sexta-feira, 27 de setembro de 2013

(RE)LIDO #56





















A MÚSICA DO ACASO
de Paul Auster. Porto: Edições Asa, 2005
Como bons austerianos entramos neste livro sem ler qualquer sinopse ou resumos, esperando como sempre que o autor nos conduzisse por caminhos e ambientes inéditos, surpreendentes e até inverosímeis. O título da obra, contudo, fazia supor um guião com ligações sonoras ou musicais o que, lá está, não é bem o caso. A tal música ocasional resume-se concretamente a uma série de cassetes de compositores clássicos tocadas ao volante de um carro em contínuo andamento, refúgio de um desolado bombeiro recém divorciado à procura do nada enquanto rebenta com uma considerável herança monetária. Uma boleia a um azarento jogador de póquer em fim de noite transforma o seu destino numa arriscada jogada de tudo ou nada que mais não é que uma desesperada fuga para frente de consequências inesperadas e quase nonsense como a construção de um enorme muro de pedra... Poderá não ser dos melhores livros do autor e é até assustador pensar no filme realizado a partir desta história, mas a metafórica visão do ser humano, os seus defeitos e virtudes agarram-nos sem dificuldade à trama e, obviamente, ao drama final que o escritor sabe como ninguém adensar e preparar. Sempre um maestro, este Auster! 

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