de 2011































A fama vinha de longe. Concertos arrasadores, um som puro sem corantes nem conservantes, soul e funk sem idade nem subterfúgios de que os discos são uma prova inequívoca e uma cantora e performer imbatível na voz e energia. Por terras lusas o colectivo tinha já feito estragos há precisamente seis anos no Santiago Alquimista lisboeta e no SBSR do Meco de 2010, não sendo por isso estranho que a sala grande da Casa tenha quase esgotado (o preço do bilhetes também ajudou) para receber tamanho vendaval. Quando Sharon Jones entrou em palco, ao fim de alguns momentos de aquecimento para por a máquina Dap-Kings a rolar, já a plateia tinha ordeiramente ocupado a frente e laterais do palco, respondendo ao convite nada subtil do mestre de cerimónias Binky Griptite. As cadeiras serviam só para pousar casacos e outros adereços inibidores à dança e suor e Miss Jones tomou, então, as rédeas do espectáculo. Frenética, provocadora, levou pela mão três sortudos para o palco, um tímido, os outros a responder à letra (ver video abaixo de "100 Days, 100 Nights"), dançou de mil maneiras com e sem sapatos, tratou de nos pôr a rir em "Mother don't like my man", estendeu a pista de dança a alguns até cima do palco em "Better Things" e, acima de tudo, confirmou o seu enorme talento natural para cantar. Em "Longer and stronger", tema que celebrou o seu 50º aniversário, confessou "that's how I live / the more I get, the more I got to give", o que atendendo ao que vimos e ouvimos ontem à noite só pode ser verdade. A máquina Dap-Kings claro que facilita todo este ritmo, funcionando como uma espécie de motor de explosão, sempre fluído mas que reage ao mínimo sinal de comando. Notáveis, o baixo no feminino da israelita Hagar Ben Ari, que substituiu Gabriel Roth, um dos mentores mais antigos do colectivo, o cintilante duo de soul sisters, o trio de metais onde o trompete de David Guy fez furor ou a calma estilosa do baterista Homer Steinweiss. Já no encore, a versão que soltaram do clássico "Soul Finger" dos Bar-Kays são a prova do prestígio que alcançaram junto de Mark Ronson, David Byrne ou Al Green. Uma noite memorável de música e diversão, que terminou nos corredores da CDM entre autógrafos, fotografias, abraços e beijinhos e uma Sharon Jones ainda acelerada, bem disposta e cuja simpatia não teve limite. Se por ali houvesse um microfone para lhe pôr nas mãos, certamente que a festa não teria fim. Afinal, o funk é memo bom!