quarta-feira, 4 de setembro de 2019

(RE)LIDO #89





















ESTOCOLMO
de Sérgio Godinho. Lisboa: Quetzal, 2019
O impulso é antigo e perigoso: ler romances de músicos respeitados e corajosos que se aventuram na ficção. São, certamente, muitos os exemplos de boas novelas - basta lembra o nome de Chico Buarque - mas não temos tido sorte nas nossas escolhas que alcançam num ápice o estatuto de pura desilusão ou aceleram uma prematura desistência.

No caso de Sérgio Godinho, um primeiro escrito romanceado chamado "Vida Dupla" parecia ser uma estreia segura e prometedora a fazer sonhar com desafios de maior risco e sedução. No caso de "Estocolmo", o seu segundo romance editado este ano, ao fim de poucas páginas o desapontamento começa a instalar-se flutuante numa trivialidade dispensável.

Pode ser mania, mas nunca gostamos das capas onde o nome do autor é bem maior que o título do livro, uma opção comercial que quase sempre é fraco sinal. O argumento metafórico sobre o que é a liberdade e a sujeição com contornos de predação sexual envolvendo uma quarentona apresentadora de televisão e um jovem estudante à procura de quarto numa grande cidade até que parece uma boa ideia mas a narrativa acelera num género de "nove semanas e meia" de má memória que surpreende pela audácia mas que está longe de convencer. Lê-se numa tarde para logo se esquecer à noite...         

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